Caracterização da Natureza do Processo Decisório em Nível Estratégico nas Cooperativas Agroindustriais do Estado do Paraná

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Caracterização da Natureza do Processo Decisório em Nível Estratégico nas

Cooperativas Agroindustriais do Estado do Paraná

Autoria: Reginaldo Ferreira Barreiros, Roberto Max Protil, Vilmar Rodrigues Moreira

Resumo: As cooperativas agropecuárias apresentam diferenças peculiares em relação às

sociedades mercantis: são sociedades de pessoas e não de capital, e desta forma os cooperados

exercem simultaneamente as funções de proprietário, cliente e fornecedor, com o conseqüente

estabelecimento de relações comerciais e econômicas de diferentes naturezas e, por conta

disso, surgem interesses nem sempre convergentes entre os cooperados e as cooperativas.

Neste contexto, o estudo do processo decisório em nível estratégico torna-se uma tarefa não

trivial, se consideradas as particularidades deste tipo de organização. Este artigo apresenta

conceitos sobre o processo decisório nas organizações além de caracterizar as cooperativas

agropecuárias. A partir da abordagem racional de decisão, com foco na racionalidade

limitada, e do modelo político de decisão, foi desenvolvido um modelo conceitual de pesquisa

compatível com o processo decisório das organizações cooperativas, e que foi validado com

base em dados empíricos, coletados em dezenove cooperativas agropecuárias singulares do

estado do Paraná.

1 INTRODUÇÃO

As atividades realizadas pelas empresas, nos seus diversos níveis hierárquicos, são

essencialmente processos de tomada de decisão e de resolução de problemas (SIMON, 1965).

Constantemente os administradores tomam decisões que afetam um grupo, uma organização

ou a própria coletividade. Freitas et al. (1997) argumentam que a sociedade sofre influência

direta pelo modo como as organizações são geridas. Bretas Pereira (1977) reforça a

importância da decisão no contexto atual de mudanças rápidas em que se encontra o mundo,

com conseqüências diretas e imediatas para as empresas e a sociedade.

Os processos decisórios podem ser considerados como o cérebro e o sistema nervoso de uma

organização (DAFT, 1999), estando presentes em todos os níveis empresariais (estratégico,

tático e operacional), assim como em todas as áreas funcionais como produção, finanças,

marketing e recursos humanos. O processo decisório está particular e intimamente ligado a

assuntos estratégicos (EISENHARDT e ZBARACKI, 1992) e, por conta disso, ele tem sido

estudado pelas diversas escolas de estratégia ao longo do tempo em que a teoria

organizacional tem se desenvolvido. Com diversas abordagens – não necessariamente

excludentes entre si, mas primordialmente complementares – o estudo do processo decisório

tem avançado e se tornado cada mais relevante.

Este artigo aborda a questão do processo decisório estratégico em organizações, e tem por

objetivo estabelecer um referencial teórico que permita caracterizar o processo decisório em

nível estratégico em cooperativas agropecuárias, no contexto particular do Estado do Paraná.

2 COOPERATIVAS

As sociedades cooperativas apresentam peculiaridades em sua constituição legal, com

conseqüente adoção de princípios e doutrinas que exercem significativos reflexos na sua

estruturação e governança organizacionais, delegação e exercício de poder e

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conseqüentemente na forma como ocorre o processo decisório. As cooperativas constituem-se

como sociedades de pessoas, que se unem em uma organização, visando a satisfação de

necessidades comuns. Ao contrário das sociedades mercantis, onde o poder é proporcional ao

capital, nas cooperativas o poder é igualitário, na medida em que cada cooperado exerce o

direito de um único voto, independentemente do capital possuído. O resultado financeiro em

uma cooperativa não é objetivo em si próprio. A decisão de reinvestimento ou distribuição aos

cooperados fica à disposição de uma assembléia formada por eles próprios. A quota que cabe

a cada um é proporcional às suas operações com a cooperativa, ao invés das quantidades de

capital possuídos.

Outra particularidade nas cooperativas é o relacionamento ambíguo com os cooperados. Eles

são ao mesmo tempo clientes, fornecedores e proprietários da sociedade. Por conta disso,

verifica-se o surgimento de interesses conflitantes, sobretudo no caso de mercados altamente

concorrências. Dentre as causas de conflitos, verifica-se a dificuldade em compatibilizar a

pressão de diminuição de preços do produto final, vinda do mercado consumidor, com a de

aumento do preço pago pela matéria prima, vinda do segmento dos cooperados – que são os

fornecedores da cooperativa (BIALOSKORSKI, 2001).

No que tange às cooperativas brasileiras, normalmente não se verifica a separação de

propriedade e controle. Os quadros dos dirigentes são geralmente compostos pelos próprios

cooperados, o que pode levar a maiores dificuldades de gestão nas situações de aumento de

complexidade dos negócios das cooperativas (PINHEIRO MACHADO FILHO et al, 2003).

3 O PROCESSO DECISÓRIO

O ser humano toma decisões o tempo todo. Seja no âmbito pessoal, familiar, social ou

profissional, a capacidade de um indivíduo em tomar decisões pode ser determinada, entre

outros fatores, pela sua experiência, maturidade e influência. Deste modo, as decisões podem

transformar-se em agentes de mudanças e influenciar todo o meio em que estão inseridas.

Como geralmente os indivíduos tomam decisões em um contexto social, é possível relacionar

o processo decisório com o ambiente organizacional, uma vez que as organizações

constituem-se em estruturas sociais onde os seus principais elementos são os indivíduos – os

mesmos que tomam decisões o tempo todo. Laroche (1995) identifica as decisões e o processo

decisório como sendo representações sociais. Por conta disso, os indivíduos pensam e agem

em termos de tomadas de decisão.

Vários autores consideram o processo de tomada de decisão como sendo uma das principais e

mais natural das atividades das organizações e, por este motivo, merecedor de especial

atenção. Para Morgan (1996), as organizações são sistemas de tomadas de decisão. Simon

(1972) entende a “tomada de decisão” como sinônimo de “administração”. Becker et al.

(1997) argumentam que não é possível pensar a organização sem considerar a ocorrência

constante do processo decisório porque as atividades das empresas são essencialmente

atividades de tomada de decisão e resolução de problemas, seja qual forem os níveis

hierárquicos observados, possibilitando a constante reorientação de seus objetivos e

atividades.

3.1 O processo racional

A primeira abordagem para o processo de tomada de decisão foi a do modelo racional. Neste

modelo o indivíduo da organização ainda possui como características apenas as contempladas

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pela administração científica, ou seja, o tipo ideal representado pelo “homus economicus”,

herdado da economia e que descreveria o indivíduo como um ser totalmente racional e

incorruptível. Este indivíduo faz as “escolhas ótimas”, em um ambiente bem especificado e

bem definido, e suportado por modelos matemáticos e estatísticos, que o levam sempre a

escolhas ótimas e uma maximização de resultados (MARCH e SIMON, 1966). No ambiente

racional de tomada de decisão, as atividades se caracterizam como prescritivas e

determinísticas onde as informações podem ser totalmente reunidas e processadas com vistas

às decisões ótimas (LUCIANO, 2000). Os indivíduos entram em situações de decisão com os

objetivos previamente conhecidos. Os objetivos determinam o valor das possíveis

conseqüências de uma ação. Os indivíduos então reúnem as informações apropriadas, montam

um conjunto de alternativas e escolhem a ótima (EISENHARDT e ZBARACKI, 1992).

Quando confrontado com uma situação de risco, ou incerteza com relação ao conjunto de

informações reunidas, o decisor, apoiado por técnicas estocásticas e por seu juízo de

conseqüência-utilidade, escolhe a decisão preferencial dentro de um conjunto previamente

definido de preferências, onde esta decisão preferencial consiste daquela de maior utilidade

(MARCH e SIMON, 1966).

É justamente neste ponto que a abordagem racional sofreu suas piores críticas. March e Simon

(1966) argumentam que o modelo racional serve apenas para os ambientes de certeza

absoluta, onde tudo é completamente normatizado. Neste caso a racionalidade é totalmente

objetiva. Nos demais casos a racionalidade torna-se subjetiva e as escolhas podem não ser as

“ótimas” proclamadas pelos modelos matemáticos e estatísticos. Além disso, os ambientes

totalmente controláveis, que são pressupostos da teoria racional, não são encontrados em

todas as organizações, em todos os momentos, e as variáveis e implicações são numerosas e

estão em constante mudança (MOTTA apud LUCIANO, 2000).

3.2 Racionalidade versus racionalidade limitada

A abordagem racional das tomadas de decisão apresentou diversas dificuldades e

inconsistências na medida em que outras dimensões do indivíduo organizacional passaram a

serem consideradas. Dimensões comportamentais – incluindo motivação, conflitos e

personalidade –, dimensões políticas (interesses particulares e de grupos) e dimensões sociais

(valores e referências) restringem o alcance do “ideal” da teoria clássica racional (MOTTA

apud LUCIANO, 2000).

Herbert Simon na década de 50 fez uma leitura destas divergências e dificuldades da

abordagem racional e elaborou o estudo clássico que concluiu por uma racionalidade limitada

dos indivíduos. Para ele os indivíduos possuem sim uma certa racionalidade, porém esta é

limitada e as decisões relacionadas estão condicionadas a possibilidades e não a situações

ótimas. Além disso, como o próprio nome diz, existe uma limitação clara da racionalidade

humana. Isto se caracteriza por uma total impossibilidade de análise de todas as informações,

alternativas e dimensões envolvidas no processo decisório, o que acarreta em uma

inconsistência com a decisão ótima apregoada pela decisão ideal normativa (SIMON, 1965).

Sendo assim, a racionalidade se reduz a uma aceitação do razoável, onde as alternativas são

selecionadas pelo critério de encaixe em algum sistema de valores (BECKER et al., 1997).

Alguns pesquisadores identificaram empiricamente que a racionalidade nas tomadas de

decisão não é estanque em um extremo totalmente objetivo e determinista. É antes de tudo,

um continuum onde no outro extremo estão as limitações do indivíduo. Os decisores se

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movem neste continuum tipicamente pelo incremento do conflito (EISENHARDT e

ZBARACKI, 1992).

O modelo decisório proposto por Simon (1972) compreende basicamente três fases principais:

descobrir o momento em que a decisão deve ser tomada, identificar os possíveis cursos de

ação e decidir-se entre um deles. Todavia este modelo também recebeu críticas de vários

pesquisadores. Entre as quais, criticou-se a questão normativa de que a decisão ótima

encontra-se num continuum. Fredrickson e Miller (apud EISENHARDT e ZBARACKI, 1992)

argumentam que ambientes mais complexos, ou turbulentos, requerem menos racionalidade.

Eisenhardt e Zbaracki (1992) também argumentam que a racionalidade é multidimensional e

assim os decisores são racionais em alguns momentos e em outros não. Também argumentam

que os decisores se satisfazem em vez de ficar procurando o ótimo continuamente e os

objetivos são descobertos no processo de procura.

Porém convém notar que o enfoque proposto por Simon foi o início de uma nova

compreensão de como as decisões são tomadas. Libertando-se da normatização proposta pelo

processo racional, foi possível admitir as influências do ambiente, dos interesses e o

surgimento de conflitos nos processos decisórios, surgindo assim outras percepções sobre o

tema (LUCIANO, 2000). Simon desta forma quebrou o mito do “homus economicus”, cem

por cento racional, e fortaleceu a idéia do “homus administrativus”.

Alguns pesquisadores em estratégia vêm utilizando um novo conceito derivado da

racionalidade limitada, denominado racionalidade requerida (procedural rationality), como

sendo o limite de esforço e investimento em acumulação e análise de dados relevantes, que

possam contribuir compensatoriamente para a adequada solução dos problemas (DEAN e

SHARFMAN,1993).

3.3 Abordagem coalizacional e o modelo político

No nível da decisão organizacional, Richard Cyert, James March e Herbert Simon

desenvolveram o modelo de Carnegie ou modelo coalizacional, que aproveita os pressupostos

da teoria da racionalidade limitada de Simon e acrescenta que nas organizações, as decisões

freqüentemente são tomadas por diversos gerentes ou envolvem diversas pessoas com visões

e preferências conflitantes (DAFT, 1999). Neste caso, por causa da ambigüidade das metas

organizacionais nos departamentos da organização e pela limitação cognitiva dos envolvidos,

estes fazem coalizões (aliança entre diversos gerentes que entram em acordo sobre metas e

prioridades organizacionais) para tentar chegar a uma decisão apoiada pelas partes

interessadas.

Normalmente, aqueles com maior poder na organização tendem a dominar o processo de

decisão. Neste caso, quando os decisores estão conscientes desta tendência, eles podem agir

para manipular o processo pela via política. Este modelo torna-se relevante quando as

condições de ambigüidade são maiores que as de certeza. Dentro desta perspectiva os

decisores estariam mais preocupados com a procura de alternativas que provocassem uma

acomodação dos diversos interesses no interior da organização, do que propriamente a

procura da solução de algum problema (HATCH, 1997).

O modelo coalizacional aumenta a legitimidade da decisão na medida em que leva em

consideração diversas opiniões e proporciona uma maior aceitação da decisão na

organização. Neste processo pode-se verificar mais uma vez que a solução será a satisfatória,

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uma vez que atenda aos interesses de todos os envolvidos no processo, buscando por uma

solução rápida no ambiente imediato que satisfaça os envolvidos e assim que a encontram,

cessa a procura (DAFT, 1999).

A perspectiva política surgiu através dos estudos sobre as decisões nas ciências políticas na

década de 1950. Estudos sobre conflitos e coalizões entre os decisores do governo permitiram

a consideração de várias dimensões até então negligenciadas pela teoria administrativa.

Transportando para o contexto organizacional, enquanto o modelo da racionalidade limitada

focalizou aspectos cognitivos dos indivíduos, o modelo político focalizou as reações sociais

sobre grupos de indivíduos. No modelo político os grupos não são racionais, apenas as

pessoas individualmente (EISENHARDT e ZBARACKI, 1992).

A abordagem política identifica a existência de jogos de poder dentro das organizações,

através de autoridade, status, informação, hierarquia ou função, ou qualquer mecanismo que

possa colocar um indivíduo ou um grupo em vantagem em relação a outro. Considerando o

poder como fator chave na tomada de decisão e que os decisores detém poderes e interesses

diferentes na organização, ocorrem negociações de natureza política, como influência e

coalizão, gerando conflitos internos (MORGAN, 1996). Os decisores de menor poder têm que

se valer de grande espírito de negociação, a fim de ultrapassar restrições internas e externas

impostas pelos decisores com maior poder.

Para Mintzberg e Quinn (2001) existe um sistema de influências na empresa: autoridade,

ideologia, expertise e política. Para eles os três primeiros podem ser considerados legítimos,

cada um com sua própria especificidade. Contudo, a política reflete o poder que é

tecnicamente ilegítimo, pois, nas organizações, ele não está oficialmente autorizado, aceito ou

certificado.

Morgan (1996) relaciona as organizações a sistemas de governo que variam de acordo com os

princípios políticos empregados. Ele identifica as formas de “governar” politicamente a

organização através de um misto de regras políticas: autocracia, burocracia, tecnocracia,

co-gestão, democracia representativa e democracia direta. Além disso, ele sugere a análise da

política organizacional através de uma forma sistematizada envolvendo relações entre

interesses, conflito e poder.

O principal pressuposto da perspectiva política é que o processo decisório é altamente

influenciado pelas pessoas e/ou grupos que detêm mais poder na organização com vistas a

obtenção de seus próprios interesses (MARCH, HININGS et al., SALANCICK e PFEFFER,

apud EISENHARDT e ZBARACKI, 1992; MORGAN, 1996). Através das coalizões, os

indivíduos se agrupam para aumentar seus poderes e capacidades políticas e tentar minimizar

os conflitos através de barganhas, convergindo o grupo para interesses e decisões comuns

(CYERT e MARCH, 1992). Por conta disso, o poder e a política organizacional estão

intimamente ligados e as escolhas refletem as preferências das pessoas mais poderosas, que

por sua vez utilizam a informação como forma de aumentar mais ainda seu poder e influência

política.

Apesar do modelo político, comparado aos modelos racionais, apresentar uma perspectiva

mais realista e consistente do processo decisório na organização, existem algumas críticas

relevantes. Uma das principais é o fato do modelo ignorar outras dimensões do decisor e da

própria organização, tais como, princípios, crenças, identidade, família, personalidade,

cultura, valores, entre outros (LUCIANO, 2000). Eisenhardt e Zbaracki (1992) argumentam,

corroborados por pesquisas empíricas, que políticas são disparadas por desequilíbrios de

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poder e muitas vezes apresentam-se como ineficientes. Para estes autores, as políticas criam

animosidade, desperdício de tempo, atrapalham os canais de informação e levam a

organização a pioras no seu desempenho.

3.4 Caracterização da natureza do processo de tomada de decisão em nível estratégico

Na pesquisa em andamento adotou-se os modelos de racionalidade limitada e político, para

analisar o processo decisório em nível estratégico nas cooperativas agropecuárias do Paraná.

Dean e Sharfman (1996), realizando estudo para verificar a influência da natureza do processo

de tomada de decisão em nível estratégico sobre a efetividade das decisões, e baseando-se nas

definições sobre processo decisório de diversos autores, indicados a seguir, desenvolveram os

seguintes construtos para a caracterização dos processos de racionalidade requerida e político:

Perguntas caracterizadoras Fontes

Com que intensidade os decisores buscam por informações

antes de tomar decisões ? Cyert e Mach (1992), Hickson et al. (1986), Langley (1989) Com que intensidade os decisores analisam informações

relevantes antes de tomar decisões ?

Allison (1971), Mintzberg et al. (1976),Eisenhardt e Bourgeois (1988) Qual o grau de importância de métodos de análise quantitativa

na tomada de decisões ? March e Simon (1966), Mintzberg et al. (1976), Langley (1989). Qual a abordagem que tem mais influência na tomada de

decisão: a analítica ou a intuitiva ? Mintzberg et al. (1976), Fredrickson (1984). Qual o grau de efetividade dos decisores, focando sua atenção

em informações fundamentais e descartando informações irrelevantes ?

Simon (1978), Feldman e March (1981).

Fonte: Dean e Sharfman, 1996

QUADRO 1 – PERGUNTAS CARACTERIZADORAS DO PROCESSO DE RACIONALIDADE REQUERIDA

Perguntas caracterizadoras Fontes

Os decisores estão primariamente preocupados com seus

próprios objetivos, ou com os objetivos da organização ? Allison (1971), Allen et al. (1979), Bacharach e Lawler (1980), Pfeffer (1981). Em que proporção as pessoas estão abertas entre si sobre seus

diversos interesses e preferências na decisão ?

Pettigrew (1973), Pfeffer (1981), Eisenhardt e Bourgeois (1988).

Em que proporção as decisões são afetadas pelo uso de poder e

influência entre membros do grupo ? Pettigrew (1973), Allen et al. (1979), Bacharach e Lawler (1980), Pfeffer (1981). Em que proporção as decisões são afetadas pela negociação

entre membros do grupo ? Allison (1971), Pfeffer (1981). Fonte: Dean e Sharfman, 1996

QUADRO 2 - PERGUNTAS CARACTERIZADORAS DO PROCESSO POLÍTICO

4 PROPOSTA DE UMA METODOLOGIA DE ESTUDO DO PROCESSO

DECISÓRIO NAS COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS DO PARANÁ

Através da pesquisa bibliográfica apresentada anteriormente, verificou-se que a dinâmica do

processo decisório em nível estratégico em cooperativas ainda não está sistematizada, pois

pouca pesquisa foi realizada nesta área. Vislumbra-se que a caracterização e melhor

conhecimento do processo decisório nas cooperativas pode constituir-se em fator indutor de

aumento da eficiência econômica e social dessas organizações. Evidencia-se, portanto, a

necessidade de se desenvolver modelos e metodologias que permitam estudar cientificamente

o processo decisório dentro destas complexas organizações.

Para compreende e avaliar estas variáveis, está sendo proposto o modelo de análise ilustrado

na figura ilustrada a seguir:

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FIGURA 1 – MODELO DE ANÁLISE PROPOSTO

Neste modelo são apresentadas as diversas relações internas e externas existentes nas

cooperativas, e que influenciam o seu processo de decisão em nível estratégico. O ambiente

externo - composto pelos clientes, fornecedores, concorrentes, órgãos regulamentadores, e

ainda constituído por variáveis de diferentes naturezas, como econômica, política, social,

tecnológica, legal, ecológica e demográfica -, influencia de forma variada a organização

cooperativa e o corpo de cooperados. Os cooperados, organizados em variadas comissões,

conforme o nível de diversificação dos seus empreendimentos, exercem diferentes pressões

sobre a cooperativa, na tentativa de verem atendidos seus interesses de ordem individual ou

corporativa. A cooperativa, com sua estrutura técnica e administrativa, tende a imprimir o

máximo de racionalidade em seu processo decisório, com base nas informações recebidas do

mercado. Todavia, dada a natureza democrática da sua governança corporativa, a cooperativa

é altamente sensível às pressões internas, na busca de consenso e coalizão entre os

cooperados. Convivem nas cooperativas duas estruturas aparentemente duais. Por um lado,

uma estrutura técnica, que busca a racionalização, por outro lado a estrutura de poder e de

ordem política, que influencia o processo decisório, com base nos diferentes interesses

individuais ou corporativos.

No modelo as decisões políticas são tratadas como decisões horizontais, pois ocorrem através

de comitês e assembléias, onde cada cooperado possui um voto, ou seja, as decisões são

tomadas em um mesmo nível. Já as decisões administrativas são vistas como decisões

verticais, pois ocorrem em diferentes níveis, a saber: estratégico, tático e operacional.

Decisões administrativas são geralmente estruturadas e programadas, ao contrário das

Processo decisório Decisões administrativas Decisões econômicas Decisões políticas Mercado Comissões de Cooperados Estrutura Administrativa da Cooperativa

Assembléia Geral

Ambiente Organizacional de uma Cooperativa

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decisões políticas, que são de caráter contingencial e exigem demoradas negociações.

Também temos neste modelo as decisões econômicas que ocorrem na interface da

organização cooperativa com o mercado, e que apesar de serem resultado de decisões

políticas, são de responsabilidade exclusiva do nível estratégico da estrutura administrativa da

cooperativa.

Desta forma é possível identificar neste modelo três dimensões ou esferas de decisão:

administrativa, política e econômica. Cada qual com suas características e peculiaridades, mas

que formam um todo sistêmico responsável pela dinâmica da organização. A análise do

presente trabalho concentrou-se nas dimensões política e econômica, que lidam de forma

mais intensa com as questões estratégicas das cooperativas. A dimensão administrativa não é

avaliada neste trabalho por concentrar decisões nos níveis tático e operacional.

O modelo de análise proposto deu embasamento para a realização de estudo empírico

envolvendo todo o universo de cooperativas do Estado do Paraná, e cujo objetivo geral é o de

caracterizar a natureza do processo decisório em nível estratégico nessas organizações, em

duas dimensões básicas:

a) Dimensão política: a fase de organização dos cooperados em comissões, até chegar às

assembléias gerais, consideradas as pressões derivadas das condições dos

empreendimentos individuais dos cooperados e do ambiente interno da cooperativa;

b) Dimensão econômica: a fase de posicionamento das cooperativas no mercado,

consideradas as pressões derivadas das condições e restrições oferecidas pelo ambiente

externo.

Com base neste modelo, buscou-se respostas para as seguintes perguntas:

a) Qual a percepção dos dirigentes, administradores e cooperados sobre a natureza do

processo decisório em nível estratégico nas cooperativas agropecuárias do Paraná?

b) É possível detectar diferenças significativas na percepção dos dirigentes, administradores

e cooperados sobre a natureza do processo decisório em nível estratégico nas cooperativas

agropecuárias do Paraná?

c) Há diferenças significativas na natureza do processo decisório nas diferentes fases

pesquisadas?

5 MÉTODOLOGIA

Foi realizada uma pesquisa de levantamento de natureza exploratória e descritiva, em nível de

análise organizacional, com corte transversal, com amostragem intencional junto ao universo

das sessenta cooperativas agropecuárias singulares do Paraná. Para tanto, buscou-se apoio da

OCEPAR – Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná - para a identificação e

obtenção do endereço, telefone e e-mail das cooperativas para a realização dos contatos

necessários para a realização da pesquisa.

Foram confeccionados três questionários para o levantamento das informações: o primeiro

direcionado para um administrador, o segundo para um dirigente e o terceiro para um

cooperado.

Os construtos utilizados para aferição da percepção dos respondentes quanto à natureza do

processo decisório em nível estratégico, foram os mesmos propostos por Dean e

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Scharffman,(1993) já descritos anteriormente, compostos de cinco perguntas caracterizadoras

do modelo da racionalidade limitada e quatro perguntas caracterizadoras do modelo político.

Nos questionários dos administradores e dirigentes foram efetuadas perguntas visando

detectar a percepção desses dois públicos sobre a natureza do processo decisório em nível

estratégico em duas fases distintas:

a) a fase de organização dos cooperados em comissões internas até chegar nas assembléias

gerais, quando são consideradas as peculiaridades dos empreendimentos individuais dos

cooperados com as conseqüentes pressões internas do quadro social;

b) a fase de posicionamento da cooperativa no mercado, obedecidas suas condições

concorrenciais e as pressões derivadas do ambiente externo.

No questionário direcionado para o cooperado, as perguntas limitaram-se à fase de

organização dos cooperados, considerando a limitação de atuação desse público na fase de

posicionamento no mercado. As perguntas caracterizadoras da natureza do processo decisório

foram elaboradas com respostas dispostas em escala de diferencial semântica, com sete pontos

de resposta fechada. De acordo com Cooper e Schindler (2003) esse tipo de escala é

apropriado para a mensuração de significados psicológicos de uma atitude ou objeto. Ainda

segundo esses autores, a escala de diferencial semântica produz dados intervalares, com

possibilidade de mensuração de atitudes em direção e em intensidade, possibilitando a análise

estatística através de métodos paramétricos. No presente estudo, porém, foram utilizados

métodos estatísticos não paramétricos, dado o pequeno tamanho da amostra. No questionário

direcionado ao administrador ainda foram efetuadas perguntas caracterizadoras da

cooperativa, visando a aferição de algumas variáveis independentes, como faturamento,

número de cooperados, nível de profissionalização, homogeneidade do quadro social e grau

de industrialização da cooperativa.

Os questionários foram confeccionados no aplicativo Sphinx e submetidos a pré-teste,

mediante análise crítica de cinco Engenheiros Agrônomos que trabalham com cooperativas

(quatro do Banco do Brasil e um da OCEPAR), além de dois estudantes de iniciação científica

da PUC-PR. Os questionários foram disponibilizados em site da Internet, tendo sido possível,

portanto o seu preenchimento de forma direta e em tempo real. Considerando dificuldades de

acesso aos questionários hospedados em site da Internet, devido à incompatibilidade de

programas ou de limitações impostas por precauções de segurança na rede de computadores

de algumas cooperativas, foi também necessário disponibilizar e coletar os questionários em

formato Word através de e-mail.

Foram contatadas sessenta cooperativas através de correspondência epistolar endereçada aos

seus presidentes, que apresentou os objetivos do trabalho e solicitou a participação na

pesquisa. Três dias após a postagem das correspondências, foi enviado e-mail às cooperativas,

com instruções sobre o preenchimento dos questionários diretamente e em tempo real, através

da Internet. Na semana seguinte, as cooperativas foram contatadas via telefone, visando a

identificação de contato para reforço de sensibilização para participação na pesquisa. Dezoito

cooperativas foram visitadas pessoalmente também na busca de maior sensibilização para

participação na pesquisa.

A análise descritiva dos dados foi realizada através do Software Sphinx Léxica versão 4.5,

enquanto os testes de hipóteses específicos foram realizados no aplicativo SPSS versão 10.0.

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6 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Das sessenta cooperativas que compõem o universo estudado, dezenove responderam a

pesquisa, o que equivale a um retorno de 32%. Das cooperativas que participaram, foi

possível tabular respostas de 17 administradores, 17 dirigentes e 19 cooperados. O quadro a

seguir apresenta os escores das respostas relativas à percepção dos respondentes quanto à

natureza do processo decisório em nível estratégico.

Modelo da Racionalidade Limitada

Fase de organização dos cooperados Fase de posicionamento no mercado

Administrador Dirigente Cooperado Administrador Dirigente

Pergunta 1 4,77 5,12 4,58 5,76 5,76 Pergunta 2 5,06 5,53 4,89 5,88 5,88 Pergunta 3 4,88 5,06 4,42 5,47 5,53 Pergunta 4 4,76 4,82 4,37 5,59 5,12 Pergunta 5 5,00 4,82 4,95 5,41 5,59 Média 4,89 5,07 4,64 5,62 5,58 Média Geral 4,86 5,58 Modelo Político

Fase de organização dos cooperados Fase de posicionamento no mercado Pergunta 1 3,41 2,88 3,53 2,41 2,59 Pergunta 2 3,00 3,12 3,58 2,71 3,00 Pergunta 3 4,12 3,76 4,16 3,24 3,41 Pergunta 4 3,47 3,71 3,73 3,59 3,29 Média 3,50 3,37 3,75 2,99 3,07 Média geral 3,53 3,03

TABELA 1: ESCORES DAS RESPOSTAS DE ADMINISTRADORES, DIRIGENTES E COOPERADOS

Os dados da tabela 01 permitem verificar que há uma significativa dominância do modelo de

racionalidade limitada sobre o modelo político, tanto na fase de organização dos cooperados

como na fase de posicionamento no mercado. Para verificar se há diferenças de percepção

sobre a natureza do processo decisório entre os três públicos pesquisados (administradores,

dirigentes e cooperados), os dados foram submetidos ao teste de Kruskal-Wallis, para

verificar se há diferença entre os escores médios dos três grupos.

O teste de Kruskal-Wallis apresentou para a variável fase organização dos cooperados /

dimensão racional um valor p de 0,540, para a variável fase organização cooperados /

dimensão política um valor p de 0,176, para a variável fase posicionamento mercado /

dimensão racional um valor p de 0,849 e para a variável fase posicionamento mercado /

dimensão política um valor p de 0,755.

Em todas as variáveis, o valor p é maior do que 0,05, o que indica que ao nível de

significância de 5%, não há evidência estatística suficiente para rejeitar H

0

, que considera a

igualdade de percepção dos administradores, dirigentes e cooperados sobre a natureza do

processo decisório, nas dimensões racional e política, tanto na fase de organização dos

cooperados, quanto na de posicionamento da cooperativa no mercado.

Para verificar se os escores da percepção de administradores e dirigentes, sobre a natureza do

processo decisório, são estatisticamente diferentes entre as fases de organização dos

cooperados e de posicionamento no mercado, as respostas desses dois públicos foram

submetidas ao teste de Wilcoxon (duas amostras relacionadas). As respostas dos cooperados

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não foram submetidas a esse teste, pois esse público foi inquirido sobre somente uma das

fases, a de organização dos cooperados.

Os resultados do teste de Wilcoxon indicam para a comparação cruzada das respostas dos

administradores sobre a dimensão racional nas duas fases analisada um valor p de 0,03 e para

a dimensão política um valor p de 0,037. Verificou-se ainda para a comparação cruzada das

respostas dos dirigentes sobre a dimensão racional nas duas fases estudada um valor p de

0,021 e no caso da dimensão política um valor p de 0,07.

Nos três primeiros casos, o valor p é menor do que 0,05, o que indica que ao nível de

significância de 5%, há evidência estatística suficiente para rejeitar H

0,

que considera a

igualdade de percepção dos administradores e dirigentes.

.

Portanto, se aceita H

1

, nos seguintes

casos:

a) a percepção dos administradores, tanto na dimensão racional quanto na política, é

estatisticamente diferente, ao nível de significância de 5%, entre as fases de organização

dos cooperados e a de posicionamento da cooperativa no mercado;

b) o mesmo se pode afirmar com relação à percepção dos dirigentes sobre a dimensão

racional. O teste indica diferença estatística, ao nível de significância de 5%, sobre a

percepção desse público entre as duas fases estudadas.

Já com relação à percepção dos dirigentes sobre a dimensão política, o valor p é de 0,07

(maior do que 0,05), o que indica que ao nível de significância de 5%, não há evidência

estatística suficiente para rejeitar H

0.

Ao repetirmos o teste de Wilcoxon, agora considerando todas as respostas dos três públicos

(administradores, dirigentes e cooperados) conjuntamente e adotando como hipótese H

0

não

haver diferença de percepção dos respondentes entre as duas fases estudadas, encontrou-se o

valor p igual a 0,000 para a comparação cruzada das respostas de todos os respondentes sobre

a dimensão racional nas duas fases analisadas e 0,005 no caso da dimensão política. Nos dois

casos, o valor p é menor do que 0,05, o que indica que ao nível de significância de 5%, há

evidência estatística suficiente para rejeitar H

0.

Portanto, se aceita H

1

, que

considera que a

média das respostas, no nível de significância de 5%, é estatisticamente diferente entre as

duas fases estudadas, tanto na dimensão racional quanto na dimensão política.

7 DISCUSSÃO E CONCLUSÂO

As cooperativas são sociedades de pessoas com necessidades comuns, que se unem em uma

organização visando, através da cooperação, o alcance de benefícios que não seriam possíveis

através de ações individuais. A atividade cooperativa é regulamentada pela Lei 5.764, de

Dezembro de 1971, complementada pela Constituição de 1988, que vedou a interferência

estatal nas cooperativas, garantindo-lhes o direito de auto-gestão.

Este tipo de organização exerce importante papel no agronegócio paranaense, na medida em

que respondem por 50% da atividade agropecuária desse Estado, que concentra mais de 20%

da produção agropecuária nacional. As cooperativas mantêm uma peculiar relação com seus

cooperados. Eles são simultaneamente donos, clientes e fornecedores de suas cooperativas.

Mantêm com elas diversas transações econômicas, desde a forma de capitalização, a

remuneração de seu capital, a aquisição de bens e serviços, a venda de produtos, o

compromisso de fidelidade na entrega de produtos, o direito na participação nas sobras

proporcionalmente ao movimento na cooperativa e a subscrição e integralização de capital

(12)

para novos investimentos. Essa grande variedade de relações econômicas e comerciais,

associada às variações de porte, tecnologia e tipo de empreendimentos dos cooperados, leva a

situações de divergência de interesses dos cooperados e cooperativos, com conseqüente

aumento no grau de dificuldade de gestão das cooperativas, sobretudo no nível estratégico.

O processo decisório nas organizações é motivo de estudos há décadas. O nível de

racionalidade aplicado no processo decisório é o ponto central da questão. Quanto maior o

nível de racionalidade, maior a probabilidade de adequação e acerto da decisão. Os modelos

desenvolvidos e preconizados ao longo do tempo variaram desde a abordagem estritamente

racional, baseada na teoria econômica do utilitarismo e aplicada através de métodos

matemáticos de pesquisa operacional, na busca da solução ótima dos problemas; até os

métodos mais desestruturados como o da lata de lixo, aonde as decisões vão sendo eleitas e

alteradas, de acordo com cada situação (EISENHARDT e ZBARACKI, 1992).

A abordagem da racionalidade limitada contribuiu de forma significativa para o tema, ao

considerar que a maioria das decisões não é tomada de uma forma totalmente lógica e

racional. Ao contrário, os processos decisórios caracterizam-se pelos conflitos, formalização

de coalizões, tentativas e erros, velocidade e enganos. Os decisores operam sob muitas

restrições de natureza cognitiva, e de acesso a informações, o que limita a racionalidade,

dando espaço para a experiência e a intuição (DAFT, 1999).

A abordagem da racionalidade limitada não invalida a busca dos decisores pelo incremento do

grau de racionalidade em suas decisões. O desenvolvimento de sistemas de Tecnologia de

Informação busca exatamente proporcionar mais, melhores e tempestivas informações, para

que a decisão seja a melhor possível, ou seja, tomada com a máxima racionalidade possível.

Surge desta forma o novo conceito de racionalidade requerida (“procedural rationality”), que

alguns pesquisadores vem definindo como sendo o limite de esforço e investimento em

acumulação e análise de dados relevantes, que possam contribuir compensatoriamente para a

adequada solução dos problemas (DEAN e SHARFMAN, apud RANGANATHAN e SETHI,

2002).

Diversos estudos sobre o processo decisório revelam a larga utilização do modelo de Simon

no meio acadêmico, por se tratar de um modelo consagrado, de fácil visualização e que teve

desdobramentos posteriores, vindo a servir como fundamentação para o desenvolvimento de

sistemas de informação como suporte à decisão.

Aparentemente, esse modelo é aplicável nas decisões mais programadas e de menor incerteza,

nos níveis operacional e tático das cooperativas. No nível estratégico, todavia, há evidências

bibliográficas de forte influência política sobre o processo decisório das cooperativas, em

função da divergência de interesses entre os agentes, o que indica possível limitação na

utilização desse modelo nesse nível decisório.

Os resultados apresentados neste artigo confirmam esta hipótese, pois permitem chegar às

seguintes conclusões:

a) Tanto na fase de organização dos cooperados quanto na de posicionamento no mercado, a

percepção dos respondentes é de que prevalece o modelo de racionalidade limitada no

processo decisório em nível estratégico;

(13)

b) A percepção dos respondentes indica que a dimensão da racionalidade é maior durante a

fase de posicionamento das cooperativas no mercado, se comparada com a fase de

organização dos cooperados;

c) A dimensão política também está presente no processo decisório das cooperativas,

notadamente na fase de organização dos cooperados, quando o escore encontrado é

significativamente maior em relação ao da fase de posicionamento no mercado;

d) A percepção dos administradores, dirigentes e cooperados não mostrou diferença

estatística no nível de significância de 5%.

Desta forma, os resultados alcançados permitem que o modelo proposto seja validado, no que

se refere às diferenças da natureza do processo decisório detectadas nas duas fases estudadas.

Ou seja, se comparadas as duas fases, a de posicionamento no mercado se aproxima mais do

modelo racional, enquanto o modelo político é mais fortemente aplicado na fase de

organização dos cooperados, embora nessa fase também predominem aspectos do modelo

racional.

Esse estudo limitou-se a avaliar a percepção dos respondentes sobre o processo decisório em

nível estratégico nas cooperativas agropecuárias singulares do Paraná em duas fases distintas,

conforme o modelo proposto. Outros aspectos relativos ao processo decisório, como a

identificação de outras variáveis intervenientes, tais como homogeneidade do quadro social

quanto ao porte; homogeneidade do quadro social quanto à natureza dos empreendimentos

dos cooperados; profissionalização da administração da cooperativa; origem étnica do quadro

social; verticalização da produção; grau de utilização de tecnologia da informação; fidelidade

dos cooperados; forma de capitalização da cooperativa; convergência de interesses entre os

associados são objetos desta pesquisa e irão complementar o projeto de caracterização do

processo decisório em nível estratégico nas cooperativas agropecuárias singulares do Paraná.

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Referências

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