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Tribunal de Justiça de Santa Catarina

Apelação Cível em Mandado de Segurança n. 2007.041281-1, de Brusque Relator: Des. Cid Goulart

APELAÇÃO CÍVEL EM MANDADO DE SEGURANÇA - CONCURSO PÚBLICO PARA O CARGO DE PROFESSOR DE 1ª A 4ª SÉRIES - CANDIDATA APROVADA - HABILITAÇÃO EM MAGISTÉRIO DE 2º GRAU - NOMEAÇÃO E POSSE - NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELO EDITAL - IMPOSSIBILIDADE - AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO - MANUTENÇÃO DA SENTENÇA - RECURSO DESPROVIDO.

"Não se vislumbra direito líquido e certo à nomeação e posse no cargo de professor, se o candidato não apresentou a documentação exigida para habilitação no certame, qual seja, licenciatura plena para o exercício do magistério" (STJ, RMS n. 16187/MA, rel. Min. Paulo

Medina, j. 23.09.2003).

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível em Mandado de Segurança n. 2007.041281-1, da comarca de Brusque (Vara Comercial), em que é apelante Precila Andrade Tadiotto Villar, e apelado Município de Brusque:

ACORDAM, em Segunda Câmara de Direito Público, por votação unânime, negar provimento ao recurso. Custas na forma da lei.

RELATÓRIO

Precila Andrade Tadiotto Villar impetrou Mandado de Segurança (autos n. 011.07.000592-4) contra ato supostamente ilegal atribuído ao Presidente da Comissão Especial de Concurso Público, Sr. Arthur Francisco Sedrez, e ao Secretário Municipal de Administração, Sr. César Morilo Roza, alegando que se inscreveu em concurso público da Prefeitura Municipal de Brusque (Edital n. 01/2006) para provimento do cargo de professor de primeira a quarta séries e que, realizadas as provas, ficou classificada na terceira posição.

Relatou que, após a convocação dos candidatos para a apresentação da documentação necessária para a nomeação, entregou os seus documentos e foi desclassificada do concurso, sob o fundamento de que não atendia os requisitos previstos no edital.

Narrou que é professora contratada pelo Município de Brusque no mesmo cargo para o qual se inscreveu no concurso, de sorte que o indeferimento do recebimento da documentação e a sua desclassificação do certame são ilegais.

Sustentou que, em atenção à vinculação ao edital, que estabelecia como requisito a licenciatura plena em Pedagogia, reconhecida pelo MEC, a Administração Municipal entendeu que o certificado de habilitação em magistério não supria aquela exigência.

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Salientou que os candidatos que foram legalmente habilitados através da formação de nível médio na modalidade Normal têm assegurado o reconhecimento de seu título profissional e a prerrogativa do magistério, consoante o art. 30, a, e art. 16 c/c arts. 4º e 6º da Lei n. 5.692/71. Pleiteou a concessão de liminar para determinar a suspensão dos efeitos do ato impugnado, com a sua manutenção no concurso, e, ao final, anular a questionada ordem, concedendo em definitivo a segurança (fls. 02-08).

Foi indeferida a liminar pleiteada às fls. 135-138.

Devidamente notificadas, as autoridades impetradas prestaram informações (fls. 142-143), alegando que a impetrante, ao se inscrever no concurso, aceitou as exigências constantes no edital; que, quando convocada para tomar posse no cargo, a impetrante apresentou apenas certificado de formação de magistério em nível médio; que a Comissão Especial do Concurso apenas cumpriu estabelecido na norma geral do certame e que a candidata não cumpriu a exigência de habilitação mínima para o cargo de provimento efetivo de professora.

Após a manifestação do Ministério Público (fls. 166-170), sobreveio a sentença de fls. 171-182, que denegou a segurança pleiteada.

Irresignada, a impetrante interpôs recurso de apelação cível, afirmando que há anos exerce a função de professora do ensino fundamental, na qualidade de contratada pelo Município de Brusque, possuindo formação profissional em nível de ensino médio, sendo que seu diploma é reconhecido pelo MEC para ministrar aulas naquele nível de escolaridade. Argumentou que não se pode relegar a situação fática submetida à apreciação do Poder Judiciário ao excessivo apego às formalidades estabelecidas no edital n. 01/2006. Ressaltou que é inegável a sua capacidade psico-intelectual para exercer a função de professora do ensino fundamental. Requereu o provimento do reclamo e a procedência do pedido.

As autoridades coatoras apresentaram suas contrarrazões (fls. 202-206).

A Procuradoria-Geral de Justiça, em parecer da lavra do Excelentíssimo Senhor Procurador de Justiça Doutor Narcísio G. Rodrigues, opinou pelo conhecimento do recurso e pela concessão da ordem pleiteada (fls. 213-218).

É a síntese do essencial. VOTO

Trata-se de Apelação Cível em Mandado de Segurança interposta por Precila Andrade Tadiotto Villar em face da sentença de fls. 171-182, que, nos autos do Mandado de Segurança n. 011.07.000592-4, da Comarca de Brusque, denegou a segurança pleiteada, à consideração de que não restou demonstrada a ocorrência de qualquer ato coator por parte da autoridade impetrada.

É incontroverso que, no ano de 2006, a impetrante se inscreveu em concurso público realizado pelo Município de Brusque, com o intuito de disputar o preenchimento de uma das vagas

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oferecidas para o cargo de provimento efetivo de "Professor de 1ª a 4ª Séries", naquela Comarca (fls. 33-45).

Em 13.12.2006, o resultado do concurso foi publicado, trazendo a informação de que a impetrante havia sido classificada em 3º lugar no certame, obtendo, para tanto, a nota 64,90. (fls. 24-25).

O Presidente da Comissão do Concurso e o Secretário Municipal de Administração, em 19.12.2006, publicaram o Edital n. 04/2007, convocando os candidatos a comparecerem e apresentarem a documentação necessária para o ato de nomeação.

A apelante acostou aos autos o "Diploma de Habilitação Profissional de Magistério, do Ensino Regular de 2º grau", fornecido pelo Colégio Estadual Barbosa Ferraz e assinado pela Diretora Sandra Mara S. Reis Bueno (fl. 18).

Observa-se que, após a entrega dos documentos, a impetrante foi desclassificada do concurso e considerada inapta a tomar posse, por não ter preenchido corretamente os requisitos do edital n. 01/2006.

Impende destacar que o item 2.4, letra "h", do edital n. 01/2006 estabelecia como condição para a investidura do servidor a comprovação da escolaridade exigida para cada cargo e das condições nele especificadas (fl. 36).

Por sua vez, o item 1.2. especificava que, para o cargo de "Professor de 1ª a 4ª Séries", seria exigido o "Diploma de Licenciatura Plena em Pedagogia, reconhecido e registrado pelo MEC", no ato da posse.

Logo, é evidente que a recorrente, na ocasião da sua inscrição, tinha plena ciência das exigências do concurso. Candidatou-se para função que exigia diploma específico e, dentro do prazo legal, não apresentou a documentação compatível, sendo inevitável concluir que o indeferimento nada mais foi do que o cumprimento das regras previstas.

É cediço que o edital é a lei do concurso, encerrando, nos seus parâmetros objetivos, as normas que regulamentam sua realização.

Acerca do tema, Hely Lopes Meirelles leciona:

"A função do edital é a de preestabelecer as condições em que se realizará a concorrência, oferecendo a necessária segurança de igualdade entre os licitantes e de imparcialidade no julgamento. O edital vincula inteiramente a Administração e os concorrentes às suas cláusulas. Nada se pode decidir além ou aquém do edital" (Estudos e Pareceres de Direito Público, 1981,

Rev. dos Tribunais, p. 18).

Ora, por óbvio que a lição do doutrinador também se destina ao edital de concursos públicos, do qual não pode a Administração afastar-se, sob pena de violar o princípio da igualdade, favorecendo determinado candidato em detrimento de outros.

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O diploma ou a habilitação legal para o exercício do cargo, como visto, era uma exigência para a efetivação da posse.

In casu, em nenhum momento, restou comprovado que o certificado apresentado pela apelante era equivalente ao exigido pelo edital, não sendo possível, portanto, concluir que esta possuía a habilitação profissional mínima exigida.

Verifica-se, portanto, que, como não preencheu corretamente as qualificações previstas pelo Edital, a insurgente não faz jus à nomeação e à posse no cargo para o qual foi aprovada em concurso público, devendo ser mantida, por essa razão, a sentença pelos seus próprios fundamentos.

A propósito do assunto:

RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA - CONCURSO PÚBLICO - CANDIDATO APROVADO - MAGISTÉRIO 2º GRAU - NOMEAÇÃO E POSSE - NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS NA FASE DE HABILITAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE - AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO.

1. Não se vislumbra direito líquido e certo à nomeação e posse no cargo de professor, se o candidato não apresentou a documentação exigida para habilitação no certame, qual seja, licenciatura plena para o exercício do magistério. Precedentes.

2. Recurso ordinário a que se nega provimento (STJ, RMS n. 16187/MA, rel. Min. Paulo Medina, j. 23.09.2003).

APELAÇÃO CÍVEL EM MANDADO DE SEGURANÇA - CONCURSO PÚBLICO MUNICIPAL - CARGO PARA PROFESSOR - APROVAÇÃO - POSSE - NÃO APRESENTAÇÃO DE DIPLOMA DE CURSO SUPERIOR DE GRADUAÇÃO PLENA NA FASE DE HABILITAÇÃO - REQUISITO EXIGIDO NO EDITAL QUE REGULOU O CERTAME DE SELEÇÃO - PREVISÃO ESPECÍFICA NA LEI FEDERAL N. 9.394/96, QUE ESTABELECE AS DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (ART. 62) E NA LEI COMPLEMENTAR N. 001/2002 - ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DECISÃO DA IMPUGNAÇÃO DO EDITAL - NÃO OCORRÊNCIA - AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO AMPARÁVEL PELO WRIT - ORDEM DENEGADA - RECURSO DESPROVIDO

Não há que se falar em direito líquido e certo a cargo objeto de concurso público, quando o candidato APROVADO não preenche os REQUISITOS estabelecidos no edital e na lei do qual este deriva" (ACMS n. 2003.002694-0, de São Miguel do Oeste, Rel. Des. Luiz Cézar Medeiros, j. em 02/03/04). (Apelação Cível em Mandado de Segurança n. 2005.004654-4, de Ipumirim, rel. José Volpato de Souza, j. 30.04.2008).

CONCURSO PÚBLICO MUNICIPAL PARA O CARGO DE PROFESSOR. NOMEAÇÃO INDEFERIDA POR FALTA DE HABILITAÇÃO EXIGIDA PELA LEI E PREVISTA NO EDITAL. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. RECURSO DESPROVIDO (Apelação Cível em Mandado de Segurança n. 2009.072877-2, de Ibirama, rel. Des. Paulo Henrique Moritz Martins da Silva, j. 14.10.2010).

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ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL - CONCURSO PÚBLICO - PROFESSOR DE EDUCAÇÃO INFANTIL E SÉRIES INICIAIS - APROVAÇÃO - NOMEAÇÃO - POSSE OBSTADA EM FACE DA AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO EXIGIDA PELO EDITAL - CURSO SUPERIOR DE PEDAGOGIA COM HABILITAÇÃO EM EDUCAÇÃO INFANTIL OU EM SÉRIES INICIAIS - ATO ILEGAL NÃO CONFIGURADO - OBEDIÊNCIA ÀS REGRAS DO EDITAL - JUSTIÇA GRATUITA - CONCESSÃO.

Para que o impetrante obtenha a segurança pleiteada não basta que alegue violação ao seu direito líquido certo. É indispensável que traga desde logo com a inicial prova pré-constituída desse direito, porquanto a ação mandamental não comporta dilação probatória. Se o edital de concurso exige para preenchimento do cargo de Professor I, o Diploma de Curso Superior de Pedagogia com habilitação em Educação Infantil ou em Séries Iniciais, não basta a apresentação de certificado de conclusão do Curso Superior de Pedagogia, sem esclarecer qual a habilitação obtida (Apelação Cível em Mandado de Segurança n. 2009.070196-5, de Criciúma, rel. Des. Jaime Ramos, 18.02.2010).

ADMINISTRATIVO - CONCURSO PÚBLICO - DESATENDIMENTO A REQUISITO - IMPOSSIBILIDADE DE INVESTIDURA - DIREITO LÍQUIDO E CERTO INEXISTENTE

Não há que se falar em direito líquido e certo a cargo objeto de concurso público, quando o candidato aprovado não preenche os requisitos estabelecidos no edital e na lei do qual este deriva (Apelação Cível em Mandado de Segurança n. 2003.002694-0, de São Miguel do Oeste, rel. Des. Luiz Cézar Medeiros, j. 02.03.2004).

Pelas razões expostas, nega-se provimento ao recurso, mantendo-se incólume a sentença impugnada.

DECISÃO

Ante o exposto, nos termos do voto do relator, por unanimidade, negaram provimento ao recurso.

O julgamento, realizado no dia 15 de fevereiro de 2011, foi presidido pelo Excelentíssimo Senhor Desembargador Newton Janke, e dele participou o Excelentíssimo Senhor Desembargador João Henrique Blasi.

Pela Douta Procuradoria-Geral de Justiça lavrou parecer o Excelentíssimo Senhor Procurador de Justiça Doutor Narcísio G. Rodrigues.

Florianópolis, 16 de fevereiro de 2010.

Cid Goulart RELATOR

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