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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

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Academic year: 2021

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

1.0024.14.209889-6/001

Número do Númeração

2098896-Des.(a) Octavio Augusto De Nigris Boccalini Relator:

Des.(a) Octavio Augusto De Nigris Boccalini Relator do Acordão:

29/04/2015 Data do Julgamento:

04/05/2015 Data da Publicação:

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO ORDINÁRIA - DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE LITISCONSORTE PASSIVO NECESSÁRIO -A U S Ê N C I -A D E C I T -A Ç Ã O D -A E M P R E S -A - I R R E G U L -A R I D -A D E PROCESSUAL - FALTA DE CONDIÇÃO DA AÇÃO - EXTINÇÃO DO FEITO, SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. Na ação de dissolução parcial de sociedade, prepondera o interesse da sociedade empresária, que pode ser atingida com obrigação de pagamento de haveres, pelo que, tratando-se de litisconsorte passivo necessário, a sua inobservância impõe a extinção do feito, sem resolução de mérito.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0024.14.209889-6/001 - COMARCA DE BELO HORIZONTE - APELANTE(S): ALEXANDRE REIS PALHARES E OUTRO(A)(S), ADRIANO REIS PALHARES, CRISTIANO REIS PALHARES, ALBERTO REIS PALHARES - APELADO(A)(S): ANDRÉA BATISTA SARAIVA

A C Ó R D Ã O

Vistos etc., acorda, em Turma, a 18ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, em negar provimento ao recurso.

DES. OCTAVIO AUGUSTO DE NIGRIS BOCCALINI RELATOR.

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

DES. OCTAVIO AUGUSTO DE NIGRIS BOCCALINI (RELATOR)

V O T O

Trata-se de recurso de apelação interposto por ALEXANDRE REIS PALHARES, CRISTIANO REIS PALHARES, ALBERTO REIS PALHARES e ADRIANO REIS PALHARES contra a sentença de fls. 128/129, proferida pelo Juiz da 1ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, nos autos da ação ordinária ajuizada contra ANDRÉA BATISTA SARAIVA, extinta, sem resolução de mérito, nos termos do artigo 267, IV e VI, do Código de Processo Civil, diante da falta de complementação do litisconsórcio ativo necessário relativo a empresa da qual as partes são sócias.

Nas razões recursais de fls. 130/138, os apelantes sustentam, em síntese, a reforma da sentença para excluir a apelada do quadro societário da empresa Ipiranga Consultoria e Planejamento Ltda., bem como a "formalização de uma subsociedade, também intitulada sociedade interna ou negócio parciário, entre o apelante Adriano Reis Palhares e a ré, a fim de que sejam respeitadas as determinações da decisão exarada nos autos nº 002.10.012249-8, em trâmite perante a 2ª Vara de Família desta capital".

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REIS PALHARES, e que no processo de separação, de nº 0024.10.012249-8, foi decidido a partilha de 50% das cotas adquiridas pelo apelante, culminando na decisão proferida nos autos de cumprimento de sentença de nº 0024.12.343380-7, que determinou a inclusão da apelada no quadro societário da empresa, sem prévio conhecimento de nenhum dos sócios, ora apelantes.

Asseveram ser inconcebível a inclusão da empresa no polo passivo desta ação, "pois não se trata de ação de haveres de sócio" (fl. 132), sendo impossível admitir que os apelantes litiguem contra a própria empresa, a qual, na verdade, pretendem defender judicialmente, pelo que, a sentença de extinção do processo deve ser cassada.

Preparo regular à fl. 138.

Em r. despacho (fl. 139), o MM. Juiz da causa recebera o presente recurso de apelação no duplo efeito.

Sem contrarrazões, eis que a parte ré ainda não foi citada.

À fl. 142, vieram-me os autos conclusos.

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Presentes os pressupostos de admissibilidade, CONHEÇO DA APELAÇÃO.

Trata-se de ação ordinária em que os Autores requerem a exclusão da apelada do quadro societário da empresa Ipiranga Consultoria e Planejamento Ltda., ao argumento de que ela foi incluída injustamente na sociedade, por força de decisão judicial, proferida em autos de cumprimento de sentença de separação, relativa à relação conjugal que mantinha com um dos apelantes.

O Magistrado de primeira instância extinguiu o processo, sem resolução de mérito, diante da não promoção da citação do litisconsorte necessário, referente a sociedade empresária, para compor o polo passivo da lide, nos termos do art. 267, IV e VI, do Código de Processo Civil.

Entretanto, sem razão os apelantes.

De fato, observa tratar-se de ação que visa a dissolução parcial da sociedade, com o intuito de excluir a sócia Andréa Batista Saraiva, ora apelada.

Sabe-se que o polo passivo da relação jurídica processual deve ser formado pelo sujeito indicado pela parte autora a suportar os efeitos decorrentes da sentença. Ressalta-se, contudo, que sendo o caso de litisconsorte necessário, todos os legitimados devem ser citados.

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

No caso específico da dissolução parcial de sociedade, prepondera o interesse jurídico da própria sociedade empresária, que pode ser atingida com a obrigação de pagar haveres, dependendo da situação.

CELSO BARBI FILHO nos ensina sobre o tema:

Esse entendimento, pois, acha-se apoiado em consistentes argumentos. De fato, quando se avaliam os efeitos jurídicos da sentença de dissolução da sociedade, emerge clara a conclusão de que, tanto a pessoa jurídica, com personalidade e patrimônio próprios, quanto seus sócios suportarão e sofrerão as conseqüências daquela sentença, motivando a presença de todos eles no pólo passivo da ação. ("Dissolução parcial de sociedades limitadas". Belo Horizonte: Mandamentos, 2004. p. 348).

A jurisprudência do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA também é neste sentido:

RECURSO ESPECIAL OMISSÃO NO ACÓRDÃO RECORRIDO -INOCORRÊNCIA - AÇÃO DE EXCLUSÃO DE SÓCIO - FORMA DE DISSOLUÇÃO PARCIAL DA SOCIEDADE - SOCIEDADE E SÓCIO REMANESCENTE LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO

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-Tribunal de Justiça de Minas Gerais

INTEGRAÇÃO DA LIDE - NECESSIDADE - JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE - IMPOSSIBILIDADE - ENTENDIMENTO OBTIDO PELO EXAME FÁTICOPROBATÓRIO INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO Nº 7/STJ -RECURSO NÃO CONHECIDO.

I - É pacífico nesta Corte o entendimento de que o Órgão Julgador não está obrigado a responder uma a uma as alegações da parte, como se fosse um órgão consultivo, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundamentar sua decisão;

II - O quotista interessado na expulsão de outro deverá instaurar o contencioso em face deste, dos sócios remanescentes e da pessoa jurídica à qual se ligavam;

III - O Tribunal de origem, após analisar toda a matéria devolvida em apelação, assentou que as provas colacionadas nos autos não seriam suficientes para concluir que houve efetivamente infidelidade, má-fé ou exorbitância de poderes na administração, sendo imprescindível, para tal, a realização de perícia técnica e contábil;

IV- Recurso não conhecido.

(REsp 813.430/SC, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, QUARTA TURMA, julgado em 19/06/2007, DJ 20/08/2007, p. 288) (g.n.)

Deste modo, imprescindível é que o polo passivo da lide seja composto por todos os sujeitos envolvidos na esfera de consequência da prestação jurisdicional, dentre os quais a sociedade empresária se inclui, já que a regularidade processual é uma das condições da ação, impondo a inclusão de todos os legitimados no polo passivo.

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

Diz a lei processual civil:

"Art. 47. Há litisconsórcio necessário, quando, por disposição de lei ou pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir a lide de modo uniforme para todas as partes; caso em que a eficácia da sentença dependerá da citação de todos os litisconsortes no processo.

Parágrafo único. O juiz ordenará ao autor que promova a citação de todos os litisconsortes necessários, dentro do prazo que assinar, sob pena de declarar extinto o processo."

Quanto ao tema, asseveram Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery:

"Toda vez que se vislumbrar a possibilidade de a sentença atingir, diretamente, a esfera jurídica de outrem, a menos que a lei estabeleça a facultatividade litisconsorcial (v.g., CC 1314 caput,1642, III e V; CC/1916, 623, II), deve ser aquele citado como litisconsorte necessário, a fim de que possa se defender em juízo. Nesse sentido: STF-RT 594/248; (...)"1

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

Em comentário ao art. 47 do CPC Theotonio Negrão e José Roberto F. Gouvêa assinalam:

"Verificando o tribunal do segundo grau de jurisdição a falta da citação dos litisconsortes passivos necessários, deve anular o feito e determinar que o juiz singular cumpra o disposto no art. 47, § único, do CPC" (STJ-4ª T., REsp 28.559-1-SP, rel. Min. Torreão Braz, j. 13.12.94, deram provimento, v.u. DJU 20.3.95, p, 6.120)[in Código de Processo Civil e legislação processual em vigor, 41ª ed., São Paulo: Saraiva, 2009, p. 195].

Vê-se que, mesmo depois oportunizar aos autores a emenda da inicial, a fim de adequá-la, foi requerido, erroneamente, a inclusão da empresa no polo ativo da lide, ao passo que o correto seria a inclusão no polo passivo.

Assim, correta a decisão que extinguiu o processo, sem resolução de mérito, pelo que, deve ser mantida.

Posto isso, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO, mantendo inalterada a sentença.

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

O SR. DES. ROBERTO SOARES DE VASCONCELLOS PAES (REVISOR) -De acordo com o(a) Relator(a).

O SR. DES. MOTA E SILVA - De acordo com o(a) Relator(a).

Referências

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