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Ministério Público Estadual

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Academic year: 2021

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Rodada 01.2019

1. DENIS SAMPAIO e MARCELA RIBEIRO viveram em regime de união estável entre os anos de 2010 e 2017, tendo nascido, deste relacionamento, Denise Ribeiro no ano de 2012. No primeiro semestre do ano de 2018, todavia, o relacionamento se deteriorou, o que levou o casal a romper o relacionamento. Ao longo do ano tentaram reatar por algumas vezes, mas MARCELA se convenceu da impossibilidade de manter-se na relação, pelo que, no dia subsequente ao natal de 2018, disse a DENIS que não mais queria vê-lo, e que no novo ano seguiria em frente com sua vida.

DENIS não se conformou, e, indignado, procurou seus conhecidos ALVARO REIS e SEBASTIÃO RAMOS, profissionais da área da tecnologia, levando um vídeo com cenas de sexo de conhecida atriz brasileira, e pediu que eles editassem o material, apondo sobre a atriz o rosto de sua ex-companheira, pagando a eles cem reais pelo “serviço”. Tendo ALVARO e SEBASTIÃO logrado êxito na empreitada, DENIS divulgou o vídeo em diversos grupos de whatsapp.

MARCELA, recebendo o vídeo por amigos em comum, dirige-se à residência de DENIS para confrontá-lo com o material. Ao chegar, invade de inopino a residência de seu ex-companheiro, que naquele momento mantinha videoconferência por aplicativo com a Denise, a filha do casal. Interpelando DENIS quanto ao vídeo, MARCELA se descontrola, e tomando de uma travessa de metal que jazia sobre a mesa da sala, passa a agredir o ex-companheiro. Após ser golpeado por duas vezes, DENIS toma o artefato de MARCELA e passa ele a agredi-la. DENIS desfere diversos golpes contra a ex-companheira, até leva-la à inconsciência, somente interrompendo sua ação em decorrência dos gritos e Denise que, pela tela do notebook aberto sobre a mesa, vislumbrara toda a ocorrência.

MARCELA recebe socorro dos vizinhos, atraídos pela confusão.

Levado o fato ao conhecimento da autoridade policial, é instaurado inquérito policial, tendo sido apurados os fatos conforme a narrativa exposta.

Foram ouvidas as pessoas que acorreram ao local dos fatos, colegas de trabalho dos ex-companheiros. Marcela e Denise também foram ouvidas. Álvaro e Sebastião também tiveram seus depoimentos tomados, tendo este aduzido, além dos fatos, que já teve condenação criminal prolatada em seu desfavor no ano de 2007 por estelionato, tendo sido beneficiado pela concessão de sursis.

DENIS foi interrogado.

A travessa de metal foi apreendida e periciada.

O auto de exame de corpo de delito foi positivo para lesões corporais provocadas por instrumento contundente, tendo sido atestada a fratura em ossos da face, em especial no occipital, razão pela qual os peritos responderam afirmativamente ao quesito referente à ocorrência de risco à vida da vítima.

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Comentários

Espelho de Correção

I) Formalidades:

Como petição inicial do processo penal de cunho condenatório, da denúncia deverá constar:

- Endereçamento: juiz-presidente do tribunal do júri ou vara da violência contra a mulher (como a questão não especificava a comarca, de forma que se pudesse aferir a existência desta vara especializada, ambas as formas serão aceitas)

- Qualificação de quem fala (ex: O Ministério Público do Estado do …, presentado pelo promotor de justiça que ao final subscreve...)

- Indicação do rito a ser seguido - Pedido de pronúncia

Deve-se atentar que alguns manuais de atuação ministerial se referem especificamente a estes dois itens (ex: manual funcional do MPSP, art. 47, X) - Rol de testemunhas. Deverá, em relação à filha do casal, ser requerido depoimento especial, nos moldes do art. 12 da lei 13.431/2017.

Nota Máxima: 1,50 II) Descrição da conduta:

Deve ser observada a necessidade de descrever a conduta de cada acusado, atentando à necessidade de individualização das condutas.

A narrativa deve, necessariamente, valer-se do núcleo do tipo penal.

Imprescindível, ainda, descrever pormenorizadamente as causas de aumento de pena incidentes ao caso.

Analisa-se, ainda a linguagem empregada na peça. Nota Máxima: 4,50

III) Capitulação da conduta:

Deve ser feita a subsunção da conduta imputada aos réus aos tipos legais, incluídas aí as agravantes e causas de aumento de pena.

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Nota Máxima: 2,50 IV) Cota denuncial:

Na cota denuncial o aluno deverá fazer as considerações jurídicas que entender pertinentes, como o eventual afastamento de uma qualificadora, o pedido de aplicação de cautelar em desfavor de algum dos réus.

No caso concreto, deveria necessariamente ser oferecida a proposta de transação penal aos autores do crime de menor potencial ofensivo, ou dadas as razões pelas quais deixou-se de fazê-lo.

Nota Máxima: 1,50

Comentários

Como adiantado no próprio enunciado, a peça a ser elaborada para esta rodada era a denúncia criminal.

Havia de ser imputado aos autores do fato Álvaro e Sebastião infringência ao novel art. 216-B do Código Penal, que assim preceitua:

“Registro não autorizado da intimidade sexual

Art. 216-B. Produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado sem autorização dos participantes:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e multa.

Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem realiza montagem em fotografia, vídeo, áudio ou qualquer outro registro com o fim de incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo.”

Por se tratar de crime de menor potencial ofensivo, havia duas possibilidades (com uma variável) que se abriam: oferecimento de transação penal (ou deixar de fazê-lo em relação a Sebastião, por ter sido beneficiado por sursis anteriormente), ou requerimento de declínio de competência ao JECRIM, se entendesse que a competência do juizado especial é absoluta.

Em relação ao réu DENIS, entendemos ter ocorrido crime contra a vida, na forma tentada. Três fatos dados no enunciado concorrem para a percepção de que o resultado não se consumou por circunstâncias alheias à vontade do agente: a inconsciência da vítima, a interrupção em decorrência dos gritos da filha do casal e do socorro dos vizinhos.

Assim, como a dinâmica da ação delitiva teve gênese na agressão perpetrada por Marcela contra seu ex-companheiro, que em um primeiro momento age em legítima defesa, progredindo para o excesso doloso, temos que a capitulação era de feminicídio na forma tentada (art. 121, §2º, VI, c/c o §2º-A, I) com a incidência da causa de aumento de pena do § 7º, III, do

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mesmo artigo.

Melhores Respostas

As melhores respostas da rodada, sem que isto implique dizer que não sofreram reparos pontuais, são:

1) Leandro Vieira, de Florianópolis/SC:

“EXMO(A). SR.(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI Inquérito Policial n. ....

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE..., por intermédio do seu membro abaixo firmado, no uso das atribuições do art. 129, I, da Constituição Federal CF; art. 25, III, da Lei n. 8.625/93 LOMP; art. 100, § 1º, do Código Penal CP; arts. 41 e 257, I, do Código de Processo Penal -CPP, e com base nos elementos objetivos colhidos no Inquérito Policial n. ..., que segue anexo, oferece DENÚNCIA em face de:

DENIS SAMPAIO, qualificação... e

SEBASTIÃO RAMOS, profissional da área da tecnologia, qualificação..., pelos fatos e fundamentos que passa e expor:

FATO 1: MONTAGEM EM VÍDEO COM CENA DE ATO SEXUAL (art. 216-B, parágrafo único, do CP)

Em local e data a serem apurados no decorrer da instrução, mas posteriormente ao natal de 2018, o acusado DENIS SAMPAIO, com o auxílio de ALVARO REIS e SEBASTIÃO RAMOS, realizou montagem em vídeo com o fim de incluir a vítima MARCELA RIBEIRO em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo.

Na ocasião, indignado com o término do relacionamento (união estável) que mantinha com a vítima, DENIS procurou seus conhecidos ALVARO e SEBASTIÃO, profissionais na área de tecnologia, levando um vídeo com cenas de sexo de conhecida atriz brasileira, e pediu que eles editassem o material para apor sobre a atriz o rosto de sua companheira, pagando a eles R$ 100,00 (cem reais) pelo "serviço", tendo estes aceito e logrado êxito na empreitada.

FATO 2: DIVULGAÇÃO DE CENA DE SEXO SEM CONSENTIMENTO DA OFENDIDA COM O FIM DE VINGANÇA OU HUMILHAÇÃO (art. 218-C, parte final, e § 1º, do CP)

Ato contínuo, nas mesmas circunstâncias de local e de tempo, DENIS SAMPAIO distribuiu e divulgou por intermédio de meio de comunicação de massa ou sistema de telemática (grupos de Whatsapp) cena de sexo ou pornografia (montagem em vídeo), sem o consentimento da vítima, a senhora MARCELA RIBEIRO.

A conduta foi praticada contra quem o agente manteve relação íntima de afeto, com o fim de vingança ou humilhação ("revenge porn"), por não se conformar com o término do relacionamento, em situação de manifesta violência contra a mulher (violência psicológica consistente em exposição da intimidade nos termos do art. 7º, II, da Lei n. 11.340/06).

FATO 3: TENTATIVA DE FEMINICÍDIO MAJORADO PELA PRESENÇA DE DESCENDENTE (art. 121, §§ 2º, VI, 2º-A, I, e 7º, III, c/c o art. 14, II, todos do CP, c/c o art. 1º, I, da Lei n. 8.078/90)

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Em data a ser apurada no transcorrer da instrução, mas posteriormente ao natal de 2018, na sua residência à Rua..., o acusado DENIS SAMPAIO tentou matar a sua ex-companheira, a Sra. MARCELA RIBEIRO, por razões da condição de sexo feminino, em situação de violência doméstica e familiar (arts. 5º e 7º, I, da Lei n. 11.340/2006), fato que praticou na presença virtual de descendente da vítima, a Srta. Denise Ribeiro, filha do casal (Doc. X...) que assistia à ação por meio de videoconferência, e apenas não logrou a consumação por circunstâncias alheias a sua vontade, em decorrência dos gritos de Denise.

Na ocasião, MARCELA dirigiu-se à residência de DENIS para confrontá-lo com a montagem de cena de ato sexual ou libidinoso realizada e divulgada por ele. Descontrolada, MARCELA tomou uma travessa de metal (Termo de Apreensão de fl. ...) que estava sobre a mesa da sala e passou a agredir o ex-companheiro. Contudo, DENIS tomou o artefato para si e, de forma imoderada e desproporcional à agressão iniciada pela vítima, a evidenciar o "animus necandi", desferiu vários golpes contra a ex-companheira, até levá-la à inconsciência, tendo causado a fratura em ossos da face, em especial no occipital, com ocorrência de risco à vida da vítima (auto de exame de corpo de delito de fls. ....). Ressalte-se que toda a ação foi presenciada, de forma virtual, por Denise Ribeiro, filha do casal (Doc. X.), que assistia tudo por videoconferência realizada por meio de "notebook" e o acusado apenas não consumou o crime por circunstâncias alheias a sua vontade, haja vista que impedido pelos gritos da infante.

Assim agindo, DENIS SAMPAIO incidiu nas sanções do art. 216-B, parágrafo único; art. 218-C, parte final, c/c o seu § 1º; e art. 121, §§ 2º, VI, 2º-A, I, e 7º, III, c/c o art. 14, II, na forma do art. 69, todos do Código Penal, este último qualificado como crime hediondo nos termos do art. 1º, I, da Lei n. 8.072/90; e SEBASTIÃO RAMOS incorreu nas sanções do art. 216-B, parágrafo único, c/c o art. 29, ambos do Código Penal.

Ante o exposto, o Ministério Público do Estado de... requer o recebimento da denúncia e seu processamento na forma do art. 406 e seguintes do Código de Processo Penal, a prioridade na tramitação (art. 394-A do CPP) e a produção de prova por todos os meios admitidos, em especial o testemunhal e documental.

Requer, desde já, a fixação do valor mínimo para reparação dos danos causados pelas infrações, na forma do art. 387, IV, do CPP, abrangendo inclusive os danos morais, haja vista o dano "in re ipsa" nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, conforme entendimento sufragado pelo Superior Tribunal de Justiça.

Local e data. Nome e assinatura. Promotor de Justiça. ROL DE TESTEMUNHAS: 1) Vizinho 1... 2) Colega de trabalho 1... 3) .... COTA MINISTERIAL Autos n. ...

EXMO(A). SR.(A) JUIZ(A): Segue denúncia em... laudas;

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O Ministério Público do Estado de.. :

I - Requer a juntada da certidão de antecedentes criminais de DENIS SAMPAIO, MARCELA RIBEIRO, ALVARO REIS e SEBASTIÃO RAMOS;

II - Oferece proposta de transação penal, com fundamento no art. 76 da Lei n. 9.099/95, para aplicação imediata da pena restritiva de direitos na modalidade prestação de serviços à comunidade pelo período de 6 (seis) meses a ALVARO REIS, uma vez que incurso, em tese, nas sanções do art. 216-B c/c o art. 29, ambos do Código Penal;

III - Oferece proposta de transação penal, com fundamento no art. 76 da Lei n 9.099/95, para aplicação imediata da pena restritiva de direitos na modalidade de prestação pecuniária no valor de 1 (um) salário mínimo a MARCELA RIBEIRO, uma vez que incorreu, em tese, nas sanções do art. 21 do Decreto-Lei n. 3.688/41 e do art. 150 do Código Penal;

IV - Deixa, por ora, de oferecer os institutos despenalizadores da Lei n. 9.009/95 a SEBASTIÃO RAMOS, uma vez que condenado por crime de estelionato no ano de 2007, não havendo informações sobre eventual extinção da pena e/ou decurso do prazo depurador da reincidência, motivo pelo qual requer seja oficiado ao juízo de..., responsável pela averiguação do cumprimento das condições do "sursis", para que tome ciência da presente imputação e preste informações sobre o andamento daquele feito.

V - Requer, com fundamento nos arts. 19 e 22, III, "a" e "b", ambos da Lei n. 11.340/06, a fixação de medidas protetivas de urgência em face DENIS SAMPAIO para estabelecer a proibição de aproximação da ofendida a menos de 200 (duzentos) metros ou de contato com a ofendida por qualquer meio de comunicação, sob pena de decretação de prisão preventiva (arts. 312 e 313, III, do CPP) e incursão nas sanções do art. 24-A da Lei n. 11.340/06.

Local e data.

Nome e assinatura. Promotor de Justiça.”

2) Louise Fernandes, de Natal/RN:

“EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DA __ VARA DO TRIBUNAL JÚRI DA COMARCA DE ____ Inquérito Policial nº. __

O Ministério Público do Estado de ___, presentado neste ato pelo Promotor de Justiça que esta subscreve, com fulcro no art. 129, I, da CF, art. 25, III, da Lei 8.625/93, art. 100, §1º, do CP, art. 24 do CPP, vem oferecer DENÚNCIA em face de DENIS SAMPAIO, ÁLVARO REIS e SEBASTIÃO RAMOS (qualificação completa), pelos fatos a seguir.

FATO 1 - REGISTRO NÃO AUTORIZADO DA INTIMIDADE SEXUAL

Em data que não se sabe precisar, mas certo que após 25 de dezembro de 2018, nesta cidade, o denunciado DENIS SAMPAIO, de modo voluntário e consciente, procurou seus conhecidos e ora denunciados, ALVARO REIS e SEBASTIÃO RAMOS, profissionais da área de tecnologia, e, induzindo-os à execução material, solicitou que estes realizassem montagem em vídeo, com o fim de incluir sua ex-companheira, MARCELA RIBEIRO, em cena de ato sexual, mediante pagamento de R$ 100,00 (cem reais).

Consta dos inclusos autos do Inquérito que DENIS SAMPAIO, inconformado com o término de seu relacionamento de 7 anos com MARCELA RIBEIRO, que ocorreu poucos dias antes do fato, procurou os codenunciados ÁLVARO REIS e SEBASTIÃO RAMOS, que são experts na área de informática, levando um vídeo com cenas de sexo de atriz brasileira conhecida e pediu para que

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estes editassem-no, apondo sobre a atriz o rosto de sua ex-companheira, o que foi feito. Assim, verifica-se que DENIS SAMPAIO induziu os codenunciados à execução material do crime de edição do vídeo contendo cenas de atos sexuais, além disso, os codenunciados ÁLVARO REIS E SEBASTIÃO RAMOS agiram mediante paga da quantia de R$ 100,00 (cem reais) para a execução do referido crime, o qual restou consumado com a o recebimento da quantia e a edição do vídeo.

FATO 2

Em data que não se sabe precisar, mas certo que após 25 de dezembro de 2018 e após a consumação do FATO 1, DENIS SAMPAIO divulgou, por whatsapp, sem o consentimento da vítima, cena de sexo envolvendo sua ex-companheira MARCELA RIBEIRO.

Restou apurado que DENIS SAMPAIO, ao receber dos codenunciados o vídeo de sexo que pagou para editar para inserir a imagem de sua ex-companheira nas cenas de sexo (FATO 1), de modo voluntário e consciente, divulgou o vídeo em diversos grupos de whatsapp, tendo sido enviado para amigos próximos e em comum, o qual chegou, inclusive, ao conhecimento de sua ex-companheira, configurando-se violência familiar contra a mulher, que atingiu a sua moral, dignidade e decoro .

FATO 3

Em data que não se sabe precisar, mas certo que após 25 de dezembro de 2018 e após a data da consumação dos FATOS 1 e 2 acima, DENIS SAMPAIO, de modo voluntário e consciente, assumiu o risco de produzir a morte de sua ex-companheira, MARCELA RIBEIRO, por razões de condição de sexo feminino (violência doméstica e familiar), com golpes desferidos com uma travessa de metal (apreendida e periciada, fls.) contra a face da vítima, especialmente no occipital, que lhe infligiram lesões corporais e causaram risco à sua vida, conforme laudo pericial de exame de corpo de delito de fls. __, tudo isso presenciado virtualmente pela filha do casal, que assistia à cena pela câmera notebook.

A ex-companheira de DENIS SAMPAIO tomou conhecimento e recebeu o vídeo, por meio de um amigo, com montagem de sua imagem em cenas de sexo e, por isso, foi à sua residência buscar informações, momento em que o DENUNCIADO estava realizando uma videoconferência com sua filha. A sua ex-companheira, sob influência de forte emoção, tomou uma travessa de metal que jazia sobre a mesa da sala e deu dois golpes no ex-companheiro. Nesse momento, DENIS, a fim de repelir a injusta agressão que sofria, tomou a travessa das mãos de MARCELA e passou a agredi-la, desferindo diversos golpe, excedendo-se dolosamente ao repelir a agressão, até levá-la à inconsciência (de forma voluntária e assumindo o risco do resultado morte), somente não consumando a sua morte por circunstâncias alheias à sua vontade, tendo em vista que vizinhos, ao ouvirem os gritos de MARCELA e de DENISE (filha do casal, que a tudo assistia pelo computador ao vivo), foram ao local socorrê-la.

CONCLUSÃO

Assim agindo, DENIS SAMPAIO incorreu nas penas do art. 216-B, parágrafo único, c/c art. 29 do CP e art. 62, II do CP; art. 218-C, §1º, do CP; art. 121, §2º, VI, e §2º-A, I, com aumento do §7º, c/c art. 14, II, do CP, na forma do art. 69 do CP; ALVARO REIS como incurso nas penas do art. B do CP e art. 62, IV, do CP; SEBASTIÃO RAMOS como incurso nas penas do art. 216-B do CP e art. 62, IV, do CP.

Desse modo, requer seja a presente DENÚNCIA autuada e recebida, instaurando-se a competente ação penal pelo rito dos crimes dolosos contra a vida, bem como seja determinada a citação dos DENUNCIADOS para responderem à acusação, assim como suas intimações para todos os atos do processo, sob pena de revelia, até a pronúncia, bem como sejam julgados e condenados os demais agentes pelos crimes conexos.

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CPP), e a intimação das pessoas abaixo arroladas para deporem sobre os fatos narrados, na forma da lei.

Local, data.

Promotor de Justiça. ROL DE TESTEMUNHAS

1. Vizinho 1 (qualificação e endereço) 2. Vizinho 2 (qualificação e endereço) 3. Denise (qualificação e endereço)

4. Sebastião Ramos (qualificação e endereço) 5. Álvaro Reis (qualificação e endereço) 6.

7. 8.

Marcela Ribeiro (vítima) COTA MINISTERIAL

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DA __ VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE __

Autos nº ___ IP nº ___

Nesta data, o Ministério Público do Estado de ___, apresenta a denúncia em 4 vias em desfavor de DENIS SAMPAIO, ALVARO REIS E SEBASTIÃO RAMOS, requerendo:

a) o recebimento da denúncia;

b) a juntada da folha de antecedentes criminais e da certidão de antecedentes criminais dos denunciados;

c) a prioridade na tramitação do processo, por envolver crime hediondo (tentativa de homicídio qualificado), nos termos do art. 394-A do CPP.

Quanto à tipificação do crime de homicídio qualificado tentado, mister tecer o esclarecimento que, apesar de o denunciado DENIS SAMPAIO ter atuado, inicialmente, em legítima defesa, passou a atuar em excesso doloso ao fazer uso imoderado dos meios de que dispunha no momento em que agredia sua ex-companheira com uma bandeja de metal, desferindo diversos golpes até levá-la à inconsciência, nos termos do art. 23, parágrafo único do Código Penal. Ademais, conforme apurado nos depoimentos prestados à Polícia Civil, o denunciado já havia se defendido da injusta agressão, mas permaneceu desferindo golpes mesmo após perceber que a vítima estava inconsciente, só cessando sua conduta por circunstâncias alheias à sua vontade (chegada de vizinhos). Configura-se, assim, que, a partir do momento em que passou a agir em excesso doloso, o agente assumiu o risco de matar a vítima.

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Outrossim, imputa-se a qualificadora do feminicídio (art. 121, §2º, VI e §2º-A, I) ao denunciado DENIS SAMPAIO pois o denunciado agiu com violência doméstica contra sua ex-companheira, nos termos do parágrafo 2º-A, I, que, conforme entendimento recente do STJ, possui natureza objetiva, tendo em vista que os atos de violência contra a mulher estão descritos no art. 5º e 7º da Lei Maria da Penha - Lei 11.340/2006 -. Nessa senda, o agente praticou atos de violência física contra sua ex-companheira, nos termos do art. 5º, III, e 7º, I, da referida lei.

Ressalta-se, ainda que o denunciado DENIS SAMPAIO deve ser condenado à pena do feminicídio com causa de aumento de 1/3 até a metade, nos termos do art. 121, §7º, III, do CP, conforme alteração promovida pela Lei 11.771, de 2018, pois a filha do casal, DENISE, presenciou virtualmente a prática do crime.

Local, data.

Referências

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