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III OS LENTES SUBSTITUTOS

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III

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1834

1. D R . F R A N C I S C O J O S É F E R R E I R A B A P T I S T A . Natural da Corte, filho de José Ferreira Baptista.

Fez o primeiro anno na Universidade de Coimbra. Matri-culou-se no Curso Jurídico de São Paulo, no segundo

anno, em 1829. Recebeu o grau de Bacharel em 1833. Defendeu theses e recebeu o grau de doutor em abril de IÔ34, sendo, por decreto de 3 de setembro desse mesmo anno, nomeado lente substituto do Curso Jurídico de São Paulo.

Ríspido no trato, excessivamente rigoroso nos exa-mes, isto provocou u m incidente com o estudante Miguel Vieira Braga, que o aggrediu, em 23 de outubro de 1835. Levantou-lhe a suspeição, para o examinar, nesse mesmo anno, o estudante Augusto Teixeira de Freitas, que por suspeito também deu o Dr. Clemente Falcão de Souza; irias o seu requerimento, encaminhado ao governo por of-ficio do director, o Visconde de Caravellas, não foi deferido.

Requereu, pouco depois, exoneração, que lhe foi con-cedida por decreto de 31 de março de 1837, passando a advogar na Corte, onde foi nomeado promotor publico, em 1839.

1835

2. DR. FRANCISCO BERNARDINO RIBEIRO.

Nasceu na Corte, aos 12 de julho de 1814, filho de Francisco da Chagas e de D. Bernardina Rosa Ribeiro.

Matriculou-se no Curso Jurídico de São Paulo em 1830, formando-se em 1834, companheiro de turma de

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João Chrispiniano Soares e de Joaquim Ignacio R a m a -lho. Defendeu theses e recebeu o grau de doutor e m 12 de maio de 1835, inscrevendo-se, dois dias depois, como único candidato ao concurso aberto para o preenchimento de u m a vaga de lente substituto. Foi approvado e no-meado, por decreto de 22 de dezembro de 1835. Tinha apenas vinte annos, cinco mezes e dez dias de edade; era o Mestrinho. Q u a n d o estudante, fundou a Sociedade Philomatica e redigiu a sua revista, de collaboração com Silveira da Motta e Carneiro de Campos.

T o m o u posse do cargo e m 11 de janeiro de 1836 e falleceu e m 1837

Regeu, interinamente, a cadeira de direito criminal, de que era titular o Dr. Manoel Dias de Toledo, proferindo

u m a prelecção inaugural brilhantissima, que se encontra na Revista da Faculdade de Direito de São Paulo, vol. 16, pag. 45, e que Sylvio Romero reproduziu na Historia da

Litter-atura Brasileira, vol. 1, pag. 580, depois de lhe

exal-çar o talento, como jurista e como poeta.

Para o seu concurso, apresentou u m a dissertação so-bre "qual he o melhor intermédio das per mutações, as

moedas metallicas, ou papel moeda}, que também foi

re-produzida na Revista da Faculdade de Direito de São

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1854

3. D R . G A B R I E L J O S É R O D R I G U E S D O S S A N T O S Nasceu na cidade de São Paulo, e m 1 de abril de-1816, filho do Alferes Joaquim Rodrigues dos Santos e de D. Maria Joanna da Luz.

Bacharelou-se, no Curso' Jurídico de São Paulo, e m 1836, e defendeu theses e m 1838, re-cebendo o grau de doutor. Ins-creveu-se, logo, e m concurso, que foi annullado.

Promotor publico da co-marca da Capital, revelou-se o orador famoso, que tantas vi-ctorias tribuniçias alcançou. Abandonando apromotoria, de-dicou-se á advocacia. Eleito deputado provincial, e m 1840, teve a sua eleição contestada, por ser menor de vinte e cinco annos, mas ganhou a par-tida, convencendo os próprios adversários.

Exerceu a secretaria do Governo de 1840 a 1842. De-putado provincial nos biennios de 1842-43, 1846-47, 1848-49 e 1858-59, foi eleito deputado geral nas-legislaturas de 1845-47 e 1857-60.

T o m o u parte saliente na revolução de 17 desmaio de 1842, que rebentou e m Sorocaba, e teve á frente Raphael Tobias e Diogo Feijó.

Homisiou-se no Sul, no Paraná, e m Santa Catha-rina e no Rio Grande do Sul, disfarçando-se como capataz de tropa sob o n o m e de Luiz Teixeira. Regressou a São Paulo, e foi absolvdo pelo jury. Defendeu-o o Conselheiro.

Dr. Gabriel José Rodrigues dos Santos

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João Chrispiniano Soares. Recebeu, então, u m a das mais estrondosas manifestações populares do tempo, e m 1844. Por decreto de 1 de julho de 1854, foi nomeado lente substituto da Faculdade de Direito de São Paulo.

Falleceu e m 23 de maio de 1859.

1856

4. DR. JOÃO DABNEY DE AVELLAR BROTERO. Filho do Conselheiro Dr. José Maria de Avellar Bro-tero e de D. Anna BroBro-tero, nasceu na Corte, aos 24 de dezembro de 1826.

Matriculou-se no Curso Jurídico de São Paulo e m 1842 e recebeu o grau de bacharel e m

1846.

Promotor publico da Ca-pital, e m 1852, nesse m e s m o anno defendeu theses e recebeu o grau de doutor.

N o m e a d o lente substituto da Faculdade de Direito do Re-cife, por decreto de 1855, nesse m e s m o anno foi removido para a Faculdade de Direito de São Paulo, por decreto de 31 de maio. T o m o u posse e m 15 de junho, e m substituição ao Dr. Francisco Maria de Souza Furtado de Mendonça,

promo-vido a cathedratico, vindo a fazer parte da m e s m a Congre-gação de que seu pae era o primeiro.

Chamavam-no de Broterinho, os estudantes.

Dr. João Dabney de Avellar Brotero

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E m 1856, foi eleito deputado geral por São Paulo, á nona legislatura, sendo nomeado,/em 1857, presidente da

província de Sergipe, e, e m 1858, da de Parahyba.

Vereador e presidente* da Câmara Municipal de São Paulo, falleceu a 1 de setembro de 1859.

Tinha trinta e dois annos de edade.

1871

5. DR. JOÃO JOSÉ DE ALMEIDA REIS.

Bahiano, filho de Antônio Caetano dos Reis, veiu ma-tricular-se na Faculdade de Direito de São Paulo, bacha-relando-se e m 1861. Defendeu theses e recebeu o grau de doutor no anno seguinte, e m que foi nomeado supplente do juiz de orphams da comarca da Capital de São Paulo. N o m e a d o cathedratico de francez, inglez e latim do Curso Annexo, depois de ter feito quatro concursos, foi nomeado lente substituto da Faculdade de Direito, por decreto de 27 de setembro de 1871.

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1891

6. DR. JOSÉ XAVIER CARVALHO DE MENDONÇA

Pernambucano, de Recife, onde nasceu a 24 de se-tembro de 1861. Bacharelou-se, em 1882, na Faculdade

de Direito de Recife e, formado, foi logo nomeado pro-motor publico e m Aracaty, na província do Ceará. Entrou, depois, para a magistratura, como juiz municipal e m C a m p o Largo, no Paraná, e e m Santos. Nesta cidade, exerceu a ad-vocacia, especializando-se e m as-sumptos nos quaes é hoje a maior autoridade no Brasil. D e Santos passou-se para São Paulo e, por decreto de 19 de janeiro de 1891, foi nomeado

Dr. José Xavier Carvalho de j^te SUbstitUtO d a F a c u l d a d e d e Mendonça Direito d e S ã o Paulo.

T o m o u posse e m 19 de ja-neiro, recebendo o grau de doutor.

Mas, pouco depois, por officio de 31 de março do m e s m o anno, exonerou-se do cargo.

Já então occupava o logar, que o consenso geral lhe impoz, de o maior dos nossos commercialistas, pelos tra-balhos publicados, especialmente o seu livro sobre

fallen-cias. Cabe-lhe a fortuna de ter sido 0 organizador systematico do nosso direito commercial, regido por u m fragmento de código e por leis esparsas, estu-dado e m poucas monographias e não contido ainda n u m a obra de conjunto, orientada por u m a doutrina sadia. O seu Tratado de Direito Commercial Brasileiro é obra sem par na literatura jurídica brasileira. Obra m o n u m e n -tal, da qual disse Clovis Beviláqua na Historia dd

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"Adjectivei este livro de monumental, porque o epi-theto lhe cabe, c o m absoluta justeza. O exame das ques-tões e a apreciação das doutrinas são conduzidos c o m o critério superior de u m mestre, que meditou e aprofundou o direito commercial na sua literatura e nas discussões pe-rante os tribunaes. Nada/fica a dever aos melhores tra-tados estrangeiros sobre o assumpto.

E' o sentimento geral do m u n d o juridico brasileiro, como o atesta o caracter de festa da intellectualidade

na-cional, que assumiu a sua recepção no Instituto da O r d e m dos Advogados de São Paulo, e m 1895. O s discursos de Francisco Morato e Spencer Vampré, nessa noite memorá-vel, são h y m n o s ao trabalho superior, que soube executar Carvalho de Mendonça. E os applausos recebidos de todos os juristas da grande cidade, os quaes consideraram de seu dever prestar homenagem ao eminente commercia-lista, provam a unanimidade dos sentimentos de estima e veneração, que elle soube inspirar. Disse V a m p r é :

"Tenho a sensação, ao approximar-me de vós, que m e acho perante u m a gloria do m e u paiz, perante u m desses ho-mens eminentes, que estão, e m vida, no coração de seus patrícios, e estarão, mortos, no Pantheon de sua historia. Sois, por isso, u m a das columnas da nacionalidade brasi-leira"

E' isso m e s m o . E os juristas de São Paulo deram prova de sua elevação moral e mental, dando a essa festa u m caracter de consagração nacional, tão bella por sua es-pontaneidade, quanto pelo brilho de que se revestiu"

E' sócio honorário do Instituto da O r d e m dos Advo-gados de São Paulo, fazendo parte de u m a lista que, entre os vivos, contem mais .dois nomes: o de Clovis Beviláqua e o de Victor Manuel Orlando.

Obras publicadas:

— Annotações ás leis e regulamentos da província do

Paraná, sobre a taxa de herança e legados. Rio de

Ja-neiro, 1887.

— Novo guia eleitoral. Rio de Janeiro, 1888.

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— Das fallencias, 2 vols. Typographia Brasil, de Car-los Gerke & Cia. São Paulo, 1899.

— Dos livros dos commerdantes. São Paulo, 1906. — Da& firmas e razões commerciaes. São Paulo, 1909.

— Tratado de Direito Commercial Brasileiro. 1.° e 2.° vols., Cardoso Filho & Cia. São Paulo, 1910 e 1911 — Vol. 3.°, Duprat & Cia, São Paulo, 1914 — 4.° vol., Typ.

Besnard Fréres. Rio de Janeiro, 1915. 5.° vol., Rio de Janeiro, a primeira parte e m 1919 e a segunda e m 1922. ,6.° vol., Rio de Janeiro, a primeira parte e m 1925; a

se-gunda e m 1927, e a terceira e ultima parte e m 1928. — 7o vol., Rio de Janeiro, 1917; 8.° vol., Rio de Janeiro,

1916.

Planejada e m oito volumes, a obra teve onze, dos quaes alguns são já rarissimos, por exgotados.

7. DR. AUGUSTO NOGUEIRA DA ROCHA

MIRANDA,

Medico, natural de Rezende, da província do Rio de Janeiro, filho do Barão de Bananal, formou-se, e m 1887,

na Faculdade de Medicina da Bahia.

Por decreto de 21 de mar-ço de 1891, foi nomeado lente substituto da sexta secção (me-dicina publica e hygiene), da Faculdade de Direito de São Paulo.

T o m o u posse aos 22 de abril de 1891.

Falleceu, com a edade de vin-H vin-H * te e nove annos, e m outubro de

Dr. Augusto Nogueira da Bocha i o n ^

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1895

8. DR. RAPHAEL CORRÊA DA SILVA SOBRINHO

Paulista, de Araraquara, onde nasceu, aos 17 de abril de 1858, filho de Francisco de Paula Corrêa e Silva e de D. Maria Luiza Corrêa da Silva.

Fez os estudos preparató-rios no Collegio São Luiz, de Ytú, e matriculou-se, e m 1887, na Faculdade de Direito de São Paulo, onde recebeu o grau de bacharel e m 3 de novembro de 1881, sendo, no dia seguinte, eleito deputado provincial, e m primeiro escrutinio, pelo partido

conservador. Foi eleito, de novo, para o biennio 1886-87. Q u a n d o estudante, redigiu A Reacção, orgam do Circulo dos Estudan-tes Catholicos, e O

Constitu-cional, orgam do Club Conservador Acadêmico.

Inscreveu-se, no dia e m que se formou e m direito, no concurso para cathedratico de latim do Curso Annexo. Advogou e m Rio Claro, c o m o Dr. Antônio Augusto da Fonseca e c o m o Dr. Estevam de Araújo Almeida.

Monarchista, proclamada a Republica dirigiu o. jornal

O Império, pregando a restauração.

Inscripto, e m 1893, no concurso para lente substituto da quarta secção (economia politica, direito administra-tivo, sciencia das finanças e contabilidade do Estado), obteve o primeiro logar e foi o indicado para a nomeação; m a s o presidente da Republica, Marechal Floriano Pei-xoto, porque elle era monarchista, e contra o texto ex-presso do art. 65 do decr. N.° 1.159J de 3 de dezembro de

1892, nomeou o Dr. João Pedro da Veiga Filho.

Dr. Raphael Corrêa da Silva Sobrinho

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Por dez votos contra oito, regeitou a Congregação u m a indicação do Dr. Pedro Lessa, para que se não desse posse ao Dr. Veiga Filho, e m signal de protesto contra a illegalidade do acto do governo.

Aberto, e m 1895, concurso para substituto da quinta secção (processo e pratica forense), sem que n e n h u m can-didato se houvesse inscripto, a Congregação, e m 3 de abril, approvou u m a proposta dos Drs. Almeida Nogueira, João Mendes Júnior e Frederico Abranches, no sentido de ser apresentado ao governo o n o m e do Dr. Raphael Corrêa da Silva.

E elle foi nomeado, por decreto de 15 de maio de 1895, pelo presidente Prudente de Moraes. T o m o u posse e m 25 do m e s m o mez, recebendo o grau de doutor. Foi, e m 1896, transferido para a sétima secção.

Falleceu e m 12 de abril de 1911.

N a Revista da Faculdade de Direito de São Paulo foram publicados muitos trabalhos seus, inclusive a con-ferência O Jury, que fez u m largo sucesso.

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