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DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE AERODINÂMICO PARA RECUMBENT HANDBIKES

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DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE AERODINÂMICO PARA RECUMBENT HANDBIKES

Gabriela Fischer/UNIVR, UFRGS Pedro Figueiredo / UFRGS, FADEUP

Luca P. Ardigò / UNIVR [email protected] RESUMO

O objetivo do presente estudo foi determinar o coeficiente aerodinâmico (Ca) para recumbent handbikes a fim de melhorar a acurácia das estimativas de potência mecânica. Participou deste estudo 1 atleta do sexo feminino, com lesão medular incompleta (nível T5/T9), idade 33 anos, massa corporal 62 kg, estatura 1,70 m. Os testes foram realizados com a handbike da própria atleta, modelo recumbent (Carbonbike), equipada com o medidor de potência mecânica SRM. A atleta foi instruída a pedalar, na pista de atletismo, em diferentes velocidades (18 a 30 kmh-1) com frequência livremente escolhida e também com frequências previamente determinadas (60, 75, 90 e 105 rpm) . A atleta realizou 2 voltas para cada situação sob registro da potência mecânica (SRM). O Ca resultou em 0,71±0,07. Este valor foi 14% menor comparado ao valor de Ca para atletas em posição sentada ou ajoelhada sobre a handbike. Estimativas de potência mecânica para recumbent handbikes utilizando o valor de Ca proposto podem apresentar maior acurácia.

Palavras-Chave: biomecânica, resistência do ar, esporte paralímpico INTRODUÇÃO

No Brasil, mais de 900 mil pessoas possuem tetraplegia, paraplegia e hemiplegia permanente. Muitas destas pessoas necessitam da cadeira de rodas para se locomover no seu dia-a-dia (MELLO & WINCKLER, 2012). Infelizmente, o movimento para empurrar a cadeira de rodas gera uma estressante sobrecarga sobre as articulações dos membros superiores, limitando a realização de longos percursos pelos cadeirantes (VAN DRONGELEN et al., 2005). Como alternativa para esta limitação, surgiram as cadeiras de roda com uma manivela acoplada. O movimento contínuo e circular resultou em uma maior eficiência mecânica e menor sobrecarga (ARNET et al., 2014).

Com a evolução destes dispositivos alternativos de propulsão surgiram as atuais handbikes. Elas são equipamentos modernos, leves, com sistema de marchas, utilizadas tanto para a reabilitação quanto para a competição (VAN DER WOUDE et al., 2006). Após sua estreia no Jogos Paralímpicos de Atenas 2004, o Handbiking tornou-se um esporte muito popular entre os cadeirantes e vem conquistando mais e mais praticantes.

Em contrapartida, muitos atletas amadores e até mesmo profissionais ainda carecem de orientação para melhorar o

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desempenho físico neste esporte paralímpico. Além da demanda metabólica, conhecer a demanda mecânica, em termos de potência, é fundamental para otimizar o desempenho durante as provas. Equipamentos que medem diretamente a potência mecânica seriam ideais para monitorar o rendimento do atleta. Porém, nem sempre estes equipamentos encontram-se disponíveis e seu alto custo limita o investimento por parte do handbiker (GROEN et al., 2010).

Dado o exposto, formas alternativas para obter a potência mecânica durante a realização do Handbiking poderiam ser de grande auxílio tanto para o atleta quanto para o treinador. Groen et al., (2010), propuseram uma equação para estimar a potência mecânica em handbikers na posição ajoelhada e sentada. Entretanto, a sua utilização para atletas em posição supinada sobre a recumbent handbike poderia não ser a mais indicada.

Parte-se do princípio que durante a pedalada sobre a handbike, o atleta produz potência mecânica para superar dois tipos de forças resistentes: a força de atrito entre a roda e a superfície e a resistência do ar. Conhecendo essas duas forças contrárias é possível então estimar a potência mecânica (CAPELLI et al., 2008). Contudo, uma importante variável denominada coeficiente aerodinâmico (Ca) deve ser previamente determinada para que o cálculo da resistência do ar seja possível. Portanto, o objetivo do presente estudo foi determinar o coeficiente aerodinâmico para recumbent handbikes afim de melhorar a acurácia das estimativas de potência mecânica para este modelo.

MÉTODOS

Participou deste estudo 1 atleta do sexo feminino, classificação WH2, com lesão medular incompleta (nível T5/T9), 14 anos desde a lesão, idade 33 anos, massa corporal 62 kg, estatura 1,70 m e 7 anos de prática em Handbiking. A atleta foi informada sobre o objetivo e os métodos do estudo devidamente descritos no termo de consentimento livre e esclarecido. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética da Universidade de Verona, Itália.

Os testes foram realizados com a handbike da própria atleta (Figura 1), modelo recumbent (Carbonbike, Suíça), massa 14 kg e manivelas (170 mm) montadas de modo síncrono. Os pneus foram calibrados a 8 bars de pressão (diâmetro das 3 rodas 622 mm e 25 mm de largura). A handbike foi equipada com o medidor de potência mecânica SRM (Alemanha).

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Figura 1. Handbike modelo recumbent

O protocolo de testes foi realizado em uma pista de atletismo na ausência de vento. A atleta foi instruída a pedalar em diferentes velocidades (18 a 30 kmh-1) com frequência livremente escolhida e também com frequências previamente determinadas (60, 75, 90 e 105 rpm). Para cada velocidade e para cada frequência a atleta realizou 2 voltas na pista de atletismo perfazendo um total de 30 voltas sob registro da potência mecânica (SRM).

A equação para determinar o coeficiente aerodinâmico (Ca, adimensional) descrita por CAPELLI et al, 2008 é:

PO=(Cr.m.g + 0,5.A...Ca.v2)v

onde PO (W) é a potência mecânica medida diretamente pelo SRM, Cr é o coeficiente de atrito (adimensional) determinado pelo método da desaceleração utilizando um GPS (Garmin EDGE), m é a massa (kg) do sujeito e da handbike somadas, g é a aceleração da gravidade (9,82 ms-2), A (m2) é a área frontal do sujeito sobre a handbike determinada através da análise de uma foto frontal através do programa Image J, . é a densidade do ar calculada através da pressão atmosférica (752 mmHg), da temperatura do ar (294,15 K) e a densidade do ar seco (1,239kgm-3) e v é a velocidade de progressão.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A PO variou de 47,9 a 122,13 W nas velocidades testadas. Cr resultou em 0,0067 o qual foi superior ao valor de 0,0039 encontrado por GROEN et al., (2010) realizando o método da desaceleração em superfície lisa. Desta forma, o maior Cr do presente estudo pode ser justificado pelo maior atrito imposto pela superfície (tartan) da pista de atletismo. Além disso, o Cr pode ser influenciado pela pressão dos pneus, número de rodas, diâmetro e largura das rodas e tipo de pneu (WILSON, 2004).

A área frontal (A) foi de 0,33 m2. Este valor foi similar aos valores achados no ciclismo de competição (0,33m2) (WILSON, 2004) e em bicicletas modelo recumbent (0,34m2) (CAPELLI et al., 2008). Groen et al., (2010) calculando a A de handbikes de sujeitos na posição sentada ou ajoelhada encontrou o valor de 0,40 m2. A densidade do ar (.) neste estudo foi de 1,19 kgm-3 e o C

a, por sua vez, resultou em 0,71±0,07. Este valor aproximou-se ao valor da bicicleta recumbent de 2 rodas Easy Racer (Tabela 1).

Tabela 1 – Valores de coeficiente aerodinâmico (Ca) para handbikes e bicicletas.

Tipo de veículo Ca Referência

Handbike Carbonbike (3 rodas/posição

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Handbike Schmicking (3 rodas/posição

sentada/ajoelhada) 0,83 GROEN et al., 2010

Bicicleta recumbent Sly Way (2

rodas/posição supinada) 0,84 CAPELLI et al., 2008 Bicicleta recumbent Easy Racer (2

rodas/posição supinada) 0,77 WILSON, 2004

Bicicleta recumbent Karkyk (4

rodas/posição supinada) 1,06 ZAMPARO et al., 2000 Bicicleta tradicional de competição (2

rodas/posição curvada) 0,80-0,88 PUGH,1974 KYLE,1979 WILSON, 2004 Bicicleta aerodinâmica de competição (2

rodas/posição curvada) 0,64 CAPELLI et al., 1993 Bicicleta passeio (2 rodas/posição neutra) 1 WILSON, 2004

Análises mais acuradas da A, Ca e da resistência da ar são obtidas utilizando a técnica de referência, ou seja, túnel de vento (DEBRAUX et al., 2011). No túnel de vento é possível avaliar a área frontal efetiva (produto da A pelo Ca). Valores de área frontal efetiva na ordem de 0,20 a 0,30 foram encontrados para um atleta sobre uma recumbent handbike pedalando no túnel de vento (Politécnico de Milão, comunicação verbal). Considerando as medidas deste estudo, a área frontal efetiva foi 0,23, ou seja, muito similar aos valores encontrados utilizando a técnica de referência.

CONCLUSÃO

O Ca para a recumbent handbike foi menor comparado ao valor de Ca para atletas em posição sentada ou ajoelhada sobre a handbike. Estimativas de potência mecânica para recumbent handbikes utilizando o valor de Ca proposto neste estudo podem apresentar maior acurácia.

REFERÊNCIAS

ARNET U, VAN DRONGELEN S, SCHLÜSSEL M, LAY V, VAN DER WOUDE LH, VEEGER HEJ. The effect of crank position and backrest inclination on shoulder load and mechanical efficiency during handcycling. Scandinavian journal of medicine & science in sports, v. 24, n. 2, p. 386-394, 2014.

CAPELLI C, ARDIGO LP, SCHENA F, ZAMPARO P. Energy cost and mechanical efficiency of riding a human-powered recumbent bicycle.

Ergonomics, v. 51, n. 10, p. 1565-1575, 2008.

CAPELLI C, ROSA G, BUTTI F, FERRETTI G, VEICSTEINAS A, DI PRAMPERO PE. Energy cost and efficiency of riding aerodynamic bicycles. European

journal of applied physiology and occupational physiology, v. 67, n.

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DEBRAUX P, GRAPPE F, MANOLOVA A V, BERTUCCI W. Aerodynamic drag in cycling: methods of assessment. Sports biomechanics, v. 10, n. 3, p.197-218, 2011.

GROEN WG, VAN DER WOUDE LH V, DE KONING JJ. A power balance model for handcycling. Disability and rehabilitation, v. 32, n. 26, p. 2165-2171, 2010.

KYLE, C. Reduction of wind resistance and power output of racing cyclists and runners travelling in groups. Ergonomics, v. 22, p. 387-397, 1979.

MELLO, M.T. & WINCKLER C. Esporte Paralímpico. 1. Ed. Sao Paulo: Atheneu, 2012.

PUGH LG. The relation of oxygen intake and speed in competition cycling and comparative observations on the bicycle ergometer. The Journal of

physiology, v. 241, n. 3, p. 795-808, 1974.

VAN DRONGELEN S, VAN DER WOUDE LH, JANSSEN TW, ANGENOT EL, CHADWICK EK, VEEGER DH. Mechanical load on the upper extremity during wheelchair activities. Archives of physical medicine and rehabilitation, v. 86, n. 6, p. 1214-1220, 2005.

VAN DER WOUDE LH, DE GROOT S, JANSSEN TW Manual wheelchairs: Research and innovation in rehabilitation, sports, daily life and health.

Medical engineering & physics, v. 28, n. 9, p. 905-915, 2006.

WILSON DG, PAPADOPOULOS J. Bicycling Science. 3. Ed. London, England: The MIT Press Cambridge; 2004.

ZAMPARO P, CAPELLI C, CENCIGH P. Energy cost and mechanical efficiency of riding a four-wheeled, human-powered, recumbent vehicle. European

Referências

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