PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: CUSTOS E FINANÇAS
MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO
JÓICI MARTINS
UMA CONTRIBUIÇÃO À ANÁLISE
CUSTO-VOLUME-LUCRO COM A INTEGRAÇÃO DAS
ABORDAGENS ECONÔMICA E CONTÁBIL: O
CASO DE UMA MALHARIA
FLORIANÓPOLIS 2005
UMA CONTRIBUIÇÃO À ANÁLISE
CUSTO-VOLUME-LUCRO COM A INTEGRAÇÃO DAS ABORDAGENS
ECONÔMICA E CONTÁBIL: O CASO DE UMA
MALHARIA
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Administração, área de concentração em Custos e Finanças.
Orientador: Prof. Dr. Altair Borgert
INTEGRAÇÃO DAS ABORDAGENS ECONÔMICA E CONTÁBIL: O
CASO DE UMA MALHARIA
Jóici Martins
Esta dissertação foi julgada adequada para a obtenção do título de Mestre em Administração (área de concentração em Custos e Finanças) e aprovada em sua forma final pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Santa Catarina.
______________________________________ Prof. Dr. José Nilson Reinert – Coordenador
Apresentada à Comissão Examinadora integrada pelos professores:
_____________________________________
Prof. Dr. Altair Borgert. – Orientador
_____________________________________
Prof. Dr. Antonio Cezar Bornia
_____________________________________
A Deus, que me acompanha e ilumina em todos os momentos da minha vida. Ao Orientador, Prof. Dr. Altair Borgert, que, de maneira tão especial e dedicada, conduziu a orientação dessa pesquisa. Agradeço a ele pelo tempo destinado às exaustivas discussões do tema e revisões constantes, como também, pela oportunidade de produção e publicação de artigos ao longo dessa jornada.
Ao Léo, marido, companheiro e colega de grupo, pelo inestimável apoio e fundamental ajuda em todos os momentos que permearam a elaboração desse trabalho.
Ao Léo e ao prof. Altair agradeço de forma especial porque, foram as pessoas mais importantes, e sem as quais, não teria sido possível a realização da pesquisa. Agradeço pela confiança depositada.
Aos membros da banca, Prof. Dr. Antonio Cezar Bornia e Prof. Dr. Pedro José von Mecheln pela pronta aceitação do convite, como também pelas contribuições para o aprimoramento da pesquisa.
Aos Diretores da Malharia por disponibilizarem os relatórios da empresa que permitiram a realização desta pesquisa.
Ao Fernando, controller da Koerich Telecom, pela ajuda destinada nas primeiras etapas da pesquisa de campo.
Aos colegas do grupo de estudo, pela presença e ajuda em todos os encontros realizados com o intuito de aprimorar a presente pesquisa. De forma especial a colega Jeane pela sua colaboração na organização final do trabalho.
Por fim, agradeço a todos que, de alguma maneira contribuíram para a conclusão da pesquisa.
MARTINS, Jóici. Uma Contribuição à análise custo-volume-lucro com a integração das abordagens econômica e contábil: o caso de uma malharia. Florianópolis, 2005. 98 p. Dissertação (Mestrado em Administração) – Programa de pós-graduação em Administração, Universidade Federal de Santa Catarina.
Orientador: Prof. Dr. Altair Borgert. Defesa: 24/05/2005
Esse estudo traz uma contribuição para a análise custo-volume-lucro como resultado da integração das abordagens da economia e da contabilidade, por meio de um estudo em uma malharia. Para tanto faz a comparação dos resultados obtidos com e sem o auxílio da teoria econômica. Esse estudo justifica-se em função de que há poucas pesquisas realizadas sobre o assunto, como também, pela crescente necessidade de melhoria das informações para a tomada de decisão. O método adotado neste trabalho é o hipotético-dedutivo e, de acordo com a abordagem do problema de pesquisa, essa pesquisa caracteriza-se como quantitativa do tipo explicativa, de natureza teórico-empírica. Os dados são extraídos por meio de uma pesquisa documental, de fontes secundárias, tais como, relatórios contábeis relativos aos custos, volume de produção, vendas e lucros. Quanto ao modo de investigação, esta pesquisa faz uso de simulações para diversos volumes de produção e vendas. A parte final do presente trabalho contempla a aplicação empírica da análise CVL acrescida pelos conceitos da teoria econômica. Com o auxílio de funções logarítmicas, obtidas com o auxílio de análise de regressão dos dados reais, é possível fazer uma comparação entre a visão linear e a não linear da análise custo-volume-lucro. Os resultados desse trabalho revelaram que, na análise não linear tanto a margem de contribuição, quanto o lucro e o ponto de equilíbrio sofrem alterações ao longo do processo de produção e vendas, se comparadas à forma linear de análise. Assim, a inclusão das teorias econômicas ao cálculo tradicional contábil traz contribuições para análise CVL, no sentido de munir os gestores de informações mais precisas. Embora não testado empiricamente em outras empresas, conclui-se que a junção dos conceitos econômicos aos contábeis pode contribuir para melhorar as informações da contabilidade, no que se refere à
análise CVL
.
Palavras-chave: Análise Custo-volume-lucro; Ponto de equilíbrio; margem de
This study brings some contribution to the cost-volume-profit (CVP) analysis as the result of integration between economic approaches and accountancy, by means of a study carried out in a cloth company. In order to accomplish this, the present study compares the results obtained with and without the aid of the economic theory. The context that motivated the present work is that of little research performed on this subject and also of a growing need for improving information for decision-making. The method adopted here is hypothetical-deductive and, according to the approach in use, it is qualitative (involving explanation), of a theoretical-empirical nature. The data were collected through documental research, via secondary sources, such as accounting reports related to costs, production volume, sales and profit. Regarding the investigation mode, it was used simulations to various production and sale volumes. The concluding part deals with the empirical application of the CVP analysis in conjunction with the concepts of the economic theory. With the help of logarithm functions, which were obtained from the regression analysis of real data, a comparison between the linear and the nonlinear view of the CVP analysis was made. Results reveal that, in the nonlinear analysis, both the contribution margin and the profit and equilibrium points have changes along the production and sale processes, if compared to the linear analysis. Therefore, the inclusion of economic theories into the traditional accounting calculus brings benefits to the CVP analysis, since it provides managers of more precise information. Although it was not empirically tested in other companies, the conclusion reached is that the joining of economic and accounting concepts may contribute to the improvement of accounting information as regards CVP analysis.
Tabela 1: Custos e margem de contribuição de uma empresa no curto prazo ... 37
Tabela 2: Quantidade produzida e custos... 54
Tabela 3: Níveis de produção e custos ... 55
Tabela 4: Média dos custos fixos ... 56
Tabela 5: Quantidade produzida e custos variáveis, com custo fixo constante... 57
Tabela 6: Quantidade produzida e custos, sem os pontos discrepantes ... 61
Tabela 7: Simulação dos custos... 63
Tabela 8: Comportamento da receita ... 68
Tabela 9: Simulação da receita ... 71
Tabela 10: Preço médio, CVMe e margem de contribuição ... 72
Tabela 11: Ponto de equilíbrio em unidades ... 76
Tabela 12: Simulação do custo, com base na função linear ... 78
Tabela 13: Simulação da receita, com base na função linear ... 83
Gráfico 1: Ponto de maximização de lucro... 35
Gráfico 3: Curvas de margem de contribuição pelo custo variável e marginal... 39
Gráfico 4: Curva de custo total ... 58
Gráfico 5: Curva de custo variável total... 59
Gráfico 6: Função do custo variável total ... 62
Gráfico 7: Curvas de custo médio e marginal... 66
Gráfico 8: Curvas de custo total ... 67
Gráfico 9: : Função da receita total ... 69
Gráfico 10: Lucro e margem de contribuição por unidade... 75
Gráfico 11: Comportamento do ponto de equilíbrio... 77
Gráfico 12: Função linear do custo variável total... 78
Gráfico 13: Curvas de CVT – linear e não linear ... 80
Gráfico 14: Curvas de CVMédio – linear e não linear ... 81
Gráfico 15: Função linear da receita ... 82
Gráfico 16: Lucro unitário - linear e não linear... 84
CVL CUSTO-VOLUME-LUCRO
CT CUSTO TOTAL
CVT CUSTO VARIÁVEL TOTAL
CTMe CUSTO TOTAL MÉDIO
CVMe CUSTO VARIÁVEL MÉDIO
CMg CUSTO MARGINAL
RMg RECEITA MARGINAL
PE PONTO DE EQUILÍBRIO
MC MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO
1 INTRODUÇÃO... 12
1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA... 12
1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA... 14 1.2.1 Geral... 15 1.2.2 Específicos ... 15 1.3 JUSTIFICATIVA ... 15 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 18 2.1 A TEORIA ECONÔMICA... 18 2.1.1 Produto Marginal ... 18
2.1.2 Curva de aprendizagem e experiência ... 19
2.1.3 Custo Marginal ... 21
2.1.4 Economias de escala e de escopo ... 22
2.1.4.1 Economias de escala... 22 Rendimentos de escala ... 23 2.1.4.2 Economias de escopo ... 24 2.2 A ANÁLISE CUSTO-VOLUME-LUCRO... 25 2.2.1 Margem de Contribuição ... 26 2.2.2 Ponto de equilíbrio... 27
2.2.2.1 Ponto de equilíbrio (PE) em unidades ... 28
2.2.2.2 Ponto de equilíbrio em unidades monetárias de vendas... 29
2.3 DISCUSSÃO DOS CONCEITOS CONTÁBEIS NA VISÃO ECONÔMICA ... 30
2.3.2 Aplicação teórica ... 37
3 METODOLOGIA... 41
3.1 PERGUNTAS DE PESQUISA ... 41
3.2 NATUREZA E CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA... 41
3.3 MÉTODO DE PESQUISA ... 43
3.4 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA... 43
3.4.1 Limitações da pesquisa ... 44
3.5 COLETA E ANÁLISE DOS DADOS... 44
3.6 DEFINIÇÃO DOS TERMOS E VARIÁVEIS... 46
3.7 IMPLICAÇÕES ÉTICAS... 48
4 ANÁLISE DOS DADOS DA EMPRESA ... 49
4.1 APRESENTAÇÃO DA EMPRESA... 49
4.2 LEVANTAMENTO E ESCOLHA DOS DADOS ... 49
4.3 COMPORTAMENTO DOS CUSTOS ... 50
4.4 CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS... 50
4.4.1 Custos e Despesas Fixas: ... 51
4.4.2 Custos e Despesas Variáveis: ... 52
4.5 A PROBLEMÁTICA DA APLICAÇÃO DOS CONCEITOS ECONÔMICOS.. 52
4.6 APLICAÇÃO EMPÍRICA DOS CONCEITOS ... 53
4.6.1 Análise dos custos... 54
4.6.2 Análise das receitas... 68
4.6.3 Comparação com a abordagem linear... 78
5.1 CONCLUSÕES... 87
5.2 RECOMENDAÇÕES... 91
5.2.1 Recomendações para a empresa... 91
5.2.2 Recomendações para futuros trabalhos... 92
Nesta sessão apresenta-se a exposição dos aspectos introdutórios do presente estudo, com destaque para o tema e o problema, a definição do objetivo geral e dos específicos, como também a apresentação das justificativas que motivam a pesquisa.
1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA
O desenvolvimento econômico e industrial, que teve início com a Revolução Industrial e se intensificou nas últimas décadas, impôs novas formas de competição em mercados globalizados. Como resultado, as pressões competitivas impõem novos posicionamentos estratégicos por parte das empresas. Nesse cenário, os administradores se defrontam com o desafio de desenvolver estratégias eficientes para fazer frente à concorrência global.
O momento econômico atual requer um aumento da racionalidade na administração dos negócios. Os mercados, em crescente competição, exigem dos dirigentes das empresas atitudes firmes e arrojadas. Assim, novas metodologias e formas de análise devem surgir no sentido de melhorar o processo de tomada de decisão. Torna-se necessário buscar subsídios de outras áreas de conhecimento para aperfeiçoar o processo decisório. Sendo assim, as teorias contábeis e econômicas podem juntar-se na tentativa de racionalizar os processos produtivos e estratégicos das empresas. Nesse contexto a contabilidade gerencial busca suprir a necessidade das empresas por informações mais estratégicas.
Nesse sentido, várias são as formas de abordagem do custo e do lucro. No presente trabalho aborda-se a análise custo-volume-lucro (CVL), que se concentra na margem de contribuição dos produtos (que é a diferença entre o valor de venda e
o custo variável) com o objetivo de obtenção da maximização do lucro. Nesse sentido Hansen e Mowen (2001) afirmam que a análise CVL é útil no planejamento e na tomada de decisão em função de inter-relacionar as informações de custos, quantidades vendidas e preços.
Contudo, os cálculos de custos e receitas diferem em alguns aspectos para a economia e para a contabilidade, conforme salienta Iudícibus (1998), que as funções-custo e a funções-receita não são lineares – apesar de os contadores, para fins de simplificação, considerarem sua linearidade, colocando-as numa
camisa-de-força. Nesse sentido, Hansen e Mowen (2001) afirmam que os gráficos da análise
CVL contam com algumas suposições entre as quais, a de que as receitas e os custos apresentam-se de forma linear. Dessa forma, os custos e as receitas por unidade não apresentam variações ao longo do tempo.
Na visão de Shank e Govindarajan (1997, p.22), na contabilidade gerencial “o custo é função, basicamente, de um único direcionador de custos: volume de produção”. Contudo, os autores observam que explicar o comportamento dos custos com base em apenas um direcionador é limitado. Nesse sentido, existem outros fatores que influenciam a variação dos custos ao longo do tempo, entre eles, a
escala, o escopo, a experiência, a tecnologia e a complexidade (SHANK E
GOVINDARAJAN, 1997). Estes direcionadores são áreas de conhecimento, também, da economia, e não muito utilizados pela contabilidade tradicional.
Os conceitos econômicos, para explicar os custos, são semelhantes aos empregados pela contabilidade. Entretanto, a contabilidade aplica-os de forma simplificada para facilitar suas análises. Todavia, a utilização dos conceitos da teoria econômica em sua forma original pode trazer benefícios para os cálculos contábeis. O custo e a receita marginal – principais conceitos utilizados - são instrumentos de
reforço para as análises da margem de contribuição e do ponto de equilíbrio como também do ponto de maximização do lucro. Para Maital (1996, p.75), o custo marginal é “importante para a tomada de decisões empresariais, mas é subestimado e raramente fornecido ou calculado pelos contadores”.
Por outro lado, a aceitação das funções de custo e receita como lineares pressupõe que o lucro é ilimitado a partir do ponto de equilíbrio. Esta simplificação não se aplica em termos práticos, uma vez que o lucro é limitado por vários fatores internos e externos à empresa. Sendo assim, o presente trabalho tem como tema o uso do enfoque econômico para os estudos do custo-volume-lucro contábeis. Dessa forma, pretende-se agregar os métodos e conceitos da economia – principalmente as análises marginais - aos cálculos da margem de contribuição, ponto de equilíbrio e maximização de lucros de forma a analisa-los de forma não-linear.
Com base nas considerações apresentadas, busca-se resposta para o seguinte problema de pesquisa:
Qual a contribuição, para a análise custo-volume-lucro, da integração entre as abordagens da economia e da contabilidade?
Assim, espera-se, com esse trabalho, contribuir com o modelo contábil atual da análise custo-volume-lucro, com vistas a aumentar sua relevância no processo de tomada de decisão.
Para desenvolver o presente trabalho de acordo com a problemática proposta, e, para dar sustentação às questões relacionadas, apresentam-se, a seguir, os objetivos do estudo.
1.2.1 Geral
O objetivo geral desse trabalho consiste em trazer uma contribuição para a
análise custo-volume-lucro com a integração das abordagens econômica e contábil, aplicada em um estudo em uma malharia, comparando-se os resultados obtidos com e sem o auxílio da teoria econômica.
1.2.2 Específicos
Em se tratando dos objetivos específicos que permeiam o presente estudo, pretende-se o seguinte:
• Discutir o modelo de análise custo-volume-lucro com base nos conceitos econômicos;
• Testar a análise custo-volume-lucro à luz dos conceitos econômicos, por meio da aplicação em uma malharia;
• Fazer a comparação dos resultados obtidos com e sem o auxilio da teoria econômica.
O presente trabalho é motivado por leituras preliminares de manuais de economia e de contabilidade, no que diz respeito aos custos. Entretanto, estudam os custos e os lucros de forma diferente. Percebe-se, dessa forma, que a junção das duas formas de abordagem de custo e lucro - econômica e contábil - pode contribuir para a melhoria do processo de análise para tomada de decisão.
Desse modo, na presente pesquisa, discute-se a análise custo-volume-lucro (CVL) que é alvo de críticas por alguns autores – dentre outros, Maher (2001), Hansen e Mowen (2001). Esses autores, ao definirem as análises custo-volume-lucro, afirmam que estas são utilizadas pela contabilidade de forma simplificada. Por outro lado, os autores argumentam que a economia pode oferecer maiores subsídios para a melhoria do método. Entretanto, esta integração dos conceitos econômicos aos contábeis carece de maiores estudos.
Nesse sentido, a escolha pela problemática desse estudo está relacionada, principalmente, à deficiência de trabalhos de pesquisa na área, ou seja, à falta de trabalhos de pesquisa que façam uma relação entre os conceitos econômicos e contábeis.
Por outro lado, é crescente a necessidade da contabilidade em melhorar a qualidade das informações relativas a custo e lucro, a fim de aumentar sua contribuição para o processo de tomada de decisão. Nesse sentido, a economia pode auxiliar para a melhoria das metodologias empregadas pela contabilidade, principalmente no que se refere ao modelo de análise custo-volume-lucro.
Por fim, este trabalho justifica-se, também, pelo fato de que resultados preliminares indicam que a utilização dos cálculos econômicos são válidos para auxiliar a contabilidade na melhoria do processo de análise de custos e lucros para a
tomada de decisão. Esse tema foi apresentado e discutido em artigo publicado no IX Congresso Brasileiro de Custos (BORGERT e MARTINS, 2002).
Dessa forma, o interesse manifestado pelos presentes, na ocasião da apresentação do artigo, como também, as discussões que surgiram em torno do tema, reforçaram o interesse pelo assunto e justificaram o aprofundamento do estudo do tema apresentado na presente pesquisa.
Este capítulo apresenta a revisão bibliográfica que fundamenta a presente pesquisa. Primeiramente se faz uma explanação acerca dos conceitos da teoria econômica que embasam a pesquisa. Logo após torna-se necessário fazer uma conceituação da análise custo-volume-lucro contábil, alvo de estudo. Por fim, se apresenta uma discussão de algumas diferenças existentes entre a teoria econômica e contábil.
2.1 A TEORIA ECONÔMICA
Para um melhor entendimento do objetivo do presente trabalho, faz-se necessário a definição dos principais conceitos econômicos relacionados aos custos e às receitas. Tais conceitos, unidos às metodologias empregadas na contabilidade, podem colaborar para a elaboração de relatórios mais claros e informativos.
2.1.1 Produto Marginal
Este conceito é relevante por ser o responsável pela variação do custo marginal. Segundo Pindyk e Rubinfeld (1996), o produto marginal de um fator de produção representa a variação na produção total resultante da variação de um insumo de produção. A taxa de variação deste insumo, ao permanecerem constantes os demais, é que determina o comportamento do custo de produção.
Para Maital (1996, p. 83) a noção de produtividade marginal está associada ao emprego de duas perguntas:
• “Quanto custa uma hora adicional de mão-de-obra ou de capital?
• Com quanto uma hora adicional de mão-de-obra ou de máquina contribui para a produção de bens ou serviços da empresa?”.
Se os custos associados forem menores do que as receitas adicionais, tal incremento na produção é viável, pois aumenta o lucro da empresa.
A divisão do trabalho, para Maital (1996), é um exemplo de aumento da produtividade - o autor baseia-se nas idéias de Adam Smith em sua fábrica de alfinetes. Assim, a divisão das funções, dentro das empresas, possibilita um alto grau de especialização, e, aliada ao progresso tecnológico leva a um notável aumento da produtividade e redução de custos.
Nesse sentido, Watson e Holman (1985, p. 204), argumentam que “o processo de aprendizagem consiste em adquirir maior familiarização com os detalhes das tarefas, de modificar ferramentas e procedimentos, e de melhorar a coordenação”. Assim, à medida que o processo produtivo avança, o custo tende a decrescer. Desta forma, a tendência da curva de experiência é importante para fazer previsões acerca dos futuros custos da empresa.
Entretanto, Maital (1996, p. 89) argumenta que a produtividade marginal da mão-de-obra “(...) depende do talento, capacidade e da formação dos trabalhadores, em uma luta contínua, dia a dia, para tornar um pouco melhores as coisas repetitivas”. Assim, a produtividade não está associada tão somente às máquinas e equipamentos mais modernos e a uma divisão de tarefas e turnos mais eficientes, mas, é influenciada pela motivação e pelo respeito dado aos funcionários que realizam tais tarefas e operaram tais máquinas.
2.1.2 Curva de aprendizagem e experiência
A curva de aprendizagem e experiência registra a redução do custo médio e marginal, em função da quantidade produzida. Maital (1996) define a curva de aprendizagem e experiência como a mudança no custo variável médio provindo da variação da experiência.
A idéia de experiência está calcada no princípio de que “quanto mais se faz alguma coisa, melhor se faz” (MAITAL, 1996, p. 130). Na visão do autor, a curva de experiência tem um resultado cíclico, ou seja, com o aumento da produção, diminuem os custos. Custos menores levam a preços mais baixos influenciando assim, na demanda do produto. Com o resultante aumento nas vendas os lucros melhoram e mais recursos financeiros podem ser destinados ao departamento de pesquisa e desenvolvimento que diminuirá o custo. Assim, inicia-se um novo ciclo.
O conceito da curva de aprendizagem baseia-se na premissa de que as empresas aprendem ao longo do tempo. Para Pindyk e Rubinfeld (1996) os administradores consideram o processo de aprendizagem no planejamento da produção e previsões de custos futuros. Para os autores, os custos médios no longo prazo podem declinar, não somente em função dos rendimentos crescentes de escala, mas em função da curva de aprendizagem. Assim, considera-se que os trabalhadores e administradores, como também os fornecedores, absorvem novas informações tecnológicas ao longo do tempo e aumentam a eficiência.
Neste sentido, Maital (1996) afirma que a estratégia da curva de experiência baseia-se no corte de custos através da produção em larga escala. Portanto, o aumento da experiência resulta em melhorias na produtividade, na qualidade – através de inovações nos projetos, diminuição de defeitos, rapidez na execução das tarefas, aumento de poder de negociação com fornecedores, entre outros – e, conseqüentemente, na redução de custo.
Entretanto, para Maital (1996), a falta de disposição para as mudanças pode levar à adoção de rotinas defensivas, que se transformam em inimigos da curva de
aprendizagem. Na visão do autor, quanto mais alto for o estágio de aprendizado e
avessos às mudanças e dessa forma, inibirem as melhorias provindas do processo de aprendizado.
2.1.3 Custo Marginal
O custo marginal (CMg), também chamado de custo incremental, é o aumento do custo causado pela produção de uma unidade adicional de produto. O custo marginal informa quanto custa aumentar uma unidade de produção. Para Maital (1996, p. 75), o custo marginal é “um conceito particular de custo, importante para a tomada de decisões empresariais, mas é subestimado e raramente fornecido ou calculado pelos contadores”. Assim, o custo marginal é pouco utilizado no processo decisório das empresas. Os custos marginais, entretanto, são freqüentemente diferentes dos custos médios.
Nesse sentido, Varian (1999, p.379) define custo marginal como a “curva que mede a variação dos custos para uma dada variação no produto”. Tem por função demonstrar em que magnitude os custos variam se a produção aumentar em uma unidade. A demonstração matemática para cálculo do custo marginal, de acordo com Varian (1999) é a seguinte:
( )
( )
(
) ( )
y y C y y C y y Custo y CMg ∆ − ∆ + = ∆ ∆ =Onde: y = quantidade e ∆ = variação.
Ou, em função do Custo variável (Cv):
( )
( )
(
)
( )
y y Cv y y Cv y y Cv y CMg ∆ − ∆ + = ∆ ∆ =Onde: y = quantidade e ∆ = variação.
Dessa forma, o custo marginal apresenta a variação dos custos dividida por uma mudança na produção.
Para Varian (1999), o custo marginal está ligado à variação do produto marginal – que é o produto adicional obtido pelo acréscimo de um fator de produção. O produto marginal tende a ser decrescente a partir do ponto no qual um fator de produção excede a capacidade de absorção de outro. Neste caso, a produtividade cai e o produto marginal é decrescente, levando-se a um acréscimo no custo marginal. A partir deste montante de produção, a empresa deve expandir sua estrutura ou reduzir seu volume de produção para diminuir seus custos.
De acordo com Pindyk e Rubinfeld (1996), inicialmente o CMg é alto e apresenta reduções somente a partir do momento no qual os insumos se tornam mais produtivos. Porém, em função do efeito dos rendimentos decrescentes, o custo marginal passa a aumentar após atingir seu ponto de valor mínimo.
2.1.4 Economias de escala e de escopo
Uma empresa pode obter vantagens de custo através de economias de escala ou de escopo. Entretanto, as pressões competitivas estão exigindo das empresas que produzam, ao mesmo tempo com economias de escala, e de escopo. Para Maital (1996), operar com economias de escala e de escopo, ao mesmo tempo, gera uma boa vantagem competitiva. Portanto, é preciso produzir concomitantemente, variedade e volume.
2.1.4.1 Economias de escala
A economia de escala se fundamenta na idéia de volume, ou seja, produção para mercados de massa (MAITAL, 1996). Assim, são exemplos, geralmente,
produtos não muito diferenciados, comodities, entre outros. Uma grande escala produtiva possibilita redução dos custos e, conseqüentemente, aumento dos lucros.
De acordo com Maital (1996), a redução dos custos médios (CMe) e marginais (CMg), é resultante do aumento no tamanho de uma unidade produtiva. Para ele, são vários os fatores que levam a redução dos custos:
• Divisão do trabalho: cada funcionário é responsável por apenas uma etapa do processo de produção, com isso aumenta-se, a especialização da mão-de-obra.
• Economia nas compras: as compras são feitas em maior quantidade, o que confere maior poder de barganha junto aos fornecedores.
• Possibilidade de utilização de equipamentos mais eficientes, porém, caros para fábricas menores.
• Divisão do custo fixo: dado que o custo fixo não muda, independente da quantidade produzida, aumentar a produção reflete em um menor impacto do custo fixo no valor dos custos totais médios, pois são rateados por um número maior de itens.
Rendimentos de escala
Para o cálculo do custo e do lucro, com enfoque econômico, é importante incluir as noções de rendimentos de escala. Para Varian (1999), estes podem ser definidos como o resultado da variação da utilização de todos os insumos de produção. De acordo com o resultado obtido pela mudança na utilização destes recursos, os rendimentos classificam-se em:
• Rendimentos crescentes de escala: são obtidos quando a variação no resultado da produção total é mais que proporcional a variação dos insumos produtivos utilizados;
• Rendimentos constantes de escala: ocorrem quando a variação do produto total é proporcional a variação do insumo utilizado; e
• Rendimentos decrescentes de escala: são verificados quando uma determinada variação no produto final é menos que proporcional à variação dos fatores de produção adicionados no processo produtivo.
A análise dos rendimentos de escala é importante na medida em que estas variações afetam o custo médio no longo prazo. Nesse sentido, pode-se definir que o comportamento do custo variável médio (CVMe) é inicialmente decrescente – em função de a empresa experimentar uma etapa de rendimentos crescentes – e após alcançar seu ponto mínimo começa a crescer em função dos rendimentos decrescentes de escala (GARÓFALO E CARVALHO, 1986). Assim, a representação gráfica do CVMe geralmente é em forma de “U”.
2.1.4.2 Economias de escopo
A economia de escopo está associada à idéia de variedade. Para Maital (1996), obtêm-se economias de escopo através da fabricação de produtos diferentes – como, por exemplo, tintas e solventes - utilizando-se das mesmas instalações físicas e matérias primas. Tal procedimento reduz os custos de produção e aumenta, em decorrência os lucros.
Essa redução de custos é possível porque várias linhas de produção compartilham as mesmas instalações, tanto de fabricação, quanto de distribuição e vendas. Para Maital (1996), a redução dos custos médios (CMe) e marginais (CMg) é decorrente da utilização das instalações e do processo produtivo de uma única unidade produtiva, para a produção de diversos produtos e serviços. Entretanto, para que haja economias de escopo, é preciso verificar se o custo de produzir vários produtos na mesma fábrica é menor do que o de produzir os mesmos produtos em
fábricas separadas (MAITAL, 1996). Caso não se verifique um diferencial de custos, não é vantajoso fazer uso do escopo produtivo.
Na visão de Maital (1996), inicialmente os produtos passam por economias de escala, em função de as empresas buscarem reduções de custos. À medida que os produtos amadurecem, as economias de escopo dominam, pois a empresa precisa conquistar novos clientes. Desta forma, novos modelos são criados ou novos recursos são adicionados aos produtos já conhecidos. O escopo, no entanto, deve sempre ser orientado pela demanda. De nada adianta melhorar ou criar um novo produto sem que o consumidor esteja disposto a comprá-lo.
2.2 A ANÁLISE CUSTO-VOLUME-LUCRO
Para Hansen e Mowen (2001), a análise CVL é útil no processo de planejamento e de tomada de decisão por integrar de forma mais ampla, todas as informações financeiras da empresa, quer seja dos custos, das quantidades vendidas e dos preços. Para eles, a análise custo-volume-lucro permite que a empresa visualize qual o comportamento das receitas, dos custos e dos lucros, quando o volume de produção varia.
Nesse sentido Bornia (2002) corrobora ao afirmar que a análise CVL é um conjunto de procedimentos que capacita ao gestor visualizar quais as implicações para o lucro das mudanças ocorridas nas quantidades vendidas e nos custos.
No entanto, Maher (2001) afirma que a análise custo-volume-lucro, em função de separar os custos fixos dos variáveis, torna as informações mais eficazes para o curto prazo. Isto se deve ao fato de que no longo prazo a empresa pode tomar decisões que mudam sua estrutura de custos, alterando-se a margem de contribuição. Outro aspecto importante é a variação do preço de venda em função
da demanda do mercado, que evidencia que a análise CVL é mais recomendável para análises de curto prazo.
Entretanto, cabe ressaltar que o curto prazo, ao qual se refere Maher (2001) difere daquele empregado pela contabilidade – para a qual curto prazo é definido em função do término do exercício contábil, geralmente de 1 (um) ano. Para o autor a noção de curto e longo prazo é aquela empregada pela economia, para a qual curto prazo é o período no qual um ou mais insumos produtivos mantêm-se fixos (VARIAN, 1999). Dessa forma, Bornia (2002, p.71) afirma que “no longo prazo todos os custos são variáveis”, uma vez que a empresa está em constante busca pelo aperfeiçoamento e crescimento.
A análise custo-volume-lucro capacita a empresa a visualizar problemas de forma mais rápida através da análise do ponto de equilíbrio – que será exposto n - que é afetado, entre outros, pela mudança nos custos fixos e nas receitas. A análise CVL possibilita também, que a empresa faça projeções para vários cenários ao simular mudanças de preços e de custos para verificar suas implicações nos lucros da organização (HANSEN E MOWEN, 2001).
Nesse sentido, Atkinson et al (2000) afirmam que os gestores estão interessados em saber as implicações das mudanças do volume de produção no custo. A análise do comportamento dos custos é importante para a determinação do lucro das empresas. Assim, a análise CVL proporciona um entendimento mais claro acerca dos inter-relacionamentos que existem entre custo, volume e lucro.
2.2.1 Margem de Contribuição
A margem de contribuição (MC) é definida como o valor resultante da
diferença entre o preço de venda e o custo variável. De acordo com Hansen e Mawen (2001), é obtida pela seguinte fórmula:
Margem de contribuição = Receita de Vendas - Custo variável total
A MC é utilizada para cobrir os custos fixos da empresa e contribuir para o lucro (SANTOS, 1987). Nesse sentido, a lucratividade da empresa é avaliada em termos de sua margem de contribuição, cuja ênfase de análise recai sobre os lucros da empresa.
Assim, o estudo das restrições de um sistema é importante para otimizar os lucros da empresa uma vez que, frente a uma limitação na produção, a empresa tem que decidir qual produto priorizar em detrimento de outro. Nesse caso, segundo Martins (1990), realiza-se a análise de acordo com a margem de contribuição por fator limitante, ou seja, da restrição. Essa margem determina qual produto deve ser priorizado.
2.2.2 Ponto de equilíbrio
O ponto de equilíbrio é alcançado no momento em que o lucro for nulo e no qual o valor total da margem de contribuição (MC) se iguala ao valor dos custos fixos (HANSEN E MOWEN, 2001). Nesse ponto, todos os custos fixos e os variáveis estão cobertos pelas receitas obtidas. Para Maher (2001, p.440) “atingir o ponto de equilíbrio é uma questão de sobrevivência”, pois sem cobrir os custos totais, uma empresa não se mantém viva. O ponto de equilíbrio pode ser alcançado em unidades de produto, ou serviço e em unidades monetárias.
De acordo com Maher (2001), empresas que possuem custos fixos altos apresentam um ponto de equilíbrio alto. Para tais companhias, entretanto, após alcançado o ponto de equilíbrio seus lucros aumentam rapidamente. Geralmente, tais empresas possuem custos variáveis baixos, comparativamente aos fixos. Dessa
forma, depois de cobertos os custos fixos, os lucros crescerem de forma rápida pois a MC da empresa é alta.
2.2.2.1 Ponto de equilíbrio (PE) em unidades
Na visão de Hansen e Mowen (2001, p.592), “a decisão inicial da empresa ao implantar uma abordagem de unidades vendidas à análise CVL é a determinação do que é uma unidade vendida”. Esta definição para empresas de serviço nem sempre é fácil. Outra tarefa é a separação dos custos fixos e variáveis.
Para Hansen e Mowen (2001), depois de definidas as questões anteriores pode-se substituir os valores na fórmula abaixo:
PE em unidades = custos fixos / Margem de contribuição unitária
Dessa forma, obtém-se o número de unidades que precisam ser vendidas para que se alcance o ponto de equilíbrio. A partir desse ponto a empresa passa a obter lucro. Hansen e Mowen (2001) afirmam que após este ponto, a margem de contribuição de cada unidade vendida representa o lucro da empresa, uma vez que todos os custos fixos já estão cobertos e somente os variáveis são considerados.
Nesse sentido, para a empresa saber qual o volume que deve ser vendido para alcançar um determinado nível de lucro desejado, basta substituir na fórmula abaixo (MAHER, 2001):
Volume desejado em unidades = Custos fixos + lucro desejado / MC unitária
Assim, se adiciona o valor do lucro desejado à fórmula anterior, e obtém-se o volume necessário, em unidades de produto, para alcançá-lo.
2.2.2.2 Ponto de equilíbrio em unidades monetárias de vendas
Nos casos em que o cálculo do ponto de equilíbrio for mais facilmente ou convenientemente calculado em termos de receita de vendas, deve-se adotar essa abordagem. Entretanto, o tratamento dado aos custos variáveis muda. Assim, Hansen e Mowen (2001) afirmam que a definição do valor dos custos variáveis é feita a partir de uma porcentagem sobre o montante das vendas. O valor restante refere-se à margem de contribuição (MC) que é utilizada para cobrir os custos fixos e contribuir para o lucro da empresa.
Dessa maneira, a representação matemática para se chegar a ponto de equilíbrio em unidades monetárias, segundo Hansen e Mowen (2001), é a seguinte: PE em vendas = Custo fixo / Índice da margem de contribuição
Onde, o índice da margem de contribuição é calculado conforme e fórmula abaixo. Para Maher (2001, p. 435) esse índice é “a margem de contribuição como percentual das vendas”, pois uma porcentagem das vendas cobre os custos fixos e o restante deste percentual é a margem de contribuição. Este índice pode ser calculado tanto em termos unitários, quanto em termos de valores totais, como segue:
Índice da margem de contribuição = MC unitária / Preço de venda
Assim, o montante de vendas obtido por meio da aplicação das fórmulas acima é o valor necessário para igualar o lucro à zero. Para Hansen e Mowen (2001), a partir desse ponto, o índice da margem de contribuição passa a ser o índice de lucro, ou seja, retirando do valor das vendas o montante destinado a cobertura dos custos variáveis, o restante representa lucro para a empresa.
obter-se o valor em vendas necessário para alcançar um determinado nível de lucro, deve-se adicionar o valor do lucro dedeve-sejado na fórmula, como deve-segue abaixo:
Volume desejado em vendas = Custos fixos + lucro desejado / índice MC
No entender de Hansen e Mowen (2001), a abordagem do ponto de equilíbrio em valor de vendas torna-se mais fácil para o caso de empresas que tenham múltiplos produtos. Entretanto, segundo os autores, para empresas que fabricam um único produto, qualquer uma das abordagens é considerada viável.
2.3 DISCUSSÃO DOS CONCEITOS CONTÁBEIS NA VISÃO ECONÔMICA
Os conceitos econômicos, conforme apresentado anteriormente, não diferem em muito dos contábeis. Contudo, a contabilidade utiliza-os de forma simplificada para facilitar suas análises. Entretanto, o emprego da teoria econômica, em sua forma original, pode trazer benefícios para os cálculos contábeis. O custo marginal, por exemplo, é de fácil utilização, bem como é um instrumento de reforço para as análises da margem de contribuição e do ponto de equilíbrio.
Os conceitos que fundamentam a análise custo-volume-lucro, ademais, são provenientes da economia. Segundo Dias (1992), a administração contábil e financeira faz uso destas noções, que são, há muito tempo utilizadas e conhecidas pela economia. Segundo ele, embora existam algumas distorções nas terminologias e formas de empregar as metodologias, estas têm seu fundamento na microeconomia.
Nesse sentido, Maher (2001) afirma que a análise CVL baseia-se nas análises de maximização de lucro da economia. Segundo ele, a contabilidade, para utilizar tal modelo, faz uso de dois pressupostos, quais sejam: a suposição das funções
lineares de custos e de receitas e a desconsideração do custo de oportunidade no modelo utilizado. Desta forma, a contabilidade pode subestimar o valor dos custos totais.
Na visão de Hansen e Mawen (2001), além dos pressupostos acima, a análise CVL faz uso de outros quatro:
a) Supõe que os preços, os custos fixos e os variáveis podem ser calculados de forma precisa e permanecem constantes ao longo do processo produtivo;
b) Supõe que a produção é totalmente vendida;
c) No caso de produzir mais de um tipo de produto, supõe-se que a combinação de vendas destes é devidamente conhecida;
d) Supõe que tanto os custos quanto os preços de venda sejam conhecidos. No que se refere a questão da linearidade das funções de custos e de receitas, Hansen e Mowen (2001), afirmam que esses não são lineares, pois a medida que se vende mais, o preço de venda tende a diminuir. O mesmo ocorre com os custos unitários, que, inicialmente são altos, depois decrescem, e novamente tornam a subir. Para os autores, é difícil lidar com estas questões.
Dessa forma, a contabilidade utiliza um artifício chamado de “intervalo relevante”, que considera apenas uma faixa de produção e vendas, na qual os custos e as receitas são ligeiramente lineares (HANSEN E MOWEN, 2001). Essa idéia é corroborada por Maher (2001, p.453) ao afirmar que “a análise CVL baseia-se na idéia de que, em determinado intervalo de atividade, a pressuposição da linearidade aproxima-se da realidade”. Essa aproximação seria suficiente para não distorcer a realidade. Entretanto, o autor afirma que esta simplificação pode ocasionar falta de realismo. Dessa forma, a junção de alguns conceitos econômicos,
vistos anteriormente, pode melhorar a análise custo-volume-lucro.
Um elemento importante para a análise de custo-volume-lucro é a determinação da margem de contribuição. Nesse ponto, o auxílio dos conceitos econômicos - principalmente as análises marginais - pode tornar as informações mais úteis e precisas. Na visão de Farrar e Meyer (1975), a análise marginal se apóia na idéia de que a solução melhor possível, para a empresa, pode ser conseguida através de ajustes, nas margens, de uma pequena quantidade produzida, por outra. Dessa forma, aloca-se os recursos escassos de um lugar para outro, de acordo com o maior lucro obtido.
Cabe ressaltar, também que, segundo os pressupostos econômicos, o custo variável unitário muda conforme aumenta o volume produzido – em função dos rendimentos de escala, da capacidade ociosa, da curva do aprendizado etc. Para Dias (1992, p.40) “... nem todos os economistas estão de acordo com a hipótese de que o custo variável unitário seja constante (...)”. Nesse caso, a utilização de um custo variável unitário – chamado na microeconomia de custo variável médio (CVMe) – acrescido da variação dos rendimentos de escala leva a resultados diferentes. Para tanto, torna-se necessário um acurado conhecimento do processo produtivo para verificação da modificação nos padrões de produtividade, porque esta variação aumenta ou diminui o custo variável médio.
A questão principal a ser respondida pelas empresas em tempos competitivos é em torno de qual nível de produção uma empresa competitiva escolhe operar. O ponto de equilíbrio – também chamado de ponto de ruptura ou break-even-point – é alcançado no nível no qual as receitas totais se igualam aos custos totais (RT=CT). Neste ponto o lucro é nulo.
contestado em termos práticos. Nesse sentido, Martins (2003) afirma que não existem custos e despesas perfeitamente fixos, como também, é difícil de se encontrar custos e despesas perfeitamente variáveis. O que ocorre é que tais variações são estudadas dentro de determinados intervalos nos quais as mudanças não inviabilizam as análises. Nesse caso, segundo Martins (2003), o ponto de equilíbrio tem validade restrita.
Entretanto, a economia considera a linearidade como uma simplificação utilizada pela contabilidade para fins de facilidade de análise, embora os sistemas sofram restrições que alteram a linearidade dos custos e das receitas. Assim, o custo e o lucro apresentam um comportamento não linear – crescente, constante e decrescente – que justificam a busca pela quantidade maximizadora de lucro, definida como a maior diferença entre o total de receita e o total de custo.
2.3.1 A maximização do lucro
Para alguns autores o objetivo principal da empresa é a busca pelo lucro. Sendo assim, as ações das empresas concentram-se em encontrar a forma mais eficiente e menos onerosa de produzir. Para Pindyk e Rubinfeld (1996), as empresas procuram encontrar a melhor combinação possível das quantidades de mão-de-obra, capital e matérias-primas empregadas na produção, bem como a melhor quantidade de produto a ser produzida.
Os gestores estão preocupados com a maximização dos lucros. Assim, os produtos são avaliados não somente em termos de custo, mas de acordo com sua contribuição para gerar lucro para a empresa. Para Noreen et al (1996), o foco está na maximização do lucro e não na minimização do custo. A fábrica se transforma de centro de custos em um centro de lucros.
receita marginal é igual ao custo marginal (RMg = CMg). Nesse ponto, a receita adicional obtida com a venda de uma unidade a mais se iguala ao custo extra de produzir essa unidade. Quando, porém, o mercado opera em concorrência perfeita e, conforme colocado por Wessels (1998), cada empresa é individualmente muito pequena para provocar uma modificação no preço, tem-se que a RMg é igual ao preço de mercado. Nesse caso, a condição para maximização do lucro é a igualdade entre o CMg e o preço de mercado, ou seja, CMg = P (WESSELS, 1998). Contudo, estas considerações se aplicam ao curto prazo.
Desta forma, evidencia-se a importância da análise do CMg nas decisões de aumento ou redução de produção. Conforme descrito por Varian (1999), medir o impacto no lucro, por conta de uma mudança na produção, pode ser conseguido mediante a análise das informações obtidas do CMg e não do custo médio, uma vez que o CMg reflete exclusivamente a variação do custo proveniente dessa alteração na produção, e, somente dela.
Neste sentido Wessels (1998) afirma que o ponto de maximização do lucro é o momento no qual a receita marginal se iguala ao custo marginal, independente de este ser ou não o ponto de menor custo médio. Para ele, o lucro nem sempre é maior no instante em que as receitas totais são mais altas. Então o que importa é estudar o comportamento dos custos marginais das empresas. As relações marginais são as que determinarão o ponto de maximização dos lucros das empresas.
Assim, conforme colocado por Wessels (1998), enquanto a RMg for maior que o CMg a empresa deve continuar produzindo. Porém, quando a RMg for menor que o CMg, a empresa estará incorrendo em prejuízo e é preferível que ela diminua seu ritmo produtivo ou, incremente seu parque fabril, para obter maiores lucros. Todavia,
essas relações são teóricas e desconsideram a capacidade de absorção da produção por parte do mercado. Em mercados reais, outras variáveis devem ser levadas em conta. Conforme afirma o autor, o melhor meio de obter lucro é inovar.
No tocante ao ponto de maximização de lucro, em mercados competitivos ele serve apenas como um sinalizador do caminho a ser perseguido. A oscilação constante das variáveis que envolvem o processo de geração de lucro das empresas às impedem de acomodar-se frente a uma situação de suposta “maximização de lucro”. Nesse ponto Bornia (2002) critica a busca pelo ponto ótimo produtivo (grifo do autor), ao afirmar que a permanência nesse nível produtivo pode levar a empresa a sérias conseqüências. Nesse sentido, a empresa deve buscar melhorias contínuas para manter-se competitiva.
Entende-se que as questões acima envolvem um número de variáveis e conhecimentos que merecem ser estudados com maior detalhamento e profundidade no decorrer desse trabalho. O que vale explanar é a relação do custo total com a receita total, que se apresenta no gráfico 01, a seguir:
Gráfico 1: Ponto de maximização de lucro
Receita Custo Quantidade Q1 Q2 Receita Total A Custo Total
Fonte: Hansen e Mowen (2001)
O gráfico 01 representa a relação dos custos totais e das receitas totais. Pelo fato de existirem custos fixos e variáveis, não lineares, o custo total não é uma reta. Conforme Varian (1999), a inclinação da curva de custo total é dada pelo custo marginal que leva a variações não uniformes da curva de custo total.
Para a economia, a receita total é, geralmente, representada por uma curva em função da variação da receita marginal proveniente da alteração dos preços dado pelo aumento ou diminuição da quantidade ofertada (VARIAN, 1999). No gráfico 01 acima, parte-se do pressuposto de que o preço é definido pelo mercado e, portanto, a variação do volume ofertado não altera os preços.
O ponto A do Gráfico 1 representa um ponto de equilíbrio, no qual a receita total é igual ao custo total. Observa-se que o custo total, neste ponto, apresenta-se decrescente. Até o limite de produção Q1 o aumento da produção representa uma redução dos custos e, conseqüentemente, um aumento nos lucros. Esse é o ponto de maximização dos lucros. A partir deste volume de produção os custos tornam-se crescentes e se igualam ao valor da receita total no ponto B do gráfico. Nesse instante, o lucro torna-se nulo (igual a zero) e um aumento da produção sem um aumento nos preços acarreta em prejuízos.
Nas decisões de alterações na produção, é importante analisar o comportamento da demanda do mercado. Geralmente, a receita depende do comportamento da demanda. Desta forma, por exemplo, se o preço dos produtos ofertados sobe, o consumo tende a baixar – dado que a renda não se altera na mesma proporção do aumento dos produtos – o que leva as pessoas a consumirem menos. Tal fato, por sua vez, leva a uma diminuição na receita total em função da redução no consumo. O mesmo raciocínio se aplica no sentido inverso. Então, para
que uma empresa consiga vender mais quantidades de seu produto, deve baixar o seu preço. Dessa forma, evidencia-se que a receita marginal (RMg) é decrescente. A análise da variação da receita, para Varian (1999), é especialmente importante nas decisões de produção das empresas.
2.3.2 Aplicação teórica
De acordo com Borgert e Martins (2002), para incrementar a análise da margem de contribuição com a inclusão dos conceitos econômicos, utiliza-se o custo marginal – associado ao custo variável médio – para o cálculo do ponto de equilíbrio. Da forma comumente utilizada, a margem de contribuição se apresenta do seguinte modo:
Vendas (unitário) ... $90,00
(-) Custo Variável (unitário) ... $50,00
Margem de Contribuição (unitária).. $40,00
Entretanto, o custo variável para se produzir diferentes lotes de mercadorias não é constante. Com a abordagem do custo marginal, a tendência é que o valor do custo diminua inicialmente, gerando maiores margens de contribuição e incrementos nos lucros. Na tabela 1, apresenta-se uma situação hipotética, considerando-se uma produção crescente com custos variáveis unitários segundo a abordagem econômica. Para fins de estudo, foram feitas suposições acerca da mudança dos custos variáveis unitários, tais como, a de que o custo variável médio decresce com o aumento da quantidade produzida, que existam alterações no custo provenientes da curva de experiência, entre outros.
Nível de Produção Custo Variável (u) Custo Variável (t) Custo Marginal (u) Preço Venda MC C. Variável MC C. Marginal 1 50,00 50,00 50,00 90,00 40,00 40,00 10 48,00 480,00 47,78 90,00 42,00 42,22 35 45,00 1.575,00 43,80 90,00 45,00 46,20 56 43,00 2.408,00 39,67 90,00 47,00 50,33 60 43,00 2.580,00 43,00 90,00 47,00 47,00 70 44,00 3.080,00 50,00 90,00 46,00 40,00 75 45,00 3.375,00 59,00 90,00 45,00 31,00
Fonte: Borgert e Martins (2002)
A Tabela 1 mostra os valores do custo marginal conforme a fórmula
matemática. O nível de produção de dez unidades (CMg10) é calculado a título de
exemplo: y t Cv y CMg ∆ ∆ = ( ) ) ( 47,78 1 10 50 480 ) 10 ( = − − = CMg
Nos gráficos 02 e 03, encontra-se a representação gráfica da diferença do comportamento dos custos e da margem de contribuição em termos variáveis e marginais por unidade, prescritos na tabela 01:
0 . 0 0 1 0 . 0 0 2 0 . 0 0 3 0 . 0 0 4 0 . 0 0 5 0 . 0 0 6 0 . 0 0 7 0 . 0 0 N í v e l d e P r o d u ç ã o CVme e CMg C u s t o V a r i á v e l ( u ) C u s t o M a r g i n a l ( u )
Gráfico 2: Curvas de custo variável e marginal
Fonte: Borgert e Martins (2002)
marginal é diferente do custo variável médio. Os valores dos custos marginais obtidos são inicialmente inferiores ao CVMe, interceptando a curva de CVMe em seu ponto mínimo, após o qual, apresenta valores maiores que o CVMe. O comportamento da curva de CMg se apresenta de forma mais acentuada que a de CVMe. Observa-se dessa forma, que a curva de CMg demonstra de maneira mais clara e precisa a variação nos custos.
Em termos numéricos, o CVMe é minimizado ao nível de produção de 56 ou 60 unidades, cuja margem de contribuição unitária neste nível é $47,00. Entretanto, sob a ótica do CMg, o custo atinge seu ponto mínimo no nível de produção de 56 unidades, no qual a margem de contribuição por unidade é no valor de $50,33. A partir desse ponto a margem de contribuição decresce em função do aumento do custo marginal.
Gráfico 3: Curvas de margem de contribuição pelo custo variável e marginal
-1 0 . 0 0 2 0 . 0 0 3 0 . 0 0 4 0 . 0 0 5 0 . 0 0 6 0 . 0 0 N í v e l d e P r o d u ç ã o MC(CVMe) e MC(CMg) M C C . V a r i á v e l M C C . M a r g i n a l
Fonte: Borgert e Martins (2002)
As variações da margem de contribuição podem ser visualizadas no gráfico 03, no qual a curva da margem de contribuição – calculada a partir do CVMe – se apresenta mais constante enquanto que a curva da margem de contribuição – com
base no custo marginal – é mais acentuada. Observa-se, também, que o comportamento da margem de contribuição unitária não é constante, conforme se apresenta nas definições correntes. Através da análise marginal, pode-se perceber que enquanto os custos descem, a margem de contribuição aumenta e vice-versa.
Assim, com base nos dados do problema apresentado, onde a margem de contribuição inicial é $40,00 e o preço de venda fixado é $90,00, supondo-se que o Custo Fixo da referida empresa seja de $280,00, obtém-se o ponto de equilíbrio da seguinte forma: 7 00 , 40 00 , 280 = = = MCu CF PEunidades
Para o cálculo do ponto de equilíbrio em valor de vendas é necessário saber qual é o índice da margem de contribuição, como segue:
MCu 630,00 44 , 0 00 , 280 % = = = MC CF PEvalordevendas 44 , 0 00 , 90 00 , 40 = = PV
Pode-se observar que $630,00 é, justamente, a receita total obtida pela venda de 7 unidades de produto. Entretanto, a partir de um lote de produção de 10 unidades, como visto na tabela 1, os custos se alteram o que faz variar a margem de contribuição e, por decorrência, o ponto de equilíbrio. Desta forma, também o ponto de equilíbrio é variável por unidade em função do volume.
A finalidade desse capítulo é apresentar os aspectos metodológicos necessários para realizar o presente estudo. Primeiramente, definem-se as perguntas de pesquisa. Logo após, mostra-se a natureza e a caracterização da pesquisa. Em seguida, apresenta-se o método que norteará o presente trabalho, seguido das delimitações e limitações envolvidas. Apresentam-se também, as técnicas de coleta e análise dos dados, bem como a definição dos termos e das variáveis. Esse capítulo finaliza-se com uma breve exposição das implicações éticas envolvidas na pesquisa.
3.1 PERGUNTAS DE PESQUISA
Tendo em vista o problema de pesquisa estabelecido e os objetivos estruturados, definem-se as seguintes perguntas de pesquisa:
• Quais os principais conceitos da teoria econômica que contribuem para a análise custo-volume-lucro?
• Como testar a análise custo-volume-lucro à luz dos conceitos econômicos, em uma malharia?
• Quais os resultados obtidos mediante a aplicação da análise custo-volume-lucro proposta, comparada com os resultados obtidos com a utilização do modelo contábil atual?
De acordo com a abordagem do problema de pesquisa, esse estudo caracteriza-se por ser quantitativo do tipo explicativo, de natureza teórico-empírica.
Na visão de Richardson (1989, p.29), o método quantitativo “caracteriza-se pelo emprego da quantificação tanto nas modalidades de coleta de informações, quanto no tratamento dessas (...)”. Na presente pesquisa os dados e as análises são de natureza quantitativa referentes aos valores e às quantidades mensuráveis objetivamente.
Nesse sentido, além de quantitativo, esse estudo caracteriza-se como explicativo. Na visão de Andrade (1997), uma pesquisa cuja finalidade é ser explicativa deve, além de analisar, classificar e interpretar o assunto estudado, identificar os causadores de tais fenômenos. Esta é uma pesquisa que visa o aprofundamento dos assuntos no sentido de encontrar as explicações das coisas. Nesse sentido, Santos (1999, p.27) corrobora ao afirmar que uma pesquisa explicativa é aquela que pretende “criar uma teoria aceitável a respeito de um fato ou fenômeno”. Assim, o presente trabalho visa contribuir para o preenchimento da lacuna existente entre o atual modelo contábil e a contribuição que pode ser conseguida com a inclusão de variáveis provenientes da teoria econômica.
Com relação ao fato de ser teórico-empírica, inicialmente se faz um levantamento dos conceitos da teoria contábil e da econômica. Nesse sentido, uma
tese teórica é um estudo que pretende encarar um problema abstrato (ECO, 1983).
Também para Castro (1977), um pesquisador teórico tem como objetivo aperfeiçoar o arcabouço teórico existente. Assim, primeiramente se faz uma reflexão teórica do tema.
Depois de apresentadas as apreciações teóricas e identificadas as limitações, parte-se à campo para verificação das hipóteses levantadas. Nesse sentido, Minayo
(1994) afirma que a partir da construção teórica, o campo torna-se o palco no qual ocorrem as interações entre o pesquisador e o objeto de estudo no qual novos conhecimentos são construídos.
3.3 MÉTODO DE PESQUISA
A presente pesquisa faz uso do método hipotético-dedutivo. Nesse sentido, Marconi e Lakatos (2000, p.72) afirmam que a dedução “(...) defende o aparecimento, em primeiro lugar, do problema e da conjectura, que serão testados pela observação e experimentação. Assim, na presente pesquisa, parte-se de um problema pré-determinado e de elaboração de hipóteses, para a verificação empírica. Para Andrade (1997, p.22) o método hipotético-dedutivo “(...) não se limita à generalização empírica das observações realizadas, podendo-se, através dele, chegar à construção de teorias e leis.” Dessa forma, esse trabalho visa juntar alguns aspectos da teoria econômica e contábil, com o intuito de trazer uma contribuição para a melhoria da qualidade das informações oferecidas pelo atual modelo contábil.
Nesse sentido, a presente pesquisa parte da hipótese de que a junção dos conceitos econômicos aos contábeis pode contribuir para melhorar as informações da contabilidade, no que se refere à análise custo-volume-lucro. Ademais, o caráter hipotético do método, indica que as conclusões à que se chegar são de natureza provisória e não definitiva.
Para Minayo (apud Minayo, 1994), o campo de pesquisa é o recorte que se faz em termos de espaço, sendo esse a realidade empírica que se pretende estudar. Assim, o campo de investigação do presente trabalho é uma malharia.
No que se refere ao assunto (ou objeto de estudo), é foco de investigação a análise custo-volume-lucro contábil, aliada a variáveis econômicas escala, escopo e curva de experiência.
3.4.1 Limitações da pesquisa
O presente estudo é aplicado somente em uma empresa. Assim, as conclusões à que se chegar não podem ser generalizadas. Futuros estudos poderão ser aplicados em outras empresas, de outros setores da economia, para a verificação mais precisa da validade do estudo.
Outra limitação da pesquisa refere-se ao fato de que a microeconomia possui diversas variáveis. Entretanto, serão utilizadas apenas três delas, quais sejam, escala, escopo e curva de experiência.
No que se refere à questão da não linearidade dos custos e das receitas, o presente trabalho limita-se a estudá-las com base em informações obtidas nos relatórios gerenciais da empresa. Para tanto, são utilizadas funções de custos e de receitas.
3.5 COLETA E ANÁLISE DOS DADOS
São várias as técnicas de coleta de dados. Entretanto, para a elaboração desse trabalho, é utilizada a pesquisa documental, de fontes secundárias. Tais documentos são os relatórios contábeis relativos aos custos, volume de produção,
vendas e lucros. Assim, para Santos (1999), documentos são fontes de informações das quais os relatórios financeiros das empresas são um exemplo.
A análise dos dados da presente pesquisa é realizada mediante análise documental. Na visão de Lüdke e André (1986), os documentos são uma fonte natural de informações estáveis e ricas. Para eles, além dessas vantagens a análise documental geralmente é barata. Para a presente pesquisa a análise documental apresenta-se como uma boa técnica de análise de dados, pois as informações não apresentam dupla interpretação nem tampouco validade questionável. São informações de natureza quantitativa e técnica e estão disponíveis para serem analisadas. No processo de análise dos dados são utilizados gráficos e tabelas para melhor ilustração.
Quanto ao modo de investigação, essa pesquisa faz uso de simulações, pois, para verificar a validade do modelo proposto é necessário calculá-lo para diversos cenários. Nesse sentido, para Bruyne et al (1977) a simulação objetiva programar em computador certos processos teóricos, observar os resultados que estes geram e compará-los, se possível, com a realidade. Assim, com os dados reais da empresa se procede a simulações para vários níveis de produção e custo, para verificar as implicações nos lucros. Dessa forma, a simulação é utilizada para testar a eficácia da análise proposta. Para tais simulações é necessário determinar as funções de custo e de receita. Tais cálculos, no presente trabalho, são feitos com o auxílio dos recursos estatísticos do programa Microsoft EXCEL.
Nesse sentido, Maher (2001), afirma que fazer análises custo-volume-lucro em computador é útil para obter respostas do tipo “e se” predominantes no planejamento e tomada de decisão. Através de planilhas eletrônicas é mais fácil determinar os efeitos das alterações de preços, nos custos e no volume.
A presente pesquisa faz uso de dados de custos e receitas extraídos dos relatórios gerenciais. É cabível ressaltar que há diferenças entre a contabilidade gerencial e a contabilidade fiscal ou financeira. Na visão de Atkinson et al (2000) a contabilidade financeira tem a finalidade de elaborar relatórios para o público externo – acionistas, credores, governo, entre outros – e, como tal, deve ser realizada dentro de padrões e regras estabelecidas pelas autoridades governamentais. Por outro lado, na visão dos mesmos autores, a contabilidade gerencial destina-se ao público interno, servindo como apoio à tomada de decisão.
Nesse sentido, a contabilidade gerencial tem como prioridades o planejamento, a avaliação de desempenho, o controle e a tomada de decisão. Dessa forma, trata a organização como um todo, integrando as diferentes atividades dentro de um mesmo sistema contábil (PADOVEZE, 1994). Assim, a informação flui mais facilmente em todos os níveis da organização e melhora o processo decisório.
Sendo assim, a contabilidade gerencial, para Padoveze (1994, p. 26) “significa o uso da contabilidade como instrumento da administração”. Para tanto, todas as áreas e atividades da organização devem ser contemplados pelo sistema de informação contábil gerencial. Essas informações devem ser elaboradas de forma que atendam às mais diversas necessidades e áreas da empresa. Ou seja, a contabilidade gerencial deve ajudar os funcionários a tomar decisões não apenas sobre as questões internas da empresa, mas também, nas questões relacionadas ao mercado no qual a organização atua (ATKINSON et al, 2000).
Com a finalidade de melhorar a compreensão do estudo, faz-se necessário a definição de alguns termos específicos utilizados no contexto desse estudo, conforme segue:
• Custo – “Gasto relativo à bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços” (MARTINS, 2003, p.25).
• Custo Marginal – Acréscimo no custo total proveniente da produção de uma unidade a mais de determinado produto.
• Custo Variável – Varia proporcionalmente a mudança no nível de produção ou vendas (ATKINSON et al, 2000).
• Custo Variável Médio – Custo variável total dividido pela quantidade produzida ou vendida.
• Custo fixo – Permanece constante mesmo com mudanças no nível de produção no curto prazo (ATKINSON et al, 2000).
• Custo Total – Somatório do custo fixo com o custo variável.
• Custo Médio – Custo total dividido pela quantidade produzida ou vendida. • Lucro – Diferença entre as receitas de vendas e os custos e despesas totais. • Análise custo-volume-lucro – “Estudo das inter-relações entre custos e volume, e
da forma como eles impactam o lucro” (MAHER, 2001, P. 432).
• Ponto de equilíbrio – Volume de vendas no qual o lucro é zero (MAHER, 2001). • Margem de contribuição – Diferença entre a receita de vendas e os custos e
despesas variáveis (ATKINSON et al, 2000).
• Escala – produção em grandes volumes de produtos semelhantes.
• Escopo – produção de produtos variados com a utilização das mesmas instalações.
• Experiência – redução do custo médio de produção em função do aperfeiçoamento da mão-de-obra, maior poder de barganha com fornecedores, etc.
3.7 IMPLICAÇÕES ÉTICAS
A presente pesquisa é realizada em uma empresa do ramo têxtil. São foco de análise os relatórios contábeis relativos aos custos, volume de produção e lucros. As questões éticas que envolvem a pesquisa se relacionam às informações financeiras necessárias. Assim, com o intuito de salvaguardar as informações recebidas, o nome da empresa, bem como o seu endereço não são explicitados no presente trabalho.
No que se refere ao conteúdo dos dados coletados na empresa, esses são utilizados somente para fins da presente pesquisa, que é apresentada às pessoas responsáveis da empresa, para avaliação, antes da entrega do trabalho final à universidade. Outrossim, os dados contidos no presente trabalho são todos indexados para preservar o sigilo da empresa.
Com relação ao contato com a empresa, Minayo (1994) adverte para a questão do respeito às pessoas envolvidas no processo de pesquisa. Nesse sentido, também, são respeitados os horários e a privacidade das pessoas que trabalham no departamento responsável pela elaboração e fornecimento de tais relatórios.