PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO

SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL Processo N° 0034389-74.2013.4.01.3400 - 5ª VARA FEDERAL

Nº de registro e-CVD 00009.2014.00053400.2.00529/00033

Processo 34389-74.2013.4.01.3400

Ação Ordinária

Autora:

Associação dos Juízes Federais do Brasil – AJUFE

Ré:

União

DECISÃO

Trata-se de ação ajuizada pela ASSOCIAÇÃO DOS JUÍZES FEDERAIS

DO BRASIL – AJUFE em face da UNIÃO, com pedido de antecipação da tutela para

que seja suspensa a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre as

férias e licença à gestante, à adotante e licença paternidade dos seus filiados.

Alega que a jurisprudência dos tribunais superiores é no sentido de que não

deve incidir contribuição previdenciária sobre as parcelas que não se incorporam aos

proventos de aposentadoria, de maneira que os respectivos descontos dos seus

filiados ofendem o caráter retributivo, vinculado e proporcional inerente ao custeio

do sistema previdenciário.

Sustenta que a expressão “regime contributivo e solidário”, constante do

caput do artigo 40 da CF, não modifica o entendimento de que, para a instituição do

novo fato gerador e da nova contribuição, algum benefício tem de ser criado como

contrapartida para quem contribui.

Inicial às fls. 03/24 e documentos às fls. 26/75.

A Juíza Federal DANIELE MARANHÃO COSTA postergou a apreciação

do pedido de antecipação da tutela para após a resposta da ré (fl. 78).

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A UNIÃO ofereceu exceção de impedimento/suspeição do Juízo da 5ª

Vara/SJDF, com pedido de encaminhamento dos autos para o Supremo Tribunal

Federal, nos termos do art. 102, I, n, da CF (fls. 81/105).

Em contestação (fls. 106/123), a UNIÃO arguiu, preliminarmente, (i) a

ilegitimidade ativa da AJUFE, tendo em vista a ausência de autorização individual

dos filiados; (ii) a incompetência absoluta deste Juízo para o julgamento e

processamento da ação, devendo os autos ser encaminhados ao Supremo Tribunal

Federal; e (iii) falta de interesse processual.

Em prejudicial de mérito, arguiu a ocorrência de prescrição quinquenal.

No mérito, considera que o recente entendimento jurisprudencial, no

sentido de que somente pode ser objeto de contribuição o que for incorporado aos

proventos de aposentadoria, viola o caráter solidário da previdência por emprestar

uma lógica individualista ao regime.

Ressalta que o STF, ao julgar a constitucionalidade da contribuição

previdenciária devida pelos inativos, reconheceu sua exigibilidade também com

fundamento no princípio da solidariedade.

Diz que a Lei nº 10.887/2004 dispõe, de maneira taxativa, sobre as verbas

excluídas das contribuições sociais, sendo indene de dúvidas que o legislador adotou,

para efeito da base de cálculo das contribuições, o critério da remuneração total do

servidor público, com exclusão apenas das parcelas indicadas, nas quais não se

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incluem as verbas listadas pela autora.

Os Juízes Federais PAULO RICARDO DE SOUZA CRUZ, DANIELE

MARANHÃO COSTA, MARIA CECÍLIA DE MARCO ROCHA afirmaram

suspeição por serem filiados à AJUFE, autora da presente ação (fls. 125/127, 130).

O Juiz Federal Substituto, TÁRSIS AUGUSTO DE SANTANA LIMA,

indicado para atuar no feito, ressaltou que a presente ação não se enquadra naquelas

previstas no art. 102, I, n, CF/88, ao tempo em que determinou à autora que se

manifestasse sobre a possibilidade de representação individual dos seus associados,

tendo a AJUFE informado do seu interesse na continuidade desta demanda (fls.

135/139, 142/151).

Os presentes autos foram encaminhados, após indicação pela Diretoria do

Foro (fls. 153/154, 157/158, 161/162), sucessivamente, ao Juiz Federal Substituto da

8ª Vara Federal, MÁRCIO DE FRANÇA MOREIRA, à Juíza Federal Substituta da

18ª Vara, LUCIANA RAQUEL TOLENTINO DE MOURA, ao Juiz Federal

Substituto da 13ª Vara Federal, tendo todos declarado suspeição para atuar no feito

(fls. 155, 159, 163).

Em seguida, vieram os autos, por indicação da Diretoria do Foro, à esta

subscritora para atuar neste processo (fl. 167).

Decido.

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parcial, estão previstos no artigo 273 do Código de Processo Civil - CPC, que

estabelece a necessidade da existência de prova inequívoca que convença o juiz da

verossimilhança do alegado e haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil

reparação.

1. PRELIMINARES

1.1. INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA – ART. 102, I, N, CF/88

Conforme consideração já feita pelo Juiz Federal Substituto TÁRSIS

AUGUSTO DE SANTANA LIMA, não é o caso de competência do Supremo

Tribunal Federal para o julgamento da presente ação, a teor de decisões daquela Corte

em casos similares, nas quais se tem entendido que a competência originária da

Suprema Corte somente é atraída, nos termos do art. 102, I, n, CF/88, quando há

interesse exclusivo da magistratura, não sendo o caso de interesse também

compartilhado por outros servidores, como no presente caso, verbis:

RECLAMAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. FUNÇÃO

CONSTITUCIONAL DO INSTRUMENTO RECLAMATÓRIO. (RTJ 134/1033 RTJ 166/785). AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS QUE AUTORIZAM A SUA UTILIZAÇÃO. REQUISITOS LEGITIMADORES DA INCIDÊNCIA DO ART. 102, I, n, DA CONSTITUIÇÃO. INOCORRÊNCIA. INVIABILIDADE DA ARGÜIÇÃO, EM CARÁTER GENÉRICO, DO IMPEDIMENTO E/OU SUSPEIÇÃO DE TODOS OS DESEMBARGADORES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA PRESSUPOSTOS INERENTES AO IMPEDIMENTO E/OU À SUSPEIÇÃO DEVEM SER APRECIADOS, EM PRINCÍPIO, PELO TRIBUNAL COMPETENTE PARA O JULGAMENTO DA CAUSA. PRECEDENTES. LITÍGIO QUE, ADEMAIS, NÃO CONCERNE A INTERESSE ESPECÍFICO E EXCLUSICO DA MAGISTRATURA. EXISTÊNCIA, NA ESPÉCIE, DE CONTROVÉRSIA QUE ENVOLVE

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VANTAGENS E DIREITOS COMUNS À PRÓPRIA MAGISTRATURA E AO MINISTÉRIO PÚBLICO. COMUNHÃO DE INTERESSES CUJA EXISTÊNCIA EXCLUI A APLICABILIDADE DA REGRA DE COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA ESPECIAL (CF, ART. 102, I, n) PRECEDENTES. CONSEQÜENTE INEXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO CARACTERIZADORA DE USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO QUE NEGA SEGUIMENTO AO PROCESSO DE RECLAMAÇÃO. IMPUGNAÇÃO RECURSAL. RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO (Rcl 2.136-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Pleno, Dje de 29/09/2011).

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA (CF, ART. 102, I, N) - NORMA DE DIREITO ESTRITO - MAGISTRADOS QUE PRETENDEM A PERCEPÇÃO DO ADICIONAL DE 1/3 SOBRE OS DOIS PERÍODOS ANUAIS DE FÉRIAS A QUE FAZEM JUS - VANTAGEM QUE NÃO É EXCLUSIVA DA MAGISTRATURA - AÇÃO AJUIZÁVEL EM PRIMEIRA INSTÂNCIA - INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA DO STF - AGRAVO IMPROVIDO. - A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal - tendo presente a interpretação dada ao preceito constante do art. 102, I, n, da Constituição (RTJ 128/475 - RTJ 138/3 - RTJ 138/11) - firmou-se no sentido de não reconhecer a competência originária desta Corte, sempre que a controvérsia envolver vantagens, direitos ou interesses comuns à magistratura e a outras categorias funcionais. - O direito reclamado - analisado na perspectiva do estatuto jurídico pertinente à magistratura - não tem qualquer conotação de natureza corporativo-institucional (pois é também titularizado pelos representantes do Ministério Público e membros integrantes dos Tribunais de Contas) e não se restringe, por isso mesmo, apenas àqueles que estejam investidos no desempenho de cargos judiciários (AO 465 AgR/RS, Rel. Min. CELSO DE MELLO).

COMPETÊNCIA. CAUSA DE INTERESSE DA MAGISTRATURA. A letra n do inciso I do art. 102 da Constituição Federal, ao firmar a competência originária do STF para a causa, só se aplica quando a matéria versada na demanda diz respeito a privativo interesse da magistratura enquanto tal e não também quando interessa a outros

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servidores. Precedentes. Agravo improvido.

(Rcl 1952 AgR, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 19/02/2004, DJ 12-03-2004 PP-00037 EMENT VOL-02143-01 PP-00157)

COMPETÊNCIA. CONSTITUIÇÃO, ARTIGO 102, I, LETRA "N". AÇÃO ORDINARIA CONTRA A UNIÃO FEDERAL MOVIDA POR MAGISTRADOS FEDERAIS, RELATIVAMENTE A EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO DO INSS DE 12% (DOZE POR CENTO) SOBRE O TOTAL DA REMUNERAÇÃO. HIPÓTESE EM QUE A MATÉRIA SOBRE QUE VERSA A CAUSA NÃO E DO PRIVATIVO INTERESSE DA MAGISTRATURA FEDERAL, MAS DOS SERVIDORES FEDERAIS, EM GERAL, TAMBÉM ATINGIDOS PELA LEI N. 8.162, DE 1991. PRECEDENTE DO STF, NA AOE 11-03/DF. A COMPETÊNCIA ORIGINARIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DE ACORDO COM O ART. 102, I, LETRA "N", DA CONSTITUIÇÃO, NÃO SE CONFIGURA, DESDE LOGO, PELO EXCLUSIVO FATO DE EXISTIR INTERESSE DOS MAGISTRADOS NA CAUSA, DESDE QUE ESSE INTERESSE SEJA COMUM AOS SERVIDORES PUBLICOS EM GERAL . AÇÃO A QUE SE NEGA SEGUIMENTO NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

(Pet 506 QO/MG, Rel. Min. NÉRI DA SILVEIRA).

Assim, afasto tal preliminar.

1.2. ILEGITIMIDADE ATIVA DA AJUFE

A preliminar não merece acolhimento, tendo em vista que a autora trouxe

Ata de Assembleia e Estatuto (fls. 28/52 e 54/55) com a autorização para a defesa dos

interesses de seus filiados, detendo, portanto, legitimidade para propor a presente

ação.

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1.3. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL

A alegação de que, sendo legítima a AJUFE para ajuizar a ação, implicaria

em considerá-la como típica ação coletiva ou ação civil pública, o que redundaria na

impossibilidade de pleitos que envolvam tributos e contribuições previdenciárias, e

daí, a ausência de interesse processual, não tem razão de ser.

Ora, não há qualquer normativo que proíba a utilização de ação com

procedimento ordinário para pleitos como o presente, sob pena de inviabilizar as

ações coletivas, na forma garantida no inciso XXI, art. 5º, da CF/88, devendo ser

afastada tal preliminar.

2. PRESCRIÇÃO – TRIBUTO LANÇADO DE OFÍCIO (E NÃO POR

HOMOLOGAÇÃO)

A Contribuição para o PSS não é um tributo lançado por homologação,

uma vez que não é um tributo em que o sujeito passivo toma a iniciativa de

pagamento do mesmo, independentemente de prévia atuação da autoridade

administrativa, na forma prevista no artigo 150 do Código Tributário Nacional –

CTN:

Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos

tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.

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a Administração cobra a contribuição ao efetuar o pagamento dos vencimentos do

contribuinte, ou seja, do servidor.

Assim, absolutamente inaplicável a chamada tese dos 5+5, desenvolvida

pelo Superior Tribunal de Justiça, que dizia respeito tão somente aos tributos

lançados por homologação.

E, pela mesma razão, ou seja, por não se tratar de tributo lançado por

homologação, desnecessária qualquer consideração sobre a Lei Complementar nº

118.

De fato, tratando-se de tributo lançado de ofício e não por homologação, o

prazo para repetição do indébito era e continua sendo o quinquenal, previsto no artigo

168, I, do Código Tributário Nacional.

Assim, no caso de reconhecimento da existência de indébito, estariam

prescritos os valores pagos anteriormente a 25 de junho de 2008.

3. ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA

O Regime Próprio de Previdência Social da União, o qual se aplica aos

filiados da autora, tem, dentre outros princípios que o norteiam, o da solidariedade;

todavia, este não tem sido adotado nas decisões emanadas pelos tribunais superiores

em casos como o presente.

Com efeito, essas cortes têm privilegiado o entendimento de que a

contribuição social devida pelos servidores públicos deve ser somente aquela relativa

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às verbas que incorporem os proventos das aposentadorias e pensões, de modo que

verbas como o terço constitucional de férias e afins, por possuírem natureza

compensatória/indenizatória, não devem sofrer a incidência de contribuição

previdenciária.

Nesse sentido, colho os seguintes precedentes do Supremo Tribunal

Federal:

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INCIDENTE SOBRE HORAS EXTRAS E TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. IMPOSSIBILIDADE. Somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor sofrem a incidência da contribuição previdenciária. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 389903 AgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Primeira Turma, julgado em 21/02/2006, DJ 05-05-2006 PP-00015 EMENT VOL-02231-03 PP-00613)

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INCIDENTE SOBRE O TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. IMPOSSIBILIDADE. Somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor sofrem a incidência da contribuição previdenciária. Agravo regimental a que se nega provimento. (AI 603537 AgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em 27/02/2007, DJ 30-03-2007 PP-00092 EMENT VOL-02270-25 PP-04906 RT v. 96, n. 862, 2007, p. 155-157)

Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Prequestionamento. Ocorrência. 3. Servidores públicos federais. Incidência de contribuição previdenciária. Férias e horas extras. Verbas indenizatórias. Impossibilidade. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 545317 AgR, Relator(a): Min. GILMAR MENDES,

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Segunda Turma, julgado em 19/02/2008, DJe-047 DIVULG 13-03-2008 PUBLIC 14-03-13-03-2008 EMENT VOL-02311-06 PP-01068 LEXSTF v. 30, n. 355, 2008, p. 306-311)

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO (SÚMULAS 282 E 356 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL). IMPOSSIBILIDADE DA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. A matéria constitucional contida no recurso extraordinário não foi objeto de debate e exame prévios no Tribunal a quo. Tampouco foram opostos embargos de declaração, o que não viabiliza o extraordinário por ausência do necessário prequestionamento. 2. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido de que somente as parcelas que podem ser incorporadas à remuneração do servidor para fins de aposentadoria podem sofrer a incidência da contribuição previdenciária. (AI 710361 AgR, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Primeira Turma, julgado em 07/04/2009, DJe-084 DIVULG 07-05-2009 PUBLIC 08-05-2009 EMENT VOL-02359-14 PP-02930).

TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES REVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA

SOBRE TERÇO ONSTITUCIONAL DE FÉRIAS.

IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I - A orientação do Tribunal é no sentido de que as contribuições previdenciárias não podem incidir em parcelas indenizatórias ou que não incorporem a remuneração do servidor. II - Agravo regimental improvido. (AI 712880 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 26/05/2009, DJe-113 DIVULG 18-06-2009 PUBLIC 19-06-2009 REPUBLICAÇÃO: DJe-171 DIVULG 10-09-2009 PUBLIC 11-09-10-09-2009 EMENT VOL-02373-04 PP-00753)

Por sua vez, o Superior Tribunal de Justiça, alinhando-se à posição da

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Suprema Corte, vem entendendo também como indevida a incidência da

Contribuição para o Plano de Seguridade do Servidor – PSS sobre o terço

constitucional de férias:

TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO - INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA DAS TURMAS RECURSAIS DOS JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS - NATUREZA JURÍDICA - NÃO-INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO - ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO ENTENDIMENTO FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO.

1. A Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais firmou entendimento, com base em precedentes do Pretório Excelso, de que não incide contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias.

2. A Primeira Seção do STJ considera legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 3. Realinhamento da jurisprudência do STJ à posição sedimentada no Pretório Excelso de que a contribuição previdenciária não incide sobre o terço constitucional de férias, verba que detém natureza indenizatória e que não se incorpora à remuneração do servidor para fins de aposentadoria.

4. Incidente de uniformização acolhido, para manter o entendimento da Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, nos termos acima explicitados. (Pet 7.296/PE, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 10/11/2009.)

PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ POR OCASIÃO DO JULGAMENTO DA PET 7.296/PE, DA RELATORIA DA MINISTRA ELIANA CALMON. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA RESERVA DE

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PLENÁRIO NÃO CONFIGURADA. (...)

2. No incidente de uniformização de jurisprudência Pet 7.296/PE, da relatoria da Ministra Eliana Calmon, a Primeira Seção desta Corte, após acolher o pedido formulado pela União, manteve a decisão prolatada pela Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais no sentido da impossibilidade de se incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária a parcela relativa ao terço constitucional de férias percebido por servidor público.

(...) (AgRg na Pet 7.193/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 09/04/2010.)

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA.

1. A contribuição previdenciária não incide sobre o terço constitucional de férias, percebido pelos servidores públicos federais, por constituir verba que detém natureza indenizatória e que não se incorpora à remuneração para fins de aposentadoria.

2. Esse entendimento foi firmado pela Primeira Seção nos autos de incidente de uniformização de interpretação de lei federal dirigido a este Tribunal Superior, cadastrado como Pet 7.296/PE, da relatoria da Ministra Eliana Calmon, julgado em 28.11.09 (DJe de 10.11.09). (...) (AgRg na Pet 7.190/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 10/05/2010.)

Assim, em relação à incidência da contribuição previdenciária sobre férias,

tratando-se do regime diferenciado de previdência (PSS), aplicável o precedente do

STF.

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Já no tocante ao pleito da incidência da contribuição previdenciária sobre

as verbas referentes à licença maternidade, licença à adotante e licença paternidade, a

jurisprudência do STJ vem entendendo que tais verbas têm natureza salarial e

integram a base de cálculo da contribuição previdenciária.

Nesse sentido, o STJ, em sede de recurso repetitivo, decidiu por sua

incidência, e, não obstante o precedente tratar do Regime Geral de Previdência Social

(RGPS), tal entendimento deve ser aplicado ao presente caso tendo em vista a mesma

natureza das verbas. Vejamos o julgado:

PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA.

[...]

1.3 Salário maternidade.

O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. Nos termos do art. 3º da Lei 8.212/91, "a Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente". O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o

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TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO

SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL Processo N° 0034389-74.2013.4.01.3400 - 5ª VARA FEDERAL

Nº de registro e-CVD 00009.2014.00053400.2.00529/00033

valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), paga-se à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição. Nesse contexto, a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão legal.

Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária sobre o salário maternidade e a Constituição Federal. A Constituição Federal, em seus termos, assegura a igualdade entre homens e mulheres em direitos e obrigações (art. 5º, I). O art. 7º, XX, da CF/88 assegura proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao pagamento dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo suficiente para assegurar a proteção ao mercado de trabalho da mulher. Não é dado ao Poder Judiciário, a título de interpretação, atuar como legislador positivo, a fim estabelecer política protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir o empregador do ônus referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário maternidade, quando não foi esta a política legislativa.

A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra sólido amparo na jurisprudência deste Tribunal, sendo oportuna a citação dos seguintes precedentes: REsp 572.626/BA, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004; REsp 803.708/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; AgRg no REsp 1.115.172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgRg no Ag 1.424.039/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro

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Meira, DJe de 21.10.2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.040.653/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgRg no REsp 1.107.898/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 17.3.2010.

1.4 Salário paternidade.

O salário paternidade refere-se ao valor recebido pelo empregado durante os cinco dias de afastamento em razão do nascimento de filho (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT).

Ao contrário do que ocorre com o salário maternidade, o salário paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de benefício previdenciário. Desse modo, em se tratando de verba de natureza salarial, é legítima a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário paternidade. Ressalte-se que "o salário-paternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários" (AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 9.11.2009).

[...]

Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA parcialmente provido, apenas para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas.

Recurso especial da Fazenda Nacional não provido.

Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543-C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 - Presidência/STJ. (REsp 1230957/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/02/2014, DJe 18/03/2014)

Ante o exposto, defiro parcialmente a antecipação dos efeitos da tutela

para determinar à UNIÃO que suspenda a exigibilidade da contribuição

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previdenciária somente sobre as férias dos filiados da AJUFE.

Intime-se a UNIÃO para o cumprimento desta decisão.

Em seguida, intime-se a autora para réplica.

Publique-se.

Brasília, 25 de agosto de 2014

CÉLIA REGINA ODY BERNARDES

Juíza Federal Substituta da 21ª Vara – SJ/DF

(em auxílio na 5ª Vara/DF)

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