APO DO CONJUNTO 17 DE MARÇO E INVESTIGAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE O ATENDIMENTO DAS NECESSIDADES DO USUÁRIO DE HIS E MODIFICAÇÕES PÓS-ENTREGA

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10º Simpósio Brasileiro de Gestão e Economia da Construção  8 a 10 de novembro de 2017 ‐ Fortaleza ‐ Ceará ‐ Brasil

APO DO CONJUNTO 17 DE MARÇO E INVESTIGAÇÃO DA

RELAÇÃO ENTRE O ATENDIMENTO DAS NECESSIDADES DO

USUÁRIO DE HIS E MODIFICAÇÕES PÓS-ENTREGA

SANTOS, Paulo Ricardo Ramos (1); SANTOS, Débora de Gois (2); MONTEIRO,

Evelyne Karla Carvalho (3); PRADO, Ricardo Rodrigues (4)

(1) Engenheiro Civil, Universidade Federal de Sergipe, e-mail: paulo_ricardo.rs@hotmail.com (2) Doutora, Universidade Federal de Sergipe, e-mail: deboragois@yahoo.com.br

(3) Arquiteta e Urbanista, Universidade Federal de Sergipe, e-mail: evelynemonteiro.arqeurb@gmail.com

(3) Engenheiro Civil, Universidade Federal de Sergipe, e-mail: ricardoprado.eng@gmail.com

RESUMO

O déficit habitacional representa um grande desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira, principalmente em relação às Habitações de Interesse Social (HIS), que de maneira geral, atendem parcialmente às necessidades de seus usuários. O presente trabalho visou, a partir da Avaliação Pós Ocupação (APO) em um conjunto habitacional avaliar a satisfação dos usuários com o projeto original da casa. Investigou-se também se havia relação entre a consideração das necessidades do usuário no projeto original e as modificações promovidas na edificação ao longo dos anos de habitação. A pesquisa também contemplou a caracterização dos usuários e a satisfação desses com a infra-estrutura urbana do conjunto. Durante as visitas foi feito um levantamento técnico com registro fotográfico e entrevistas semiestruturadas, através de um questionário semiestruturado padrão. Os resultados mostraram que apesar de os usuários estarem satisfeitos com sua nova moradia, existem problemas de flexibilidade e funcionalidade dos projetos executados. Por fim, concluiu-se que um dos maiores problemas presentes em projetos de HIS é a negligência no tocante ao tipo de família que irá fazer uso da mesma, ou seja, não o considerando como um dado de entrada para a elaboração dos projetos do gênero, o que acarreta posteriormente custos adicionais para os moradores, que necessitam realizar modificações para adequar os imóveis ao seu uso.

Palavras-chave: Avaliação Pós-Ocupação (APO), Habitação de Interesse Social (HIS), Satisfação do usuário.

ABSTRACT

The housing deficit represents a great challenge to be faced by Brazilian society, especially in relation to the HIS, which in general, partially meet the needs of its users. This study aimed, from the Post Occupancy Evaluation (POE) of a housing assess user satisfaction with the original design of the house. It was also investigated whether there was a relationship between the consideration of the user's needs in the original project and the modifications promoted in the building over the years of housing. The research also contemplated the characterization of users and their satisfaction with the urban infrastructure of the whole. During the visits, a technical survey was carried out with photographic record and semi-structured interviews, through a standard semistructured questionnaire. The results showed that although users are satisfied with their new home, there are problems of flexibility and functionality of the executed projects. Finally, it was concluded that one of the major problems present in HIS projects is the negligence regarding the type of family that will make use of it, that is, not considering it as an entry point in full for the elaboration of the projects of the genre, which subsequently entails additional costs for the residents, who need to make modifications to adapt the properties to their use.

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1 INTRODUÇÃO

Políticas voltadas para o desenvolvimento social, incluindo as políticas de habitação, são importantes para a diminuição da desigualdade e para garantia de dignidade das famílias de baixa renda no país. O Brasil apresenta um alto déficit habitacional devido a fatores históricos, como: intenso processo de urbanização, baixa renda das famílias e políticas inadequadas de habitação (GOUVEIA, 2013). Tais fatores afetaram em maior escala as famílias mais pobres que se utilizaram ao longo dos anos de construções informais em áreas periféricas e morros, para driblar a falta de moradia (SOUSA, 2014). Sendo assim, programas de Habitação de Interesse Social (HIS) são promovidos por governos federais, estaduais e municipais, visando reduzir o déficit habitacional brasileiro, que, de acordo com a CBIC (2016), é estimado em pouco mais de 6,068 milhões de unidades. Entretanto, pesquisas, a exemplo das realizadas por Silvestre (2013), Lopes e Shimbo (2015) e Logsdon et al. (2016), indicam deficiências em projetos de HIS em se tratando do atendimento às necessidades básicas dos usuários. A construção civil ainda carece de uma disseminação e entendimento maior do conceito de valor para o usuário. Faz-se necessário questionar os clientes não somente acerca dos atributos do produto, mas, também das consequências desse produto em uso e do atendimento de suas aspirações, considerando diferentes níveis de abstração na interpretação dos resultados (KOSKELA, 2000; BONATTO et al., 2011).

Estudos recentes apontam que o ambiente construído resultante de programas de interesse social poderia gerar mais valor para as famílias beneficiadas (BRITO et al, 2012; MILANO, 2013; MARQUES; MIRON, 2016; SANTANA, 2017).

Sendo assim, este trabalho é justificado pela necessidade de estabelecer rotinas de avaliação de programas de HIS, que sejam capazes de fornecer diretrizes de projeto considerando o ponto de vista dos usuários, bem como o nível de satisfação de suas necessidades (MONTEIRO, 2011).

A presente pesquisa fez uma Avaliação Pós Ocupação em um conjunto de HIS visando avaliar a satisfação dos usuários com o projeto original da casa. Investigou-se também se havia relação entre a consideração das necessidades do usuário no projeto original e as modificações promovidas na edificação ao longo dos anos de habitação. Buscou-se caracterizar o usuário e avaliar a satisfação do morador com o bairro.

2 METODOLOGIA 2.1 Objeto de estudo

Localizado na Zona Sul da cidade de Aracaju, Sergipe, o Bairro 17 de Março foi criado com a finalidade de promover HIS, tendo em vista a necessidade de novas habitações de maneira a reduzir o déficit habitacional do município (SEPLOG, 2014).

A implantação do bairro foi dividida em duas etapas (Figura 1). A primeira referiu-se aos chamados Blocos 1 e 2, que foram projetados para 1006 unidades habitacionais, cada, já a segunda etapa formada pelo Bloco 3 (que foi construído posteriormente na área destacada em amarelo na Figura 1), compreendeu 1419 unidades, sendo estas em duas tipologias, casas e apartamentos. Além das unidades habitacionais, foi prevista a entrega de toda infraestrutura, áreas de serviço e lazer público. Não houve padronização nas plantas das unidades térreas originais, embora a quantidade de ambientes seja a mesma e áreas úteis semelhantes (SEPLAN, 2008 apud CARVALHO, 2013).

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Figura 1 – Gleba com Bloco 1 e 2

Fonte: EMURB, 2013 apud SEPLOG, 2014. 2.2 Método de pesquisa

Esta pesquisa é baseada em uma Avaliação Pós-ocupação (APO) realizada no Bloco 1 do Bairro 17 de Março. Bloco esse que foi entregue em Junho de 2010 pela prefeitura de Aracaju. Para execução da pesquisa foram feitas visitas exploratórias.

O Bloco 1 do Bairro 17 de Março foi escolhido para a pesquisa porque atende aos seguintes requisitos, determinados pelos pesquisadores: (i) empreendimento de HIS; (ii) empreendimento entregue há mais de 5 anos (tempo mínimo considerado pelos autores para a constatação de modificações significativas executadas pelos moradores); (iii) empreendimento constituído de casas térreas.

Nesta pesquisa foi realizado um levantamento técnico com registro fotográfico em 23 unidades habitacionais e entrevistas semiestruturadas através de um questionário semiestruturado padrão. As perguntas abordaram questões como o número de ocupantes da residência, motivo da mudança do morador para o domicílio atual, comparação com a moradia anterior, se a edificação foi reformada ou não, motivos da reforma (se essa existiu), identidade com o conjunto, fatores positivos e negativos do bairro, dentre outras. O questionário aplicado foi adaptado de Romero e Ornstein (2003).

Durante as visitas foi solicitado que os usuários das unidades habitacionais respondessem às questões elencadas em quatro grupos de questões, sendo os dois primeiros referentes à caracterização dos usuários e das unidades, de modo a obter o perfil sócio econômico das famílias e a percepção genérica da qualidade de sua habitação atual em relação à habitação anterior, contemplando as principais alterações realizadas nas residências, o tipo de uso e o estado de conservação das casas. Os dois grupos seguintes referiam-se a APO da unidade original e do conjunto habitacional, respectivamente. Utilizou-se na maioria das perguntas desses dois últimos grupos uma escala de resposta com as seguintes possibilidades de hierarquização: péssimo; precário; razoável; bom e ótimo. O objetivo foi obter a descrição quali-quantitativa da percepção dos moradores quanto aos quesitos.

A quantidade de unidades habitacionais visitadas pode ser justificada pela não intenção de fazer um cálculo estatístico de uma amostra e sim uma quantidade de habitações que propiciassem uma análise qualitativa do seu uso, constatando as principais alterações nelas realizadas e o grau de satisfação dos seus usuários.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 Perfil dos moradores

O número médio de habitantes por casa foi de aproximadamente 4, sendo que 74% das casas pesquisadas tinham mais de 2 moradores (Figura 2). Dessa forma, a tipologia

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porcentagem de entrevistados. Esse dado mostra a falta de planejamento e a preocupação em realmente acomodar os futuros usuários de HIS.

Em relação à renda, a maioria das famílias visitadas, 83%, declarou ter uma renda de até um salário mínimo. Muitas dessas, recebiam o benefício do Bolsa Família e complementavam a renda com trabalhos informais, os chamados “bicos”, sem terem uma renda fixa mensal definida (Figura 3).

Figura 2 – Número de moradores por casa Figura 3 – Renda Familiar

Fonte: Os autores (2016) Fonte: Os autores (2016)

Mais da metade dos moradores entrevistados, 52%, moravam no conjunto desde o ano de sua inauguração (Figura 4), há pouco mais de 6 anos, e 61% declararam ser ainda os primeiros moradores. Os que não se declararam assim, afirmaram que quando foram morar na casa esta era pouco modificada, com configuração próxima à edificação original do conjunto.

Figura 4 – Porcentagem de moradores e tempo de moradia em anos

Fonte: Os autores (2016)

Em relação ao local da moradia anterior, 87% já residiam em Aracaju, dos quais 57% moravam em assentamentos irregulares, em barracos feitos de madeira e plástico. Os imóveis em sua maioria eram de propriedade dos moradores, 91%. O gráfico da Figura 5 ilustra os motivos da mudança para o conjunto.

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Figura 5 – Motivo da mudança

Fonte: Os autores (2016) 3.2 APO – Unidade original

Em se tratando da comparação da moradia atual com a moradia anterior, 11 dos 23 entrevistados, 48%, consideraram a moradia atual muito melhor que a anterior. Trinta por cento consideraram melhor, totalizando 78% de avaliação positiva em relação à moradia anterior (Figura 6).

A satisfação apresentou níveis diferentes de acordo com cada variável estudada. A avaliação positiva, muito melhor ou melhor, em relação à casa anterior foi maior nos casos em que: o morador estava há mais de 3 anos no conjunto (88%); o morador foi removido de assentamento ou não tinha casa e ganhou (100%); o morador ganhava até 1 salário mínimo (89%).

Embora os moradores tenham reclamado do tamanho da casa, da falta de estrutura urbana no bairro, da falta de segurança, do transporte público deficitário, dentre outros fatores, a avaliação dos dados por segmentos distintos indicou que o fato de antes a maioria deles pagar aluguel ou morar num barraco em área irregular, suscetível à chuva, ao lamaçal e à falta de saneamento básico, influenciou no nível de satisfação.

O estudo realizado por Logsdon (2016) apresenta resultados semelhante. A maioria dos entrevistados preferia a casa atual à anterior e citaram com mais frequência o fato de não pagar aluguel e de não morar em área de risco.

Figura 6 – Avaliação da moradia atual em relação à anterior

Fonte: Os autores (2016)

Quando perguntados sobre o tamanho da casa original do conjunto, 48% avaliaram esse item como bom, 13% como razoável, 35% como precário e 4% como péssimo. A falta de uniformidade entre os valores pode ser explicada pela comparação do tamanho da habitação anterior do morador. Mesmo a nova moradia sendo pequena – as tipologias originais tinham em torno de 30 m² – e não compatível com as necessidades da família, a moradia anterior em alguns casos era ainda menor.

Na avaliação do tamanho dos cômodos, o banheiro foi avaliado negativamente (considerando as respostas “péssimo” e “precário”) por 61% dos entrevistados, seguido

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da cozinha, com 56% e da área de serviço, 39%. O dormitório e a sala foram bem avaliados (respostas “bom” e ótimo”), com avaliações positivas do seu tamanho em 61% das entrevistas, em ambos os casos. Problemas de funcionalidade podem ser relacionados a esses resultados, principalmente à avaliação da cozinha e área de serviço, que tinham espaço muito reduzido na tipologia original. Em relação ao quarto, que teve seu tamanho bem avaliado, vale frisar que era apenas um e, portanto, não se adequava em termos de quantidade, ao atendimento às famílias.

A avaliação negativa da área de serviço e da cozinha também foi encontrada no estudo Conceição et al. (2015), onde esses cômodos foram os mais mal avaliados em questão de tamanho por moradores de HIS, num conjunto habitacional em Londrina-PR.

Em resposta às questões subjetivas, foi citado pelos moradores o que poderia ser melhorado na casa original: construção de mais quartos, pelo menos mais um; aumentar o tamanho da cozinha, da área de serviço e do banheiro; a casa já ser entregue com grades e muros; portas e janelas mais seguras; etc.

3.3 APO - Conjunto

Apesar de todas as reclamações, 91% dos moradores respondeu que tinha identidade com o conjunto. Esse resultado evidenciou que mesmo com diversas reclamações acerca da casa e do bairro, como será tratado a seguir, o fato de se ter uma casa própria num local regularizado, pode ter interferido na percepção do usuário quanto a esse questionamento, tendo em vista que a maioria deles foi removida de assentamentos irregulares e de áreas de risco.

Os espaços de convívio e o mobiliário urbano foram considerados precários por 65% dos entrevistados. Houve muita queixa da falta de espaços de lazer para os moradores. Existe somente uma praça, muito deteriorada e que não era frequentada, também, por conta da violência.

Nos comentários gerais, durante as entrevistas, os moradores relataram insatisfação pela falta de elementos urbanos fundamentais para todo bairro, resultado da falta de políticas públicas visando à inserção deles no ambiente urbano. Apesar de mais de seis anos de construído, o conjunto que foi projetado para mais de 6.000 unidades habitacionais e 30.000 habitantes (Carvalho, 2013), ainda não conta com escola, creche, posto policial e posto de saúde em funcionamento, por exemplo.

Reis e Lay (2010) também relataram em seu estudo, através de entrevistas com usuários de 12 conjuntos de HIS da região metropolitana de Porto Alegre-RS, a inexistência ou a precariedade de equipamentos de lazer, serviços e comércio existentes nos contextos urbanos. Esse fato se agrava ainda mais, levando em conta que as HIS’s tendem a estarem localizadas em áreas longínquas do centro das cidades e com oferta de serviço e lazer deficientes (GAMBIM, 2007; BUZZAR et al., 2014).

3.4 Modificações nas unidades habitacionais

Em virtude de o bairro ter sido concebido em várias etapas, não houve padronização nas plantas das unidades habitacionais originais, embora a quantidade de ambientes seja a mesma e as áreas úteis sejam semelhantes. Esse estudo se caracterizou em uma avaliação de maneira generalizada, atentando-se apenas para as modificações que foram mais executadas.

Das moradias visitadas, 78% tinha uso residencial e 22% uso misto (residencial e comercial). Em três casos, encontrou-se casas originais, sem reformas e/ou ampliações.

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Mais da metade das casas já havia sido reformada, 52%. Nove por cento se encontravam em reforma e em 22% da amostra a modificação consistiu apenas na construção de muro na frente da casa e instalação de grades nas portas e janelas (Figura 7). Essa modificação foi considerada separadamente nos resultados por se tratar de um item geralmente renegado nos projetos de HIS, o que acaba expondo os moradores à condição de insegurança, estimulando um tratamento diferenciado e prioritário dessa modificação na moradia. Em um dos casos não foi possível adentrar na casa e obter evidências sobre alterações.

Mesmo quando não houve condições financeiras de se construir um muro em volta do terreno, os moradores construíram cercas. Essa medida ocorreu tanto por uma busca de uma maior sensação de segurança, quanto por conta da necessidade de demonstrar a completa posse do terreno, talvez, por conta de muitos moradores serem oriundos de ocupações irregulares e trazerem consigo o temor de perderem seu espaço.

Figura 7 – Exemplo de instalação de muro e grades

(a) (b)

Fonte: Os autores (2016)

Em 70% das moradias visitadas ampliou-se a edificação original. A modificação mais comum foi a construção de um ou mais quartos. Diante da concepção do projeto original, com apenas um quarto, era de se esperar que essa alteração seria comum após a entrega do conjunto, uma vez que apenas um dormitório não é suficiente para atender às necessidades de uma família típica de uma HIS. Como citado anteriormente, a média pesquisada foi de 4 habitantes por unidade habitacional.

Outra ampliação comum foi a ampliação da cozinha, devido à insatisfação com o seu tamanho, de acordo com o relatado no tópico anterior. Os moradores reclamaram bastante do curto espaço para circulação de pessoas, comentando que duas pessoas circulariam com dificuldade no cômodo, demonstrando, assim, problemas de funcionalidade da casa original.

A pouca consideração da flexibilidade no projeto original pode ser destacada também. Não havia muito espaço para ampliação da cozinha e área de serviço que se restringiam a um pequeno corredor na frente da casa original.

De fato, a flexibilidade em empreendimento de HIS constitui um desafio a ser vencido, sobretudo por causa da limitação orçamentária inerente a esse padrão construtivo. Contudo, na literatura é possível encontrar estudos que visaram contribuir para a otimização desse requisito de projeto, a exemplo dos estudos de Logsdon et al. (2011), Villa e Carvalho (2012), Leite e Heineck (2012).

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4 CONCLUSÕES

A partir da APO realizada percebeu-se que, apesar de os usuários estarem satisfeitos com sua nova moradia, existem problemas de flexibilidade e funcionalidade dos projetos executados. Algumas necessidades básicas, como a de acomodar dois habitantes por dormitório, não foram contempladas no projeto. Esses fatos conduzem a uma inferência de que o tipo de família que hoje faz uso desse ambiente construído não é considerado corretamente como um dado de entrada para a elaboração do projeto. A relação do morador com o fato da residência ser de sua propriedade, ser construída de alvenaria, ao invés de madeira e plástico, o fato de não morar numa invasão, ter disponível água encanada, ruas asfaltadas e coleta de esgoto, exerceu influência significativa no seu nível de satisfação com a casa e com o conjunto. A posse da residência em um local regularizado compensa a falta de espaço na unidade e a falta de aparelhos urbanos, como creche, posto de saúde etc.

Ao tratar da relação entre as modificações realizadas nas casas e o projeto original, o estudo concluiu que as modificações nas habitações são realizadas a fim de suprir a falta de atendimento das necessidades dos usuários no projeto concebido para o conjunto. Talvez, isso explique o fato de o estudo ter encontrado modificações em comum na maioria dos casos investigados.

Desta forma, de acordo com a pesquisa realizada nesse trabalho, inferiu-se que os projetos de HIS elaborados sem o conhecimento de aspectos locais, apenas de maneira genérica, ou seja, iguais a outros destinados a locais distintos, na verdade representam investimentos insuficientes realizados pelo poder público, e posteriormente ainda representam custos adicionais para os moradores, que necessitam fazer modificações para adequar os imóveis ao seu uso.

Como contribuição desse estudo, espera-se que as informações registradas subsidiem avanços no processo concepção e elaboração de projetos de empreendimentos de HIS, cooperem com uma conscientização dos agentes envolvidos nesse processo, sobre a necessidade de participação da comunidade, como ferramenta de discussão de aspectos que contribuam para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e da cidade.

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ORIGEM DO ARTIGO

O presente artigo é originado de um estudo realizado para uma avaliação de disciplina de mestrado.

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