Introdução
Introdução
às jornadas temáticas*
às jornadas temáticas*
Na noite de
Na noite de 15 15 dde nove nov embrembro do de 1997, Clae 1997, Claude Aude A llègre pllègre propôropôs-s- me, me, aoao tilHone, a presidência de um “conselho científico” consagrado a fazer tilHone, a presidência de um “conselho científico” consagrado a fazer iugrslões para o ensino de segundo grau. Dois meses antes, o ministro iugrslões para o ensino de segundo grau. Dois meses antes, o ministro nif havia concedido uma longa entrevista para o suplemento sobre nif havia concedido uma longa entrevista para o suplemento sobre edu-i aedu-i.no do jornal
i ai.no do jornal Le MondeLe Monde (Le Monde de Véducation(Le Monde de Véducation), durante a qual eu), durante a qual eu || hhe Me MiRiRcri cri uma uma rereforfor ma da unma da univeive rsrs idade fridade franancesa. cesa. TT al sugesal suges tãtão não do não dees- s-pertoii uma recusa de sua parte, mas sim uma reação de prudência: “O pertoii uma recusa de sua parte, mas sim uma reação de prudência: “O iiiiii..ttii-. difícil é c-. difícil é c onsegonseg uiuir mudar mudar as mentalidader as mentalidade s.” s.” EE u u sabia qusabia que e o ministo ministroro tra não apenas audacioso, mas também o promotor de uma das novas tra não apenas audacioso, mas também o promotor de uma das novas ilitn i,r, polidisciplinares que apareceram na segunda metade do século ilitn i,r, polidisciplinares que apareceram na segunda metade do século X
X X X («'(«'. c. ciêiêncnciaias s da da TT eerrrra)a).*.** * EE m m vvisista ta dissdisso, o, pepensnseei i que que elele e me me eses cocolherlher aa tm i i, ,)<» de minhas idéias.
tm i i, ,)<» de minhas idéias. Mi
Mini ni ia ia missão missão limlimitaitava-va- se evse ev identeidente mentmente ao sege ao seg unundo grado grauu, m, mas esteas este pfíiiiirm.i di/. respeito ao ensino de maneira geral e, especialmente, ao pfíiiiirm.i di/. respeito ao ensino de maneira geral e, especialmente, ao i n ii n o
i n i i no ..., formador dos professores do segundo grau..., formador dos professores do segundo grau.
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* f f ..lias a?..lias a? 11 1i1iMMiiiiititxl ixl i--, , ilr ilr nolas nolas de rde r odapé seodapé se rão feitas por urão feitas por u m m asteraster isco. Aisco. A s que s que concontive- tive-*s
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O ministrministr o o impôimpôs s um um conselho conselho científico científico ao ao qual qual eu eu pude pude apenapenasas acrescentar alguns nomes, ao mesmo tempo em que impôs meu próprio
acrescentar alguns nomes, ao mesmo tempo em que impôs meu próprio nome a tal conselho. Este não podia ser o representante de uma “comu nome a tal conselho. Este não podia ser o representante de uma “comu nidade científica”, pois não existe uma comunidade reunindo as mais nidade científica”, pois não existe uma comunidade reunindo as mais diversas disciplinas, nem tampouco no interior de cada uma, em que se diversas disciplinas, nem tampouco no interior de cada uma, em que se afrontam idéias opostas. E, acima de tudo, o caráter heterogêneo deste afrontam idéias opostas. E, acima de tudo, o caráter heterogêneo deste conselho não permitia a emergência de um pensamento comum devido, conselho não permitia a emergência de um pensamento comum devido, precisamente, ao tempo limitado de seu exercício. De qualquer forma, precisamente, ao tempo limitado de seu exercício. De qualquer forma, um comitê de especialistas geniais possuidores de idéias diversas só pode um comitê de especialistas geniais possuidores de idéias diversas só pode levar, na melhor das hipóteses, a uma média de sugestões medíocres. levar, na melhor das hipóteses, a uma média de sugestões medíocres.
O
Oss desafiosdesafios
Quando da primeira reunião do conselho científico, em 16 de janei Quando da primeira reunião do conselho científico, em 16 de janei ro de 1998, coloquei uma questão que me parecia um duplo problema ro de 1998, coloquei uma questão que me parecia um duplo problema de impor
de impor tância tância capcapital:ital: 1)
1) O desafio da globalidade,O desafio da globalidade, isto é, a inadequação cada vez mais ampla,isto é, a inadequação cada vez mais ampla, pro
pro funda funda e e grave egrave e ntre um ntre um sabsaber er frfr agag mentado em ementado em e lementos descolementos desconj njuunn--tados e compartimennjuunn--tados nas disciplinas de um lado e, de outro, entre tados e compartimentados nas disciplinas de um lado e, de outro, entre as realidades multidimensionais, globais, transnacionais, planetárias e os as realidades multidimensionais, globais, transnacionais, planetárias e os problemas cada vez mais transversais, polidisciplinares e até mesmo problemas cada vez mais transversais, polidisciplinares e até mesmo transdisciplinares.
transdisciplinares. 2) A
2) A nãnão-o- pertinêpertinência, pncia, porortanto, tanto, dde noe nosso modo sso modo dde conhece conhecimentimento e do e de ee ensino,nsino, que nos leva a separar (os objetos de seu meio, as disciplinas umas das que nos leva a separar (os objetos de seu meio, as disciplinas umas das outras) e não reunir aquilo que, entretanto, faz parte de um “mesmo teci outras) e não reunir aquilo que, entretanto, faz parte de um “mesmo teci do”.
do”. A A inteligintelig ência que ência que só só sabsabe sepe separar espedarar espedaça o comaça o complexplex o do mo do m undundoo em fragmentos desconjuntados, fraciona os problemas. Assim, quanto em fragmentos desconjuntados, fraciona os problemas. Assim, quanto mais os p
mais os problemas roblemas totornrnamam-- se multidimensionaisse multidimensionais , ma, ma ior é a incapacidadeior é a incapacidade para pensar sua multidimensionalidade; quanto mais eles se tornam pla para pensar sua multidimensionalidade; quanto mais eles se tornam pla netários, menos são pensados enquanto tais. Incapaz de enc arar o contex netários, menos são pensados enquanto tais. Incapaz de enc arar o contex to e o com
to e o compleplexx o1o1planeplane táritário, a inteo, a inte liglig ência ência IoIornrna-a-se cse c<<y.y.a e ia e irr«rr«\\ spspooiiii:.;:.;íívevel.l.
l Não querendo ser o udvçgãdü «Ir rninhtts prôpríai idéias, evitii indicar o dêiafio di l Não querendo ser o udvçgãdü «Ir rninhtts prôpríai idéias, evitii indicar o dêiafio di com
of-Introdução às Jornadas Temáticas
Na primeira reunião, estes propósitos quase não retiveram a aten ção do conselho científico. Alguns preferiam a idéia de que cada qual se <onsagrasse, em sua própria disciplina, à revisão dos programas, uns pre conizando a modernização dos mesmos, outros um abrandamento de conteúdo. O industr ial do comitê ex igiu que mantivésse mos os pés no <I i.lo, isto é, que nos esforçássemos no sentido de pôr o ensino a serviço <l.i empresa. E, como sempre, cada qual tinha certeza de agir concreta-nif-nte ao defender sua idéia fixa.
Quanto a mim, propus as jornadas temáticas no intuito de demons-Ihii o movimento por meio do caminhar. O objetivo destas era situar liiuiles e horizontes mentais nos quais os professores pudessem inscre-vri suas disciplinas, confr ontar seus saberes e situá- los numa problemá-lii ,i importa nte. Mais do que opô- las entre si e privile giar uma disciplina m i det rimento de outra, m inha intenção era a de dar uma importância tio piande à cultura das humanidades, à literatura, à história, quanto à i ultura científica, sem me situar em relação ao problema do cálculo de iifiu', a atr ibuir a esta ou àquela disciplina. O objetivo dessas jornadas ■iíít i foi, de forma a lg uma, encar ar novos prog ramas. E u diria até mesmo cjiir minha intenção foi a de resistir à tendência programática, a fim de prlvilfKiar o aspecto ref lexivo da ref orma. A etapa relativ a aos progra-ttià i. <|«i<‘ um m inha opinião dever á incluir a revisão da palavra programa m adoção da expressão guia de orientação, diz respeito a um outro momento c a outros protagonistas.
lúilir os membros do conselho científico, muitos manifestaram MhiprtiKão ou cepticismo. Como falar em nome de uma assembléia íjtif*, piii| iiauto tal, nada pode pr opor? E u tive a impress ão de um
fracas-í h s A o manifesta r entüo seu apoio logístico, sua simpatia conceituai e
§Ua anil/.ide qur durariam durante toda essa experiência, Didier ha.- mili i < i l•II» lechou a primeira re união do conselho, e m nome do
•I •••■!•■ !•I- miimimu utilvrrviil, principio <lr separação, principio de redução, caráter da Ingii i índiitivo- dcdiiliv o idrnlil ilnii), t- dc propor os princípios de conheci-ftíéiit.. . ijiif \ã lívr o( HMflo <lr põi m i rvidciH ia. Cí- lutroduction à la pensée
fumi- U >i I*ht i M:. 1'J'íl); e 111Mêthmfv, F.d dn Sr uil, iccd. na coicçao "1’oints”,
ministro, com uma sentença que aboliu todas as dificuldades: “Morin propõe as jornadas temáticas; que ele as faça. Quanto aos outros; que façam suas propostas.” Não houve outras propostas. Certos membros do conselho aceitaram contribuir com a experiência das jornadas: René Blanchet, Yves Bonnefoy, Daniel Pennac, Joèl de Rosnay, Mireille Delmas- Marty , A ndré Burguière, Marc Fumaroli, A nne- Marie Per rin Naffakh, Pierre L éna, A rmand Fr émont, Év eline A ndréani, Jean- Didier V incent, A la in T ouraine, Philippe Meir ie u2.
Uma vez recebida a aprovação do ministro, era preciso trabalhar rapidamente. O prazo dado — final de março — era draconiano. Um escritório me foi cedido na rua Descartes. Ao contar sempre com o am paro de minha colaboradora permane nte Michèle V ié- Demarti, pude também encarregar Nelson Vallejo Gomez, que me assistia há um ano na A ss ociação para o pens ame nto complex o, da miss ão de auxiliá- la. Christia ne Pey ron- Bonjan, filósofa, s impatizante de minhas idéias, pro fessora de Ciência da Educação na Universidade de Aix-en-Provence, aceitou com dedicação participar da aventura; depois, tive a felicidade de contratar Mar ius Muk ung u K akangu, filósofo, que difundira minhas concepções nas faculdades católicas de Kinshasa (Zaire). Sou- lhes m ui tíssimo grato pela fidelidade e amizade. Agradeço especialmente aos dois por terem efetuado o trabalho austero de transcrição, de leitura e de preparação de certos textos cuja ausência teria comprometido seria mente a coerência do conjunto desta obra. Enfim, com Liliane Le Mehauté, que foi designada como nossa secretária, nasceu um apego mútuo. C om meus colaboradores, lançamo- nos desde o final de janeir o na organização febril, ofegante, em condições de uma incrível improvi sação, das oito jornadas temáticas: apesar de inúmeros problemas, Nelson Vallejo Gomez deu provas, desde o início, de uma força de
von-2 T ambém agradeço pelo aux ílio, na época, do diretor-geral do ensino de seg undo grau, da Missão da comunicação e da assessoria de imprensa do Ministério da K.ducaçrto Nacional, da Pesquisa e da Tecnologia (ME NRT ), do chefe de gabinete <lo ministro, dos diretores do Instituto Univer sitário de Komiaçflo de I'rolfs soirs (IUK M) de l\ ius, Càéteil c* Versalhes, <•do C"omitô de oig am/açOo e <nnstiltnim do-, t olfglos de '.eg undo giau
Introdução às Jornadas Temáticas
tade fer oz, de uma perseverança implacável e às vezes até imprudente . A inda que te nde ndo aos acidentes imprev is tos e de cons eqüência s desastrosas, Nelson foi o “Lazare Carnot”*, organizador da concretiza ção das jornadas temáticas.
A revis ão g eral e a pr eparação deste v olum e for am conf ia da s a A g nès B eaum ie r, que foi aux ilia da por Marius M uk ung u K akang u. Agradeço- lhe por esse trabalho penoso.
As jornadas temáticas realizaram- se entre a seg unda- feira, 16 de março, e a terça- feira, 24 de março. Elas for am inacessíveis para diversos professores ocupados com seus cursos, foram ignoradas por alguns, boi cotadas pelos “vigilantes”, negligenciadas pela imprensa, mas se benefi ciaram da aceitação geral e generosa daqueles aos quais eu fizera apelo, tanto no interior do conselho como fora dele: Jacques Labeyrie, Michel Cassé, Pasquale Nar done, Pierre L éna, S ébastien Balibar, Jean- Marc Lévy- Leblond, B randon Carter, T homas Morv an, Maurice Mattauer , A ug uste Commey ras, Robert Rocchia, Jean- Paul De léag e, E mmanue l Le Roy L adurie, Jean- Marie Pelt, V incent L abeyrie, A rm and Fr émont, René Blanchet, Jean Gay on, Henri A tlan, Piotr Slonimski, Jean- Didier V incent, Robert Naquet, Jacques Ruf fié, Étienne- Émile Baulie u, A ndré ( '.iordan, Boris Cy rulnik, Michel Br unet, Henry de L umley- Woodyear, A ndr é Lang aney , René Passet, A la in T ouraine, Mireille Delmas- Marty ,
Mure Fumaroli, Yves Bonnefoy, François B on, François L ’Y v onnet, Gil I íclannoi, Éveline Andréani, Arnaud Guigue, Daniel Pennac, Paul Kicoeur, André Burguière, Serge Gruzinski, Jean-Pierre Rioux, François ( ,'aron, François Dosse, A lbert Grosser, D om inique Bor ne, Da v id Le-poutre, Georges Ler bet, Simon- Daniel K ipman, Patrick Mig non, Nor-liril Rouland, Philippe Meirieu, Henri Meschonnic, Philippe Quéau, I lomiuique Wo lton, J ean Ladrière, Do minique L ecourt, Jean- Louis L e Mciigiu-, Jacques Ardoino, Joél de Rosnay... Cerca de sessenta professo-ip', c pesquisadores dedicaram- se assim a essas oito jornadas, das 9 às 18 Itnt.r., mostrando a coerência e a exeqüibilidade das proposições indica-il-r, r (| ut‘ loia m aprovadas pelos presentes na terceira e última sessão do ■nir.Hlm t icntílico (tt de abril).
♦iu IrtPtn i.) ,ici frviiliii mnário fi.iih c. 1,.1/uic C a m o l, :i]>(*li«hi(lo <>Ornanizador da vitória, jm i 1 1 1>■tltlliiifclo ilr Miiiiietfa Iiii k l.it iif iil.il |i.ii.i ,i v ilói i.i de W atlm nie s (1793). (N . T .)
Infelizmente, certos problemas relativos à gravação e ao registro em computador impossibilitaram alguns participantes de transmitir a tempo seus textos, segundo o prazo fixado pelo editor, o que privou este livro de algumas comunicações: as de Brandon Carter (“O Mundo”), de Boris Cyrulnik (“A Vida"), de Philippe Meirieu (“As Culturas adolescentes”), de 1’alrick Mig nou (‘A s Culturas adolescentes”), de T homas Morv an (“O Mundo ”), de 1)anicl Pennac (“As Culturas adolescentes”), de Jean- Pierre Rioux (“A I listória”), de 1’iotr Slonimski (“A V ida”), de A lain T ouraine (“A Humanidade”) e de Dominique Wolton (“As Culturas adolescentes”). Lamentamos que isso tenha ocorrido e esperamos que uma reedição da obra possa integrar as contribuições desses autores.
As jornadas temáticas tinha m como objetivo fav orecer um a dupla adequação.
A adequação às finalidades educativas
A primeir a é a adequação de todas as disciplinas, científicas e huma nistas, às finalidades educativas fundame ntais , que acabaram sendo ocul tadas pelas frag mentações disciplinares e pelas compart imentações entre essas duas diferentes culturas: 1) formar espíritos capazes de organizar seus c onhecimento s em vez de armazená- los por um a acumulação de saberes (“A ntes uma cabeça bem- feita que uma cabeça m uito che ia”, Montaig ne); 2) ensinar a condição humana (“Nosso verdadeiro estudo é o da condição hum an a”, Rouss eau, Emile); 3) ensinar a viver (“Viver é o ofí cio que lhe quero ensinar”, Emile); 4) refazer um a escola de cidadania.
Encontramo- nos aqui diante dos problemas clássicos de nossa cultu ra, mas colocados de maneira r enovada e ,ao mesmo tempo, amplificada e intensificada.
Ensinar a condição humana: a condição humana encontia tolal
mente a usente do ensino atual, que a desintegra em lia g mmlo s desc ou
juntados. ( )ra, os recentes desenvolvimentos d.e. d6 iidas íiatma is n da tindiçnõ mar. relevante d,i enllma humanista permitiriam um #*minn
Introdução às Jornadas Temáticas
que fizesse convergir todas as disciplinas, no sentido de fazer com que i .nl.i jovem espírito se conscientize do significado de ser humano. A ssim, por ex emplo, a cos molog ia contemporânea, que ressuscitou e
imovou o conhecimento do mundo e que nos permite reconhecer nesso minúsculo lug ar no terceiro planeta de um sol de perifer ia de uma
gnl.i hi.i periférica de um gigantesco universo, ao mesmo tempo em que
nm permite saber que cada um de nós tr az em si as partículas que se for-rtim.iin desde o nascimento do universo, os átomos que forjaram os sóis aniniores ao nosso, as moléculas que se compuseram sobre a Terra Biitrs de qualque r vida. As ciências da T erra pe rmite m inserirmo- nos em nosso planeta e no seio da biosfera. As ciências biológicas permitem situainm- nos na ev olução da vida. A nov a pré- história mostra- nos, de Ngoia em diante, a long a mar cha da hominiza ção que f ez ir romper a lin-fUfSgrin humana e a cultura, sem que deixássemos de ser animais, ao fiifs mu le mpo em que nos tornávamos humanos. E nf im, o co njunto das fjini íiis humanas deveria nos levara discernir entre nosso destino indi
vidual. i k isso destino social, nosso destino histórico, nosso destino
eco-RÔtfiU o, nosso destino imaginário, mítico ou religioso.
1)u lado da cultura humanista, a literatura, o teatro e o cinema fiiêtn i oin que vejamos os indivíduos em sua singularidade e subjetivi-dütii, .ii-i inser ção social e histórica, suas paix ões, amores , ódios, ambi-■g s e i iúmes Essas expressões artísticas incitam- nos à consciência das
ffeaij.i j. ir- •. humanas, es pecialmente nas relações afetivas de pessoa a
pes-f pes-f > a im r iL ãoi ium a pes-família, classe, sociedade, nação, história, em suma,
peitai... ã i iéueia do caráter complex o da condição huma na. A
líiM Ía f ms üjtes mlloduzem- nos nas dimensões estéticas da ex istência
lltiíüaiH! i= na hu .i , 1 da qualidade poética da vida, a filosofia abre os
hori- jiMiilt s (Li i fUph.1i>sobre todos os problemas fundame nt ais que o ser
jf timaiii' i olm a sr .i si mesmo. Convém, pois, reconhecer o que é o ser
ptífT iBiin,1jnr' jir-i ir-m r ao im ano te mpo à natureza e à cultur a, que está IfiliMii liilo .i iip it lr i orno lodo animal, mas que é o únic o ser vivo que crê titim.i » Idsi 4l#m «Im tnnr tr r eiijn aventura histórica conduziu- nos à era pliiiit I iii.i !)ií assim ir pode olirde er r à liualidade do ensino, que é
mun do e assumindo- a. T udo isso deve co ntr ibuir à formação da cons ciência humanis ta e ética de pertencer à humanidade , que deve ser co m pletada pela consciência do caráter de matriz que tem a Terra para a vida e, por sua vez, daquele que tem a vida para a humanidade.
A prender a viver significa preparar os espíritos para afr ontar as incer tezas e os problemas da existência humana. O ens inamento da incerteza que caracteriza o mundo deve partir das ciências: elas mostram o caráter aleatório, acidental, até mesmo cataclísmico, às vezes, da história do cos mos (colisões de galáxias, explosões de estrelas), da história da Terra, da história da vida (marcada por duas grandes catástrofes que liquidaram grande parte das espécies) e da história humana, sucessão de guerras e destruições em razão das quais todos os impérios da Antiguidade desapa receram e, enfim, a incerteza dos tempos presentes. Os problemas da vida aparecem na literatura, na poesia, no cinema, e nessas expressões artísticas o adolescente pode reconhecer suas próprias verdades e distin g uir os conflitos e tragédias que encontrar á. O romance ou o filme serão considerados não tanto sob seus aspectos f ormais mas, antes, co mo ex pe riências existenciais que se relacionam com a própria identidade do ado lescente. A poesia dará à cultura das humanidades uma dimensão mais enriquecedora, pois ela mostra que a “ver dadeira v ida” — para retomar a expressão do poeta A rthur R imba ud — não se encontra nas necessidades utilitárias às quais ning uém pode escapar, mas sim na auto- realização e na qualidade poética da existência. A filosofia, enfim, permitirá especifi car os problemas éticos da existência humana.
O aprendizado da cidadania necessitará de um ensinamento, total mente inexistente hoje, do que é uma nação. A história da França situa
rá o aluno em sua condição de cidadão francês no seio de sua naçjlo, de sua cultura, de sua comunidade de destino. A aprendizagem da cidadã nia incluirá também, pelas vias da história da Kt tropa e da liistúiia da eia
planetária (isto ú, os tempos modernos), a possibilidade* de* desenvolvei
e‘in cada 1 1 1n a cidadania européia e a <idadania do planeta Terr a Nosso
Introdução às Jornadas Temáticas
sti.i história e cultura e, ao mesmo tem po, demons trar que esta cultura e esta história estão ligadas à da Eur opa e, além dela, à do próprio mundo.
Enfim, a jornada “A religação dos saberes” situa-se na finalidade da
*í bem- feita”. Ela trata de um ponto que se encontra igualmente
íiUM iite do ensino e que deveria ser considerado como essencial: a arte de organizar seu próprio pensamento, de religar e, ao mesmo tempo, diferenciar. Trata-se de favorecer a aptidão natural do espírito humano a «iuüextualizar e a globalizar, isto é, a relacionar cada informação e cada fifmhf ciment o a s eu contex to e conjunto. Trata-se de fortificar a aptidão i interr ogar e a ligar o saber à dúv ida, de des envolver a aptidão para inte-gNi o '..tber particular em sua própria vida e não somente a um contex-to global, a aptidão para colocar a si mesmo os problemas fundamentais dê sua própria condição e de seu tempo.
<) quadro global das quatro primeiras jornadas temáticas (cosmos, T i! N, v ida, humanidade) tende a favorecer, tanto por parte do profes sei quanto do aluno, a colocação do saber particular ou es pecializado no ^Bnte*to em que ele se insere e, se possível, em seu conjunto global.
A qui df- vcinos insis tir sobre esse aspecto f un dame ntal da missão do ffUinii, que 6 favorecer a aptidão do espírito a contextualizar e globali-f§àr, (inda mais que tanto é verdade que todos os problemas a serem fflfPíitrados pelos cidadãos do novo milênio necessitarão, cada vez
Riais, dr u m a passarela permanente levando os saberes particulares ao
ftijtliri miriito global. É a regressão da aptidão a apreender os proble-(M ftmi lamentais e globais que deve incitar- nos à reg eneração de uma
lyltuia que nno se limite mais às humanidades clássicas, mas que seja
piits iituliv a <|c novas humanidades, baseadas no enriquecimento mútuo t!?i í iillui i tiadieinual e da cultura científica.
f lãn ha ia
.
... . as necessidades de contextualizar e de religar os§=<Í» H ^ pin imi amda enearar os métodos, ins trumentos , operadores e
k)| | icii■ apto a puniu, ii essa reunião. Mnessa esfera que se situam as
A adequação aos “objetos ” naturais e culturais
As disciplinas deveriam, por outro lado, apresentar uma adequa ção ;i "objetos” que sejam a um só tempo naturais e culturais, como o inundo, a T erra, a v ida, a humanidade . Eles s ão naturais por que são per cebidos por cada um em sua globalidade e parecem- nos ev identes. O ra, esses objetos naturais desapareceram do ensino; eles encontram- se reta lhados e dissolvidos não somente pelas disciplinas físicas e químicas, mas também pelas biológicas (posto que as disciplinas biológicas tratam de moléculas, genes, comportamentos etc. e rejeitam a própria noção de vida, considerada como inútil); da mesma forma, as ciências humanas retalharam e ocultaram o humano enquanto tal, e os teóricos do estru-turalismo chegaram mesmo à presunção de pensar que era preciso dis solver a noção de homem.
Esses objetos naturais são imediatamente identificáveis por qual quer adolescente. Eles correspondem a temas que estiveram todo o tempo presentes em nossos ensaios e poemas, a problemas que inces santemente for am colocados por nossa tradição cultura l e que per mane cem vivos. Eles correspondem às curiosidades naturais da criança e do adolescente e, aliás, deveriam permanecer como curiosidade também para o adulto. Com os “objetos” naturais, nós reencontramos as grandes perguntas que por todo tempo agitaram a consciência humana e que todo adolescente faz a si mesmo: quem somos, onde estamos, de onde vimos, para onde vamos? Nós revigoramos as interrogações que foram sustentadas por nossa literatura e nossa filosofia e que se encontram hoje a limentadas , enriquecidas e renovadas pelas grandes aquisições das ciências contemporâneas.
Enquanto fragmentado, o saber não oferece nem sentido, nem inlr resse, ao passo que, respondendo às interrogações e curiosidades, ele interessa e assume um sentido. Como o mundo do professoi r o da uni
teria ensinada, apesar de interferirem reeiproramente, s ão ao mestm»
(empo próx imos e distantes um do nutri», foi prev ista também ttitui |«>i iiiiila de reflexlo eonsiigrudn *V. <ulltita', adoliss eutci
Introdução às fornadas Temáticas
N;lo houve jornada consagrada à filosofia. Por quê? Porque a filoso fia uflo é uma disciplina no sentido especializado e fechado do termo, mas sim um exercício sobre todos os problemas da experiência e dos i <mi iccimentos humanos . O que se desejou é que os filósofos se repartis-si In por todas as jornadas para abri-las às aquirepartis-sições das ciências e, ao ffiPMiio tempo, para dar esclarecimentos aos cientistas sobre a necessida de do modo filosófico de reflexão.
<) sentido das jornadas temáticas foi de for necer elementos de infor-íi)tí(,no c de reflexão, a fim de regenerar uma cultura humanista laica, Êapa.' de armar intelectualmente os adolescentes para que possam ifr tmlai o século X X I. Essas jornadas não dão conta, evidentemente, da tfjtálldiidc: do saber. Elas apresentam lacunas. Por exemplo, eu gostaria dp iri ni^anizado uma jornada sobre o pensamento matemático. Não liiliir- o cálculo, mas sobre o universo de pensamento e de racionalidade | Bm •iniliv o e tão for te da mate mática. Não a re alizei porque já hav ia gitti jornadas e era difícil acrescentar outras. Essas jornadas, mesmo
ferido panorâmicas , não são enciclopédicas.
Apr- .ai das insuficiências, parece- nos, entretanto, que elas dev em ■Vftret r i a emerg ência de novas humanidades a par tir dessas duas pola-■tlade-i <i implementar es e não antagonistas, a cultur a científica e a cul-lyr a humanista. Essas humanidades permitir iam r econhecer o huma no B l) seu*, emai/.amentos físicos e biológicos e, sobretudo, e m
suasrealiza-Éjys espirituais; reconhecer o humano e reconhecer no outro um ser Eymano rmnplexo; tornar-se apto a situar-se no mundo, em sua própria
| | fi a, iua he.tói 1.1, sua sociedade. Essas novas humanidades são
indis-k f ii áv e h a iff .cuciação da cultura humanis ta laica: tal cultura tem
1 1 1i ..ai o encor ajamento da aptidão a problematizar, a aptidão a
gíHih tiuli. n r , finalmente, a consciência e a vontade de afrontar o
tlr- salm da •- omplex idade lançado pelo m undo e que será o
desa-íii- ‘isjs novas geiaçflfs.
à inu mo nos de uma ‘ardente paciência"...
PRIMEIRA JO RN AD A
Introdução ao estado atual do mundo
Jacques Labe/rie
2
0 cosmos: concepções e hipóteses
Michel Cassé
3
Teorias cosmotógicas
e ensino das ciências
Pasquale Nardone
4
Nossa visão do mundo:
algumas reflexões para a educação
Pierre Léna
5
A física numa escala humana
Sébastien Balibar
6
£ possível ensinar a física moderna?
Edgar Morin
( -Veio que todas as civilizações, todas as comunidade s tiv er am uma
ipn< rpçSo do mundo e a preocupação de situar, de inscrever os
huma-fius nu cosmos. Ora, há cerca de quarenta anos, estamos diante de um
Rtumln singularmente novo. E temos que nos situar neste mundo, do
fjisü! nflo passamos, evidentemente, de uma minúscula parte. Mas o
pa-H §x o r que, se essa parte se encontra num todo gigantesco, o todo se
ifltnnli.i, ao mesmo tempo, no interior dessas parcelas ínfimas que nós
p t n t »*. | ><»is aquilo que é a coisa mais ex ter ior a nós mes mos, isto é, as
par-| par-|f til i que se constituíram no início do univers o, esses átomos que se
for- j§FSiti ti,r. estrelas, essas moléculas que se cons tituír am na T erra ou em
Üjtr n lilü- n... tudo isso encontra- se tam bém no interior de nós mesmos.
I
íh- .o ir s ulta essa situação paradox al que deve mos, cada vez mais,
■lu m ir Somos os filhos do cosmos e, ao mes mo tem po, com o disse
Monod, nele vivemos como “ciganos”. Somos diferentes e
dis-B U lê i d*le devido a nossa cultura, nosso espírito, nosso pens ame nto,
■Rs** «on- .rif- nci.i, e é esse dis ta nc iam e nto q ue nos per mit e te nta r
| jm hf ! f In r miei ro£;;í Io. Penso que essa relação dupla que nos inscre
va tio üiiuuh i r (| iir nos difer encia do mundo clcve permanece r prese n
te eill III ISSO espírito.
I ntrodução ao estado atual do mundo
Jacques Labeyríe
título-, “Introdução ao estado atual do mundo”, quer dizer sim-pliimpntc: "De que forma representamos hoje o mundo que nos rodeia?” V «iu I«il.ii .-íqui sobre as grandes idéias que nos permitem f azer uma
repre-do cosmos.
T his k -|iresentações, é claro, não datam de hoje e remetem a um
pas-fir ií >I 'nu distante. Citare i duas enormes conquistas científicas: aproxima-igmantr três séculos antes do início da era cristã, Aristarco de Samos já
i. min.i, o assim ensinava em Alexandria, que a Terra é redonda,
qii. Ha gira <*m tor no de si mesma a cada dia e que gira também, a cada | h(t, r iu tomo do Sol; um século mais tarde, Eratóstenes, um outro grego i1*» l'r it ", rMu (iiitia, por sua vez, um meio para me dir o raio da Terra — e
pnHatilu 1 1 , 1 cireunlerèneia — com uma precisão bastante razoável.
Num i .impo mais geral, Demócrito (por volta de 400 a.C.) e depois | d* if i iu (| Mit votl i de (lO r C.)conc eitualiz am a ex istência dos átomos por piim iiitiiH. io No <)i ideiite crisUlo, ao contrário, dur ante os quinze sé-lulo i -Mili .. c| iiriiti .. ning uém parece interessar- se pelo conhecimento do jHMiiii .. i n ii i t |i in pelo das leis naturais.
\ *m dipols um despertar: o Renascimento. As descobertas come çam
a aiiiliH! iitipttl .o Ciii.i limitai mo nos ao ca mpo do cosmos: Nico lau í i i j i . m u H *1* . . . . . t. ■:! ( ult>'• depor, de A iislaieo redescobre que o
A R E L IG A Ç À O D O S S A B E R E S ■ • ▲ E D G A R M O R IN
Johannes Kepler elabora suas três leis sobre a revolução dos planetas. Galileu, perto de Florença, observa pela primeira vez a Lua e os maiores satélites de Júpiter com a ajuda de um telescópio; ele também faz expe riências sobre a queda dos corpos. Isaac Newton, em Londres, compreen de por sua vez que a luz branca compõe- se de luzes coloridas e ta mbé m que a matéria atrai a matéria (teoria da atração universal), mesmo a distân cia, o que é uma idéia extraordinária. Olaüs Rõmer, no Observatório de Paris, descobre que a luz tem uma velocidade e conseg ue medi- la. O fr an cês Pierre Simon de Laplace imagina que o sistema solar é originário de uma nuv em de poeira cósmica. For am todos esses gigantes do pens amen to científico que construíra m nossa atual concepção do cosmos...
Mais próximas de nós, pois elas datam de 1930, temos as observações do americano Edwin Hubble mostrando que a coloração avermelhada do espectro das estrelas e das galáxias é proporcional a distância das mesmas. O u o univers o está em ex pansão, ou então uma interação ainda desconhe cida afeta, a longo prazo, a energia dos raios luminosos. Se o universo está em expansão, em que ele vai se transformar? Será que um dia ele deixará de crescer? Mas, se ele está em expansão, é porque um dia ele foi menor, portanto mais condensado e, por conseguinte, mais quente. Quais foram então os primeiros estados do universo? Teria ele sido uma espécie de gás incriv elmente quente e comprimido? A resposta, no momento , não está ao alcance dos meios de previsão da física atual.
A lém de nosso univ er so atual, teria re stado dessa ex plos ão or ig inal uma irradiação eletromagnética que, mesmo bastante intensa, é forma da apenas de partículas de luz (fótons) possuidoras de uma energia ínfi ma, como se tivessem sido produzidas por uma matéria à temperatura próxima do zero absoluto. Essa bela teoria do Big Bang não merece <l<-fato o qualificativo de teoria, pois baseia-se sobre fenômenos que silo, em sua maioria, puramente imaginários, resultantes de extrapolaçõe s das aquisições no campo da física das partículas elementares. Knlte tanto, ela conhece uma onda de sucesso considerável, o qur mostia hrm que a representação do cosmos, como em épocas anteriores, compirrn de ainda hoje uma enorme parcela de sonho.
I hvrrsas descobertas recentes alimentam o desenvolver da física
fíimii 1 1i,i Um a das mais importa ntes fo i feita por J ohn Da lto n, no início
ilfi séi iild XIX, em Manchester: ele reinventou a teoria atômica, que pa nii ii ,i ,r fundame ntar , a partir de então, sobre medidas reais. Cem
anos ni.iis larde, ainda em Manchester, Ernest Rutherford descobriu o
■ÜflvQ do áto mo e a maneira pela qual se pode tr ansmutá- lo, descobrin-f b tam bém, port anto, co mo se descobrin-faz sua síntese. A análise dos espectros fjã Itn daí. estrelas já ensinara, por outro lado, que não existem no ■Uhdü outras espécies atômicas além daquelas que temos na Terra. jJ les iir rtil.io, física e cosmog onia não pas sam de um a mesma ciência, l^staiiir p0pU]ar, o que é um testemunho da inclinação sensível dos lítHM. h . pelo puro conhecimento do universo.
O conhecimento da superfície dos planetas fez alguns progressos tjgiílfi fjup dispomos de sondas espaciais. Alguns desses engenhos foram ■KVlidos a três planetas: Lua, Marte e Vênus. E até mesmo doze jjif llf ns , no total, já for am enviados à L ua. T ambé m já se foi sondar de
Bf tjn iliu outros grandes planetas e alg uns de seus satélites. Graças
| | fitei| | ( tí**. r.otópicas obtidas em labor atório a par tir de amos tras, sabe- y iif a L ua, Ma rte e os meteor itos têm a me sma idade que a T erra: 4,5 P i e i dr anos (<■temos quase certeza de que isso ta mbém é válido para p il b s os ou tios planetas, até mes mo o próprio Sol).
Qua tr o sinos antes do início do século X X , a descoberta da radioati-■fhiíb da matei ia, no museu de história natural de Paris, permitiu
tam-g ff n 1' ioijii fpndr i de oi ide v em o calor das estrelas: elas queimam sua Éfflfjiia iu o, iia Nosso S ol, por ex emplo, pro duz 3,8 x IO 33 ergs por
JgUtidn r-,1 1 1 * 1 n i-1 paia isso, ao mesmo tempo, 4,2 milhões de toneladas
^n)drogAniii(ou. 1 1i u-. ex atamente, transforma- as em hélio). Mais tarde,
ly g ft do env rtl in r ia, nosso Sol sintetizará outros átomos, especialmente
| tjiiB •«»» in<1í-%| irnsâvris à vida: car bono, azoto, ox ig ênio, enx ofre etc.
Ip is um.. .jiir ii. mais prsados que o ferro), graças às tempera turas de
pf f fs oi ii.illi... , (Ir ^i ai is que a gravitaçilo gerou em sua reg ião central.
§§je§ âtdfiiiif •.a.. . v:i| ii1 1ai s p pouco a pouco da estrela sob a forma de
| | f!t Veiifd iiildt I [ Miitaiito al, no ventre de eslielas semelhantes, que se
A R E L IG A Ç Ã O DO S S A B E RE S
n
• a E D G A R M O R I NSabemos também de onde vêm os outros átomos, os mais pesados. Koi no momento da fase final da vida das estrelas mais pesadas, numa explosão resplandecente, que ocorreu, num instante, a síntese desses átomos que seriam, depois, projetados no espaço em forma de pó. Esse pó de átomos vindo de múltiplos sóis, reagrupado bem mais tarde em nuvens delgadas nos cantos sombrios da galáxia, servirá para reformar um dia, graças à gravitação, novos sistemas solares. Os átomos pesados não foram criados de forma contínua, como os leves, mas em explosões grandiosas, e é isso que chamamos de “supernov as”. A parte e x terna da estrela que compreende esses átomos pesados é então projetada no espaço numa velocidade de alguns milhares de quilômetros por segundo e, durante vários milenários , ela continua a expandir- se. Por ex emplo, uma explosão como essa foi visível da Terra durante o verão de 1054. Ela brilhou então como uma Lua cheia durante diversos meses e, ainda hoje, pode perceber-se sua nuvem com a ajuda de uma boa luneta. No ponto em que se encontrava o centro da supernova, criou-se uma pequena maravilha, um minúsculo resíduo de matéria de um tipo extraordinário: o pulsar. É um aglomerado de nêutrons, de uma densida de espantosa, rodopiando loucamente sobre si mes mo, env olto por ca m pos magnéticos de uma intensidade inconcebível e que deverá emitii durante milenários, em enorme quantidade, toda a gama de partículas luminosas , os fótons, desde os raios gama e X até as ondas rádio.
Mas passemos a uma outra escala, passemos a dimensões dezenas <Ir milhares de vezes maiores e veremos então que as galáxias, pelo menos as mais jovens, contêm igualmente uma maravilha. E provavelmente perto do centro delas, num pequeno volume em que a matéria atinge uma abundância e uma concentração que são talvez dezenas de mill lain de vezes maiores que as dos pulsares, que se eng endra o quasar, uni m m sor ainda mais prodigioso de fótons, visível a milhares de ano:, luz tlr <Ih tância. Nesse campo, nossa física ainda é insuficiente. Podemos vet rv.es quasares, mas por enquan to ainda é impossível e x plicai seu m n ani- .mn
O es tudo do cosmos long ínquo pe im íliu i observai,no de fa to i qun niüdiíic ara m s igm lu ativ am ente nossa visãn do inund o, nir- aiin se tr mns
fjjfkuld.ide para compreender certos fenômenos que estão muito n u á m do que pode ser realizado em nossos laboratórios. Mas esses
fcflênifMios imensos e longínquos não são os únicos a nos intrigar. jÉÉfím, drsde o início do século X X , o impacto da teoria da relatividade
I f f d l d e A lbert E in s te in sobre a cosmog onia tornou- se cons iderável, (ptífetudn após a verificação do fato que um raio luminoso tangente ao | nj §!ihr tuH desvio, o que significa que um f óton tem realmente uma ' i uno Eins te in havia prev isto. Por v olta de 1990, for am
descober-■§Üt imagensgravíficas de uma galáxia longínqua, criadas pela massa de
,jpia galahli situada entre ela e a Terra, o que confirma mais uma vez | §| g propi irdade de os fótons terem realmente uma massa.
I )p5iI r o início do século X X impôs- se também no campo da física o
jfÉy dí» d i . par tículas elementares da matéria (os átomos e os elétrons , pf ts d* iii.h'. ii.ula) e da luz (os fótons). Nesse mundo dos objetos consi- j§fa d,,= mu por um , as belas certezas de outror a desapareceram. T ais Rpliiàs drviani se ao fato que a menor partícula de matéria que conhe- jjjiíiu? puino, o menor flux o de luz que tínhamo s o hábit o de levar em te fisidi iiH ãu a me nor corrente elétrica que éramos capazes de medir llffi furmadu'., no mínimo, por um número imenso de elementos. E H j t n «lillt d <d. .. i v.u esse mundo do indiv idual que te mos tendência a
■pitai dn nniiiilo (/náutico e que na maioria das vezes é muito pequeno,
í l in d a m n - ililii il encontrar as leis que o reg em. Mas as aplicações ■ i ibserv Mi.nc, | ã silo de g rande importância e ultrapass am provavel-Èis íjim resultaram das descobertas das leis da te rmo dinâmic a e I p f i H i is f 1' > -Ir- 11, ,111.1 j'in'li si no, no início do século X X .
Unia dai t unsaqüêndas mais evidentes desses novos estudos é veri-. veri-.impo dos wHiicontlutor es e do desenvolvimento quase ime-É ãH lia liil' iiiii ilii i i| iir ocorreu em seguida. T odo um dom ínio, o dos j j f e l i h l d f to dn, o ■■lipos, foi rev olucio na do e m alg uns anos ; um out r o Hjppt), fi da imprensa, do rádio, do Iclelone, lanibém eslá sendo, pois
| j§ etti dia jintlr Pm un tlãl e dilu ud ir pr alic a m c nlc todo tipo de liflii? n ti.> a partir do mo me nto p i» que ela tenha sido publicada em
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Essa mudança atinge ainda pouca gente. Mas os que estão a par de tais inovações têm a impressão bastante nova de que a superfície da Terra encolheu e não somente por meio dos progressos enormes das técnicas que per mitem, por ex emplo, que em menos de dois dias de v iage m seja possível transportar- se para o ponto mais distante de nosso planeta.
A maioria das cr ianças que freqüentam a escola e às quais são ensi nadas essas conquistas recentes do conhecimento não tem, ao que pare ce, ne nhum a dif iculdade para interessar- se pelas mes mas e dominá- las. Mesmo quando o aspecto lúdico não existe e, mesmo ainda, quando as crianças são informadas somente pelas revistas populares ou pela televi são, elas se apaixonam de bom grado por conhecimentos tão abstratos quanto a astrofísica e até mesmo pela física quântica ou ainda pelas novas ciências da Terra ou ciências biológicas. Freqüentemente, essas crianças estão decididas a aprofundar seus conhecimentos nestes cam pos mais tarde, quando serão adultas. Creio que as coisas não se passa vam assim outrora, quando numa escola austera, quase que única dis-pensadora de conhec imento, as crianças entediavam- se com a rigidez da cosmografia ou com o ensino da matemática, porque se esqueciam de dizer-lhes que tais ciências não passam, em grande parte, de um maravi lhoso ins tr umento para simplificar o conhecime nto das leis naturais. Há algumas décadas, um novo ar paira sobre o ensino, ao que me parece. Há a inda um outro progresso: este conhecime nto encontra- se hoje ao alcance de muito mais pessoas do que antes. Diante de tudo isso, penso que podemos nos alegrar.
O cosmos: concepções e hipóteses
Michel Cassé
Introspecção cosmológica
Para que a pesquisa co ntinue florescendo no campo fr ag mentado e complexo do saber, escolho a palavra céu. Céu convoca, um pouco em desordem, as almas viajantes e as tecnologias galopantes. Nos últimos vinte anos aprendemos mais do céu do que tínhamos aprendido em dois mil, e isso graças à união da ast ronomia e da física. A astr ofísica é o casa mento da Terra e do céu no pensamento humano, da física, prática de laboratório que consiste em extrair leis da matéria deste mundo, e da astronomia, que é um olhar dirigido para o inacessível. Sem a física, a astronomia não tem cabeça, mas, sem a astronomia, a física não te m asas.
A o apont ar para a L ua sua lune ta, Galileu enx ergou mont anhas; ele ( (incluiu disso, com m uita justeza, que a L ua é terrosa. Inver temos por qt in c r esta proposição e dizemos que a T erra é celeste. A primeira equa-d.i astrofísica é: T erra = céu. O que não se encontr a aqui embaix o nn<> it- encontr a e m lugar alg um.
C) espaço está perdido porque todos os lugares se eqüivalem, mas o tetnpo foi reencontrado, pois vivemos no tempo abençoado em que a ui il> ii.i l.il.i, AI)'iW'. vf-cm certas coisas no céu. Nós, astrofísicos, vemos
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chuva, pois a molécula da água, H2O, reúne em seu seio 0 hidrogênio,
vestígio da “explosão original” ou Big Bang, e 0 oxigênio, exalado pelas
estrelas que o produze m e m seu forno. Ex iste, pois, um a cadeia física da
gênese. No ponto em que 0 mundo se articula com 0 es quecimento, o
tema da genealogia da matéria põe e m relação os elementos e as estrelas, a Terra e o céu, a luz e a matéria, a criação e o aniquilamento, a gênese e o apocalipse... O home m resgata a amnésia cósmica através da ciência. “Nosso projeto filosófico não é mais domínio e possessão da nature za, mas sim abertura para todas as luzes, visíveis ou invisíveis. Mehr Lichtl Estamos sempre pedindo mais luz, como Goethe em seu leito de morte. A fim de dar um sentido aos sinais do céu, decriptamos a lingua gem sutil dos mensageiros celestes, fótons, neutrinos e, brevemente, a das ondas gravitacionais. O olho natural, solar, dá lugar a um olhar uni versal. A arte não se encontra mais numa cor, mas na c ombinação de todas as cores, visíveis ou invisíveis, de todas as irradiações, de todas as partículas móveis, fótons, neutrinos, raios cósmicos.
A cr iação da matéria tornou- se um objeto de pesquisa das ciências. A existência dos átomos estando firmemente estabelecida, convém agora pesquisar suas fontes, e tais fontes estão no céu. A teoria do Big Bang, filha natural da relatividade geral e da astronomia conjugada à física nuclear,
ensina que o hidrog ênio e 0 hélio são originais e que as estrelas — lugar da
fusão ter monuclear — f orjaram em seu cadinho, a partir destes elementos
simples, todos os outros, desde o carbono até 0 urânio. Elas abriram- se
como flores e polvilharam pelo espaço miríades de átomos alados, semen te necessária à vida, aos próprios átomos que elas forjaram. Todas as humanida des que estão por nascer encontram- se lá, em volta das superno-vas, estrelas esquartejadas que deixaram escapar a própria substância.
' As estrelas sempre for am caras ao coração das crianças e dos poetas, mas eles não s abiam muito bem por quê. A astrofísica dá corpo a este amor explicando que nossos átomos foram carregados pelo ventre das estrelas. O elo entre as estrelas e os home ns, e de maneira mais ger al entre todas as formas existentes no céu, é genético, material e histórico. O céu é feito de tantas histórias qua nto de átomos. T oda luz torna- se palavra. O Big Bang grita em nossa direção.
Genealog ia da matéria
É da natureza do ser que pensa formar idéias a partir do zero, do inf inito e do univer so, de extasiar- se com elas e revogá- las depois. Dessa vertigem nasce uma ciência que combina cosmos e logos. A cosmologia visa dar um sentido à palavra universo. Sua hipótes e crucial é que o uni
verso é um cosmos ou, em outros termos, que a desordem é uma ordem
oculta. Esse desafio promissor, c ujo bom fundam ento é verificado a
pos-teriori, é a base da física do céu. Uma ordem deve ser reencontrada, e
essa ordem é tem pora l. O espírito do obser vador deve infiltrar- se na juv ent ude tur bulent a do univ er so até ating ir os dias te mpestuos os de
sua infância.
O universo expandiu- se em dois planos consecutivos : a ev olução “invisível” (aproximadamente até o primeiro milhão de anos) e a evolu ção “visível” (de 1 a 15 milhões de anos). A época opaca é acessível à teo ria, com ex ceção do tempo zer o. A época tr anspare nte é acessível à observação, por um período que se estende sobre 15 bilhões de anos- luz.
A dr amaturg ia cósmica divide- se em vários atos:
0. Emergência por transgressão quântica da impossibilidade da
existência.
«Por que existe um universo e não o nada total numa paz impertur báv el? 'A s leis de conserv ação da física opõem- se à idéia de que algo nasça do nada, ex ceto no caso em que a energia total do universo é nula, bem como sua carga elétrica e todas as outras quantidades conservadas. Nada nasce de nada, então. Nada impede de se pensar isto, pois existem energias positivas, como a energia de massa, e energias negativas, como a energia potencial e gravitacional, e elas poderiam se compensar. Se fosse assim, a criação seria gratuita e legal, pois ela não violaria nenhu ma das sacrossantas regras de conservação.
Nos cenáculos quânticos, invoca-se uma abertura por efeito de lim r l ou ainda uma flutuação do vazio. A lguns falam de criação a partir do nada. T udo isso, en lr da nto, deve ser considerado com certo distan-i distan-i.distan-ittdistan-ir jdistan-ilo, por, dr (| distan-i distan-i,distan-il()uc*distan-i l omdistan-ia é distan-i distan-irrrs s.distan-idistan-i distan-io subldistan-inhar que se cons distan-ide
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ra que o univer so, antes mesmo de assumir uma aparência, é quântico e relativista. S upõe- se desta f orma, portanto, a preex istência das leis sobre a matéria e mesmo sobre o espaço- tempo, o que não é negligenciáve l...
I. A era do caos quântico: a saída da ne blina do espaço- tempo.
' Um instante de opacidade total, verdadeiro deserto do espírito, IO-43 se gundo, mantém- nos a distância da insanidade do te mpo zero. Na falta desse distanciamento reina o discurso teológico. *
A cr iação, que é a passag em do inde te rmina do ao dete rmina do, per manece em si mesma inacessível à razão. Do ponto de vista lógico, o tempo zero é um instante num tempo que ainda não existe. Do ponto de vista físico, não se pode tampouco escapar à catástrofe conceituai: zero é preciso demais para ser quântico. Desforra da imprecisão quânti-ca sobre o determinismo relativista: uma auréola de indeterminação envolve o começo. O próprio tempo flutua, pois “quântico” é sinônimo de “flutuante”. Assim, ao passo que o universo tende em direção ao um, a linguagem tende em direção ao zero. Os conceitos quântico e relativis ta só podem servir-nos como instrumento teórico para determinar os valores mais extremos das quantidades físicas que estão em jogo: nenhu
ma duração inferior a l(h43 segundo, nenhuma distância inferior a IO- 3 3
centímetro, nenhuma temperatura superior a 1.032 kelvins conserva um sentido físico.
10-43 segundo: menos que uma piscadela, comparado à idade do universo! Mas esta fração ínfima de segundo, impenetrável para o espí rito, é como uma eternidade. O que é um segundo? Se o tempo é real mente a medida da mudança, um segundo daquele momento não pode ser igual a um segundo de agora. Passaram-se mais coisas num segundo daquele tem po do que em quinze bilhões de nossos ano s ."
Uma pérola de espaço- tempo emerg e da es puma, como que t omada pelo desejo de crescer e embelezar- se. S eu v azio é falso, pois ele está saturado de energia. Ela tira de si mesma sua ordem e suas leis. E essa bolha se faz universo sob o efeito da gigantesca inflação do espaço, indu zida pela pressão deste falso vazio. As leis do universo observável são as leis da bolha. Este universo é o nosso. Ele é como um relógio posto em
marcha há 15 bilhões de anos. Esta duração é comparável à idade dos mais v elhos átomos e das mais v elhas estrelas conhecidas. O modelo cos-mológ ico dete rminista guia- nos de agora em diante de maneir a segura e dá corpo à história universal. A separação do espaço- tempo em espaço e tempo tornou- se possível devido à unifor midade postulada pelo espaço. O unive rs o está em ev olução em todas as suas regiões, mas a ev olução mais g randiosa é a da sua geometria. O espaço se dilata. O univers o está em expansão. Há uma correspondência unívoca entre idade e densida de do universo e também entre idade e temperatura. Um universo jovem é dens o e que nte. U m univ er so velho é diluído e frio. '
O cosmos atravessa diferentes eras de durações crescentes definidas segundo a densidade de energia da forma reinante: caos, vazio, irradia ção ou matéria.
II. A era do vazio.
O vazio é insensível à ex tensão univers al. S ua densidade de energia é constante. Ora, uma densidade de energia constante induz uma expansão exponencial. O vazio é apartador de espaço: ele acelera a expansão deste (quem sabe ele até não a produza?). Essa expansão fre nética, cujo efeito é distender o universo, cessa quando a densidade de energ ia do vazio anula- se (ou quase) em benef ício da irradiação. O poder passa das mãos do Vazio às da Luz.
III. A era irradiante.
V azio- luz- matéria: ex iste uma cadeia física de gênese. Cada qua l reina por sua vez quando sua densidade de energia ultrapassa a dos outros.'No espaço de 10~32 segundo, a luz sucede ao vazio. Sua era dura rá aproximadamente um milhão de anos, e a da matéria, mais de 10 bilhões.'Sob o reino da luz, ocorre o assassinato da antimatéria pela maté-ri.i <■a g ênese do hélio* Pelo fato de a luz (a irradiação) ser uma forma material neutra, pode- se atribuir- lhe o sinal zero, o que pe rmite conceber <| iic.i li ix., caso possua a energ ia necessária, pode dar nascimento, conjun-t.uiK nte, à matéria ( + ) e à antimatéria (-), pelo ato de criação, e
igual- A R E L IG A Ç Ã O D O S S A B E RE S ■ • A E D G A R M O R IN
A eliminação da antimatéria, duplo e mortal antag onista da matéria, nascida com ela, termina- se por importantes perdas no campo da matéria. Os sobreviventes (um em cada bilhão) fundam o universo material: você, as estrelas e eu. Somos os filhos de uma leve dissimetria. No final dessa guerra fratricida, subsiste apenas uma fraca concentração de prótons, nêutrons, elétrons e neutrinos, todos em suspensão num oceano de fó tons. No primeiro segundo, os neutrinos deix am de interag ir com a ma té ria, pois a ex pansão faz com que eles percam energia. A temper atura é, então, de um bilhão de graus. No terceiro minuto , os prótons podem ligar-se aos nêutrons sobreviventes ligar-sem ligar-serem importunados pelos fótons am bientes, muito agressivos em razão de sua forte energia. A primeir a v aga de reações nucleares do universo termina-se pela síntese nuclear primor dial do deutério, do hélio e do lítio, e pelo fracasso da síntese do carbono.
IV . A era estelar.
Um milhão de anos mais tarde, tendo a temperatura do universo caído para aproximadamente 3.000 graus, o átomo do hidrogênio nasce da captura do elétron pelo próton. Des de e ntão, o universo ilumina- se, pois os elétrons acorrentados não podem mais reter os fótons. É a alvo rada cósmica. A luz desprende- se da matéria, deixando- a livre para que ela se estruture. As ondas eletromagnéticas liberadas nesse instante, dis tendidas pela dilatação do espaço, chegarão ao solo quinze bilhões de anos mais tarde.
Por meio deste ato separador, o universo revela-se transparente e fértil.
O gás univer sal fragmenta- se em imensas nuv ens que florescem em
estrelas. As estrelas, indiv idualme nte , opõem- se com todas as suas forças (ou, melhor dizendo, com toda a força da gravitação, que é a atração da matéria pela matéria) à expansão do universo, essa corrida generalizada em direção ao difuso e ao frio. Elas concentram e reaquecem a matéria em seu seio. Sob a influência do calor, elas transformam em seu cadinho os núcleos de hidrogênio e de hélio herdados do Big B ang em carbono, azoto, ox igênio etc. e tornam- se assim o verdadeiro motor da e v olução
O ca minho que conduz da multidão das partículas anônimas e abs tratas engendradas pela “explosão original" até a relva dos prados, até a chuva e o vento, até a variedade infinita de formas e estados e a profu são dos sentimentos passa, necessariamente, pela estrela. 0
'S uspensa entre a queda e a poss ibilidade de alçar vôo, ela viv e à beira de sua temper atur a de destruição. A estrela é o lugar e m que a matér ia se desmaterializa, pois nela a matéria se transforma parcialmente em luz, contrariamente ao Big- Bang, que é o acontec imento no qual (parcialmen te, muito parcialmente) a energia se materializa. Ela brilha porque trans-muta os elementos. A estrela é, portanto, o lugar em que os metais se aperfeiçoam. Nos cadinhos estelares o simples hidrog ênio transforma- se cm complexos carbono, azoto, oxigênio, ferro, ouro e urânio.
Se quisesse agr adar as crianças, e u poderia dizer que no cora ção das estrelas celebram- se milhares de cas amentos entre núcleos de átomos. O grito de alegria é a luz. E acrescentaria, para fazer com que gostem de matemática, que as estrelas fazem operações aritméticas: 3 hélios cor-tespondem a 1 carbono, da mesma forma que 3 x 4 = 12.
Mas elas não guardam embaixo do colchão os produtos de sua alqui mia. N o final de sua ex istência luminos a, as estrelas abrem- se como flo-i cs. Elas entregam ao vento celeste mflo-iríades de átomos alados.’ Dessa lorma, elas desempenham o papel de artesãs conscienciosas na econo mia geral do universo.°As grandes, revolucionárias, cuja explosão é aco lhida aqui embaixo pelo grito alegre de “supernova”, oferecem ao céu os átomos confeccionados em seu seio, e as pequeninas, como o Sol, distri buem em volta de si luz e calor duráveis.
Nossos átomos foram carregados no ventre das estrelas e foi a luz quem os incubou.
• Depois de gerações e mais gerações de estrelas terem se sucedido e r m iquecido com sua obra nuclear o gás da Via- Láctea, um astro modes to da periferia galáctica, o Sol, separa- se de sua nuvem- mãe e rodeia- se .Ir planetas. N uma delas emer g em a v ida e a consciência. E hoje a ma té ria «1 1 1r pensa debruça se sobre seu passado de matéria inerte, estelar e
nebulma.
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Olhem- nas co mo aquilo que elas realmente são: as mães de nossos áto mos. Ao virem das estrelas, nossos átomos retornarão para elas quando o Sol gigante e vermelho tiver feito evaporar a Terra. Então, os corpos de todos os mortos s epultados sob a terra estarão no Sol. Mas por enquanto, imortais, esses átomos constituem espécies mortais e pensantes que admiram o Sol como um deus, um pai ou como uma centr al nuclear... '
V . A era solar.
A pe le lum inos a do astr o do dia esconde, de fato, um a centr al nuclear de confinamento gravitacional. Ele traz em seu coração o infer no, mas sua face é serena. Cada ponto do Sol é a um só tempo atraído (atração da matéria pela matéria) e repelido pela força de pressão térmi ca. A flexibilidade do estado gasoso permite reajustes estruturais não explosivos. De fato, sua temperatura e sua luminosidade são estáveis há milhares de anos, o que faz dele uma maravilhosa incubadora biológica. O home m é um caçador diurno e a atmosfera é transparente numa gr ande parte da irr adiação solar, e é a per manência da luz do Sol que f or jou nossos olhos: seus átomos falar am sem parar a ling uag em da luz aos
átomos de nossos olhos.
O olho é solar: por isso, somos cegos em relação às estrelas muit o mais quentes ou muito mais frias que este Febo da crina dourada. Mas nosso olhar é universal: o home m dotou- se de próteses que lhe pe rm i tem perscrutar o céu pelo registro das ondas (rádio, infravermelhas, ultrav ioleta, X e gama). O não- visto é o visível próx imo.
A astronomia do inv is ível, ele trônica, automa tiz ada e satelitizada revela que o céu noturno brilha com todo seu esplendor em gamas de irradiação que a visão natural não pode apreender. Não continuaremos a viver cegos em meio às realidades sublimes do céu. A Terra está per manentemente imersa numa irradiação universal. Fria, ela tirita diante de nossos radiotelescópios. O Sol dos neutrinos jamais descansa. A noite faz parte do domínio das aparências. Ela não é negra; antes, nosso olhar é que é obscuro.
Teorias cosmológicas e ensino das ciências
Pasquale Nardone
O discurso da física é ta mbém discurso ideológico. A cosmologia demonstra muito bem isso. Menos do que qualquer outro capítulo da história natural, este não pode ser construído positivamente. O número re duzido de medidas próprias e a impossibilidade de pôr em e x perime n tação o objeto de nossa ate nção impõem- nos um discurso especulativo. A cos mologia aparece- nos como um a sucessão de encaix es seme lha nte às bonecas russas,* em que empilhamos não somente conceitos e idéias, mas também fantasias. E é precisamente por essa razão que tal discipli na pode ser instrutiva.
Para retomar um mote clássico entre os físicos, apenas três fatos determinam a cosmologia:
— o primeiro deles é que a noite é negra;
— o segundo é que estamos imersos numa irradiação eletrotuagiiê
liea (que ela seja de 2,75 kclvins e que seja de or ig em cos molóRii ■' 6
outra história);
o terceiro é que é verdade que os espectros luminosos emitido? pelas naLíxias deslocam- se s istemat icamente em dire ção ao v ermelho (rv,r deslocamento é ligado à expansão cósmica, e o fato de elr sei pro pon lon.il ,i distancia também é uma outra história).
A R E L IG A Ç Ã O D O S S A B E RE S ■ • ▲ E D G A R M O R IN
Mas, à parte esses três fatos, todo o resto, ou quase, não passa de dis curso. A cosmologia é, nesse sentido, exemplar de uma situação comum a todos os campos da física. Mesmo se é verdade que quase não se fala disso, o debate constante sobre modelos, teorias, experiências e ideolo gias cons titui de fato a prática cotidiana tant o dos físicos qua nto dos cos-mologistas.
A física, tal como foi consig nada nos prog ramas do ensino secundá rio, impõe, entretanto, a nossos adolescentes, já de início, uma série de axiomas, de regras colocadas como dados estáveis e definitivos — e isso é de lamentar. Antes mesmo de passearmos com os alunos pela nature za, de constituirmos com eles um conjunto de fenômenos , de trabalhar mos pela construção de “fatos”, antes, portanto, de darmos aos estudan tes uma “lição de coisas”, nós lhes apresentamos o modelo final. Essa abordagem esterilizada leva, às vezes, a dar aos alunos respostas para perguntas que eles nem sequer fizeram!
O modelo tr adicional por ex celência em física, já que ele serve de molde para todos os outros, é o que foi inaugurado por Newton. Permi tam- me, pois, lembrá- lo aqui em suas linhas gerais.
O espaço, o tempo, o ponto
O espaço não pode ser definido “praticame nte”, não se pode torná-lo concreto. Simplesmente, diz-se que ele se encontra lá, absoluto e indubitável. A partir de Ne w ton, esse espaço absoluto adquire um senti do mate mático. Dá- se a ele “propriedades” g eométricas. A part ir de então é possível desenhar nele mentalmente retas, triângulos e ângulos. Ele pode ser submetido a um discurso lógico- dedutivo s em que jamais se recorra à medida ou à verificação experimental das afirmações.
Ne w ton precisa de um tempo. O físico deve narrar histórias. E le não vai simplesmente desenhar figuras geométricas. Ele deve contar a ev olução dessas figuras. Ne w ton propõe um “tempo- modelo”, um tempo impraticável, mas incontestável, que tem a qualidade especial de “passar” uniformemente. Newton nos dá também uma descrição do
que é a matéria. A matéria, por mais complex a que seja, pode ser redu zida a um sistema de pontos materiais. Entre os pontos não há nada: é 0 "va zio”.
O modelo new toniano é determinista: se temos o que se chamará de
condições iniciais, podemos predizer o f uturo. O objetivo do cientista é, cm parte, a previsão. Isso é bastante ambicioso, é mesmo extraordinaria mente ambicioso, mas é seu papel essencial.
Neste mode lo ve m em seguida um discurso complex o: o que é uma força e como a força vai ser religada ao movimento. Como terreno de validação disso, além do movimento planetário — grande sucesso da mecânica newtoniana —, temos também o “tiro parabólico” da bala de canhão, as fases da Lua e as marés, os cometas, tudo isso tendo uma açflo a distância: a lei da gravitação universal. Notável força que, instan taneamente, sem intermediário material, estabelece um elo invisível entre todos os corpos!
Campos e fluidos
O que é muito importante é que foi preciso esperar o século X IX
paia ver aparecer uma outra modelização, proposta por Maxwell.
Para explicar as forças elétricas e magnéticas, Maxwell introduz um 1(ii íccito que será essencial para a física moderna: o conceito de campo. ('m»o num gramado em que cada fragmento de solo é coberto por um iíiminho de grama, um campo físico cola em cada ponto de espaço-tempo um ou v ários números .
( <om New ton foi escrita a história dos pontos materiais s ubmetidos
a torças; com Maxwell é a própria história das forças que é contada. A iuuiKfiii que se impõe naturalmente para apreender as novas noções hitiodii/.idas por Maxwell é a de fluido.
r.i11 si í.i escrita e em seu vocabulário, as equações de Maxwell
dife-i. mi muito das equações de New ton: elas inspiraram- se
consideravel-f iir iiir na iiin anu a dos tlmdos”. Trata- se aí de consideravel-fontes, de turbilhões , ii ai,) ,r aí dr pteciii hr i ( oinplHa me utr -o espaço tempo, o que fará co m
A R E L IG A Ç Ã O D O S S A B E RE S E D G A R M O R IN
que deixe de existir entre os pontos materiais to do e qualquer luga r para o vazio absoluto new toniano.
A cons eqüência mais surpreendente das equações de Ma x w ell é a predição de uma propagação ondulatória das forças elétrica e magnéti ca. Num jogo sutil de compensação mútua, no espaço e no tempo, do campo elétrico nasce gradualmente o campo magnético, e vice-versa. A onda eletromagnética revela-se experimentalmente como possuidora das mesmas propriedades físicas que a luz. A primeir a unifica ção con ceituai acabava, assim, de ser realizada.
O v ocabulário e a for ma mate mática das equações desenvolvidas por Maxwell constituem ainda hoje referências, tanto na teoria
quânti-ca dos quânti-campos quanto na relatividade geral.
Conflitos e unificação
E m 1905, Einste in levanta uma contradição entre o modelo new to niano e o modelo maxwelliano. Das duas, uma: ou é Newton quem tem razão ou então é Maxwell. Einstein escolhe o modelo de Maxwell como teoria fundam ent al da física. A partir daí, ele é obrig ado a ref ormular a mecânica para torná-la compatível com o absoluto que se tornou o con ceito de velocidade da luz.
O modelo chamado de “relativ idade restrita” chega à re conciliação por meio da imbricação do espaço e do tempo numa única entidade: o
espaço- tempo. A velocidade da luz, tornando- se assim fr onteira absolu ta, cria pela prime ira v ez, nesse espaço- tempo, uma noção de hor izonte.
Generalização
Einstein levaria cerca de dez anos para construir uma extensão de seu modelo: da relatividade restrita à relatividade geral. Ele mostrou que a genera lização impõe um a lig ação entre o espaço- tempo e a matéria. O espaço- tempo é modificado em seus aspectos geométricos pela pres en ça da matéria.