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CAPÍTULO 1 O conhecimento Histórico, 12 CAPÍTULO 2 Os primeiros passos da humanidade, 31 Operários, Tarsila de Amaral Murais, Di Cavalcanti. CAPÍTULO 3 O povoamento da América e os primeiros habitantes do Brasil, 42A narrativa histórica é repleta de interlocuções com os múltiplos saberes produzidos pelos homens ao
londo de sua vida. Tudo pode se tranformar numa fonte histórica:
uma música, um filme, um documento, obras artísticas.
Percebe-se, assim, a grande versatilidade da História. As imagens
ao lado compõem bons exemplos de narrativas históricas. A primeira, de
Tarsila de Amaral, expressa a diversidade cultural da cidade de São
Paulo. Enquanto que na segunda, Di Cavalcanti procura demonstrar uma
arte ousada e de forte precisão técnica associada ao cotidiano.
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O Conhecimento Histórico
A construção da História
A História é uma grande aventura repleta de desafios, conflitos, surpresas e invenções. Todas as ações humanas podem ser classificadas como eventos históricos. A História procura compreender as diferentes formas de vida dos homens no decorrer dos tempos. Desse modo, através do estudo do passado da humanidade, o historiador procura inter-pretar e explicar o momento presente.
As análises históricas consistem num recurso de fundamental importância para compreensão das múltiplas e variadas relações sociais construídas ao longo da caminhada humana.
A História é uma construção coletiva. Todos os homens são agentes históricos, uma vez que eles produzem culturas e procuram dá significados às suas ações inseridas num determinado tempo e época.
São muitas as definições que se fizeram de História. O historiador Antônio Paulo Rezende conceituou a História como um grande edifício construído pelo homem, onde o mesmo vai fazendo sua história, superando dificuldades, inventando instrumentos e explicando as coisas do mundo.
Por mais extensa que seja, a narrativa histórica é incapaz de englobar em sua totalidade todos os eventos dos sujeitos da História. Portanto, selecionar os protagonistas de uma narrativa histórica, sempre é uma opção política do historiador. Há uma relação direta entre fazer e contar história, e isso determina a forma de compressão do processo histórico.
Atualmente, há uma tendência acentuada de explicar o presente tendo como referencial ele próprio e, simultaneamente, o desprezo pelo passado. O historiador Eric Hobasbawn, na produção de um primoroso parágrafo, comentou sobre o perigo dessa desqualificação:
Todos os homens em sociedade fazem História, mesmo que suas ações não estejam descritas nos livros. A História é uma construção coletiva. Todos os homens são agentes históricos, uma vez que eles produzem culturas e procuram dá significados às suas ações inseridas num determinado tempo e época. Nesta obra intitulada Murais, o pintor modernista Di Cavalcanti retrata o cotidiano de pessoas simples, no entanto, todos são importantes agentes da História.
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Para o francês Marc Bloch, um dos maiores historiadores do século XX, a história é definida como a ciência dos homens no transcurso do tempo. Em uma célebre passagem, estudioso tenta desfazer o equívoco segundo o qual a História se detém apenas pelo passado.
O texto de Bloch deixa em evidência que o conhecimento histórico é elaborado através de um permanente diálogo entre o presente e o passado. A história procura compreender as diferentes ações dos homens em sociedade.
A História estuda a vida humana através do tempo; analisa o que os homens fizeram, pensaram ou sentiram enquanto seres sociais. A História, como outras formas de conhecimento da realidade, está sempre se constituindo. Ela é inesgotável. São múltiplos os seus objetos de estudos e as possibilidades de interpretação. Portanto, o saber que a História produz nunca é perfeito ou acabado. Nunca iremos saber ―tudo‖ que ocorreu.
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As fontes históricas
―Já contei em outro lugar o episódio: eu estava acompanhando, em Estocolmo, Henri Pirenne. Mal chegamos, ele me diz: ‗O que vamos ver primeiro? Parece que há uma prefeitura nova em folha. Comecemos por ela.‘ Depois, como se quisesse prevenir um espanto, acrescentou: ‗Se eu fosse antiquário, só teria olhos para as coisas velhas. Mas sou um historiador. É por isso que amo a vida.‘ Essa faculdade de apreensão do que é vivo, eis justamente, com efeito, a qualidade mestra do historiador. (...)
Portanto, não há senão uma ciência dos homens no tempo e que incessantemente tem necessidade de unir o estudo dos mortos ao dos vivos.‖
BLOCH, Marc. Apologia da História, ou o Ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001. p.65-7.
―A destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas – é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com os passado público da época em que vivem. Por isso os historiadores, cujo ofício é lembrar o que outros esquecem,tornam-se mais importantes que nunca (...). Por esse motivo, porém, eles têm de ser mais que simples cronistas, memorialistas e compiladores.‖
HOBSBAWN, Eric. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p.13.
―O objetivo primeiro do conhecimento histórico é a compreensão dos processos e dos sujeitos históricos, o desvendamento das relações que se estabelecem entre os grupos humanos em diferentes tempos e espaços. Os historiadores estão atentos às diferentes e múltiplas possibilidades e alternativas apresentadas nas sociedades, tanto nas de hoje quanto nas do passado, que emergiram da ação consciente ou inconsciente dos homens; procuram apontar para os desdobramentos que se impuseram com o desenrolar das ações desses sujeitos.
A aprendizagem de metodologias apropriadas para a construção do conhecimento histórico, seja no âmbito da pesquisa científica, seja no do saber histórico escolar, torna-se um mecanismo essencial para que o aluno possa apropriar-se de um olhar consciente para sua própria realidade e para si mesmo. Ciente de que o conhecimento é provisório, o aluno terá condições de exercitar nos procedimentos próprios da História: problematização das questões propostas, delimitação do objeto, exame do estado da questão, busca de informações, levantamento e tratamento adequado das fontes, percepção dos sujeitos históricos envolvidos (indivíduos, grupos sociais), estratégias de verificação e comprovação de hipóteses, organização dos dados coletados, refinamento dos conceitos (historicidade), proposta de explicação para os fenômenos estudados, elaboração da exposição, redação de textos.‖
BEZERRA, Holien Gonçalves. Ensino de História: conteúdos e conceitos básicos. In: KARNAL, Leandro. História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. São Paulo: Contexto, 2005. p. 42-43.
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O historiador não se apropria do seu objeto de estudo diretamente. O seu trabalho consiste em compreender os fatos históricos ou experiências humanas por intermédio de registros que foram deixados por determinado grupo social em um determinado local e tempo. De modo geral, as fontes usadas pelos pesquisadores são classificadas como: escritas, orais, sonoras, visuais e as que compõem a cultura material.
Fontes escritas, sonoras e visuais DOCUMENTOS OFICIAIS OU
PARTICULARES
Leis, contratos, registros contábeis, registros de cartórios
PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS/IMPRENSA
Livros, jornais, revistas
DOCUMENTOS SONOROS E VISUAIS
Músicas, pinturas, filmes, vídeos, fotografias, MP3
Fontes orais
DOCUMENTOS ORAIS Entrevistas, relatos, contos, lendas,
mitos, fábulas
Todos os vestígios produzidos e deixados pelos homens podem ser denominados de fontes históricas, podendo ser oficiais, particulares, cartas, pinturas, depoimentos, construções, recursos tecnológicos (observe nas imagens abaixo).
Mp3.
Os Beatles.
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Boa parte das fontes históricas materiais é encontrada em órgãos públicos ou privados, tais como universidades, igrejas, galerias de arte, museus e outros espaços. Esse conjunto de fontes materiais recebe o nome de ―patrimônio histórico e cultural de um povo‖. Dessa maneira, para escrever a História o pesquisador se utiliza de fontes. Através dos dados produzidos pelas fontes, o historiador vai construindo sua narrativa e análise. Tudo aquilo que o homem elaborou pode servir como fonte histórica. Assim, as fontes históricas são constituídas por evidências da ação humana, após um tratamento narrativo ou explicativo pelo historiador.
Tempo e História
Assim como a História é vivida no tempo, ela também é o estudo do tempo, em todos os seus desenvolvimentos: presente, passado e futuro, considerando-se os seus vários entrelaçamentos. Cabe ao historiador responder aos questionamentos do presente, fazendo e refazendo perguntas ao passado.
O tempo histórico tem um valor relativo. Portanto, estabelecer as relações temporais entre as múltiplas experiências humanas constitui uma das tarefas do historiador sempre sujeita a polêmicas e contrapontos. Um aspecto importante no tocante ao tempo histórico é que ele é singular e complexo. Além disso, o tempo consiste numa convenção criada para facilitar a nossa comunicação e o entendimento do que nos rodeia.
Segundo o historiador François Dosse, o presente colabora para a pesquisa do passado e possibilita a valorização da história-problema, ao mesmo tempo que enriquece as análise do passado. Assim, os episódios culturais, econômicos, políticos e sociais pode ser entendidos pelos estudos da História. Vale ressaltar, que mesmo compreendendo as ações do tempo presente, isso não pressupõe que teremos condições de prever o futuro. Poderemos, sim, ter percepção de algumas tendências e criar possibilidades ou novos caminhos, mas sem adivinhar o que irá acontecer.
O calendário e a periodização
O estudo do tempo exige a elaboração de procedimentos de datação e delimitação. Esses procedimentos são fornecidos pela cronologia, que auxilia a história com dois importantes instrumentos de organização dos acontecimentos estudados: o calendário e a periodização.
As sociedades humanas sempre demonstraram preocupação com a marcação do tempo. A criação de calendários tinha como finalidade a organização das principais atividades religiosas, econômicas e políticas. O calendário aceito e adotado oficialmente nas relações internacionais é o calendário cristão. De acordo com ele, o tempo é repartido em dois grandes momentos: antes e depois do nascimento de Cristo, considerado o ano 1 de uma
nova era para a história da humanidade. Os muçulmanos datam a história de sua civilização a partir da Hégira, acontecimento
que marca a fuga do profeta Maomé da cidade árabe de Meca para Medina, no ano 622 d.C.. Enquanto os judeus datam a história da criação descrita na Bíblia, que teria ocorrido numa data equivalente a 7 de outubro de 3760 a.C..
―Para escrever a História o pesquisador se utiliza de fontes. Através dos dados fornecidos pelas fontes, ele vai montando sua narrativa e sua análise. Tudo aquilo que o homem produziu, modificou, escreveu, desenhou, pode servir de fonte histórica. Na verdade, o que se busca é contar a história dos homens, em uma determinada época e tempo escolhidos. Cada pesquisador tem sua área de interesse. Alguns escolhem temas políticos, outros econômicos. Os temas são variados e podem ser analisados de maneiras diferentes. Tudo vai depender das fontes selecionadas e do que o historiador está querendo fazer com elas.‖
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A divisão da história em períodos (―Pré-História‖ e História) consiste numa convenção estabelecida pelos estudiosos europeus nos séculos XVI e XVII baseada no calendário cristão e na história da Europa.
No princípio do século XIX, a periodização foi completada por historiadores franceses. O marco inicial da História corresponde à invenção da escrita, por volta de 4.000 a.C. Todo o percurso anterior dos homens tem sido comumente denominado de ―Pré-história‖.
Dessa maneira, foi estabelecida a periodização da história em quatro Idades:
Idade Antiga: do aparecimento da escrita (± 4000 a.C.) à queda de Roma (476). Idade Média: inicia-se com a queda de Roma (476) e se estende até a queda de
Constantinopla (1453).
Idade Moderna: da queda de Constantinopla (1453) até a Revolução Francesa (1789 – Bastilha).
Idade Contemporânea: da Revolução Francesa (1789–Bastilha) aos nossos dias. Há nessa concepção relativo preconceito, uma vez que a História se inicia desde que o homem passou a produzir cultura. A escrita é uma conseqüência da procura do homem em melhorar suas condições de vida social, facilitando a comunicação e conservação da memória. Enfim, o homem é o sujeito da história, então ele fez história desde que surgiu no planeta.
DIVISÃO DA HISTÓRIA EM PERÍODOS
4000 a. C. invenção da escrita
478 Fim do Império do Ocidente
1453 Tomada de Constantinopla (fim do Império Romano do Oriente
1789 Revolução Francesa ‖PRÉ-HISTÓRIA‖
(Fase dos documentos não escritos – poitivimo)
PALEOLÍTICO NEOLÍTICO IDADE DOS METAIS
IDADE ANTIGA
3200 a.C. Unificação do Egito sob autoridade de um faraó
753 a.C. Fundação de Roma 1 Nascimento de Jesus Cristo
IDADE MÉDIA
622 Hérgia (Fuga de Maomé de Meca para Medna) 600 Coroação de Carlos Magno como Imperador do Ocidente
IDADE MODERNA
1492 Descobrimento da América 1500 Descobrimento do Brasil 1554 Fundação de São Paulo 1585 Fundação do Rio de Janeiro 1778 Independência dos Estados Unidos
IDADE CONTEMPORÂNEA
1803 Primeira Locomotiva a vapor 1822 Independência do Brasil 1914 Início da Primeira Guerra Mundial 1917 Revolução Socialista na Rússia
1929 Quebra da Bolsa de Valores de Nova York 1939 Início da Segunda Guerra Mundial 1969 Descida do homem à Lua 1989 Queda do Muro de Berlim 1991 Fim da União Soviética 1997 Clonagem da ovelha Dolly 1998 Copa do Mundo da França 2001 Atentado terrorista aos EUA
2004 Brasil designado pra comandar uma missão de Paz no Haiti
2005 Evo Morales eleito Presidente da Bolívia 2007 A China se apresenta como uma das quatro economias do Mundo
2008 Crise mundial do capitalismo 2009 Surgimento da Gripe H1N1 2010 Terremoto no Haiti
2011 Tragédia na região Serrana do Rio de Janeiro
HISTÓRIA
(Fase dos documentos escritos)
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História e Memória
Pode-se afirmar que a partir do momento que os homens começaram a transformar a natureza e inventar símbolos para representá-la, eles passaram a produzira História. Nesse sentido, as criações culturais foram decisivas para a distinção entre os homens e os animais.
Ao longo dos tempos, a História tem sido abordada por múltiplos olhares e diversas interpretações, o que resulta numa produção historiográfica bastante diversificada.
Desde a Antiguidade, as sociedades humanas vêm elaborando narrativas que visavam contar o surgimento dos homens e suas realizações. A princípio, essas narrativas eram influenciadas pelo pensamento mítico que enalteciam os grandes feitos heroicos. Mesmo parecendo uma leitura ingênua da realidade, essa perspectiva histórica não pode ser de maneira alguma desprezada, porque através dela podemos compreender melhor os hábitos, os costumes e os obstáculos enfrentados pelas primeiras sociedades humanas.
A criação da escrita teve um papel relevante na sistematização da memória, ajudando a preservar as ações do passado, contribuindo para a transmissão dos significados dos feitos dos homens. Obviamente, isso não significa que os povos que não tinham ou não tem escrita também não fizeram História. Os relatos orais devem ser valorizados, pois através deles muitas sociedades humanas continuam se relacionando com os eventos do passado, zelando pela sua cultura, preservando seus preceitos e crenças que garantem sua existência social.
Segundo o historiador Jacques Le Goff, em sua obra História e Memória, ―a memória, onde cresce a História, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro. Devemos trabalhar de forma que a memória coletiva sirva para libertação e não para a servidão dos homens.‖ Sem memória não há História. Há uma relação intrínseca, entre História e memória. A memória é formada de lembranças e esquecimentos. Ela possui um caráter coletivo, que está relacionada com as relações de poder de cada época ao longo do processo histórico.
Concepções de História
A historiografia antiga e medieval
O conhecimento histórico não é feito apenas por intermédio de consulta e pesquisa a acervos oficiais, mas também por interpretações e relatos do significado na sociedade humana. Nessa perspectiva, os pais da História foram os gregos, que por volta do século V a. C. a conceberam. Precedendo os gregos, os chineses haviam organizado suas listas de documentos que possuíam um sentido mágico, ou seja, detinham um caráter litúrgico e sagrado.
Na Grécia antiga, a narrativa histó
rica foi elaborada essencialmente com o propósito de fazer a distinção entre sua cultura e os hábitos e costumes dos demais povos. Esses relatos foram reproduzidos principalmente na obra de
Heródoto, conhecido como o ―pai da História‖. Em suas viagens,
coletou depoimentos importantes e escreveu suas narrativas, lançando seu olhar sobre os egípcios, persas e citas. Heródoto tomou como modelo de sociedade, o modo de vida dos gregos e todo povo que se distinguisse dos gregos era classificado como bárbaro. Vale enfatizar, que o historiador atenien-se, enaltece a memória em seus textos como relevante recurso para evitar o esquecimento.
Busto de Tucídedes. Historiador ateniense, considerado como inovador, uma vez que buscou narrar, com primazia de detalhes os acontecimentos que marcaram a Guerra do Peloponeso.
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Em seu livro A guerra do Peloponeso, Tucídedes trata de maneira minuciosa as origens da sociedade ateniense até o desenvolvimento do confronto bélico que dá nome a sua obra. Tucídedes buscou narrar com fidelidade os acontecimentos que marcaram a Guerra do Peloponeso.
De acordo com os historiadores contemporâneos, sua obra traz uma reflexão sobre os atos políticos e seus desdobramentos no futuro, principalmente da cidade de Atenas. Tucídedes defendia a ideia de que era necessário resgatar o passado como mecanismo de aprender com erros cometidos, de forma a não voltar a cometer os mesmo equívocos.
O legado de Heródoto e Tucídedes tem grande valor historiográfico, uma vez que suas narrativas se distanciaram das influências religiosas que caracterizam os relatos míticos sobre a vida dos homens em sociedade. Ambos entendiam que o destino das pessoas era resultado de suas próprias escolhas e da vontade dos deuses.
Algumas obras de caráter histórico também foram produzidas entre os romanos. Semelhante aos gregos, os latinos comparavam seu modelo de vida com a de outros povos, considerados como ―bárbaros‖. Os romanos defendiam a ideia de que seus hábitos e costumes eram superiores às demais sociedades. Os romanos acreditavam que as sociedades ―nasciam, cresciam e morriam‖, do mesmo jeito que ocorre com os seres humanos.
Durante a Idade Média (V-XV), período marcado pelo fortalecimento do cristianismo, a narrativa histórica ficou sob o controle da Igreja Católica. Nessa fase, a historiografia adquiriu um forte predomínio da participação divina nos acontecimentos, levando a História a assumir um caráter teológico, ou seja, estava sublinhada pela vontade de Deus e não dos homens.
Durante o século XII, os senhores feudais e os governantes dos burgos, na tentativa de legitimar seu poder, entre outros meios, através da elaboração de uma genealogia, riquíssima em figuras poderosas, heróis e santos, o que possibilitava alianças matrimoniais que resultava em boas vantagens.
A concepção teológica da História foi alterada com certo significativo pelos humanistas no século XV. A parir de então, a narrativa histórica passou a analisar as ações humanas pela perspectiva racional. Nessa época, houve uma coleta de documentos antigos, os quais passavam por avaliações criteriosas de sua originalidade. Os cronistas humanistas buscaram contribuições de outras áreas do saber para atingir a veracidades de suas análises. A
Filologia, a Diplomática, a Cronologia, a Epigrafia, a Arqueologia, a Numismática, a Heráldica e a Sigilografia deram contribuições importantes para a formação de uma
narrativa histórica mais elaborada.
―Heródoto e Tucídedes elaboraram suas narrativas em um contexto em que os contos épicos e míticos estavam fortemente presentes no cotidiano, fazendo parte da educação e da formação moral dos cidadãos gregos e costumavam ser tratados como verdadeiros. Essas narrativas se distinguiam do texto histórico na medida em que não procuravam datar os eventos narrados nem mesmo se preocupavam com a comprovação de seu relato. Além disso, tradicionalmente, grande parte das narrativas épica e mítica era passada de geração para geração por meio do relato oral.
Heródoto e Tucídedes, por sua vez, buscaram estabelecer uma cronologia mais definida para os seus relatos. Naquela época não havia uma calendário unificado, como nós temos atualmente. Na Grécia, por exemplo, cada cidade tinha seu próprio calendário baseado nas festividades religiosas locais. Heródoto mesmo lidando com a imprecisão dos relatos sobre o passado grego, que até aquele período era tratado como algo atemporal, conseguiu elaborar uma sequência cronológica para o período que abrange aproximadamente desde a metade do século VII a.C. até a época em que viveu, século V a.C.‖
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Historicistas e positivistas
Entre os séculos XVIII e XIX, mesmo com todos os esforços dos historiadores em realizar a separação entre a História e a Filosofia, a os relatos históricos permaneceram priorizando as ações dos ―grandes homens‖ e dos ―heróis‖.
A História só atingiu o status de ciência no século XIX, o qual se costuma a ser denominado de o ―século da ciência‖, uma vez que a ciência passou a ter uma dimensão que possui atualmente. A grande admiração que a ciência nos provoca resulta do fato que ela é pautada numa pesquisa bem estruturada e visa demonstrar a verdade sobre o objeto estudado. Em relação ao conhecimento histórico, o historiador fundamenta seu trabalho numa cansativa pesquisa bibliográfica e documental, que usa as fontes históricas como meios de interpretar melhor os temas abordados.
Nessa perspectiva, no propósito de tornar a Histórica num saber científico, foi adotada a concepção de que a História constituía ―uma ciência do passado‖ e que registrava os fatos tais como eles aconteceram. A parir de então, os fatos que fossem restituídos por meios de fontes escritas ou documentos oficiais, organizados numa ordem cronológica e relatados de numa sequencia linear, detinha uma verdade inquestionável.
Os defensores dessa concepção historiográfica foram os intelectuais historicistas (conservadores) e positivistas. O conhecimento histórico elaborado por esses pensadores consistiam em relatar objetivamente o que estava contido nos documentos oficiais, sem a formulação de nenhum questionamento sobre as informações registradas nos escritos. Essa concepção historiográfica prevaleceu durante todo o século XIX e até metade do XX.
Atualmente, esse modo de pensar e escrever a História é conceituada como uma maneira tradicional de abordar a História, que teve como principais representantes o alemão
Leopold Von Ranke e filósofo francês Augusto Comte.
Ranke acreditava que utilizando os métodos das ciências naturais, o saber histórico atingiria cientificidade. Para ele, os documentos escritos possuíam a verdade dos fatos e para recuperá-los seria imprescindível ter rigor científico. Segundo Leopold, para que a História pudesse ser classificada como ciência, os historiadores deveriam utilizar apenas como fontes confiáveis, os documentos escritos, analisando sua veracidade e, em seguida, narrando o que estava contido neles. O historiador não poderia interpretar ou construir qualquer análise, pois fazendo isso, estaria emitindo avaliações imbuídas de paixões, crenças e passionalidades, o que comprometeria o caráter ―científico‖ da História. Diante disso, conclui-se que para os historicistas, os fatos históricos eram produzidos por causas e conseqüências, o conhecimento histórico era objetivo e imparcial. Só assim, a História poderia ser considerada com uma ―ciência‖.
O pensador Augusto Comte afirmava que a sociedade respeitava as leis naturais. Dessa forma, independen-temente dos atos individuais, tudo o que acontece em sociedade estava designada pelas leis semelhantes como ocorre com os fenômenos das ciências da natureza (leis da física, por exemplo). Segundo Comte, a sociedade deveria ser hierarquizada, onde essas leis naturais determinariam as funções dos grupos sociais. Portanto, essa segmentação social entre os que mandam e o que obedecem seriam concebidas naturalmente.
O pensador Augusto Comte afirmava que a sociedade respeitava as leis naturais. Segundo Comte, a sociedade deveria ser hierarquizada, onde essas leis naturais determinariam as funções dos grupos sociais.
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Mesmo sendo bastante criticado, o positivismo ainda influencia muitos historiadores. As principais críticas se concentram na objetividade e na imparcialidade do conhecimento histórico pretendidas pelos positivistas. Quanto a isso, os positivistas falharam contun-dentemente, porque defendiam que as únicas fontes confiáveis para a montagem da expe-riência histórica eram os documentos oficiais e escritos. Bem, se o historiador usa exclusi-vamente fontes escritas, ele está se posicionando claramente a favor das elites gover-nantes.
Marxismo e a construção do conhecimento histórico
Outra concepção historiográfica desenvolvida no século XIX foi o materialismo histórico, criada pelos pensadores Karl Marx e Friedrich Engels. O pensamento marxista inovou profundamente a construção do conhecimento histórico ao romper de maneira nítida com as concepções que prevaleciam até então. Esses autores defendiam que os temas sociais e econômicos deveriam ser abordados com mais ênfase pelos historiadores.
O marxismo afirmava que as condições materiais (forças produtivas) de existência dos homens são elementos condicionantes das formas de governo, as manifestações culturais, as ideologias, as religiões. É bom ressaltar que não podemos reduzir o materialismo histórico ao certo determinismo, pois não foi esse o propósito da concepção dessa historiografia. Sobre essa distinção, a historiadora brasileira, Vavy Pacheco comenta:
Ao estudar as sociedades, Marx e Engels criaram o conceito de Modo de Produção quer pode ser conceituado sinteticamente, como o meio pelo qual os homens se organizam para conseguir os bens materiais de que precisam para sobreviver. O modo de produção é estabelecido pelos meios de produção, as forças produtivas e as relações sociais de produção. As grandes mudanças ocorridas ao longo do processo histórico foram advindas das lutas de classes, que conduziriam a classe subordinada ao poder, resultando na alteração no modo de produção.
A Escola do Annales e a Nova História
No começo do século XX havia diversas concepções quanto a elaboração do conhecimento histórico. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) contribuiu decisivamente para uma alteração considerável na forma de escrever e pensar História à medida que o resultado desse conflito gerou muitas incertezas quanto às teorias científicas e paradigmas instituídos na época. A crença inabalável no progresso e na razão implicitamente inserida nas concepções historiográficas se dissipou. Os europeus começaram a duvidar de muitas coisas estabelecidas como certas. De certa maneira, essa atmosfera de incertezas, motivou os pensadores franceses Lucien Febvre e March Bloch para produzirem a grande renovação da historiografia do século XX, chamada de Escola do Annales. Quanto a importância dessa inovação nos estudos históricos, Ciro Flamarion Cardoso, Fez as seguintes observações:
―O marxismo, enquanto ciência da história, tomará como objeto as estruturas econômico-sociais, invisíveis, abstratas, gerais, mas ‗chão‘ concreto da luta de classes e das iniciativas individuais e coletivas. Para Marx, os indivíduos só podem ser explicados pelas relações sociais que mantêm, isto é, pela organização social a que pertencem e que os constitui como eles são.‖
REIS, José Carlos. A Historia, entre a filosofa e a ciência. São Paulo: Ática.p. 43.
―O materialismo histórico mostra que os homens, para sobreviverem, precisam transformar a natureza, o mundo em que vivem. Fazem-no não isoladamente, mas em conjunto, agindo em sociedade; estabelecem, para tal, relações que não dependem diretamente de sua vontade, mas dependem do mundo que precisa transformar e dos meio que vão utilizar para isso. Todas as outras relações que os homens estabelecem entre si dependem dessas relações para a produção da vida, não sob a forma de dependência mecânica, direta e determinante, mas sob forma de condicionamento.‖
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Os Annales são estudados em três fases. Na primeira (1929-1945), Marc Bloch e Lucien Febvre, professores da Universidade de Strasbourg, editaram e lançaram uma revista que trazia uma nova abordagem sobre a História. A partir de então, passa-se a combinar geo-grafia, história, sociologia e outras ciências com o intuito de produzir um pensamento histó-rico. Ambos foram influenciados pela obra do francês Henri Berr, que no final do século XIX, ao publicar Revista de Síntese, já pretendia criar centros de debates nos quais se questio-nassem as certezas defendidas pela História-Relato. Através da revista Annales, Bloch e Febvre divulgam problematizações e novas reflexões que passaram a chamar a atenção de diversos historiadores de diversos países.
A princípio, houve uma dedicação aos estudos econômicos, porém, posteriormente foi inseridas novas temáticas, aproximando a História das ciências sociais. Desse modo, a Psicologia, a Antropologia, a Sociologia, a Economia passaram a fornecer elementos relevantes para a composição da análise histórica.
Já na segunda fase (1945-1968), merece grande relevância o francês Fernand Braudel em sua famosa obra ―O Mediterrâneo‖. Esse historiador propõe uma nova noção de tempo histórico, dividido em pequena duração (os eventos), média duração (as conjunturas) e longa duração (as estruturas). Os três tempos históricos desenvolvidos por Braudel coexistem e espelham variadas características da vida dos homens em sociedade.
Quanto a noção de fonte histórica, a revista Annales também trouxe grandes alterações. Tradicionalmente, eram considerados como fontes legítimas apenas os documentos oficiais, porém, a partir dos Annales, passaram a questionar essa concepção, propondo que todo vestígio deixado pelo homem pode ser considerado como documento histórico. Sendo, assim, os Annales decretaram o fim do documento escrito como única fonte confiável, abrin-do os caminhos para a construção de um novo conhecimento histórico fundamentaabrin-do em fontes diversificadas. O historiador passa ter um amplo leque de fontes, como os filmes, as pinturas, os alimentos, as roupas, os hábitos, os costumes, as crenças, as tradições.
Na terceira fase (a partir de 1968), os principais expoentes são Georges Duby e Jacques Le Goff. O último publicou um artigo intitulado Nova História (Nouvelle Histoire), que causou amplo debate acadêmico. Os desdobramentos a partir disso originaram a chamada ―Nova História‖. Le Goff, herdeiro dos Annales, afirma que qualquer documento histórico tem múltiplas intenções:
Nas três fases pode-se observar o caráter inovador desses historiadores, pois há uma grande modificação na produção do saber histórico que deixou de ser uma mera reprodução documental, passando a uma ―História-problema‖, que cria possibilidades na interdisci-plinaridade, ou seja, dialoga com outras ciências sociais.
―A decisiva mudança de rumos ocorreu a partir de 1929, com a criação dos Annales, por Lucien Fvere e March Bloch um ponto de encontro e de debates entre historiadores e cientistas sociais, em geral. Graças a seu estímulo (...) começou a evolução que condu-ziu ao estado presente da historiografia francesa, cuja influência sobre muitos historia-dores latino-americanos sempre foi grande. Em uma primeira fase, foram os estudos econômicos da conjuntura que mais influenciaram os historiadores, estimulando o estudo dos preços e salários.‖
CARDOSO, Ciro F.; BRIGNOLLI, Héctor P. Os métodos da História. 2. Ed. Rio de Janeiro: Graal, 1983. p.23-24.
―O programa proposto pelos annales consistia fundamentalmente no seguinte: a interdis-ciplinaridade, a mudança dos objetos da pesquisa, que passava a ser as estruturas econômico-social-mental, a mudança na estrutura da explicação-compreensão em histó-ria, a mudança no conceito de fonte histórica e sobretudo, embasando todas as propôs-tas anteriores, a mudança do conceito de tempo histórico, que agora consiste, funda-mentalmente, na superação estrutural do evento.Este programa foi praticado de forma criativa e original pelas três gerações.‖
REIS, José Carlos. A História, entre a filosofa e a ciência. São Paulo: Ática.p. 43.
―(...) o documento é monumento. Resulta do esforço das sociedades históricas para impor ao futuro – voluntário ou involuntariamente – determinada imagem de si próprias. No limite, não existe um documento-verdade. (...) É preciso começar por desmontar, demolir esta montagem, desestruturar esta construção e analisar as condições de produção dos documentos-monumentos.‖
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TEXTO COMPLEMENTAR
TEXTO 01
Como uma onda do mar
Lulu Santos/Nelson Motta
Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia Tudo passa
Tudo sempre passará A vida vem em ondas Como um mar
Num indo e vindo infinito Tudo que se vê não é Igual ao que a gente Viu há um segundo
Disponível em: www.letras.terra.com.br. Acesso em 27 de dezembro de 2009.
Analisando o texto
1. Na letra da música pode-se perceber que o autor faz alusão ao tempo, o qual é marcado pela singularidade. Qual o trecho da música pode comprovar essa afirmação? Justifique.
2. Qual a sua opinião sobre a concepção de tempo proposta pela música?
TEXTO 02
“Passado e presente, uma relação permanente”
―(...) Todo ser humano tem consciência do passado em virtude de viver com pessoas mais velhas. Provavelmente todas as sociedades que interessam ao historiador tem um passado, pois mesmo as colônias mais inovadoras são povoadas por pessoas oriundas de alguma sociedade que já conta com uma longa história. O passado é ,portanto, uma dimensão permanente da consciência humana, um componente inevitável das instituições, valores e outros padrões da sociedade humana. O problema para os histo-riadores é analisar a natureza desse ‗sentido do passado‘ na sociedade e localizar suas mudanças e transformações.
Paradoxalmente, o passado continua a ser a ferramenta analítica mais útil para lidar com a mudança constante, mas em uma nova forma. Ele se converte na descoberta da história como um processo de mudança direcional, de desenvolvimento ou evolução. A mudança se torna, portanto, sua própria legitimação, mas com isso ela se ancora em um ‗sentido do passado‘ transformado.‖
HOBSBAWN, Eric. Sobre a história. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
Analisando o texto
1. Baseado nas idéias expostas pelo autor, elabore um texto sobre a relação entre o presente e o passado e qual sua importância de compreendê-lo.
2. De acordo com o texto, a relação entre os tempos históricos é dinâmica. Diante disso, qual o ‗sentido do passado‘ para a humanidade?
Tudo muda o tempo todo No mundo
Não adianta fugir Nem mentir
Pra si mesmo agora Há tanta vida lá fora Aqui dentro sempre Como uma onda no mar Como uma onda no mar Como uma onda no mar
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FAZENDO HISTÓRIA
1. Com seus conhecimentos sobre história, conceitue as palavras e expressões a seguir: a) documento histórico(cite exemplos)
b) fonte escrita e oral c) tempo histórico d) fato histórico
2. Escolha uma das correntes historiográficas (positivismo, marxismo, Escola dos Analles e Nova História) e cite um evento histórico, comentando-o de acordo com a concepção de história escolhida por você.
3. Tendo em vista os conceitos abordados no capítulo, como você definiria história?
4. Analise a letra da música ―Até quando?‖ de Gabriel o pensador e depois faça um comen-tário sobre a importância de se ter um olhar crítico em relação aos acontecimentos sociais, políticos e econômicos na sociedade, os quais são expostos de maneira criativa pelo o autor da música.
Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve Você pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu Num quer dizer que você tenha que sofrer
Até quando você vai ficar usando rédia Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédia Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo? Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando vai ser saco de pancada?
(...)
Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente E quando a gente manda ninguém manda na gente
A mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro Até quando você vai levando porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
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Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada? Até quando você vai levando?
Disponível em http://gabriel_o_pensador.hipermusicas.com/ate_quandozzizz/. Acesso em dezembro de 2007.
5. Um dos grandes dramaturgos e poetas do século XX, o alemão Bertolt Brecht (1898-1956), escreveu um poema que traz vários questionamentos sobre a elaboração do conhecimento histórico. Leia-o.
Perguntas de um Operário Letrado
Quem construiu Tebas, a das sete portas? Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras? Babilônia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos. O jovem Alexandre conquistou as Índias Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço? Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitória. Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem. Quem pagava as despesas?
Tantas histórias Quantas perguntas
BRECHT, Bertolt. Perguntas de um trabalhador que lê. Poemas Trad. Paulo Cesar Souza. São Paulo: Brasiliense, 1986. p.167.
Comente os principais questionamentos criados por Brecht, tendo como referência a concepção de que a ―História é uma construção coletiva‖.
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1. (UPE) ―É necessário que o ensino de história seja revalorizado e que os professores dessa disciplina conscientizem-se de sua responsabilidade social perante os alunos, preocupando-se em ajudá-los a compreender o mundo e – esperamos – a melhorar o
mundo em que vivem. Para isso, é bom não confundir informação com educação.‖ (PINSKY,
Jaime. & PINSKY, Carla B. ―Por uma História prazerosa e consequente‖. In: KARNAL, Leandro. (Org.) História na Sala de Aula: Conceitos, Práticas e Propostas. São Paulo: Contexto, 2008). (Adaptado)
Após a leitura do texto, pode-se conceber que o principal objetivo do conhecimento histórico consiste em:
a) perceber que o passado humano é uma agregação de ações separadas, e não, um conjunto de comportamentos intimamente interligados que tem razões eventuais. b) estabelecer compromisso com o presentismo comum, tentando encontrar, no
passado, justificativas para atitudes, valores e ideologias perpetuadas e praticadas no presente.
c) utilizar afirmações baseadas, apenas, em filiações ideológicas que são importantes por transmitir verdades e valores sociais.
d) promover atitudes vanguardistas que propiciam comportamentos de neutralidade diante das múltiplas propostas do conhecimento histórico.
e) compreender os processos e os sujeitos históricos, os desvendamentos das relações que se estabelecem entre os grupos humanos, em diferentes tempos e espaços.
2. (VUNESP) Empregado por Heródoto, o termo história (istorie) tinha o significado de
pesquisa. Com o tempo, tanto o objeto dos historiadores, quanto a ciência que dele se ocupa, a História, passaram a ser designados pelo mesmo nome, fato destacado por várias correntes historiográficas. Entre as respostas apresentadas, indique a que expressa o objeto da História.
a) O relato sistematicamente ordenado dos acontecimentos do passado mediante a reconstituição de processos temporais.
b) A reestruturação das relações de troca e de dominação política ocorrida no passado entre membros de uma determinada sociedade.
c) A interpretação de processos políticos que incidiram na organização nas diversas formas de estruturação do poder.
d) A recomposição das lutas sociais que levaram à edificação de nações e povos, desde a Antiguidade até os tempos atuais.
e) Um conjunto de narrativas sobre o passado de um ou de vários povos, recolhido através das representações legadas pelas gerações anteriores às suas herdeiras.
3. (ADIVISE) Observe o texto abaixo:
―Desde o começo, nas manifestações mais primárias e elementares, a História tem tido sempre uma função social – geralmente a de legitimar a ordem estabelecida –, ainda que tenha tendido a mascará-la, apresentado-se com a aparência de uma narração objetiva dos acontecimentos concretos.
(FONTANA, Josep. História: análise do passado e projeto social. Bauru: EDUSC, 1998,p . 15)
Tendo em perspectiva a hipótese acima apresentada, observe os enunciados abaixo: I. O tempo é uma dimensão central no trabalho do historiador.
II. A fragmentação do conhecimento histórico é algo inerente à disciplina desde os seus primórdios, na antiguidade clássica ocidental.
III. A história está condenada a ser a ideologia das classes dominantes, embora apresente um discurso crítico-filosófico.
Está(ão) correta(s): a) I, II e III.
b) I e II. c) I e III. d) II e III.
e) Apenas a I está correta.
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4. (UPE) A noção de tempo é, juntamente com a de espaço, de suma importância para o
trabalho do historiador. Não existe um conceito universal e uniforme de tempo e, dependendo da perspectiva teórica do historiador, o tempo é ressignificado. Sendo assim, é correto afirmar que:
a) a História não estabelece relações com o tempo presente, restringindo seu âmbito de atuação ao passado.
b) a História consiste em reflexões apenas dos tempos modernos.
c) a ideia teleológica da História estava presente no materialismo histórico do século XIX.
d) a Escola dos Annales rompe com a relação passado construção de projeções futuras acerca das sociedades por eles estudadas.
e) o conceito absoluto de tempo desenvolvido por Newton no século XVII foi restabelecido nas propostas epistemológicas adotadas pelos historiadores da chamada Nova História.
5. (UPE) ―Os maiores problemas para os novos historiadores são certamente aqueles das fontes e dos métodos. Quando os historiadores começaram a fazer novos tipos de perguntas sobre o passado, para resolver novos objetos de pesquisa, tiveram de buscar novos tipos de fontes, para suplementar os documentos oficiais. Alguns se voltaram para a história oral; outros à evidência das imagens; outros à estatística. Também se provou possível reler alguns tipos de registros oficiais de novas maneiras‖.
BURKE, Peter. ―Abertura: A nova história, seu passado e seu futuro‖. In: BURKE, Peter. (org.). A escrita da História: Novas perspectivas. São Paulo: Editora da Unesp, 1992. (Adaptado)
Após o advento da Escola dos Annales, o conceito de fontes históricas foi ampliado, seguindo a tendência dos novos objetos de estudo. O texto acima do historiador britânico Peter Burke chama atenção para essa realidade. Sobre a relação entre os historiadores e suas fontes, é correto afirmar que:
a) ainda prevalece, na produção historiográfica atual, uma visão rankeana das fontes, limitando estas ao material de natureza escrita e de caráter oficial.
b) apesar de serem vastamente utilizadas em pesquisas históricas, as fontes orais ainda não receberam o reconhecimento e a validade acadêmica e científica.
c) a chamada Nova História possibilitou a ampliação de temas, objetos, abordagens e problemas para os historiadores, o que acabou por provocar um alargamento da natureza/tipificação das fontes.
d) a despeito deste movimento de renovação, as fontes de natureza material ainda se restringem à análise dos arqueólogos, não ocupando a pauta das fontes utilizadas pelos historiadores.
e) as fontes oficiais, de caráter administrativo e político, foram abandonadas pelos historiadores da geração pós-annales, que passaram a priorizar pesquisas no âmbito da história cultural.
6. (FCC) (...) Os nomes dizem respeito, apesar de tudo, às realidades de uma influência forte demais para permitir um dia descrever uma sociedade sem que seja feito um largo emprego das palavras, devidamente explicadas e interpretadas.(...)Estimar que a nomenclatura dos documentos possa bastar completamente para fixar a nossa era seria o mesmo, em suma, que admitir que nos fornecem a análise toda pronta.A História,
nesse caso, não teria muito a fazer.(Marc Bloch. Apologia da História ou o Ofício de Historiador)
Para Marc Bloch, o historiador deve conduzir sua análise histórica com o auxílio:
a) da linguística que lhe possibilitará averiguar que as instituições essencialmente idênticas, nas sociedades fragmentadas, são designadas por termos semelhantes. b) de uma dupla linguagem, a da época estudada, o que lhe permite evitar o
anacronismo, mas também a do aparato verbal e conceitual da disciplina histórica atual.
c) de um vocabulário uniforme, estabelecido como fonte precisa, indiscutível e verdadeira, das condições sociais e políticas de uma época, objeto de seu estudo. d) da palavra escrita, que vale mais por sua etimologia do que pelo uso que se faz
dela, e que representa o testemunho material da sociedade a ser pesquisada. e) das ciências naturais, que criaram signos para designar vocábulos inventados, para
dar nomes aos atos, às crenças e aos diversos aspectos da vida humana em sociedade.
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7. (BIORIO) ―Constitui um documento toda fonte de informação de que o espírito do
historiador sabe extrair alguma coisa para o conhecimento do passado humano, considerado sob o ângulo da questão que lhe foi proposta. É perfeitamente óbvio que é impossível dizer onde começa e onde termina o documento; pouco a pouco, a noção se alarga e acaba por abranger textos, monumentos, observações de todo o gênero‖
(Marrou. Henri-Irénée. Sobre o conhecimento Histórico. Rio de Janeiro: Zahar Editores. 1978. p. 62).
Assinale a opção que melhor interpreta a concepção de documento presente na citação acima:
a) os documentos do Estado devem ser considerados pelos historiadores como fonte privilegiada para a construção do conhecimento.
b) o historiador deve considerar o documento como fonte de realidade objetiva.
c) o historiador deve manter uma relação ativa frente ao documento mediante a formulação de hipóteses.
d) a existência do documento é a única condição necessária para a elaboração do conhecimento histórico.
e) o documento é uma fonte confiável desde que ofereça ao historiador relatos do que realmente aconteceu.
8. (FUNCAB) A obra organizada por Peter Burke, A escrita da história:novas perspectivas ,
ressalta que ―a historiografia no século XX questionou o caráter e a limitação das fontes oficiais, a imputação de uma objetividade que lhe era creditada pelo fato de se constatar sua autenticidade‖.(...) ―Ao começarem a fazer novos questionamentos sobre o passado para escolher novos objetos de pesquisa, necessitam buscar outros tipos de fontes para suplementar os documentos oficiais‖. De acordo com o texto e com seus conhecimentos sobre o assunto, marque a opção que corresponde à perspectiva apresentada.
a) A Nova História chama atenção para a importância da história oral e reforça a impossibilidade de uma nova leitura dos documentos oficiais, que por sua vez mostram-se ineficientes sob esta perspectiva.
b) Os fatos históricos que não foram registrados em documentos, gravados ou escritos, não devem ser investigados, pois somente as fontes oficiais têm credibilidade histórica.
c) A cada problema histórico corresponde um tipo único de documentos, especializado para esse uso.
d) A utilização de imagens como fonte histórica é melhor aproveitada pelos estudiosos que investigam a história antiga.
e) O reconhecimento da subjetividade inerente à escrita da história e a valorização da vida cotidiana, ou da história ―vista de baixo‖, corroboraram para o aumento das possíveis fontes a serem investigadas pelo historiador.
9. (FCC) Segundo o historiador francês Jacques Le Goff, a
...matéria fundamental da história é o tempo; portanto, não é de hoje que a cronologia desempenha um papel essencial como fio condutor e ciência auxiliar da história. O instrumento principal da cronologia é o calendário, que vai muito além do âmbito do histórico, sendo mais que nada o quadro temporal do funcionamento da sociedade. O calendário revela o esforço realizado pelas sociedades humanas para domesticar o tempo natural (...). Porém, suas articulações mais eficazes (...) estão ligadas à cultura e não à natureza. (Le Goff, Jacques. História e Memória. Trad. 3.Ed. Campinas: Ed. da UNICAMP, 1994, pp.12-13)
De acordo com esse autor, é correto afirmar que
a) o calendário e as cronologias, por estarem vinculados à ideologia dominante, representam uma falsa ideia do passado, e não devem ser levados em conta pelos historiadores, que buscam desvincular seus conhecimentos das contagens artificiais do tempo.
b) o calendário e as cronologias tornaram-se, também, objetos de estudo e análise por parte dos historiadores, já que expressam as vinculações míticas, religiosas, tecnológicas, políticas, econômicas, sociais e mesmo ideológicas a partir do estudo do passado.
c) o historiador, que possui o compromisso com a verdade do passado, deve assumir a tarefa de elaborar os calendários e cronologias utilizados em sua sociedade, já que os riscos de manipulação dos fatos por outras pessoas é muito grande.
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d) os historiadores deixaram de se preocupar com calendários e cronologias desde o surgimento da Escola dos Annales francesa, à qual pertence Jacques Le Goff, passando a valorizar as diversas abordagens dos fatos e processos do passado. e) a constatação de que cada cultura possui seu próprio sistema de contagem de tempo
levou os historiadores a adotarem um padrão mundial único de calendário e cronologia, atualmente seguido por todas as sociedades e culturas.
10. (FCC) A Escola Metódica se constitui de um conjunto de historiadores fortemente marcados pela derrota na guerra franco-prussiana de 1870 e pela pesquisa histórica alemã, fatores que muito influenciaram o pensamento histórico na França no contexto da III República (1870-1940). A derrota do exército francês marca, além de um trauma na história do país, uma ruptura na historiografia do período, conferindo à nação não só a necessidade de uma segunda origem, que suplantasse o fracasso militar, mas também a de novas formas de representar a história nacional, fundando ou refundando identidades. A influência do pensamento histórico alemão está no fato de muitos dos principais historiadores franceses do período terem realizado seus estudos na Alemanha.
(Pedro P. A. Funari; Glaydson José da Silva. Teoria da História. São Paulo: Brasiliense, 2008, p.34)
O conhecimento histórico e o texto permitem afirmar que os metódicos:
a) levantaram documentos oficiais para provar que os acontecimentos se realizam nas esferas coletivas da sociedade.
b) romperam com os textos e com os fatos, relacionando o exercício do historiador ao domínio de novas técnicas de pesquisa.
c) desenvolveram uma historiografia voltada para a história nacional, cuja preocupação maior é o ideal de identidade da nação.
d) criticaram seus predecessores pela ausência da imparcialidade na leitura das interpretações escritas que investigaram.
e) defenderam a premissa de que a História tem na revolução sua força motriz e nas bases materiais o seu principal fundamento.
11. (UPE) Sobre o processo histórico, considere as seguintes proposições:
I. O ponto de partida para se entenderem os processos históricos é os registros ou evidências de lutas dos agentes históricos.
II. O processo histórico constitui-se de práticas ordenadas e estruturadas de maneira racional.
III. A história, concebida como processo, busca aprimorar o exercício da problematização da vida social como ponto de partida para investigação produtiva e criativa.
IV. As contextualizações anacrônicas são imprescindíveis para a compreensão das explicações que compõem o processo histórico.
Estão corretas: a) somente I, II e III. b) somente I, II e IV. c) somente I, III e IV. d) somente III e IV. e) I, II, III e IV.
12. (FCC) (...) essa corrente historiográfica defendia que toda a História era uma história dos homens no tempo e, com ela, a organização da pesquisa histórica passou a ser definida mais pelos seus objetos do que pela cronologia dos fatos políticos e institucionais. (In. Leandro Karnal (org). História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas.)
Considerando as diversas tendências historiográficas do século XX, o texto identifica a: a) História do Tempo Presente.
b) História da Vida Privada. c) História Metódica. d) Escola Positivista. e) Escola dos Annales.
13. (UPE) ―Existe o presente das coisas passadas, o presente das coisas presentes, o presente das coisas futuras‖ (Santo Agostinho)
Sobre tempo e história, não é correto afirmar que:
a) a compreensão do tempo histórico deve sempre estar atrelada a sua linearidade, para simplificar e enriquecer a análise.
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b) uma das tarefas do historiador, sujeita a polêmicas e contrapontos, é a de estabelecer as relações temporais entre as experiências humanas.
c) para organizar sua vida cultural e suas relações sociais, o ser humano precisa estar ligado a uma ideia de duração temporal.
d) o tempo do calendário – os dias, os meses, os anos – é o tempo objetivo, com a mesma validade para todas as sociedades.
e) a periodização, ao traçar fronteiras entre as épocas, talvez dê ao homem a grande ilusão de que é o senhor da sua história e de que o tempo é mais uma das suas invenções incríveis.
14. (FCC) O passado é, por definição, um dado que nada mais modificará. Mas o conhecimento do passado é uma coisa em progresso, que incessantemente se
transforma e aperfeiçoa.
(Marc Bloch. Apologia da História ou o Ofício de Historiador. Trad. Rio de Janeiro: Zahar, 2002, p.75)
Assinale a alternativa que expressa a visão do autor sobre o passado.
a) O passado pode ser modificado através da escolha de documentos estudados. b) A História define o passado como um dado rígido, que não se altera ou modifica. c) Os temas do presente condicionam e delimitam o retorno, possível, ao passado. d) O passado é o objeto da ciência e a História é a ciência do passado remoto. e) A História é a ciência que se apoia em fatos, grandes nomes e heróis.
15. (AOCP) O conhecimento histórico possui como característica básica, a sua própria
historicidade. Sobre o significado da afirmativa acima, assinale a alternativa incorreta. a) Há um olhar crítico para a História produzida, uma constante retificação das versões
produzidas por historiadores de tempos em tempos.
b) A historiografia é compreendida como o conjunto de estudos históricos; o conjunto das variadas formas de escrever e pensar a História.
c) A historiografia muda de tempos em tempos, dificultando a ampliação do conhecimento teórico da disciplina.
d) O olhar crítico para a produção do conhecimento histórico ao longo do tempo permite entender as transformações ocorridas na historiografia.
e) Historiadores e filósofos, desde a Antiguidade, esforçaram-se em encontrar meios de definir o que é e como se processa o conhecimento histórico.
16. (UPE) O conhecimento historiográfico é essencial na formação de um historiador,
pois possibilita a construção de uma percepção acerca do fazer historiográfico e histórico. Sobre determinadas vertentes da Historiografia, analise as informações abaixo:
I. Com caráter humanista e defesa da História enquanto preservação da memória, tem em Tucídides um dos seus representantes.
II. Surgida no século XIX, prega uma História linear e factual. III. Defende a Luta de Classes como agente modificador da História.
As sentenças acima fazem referência, respectivamente, às correntes historiográficas: a) Cortesã, Historicista e Marxista.
b) Cristã, Positivista e Historicista. c) Clássica, Positivista e Marxista. d) Romântica, Iluminista e dos Annales. e) Clássica, Cristã e Positivista.
17. (CEPERJ) Embora tenham algumas divergências quanto a questões metodológicas e
epistemológicas relacionadas com suas respectivas interpretações dos fenômenos históricos, tanto Marx quanto Febvre e Bloch acreditam que não se pode compreender o passado fechando-se no seu próprio tempo. Eles ressaltam o compromisso do historiador com seu próprio tempo, em contraposição à visão do pesquisador que procura o passado pelo passado em si. A comparação acima aproxima duas importantes vertentes da historiografia contemporânea, que são:
a) Materialismo Histórico e Positivismo.
b) História Demográfica e História Econômica. c) História Econômica e Positivismo.
d) Materialismo Histórico e Escola dos Annales. e) Positivismo e Escola dos Annales.
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Cinema
A Vida é Bela (Itália, 1997. 116 min.). Direção de Roberto Benigni.
Na Itália dos anos 40, Guido levado para um campo de concentração nazista e tem que usar sua imaginação para fazer seu pequeno filho acreditar que estão participando de uma grande brincadeira, com o intuito de protegê-lo do terror e da violência que os cercam. Uma excelente obra, que através da relação entre pai e filho mostra os pavores da Segunda Guerra Mundial.
Nós que aqui estamos por vós esperamos
Direção de Marcelo Masagão. (Brasil, 1999. 73 min). Filme de memória sobre o século XX, a partir de recortes biográficos reais e ficcionais de personagens que viveram no século passado.
Livros
Apologia da História ou o ofício do historiador. Marc Bloch. Rio de Janeiro: Jorge
Zahar, 2002.
Memória e sociedade: lembrança de velhos. Ecléa Bosi. São Paulo: Companhia das
Letras, 1998.
História e Memória. Jacques Le Goff. Trad. Suzana Ferreira Borges, Bernardo Leitão e
Irene Ferreira. 5 ed. Campinas: ed. Da Unicamp, 2003.
Música
Tudo passa. Composição de Túlio Dek.
A música faz uma abordagem bastante significativa sobre as efemeridades das ações humanas e sua fugacidade. Além disso, há uma alusão as mudanças tão presentes na história de cada um de nós.
Revistas
Aventuras na História. São Paulo: Editora Abril.
Em linguagem com caráter jornalístico, a revista traz, mensalmente, artigos e temas variados do conteúdo histórico
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Os primeiros passos da humanidade
A “Pré-história”: problemas conceituais
Para entender melhor as mudanças ocorridas com o ser humano e as sociedades no decorrer do tempo, costuma-se fragmentar a História em partes ou períodos, elegendo-se alguns acontecimentos como referências de cada um desses períodos. Vale salientar que os critérios para delimitar esses períodos podem ser políticos, sociais, econômicos ou culturais. É a partir dessa divisão do objeto do estudo que começa a atividade do historiador.
Tradicionalmente, a História é dividida em dois grandes períodos: Pré-História e História propriamente dita. O critério para essa divisão baseia-se no fato de os povos terem domínio ou não da escrita. Dessa forma, a Pré-História compreende entre o surgimento do homem até as primeiras manifestações da escrita, por volta de 3500 a.C. Já a História engloba os seguintes períodos: Antigo, Medieval, Moderno e Contemporâneo.
Vale ressaltar que os termos ―Pré-História‖ consistem numa convenção e só o usamos nesta obra porque essa denominação sobre a qual ela se assenta é um elemento puramente didático, sendo assim, facilitador dos estudos históricos.
Essa divisão adota uma postura preconceituosa. As sociedades ―pré-históricas‖ ou primitivas são geralmente definidas de maneira igualmente negativa, a partir do critério da falta: sociedade sem Estado, sem escrita, sem história, sem tecnologia. Numa visão marxista, pode-se afirmar que a economia desse período baseava-se numa economia de subsistência, sem produção de excedentes, ou seja, sem comércio. Portanto, trata-se de visão tendenciosa e anacrônica.
O papel do trabalho na evolução humana
Nossos parentes mais antigos são denominados de antropóides. Eles habitavam em cavernas e tinham grandes semelhanças com os primatas, inclusive seu jeito de caminhar. Seu fóssil foi encontrado na África. Achados arqueológicos estimam que os primeiros hominídeos viveram há aproximadamente 3,5 milhões de anos. No decorrer dos tempos, o