DIREITO
ESTÁCIO-CERS
A TEORIA DA SEPARAÇÃO DOS PODERES
PODER LEGISLATIVO
1. A teoria da tripartição dos poderes
2. A tripartição dos poderes e seus desafios
3. O Poder Legislativo
a) estruturação
b) modo de eleição de seus membros
c) o estatuto dos congressistas:
i) vedações e imunidades
ii) a perda do cargo
Constituição Federal
Art. 2º. São poderes da União,
independentes e harmônicos entre si,
o Legislativo, o Executivo e o
Constituição Federal
Art. 2º. São poderes da União,
independentes e harmônicos entre si,
o Legislativo, o Executivo e o
Declaração dos direitos do homem e do cidadão.
França, 1789:
“Art. 16. Não tem constituição a
sociedade na qual não se assegura a
garantia dos direitos, nem se determina
a separação dos poderes”
Constituição Federal
Art. 60 -
§
4º - Não será objeto de
deliberação a proposta de emenda
tendente a abolir:
(…)
Doutrina de Montesquieu:
diferentes funções confiadas a
órgãos diferentes e autônomos.
Funções típicas e atípicas
Todos os poderes exercem todas as funções,
embora algumas sejam predominantes e
Funções típicas:
Do Judiciário:
julgar controvérsias com produção
de coisa julgada material
Do Executivo:
administrar a coisa pública;
Funções atípicas
Judiciário
: administrar seus funcionários; legislar (na
elaboração de regimentos internos dos tribunais, na
decisão de ações de constitucionalidade e súmulas
vinculantes.
Legislativo
: administrar seus funcionários, julgar o
Presidente
da
República
nos
crimes
de
responsabilidade
Freios e contrapesos
(checks and balances)
Mesmo as funções típicas não são
exercidas isoladamente, exigindo a
O Presidente da República pode vetar projetos de lei e tem
iniciativa reservada em alguns assuntos.
O Judiciário julga as controvérsias, mas com base na lei. Seus
órgãos de cúpula são nomeados pelo Executivo.
O Executivo administra o país, mas está submetido à lei.
As leis podem ser invalidadas pelo Poder Judiciário
.Ministério Público
.Tribunal de Contas
.Conselhos de Controle Externo da Magistratura e
do MP
. Função do STF como Tribunal Constitucional
. Parlamentarismo
Legislar é mesmo atípico para o Poder Executivo?
E as medidas provisórias?
E a iniciativa reservada de lei do Presidente da República?
E os decretos autônomos?
E os decretos regulamentares?
E as agências reguladoras?
FUNÇÕES TÍPICAS
Legislar
e Fiscalizar
Parlamento bicameral de tipo igualitário
federativo, no âmbito federal.
Parlamento unicameral, nos Estados, DF e
Municípios
Câmara dos Deputados
Representação da população dos Estados
Deputados eleitos pelo sistema proporcional, de
acordo com a população dos Estados.
Nenhum Estado pode ter menos do que 8 ou mais
do que 70 deputados.
Senado Federal
Representação dos Estados e do DF
3 Senadores para cada, independentemente da
população
Eleitos com 2 suplentes
Mandato de 8 anos
Eleição Majoritária
Renovação a cada 4 anos de 1/3 e 2/3 dos
Senadores
LEGISLATURA
Período de quatro anos correspondente ao
mandato de um deputado federal
SESSÃO LEGISLATIVA
De 2 de fevereiro a 15 de julho
MAIORIAS
Simples
Absoluta
Qualificada
Comissões
Permanentes e Temporárias
Da Câmara, do Senado ou Mistas
Comissões
Devem respeitar a proporcionalidade dos
Partidos e blocos políticos
Podem votar projetos de lei, nos termos do
regimento, ressalvado recurso par o
plenário
Principais atribuições do Congresso
a) Legislar nas matérias de competência da
União Federal;
b) Resolver sobre tratados internacionais;
c) Aprovar o Estado de Defesa e a
Intervenção Federal e autorizar o Estado
de Sítio
Principais atribuições do Congresso
d) Autorizar o Presidente a declarar guerra e
celebrar a paz;
e) Julgar anualmente as contas do
Presidente;
Principais atribuições da Câmara
a) Autorizar o processo por crime comum
ou de responsabilidade contra o
Presidente da Republica;
b) Tomar as contas do Presidente da
República
Principais atribuições do Senado Federal
a) Julgar o Presidente da Republica nos
crimes de responsabilidade;
b) Julgar Ministros do STF, CNJ, CNMP, PGR
e AGU nos crimes de responsabilidade;
Principais atribuições do Senado Federal
d) Aprovar previamente, por voto secreto e
após arguição pública:
. Ministros do STF
. Ministros do TCU
. PGR
Principais atribuições do Senado Federal
d) Aprovar previamente, por voto secreto e
após arguição pública:
. Chefes de missão diplomática de caráter
permanente
Principais atribuições do Senado Federal
e) Fixar limites globais para o
endividamento da União, Estados, DF e
Municípios;
f) Suspender a execução de norma
IMUNIDADES
PARLAMENTARES
Art. 53. Os Deputados e Senadores são
invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de
suas opiniões, palavras e votos.
PARLAMENTAR – IMUNIDADE. A imunidade parlamentar,
ante ideias veiculadas fora da tribuna da Casa
Legislativa, pressupõe nexo de causalidade com o
exercício do mandato
STF
Inq 3855 / MA - MARANHÃO Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO
1. A inviolabilidade dos Deputados Federais e Senadores,
por opiniões palavras e votos, prevista no art. 53 da
Constituição da Republica, é inaplicável a crimes contra
a honra cometidos em situação que não guarda liame
com o exercício do mandato.
STF
Inq 3438 / SP - SÃO PAULO Relator(a): Min. ROSA WEBER
1. O reconhecimento da inviolabilidade dos Deputados e Senadores
por opiniões, palavras e votos, segundo a jurisprudência deste
Supremo Tribunal Federal, exige vínculo causal entre as supostas
ofensas e o exercício da atividade parlamentar. 2. Tratando-se de
ofensas irrogadas no recinto do Parlamento, a imunidade material do
art. 53, caput, da Constituição da República é absoluta. Despiciendo,
nesse caso, perquirir sobre a pertinência entre o teor das afirmações
supostamente contumeliosas e o exercício do mandato parlamentar.
STF
Inq 3814 / DF - DISTRITO FEDERAL Relator(a): Min. ROSA WEBER
2. Configurada, no caso, hipótese de manifestação protegida por
imunidade material, há ausência de tipicidade da conduta, o que leva
à improcedência da acusação, a teor do art. 6º da Lei 8.038/1990.
STF
Inq 3677 / RJ - RIO DE JANEIRO Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA
Relator(a) p/ Acórdão: Min. TEORI ZAVASCKI Julgamento: 27/03/2014
A cláusula de inviolabilidade constitucional, que impede a responsabilização penal e/ou civil do membro do Congresso Nacional, por suas palavras, opiniões e votos,
também abrange, sob seu manto protetor, (1) as entrevistas jornalísticas, (2) a transmissão, para a imprensa, do conteúdo de pronunciamentos ou de relatórios
produzidos nas Casas Legislativas e (3) as declarações feitas aos meios de comunicação social, eis que tais manifestações – desde que vinculadas ao desempenho do mandato – qualificam-se como natural projeção do exercício das
atividades parlamentares
Inq 2874 AgR / DF - DISTRITO FEDERAL AG.REG. NO INQUÉRITO
Relator(a): Min. CELSO DE MELLO Julgamento: 20/06/2012
1. Vereador que, em sessão da Câmara, teria se manifestado de forma a ofender ex-vereador, afirmando que este “apoiou a corrupção [...], a ladroeira, [...] a
sem-vergonhice”, sendo pessoa sem dignidade e sem moral. 2. Observância, no caso, dos limites previstos no art. 29, VIII, da Constituição: manifestação proferida no exercício
do mandato e na circunscrição do Município. 3. A interpretação da locução “no exercício do mandato” deve prestigiar as diferentes vertentes da atuação parlamentar,
dentre as quais se destaca a fiscalização dos outros Poderes e o debate político. 4. Embora indesejáveis, as ofensas pessoais proferidas no âmbito da discussão política,
respeitados os limites trazidos pela própria Constituição, não são passíveis de reprimenda judicial. Imunidade que se caracteriza como proteção adicional à
liberdade de expressão, visando a assegurar a fluência do debate público e, em última análise, a própria democracia.(…)
“1. O Estado-membro não tem competência para estabelecer
regras de imunidade formal e material aplicáveis a Vereadores.
A Constituição Federal reserva à União legislar sobre Direito
Penal e Processual Penal. 2. As garantias que integram o
universo dos membros do Congresso Nacional (CF, artigo 53,
§§ 1º, 2º, 5º e 7º), não se comunicam aos componentes do
Poder Legislativo dos Municípios. Precedentes.
§ 1º Os Deputados e Senadores, desde a
expedição do diploma, serão submetidos a
julgamento perante o Supremo Tribunal Federal.
“1. Revela-se patente, no caso, a usurpação das competências
constitucionais da Corte (art. 102, inciso I, alínea b, da Constituição
Federal), uma vez que foram instaurados, de ofício, dois inquéritos
policiais… nos quais figurava como indiciado o reclamante detentor
de foro especial por prerrogativa de função, uma vez que investido, à
época da instauração dos procedimentos policiais, em mandato de
deputado federal. 2. É da jurisprudência da Corte o entendimento de
que a polícia judiciária não está autorizada a instaurar, de ofício,
inquérito policial para apurar a conduta de parlamentares federais
(PET nº 3.825/MT-QO, Tribunal Pleno, Relator para acórdão o Ministro
1. Dada a incidência do princípio tempus regit actum, são válidos
todos os atos processuais praticados na origem, antes da
diplomação do parlamentar, devendo o feito prosseguir perante essa
Corte na fase em que se encontrava...”
Inq 2648 / SP - SÃO PAULO
Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA
§ 2º Desde a expedição do diploma, os
membros do Congresso Nacional não poderão
ser presos, salvo em flagrante de crime
inafiançável. Nesse caso, os autos serão
remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa
respectiva, para que, pelo voto da maioria de
§ 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou
Deputado, por crime ocorrido após a
diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará
ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de
partido político nela representado e pelo voto da
maioria de seus membros, poderá, até a decisão
final, sustar o andamento da ação
§ 4º O pedido de sustação será apreciado pela
Casa respectiva no prazo improrrogável de
quarenta e cinco dias do seu recebimento pela
§ 5º A sustação do processo suspende a
§ 6º Os Deputados e Senadores não serão
obrigados a testemunhar sobre informações
recebidas ou prestadas em razão do exercício do
mandato, nem sobre as pessoas que lhes
confiaram ou deles receberam informações
§ 7º A incorporação às Forças Armadas de
Deputados e Senadores, embora militares e
ainda que em tempo de guerra, dependerá de
§ 8º As imunidades de Deputados ou Senadores
subsistirão durante o estado de sítio, só
podendo ser suspensas mediante o voto de dois
terços dos membros da Casa respectiva, nos
casos de atos praticados fora do recinto do
Congresso Nacional, que sejam incompatíveis
VEDAÇÕES
AOS
Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão:
I - desde a expedição do diploma:
a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de
direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de
economia mista ou empresa concessionária de serviço
público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas
Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão:
I - desde a expedição do diploma:
b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego
remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis "ad
nutum", nas entidades constantes da alínea anterior;
Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão:
II - desde a posse:
a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze
de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito
público, ou nela exercer função remunerada;
b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad nutum",
nas entidades referidas no inciso I, "a";
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades
a que se refere o inciso I, "a";
De
Empresa que
Goze de favor
Decorrente de
Contrato com o
Poder Público.
Proprietário
Controlador
Diretor
Desde a posse, deputado
ou senador não pode ser
De
Entidade
ou empresa
mencionada no
Inciso I “a”
Ocupar cargo ou função demissível ad nutum
Patrocinar interesse
Desde a posse, deputado
ou senador não pode
Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:
I - que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior;
II - cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;
III - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das
sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por
esta autorizada;
IV - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;
V - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta
Constituição;
§ 1º - É incompatível com o decoro parlamentar,
além dos casos definidos no regimento interno, o
abuso das prerrogativas asseguradas a membro do
Congresso Nacional ou a percepção de vantagens
indevidas.
§ 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do
mandato será decidida pela Câmara dos Deputados
ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta,
mediante provocação da respectiva Mesa ou de
partido político representado no Congresso
§ 3º - Nos casos previstos nos incisos III a V, a
perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva,
de ofício ou mediante provocação de qualquer de
seus membros, ou de partido político representado
PERDA DO MANDATO
I – desrespeito às limitações
II – falta de decoro
VI – condenação criminal
Decisão
pela maioria
da Câmara
ou do Senado
PERDA DO MANDATO
III– não comparecimento
IV – perda ou suspensão
dos direitos políticos
V – decisão da Justiça
Eleitoral
Declaração
da
“...a atual Constituição estabeleceu os casos de perda ou suspensão dos direitos políticos em norma de eficácia plena (art. 15, III). Em consequência, o condenado
criminalmente, por decisão transitada em julgado, tem seus direitos políticos suspensos pelo tempo que durarem os efeitos da condenação. 3. A previsão contida
no artigo 92, I e II, do Código Penal, é reflexo direto do disposto no art. 15, III, da Constituição Federal. Assim, uma vez condenado criminalmente um réu detentor de mandato eletivo, caberá ao Poder Judiciário decidir, em definitivo, sobre a perda do
mandato. Não cabe ao Poder Legislativo deliberar sobre aspectos de decisão condenatória criminal, emanada do Poder Judiciário, proferida em detrimento de membro do Congresso Nacional. A Constituição não submete a decisão do Poder
Judiciário à complementação por ato de qualquer outro órgão ou Poder da República.”
STF, AP 470-MG
Rel. Min. Joaquim Barbosa j. 17.12.2012
Não há sentença jurisdicional cuja legitimidade ou eficácia esteja condicionada à aprovação pelos órgãos do Poder Político. A sentença condenatória não é a revelação
do parecer de umas das projeções do poder estatal, mas a manifestação integral e completa da instância constitucionalmente competente para sancionar, em caráter definitivo, as ações típicas, antijurídicas e culpáveis. Entendimento que se extrai do
artigo 15, III, combinado com o artigo 55, IV, §3º, ambos da Constituição da República. Afastada a incidência do §2º do art. 55 da Lei Maior, quando a perda do
mandato parlamentar for decretada pelo Poder Judiciário, como um dos efeitos da condenação criminal transitada em julgado. Ao Poder Legislativo cabe, apenas, dar
fiel execução à decisão da Justiça e declarar a perda do mandato, na forma preconizada na decisão jurisdicional.”
STF, AP 470
4. Repugna à nossa Constituição o exercício do mandato parlamentar quando recaia, sobre o seu titular, a reprovação penal definitiva do Estado, suspendendo-lhe o exercício de direitos políticos e decretando-lhe a perda do mandato eletivo. A perda
dos direitos políticos é “consequência da existência da coisa julgada”.
Consequentemente, não cabe ao Poder Legislativo “outra conduta senão a declaração da extinção do mandato” (RE 225.019, Rel. Min. Nelson Jobim).
STF, AP 470-MG
Rel. Min. Joaquim Barbosa j. 17.12.2012