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Uma conversa sobre probabilidade

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Academic year: 2021

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Uma conversa sobre probabilidade

>> [LOCUTORA]: Estatística é a ciência que se dedica a coletar, analisar e interpretar dados. Uma das áreas fundamentais dentro da estatística é a probabilidade. Seu estudo é voltado para entender quais as chances de determinado evento ocorrer num

experimento aleatório.

>> [LOCUTORA]: Um dos exemplos mais básicos para se pensar em probabilidade é analisando a chance de cair cara ou coroa num lançamento de uma moeda. Podemos ainda pensar em jogos de azar que envolvem cartas, lançamentos de dados etc. No entanto, o uso da probabilidade vai muito além disso. Em experimentos aleatórios, feitos nas mais diversas áreas científicas, você precisará entender se o que ocorreu foi um simples fruto do acaso ou se foi realmente resultado de alguma intervenção. Por isso, apesar da comum associação de probabilidade com jogos, é importante notar que seu uso vai muito além.

>> [LOCUTORA]: Para entendermos um pouco mais sobre probabilidade e as suas diferentes aplicações em nossa vida, convidamos o estatístico André Yukio para conversar um pouco sobre esta ciência tão presente nas mais diversas áreas do conhecimento humano.

[♪ vinheta ♪]

<música de fundo>

>> [LOCUTOR]: Bom dia, André. Afinal de contas, o que é a estatística?

<música de fundo>

>> [ANDRÉ YUKIO AB MOTA]: Bom, estatística é a ciência que se dedica à forma de coletar, analisar e interpretar os dados. A forma como você coleta os dados, por exemplo, numa entrevista ou quando você vai fazer uma pesquisa eleitoral, isso daí importa. A forma de você analisar esses dados e interpretar o que eles estão dizendo também. Isso é estatística. E dentro da estatística, uma das áreas principais é a probabilidade.

>> [ANDRÉ YUKIO AB MOTA]: Que que é a probabilidade, que também está

relacionada com analisar os dados? O estudo da probabilidade é voltado para entender quais as chances de um evento ocorrer em um experimento aleatório. Um exemplo é qual que é chance de cair cara ou coroa quando você joga uma moeda para cima? Ou, então, qual que é a chance de cair determinado número em uma roleta? Isso tudo é probabilidade. Esses são os exemplos mais simples, mais comuns também que estão dentro de probabilidade.

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<música de fundo>

>> [ANDRÉ YUKIO AB MOTA]: Experimento aleatório são os fenômenos que a gente repete inúmeras vezes, de uma forma semelhante, e eles têm resultados imprevisíveis. São os experimentos que a gente faz várias vezes e os resultados são imprevisíveis. O que acontece? A gente tem resultados conhecidos, só que eles têm um valor

desconhecido. Aí a gente não sabe qual o resultado que vai acontecer. Por exemplo, se eu jogo uma moeda para cima, ela pode cair cara, pode cair coroa, mas eu não sei qual que vai ser a próxima face que vai cair. E ele pode ser repetido várias vezes em

condições idênticas. É a mesma coisa, vamos pensar, para um mundo assim mais, mais científico mesmo. Quando a gente faz um experimento aleatório de um

medicamento, o que que a gente vai fazer? A gente tem os resultados conhecidos lá, que podem ser assim: o medicamento funciona; o medicamento não funciona. E aí a gente pode repetir várias vezes sob as mesmas condições, ou condições muito parecidas, e obviamente, como vocês sabem, a partir dos resultados que a gente obtiver desses experimentos a gente consegue determinar se o medicamento, se a droga é eficiente ou não é. Então você vê como o experimento aleatório é o que está presente na nossa vida todo o tempo? Diversas situações são experimentos aleatórios.

>> [LOCUTOR]: E a gente usa probabilidade para quê?

<música de fundo>

>> [ANDRÉ YUKIO AB MOTA]: Vamos pegar o exemplo que a gente usou agora há pouco. A gente joga uma moeda para cima. A gente sabe que pode cair cara ou pode cair coroa. Como que a gente vai usar a probabilidade aí? Como que você usa a probabilidade por exemplo? Quando você olha para o experimento, aí você fala “é bem possível que caia cara, só que é bem possível que caia coroa também”. As chances são iguais. Agora imagina que você joga várias vezes a mesma moeda e cai cara. Opa, você já ia pensar “olha, essa moeda tem alguma coisa, eu joguei cinquenta vezes e cinquenta vezes caiu cara”. Isso é muito improvável. Esse é o uso da estatística, olha que simples. Só que agora pensa nisso quando você vai aplicar um remédio. De novo voltando para o experimento do remédio. Você deu o remédio ali para cinquenta pessoas, trinta delas se curaram e vinte não se curaram. Então o remédio é eficiente? Uma pessoa pode falar “ah, é sim, se mais da metade curou…”; outra pode falar “não, mas isso daí não é suficiente para a gente afirmar que ele realmente funciona. E a estatística vai te dar isso. Ela vai dizer, a probabilidade vai dizer “olha, é muito

improvável que o remédio não funcionando trinta pessoas se curem”. Ou ela vai dizer “pode acontecer de trinta pessoas se curarem e o remédio não ser eficiente”. E a chance de isso acontecer não é baixa não. Então a gente já ia ter uma cautela. E é isso que a probabilidade vai te dar. Ela vai poder te responder as perguntas: “Olha, isso daqui aconteceu, será que foi por acaso ou não? Realmente aconteceu por que essa coisa A causou essa coisa B?” Sabe, este remédio fez isso se curar. Essa medida aqui de política fez a educação melhorar, por exemplo. E é isso que a probabilidade vai te dar. Olha que incrível como vai muito além do lançamento de moedas, de dados ou jogos de azar.

>> [LOCUTOR]: Que tipos de eventos ou fenômenos naturais é possível prever por meio da estatística?

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<música de fundo>

>> [ANDRÉ YUKIO AB MOTA]: Basicamente tudo. Tudo que a gente tem hoje, que a gente tem na natureza a gente tenta modelar com estatística. Qualquer fenômeno da natureza pode ser modelado com estatística. Se você analisar assim a grade curricular de um monte de disciplina que estuda o meio ambiente, que estuda os fenômenos que ocorrem na natureza, você vai ver que eles têm estatística. Por quê? Porque ele vai ter que olhar o histórico, vai ter que ver se aquilo é provável ou improvável, vai ter que analisar tudo que está envolvido. “Olha, ali está chovendo mais do que o normal. Mas o que que mudou naquele meio ambiente? O que que está influenciando? Qual que é a probabilidade de ter aumentado a chuva sem que tivesse alguma mudança? Qual que é a probabilidade de aumentar quando se tem tal mudança. Olha, a gente olhou para vários ambientes e esses ambientes que tiveram essa mesma mudança, eles tiveram aumento de chuva, né, estou usando chuva como exemplo, em 30%. Então, é bem possível, me parece plausível que essa mudança aqui é o que causa esse fenômeno. Isso, óbvio, estou falando de chuva, mas a gente podia estar falando de terremoto, de furacão de qualquer outro fenômeno.

>> [ANDRÉ YUKIO AB MOTA]: Então, estatística vai estar envolvida em tudo que é tipo de modelagem que a gente esteja falando aí na natureza, em fenômenos climáticos ou o que quer que seja. Você vai ver que sempre vai estar lá uma pitadinha de

probabilidade, de estatística, ou talvez um pitadona, ou seja, muito mais do que muita gente imagina.

>> [LOCUTOR]: E se usa probabilidade em ciência também? Como? Não é só uma coisa de matemáticos?

<música de fundo>

>> [ANDRÉ YUKIO AB MOTA]: Claro, claro que se usa. Quando a gente fala de medicamentos, estava falando de medicina, você vai ter que ter uma análise

probabilística ali. Você não pode simplesmente “olha, essas pessoas vão – pensar em dieta, em nutrição – essas pessoas vão seguir a dieta A, essas pessoas vão seguir a dieta B, essas outras pessoas aqui vão seguir a dieta C. O grupo A ficou mais forte, o grupo B não ficou, quantas pessoas têm que ter ficado mais forte para eu dizer que aquilo realmente é eficiente? Para dizer que aquela dieta é realmente boa e ajuda a fortalecer? Olha, é isso que a probabilidade vai te dizer. Quando você tem políticas públicas, vamos ali olhar para as ciências sociais, para a economia, você tem uma intervenção numa sala de aula e você vê que 50% dos alunos melhoraram a nota. E aí? Isso daí ocorreu por causa dessa intervenção? O que mais estava ocorrendo antes? Qual a chance de ter ocorrido essa melhora de nota por acaso? Probabilidade e estatística. E isso vai para psicologia, pode ir para biologia, pode ir para tudo o que é área – você vai ver que tem estatística ali no meio.

>> [ANDRÉ YUKIO AB MOTA]: Agora vamos pensar em frequência de ocorrência. Vamos supor que você faz análise, um estudo sobre trânsito, saindo daquela coisa matemática, você está estudando algo social. De repente você vê ali no ano inteiro quantos acidentes tiveram por dia ou por mês. Vamos pensar em quantos acidentes tiveram por mês. No mês 1 teve 20 acidentes, no mês 2 teve 10, no mês 3 teve 5, no mês 4 teve 15. Olha como isso te diz muito. Você pode pegar essas frequências aí e olhar qual o mês que tem mais acidentes, você pode ver a média de acidentes no ano.

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E a gente pode pensar também em algo mais probabilístico: qual a probabilidade de você se acidentar saindo de carro em janeiro, saindo de carro em fevereiro? Olha, janeiro tem muito mais acidente, a gente viu ali na nossa análise de frequência que tem 30 acidentes em janeiro, 20 em fevereiro e aí no resto do ano tem 10, 8 acidentes. Se todos os meses do ano a gente tem o mesmo número de carros aí na rua, isso daqui eu estou supondo, é só um exemplo, então a gente sabe que a probabilidade de a gente sofrer um acidente em janeiro é muito maior porque a gente tem muito mais acidentes, seja porque tem mais festas, seja porque as pessoas bebem mais. Então isso é um exemplo bacana quando você usa a frequência. Você pega as frequências de um determinado evento e você sabe que onde ocorre mais vezes a probabilidade é maior.

[♪ vinheta ♪]

Apresentação: Juliana Vilela França, Felipe Queiroz da Silva.

Entrevistado: André Yukio Ab Mota

Efeitos sonoros: Willie's Island Moped - The Whole Other, Creative Commons 4.0 Internacional

Estúdio: Talk'nCast

CRÉDITOS

EDITORA MODERNA Organizadora

Ivonete Darci Lucírio Gonzaga

Bacharela em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pelo Instituto Metodista de Ensino Superior (São Bernardo do Campo – SP). Mestra em História da Ciência pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atuei como jornalista. Editora.

Elaboradoras

Luciana Saito

Bacharela em Comunicação Social, com habilitação em Editoração, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (São Paulo – SP). Editora. Marcela Rosa Mastrocola

Bacharela em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Faculdade Cásper Líbero (São Paulo – SP), e em Letras, com habilitação em Português e Francês, pela

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (São Paulo – SP). Editora.

Edição de conteúdo

Felipe Jordani, Felipe Queiroz da Silva (roteiro)

Revisão técnica

Willian Raphael Silva

(5)

Ramiro Morais Torres

Assistência editorial

Cinthia Santos Galarza, Elizangela Gomes Marques

Coordenação de arte

Eduardo Reche Bertolini

Edição de arte

Diogo de Assis Macedo

Assistência de arte

Ana Maria Totaro Delgado

Iconografia

Fabiana Manna da Silva, Renate Hartfiel

Coordenação de produção

Leonardo Miranda Ribeiro

Programação

Renato Frias Rocha Ibiapina

Assistência de programação

Cauê Guimarães, Rodrigo Vieira Benfica Amancio

Assistência de produção e checagem

Caia Amoroso, Fabiana Aparecida Martins, Natália Lamucio Andrade, Paula Pelisson Petri, Renata Campos Michelin

Locução

Felipe Queiroz da Silva, Juliana Vilela França

Produção

Talk'nCast

EDITORA MODERNA

Rua Padre Adelino, 758 – Belenzinho São Paulo, SP – Brasil – CEP 03303-904 www.moderna.com.br

Produzido no Brasil

Referências

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