TE-5
REMESSA DE documentos de CAIXA, EXTRA-CAIXA E CONTABILIDADE PARA MICROFILMAGEM DIBAN/DPSAG - Depto. de Processos e Suporte às Agências
INTRODUÇÃO
A intoxicação aguda alcoólica é definida pela Classificação Internacional de Doenças, 10a edição (CID-10) como uma condição clínica transitória que se segue à administração de álcool e resulta em perturbações nos níveis da consciência, cognição, percepção, afeto ou comportamento ou outras funções ou respostas psicofisiológicas.
1.
OBJETIVO
Estabelecer condutas para a atenção ao adolescente com intoxicação alcoólica no HIAE, através da integração dos cuidados clínicos e de saúde mental, propiciando qualidade de atendimento na vigência do evento e o encaminhamento adequado após a alta.
Padronizar condutas para a sistematização do atendimento a estes pacientes, levando-se em conta: - cuidados clínicos no Serviço de Emergências (UPA-Ped ou UTI-Ped)
- coleta de dados do paciente para caracterização desta população
- orientação sobre o uso de álcool na adolescência para familiares e paciente - encaminhamento em saúde mental adequado
2.
ABRANGÊNCIA
Abrange as seguintes áreas organizacionais: Serviço de Emergências Pediátricas da SBIBAE (UPA-Ped ou UTI-(UPA-Ped)
3.
REFERÊNCIAS INTERNAS
4.
DEFINIÇÕES
A intoxicação alcoólica aguda pode ser classificada como leve, moderada ou grave. É considerada leve, quando o paciente apresentar níveis séricos de etanol menores que 50mg/dL, moderada níveis entre 50-100mg/dL e grave maiores que 100mg/dL. O pediatra de plantão realizará a avaliação e o atendimento inicial, oferecendo suporte clínico adequado de acordo com a gravidade do quadro de intoxicação alcoólica,
5.
CRITÉRIOS
Indicação: Todos os pacientes com até 16 anos de idade atendidos na SBIBAE com quadro de
intoxicação aguda pelo álcool
Contra-Indicação: Não se aplica
6. PROTOCOLO
Entrada na UPA, avaliação inicial e 1
oatendimento:
Todo adolescente atendido na UPA com quadro clínico sugestivo de intoxicação alcoólica deverá ser avaliado pelo pediatra.
Os sinais e sintomas da intoxicação alcoólica aguda variam de acordo com o nível sérico de etanol (NSE), conforme descrito na tabela abaixo. O NSE pode ser detectado por exame laboratorial. Além da quantidade de álcool ingerida, outros fatores contribuem para o nível sérico de álcool que
um indivíduo atinge após beber. Podemos citar como importantes a velocidade de ingestão do álcool, o peso corporal, o sexo e outras variáveis, como por exemplo, o uso concomitante de
determinadas medicações e a presença de patologias hepáticas. Os sinais e sintomas são variados e vão desde hálito etílico e fala arrastada, até quadros de rebaixamento do nível de consciência, com desorientação, letargia e coma. Podem ainda apresentar hiperemia de conjuntiva, hipotensão postural e convulsão. São importantes os sinais sugestivos de hipoglicemia. Não esquecer que ele poderá dar entrada na unidade com lesões e fraturas variadas, TCE ou até mesmo ser vítima de abuso sexual. Sempre considerar dados da história colhidos com o próprio paciente e acompanhantes sobre o uso recente de álcool.
NSE (mg/dL)
Manifestações Clínicas
0 - 50
Diminuição da coordenação motora fina, relaxamento, verborragia
50 - 100
Comprometimento de julgamento e coordenação
100 - 200
Ataxia / instabilidade de marcha, fala arrastada, alteração de humor,
personalidade e comportamento
200 - 400
Amnésia, diplopia/nistagmo, disartria, hipotermia, náusea/vômito
>400
Depressão respiratória, coma e morte
Caso o adolescente chegue desacompanhado dos pais ou responsável legal, ainda que com outro acompanhante adulto, os pais/responsáveis serão comunicados pela equipe de enfermagem no momento da abertura da ficha de atendimento e eles serão chamados a comparecer ao hospital. A intoxicação alcoólica aguda pode ser classificada como leve, moderada ou grave. É considerada
leve, quando o paciente apresentar níveis séricos de etanol menores que 50mg/dL, moderada níveis entre 50-100mg/dL e grave maiores que 100mg/dL. O pediatra de plantão realizará a avaliação e o atendimento inicial, oferecendo suporte clínico adequado de acordo com a gravidade do quadro de intoxicação alcoólica, conforme detalhado abaixo.
CASOS LEVES E MODERADOS
História Clínica: sempre questionar tipo, quantidade e associação com outras drogas, local de consumo, uso de medicamentos, doenças prévias e horários possíveis de ingestão.
Avaliação clínica: nível de consciência (Escala de coma de Glasgow), saturometria, medidas de PA, FC, FR.
Avaliação laboratorial: glicemia capilar, dosagem sérica de etanol, triagem urinária para outras drogas (com autorização dos pais ou responsável legal).
Nos casos leves e moderados, o médico deverá manter o paciente em observação, proteger vias aéreas e manter o paciente em posição que promova proteção contra broncoaspiração (lateralização).
Abaixo a recomendação de administração a depender da situação:
Situação Conduta
Hipoglicemia Glicose 25% em bolus de 2mL/kg
Desidratação ou hipovolemia
Fluidoterapia com bolus de Soro fisiológico (SF 0,9%) 20mL/kg. Dose máxima de 1000ml em 20 minutos Gastrite Omeprazol 0,3-3mg/kg/dia, EV, a cada 12 ou 24 horas
Ranitidina 2-4mg/kg/dia, EV, a cada 8 ou 12 horas Vômito Ondasetron 0,15mg/m² /kg/dose,EV, a cada 8 horas
Após o atendimento clínico inicial, o pediatra realizará a entrevista dos pais e a aplicação do Questionário 1 (ver anexo). Os pais receberão explicação sobre a coleta dos dados e, se estiverem de acordo, assinarão o termo de consentimento informado e esclarecido (ver anexo).
Os casos classificadas como intoxicações leves e moderadas permanecerão na UPA até a estabilização clínica para a alta.
Os critérios clínicos para a alta da UPA dependem da dose ingerida de etanol e da provável dose estimada já eliminada até o momento. A eliminação média é de 20mg/dL/hora. O paciente deverá ter alta quando acordado e com melhora dos sintomas gastrointestinais.
O pediatra, ao avaliar que o paciente está clinicamente estável, comunicará à enfermagem que irá iniciar o procedimento de alta e encaminhamento.
O enfermeiro convidará os pais a se retirarem da sala e fará uma pequena abordagem sobre os riscos do uso de álcool na adolescência, com entrega de folheto informativo. Este folheto encontra-se
disponível na intranet como material educacional para familiares, pacientes e acompanhantes e poderá ser acessado através do link
http://web.telaviva/home/doc_joint/_mat_educ/psiquiatria/orientacao_alcool.pdf. O enfermeiro finalizará a conversa pedindo aos pais ou responsáveis que aguardem até que o pediatra os chame.
Ao ficar sozinho na sala de atendimento com o adolescente, o pediatra realizará a entrevista com o paciente com aplicação do questionário 2 (ver anexo), com o objetivo de obter dados com o prórpio paciente a respeito do seu padrão de uso de substâncias psicoativas (álcool e outras drogas). Em seguida, o pediatra chamará os pais/responsáveis para finalizar o atendimento e fazer o encaminhamento.
Alta: o pediatra encerrará o atendimento através da orientação final conjunta de pais e paciente, com encaminhamento para avaliação psicológica ambulatorial. Será oferecida aos pais a opção da psicologia do NEAD. Os pais assinarão termo de ciência de que foram adequadamente orientados e receberam o encaminhamento.
Todos os questionários e termos preenchidos e assinados deverão ser arquivados em pasta apropriada e identificada para tal fim.
Casos graves
Nos casos graves deve-se promover suporte ventilatório e monitorização, com internação na UTI-Pediátrica, além do tratamento sintomático como descrito anteriormente para os casos leves e moderados.
Todos os casos classificados como graves têm indicação de internação na UTI pediátrica.
O pediatra da UPA, além de prestar o primeiro atendimento e encaminhar o paciente para a internação na UTI, também realizará a entrevista com os pais e aplicação do questionário 1.
Ao ser admitido na UTI pediátrica, a equipe de enfermagem realizará a notificação do risco psiquiátrico como já padronizado e também acionará a Psicologia.
O médico titular do paciente será comunicado pela enfermagem sobre o acionamento da psicologia. A equipe do risco psiquiátrico procederá a avaliação e o acompanhamento do risco psiquiátrico, como
descrito na rotina do risco (ver documentação institucional).
Avaliação Psicológica
A 1aavaliação psicológica será gratuita.
Objetivos: A avaliação psicológica inicial objetiva aprofundar a investigação sobre o padrão de uso das substâncias psicoativas e o contexto biopsicossocial em que o paciente está inserido. Esta avaliação deve levar em consideração a presença de fatores que aumentem a vulnerabilidade do indivíduo ao desenvolvimento do uso problemático de substâncias psicoativas; os chamados fatores de risco, e o balanço entre estes e aqueles chamados de fatores de proteção.
O psicólogo deverá aplicar o questionário 2 em todos os pacientes com intoxicação alcoólica grave, além de realizar anamnese psicológica do adolescente e entrevista com pais. O questionário 1 realizado pelo pediatra também será usado pelo psicólogo como fonte de informações.
Uso anterior de substâncias psicoativas
Idade inicial precoce de uso de substâncias psicoativas
Diagnóstico de doenças psiquiátricas no paciente (Ver adendo A) Diagnóstico de doenças psiquiátricas no familiar, incluindo o uso de substâncias (Ver adendo B)
Antecedentes de eventos estressantes, em casa, na escola, com amigos
Personalidade “com traços proeminentes de “busca de sensações” e “pouco evitadora de danos”
Fácil acesso a substâncias psicoativas (maior oportunidade de experimentá-las)
Dificuldade de aceitar limites e lidar com frustrações
Insatisfação e não realização de suas atividades – insegurança, baixa auto -estima
Vínculos familiares saudáveis, com afeto e limites - regras claras Monitoramento próximo dos pais de suas atividades
Satisfação com a realização de atividades (pessoais, relacionais, esportivas, escolares)
Rede de apoio social
F A T O R E S D E R IS C O F A T O R E S D E P R O T E Ç Ã O
Além destes fatores de risco e proteção, que podem tornar o adolescente mais vulnerável ao uso problemático de substância psicoativa, serão investigados nas entrevistas os comportamentos sinalizadores de uso problemático de substâncias, descritos na tabela abaixo:
Comportamentos sinalizadores de uso problemático de substâncias
Queda do rendimento escolar
Mudanças bruscas de comportamento – vocabulário, amizades, vestimenta, hábitos de lazer, interesses culturais ou religiosos, sono, alimentação
Isolamento social Irritabilidade Gastos exagerados Mentiras freqüentes
Problemas disciplinares no colégio
Envolvimento em situações de risco como brigas, comportamentos sexuais abusivos e sem proteção
A partir dos dados da avaliação psicológica, o caso será discutido com o médico titular, e, se necessário, com o psiquiatra do NEAD. De acordo com o resultado da avaliação, o psicólogo fará a orientação de pacientes e familiares e, quando houver indicação, encaminhará para seguimento psicológico e/ou psiquiátrico pós-alta
.
7.
RESPONSABILIDADES
Unidade de Pronto Atendimento da Pediatria
1- Médico Plantonista da Pediatria 2- Equipe de Enfermagem
3- Administrativo
Unidades de Terapia Intensiva (Pediátrica)
1- Equipe de enfermagem 2- Médico plantonista
3- Médico Titular do paciente
1- Equipe de risco psiquiátrico
2- Equipe do Núcleo Einstein de Álcool e Drogas (NEAD) – Psicologia e Psiquiatria
8.
HISTÓRICO
Esta é a primeira versão do Protocolo
Qualquer alteração necessária deverá ser elaborada, revisada, validada pelas áreas envolvidas e aprovada pela diretoria para entrar em vigor.
9.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A) Os transtornos psiquiátricos mais presentes nessa população são: Transtorno de Déficit de Atenção (TDAH)
Transtorno de Conduta (TC)
Transtorno desafiador de oposição (TOD) Transtorno Depressivo
Transtornos de Ansiedade
B) Filhos de pais dependentes de álcool e outras drogas apresentam quatro vezes maior risco de se tornarem dependentes. A hereditariedade estimada foi maior para abuso/ dependência de cocaína, estimulantes, maconha e álcool, enquanto que os fatores ambientais contribuíram mais para o uso inicial e ocasional.
C) Embora o mais habitual seja o paciente dar entrada no Pronto-Atendimento com quadro de rebaixamento do nível de consciência, deve-se estar preparado para a possibilidade da intoxicação alcoólica cursar com quadro de agitação psicomotora e agressividade. Na vigência de tal situação, a conduta sugerida está descrita no procedimento “Atenção ao Paciente Agitado e/ou Agressivo”.
D) Nos casos em que a avaliação psicológica for feita aos finais de semana pelo plantonista da psicologia, o mesmo passará os dados coletados para a Psicologia do NEAD que dará prosseguimento às discussões do caso com o médico titular e Psiquiatra do NEAD.
E) Registrar em prontuário e no resumo de alta o código F10.0, referente ao diagnóstico de intoxicação alcoólica aguda de acordo com a CID-10, sempre que este quadro estiver presente, ainda que não tenha sido o motivo principal do atendimento (por exemplo, paciente deu entrada na UPA por causa de fratura e também apresentando estado de embriaguês).
F) A ficha de avaliação do protocolo de atenção ao adolescente com Intoxicação Alcoólica no HIAE será parte integrante do prontuário e será constituída pelos Questionários 1 e 2, além da conduta dada pela psicologia no casos de intoxicação alcoólica grave.
G) Nos casos graves, uma cópia da ficha de avaliação do protocolo de atenção ao adolescente com Intoxicação Alcoólica no HIAE deverá seguir junto com o prontuário da UPA para a internação.
Os critérios e procedimentos aqui descritos estarão válidos a partir de sua divulgação pela intranet da SBIBAE.
10.
ANEXOS
11.
DESCRIÇÃO RESUMIDA DA REVISÃO
Paciente até 16 anos suspeito de intoxicação por álcool
Pediatra com pais e adolescente: Alta c encaminhamento à psicologia
INTERNAÇÃO NA UTI Enfermagem com pais: orientação e entrega de folheto informativo Risco Psiquiátrico (Fluxo habitual)
LEVE / MODERADA GRAVE
(depressão respiratória, coma) Observação clínica
Proteção de vias aéreas Antieméticos Teste toxicológico Entrevista c/ pais ou responsáveis (Questionário 1) Estabilização clínica (Critérios de alta) Pediatra com adolescente: (Questionário 2) Suporte ventilatório Aquecimento Fluidoterapia Antieméticos Glicose 25% Teste toxicológico Intervenção da Psicologia
Sandra Cristina P. L. Shiramizo (13/11/2012 04:37:40 PM) - O protocolo orienta a conduta e tratamento do adolescente com intoxicação alcoólica na SBIBAE