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Academic year: 2021

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ACIDENTE INFANTIL COM CORPO ESTRANHO EM NARIZ: ações emergenciais do enfermeiro

Fernandes, Verônica; Pessanha, Rosalina; Curty, Rosimeri; Almeida,Verônica;

Gomes, Shirley Rangel

RESUMO

Introdução de corpo estranho (CE) nas narinas é uma das causas mais comuns de consultas de urgências em Pronto socorro infantil e Otorrinolaringologia. OBJETIVO: descrever a assistência do enfermeiro a criança com objeto introduzido em nariz. METODOLOGIA: estudo de caso de uma menina de três anos, que introduziu parte de um brinquedo em narina, e a tentativa de remoção pela avó causou mais traumatismo, quando introduziu ainda mais o objeto. RESULTADOS: a assistência consiste nos cuidados referentes à criança ao chegar ao pronto socorro e a importância do manuseio da mesma para remoção do CE a ser realizada por profissionais de saúde capacitados. CONSIDERAÇÕES: o sucesso da retirada do CE depende de vários fatores como tipo, cooperação do paciente e a habilidade do médico. A abordagem inicial pelos familiares é tema de orientação pelo enfermeiro tanto na prevenção do agravo como nos primeiros socorros que devem ser realizados em domicílio.

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INTRODUÇÃO

A pesquisa a seguir consiste em um estudo de caso sobre acidente com corpo estranho, apresentado em cumprimento às exigências da disciplina de Enfermagem em Terapia Intensiva Neonatal e Pediatra, da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), campus Campos dos Goytacazes.

Corpo estranho é definido como qualquer objeto ou substância que inadvertidamente penetra o corpo ou suas cavidades. Pode ser ingerido ou colocado pela criança nas narinas e conduto auditivo, mas apresenta um risco maior quando é aspirado para o pulmão. 1

Os acidentes domésticos com crianças menores de cinco anos representam situações complexas e revelam grave problema de saúde pública. Os indicadores de acidentes domiciliares infantis são elevados porque o acidente ainda é interpretado como obra do destino ou do acaso, ou ainda como algo comum nesta faixa etária. Portanto, além da identificação dos fatores envolvidos na ocorrência dos acidentes e do encaminhamento de suas consequências, é preciso propor e experimentar formas de promover saúde e prevenir acidentes domésticos infantis. 2

A presença de corpos estranhos nas narinas é uma das causas mais comuns de consultas de urgências e emergências em unidades de pronto atendimento, sejam elas gerais ou especializadas, correspondendo a 9 a 15% do total em serviços especializados e sendo mais citados na faixa etária infantil e mais frequentemente unilaterais.3

O tamanho e a forma dos corpos estranhos pode determinar a dificuldade na sua remoção, podendo evoluir com epistaxe, mais raramente perfuração septal, rinosinusite e broncoaspiração do mesmo.1-2 O grande potencial para complicações durante a remoção destes corpos estranhos torna importante a atuação do especialista neste procedimento. O sucesso da remoção de corpos estanhos depende da cooperação do paciente, da habilidade do médico em visualizar o corpo estranho, do tipo, da manipulação prévia e dos materiais adequado1.

OBJETIVO

Descrever a assistência do enfermeiro à criança com objeto introduzido em nariz, atendida em Pronto Socorro Infantil.

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METODOLOGIA

Trata-se na pesquisa centrada em informações de um estudo de caso empírico entregue pela professora responsável pela matéria aqui abordada. Estudo de Casos, como outras estratégias de pesquisa, representa uma maneira de se investigar um tópico empírico seguindo-se um conjunto de procedimentos pré-especificados. 4

O caso clínico descrito: “Menina, 3 anos de idade, introduziu parte de um brinquedo em narina direita. A avó foi tentar retirar com pinça doméstica e introduziu ainda mais o objeto, gerando hemorragia nasal de pequeno porte. A menor foi encaminhada ao PS pediátrico. Apresentava epistaxe, edema em face direita, irritada, com vômitos devido a deglutição do sangue. Prescrita medicação IM antiemética, jejum, hidratação venosa por veia periférica, e foi solicitado parecer do otorrinolaringologista, que, após avaliação, solicitou preparo pré operatório para remoção do objeto no centro cirúrgico, com a mesma sob anestesia, procedimento a ser realizado em 2 horas.”

RESULTADOS

Os acidentes por corpo estranho (ACE) de nariz são descritos principalmente nas crianças do sexo masculino, o que reflete uma natureza mais impulsiva e aventureira nos meninos, entretanto a possibilidade de brinquedos soltarem pequenas peças leva o risco a meninas também. Há Predomínio na faixa etária pediátrica entre 1 e 3 anos de idade, com mais de 50% das introduções por corpo estranho ocorrendo em crianças menores de 4 anos e mais de 94% antes dos sete anos. Além disso, a criança nesta idade possui o hábito de levar objetos à boca, nariz, ou seja, qualquer orifício do corpo humano, como pequenos brinquedos de plástico ou metal, normalmente de irmãos mais velhos.5

O diagnóstico precoce da introdução do corpo estranho é essencial, pois o retardo no seu reconhecimento e tratamento pode incorrer em sequela definitiva ou dano fatal.

Os achados clínicos dependem do tipo, tamanho e localização do corpo estranho e inclui tosse persistente, diminuição localizada da entrada de ar e dificuldade respiratória.

Assistência do enfermeiro à criança com corpo estranho em nariz Diagnósticos de Enfermagem NANDA6 e assistência do enfermeiro7-9

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I.

Troca de gases prejudicada e Ventilação espontânea prejudicada, em virtude do objeto na narina, trauma e sangramento;

 Monitorizar O2 por oximetria de pulso

 Proporcionar oferta de O2 úmido, por máscara caso haja indicação;

 Proporcionar higiene frequente da narina sangrante, sem comprimi-la devido a presença do objeto;

 Avaliar o volume de sangue drenado;

 Posicionar a menor em semi-fowler para prevenir aspiração.  Aplicar compressa fria sobre a narina sangrante para favorecer a

vasoconstricção.

II.

Risco de infecção, pois a lesão foi causada por objeto (brinquedo) e pinça doméstica, além do risco de cirurgia potencialmente contaminada;

 Avaliar sinais e sintomas de infecção: retrações, gemido expiratório, cianose taquipnéia, apnéia, instabilidade térmica (hipertermia) irritabilidade, letargia, hipo/hipertonia, tremores, diminuição da perfusão periférica.

III.

Risco de sufocação e Risco de aspiração, Desobstrução ineficaz de vias

aéreas, pois o objeto pode deslocar e ser aspirado para vias aéreas inferiores

 Posicionar a menor em semi-fowler para prevenir aspiração  Observar posicionamento do objeto

IV.

Medo e Ansiedade, relacionados ao atendimento, procedimentos de controle de sangramento, punção de veia, preparo pré operatório e o próprio procedimento de remoção.

 Proporcionar ambiente calmo

 Orientar os pais e avó sobre os procedimentos de enfermagem e da remoção do CE

 Tranquilizar a criança, usando recursos terapêuticos, possibilitando a permanência de brinquedo/objeto que seja seguro e de agrado da mesma

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 Avaliar níveis de dor e proporcionar a medicação analgésica e aplicação de compressas frias na região nasal

VI.

Volume de líquidos deficiente em virtude da epistaxe e vômitos; pode ainda associar ao jejum;

 Controlar o gotejamento do soro para manter o grau de hidratação  Avaliar as perdas de liquido: vômitos, sangramento, diurese

VII.

Risco de tensão do papel do cuidador, pois os pais e especialmente a

avó devem apresentar conflitos devido ao sentimento de pesar e de culpa.

 Dar apoio aos familiares, fornecendo as informações necessárias ao desconhecimento da assistência.

A educação em saúde é uma atribuição do enfermeiro que deve estar alerta ao índice de acidentes na infância, promovendo orientações sobre prevenção e atendimento em caso de agravo. A abordagem no PS, quando há instabilidade emocional deve ser evitada pois pode agravar o nível de tensão. CONSIDERAÇÕES

Observa-se que acidente na infância é uma importante causa de morbimortalidade no mundo. Os primeiros anos de vida são para as crianças uma fase de exploração e interação com o meio ambiente e a falta de atenção dos pais ou responsáveis deixando próxima a criança objetos e não os vigiando adequadamente, contribui para alta incidência de aspiração de corpo estranho e constituem um problema bastante comum, que dependendo do tamanho e a forma podem determinar a dificuldade na sua remoção, necessitando de cirurgia.

Ressalta-se que o melhor procedimento é a não intervenção ou remoção no ambiente doméstico e sim o encaminhamento mais rápido para um serviço de saúde especializado para retirada do CE.

A educação em Saúde como atribuição do enfermeiro visa prevenir ocorrência de agravos e orientar pais e responsáveis sobre a assistência dos primeiros socorros que devem ser dados.

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REFERÊNCIAS

Baracat ECE. Aspiração de corpo estranho. Disponível em

http://www.sbp.com.br/show_item2.cfm?id_categoria=21&id_detalhe=2918&tip

o_detalhe=s

Acker JIBV, Cartana MHF; Construção da participação comunitária para a prevenção de acidentes domésticos infantis. Rev Bras Enferm, jan-fev; 62(1): 64-70. Brasília 2009

Rcoha SCM, Dell’Aringa AR, Nardi JC, Kobari K, Sena LFP,Teixeira, R. Corpo estranho de nariz: Experiência da Faculdade de Medicina de Marília. Arq.Int. Otorrinolaringol. 2006;v,10,n.4:278-282.

YIN RK. Estudo de Caso: Planejamento e Métodos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001

Heráclio Villar R. Cavalcanti, Giordania Gomes Campos, Tatiana Silveira Velasco, Polliana Ferraz Rego, Alencar Polimeni Benetti. Rinolito: relato de caso e revisão de literatura. Res Bras t. Otorrinolaringol. 2004; 70(5): 688-90. DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM DA NANDA: definições e classificação 2009-2011. Porto Alegre: Artmed, 2010. 456p.

Moraes MA. Cuidados de Enfermagem a Indivíduos na Unidade de

Emergência. Disponível em

http://downloads.artmed.com.br/public/S/SOARES_Maria_Augusta_Moraes/Cui

dados_Enfermagem_Individuo_Hospitalizado/Liberado/Cap_01.pdf

Wehbe G, Galvão CM. O enfermeiro de unidade de emergência de hospital privado: algumas considerações. Ver. Latino-Am. Enfermagem [serial on the internet]

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692001000200012&lng=en.

Fraga AMA, Reis MC, Zambon MP, Toro IC, Ribeiro JD, Baracat ECE; Aspiração de corpo estranho em crianças: aspectos clínicos, radiológicos e tratamento broncoscópico. J Bras Pneumol. 2008;34(2):74-82

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