ESTUDO EMPÍRICO SOBRE O EFEITOS DA LEI ROUANET NA APURAÇÃO DOS
TRIBUTOS SOBRE O LUCRO
EMPIRICAL STUDY ON THE EFFECTS OF THE ROUANET LAW ON THE TRANSFER
OF PROFIT ON PROFIT
Grasiella Aline de Moraes Leonardo José Seixas Pinto
RESUMO: Este artigo apresenta uma análise
das apurações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) de uma empresa do ramo de eventos, optante pelo Lucro Real anual, aspirando um cenário de economia tributária, tendo como escopo a abordagem de formas de planejamento tributário através dos incentivos fiscais federais elencados na Lei Rouanet, os quais possam vir a ser empregados pela organização. Compreende esta pesquisa um Estudo de Caso em que foram analisados três cenários distintos de apuração do IRPJ e da CSLL para verificar os efeitos dos incentivos fiscais federais da Lei Rouanet sobre estes tributos. Ao final constatou-se que o uso dos incentivos fiscais elencados na Lei Rouanet possibilita uma redução, mesmo que mínima, da carga tributária, alcançando uma economia tributária de 0,50% ao patrocinar projetos enquadrados no artigo 18 da Lei Rouanet e de 0,32% ao patrocinar projetos enquadrados no artigo 26.
Palavra-chave: Planejamento Tributário; Lucro
Real; Incentivos Fiscais; Lei Rouanet.
ABSTRACT: This papaer presents an analysis of
the calculations of the Corporate Income Tax (IRPJ) and the Social Contribution on Net Income (CSLL) of a company in the field of events, opting for the annual Real Profit, aspiring to a tax saving scenario, having as scope the approach of forms of tax planning through the federal tax incentives listed in the Rouanet Law, which may be used by the organization. This study comprises a case study in which three different scenarios of IRPJ and CSLL calculation were analyzed to verify the effects of the federal tax incentives of the Rouanet Law on these taxes. In the end, it was verified that the use of the tax incentives listed in the Rouanet Law allows a reduction, even a minimum, of the tax burden, reaching a tax savings of 0,50% by sponsoring projects under article 18 of the Rouanet Law and 0,32% when sponsoring projects under Article 26.
Keywords: Tax Planning; Real Profit; Tax Incentives; Rouanet Law.
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Recebido em: 29.05.2018. Aprovado em: 17.12.2018.
Pós graduada em Contabilidade e Tributação pela UFF e graduada em Ciências Contábeis. Email:
Doutor em Ciências Contábeis pela UnB, Mestre em Ciências Contábeis pela UERJ, Pós graduado em Finanças
SUMÁRIO: Introdução - 1. Revisão da literatura - 1.1. Impostos sobre a renda no Brasil -1.2. Regime de
apuração pelo lucro real - 1.3. Planejamento tributário e os incentivos fiscais federais - 1.4 Lei de incentivo à cultura (Lei Rouanet art. 18 e art. 26) - 2. Metodologia - 3. Análise dos resultados - 3.1. Análise do 1º cenário - 3.2. Análise do 2º cenário - 3.3. Análise do 3º cenário - 3.4. Análise comparativa - 4. Considerações finais - Referências
INTRODUÇÃO
A alta carga tributária do Brasil, faz com que seja mais do que necessário a utilização de um planejamento tributário eficaz em busca de alternativas licitas para obter redução da onerosidade dos tributos no resultado das empresas.
Uma das formas de planejamento tributário que contribuem para obter tal redução é a adoção de incentivos fiscais federais, como por exemplo os incentivos presentes na Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) que é o foco da presente pesquisa.
O Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), são dois dos tributos de maior relevância no complexo sistema tributário brasileiro e encontrar alternativas para diminuir o impacto desses impostos é um enorme desafio para os especialistas tributários e para os gestores das organizações, com isso, a adoção de Incentivos Fiscais Federais se torna um poderoso aliado para as empresas nesse esforço.
Diante do exposto, o problema que se pretende verificar neste estudo é responder a seguinte questão: qual é a economia tributária de uma empresa optante pelo lucro real ao utilizar em seu planejamento tributário os incentivos fiscais federais?
1. REVISAO DA LITERATURA
1.1 IMPOSTOS SOBRE A RENDA NO BRASIL
No presente artigo, vamos nos ater ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em empresas optantes pelo Lucro Real.
Diferentemente do padrão mundial, a tributação sobre o lucro no Brasil possui 2 tributos, sendo um deles o Imposto de Renda e o outro a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, justificando tal fato pela destinação dos valores arrecadados, sendo o Imposto
de Renda destinado a União, Estados e Municípios e a CSLL com destinação exclusiva para a União.
Encontra-se no Art. 43 do Código Tributário Nacional, o fato gerador do Imposto de Renda que é definido como:
Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:
I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos;
II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.
§ 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)
O Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) é devido pelas pessoas jurídicas e pelas pessoas físicas a elas equiparadas, domiciliadas no país. Este imposto será calculado tomando por base o lucro da empresa, podendo ser o lucro real, presumido ou arbitrado.
A alíquota do IRPJ é de 15% (quinze por cento) sobre o lucro apurado, com adicional de 10% (dez por cento) sobre a parcela do lucro que exceder R$ 20.000,00 / mês.
Já a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de competência exclusiva da União, foi instituída pela lei n° 7.689 de 15 de dezembro de 1988 com o objetivo de financiar a seguridade social. Ela incide sobre o lucro líquido do período-base, antes da provisão para o Imposto de Renda.
A alíquota da CSLL é de 9% para as pessoas jurídicas em geral, e de 15%, no caso das pessoas jurídicas consideradas instituições financeiras, de seguros privados e de capitalização. A apuração da CSLL deve acompanhar a forma de tributação do lucro adotada para o IRPJ.
De acordo com Oliveira (2009 p. 99) o IRPJ e a CSLL são classificados como tributos incidentes sobre o resultado, e definidos como aqueles que incidem sobre a diferença positiva (lucro) das empresas provenientes da diferença entre as receitas reconhecidas (ganhas) e as despesas que foram incorridas (consumidas) no período.
Existem quatro opções de tributação para a apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, dependendo das particularidades de cada empresa, tais tipos podem ser simplesmente escolhidos pelas empresas ou obrigatório de acordo com a lei vigente. As empresas podem ser tributadas pelo Lucro Real, Lucro Presumido, Lucro Arbitrado ou pelo Simples Nacional.
Somente a tributação pelo Lucro Real permite a dedução de doações e patrocínios e a utilização dos incentivos fiscais, a razão para essa exclusividade é devido ao fato dos tributos serem calculados com base no resultado contábil e não na receita.
1.2 REGIME DE APURAÇÃO PELO LUCRO REAL
Dentre as espécies de tributação existentes, a única em que é possível usar o benefício dos incentivos fiscais é o regime de apuração pelo Lucro Real, sendo esse o foco do presente estudo, por esse motivo não serão abordadas as outras modalidades de tributação.
Para fins da legislação do imposto de renda, a expressão lucro real significa o próprio lucro tributável, distingue‐se do lucro líquido apurado contabilmente. Sua definição, conforme encontrado no Art. 247 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação fiscal. A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das leis comerciais.
É baseado em receitas e despesas, resultando a escrituração contábil da empresa, através da legislação vigente.
Sua finalidade é apurar a base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social para as pessoas que optaram por esse tipo de tributação.
De acordo com a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, a opção pelo lucro real está disponível para todas as empresas e obrigatória pelas empresas:
I - cuja receita total no ano-calendário anterior seja superior ao limite de R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 12.814, de 16 de maio de 2013) (Vide parágrafo único do art. 9º, da Lei nº 12.814/2013)
II – cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito,
financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta;
III - que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior;
IV - que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto;
V - que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996; VI - que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring).
VII - que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio. ( Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d)
Os autores Rosa e Futida (2005, p. 125) acrescentam que são tributadas com base no lucro real as pessoas jurídicas “cuja receita bruta total, no ano-calendário anterior, seja superior ao limite de R$ 48.000.000,00 ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 meses”.
O lucro real será determinado a partir do lucro líquido do período de apuração obtido antes da provisão para o imposto de renda e com adições e exclusões conforme a define os artigos 249 e 250 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 esclarecendo que:
As adições são: a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido, que, de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, devam ser computados na determinação do lucro real. Já as exclusões são: a) os valores cuja dedução seja autorizada pelo Regulamento do Imposto de Renda e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido contábil do período-base; b) os resultados rendimentos, receitas ou quaisquer outros valores incluídos na apuração que, de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, não sejam computados no lucro real; c) prejuízos fiscais apurados em períodos-base anteriores, nas condições definidas na legislação.
O montante positivo do lucro real, base para compensação de prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores, poderá ser determinado, também, a partir de prejuízo líquido do próprio período de apuração constante da escrituração comercial.
1.3 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO E OS INCENTIVOS FISCAIS FEDERAIS
O profissional responsável pela área tributária tem em suas atividades de planejamento tributário uma oportunidade de dar relevantes contribuições para a saúde financeira de sua empresa, conforme versa a professora Lúcia Young (2008, p. 99), ao dizer que o planejamento tributário é um conjunto de prerrogativas legais que visam mitigar a geração de tributos, cabendo ao gestor tributário da empresa conhecer a legislação vigente e buscar brechas e oportunidades que lhes permita reduzir ao máximo o peso fiscal imposto pelo ente tributante. Oliveira (1998, p. 24) ratifica essa ideia ao conceituar planejamento tributário como sendo "uma maneira lícita de reduzir a carga fiscal. Para que se elabore eficaz planejamento tributário necessário se faz conhecer a legislação, estudá-la e buscar ações que evite o desencaixe sem ferir a referida legislação".
Uma importante modalidade de planejamento tributário é a utilização dos incentivos fiscais federais, os quais contribuem direta ou indiretamente para alcançar a redução de carga tributária das empresas.
Os incentivos fiscais federais são benefícios concedidos pela União, com o propósito de desonerar a carga tributária. Se torna uma forma do governo fomentar determinadas atividades sociais por meio da renúncia fiscal. O Estado permite que o investidor deduza parte do imposto de renda a pagar. Esta permissão tem nome técnico de extrafiscalidade, que significa uso do imposto para outros fins, e tem como objetivo incentivar determinadas atividades conforme conceitua Fabretti (2009, p. 280).
O incentivo fiscal se torna uma forma de intervenção do Estado na economia para alcançar objetivos em caráter social ou econômico. Segundo Tramontin (2002, p. 110), o incentivo fiscal é a medida imposta pelo Poder Executivo, com base constitucional, que exclui total ou parcialmente o crédito tributário de que é detentor o poder central em prol do desenvolvimento de região ou de setor de atividade do contribuinte.
Existem diversas modalidades de incentivos fiscais federais, sendo que no presente artigo somente foram abordados os incentivos constantes na Lei de Incentivo à Cultura.
1.4 LEI DE INCENTIVO À CULTURA (LEI ROUANET ART. 18 E ART. 26)
A Lei de Incentivo à Cultura, popularmente conhecida como a Lei Rouanet, instituída pelo então Secretário da Cultura Sergio Paulo Rouanet, por meio da Lei nº 8313 de 23 de dezembro de 1991, tem como destaque sua política de incentivos fiscais que possibilita a empresas e cidadãos, pessoas jurídicas e pessoas físicas respectivamente, a utilizar parte do Imposto de Renda devido em projetos culturais e sociais que se enquadrem na presente lei.
De acordo com Latorraca (1998 p. 214) o principal objetivo da Lei Rouanet, seria “captar e canalizar recursos para o setor, a ser implementado através do Fundo Nacional de Cultura (FNC); dos Fundos de Investimentos Cultural e Artístico (FICART); e de incentivos a projetos culturais”.
Com isso, a União tenta se afastar da responsabilidade de prover a cultura brasileira, deixando tal responsabilidade com a iniciativa privada, conforme evidenciado por Moises (1998 p. 446).
Entre 1990 e 1992, quando se fez uma tentativa de praticamente desobrigar o Estado de qualquer responsabilidade pelo financiamento da cultura - com a extinção de algumas das mais importantes instituições culturais públicas do país e a drástica redução de recursos para a área -, a sociedade brasileira viu-se colocada diante de um falso dilema. Segundo esviu-se dilema, haveria uma oposição insolúvel entre Estado e mercado em face das necessidades de custeio e fomento das artes e da cultura. Nos termos das crenças da época, o dilema teria de ser resolvido em favor do mercado, como se Estado e iniciativa privada fossem as únicas alternativas de seu financiamento e não pudessem, em nenhuma hipótese, combinar-se para custear a criação e a produção artística brasileira. A solução adotada pelo Ministério da Cultura, depois de recriado e consolidado pelo governo em 1995, sem se esgotar naquelas duas alternativas excludentes, visou o problema de fundo, isto é, a necessidade há muito sentida por artistas e produtores culturais brasileiros de criar-se, de modo permanente, um sistema de financiamento da cultura no país.
Porém o enquadramento de um projeto na Lei Rouanet não é garantia de que tal projeto obterá realmente o patrocínio, conforme Salgado et al (2010 p. 96) a aprovação de um projeto cultural numa lei de incentivo não garante seu financiamento efetivo; em média
70% dos projetos apresentados são aprovados pelo MinC, mas apenas 30% deles conseguem captar recursos junto às empresas privadas.
A Lei Rouanet tem diversos erros e vários méritos em relação a cultura do Brasil, porém no presente artigo, vamos nos ater a analisar os efeitos de seus artigos 18 e 26 na apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica em Empresas optantes pelo Lucro Real.
Em seu artigo 18, a Lei Rouanet dispõe sobre as atividades que podem ser contempladas com até 100% (cem por cento) de abatimento do valor investido pela empresa, obedecendo o teto de até 4% do IRPJ apurado na alíquota básica.
Art. 18. Com o objetivo de incentivar as atividades culturais, a União facultará às pessoas físicas ou jurídicas a opção pela aplicação de parcelas do Imposto sobre a Renda, a título de doações ou patrocínios, tanto no apoio direto a projetos culturais apresentados por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas de natureza cultural, como através de contribuições ao FNC, nos termos do art. 5o, inciso II, desta Lei, desde que os projetos atendam aos critérios estabelecidos no art. 1o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.874, de 1999)
§ 1o Os contribuintes poderão deduzir do imposto de renda devido as quantias efetivamente despendidas nos projetos elencados no § 3o, previamente aprovados pelo Ministério da Cultura, nos limites e nas condições estabelecidos na legislação do imposto de renda vigente, na forma de: (Incluído pela Lei nº 9.874, de 1999)
a) doações; e (Incluída pela Lei nº 9.874, de 1999) b) patrocínios. (Incluída pela Lei nº 9.874, de 1999)
§ 2o As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real não poderão deduzir o valor da doação ou do patrocínio referido no parágrafo anterior como despesa operacional.(Incluído pela Lei nº 9.874, de 1999) § 3o As doações e os patrocínios na produção cultural, a que se refere o § 1o, atenderão exclusivamente aos seguintes segmentos: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.228-1, de 2001)
a) artes cênicas; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.228-1, de 2001)
b) livros de valor artístico, literário ou humanístico; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.228-1, de 2001)
c) música erudita ou instrumental; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.228-1, de 2001)
d) exposições de artes visuais; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.228-1, de 2001)
e) doações de acervos para bibliotecas públicas, museus, arquivos públicos e cinematecas, bem como treinamento de pessoal e aquisição de equipamentos para a manutenção desses acervos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.228-1, de 2001)
f) produção de obras cinematográficas e videofonográficas de curta e média metragem e preservação e difusão do acervo audiovisual; e (Incluída pela Medida Provisória nº 2.228-1, de 2001)
g) preservação do patrimônio cultural material e imaterial. (Incluída pela Medida Provisória nº 2.228-1, de 2001)
h) construção e manutenção de salas de cinema e teatro, que poderão funcionar também como centros culturais comunitários, em Municípios com menos de 100.000 (cem mil) habitantes. (Incluído pela Lei nº 11.646, de 2008)
Já em seu artigo 26, a Lei Rouanet dispõe que os doadores ou patrocinadores poderão deduzir do imposto de renda devido valores efetivamente contribuídos em favor de projetos culturais aprovados de acordo com os dispositivos da Lei 8.313/1991, tendo como base percentuais de deduções fiscais diversos do contemplado pelo citado artigo 18, sendo o projeto enquadrado no artigo 26, o abatimento será de até 40% (quarenta por cento) de doações ou 30% (trinta por cento) do valor dos patrocínios que podem ser recuperados no IRPJ, obedecendo o teto de até 4% do IRPJ apurado na alíquota básica.
Art. 26. O doador ou patrocinador poderá deduzir do imposto devido na declaração do Imposto sobre a Renda os valores efetivamente contribuídos em favor de projetos culturais aprovados de acordo com os dispositivos desta Lei, tendo como base os seguintes percentuais:
I - no caso das pessoas físicas, oitenta por cento das doações e sessenta por cento dos patrocínios;
II - no caso das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, quarenta por cento das doações e trinta por cento dos patrocínios.
§ 1o A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá abater as doações e patrocínios como despesa operacional.
2. METODOLOGIA
A definição da metodologia é de suma importância em um trabalho acadêmico, pois orienta todas as fases do estudo. Vergara (1997, p. 12), informa “método é um caminho, uma forma, uma lógica de pensamento”. O autor deve seguir este caminho por toda sua pesquisa, criando coesão de pensamento em seu texto.
Compreende esta pesquisa um Estudo de Caso de uma empresa do ramo de eventos situada na cidade de São Paulo. O professor Antônio Joaquim Severino (2007, p.121) conceitua
estudo de caso como sendo uma “pesquisa que se concentra no estudo de um caso particular, considerado representativo de um conjunto de casos análogos, por ele significativamente representativo”.
Nesse sentido, os resultados serão apresentados sobre forma quantitativa, traduzindo em números as informações para serem classificadas e analisadas.
O presente estudo apresenta uma análise das apurações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) de uma empresa do ramo de eventos, optante pelo Lucro Real anual, aspirando um cenário de economia tributária, tendo como escopo a abordagem de formas de planejamento tributário através dos incentivos fiscais federais elencados na Lei Rouanet, os quais possam vir a ser empregados pela organização.
Foram simulados três diferentes cenários de apuração do IRPJ e da CSLL desta empresa de eventos com a intenção de verificar os efeitos dos incentivos fiscais federais da Lei Rouanet, conforme demonstrado na Tabela 1.
Tabela 1: Cenários simulados Cenários do Estudo de Caso
Descrição
Faturamento
Anual Patrocínio
1º Apuração Normal 43.912.462,85 -
2º
Apuração utilizando Patrocínio da Lei Rouanet
(art. 18) 43.912.462,85 75.000,00
3º
Apuração utilizando Patrocínio da Lei Rouanet
(art. 26) 43.912.462,85 75.000,00
Fonte: Elaboração própria.
Após a apresentação de resultados dos três cenários simulados, foi realizado um comparativo com a análise das melhores opções para alcançar a economia tributária almejada.
Sem, no entanto, ter a intenção de esgotar o tema, o presente estudo serve como referência a outras empresas que se encontrem em situação equivalente, além de possibilitar o aprofundamento do tema proposto e a aplicação de conhecimentos teóricos.
Nesta pesquisa foram considerados os aspectos técnicos para a elaboração e apresentação de trabalhos técnico-científicos fixados pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas e padrão UFF.
3. ANALISE DOS RESULTADOS
O estudo de caso deste artigo aborda uma empresa do ramo de eventos, optante pelo Lucro Real Anual, com faturamento no ano-calendário de 2017 no valor de R$ 43.912.462,85. Diante do alto valor faturado, os dirigentes dessa empresa resolveram realizar um planejamento tributário baseado na adoção de medidas licitas que possam reduzir o ônus tributário dos tributos sobre o lucro.
Com isso foi decidido pela utilização de incentivos fiscais baseados na Lei de Incentivo à Cultura, popularmente conhecida como a Lei Rouanet.
Três cenários foram simulados pela equipe tributária da empresa com o intuito de verificar quais seriam os efeitos dos Incentivos Ficais na apuração dos tributos sobre o lucro.
3.1 ANALISE DO 1º CENÁRIO
Neste primeiro cenário a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) é realizada de forma tradicional, ou seja, sem a utilização de quaisquer incentivos fiscais.
Com o Lucro Real anual apurado, calculam-se o IRPJ e a CSLL utilizando as alíquotas pertinentes a cada um, o que neste caso totalizam o valor de R$ 14.906.237,37 destes tributos, conforme ilustrado na Tabela 2.
Tabela 2: Apuração Normal do IRPJ e da CSLL Sem Lei Rouanet
Descrição IRPJ CSLL
1 Lucro antes do Incentivo 43.912.462,85 43.912.462,85
2 Patrocínio da Lei Rouanet - -
3 Base de Cálculo do IR e da CSLL 43.912.462,85 43.912.462,85
4 Lucro Real (item 3) 43.912.462,85 43.912.462,85
3.2 ANALISE DO 2º CENÁRIO
Em seguida, foi simulado o efeito de um patrocínio no valor de R$ 75.000,00 realizado a um projeto social elencado na lista autorizada pelo artigo 18 da Lei Rouanet, conforme ilustrado na Tabela 3.
Tabela 3: Apuração do IRPJ e da CSLL utilizando a Lei Rouanet do art. 18 Com Lei Rouanet do art. 18
Descrição IRPJ CSLL
1 Lucro antes do Incentivo 43.912.462,85 43.912.462,85
2 Patrocínio da Lei Rouanet (art. 18) 75.000,00 75.000,00
3 Lucro antes dos Impostos e Contribuições 43.837.462,85 43.837.462,85
4 Lucro Real (item 3 + 2) 43.912.462,85 43.912.462,85
5 IRPJ (15% s/ item 4) (6.586.869,43)
6
IRPJ - Adicional de 10% s/ (43.912.462,85 -
240.000,00) (4.367.246,29)
7 Lei Rouanet - Dedução IR (até 4% do item 5) 75.000,00 8 Imposto de Renda à pagar (5 + 6 + 7) (10.879.115,71)
9 CSLL (9% do item 4) (3.952.121,66)
10 Total do IRPJ e da CSLL (8 + 9) (14.831.237,37) (14.831.237,37)
11 Lucro Líquido (3 - 10) 29.006.225,48 29.006.225,48
Fonte: Elaboração própria.
O valor patrocinado é classificado como uma despesa operacional não dedutível, ou seja, não reduz a base de cálculo da apuração dos tributos. Com isso os valores do IRPJ e da CSLL seriam o mesmo do cenário anterior, pois a base de cálculo e as alíquotas dos tributos são as mesmas.
No entanto a empresa tem o direito de deduzir integralmente o valor patrocinado no imposto de renda alíquota básica a pagar, limitado ao teto de 4% do IR devido. Baseado no
6
IRPJ - Adicional de 10% s/ (43.912.462,85 -
240.000,00) (4.367.246,29)
7 Lei Rouanet - Dedução IR -
8 Imposto de Renda à pagar (5 + 6 + 7) (10.954.115,71)
9 CSLL* (9% do item 4) (3.952.121,66)
10 Total do IRPJ e da CSLL (8 + 9) (14.906.237,37) (14.906.237,37)
11 Lucro Líquido (4 - 10) 29.006.225,48 29.006.225,48
Fonte: Elaboração própria.
*Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) *Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ)
valor apurado pela empresa em questão, o montante que poderia ser investido seria de R$ 263.474,78 (4% do item 5 da tabela), desta forma os R$ 75.000,00 de patrocínio será 100% recuperado.
Neste cenário o valor patrocinado será contabilizado como despesa operacional, devendo ser adicionado na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O total de tributos teria o mesmo valor do CENÁRIO 1, porém com a dedução total do valor investido no projeto cultural. 3.3 ANALISE DO 3º CENÁRIO
Logo após, a simulação foi realizada com o mesmo valor de R$ 75.000,00 de patrocínio, porém em um projeto social enquadrado no artigo 26 da Lei Rouanet, conforme ilustrado na Tabela 4.
Tabela 4: Apuração do IRPJ e da CSLL utilizando a Lei Rouanet do art. 26 Com Lei Rouanet do art. 26
Descrição IRPJ CSLL
1 Lucro antes do Incentivo 43.912.462,85 43.912.462,85
2 Patrocínio da Lei Rouanet (art. 26) (75.000,00) (75.000,00)
3 Base de Cálculo do IR e da CSLL 43.837.462,85 43.837.462,85
4 Lucro Real (item 3) 43.837.462,85 43.837.462,85
5 IRPJ (15% s/ item 4) (6.575.619,43)
6
IRPJ - Adicional de 10% s/ (43.837.462,85 -
240.000,00) (4.359.746,29)
7 Lei Rouanet - Dedução IR (30% sobre o item 2) 22.500,00 8 Imposto de Renda à pagar (5 + 6 + 7) (10.912.865,71)
9 CSLL (9% do item 4) (3.945.371,66)
10 Total do IRPJ e da CSLL (8 + 9) (14.858.237,37) (14.858.237,37)
11 Lucro Líquido (4 - 10) 28.979.225,48 28.979.225,48
Fonte: Elaboração própria.
O valor patrocinado é classificado como uma despesa operacional dedutível tanto no IRPJ como na CSLL, ou seja, reduz a base de cálculo da apuração destes tributos. Com isso, a empresa já teria uma economia tributária de 34% do valor investido em patrocínio, ou seja, deixaria de pagar R$ 25.500,00 destes tributos só pela redução da base de cálculo.
No entanto a empresa só terá o direito de deduzir 30% do valor patrocinado no imposto de renda alíquota básica a pagar, também limitado ao teto de 4% do IR devido. O teto desta simulação seria de R$ 263.024,78, que é o montante máximo que poderia ser investido,
mas a empresa foi conservadora nesta escolha. Desta forma R$ 22.500,00 do patrocínio (30% de R$ 75.000,00) podem ser recuperados pois respeitam os limites do artigo 26.
Neste cenário o valor dos tributos IRPJ e CSLL totaliza R$ 14.858.237,37.
3.4 ANALISE COMPARATIVA
Nesta parte da pesquisa será apresentado a economia tributária da empresa em participar dos incentivos fiscais gerados pela Lei Rouanet apresentados na Tabela 5.
Tabela 5: Comparativo das apurações do IRPJ e da CSLL
Sem Lei Rouanet Lei Rouanet (art. 18) Lei Rouanet (art. 26)
DESCRIÇÃO TRIBUTOS TRIBUTOS TRIBUTOS
1 IRPJ (15%) (6.586.869,43) (6.586.869,43) (6.575.619,43)
2 IRPJ - Adicional de 10% (4.367.246,29) (4.367.246,29) (4.359.746,29)
3 Lei Rouanet - Dedução IR - 75.000,00 22.500,00
4 IRPJ à pagar (1 + 2 + 3) (10.954.115,71) (10.879.115,71) (10.912.865,71)
5 CSLL (9%) (3.952.121,66) (3.952.121,66) (3.945.371,66)
6 Total do IRPJ/CSLL (4 + 5) (14.906.237,37) (14.831.237,37) (14.858.237,37)
Art. 18 x Sem Art. 26 x Sem Art. 26 x Art. 18
Descrição Comparativo % Comparativo % Comparativo %
1 IRPJ (15%) - (11.250,00) (11.250,00)
2 IRPJ - Adicional de 10% - (7.500,00) (7.500,00)
3 Lei Rouanet - Dedução IR (75.000,00) (22.500,00) 52.500,00
4 IRPJ à pagar (1 + 2 + 3) (75.000,00) (41.250,00) 33.750,00
5 CSLL (9%) - (6.750,00) (6.750,00)
6 Total do IRPJ/CSLL (4 + 5) (75.000,00) 0,50 (48.000,00) 0,32 27.000,00 (0,18)
Fonte: Elaboração própria.
Dentre os cenários abordados, pode-se constatar que entre realizar a apuração sem utilização de nenhum incentivo fiscal e com a utilização do artigo 18 da Lei Rouanet, não houve diferenças relativas ao valor dos impostos inicialmente apurados, salvo a dedução que gera uma economia de 0,50% no total dos tributos a pagar. O valor referente ao patrocínio de R$ 75.000,00 não influenciou na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, deste modo os valores dos impostos seriam os mesmos no caso de a empresa utilizar ou não utilizar o mecanismo de patrocínio constante no artigo 18 da Lei Rouanet. A economia tributária obtida neste caso foi referente a totalidade do valor patrocinado, pois a empresa conseguiu abater integralmente do IRPJ devido. Pode-se dizer que a empresa, através deste incentivo fiscal, só direcionou o
valor que pagaria de Imposto de Renda Pessoa Jurídica para um projeto social escolhido que se enquadrava na lista autorizada pelo artigo 18 da Lei Rouanet.
Já no cenário em que foi utilizado o incentivo referente ao artigo 26 da Lei Rouanet, existem dois efeitos relacionados ao valor patrocinado de R$ 75.000,00, um em relação a dedução direta do IRPJ a ser pago e o outro ao considerar o valor do patrocínio como despesa operacional dedutível, assim reduzindo a base de cálculo do IRPJ e CSLL, dessa forma constatou-se uma economia no Imposto de Renda a pagar de 64% do patrocínio realizado, ou seja, R$ 48.000,00 a menos no imposto de renda a ser recolhido, conforme demonstrado na Tabela 6.
Tabela 6: Efeitos do art. 26
BENEFÍCIOS PATROCÍNIO - ART. 26
Dedução direta do IR 30%
Dedução (Despesa Operacional) 34%
Total 64%
Desembolso 36%
Fonte: Elaboração própria.
No cenário acima, a economia de R$ 48.000,00 corresponde a 0,32% em relação ao apurado sem a utilização de incentivos fiscais.
Na comparação entre a apuração do IRPJ e da CSLL considerando o artigo 26 e o artigo 18 da Lei Rouanet, é observado uma diferença do IRPJ em favor do artigo 26 em R$ 18.750,00 (R$ 11.250,00 referente ao IRPJ e R$ 7.500,00 referente ao adicional do IRPJ), em virtude da redução da base de cálculo. Ocorreu também um valor menor de CSLL de R$ 6.750,00 ao optar pelo artigo 26 em comparação com o artigo 18.
A maior diferença, no entanto, é relacionada a dedução do valor patrocinado, pois no artigo 18 pode ser deduzido 100% do investimento no IR devido, enquanto no artigo 26 a dedução do patrocínio é limitada a 30% do investimento, ambos obedecendo o limite de 4% sobre o IR devido. Neste caso ocorre uma diferença de R$ 52.500,00 na dedução direta do IR em favor do artigo 18.
No final, se considerar somente o valor total do IRPJ e da CSLL calculados, a opção pelo artigo 26 saiu em desvantagem de R$ 27.000,00, ficando assim com uma carga tributária maior em 0,18% se comparado com o total dos tributos apurados considerando o artigo 18.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O intuito deste trabalho foi analisar o planejamento tributário de uma empresa do ramo de eventos, optante pelo lucro real anual, em relação a utilização de incentivos fiscais federais com foco na Lei de Incentivo à Cultura, popularmente conhecida como Lei Rouanet.
Em um momento em que as empresas necessitam adotar um planejamento tributário cada vez melhor para enfrentar a alta carga tributária do Brasil, em especial dos tributos sobre a renda (IRPJ e CSLL), os incentivos fiscais se tornam uma valiosa arma para a melhora no nível de eficiência fiscal de cada empresa, possibilitando ainda ganho midiático ao patrocinar eventos culturais no país.
Considerando apenas a economia tributária encontrada no estudo de caso, foi verificado que não houveram diferenças relativas ao valor dos impostos inicialmente apurados ao realizar a apuração utilizando ou não o artigo 18 da Lei Rouanet, salvo a dedução integral do valor patrocinado (considerando o teto de 4% sobre o IR devido) o que gerou uma economia tributária de 0,50% no total de tributos a pagar.
Já com o projeto enquadrado no artigo 26 da Lei Rouanet, ocorre um ganho tributário de 34% devido ao enquadramento do valor patrocinado como despesa operacional dedutível, o que diminui a base de cálculo da apuração dos tributos, além de dedução direta do IR de 30% do investimento. No total dos tributos foi observado uma economia tributária de 0,32%. E em uma comparação direta entre os projetos enquadrados no artigo 18 e 26 da Lei Rouanet, foi observado em favor do artigo 18, uma economia tributária de 0,18% considerando o total dos tributos a pagar.
No entanto, o que é observado ao analisar mais a fundo os cenários apresentados no presente artigo é de que o maior ganho possível das empresas que se utilizam dos incentivos da Lei Rouanet, não está presente somente na redução dos tributos, a partir da dedutibilidade da despesa operacional com o patrocínio em sua base de cálculo, conforme verificado nos projetos do artigo 26 e nem tampouco na restituição integral do valor investido em patrocínio dos projetos enquadrados no artigo 18, mas sim em relação ao imenso retorno midiático que o apoio de certos projetos culturais podem proporcionar.
Para a empresa se torna muito positiva a divulgação como uma organização que apoia a cultura no país, afirmando sua responsabilidade social perante a comunidade e também
dentro de seu próprio ambiente corporativo, reforçando junto aos seus colaboradores uma imagem institucional de uma empresa que se importa com o desenvolvimento cultural do país.
Ao elaborar tal artigo foi verificado que ainda existe muita dúvida em relação aos verdadeiros benefícios que uma empresa tem ao optar pela utilização de incentivos fiscais federais no país, obrigando os profissionais da área tributária a se manterem permanentemente atualizados e familiarizados com a legislação tributária vigente.
Não se pretendeu esgotar o tema, mas sim provocar interesse na discussão de um tema de grande relevância para as empresas, profissionais da área, comunidade e para o Brasil.
REFERÊNCIAS
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