"
Ano
VIII
n? 4s
E
M
A
N
A
L
Jornal Laboratório- UFSC/CCE/COM - 17 a24 de outubro de 1990
Jornalistas
inventam
umaforma
de
colocar
noar anotícia
mais censurada dos últimos
tempos
/ttl
OPERAÇAO
PAPAGAIO
DE
PIRATA
Página
3 ...DE
LAMA
A
história
real
e
cruel
da
pr.imeira
invasão
urbana
dos
sem.teto
catarinenses
2
..
EDITORIAL
Oquefazer
para
publicar
suas
matérias
Para manter-sesemanaloZe
ro
precisa
terumaestrutura mínima que lhe dê
suporte
editorial. Por
isso,
osalunos da disciplina
Edição
II foram convocadose terãosuasatuaçõescomo
editoresdo Zeroavaliadascomo
parte
do conceito final dosemestre.
Assim,
quemquiser
oferecerpauta
oumatériapode
procurardiretamenteoseditores das vá
rias seções ou continuarentre
gando
paraosupervisor
do LabOrai Oseditoressão:
geral (pá
ginas
3ecentrais)
Rosane Porto eCláudioToldo;
UFSC(página
2)
aziasDeodatoJr.;gente
eroteiro
(página
6) Gisele Dias eChristiane
Balbys;
cultura(pá
gina
7)Raquel
Eltermanneúlti mapágina
Viviane Nunez Sommer.Todasassemanasoutrosalu
nos
podem participar
do fechamento,
seja
comorepórteres,
co moeditores assistentes(osdestasemanaforam IvaJdoBrasil
Jr.,
Pedro Saraiva e Ana Cláudia
Menezes)
ou comodiagramado
res (Ivan Rau e Nilva Bianconesta
edição). Apareçam,
sextafeirasempre tem
serviço.
ZERO
***
MelhorPeça
GráficaI,
/I e 11/ Set Universiterio Maio 88 Setembro 89 Setembro 90Jornal Laboratório do Departa
mentodeComunicaçãodo Centro de Comunicação e Expressão da
universidade Federalde Santa Ca tarina. Editado sob a
responsabili
dade do Laboratório de Jornalismo Gráfico.
Supervisão:Jornalista Prof. Cesar Valente
(Reg.
706/SC)Colaboração: Jornalistas Profes
soresRicardoBarreto,LuizA.Scot
to deAlmeidaeGilkaGirardello. Redação: CCE/COM/UFSC, Cam pus daTrindade,88035 -Florianó polis -SC - Brasil. Fone (0482) 31-9215 e 31-9490. Fax (0482) 33-4069. '
quinzenal, participação
emencontrosestu dantis erealização
do III SetInterno,
doconcurso Garota Caloura 91 e do
calouro
otário do mês.
Alguns
CA'sjá
realizarameleições
nesteano como ode
Engenharia
Elétrica,
Far mácia eOdontologia.
No C.A. de Odonto aeleição
foi nos dias 29 e 30 de agostoondea
chapa
"Rebuliço",
únicaconcorrente,foi eleita. Anova
diretoria,
constituídapor 15 pessoas, tomou posse no dia 27 de
setembro.
Outros centrosacadêmicosvão realizar
suas
eleições
como o deMatemática,
nosdias10e11de
outubro,
Engenharia
Sanitária,
em 30 de outubro e daMedicina
eQuínmica
emnovembro.Também em novembro deve acontecer
a
eleição
paraoDiretórioCentraldosEstu
dantes. ODCEconvocouparaodia17
um),
reunião do CEB
(Conselho
de EntidadesdeBase)visandoa discurssãodas
eleições
eformação
dechapas.
O coordenadorgeral
do
DCE,
HorácioJoaquim
Perez,
vai pro pornareuniãoqueospróximos
CA'sa realizarem
eleições façam-nas
junto
com adoDiretório
Central, pára
quehaja
umaparticipação
maior dosestudantes.Jornalismo da
UFSC
ganha
mais
,
dois
prêmios
Cristina N. Gallo
"Novos talentos estão nascen
do" e foram
apresentados
no 3? SET Universitário - Festival deLaboratórios de
Comunicação
daRegião
Sul,
naPUC de Porto Alegre, entreosdias 25e28desetem
bro. Foram 463trabalhos inscri
tosnas
categorias
devídeo, áudio,
textoepeça
gráfica. Segundo
Nil vaBianco,
alunadaUFSC,
ostra balhosdeixaram bastanteadesejar
e ofestival foi malorganizado,
talvezem
conseqüência
da greveda PUC que
já
dura mais de 50 dias.Dezoito trabalhos foram pre
miados,
sendo 16do RSedois deSanta Catarina. O
Paraná,
queparticipou pela
primeira
vez nãolevou nenhum. Fomos
premiados
em
Vídeo-jornalismo
e documentáriocom"Joãoe
Maria",
deArley
Machado e
tri-campeões
empeçagráfica
com o Zero: Janeiro 90-Balanço
da Década de 80".PREMIAÇÕES.
Vídeo Publicitário:"
Família",
deTalesBahú-
Famecos
; Vídeo Exerimental:
"Epilético"
Felipe
Garcia Vieira
-PUC;
FotoExperimental:
"theRaven" de
Édson
Luís Gastaldo
-Fabico/UFRGS;
Foto Futurismo:"Santiago",
deRicardo Barcelos-PUC;
FotoJornalismo: "Marioné tica.Dança"
de EduardoRangel
Monteiro-Unisinos;
Foto Publici tária: "Dachstein III" de Ricardo Barcello-PUC;'
Áudio Experi
mental:
"Evolução
da Música noCinema",
de Carlos Roberto Bar bieri-Fabico/UFRS; Áudio
Jorna.lismo: "A Era do
Som",
de LauroBons Santos
-Famecos;
Spot:
"OAssalto",
de Alexandre Lucas daCosta
-Famecos; Jingle: "Calças
Lee",
de Flávio LuísAlbuquerque
-Famecos; Peça
Gráfica Publicitária: "A Kodak
Ajuda
VocêSaber Disso" deCláudioPIetsch-Fame-.
cos;
Campanha
Publicitária: "PrimeiraMostra deClássicosdo Ci
nema",
de Daniela Ferreira- Famecos;
Reportagem:
"Ilhas - OsSegredos
doGuaíba",
deRegina
Diehl
-Famecos;
Crônica: "TV AindaaMelhorDiversão",
de Carolina Bahia
-Famecos;
Fera da Sala de Aulacom oVídeo: "Amnésia",
de Daniel Moreira - Unisinos.
Os trabalhos serão
apresenta
dosao
público
naspróximas
sema naspela
TVE e RBS TV do RioGrandede SulePrefeitura de Por
to
Alegre.
Infelizmente,
Santa Ca tarinae Paraná nãopoderão
assistiràs
produções
premiadas.
Chapa
que
propõe
aredecoração
do
C.A. é
a"novidade"
noJornalismo
Desmotivação
estudantil
Luciana Carvalho
OCentro Acadêmico Livre deJornalis
mo
(C.A.L.S.)
estariarealizando nos dias17 e 18de outubro as
eleições
para a suanovadiretoria. Mas
modificações
de última horaobrigaram
oadiamentoparaumadataaindanãomarcada.
É
queaúnica chapa
inscrita,
a"Em Branco" recebeunovosconcorrentes no último
minuto,
fazendocom quetodooprocesso inicialmentepre
visto tivessequesermodificado.
A
votação
será realizada durante dois diaspara quehaja
uma-maiorparticipação
dos
estudantes, pois
segundo
JoséRicardoJacques,
candidato apresidente,
do C.A. L.J.pela
"EmBranco",
"omovimentoestudantil está num processo de desânimo"
causando um esvaziamento dos centros
acadêmicos. No caso do Curso de Jorna
lismo isto écomum eJosé Ricardoafirma
que é
preciso
dar uma"injeção política"
nocurso.
A
chapa
"EmBranco",
conforme declarao
candidato,
estálançando
umaspropostas
"meio
porra-loucas".
Aspropostas
são asseguintes:
redecoração
doC.A., festas,
in formativo e noticiário de rádio interno.
Abstenção
de
42%
na
APUFSC
Márcia Outra
Anovadiretoria da
Apufsc,
eleitanodia10,
tomou posse ontem à tarde. A únicachapa
queconcorreu foia"Com-Posição",
formada por
integrantes
da ex-diretoria.A
chapa
única recebeu 681 votos dos 776professores
associados que votaram. Ao contrário das últimaseleições
paraos go vernos dos estadosbrasileiros,
o númerode votos brancos
(49)
e nulos (46) não foigrande,
oque foiexpressive
foio número deabstenções.
Dos 1619professores
sócios daApufsc
(dosquais aproximadamente
150 estão afastados para
pós-graduação),
cercade 624
professores
não votaram. Segundo
oprofessor
Raul ValentimdaSilva,
presidente
da ComissãoEleitoral,
"a desmobilização
eacomodação
dosprofessores"
foram,
as causasdetantasabstenções.
Eleacreditaqueos
professores
acharam"desnecessáriovotardevidoaofato desomente
uma
chapa
concorrer".Mesmocomquase 50%de ausência dos
professores
naeleição,
onovopresidente,
Marco Da
Ros, professor
doCentrode Ciên ciasdaSaúde,
acreditaqueachapa
eleita"tempesoacadêmicoeestábastanteafina
da com a maioria do movimento docente
emtodooBrasil". Parao novo
presidente
osvotosnulosebrancos"refletemque te mosprofessores
que discordam de nossapolítica,
massão poucos,comomostramosnúmeros". O
grande
número deabstenções
também foi considerado
pelo
novopresi
dentecomocomodismo dos
professores
associados.
Anovadiretoriaassume comvárioscom
promissos
de"campanha"
acumprir.
Omaiornúmero de
propostas apresentadas
no boletimde
campanha
écomrelação
aofuturo da
própria
entidade. Anovadiretoria
promete
ampliar
opatrimônio
adminis,trativoda
Apufsc,
profissionalizar
osfuncionários que trabalham na entidade e
principalmente
redimensionar eampliar
osespaçosdasede
atual,
através decapta
çãoderecursos
extra-orçamentários.
cA.
chapa
vencedora tambémapresenta
propostas
como atransformaç_ão
daApufsé
em
Seção
SindicaldaAndes,
Sindicato Na:cional,
paraqueaentidadepossaagir
comprerrogativas
sindicaisplenas.
HU PASSA MAL
A matéria sobre a situação do Hospital
Universitário,publicadanaediçãodasema napassadaàpágina2 recebeu, domédico
residenteEliézerSilva,em nomedaComis
são deGrevedaquela categoria, alguns re
paros. Eleafirmaque não disseafrase "nós
somos escravosmalpagos".
O médico também localiza duas informa
çõesincorretasnamatéria:"não foi afirmado que não tínhamos direito à alimentação" e o saláriodos residentes, que nãoé do Cr$ 37 mil comofoi publicado, mas de Cr$ 33 mil.
FOTOJORNALISMO
Na última página da edição da semana
passada, por um erro de revisão, foi dado créditoaOlívio Lamasem umafoto deLauro Maeda.
Uma
operação
de
"guerrilha"
enfrenta
comcriatividade
ebom humor
aintransigência
Sindicatodos Jornalistas
Jornalistas
lutam
para
poder
informar
que
ganham
muito
pouco
os
rinajornalistas
descobriram,
de Santa Catanas eleiçõesde3de
outubro,
umafaceaté então desconhecida da "democracia" dos
meios
decomunicação.
A
RedeBrasilSul-RBS,
principal
empresado setornoEstadousou
polícia parti
Gular
paraimpedir
aveiculação
de umanotícia escrita e censurada
pelos
donosda
imprensa:
"Jornalistasganham
salá riodeCr$
23mil".A
força
paramilitar daRBS,
recrutada entre lutadores de academias de artesmarciaisePMs
inativos, porém,
nãoconseguiu
evitarseteinserções
naTV,
uma emrede nacionalpela
Globo.Quando
umrepórter
entravacomboletimaovivosobrea
eleição, aparecia
atrásdeleumcartazCom
palavras
de ordem dosjornalis
tas. Foia
primeira
vez no Braril queostrabalhadores da
comunicação
realizaramestaforma de
protesto.
-A-idéia da
"operação papagaio
depirata",
como também ficouconhecida,
nasceuna assembléia da noite
anterior,
.quando
osjornãlistas
decidiram entrarem estado degreve para cobrara repo
sição
de175%,
assegurada pelo
TribunalRegional
doTrabalho,
nojulgamento
dodissído,
em 3desetembro;
eumadívidade
Cr$
122 mil decorrente desta decisão atéasuspensão
deseuefeitos, pelo TST,
nodia 25 de setembro.
A
primeira
tentativade"emplacar"
o.
protestoeletrônicoocorreuporvolta das
7h30min,-
quando
osprimeiros
eleitoressaíamàsruaspara votar.O
repórter
Walter
Souza,
12 anos deRBS-TV,
entrariaaovivono"Bom DiaSanta Catarina"
pá
rafalardo movimento deeleitores noTer minal Urbano Cidade de
Florianópolis.
Um grupo dejornalistas
enfeitariao cenáriocinzento do terminalcomfaixas e
cartaser,
nahora doboletim,
que acaboucancelado
"por problemas
de antena". Aequipe
de TV saiu emziguezague pela
cidade,
para driblar os manifestantes ecumprir
apauta
aqualquer
custo. Foiparar
em
Ratones,
semaparecerno"BomDia",
queterminouemalvoroço
quereuniua
direção
daempresa, às pressas,noMorro da Cruz.
Depois
de vários boletinscancelados,
Walter Souzavoltouàcena,ao
meio-dia,
na sede do Tribunal
Regional
Eleitoral. Convicto de que estavaprotegido pela
inexpugnável
fortaleza daJustiça
Eleitoral,
contouemmeioagargalhadas
asperipécias
doscolegas
deprofissão
que,"de forma muitoorganizada",
the haviamproporcionado
uma"folga"
em dia tãoagitado
para aimpresa,
Só franziuo cenho para dizer que os
"jornalistas
estãoatrapalhando
o trabalho deumjornalis-ta".
-Quando "emplacou"
umaentrevistaaovivocom o
corregedor
eleitoralNapoleão
Amarante,
às12h50min,
noJornaldoAI-A
operação "papagaio
de
pirata"
naOktoberfest
particular
emconcorrência com a PM e aPolíciaCivil. Ojuiz
daPJuntaApura-
dora,
Fernando deCarvalho,
cassou ascredenciais
de doisrepórteres-diretores
do Sindicato e osexpulsou
doginásio
3da
UFSC,
depois
de ordenaràpolícia
querevistasse um
deles, repórter
do JornalO
Estado,
o mesmo que fora insultadopor Walter Souza.
O Sindicato dos
Jornalistas,
queaindaenfrentou a truculência da RBS no dia
seguinte,
emfrenteaoDiário Catarinense,e no
sábado,
dia6,
no"Jornal do Almoço
Especial"
emBlumenau,
registrou
queixa
contra essesabusosno1�Distrito Policial deFlorianópolis
ejunto
aoTRE.Parao
presidente
doSindicato,
CelsoVizenzi,
arepressãoe a censurapraticadas
pelos
donos dos meios decomunicação
"desmascaram
completamente
afaláciada liberdadede
expressão,
deimprensa.
Aparece
sóaverdade deles".Os
empresários
se assustaram com oprotesto eletrônico,
mas continuam descumprindo
oacordocoletivo,
comasbençãos do
TST,
dizo Sindicato. E elestêm aliados entre ospróprios
jornalistas,
-garante Vizenzi,
-"Alguns
com nívelprofissional
tãobaixo,
que seriamcapazes de
tudo
para aparecer na telinha".Repórteres
quereagiam
comumaexpressão
patética
àsmanifestações
dacategoria no dia 3 de outubro:
"Estragaram
ami�ha
matéria".moço, osorridente
repórter
empalideceu.
Atônito,
aoperceber
nomonitor de vídeoque pordetrás de sua
própria cabeça
alguém erguia
um cartaz com os dizeres"RBS - Rede de Baixos Salários". Mal
terminouo
boletim,
eledescamboupara uma reaçãopreconceituosa:
"Tinha queser
nego!
Tinha que sernego!
Tinhaque sernego!", esbravejou,
para espantoatédo
corregedor.
Ocartaz,
legível
paraostelespectadores,
encerrou a RedeRegio
nal de Notícias.
A
tarde,
odirétorresponsável pelo
Departamento
deTelejornalismo
daRBS,
Claiton
Selistre,
pediu "proteção"
àPM,
conformeregistro
doCOPOM. Aempresa aindaarmou umescudo dealterofilistas,
comandadosporum
ex-policial gaúcho
decodinome "Dinho"- informaoSindicato
-,aoredor dos
repórteres
descolados para asduas centrais deapuraçãodo
TRE,
os'ginásios
da UFSC e o da Astel. Osagentes
daRBS,
usando credenciais deoperadores
de VTe umdelescomocrachádo coordenador
geral
deTelejornalismo,
Anselmo
Prada, agrediram
jornalistas
aosempurrões e rasgaram cartazes. Fo
ram.
ajudados
poroperadores
das concorrentes,
quando
oprotesto
já
freqüentava
todasastelinhas.
A
Justiça
Eleitoral,
que se curvou àprogramação
daGlobo,
aoesperar queaemissora liberasse canal para a RBS e
sóentãoabrira
primeira
urnadaCapital,
também permitiu
a atuação dapolícia
Cláudio Silva da SilvaPORUM
PEDAÇO
DE LAMA
Geraldo Hofmann
Eram
duas horas da
manhã
e
fazia
um
frio de
bater
o
queixo.
Para
ronda
montada
da
Polícia
Militar,
que
acabava
de
cruzar
o
terreno
baldio,
estava
tudo
em
ordem. A
poucos metros
do
rastro
da
cavalaria,
lideranças
do
Movimento
.Sem-Teto
..serviam
de
baliza
para
demarcar
os
lotes,
que
estavam
sendo
sorteados
ao
redor
de
uma
fogueira,
num
beco
próximo
dali.
Assim
que
eram
sorteados,
os
sem-teto
recebiam
uma
senha,
um
número
escrito
em
verde
num
pedacinho
de
cartolina,
que
servia
de
passaporte
para
cruzar
a
fronteira
entre
o
sonho
de
ter
o
próprio
teto
e
a
Fotos:GeraldoHofmanneJacquesMick
Até
Odia 29
dejulho
de1990,
amaioria dos habitantes deFlorianópolis
só conheciaos
acampamentos
de SemTerra através da
imprensa
ou dosbarracosdelonaque,devez emquan
do,
aparecemnasescadarias daCatedral ou em frente ao Palácio do Go verno. Na
madrugada daquele
domingo,
umacentenadefamíliassemterra,sem-tetoesem-medoocuparam
um terreno da
COHAB-Companhia
Estadual deHabitação,
às margensda BR-282
(Via
Expressa),
na entradada cidade. Foia
primeira
vezque um grupo de famílias sejuntou
para ocupar terras urbanas em
Santa Catarina. As outras ocupa çõesda
Capital
aconteceramdesordenadamenteSurgia
umbarracoaqui,
outro
ali,
cada moradorse instalavapor contra
própria
e, aospoucos,
seformavamasfavelas.
Aquelas
cemfamílias tinham esperado muito
tempo
parapoder
sonhar sob opróprio
teto. Muitas delas ti nhamchegado
do interior de SantaCatarina,
háquinze,
vinte anos-quando
asvelhascasasaçorianas
daIlhacomeçarama serdemolidaspara
dar
lugar
aosgrandes
edificios-. Opedreiro Atílio,
porexemplo,
veio depois
queosdonosentravam,euconti nuavalá,
no meu barraco de zinco nafavela".Aquelas famílias,
como as outras 200 mil sem-eto de SantaCatarina,
já
tinhamentreguemontanhasde documentoseabaixo-assinadosàs auto
ridades
pedindo
casa. Em troca, haviam recebido castelos depromessas.
Apresentaram
umprojeto
de lei aosdeputados
na AssembléiaLegislati
-va,para que 1% do ICMS fossedesti
nadoàconstruçãodecasas
populares.
Mas os
parlamentares
orejeitaram,
com. a
desculpa
de que "o povo nãosabe escrever leis". O
usucapião
urbano foi
aprovado
pelo
Congresso
Constituinte. Se tivesse saído dopa
pel, regularizaria
apropriedade
de25mil moradoresdos morros de Floria
nópolis.
Agora,
sob apenumbra
das luzesdaVia
Expressa
e deum céu a toda horariscado porestrelas
cadentes,
ossem-tetoavançavamatravés da lama
edo frio. Em
silêncio,
comoformigas
carregadeiras,
transportavama casa e ocoração
aospedaços.
Atémulheres comcrianças
chorandonocoloajuda
vam acarregaramudança.
Aslágri
masdascrianças
iam misturar-seaoterreno quecobria
pedaços
demadeitábuas,
chapas
dezinco,
Sem-teto constroem pequenos casebres numaárea da COHAB.
É
aprimeira
invasão de terra urbanaemSanta
Catarinapa,
fogões
antigos, botijões
de gás,louças queimadas,
gatos
e cachorrosvira-latas,
ummontede tralhas quemais tarde tomaria forma nos case
bres.
O vaivém de silhuetaseracadavez
maisintensonanoite.
Chegavam
devários
pontos
daCapital,
da casadeparentes
onde se amontoavam há anos. Ogari
Derci tinha sidodespe
jado
de umacasaalugada
naCostei ra. O dono tinha destelhado a casapara queelenãovoltasse.Afax:ineira
Rosane,
de 18anos,com umameninade nove meses nos
.braços,
vinha de umcortiço
da Rua Conselheiro Mafra.Temgente
que
dáumarisadinhamaliciosa
quando
se fala dessa "rua dasprostitutas",
masalimoramtambém
faxineiras,
pedreiros,
vendedores
ambulantes,
vigias
...Veioanotícia dequeumsem-teto
tinha adormecidoecaídona
fogueira,
enquanto
esperava o caminhão demudança.
Foi parar nohospital
equando
voltouasi deixouosmédicosperturbados.
"Tenho que ir pra ocupação,
senão nãoganho
meupedaci
nho de terra",
gritava.
Era umabaixa, mas não
poderia
deteraquele
exército que lutava contra ofrio,
anoite e alama e
erguia
osprimeiros
barracos de lona para
abrigar
os filhos. Vencidos
pelo
cansaço,alguns.
deles adormeciam ao
relento,
embolados sob lonase esteiras.
De
manhã,
uma fina camada degeada
cobriaparte
doacampamento,como o
pó
de farinha que embran quece os telhados dosengenhos
nes sestemposdesafra. Antes de clarear odia,
acenderampequenasfogueiras
e ovapor que saíada boca dos-meninos misturava-se à
fumaça.
Moradoresdo
Conjunto
Habitacionalacorda vam de sobressalto com o ronco doscaminhõesquetraziamos novosvizi
nhos.
Quando
amanheceu,
via-se aspri
meiras casinhas de madeira. Mesmo
os que não eram
carpinteiros ajuda
vam a acelerara construçãocomo se
a nova favela tivesse hora marcada
para ser
inaugurada.
Mulheres estendiam cordasparasecarasroupas epreparavamocaféno
fogo
de chão.Via-seagoraoslimitesde cadaterre
no,indicados portirasde roupas ve
lhase fitasquese usa paraenfeitar
presentes.
Ascrianças
se enturmavam e
aproveitavam
ageografia
acidentada doterreno parainventarno
vas brincadeiras. Pescavam lixo nas
valas cheias
d'água,
abertaspela
CO RABparaimpedir
aocupação.
Foium
domingo
de muitotrabalho,
mas "dágosto
trabalharnoque é dagente".
Houve bate-bocas entre os"Eu acho
justo.
Temqueocuparmes mo. O governo não dá casa praessagente mesmo",
disseumhomem barrigudo
emeiocareca."Essa favela vaidesvalorizar meu apartamento. Já roubaram as cordinhas do meu va
ral",
esbravejava
uma mulher queveiopradentrodo
acampamento
ves.tindo um
roupão que se usa dentro
decasa.
A Polícia Militar
patrulhava
oacampamento
sem ensaiarqualquer
gestoderepressãocontraosque
plan
tavamseusbarracosnaterraverme
lha.Abateria de martelossófoi inter
rompida,
perto
domeio-dia,
quando
apareceu uma
equipe
de TV. Houve corre-corre. Arepórter queria
saberonde estavam as
lideranças,
mas aslideranças
continuavam trabalhan do. Diziamque nãohavialíderes,
que todos os que estavam ali vinham sereunindo nas
estradas,
debaixo deviadutos até fazerem a
ocupação.
"Evocês vão ficar
aqui?
Mas essaterraé da
COHAB",
repetia
ajornalista,
como se a terra fosse dela.Alguns
homens ficaramindignados
com ostrejeitos
inquisidores
darepórter.
Nenhuma autoridadeapareceu para
conversarcomosocupantes.
A
noite,
eles se reuniramjunto
a uma cruz de madeiraplantada
nomeiodolotereservado àcasacomuni
tária. O letreiro "CASA COMUNI
TÁRIA"
já
estavapronto.
Só faltavaa casa.Rezaamsobumcéuestrelado. amarraram um
lenço
brancona cruz.Os olhos de
um
casal decabelos brancos como a
geada
damanhã,
brilha vamàluzdas velasedeumalâmpada
pendurada
na cruz. Os olhos do pe dreiro Atílio-aquele
que veio deChapecó
- também brilhavam. Elelembrava o dia em que uma kombi
se
desgovernou
na ViaExpressa
ecaiu em cima da casa do vizinho. A
mulher desse vizinho foi levada às
pressas para a maternidade e
pariu
umfilhodesetemeses.E,
assim,
cada um lembrava osperigos
e humilhações
porque passaram até entrar na"terra
prometida"
aoutrosmiletantos sem-teto que esperam nas filas
da CORAB. Comasmãosmanchadas de
barro, repartiram
entre si doispães
caseiros. Com estesinal,
"seu" Atílio e sua mulherjunto
a outros.
casais,
abraçados,
selaramo compro-.
misso de
conjugar
osegundo
verboque aparece no lema dos Sem Teto:
ocupar,resistireconstruir.
No dia
seguin\_e,
abatalhapassaria
do terreno baldio para os
gabinetes
do governo.
Começava
a luta porágua
eluz. Comatimidezdospobres
que
chegam
à casa dosricos,
entraram noPalácioSantaCatarina. Ogo
vernadorprometeu quatro
bicas
d'á gua, que deviam servir para os ocupantese amais600famíliasquemo ram nafavelaao
lado,
oPasto do Gado."Luz,vocês
podem
esperar.Eu vivi 31 anos sem luz
elétrica",
disse ogovernador,
que aindanão visitou aocupação,
masachaque émuitaterra para poucagente.Quer
engaiolar
ali 1.400 famílias num novoConjunto
Roteiro
Cinema do CIC
De 17 a 21 de outubro,
o cinema do CIC
exibe,
sempre às 19:30 horas, o
filme "Minha
Pequena
Aldeia",
acomédia tchecaindicada paraoOscar dome
lhor filme
estrangeiro
de 87. Aexibição
destefilme visaa
obtemção
derecursospara a
realização
doCongres-
.soNacional de Professores de Francês em
Florianópo
lis, que será realizado em
28 de fevereiro de 91.
A
promoção
éda Embai xada daTchecoslováquia
em Brasília.
A
programação
seguecom ofilme "O
Cozinheiro,
,
o
Ladrão,
.sua Mulhere oAmante",
sempre às 21horas. O filme é uma
polê
mica
direção
doinglês
Peter
Greenaway,
construídaemtrês atos e um
prólogo,
desenvolvendo-se num pe
ríododedezdiassobosim
bolismo dascoresebasea
do no número sete.
Enuma
promoção
doIns-,
tituto Goethe de São Paulo
e
Aliança
Francesa de Florianópolis,
de24a26deoutubro,
às 19:30horas,
será ,exibido o filme alemão,"Ce!este",do
diretorPercy
!
Adlon.
Nõ
dia27,outraobrado mesmo diretor,
"Bagdá
e Café".
Museu de Arte de
Santa
Catarina Em outubro, o MASC(Mu
seude Arte de Santa Cata
rina),
apresenta os traba lhos de cincoartistas,
comdestaque
para o Rio Grande do Sule Paraná. Paulina Laks apresenta
suas
pinturas
elitografias
ao lado de José Francisco-I
Alves,
GaudêncioFidelis,
Paulo Robertode Christo e
Cyntia
Lorenzo
que
trabalhamcom esculturas., , A
exposição inaugurada
nodia 11
permanecerá
atéodia4de
novembro,
desegunda
a sexta, das 9às 12horasedas13às21 horas.
E nos sábados,
domingos
eferiados,
das17às 22 horas.
Museu de
Antr�polo
gia
da UFSC.:, Durante todo o mês de
outubroasala de
exposição
temporária
do museu deAntropologia
da U FSCapresentará
duas mostras, "Os Bororo-quando
avida passa
pela
morte" .(vja
Odestaque
nestapági
na)
e"Tramas". Tramasexpõe
tecidos de Luiz Costacomesculturasde Frank linCascaes.
Galeria
de artes daUFSC
Estreou no dia 16; terça
feira,
aexposição
de artese artesanato dos funcioná rios da
UFSC,
que vai atéodia4de novembro,
Teatro da UFSC .
Integrando
a mostra deCinema e
literatura,
serão exibidososfilmes: O JovemTorless,
O Pesso Falso eEffi Briest, O cavaleiro do cavalo branco e oAbuso
das cartasde amor. Os fil
mes vieram através de um
convênio do
Departamento
artístico-cultural da UFSCcom o institutoGoethe.
Aterro
da Baía SulNum
pavilhão
de lonapróximo
ao mercadopúbli
co você
poderá
assistir ao3� batismo de
Capoeira
PalmaresSul, nodia20 deou
tubro às 9:30 horas.
Cursos emOutubro
Dia 16teve início o labo ratório
experimental
de Teatro deAnimação
que continuaemfuncionamento até novembro. O laborató rio parte daexperimenta
ção
das diversasformas,
linguagens
etécnicas, utilizadas no
processo
de criação
debonecos, máscarase
sombras,
através daseta-.
pasque levam a
realização
de uma
prática
teatral.AOficinade Arte doMasc promove também um curso
de escultura em bronze,
que teve início no dia 17 e
vai até odia 26 de outubro
e conta com a
orientação
deJosé LuizKincelere Ra fael João
Rodrigues.
Ede 16 de outubro a 16
de
novembro,
oCIC promo've
um cursodeinterpreta
ção
para vídeo. Os orienta doressãoLauro Goes(dire
torde
cena)
e Ronaldo dosAnjos (diretor
d�
imagem).
NÓS
CHAMAMOS
A
TUDO
ISSO
DE·
BLUES
Cláudia
Repsold
Seaperfeição
existe, oheróida
guitarra
EricaClapton
a encontrou,porque
perfeito
éomínimoquese
pode
dizerdo show do
despretencioso
"god
ofguitar':
quelevouaoêxtasemaisde25milpessoas
nanoitede sábadonoestádio
Orlando
Scarpelli.
Quando
omágico
do bluessubiuao
palco
etocouospri
meiros acordes de "Preten
ding':
somqueabriuoshow, agalera já
estava delirando.Nemachuva foicapazdees
friaros ânimos da
moçada,
que
dançou,
cantoue vibrouao somde "I shot the sheriff" (numa versão mais
lenta),
"Running
onFaith':
"Layla':
"No Allibis"e, obviamente,
"Coceine".
A
impressão
quese tinhaé queesse
mágico
daguitarra
tinha saído de
algum lugar
além de nossa
imaginação.
Elecantouumblues cheio de
toques sensuais, irresistível
àsnossasemoções de
pobres
mortais. Detonou solos na sua FenderStrstocester
(aguitarra
dasferas)comtanta concentraçãoquechegou
afi carde costas paraamoçada.
Nãotomemissocomo umdes
respeito
aopúblico,
massimcomo um mago
viajando
no seu som. Tudoé apenasumaquestão de
integração
totalentre
Clapton
e a suaguitar
ra quechega
a fumarjunto
comelealguns
dosseustrintacigarros
diários.Maséclaroque nãose
pode
talarde Eric
Clapton
semfalar desua
banda,
formadaporinquestionáveis
alquimistas
da música.
Começando pela
sensualidade transparentedas back vocalsKatieKisson
e Tessa Niles. A
precisão
daguitarra
de Phil Palmer. Os solos alucinantes do baixo de Natham East. A sutileza doteclado de
GregPhiliganes.
O compassobem marcado da bateradeSteveFerronee,para
fechar,
apercussãomuitolouca de
Ray
Cooper.
Masesteúltimoéumshow àparte.
Cooper
não só tocou divina-• mente,comodeu solos depercussão,tocouumsambameio
funk,
fez amoçada
cantarjunto
comele,levandoagale
ra à apoteose.É,
realmenteestemeio
v.elho,
meiolouco,
meio cegofoi mais umshow noshow de Eric
Clap
ton.Não faltou nadano estádi
Orlando
Scarpelli.
Um sompotente, dois telõesnaslate
raisdo
palco,
genteinteradae um toquesutil das
drogas,
quese tornoumais
explícito
quando
rolou o som "Cocaine".Seria
legal
alguém
dizer que"Cocaine"éumhinoantidrogas
enão o contrário, co mopossa parecer.Não
houve ninguém
que não saíssedo estádio com aimpressão
de que viu umgrandiosos
encontro dasgrandes
ferasda música.Sen doassim, oquenós,seres comuns,
podemos
dizera�sdeuses senão um emocionado
agradecimento pela
suapresença?
E talvezosfogos
deartifício soltadosno final do show fossem uma
espécie
dereverência a esse
mágico
daguitarra,
a essepercussionis
tas divinamente
estranho,
a essa banda notadez,
a tudoisso que nós chamamos de blues, a raiz dessa
viagem
que éorock androll.
Tangose
Tragédias
Rosane Porto
Porduas noites Florianó
polis
virouaEsbórniadoSul,
uma ilhaitinerante,
desgar
rada do
continente,
quenavegando
pelo
mundo acaboucomo umalixeira cultural. Mas
ninguém
percebeu,
exceto quem estava dentro do Cen troIntegrado
deCulturadei tando e rolando ao som doTangos
eTragédias.
Rolando de rir do
jeito
irreverente de NicoNicolaiewsky
e Hique
Gomes,
osdois
de,!O(tq
Alegre,
onde haSeISanos uuciaramumacerreire demúsi cosque virou o Rio Grande
do Sulquase inteiro deper
nasparao ar.FoinaEsbórnia
do Sul(localizadanummapa
imaginário),
quenasceram oviolinista Kraunus
(Hique)
e omaestroecordionistePletskaya
(Nico),
personagens quejá
arrancaramg_argalha.ila�
de
gaúchos, paulzstas,
minei ros ecariocas.Ea
platéia
catarinenseteveestespersonagensporum
final desemana
pela primei
ra vez. O show iioTangos
eTragédias
foidespojado
e repetiu
a dose desucessoanterior. Sem
cenário,
com ape nasluze somacústico,
Nico eHique surgiram
nopalco
dispostos
a trazerdiversão.Um contrasensoselevarem
conta o
repertório
comalgu
masletras deAlverengt:
eRenchinho e
Vicente
Celestino,
a história dasc1l1eiras
ab . "
quese emevsme o TIO .
Mastudo acabaem
pizza,
melhor
empastelão.
Com umaboa dose de
humor,
os doisacabaram treasiormendo o
tangoemsambae a
tragédia
emcomédia.O show é umamistura de música com
teatro,
que ficapor conta das caras e bocas
de Nicoe
principalmente
Hique, com a
papada
dos olhosescurecidaseoscabeloscom
pridos
queimitamvampiro:
Kraunuséamargo,
violinistaexotérico,
cansado dos delí riosproféticos.
O maestroPletskaya
éumhomem sofrido,
atordoadopelos
amorésfrustrados. E foi da
tristeza,
da amargura dos dois que aplatéia
sedivertiu.Depois
de uma hora empaleo,
os doisacabam voltandocom umbis
pré-combinado
com opúblico
paraodesfechoquevem com a
dança
doCopérnico, aquela
que "você não
pode
mexer com aspernase nem comasmãos':
adança
da Esbórnia.Quem
foiao CIC viu e nãomedeixe mentir. Da
próxima
vezque oTangos
eTragé
dias estiverem
Florianópo
lis,
valeapenaviajar
pela
Esbórnia,
quedopaleo
acabanflporta
doteatro,
com osdOIS músicos dotamanhodopúbli
co, cara acara,comacordeão
e
violino,
porpelo
menosmaisDepois
de 32
anos,
mais
umaestréia de
umfilme catarinense
"Manhã",
a
aventura
Nilva Bianco,
'u
ma noitehollywoodia
, na,comatoresdesfilan do
pelo palco,
sob aluz,
,
de refletores". Essa é a
imagem
que o escritor SalimMiguel
guarda
da estréia de "OPreço
daIlusão",
-há32anos,no Cine São José.
Apesar
dedispensar
oglamour,
apré-estréia
docur
ta-metragem
"Manhã",
de Zeca Nunes PireseNorbertoDepizzolatti, representa
uma retomada do que foi iniciado
pelo
Grupo
Sul: o cinema catarinense em35mm.
Em
1958,
ainiciativa doGrupo
Sulfoiumaaventurade escritoresnomundoau
diovisual."Só haviauma ouduaspessoas
quejá
haviam vistoumacâmeranavida,
os demais eram apenas encharcados deteoria",
lembra SalimMiguel.
"Manhã",
porsuavez,éurnatentativade dar conti nuidade e
profissionalização
ao cinemacatarinense. Alémdos erros,
acertos,
experiência
eamadorismo,
existe muito maisportrásdos 10 minutose20segundos do filme.
É
a tentativa de se criar'uma
equipe
de cinemanoestado,
reunin do desde atores atétécnicos,
visando atransformação
da obraem umlaboratóriode
aprendizado
eaprimoramento.
Semteorias ou cursos
disponíveis,
asolução
éa
prática.
Felicidades- Ocurta"Manhã" teve
'�
origem
quando
Zeca Nunes Pires leu "A�
Morte doLeiteiro",
deCarlosDrummond i5 deAndrade,
e "viuumfilmenopoema".
A lutapela profissionalização
passoupor
Anitápolis
'Em
1987,
oroteiro,
adaptado
porTaba-jara Ruas,
foi enviadoaopoeta
erecebeu aseguinte resposta:
"
...
Fico
torcendoparaquerealizeo
projeto
eeleseja
bemsucedido. Felicidades". Foram várias inter
rupçõesaté que,em
1989, junto
comNor bertoDepizzolatti,
Zeca Pirescomeçouaefetivaro
projeto,
com oapoio
da UFSC edeempresaslocais.Anitápolis
foiopal
coparaoitodias defilmagem,
escolhidopela
beleza de sualocalização, próxima
aoplanalto
catarinense.Apesar
da maiorparteda
equipe
serlocaleinexperiente,
ofilme acabou saindo.Valorizando
experiências
como essa, surgeoprojeto
de umnúcleo decinema,
integrado
àCinemateca,
comautonomia técnicaparaarealização
denovasobras.A estrutura desse núcleo está baseada
nas pessoas interessadas emfazer
cine-ma,bemcomo nos
equipamentos,
quecomeçam a ser
adquiridos
com verba doFuncine
(arrecadação
de5%.sobrearenda,
dasbilheterias,
realizadapela
Secre tariade Culturaerepassada
àCinema teca).Onúcleo, quejá possui equipamen
tode
luz,
embrevevaiadquirir
tambémum
equipamento
desom.Na
opinião
deZecaeNorberto,
apesardas tentativasem
16mm,
durante muitotempo
nãosefezcinemaemSanta Catarina
devidoàfalta deapoio,
eatémesmode insistência dos
artistas,
sendoosanos70osmais
representativos
dessasituàção
no
estado.
Atualmente,
não são poucososque canalizamsuavocação cinemato
gráfica
através dovídeo,
emvirtude damaior facilidade deoperação e
pela
pró
pria
falta deoportunidades
deaprendi-,
Um
jornal
de
jornalistas
AnaCláudia Menezes
O
jornal
francês "Le Monde"elegeu
noúltimo dia 29o seu4?
diretor,
oex-redator chefeDaniel
Vernet,
quedevedarcontinuidade ao trabalho desenvolvido
pelo
diretoranterior,
André Fontaine. Aeleição,
que teveaparticipação
diretade 300
jornalistas
ecolaboradores dojor
nal,
éfeita desde1951,
quando
ojornal
enfrentoua sua
primeira
crise. Nestaocasião,
foi criada aprimeira
cooperativa
dosjornalistas,
conhecidana
época
como "sociedade dos redatores",
em que os trabalhadores do "LeMonde"tornaram-seacionistas. Para Jean
Locouture, ex-jornalista
ehistoriador
francês,
"o resultado éposi
tivo". Eleesteve
na UFSC naquinta
feira,
dia 4,proferindo palestra
sobrea vida e acarreira
política
dogeneral
,
Charles de Gaulle.
Jean Lacouturefoi articulistado"Le
Monde" durante 20 anos,
completados
em 1970
quando
sedesligou
dojornal
para se dedicarà
pesquisa.
Acabou escrevendo 33 livros. Andou por
países
africanose achouque otextodejornal
era muito curto para que ele
pudesse
sepassa no Brasilem cem
.linhas?".
Aresposta
veio nos livros e na série deconferênciasquevemdandoemuniver sidades
européias
eamericanas.O "Le
Monde",
que vendeu 382 rriilexemplares
diários em 1989, éum dosjornais
quemaisdispara
críticascontrao
presidente François
Miterrand. Masnemsemprefoiassim.Em
1981,
quando
Miterrand foieleito
pela primeira
vez,O
jornal apoiou
aplataforma
socialistado entãonovogoverno. Nessa
época,
o"LeMonde" foi acusadode distanciar-se dasua
posição
críticaedeindependên
cia,
perdendo
partes
de seus leitores.Mesmo
assim,
umdiaapós
avitóriadeMiterrand,
ojornal
vendeu mais deummilhão
deexemplares.
O
engajamento
político
sempre conviveu nas
páginas
do "Le Monde". Opri
meiro
exemplar
foilançado
em 18 dedezembro de
1944,
incentivadopelo
ge neralDeGaulle,
quequeria
umjornal
de
importância
estratégica
internacio nal. Ofundador,
HubertBeuve-Méry,
mortono ano
passado,
dirigiu
ojornal
até
1969,
onde escreveuartigos
defenzadoem
cinema,
Na carência deum cursoapropriado,
o curso de Jornalismo da UFSC acaba recebendo futuroscineastas;
'como
foi o caso de Norberto e Zeca e,atualmente,
deChicoFaganello,
que estádirigindo
ummédia-metragem
em16mm.
Apesar
disso,
aindanão épossível'
compararainstantaneidade dovídeocom a
elaboração
do cinema.Aindaesse ano, "Manhã" deve'passar
por
grandes
provaçõesqualitativas.
Está inscrito para o Festival deBrasília,
emoutubro,
eparaoRioCine- FestivaleMostra Internacional Mário
Santos,
em novembro. A
partir
daí,
serádistribuídopelas
Organizações
Mário Santos nos três estados do sul e só então enfrentará amaior prova parasua
aceitação:
ogrande
público.
Le
Monde,
a
cooperativa
que
deu
certo
, . I
\
f
I J I1
t, �s
�
J I /; -,-l
�
ii J?
Bouve-
Méry
ficounocomandoatéoitomeses
depois
de De Gaulle terdeixadoo
poder.
Além da crise sofridapelo
"LeMonde"em1951,umaoutra,em79,fez o
jornal
perder
600milleitoresemseisanos,alémde darum
prejuízo
pertodeUS$
20milhões. Nomeiode todaacrise,
foram realizadassele
eleições
internas para adireção
dojornal,
entre 1980 e1982.Em 1985,o
jornal
sereergue,aumentandoa sua
tiragem
epublicidade,
mastendoquedemitirpessoal
e aumentaronúmerode acionistas.
Hoje,
o"LeMonde"figura
emquinto
lugar
noranking
dosjornais
maisvendidosna
França,
mas mantém famaeprestígio.
Para trocarde sedeemmaiodeste ano, o
jornal
aumentou o preçodo
exemplar
dostradicionais4,50
francospara 5 francos.
Depois
de 45 anosfuncionandonum
antigo
prédio
perto
da ,Ópera,
o"LeMonde"seinstalouconfortavelmente numa moderna sede no
bairro de
Montparnasse,
em Paris. Amudança
foiproposital
para coincidircom acompradeuma nova
impressora,
_1'1 em setembro do ano
passado,
e com areforma
tecnológica
pretendida pelo
"Le"