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Zero, 1990, ano 8, n.4, out.

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(1)

"

Ano

VIII

n? 4

s

E

M

A

N

A

L

Jornal Laboratório- UFSC/CCE/COM - 17 a24 de outubro de 1990

Jornalistas

inventam

uma

forma

de

colocar

noar a

notícia

mais censurada dos últimos

tempos

/ttl

OPERAÇAO

PAPAGAIO

DE

PIRATA

Página

3 ...

DE

LAMA

A

história

real

e

cruel

da

pr.imeira

invasão

urbana

dos

sem.teto

catarinenses

(2)

2

..

EDITORIAL

Oquefazer

para

publicar

suas

matérias

Para manter-sesemanaloZe­

ro

precisa

terumaestrutura mí­

nima que lhe dê

suporte

edito­

rial. Por

isso,

osalunos da disci­

plina

Edição

II foram convoca­

dose terãosuasatuaçõescomo

editoresdo Zeroavaliadascomo

parte

do conceito final dosemes­

tre.

Assim,

quem

quiser

oferecer

pauta

oumatéria

pode

procurar

diretamenteoseditores das vá­

rias seções ou continuarentre­

gando

parao

supervisor

do Lab­

Orai Oseditoressão:

geral (pá­

ginas

3e

centrais)

Rosane Porto eCláudio

Toldo;

UFSC

(página

2)

aziasDeodato

Jr.;gente

ero­

teiro

(página

6) Gisele Dias e

Christiane

Balbys;

cultura

(pá­

gina

7)

Raquel

Eltermanneúlti­ ma

página

Viviane Nunez Sommer.

Todasassemanasoutrosalu­

nos

podem participar

do fecha­

mento,

seja

como

repórteres,

co­ moeditores assistentes(osdesta

semanaforam IvaJdoBrasil

Jr.,

Pedro Saraiva e Ana Cláudia

Menezes)

ou como

diagramado­

res (Ivan Rau e Nilva Bianco

nesta

edição). Apareçam,

sexta­

feirasempre tem

serviço.

ZERO

***

Melhor

Peça

Gráfica

I,

/I e 11/ Set Universiterio Maio 88 Setembro 89 Setembro 90

Jornal Laboratório do Departa­

mentodeComunicaçãodo Centro de Comunicação e Expressão da

universidade Federalde Santa Ca­ tarina. Editado sob a

responsabili­

dade do Laboratório de Jornalismo Gráfico.

Supervisão:Jornalista Prof. Cesar Valente

(Reg.

706/SC)

Colaboração: Jornalistas Profes­

soresRicardoBarreto,LuizA.Scot­

to deAlmeidaeGilkaGirardello. Redação: CCE/COM/UFSC, Cam­ pus daTrindade,88035 -Florianó­ polis -SC - Brasil. Fone (0482) 31-9215 e 31-9490. Fax (0482) 33-4069. '

quinzenal, participação

emencontrosestu­ dantis e

realização

do III Set

Interno,

do

concurso Garota Caloura 91 e do

calouro

otário do mês.

Alguns

CA'sjá

realizaram

eleições

neste

ano como ode

Engenharia

Elétrica,

Far­ mácia e

Odontologia.

No C.A. de Odonto a

eleição

foi nos dias 29 e 30 de agosto

ondea

chapa

"Rebuliço",

únicaconcorren­

te,foi eleita. Anova

diretoria,

constituída

por 15 pessoas, tomou posse no dia 27 de

setembro.

Outros centrosacadêmicosvão realizar

suas

eleições

como o de

Matemática,

nos

dias10e11de

outubro,

Engenharia

Sani­

tária,

em 30 de outubro e da

Medicina

e

Quínmica

emnovembro.

Também em novembro deve acontecer

a

eleição

paraoDiretórioCentraldos

Estu­

dantes. ODCEconvocouparaodia17

um),

reunião do CEB

(Conselho

de Entidades

deBase)visandoa discurssãodas

eleições

e

formação

de

chapas.

O coordenador

geral

do

DCE,

Horácio

Joaquim

Perez,

vai pro­ pornareuniãoqueos

próximos

CA'sa rea­

lizarem

eleições façam-nas

junto

com ado

Diretório

Central, pára

que

haja

umapar­

ticipação

maior dosestudantes.

Jornalismo da

UFSC

ganha

mais

,

dois

prêmios

Cristina N. Gallo

"Novos talentos estão nascen­

do" e foram

apresentados

no 3? SET Universitário - Festival de

Laboratórios de

Comunicação

da

Região

Sul,

naPUC de Porto Ale­

gre, entreosdias 25e28desetem­

bro. Foram 463trabalhos inscri­

tosnas

categorias

de

vídeo, áudio,

textoepeça

gráfica. Segundo

Nil­ va

Bianco,

alunada

UFSC,

ostra­ balhosdeixaram bastanteadese­

jar

e ofestival foi mal

organizado,

talvezem

conseqüência

da greve

da PUC que

dura mais de 50 dias.

Dezoito trabalhos foram pre­

miados,

sendo 16do RSedois de

Santa Catarina. O

Paraná,

que

participou pela

primeira

vez não

levou nenhum. Fomos

premiados

em

Vídeo-jornalismo

e documen­

táriocom"Joãoe

Maria",

de

Arley

Machado e

tri-campeões

empeça

gráfica

com o Zero: Janeiro 90

-Balanço

da Década de 80".

PREMIAÇÕES.

Vídeo Publi­

citário:"

Família",

deTalesBahú

-

Famecos

; Vídeo Exerimental:

"Epilético"

Felipe

Garcia Vieira

-PUC;

Foto

Experimental:

"the

Raven" de

Édson

Luís Gastaldo

-Fabico/UFRGS;

Foto Futurismo:

"Santiago",

deRicardo Barcelos

-PUC;

FotoJornalismo: "Marioné­ tica.

Dança"

de Eduardo

Rangel

Monteiro

-Unisinos;

Foto Publici­ tária: "Dachstein III" de Ricardo Barcello

-PUC;'

Áudio Experi­

mental:

"Evolução

da Música no

Cinema",

de Carlos Roberto Bar­ bieri

-Fabico/UFRS; Áudio

Jorna­

.lismo: "A Era do

Som",

de Lauro

Bons Santos

-Famecos;

Spot:

"O

Assalto",

de Alexandre Lucas da

Costa

-Famecos; Jingle: "Calças

Lee",

de Flávio Luís

Albuquerque

-Famecos; Peça

Gráfica Publici­

tária: "A Kodak

Ajuda

VocêSaber Disso" deCláudioPIetsch-

Fame-.

cos;

Campanha

Publicitária: "Pri­

meiraMostra deClássicosdo Ci­

nema",

de Daniela Ferreira- Fa­

mecos;

Reportagem:

"Ilhas - Os

Segredos

do

Guaíba",

de

Regina

Diehl

-Famecos;

Crônica: "TV AindaaMelhor

Diversão",

de Ca­

rolina Bahia

-Famecos;

Fera da Sala de Aulacom oVídeo: "Amné­

sia",

de Daniel Moreira - Unisi­

nos.

Os trabalhos serão

apresenta­

dosao

público

nas

próximas

sema­ nas

pela

TVE e RBS TV do Rio

Grandede SulePrefeitura de Por­

to

Alegre.

Infelizmente,

Santa Ca­ tarinae Paraná não

poderão

as­

sistiràs

produções

premiadas.

Chapa

que

propõe

a

redecoração

do

C.A. é

a

"novidade"

no

Jornalismo

Desmotivação

estudantil

Luciana Carvalho

OCentro Acadêmico Livre deJornalis­

mo

(C.A.L.S.)

estariarealizando nos dias

17 e 18de outubro as

eleições

para a sua

novadiretoria. Mas

modificações

de última hora

obrigaram

oadiamentoparaumada­

taaindanãomarcada.

É

queaúnica cha­

pa

inscrita,

a"Em Branco" recebeunovos

concorrentes no último

minuto,

fazendo

com quetodooprocesso inicialmentepre­

visto tivessequesermodificado.

A

votação

será realizada durante dois diaspara que

haja

uma-maior

participação

dos

estudantes, pois

segundo

JoséRicardo

Jacques,

candidato a

presidente,

do C.A. L.J.

pela

"Em

Branco",

"omovimentoestu­

dantil está num processo de desânimo"

causando um esvaziamento dos centros

acadêmicos. No caso do Curso de Jorna­

lismo isto écomum eJosé Ricardoafirma

que é

preciso

dar uma

"injeção política"

nocurso.

A

chapa

"Em

Branco",

conforme declara

o

candidato,

está

lançando

umas

propostas

"meio

porra-loucas".

As

propostas

são as

seguintes:

redecoração

do

C.A., festas,

in­ formativo e noticiário de rádio interno

.

Abstenção

de

42%

na

APUFSC

Márcia Outra

Anovadiretoria da

Apufsc,

eleitanodia

10,

tomou posse ontem à tarde. A única

chapa

queconcorreu foia

"Com-Posição",

formada por

integrantes

da ex-diretoria.

A

chapa

única recebeu 681 votos dos 776

professores

associados que votaram. Ao contrário das últimas

eleições

paraos go­ vernos dos estados

brasileiros,

o número

de votos brancos

(49)

e nulos (46) não foi

grande,

oque foi

expressive

foio número de

abstenções.

Dos 1619

professores

sócios da

Apufsc

(dos

quais aproximadamente

150 estão afastados para

pós-graduação),

cercade 624

professores

não votaram. Se­

gundo

o

professor

Raul Valentimda

Silva,

presidente

da Comissão

Eleitoral,

"a des­

mobilização

e

acomodação

dos

professores"

foram,

as causasdetantas

abstenções.

Ele

acreditaqueos

professores

acharam"des­

necessáriovotardevidoaofato desomente

uma

chapa

concorrer".

Mesmocomquase 50%de ausência dos

professores

na

eleição,

onovo

presidente,

Marco Da

Ros, professor

doCentrode Ciên­ ciasda

Saúde,

acreditaquea

chapa

eleita

"tempesoacadêmicoeestábastanteafina­

da com a maioria do movimento docente

emtodooBrasil". Parao novo

presidente

osvotosnulosebrancos"refletemque te­ mos

professores

que discordam de nossa

política,

massão poucos,comomostramos

números". O

grande

número de

abstenções

também foi considerado

pelo

novo

presi­

dentecomocomodismo dos

professores

as­

sociados.

Anovadiretoriaassume comvárioscom­

promissos

de

"campanha"

a

cumprir.

O

maiornúmero de

propostas apresentadas

no boletimde

campanha

écom

relação

ao

futuro da

própria

entidade. Anovadireto­

ria

promete

ampliar

o

patrimônio

adminis,

trativoda

Apufsc,

profissionalizar

osfun­

cionários que trabalham na entidade e

principalmente

redimensionar e

ampliar

osespaçosdasede

atual,

através de

capta­

çãoderecursos

extra-orçamentários.

c

A.

chapa

vencedora também

apresenta

propostas

como a

transformaç_ão

da

Apufsé

em

Seção

Sindicalda

Andes,

Sindicato Na:

cional,

paraqueaentidadepossa

agir

com

prerrogativas

sindicais

plenas.

HU PASSA MAL

A matéria sobre a situação do Hospital

Universitário,publicadanaediçãodasema­ napassadaàpágina2 recebeu, domédico

residenteEliézerSilva,em nomedaComis­

são deGrevedaquela categoria, alguns re­

paros. Eleafirmaque não disseafrase "nós

somos escravosmalpagos".

O médico também localiza duas informa­

çõesincorretasnamatéria:"não foi afirmado que não tínhamos direito à alimentação" e o saláriodos residentes, que nãoé do Cr$ 37 mil comofoi publicado, mas de Cr$ 33 mil.

FOTOJORNALISMO

Na última página da edição da semana

passada, por um erro de revisão, foi dado créditoaOlívio Lamasem umafoto deLauro Maeda.

(3)

Uma

operação

de

"guerrilha"

enfrenta

com

criatividade

e

bom humor

a

intransigência

Sindicatodos Jornalistas

Jornalistas

lutam

para

poder

informar

que

ganham

muito

pouco

os

rina

jornalistas

descobriram,

de Santa Cata­nas elei­

çõesde3de

outubro,

umaface

até então desconhecida da "democracia" dos

meios

de

comunicação.

A

Rede

BrasilSul-RBS,

principal

empre­

sado setornoEstadousou

polícia parti­

Gular

para

impedir

a

veiculação

de uma

notícia escrita e censurada

pelos

donos

da

imprensa:

"Jornalistas

ganham

salá­ riode

Cr$

23mil".

A

força

paramilitar da

RBS,

recrutada entre lutadores de academias de artes

marciaisePMs

inativos, porém,

nãocon­

seguiu

evitarsete

inserções

na

TV,

uma emrede nacional

pela

Globo.

Quando

um

repórter

entravacomboletimaovivoso­

brea

eleição, aparecia

atrásdeleumcar­

tazCom

palavras

de ordem dos

jornalis­

tas. Foia

primeira

vez no Braril queos

trabalhadores da

comunicação

realiza­

ramestaforma de

protesto.

-A-idéia da

"operação papagaio

de

pirata",

como também ficou

conhecida,

nasceuna assembléia da noite

anterior,

.

quando

os

jornãlistas

decidiram entrar

em estado degreve para cobrara repo­

sição

de

175%,

assegurada pelo

Tribunal

Regional

do

Trabalho,

no

julgamento

do

dissído,

em 3de

setembro;

eumadívida

de

Cr$

122 mil decorrente desta decisão atéa

suspensão

deseu

efeitos, pelo TST,

nodia 25 de setembro.

A

primeira

tentativade

"emplacar"

o

.

protestoeletrônicoocorreuporvolta das

7h30min,-

quando

os

primeiros

eleitores

saíamàsruaspara votar.O

repórter

Wal­

ter

Souza,

12 anos de

RBS-TV,

entraria

aovivono"Bom DiaSanta Catarina"

pá­

rafalardo movimento deeleitores noTer­ minal Urbano Cidade de

Florianópolis.

Um grupo de

jornalistas

enfeitariao ce­

náriocinzento do terminalcomfaixas e

cartaser,

nahora do

boletim,

que acabou

cancelado

"por problemas

de antena". A

equipe

de TV saiu em

ziguezague pela

cidade,

para driblar os manifestantes e

cumprir

a

pauta

a

qualquer

custo. Foi

parar

em

Ratones,

semaparecerno"Bom

Dia",

queterminouem

alvoroço

quereu­

niua

direção

daempresa, às pressas,no

Morro da Cruz.

Depois

de vários boletins

cancelados,

Walter Souzavoltouàcena,ao

meio-dia,

na sede do Tribunal

Regional

Eleitoral. Convicto de que estava

protegido pela

inexpugnável

fortaleza da

Justiça

Eleito­

ral,

contouemmeioa

gargalhadas

aspe­

ripécias

dos

colegas

de

profissão

que,"de forma muito

organizada",

the haviam

proporcionado

uma

"folga"

em dia tão

agitado

para a

impresa,

Só franziuo ce­

nho para dizer que os

"jornalistas

estão

atrapalhando

o trabalho deum

jornalis-ta".

-Quando "emplacou"

umaentrevistaao

vivocom o

corregedor

eleitoral

Napoleão

Amarante,

às

12h50min,

noJornaldo

AI-A

operação "papagaio

de

pirata"

na

Oktoberfest

particular

emconcorrência com a PM e aPolíciaCivil. O

juiz

daPJunta

Apura-­

dora,

Fernando de

Carvalho,

cassou as

credenciais

de dois

repórteres-diretores

do Sindicato e os

expulsou

do

ginásio

3

da

UFSC,

depois

de ordenarà

polícia

que

revistasse um

deles, repórter

do Jornal

O

Estado,

o mesmo que fora insultado

por Walter Souza.

O Sindicato dos

Jornalistas,

queainda

enfrentou a truculência da RBS no dia

seguinte,

emfrenteaoDiário Catarinen­

se,e no

sábado,

dia

6,

no"Jornal do Almo­

ço

Especial"

em

Blumenau,

registrou

queixa

contra essesabusosno1�Distrito Policial de

Florianópolis

e

junto

aoTRE.

Parao

presidente

do

Sindicato,

CelsoVi­

zenzi,

arepressãoe a censura

praticadas

pelos

donos dos meios de

comunicação

"desmascaram

completamente

afalácia

da liberdadede

expressão,

de

imprensa.

Aparece

sóaverdade deles".

Os

empresários

se assustaram com o

protesto eletrônico,

mas continuam des­

cumprindo

oacordo

coletivo,

comasben­

çãos do

TST,

dizo Sindicato. E elestêm aliados entre os

próprios

jornalistas,

-garante Vizenzi,

-"Alguns

com nível

profissional

tão

baixo,

que seriamcapa­

zes de

tudo

para aparecer na telinha".

Repórteres

que

reagiam

comumaexpres­

são

patética

às

manifestações

dacatego­

ria no dia 3 de outubro:

"Estragaram

a

mi�ha

matéria".

moço, osorridente

repórter

empalideceu.

Atônito,

ao

perceber

nomonitor de vídeo

que pordetrás de sua

própria cabeça

al­

guém erguia

um cartaz com os dizeres

"RBS - Rede de Baixos Salários". Mal

terminouo

boletim,

eledescamboupara uma reação

preconceituosa:

"Tinha que

ser

nego!

Tinha que ser

nego!

Tinhaque ser

nego!", esbravejou,

para espantoaté

do

corregedor.

O

cartaz,

legível

paraos

telespectadores,

encerrou a Rede

Regio­

nal de Notícias.

A

tarde,

odirétor

responsável pelo

De­

partamento

de

Telejornalismo

da

RBS,

Claiton

Selistre,

pediu "proteção"

à

PM,

conforme

registro

doCOPOM. Aempresa aindaarmou umescudo de

alterofilistas,

comandadosporum

ex-policial gaúcho

de

codinome "Dinho"- informaoSindicato

-,aoredor dos

repórteres

descolados pa­

ra asduas centrais deapuraçãodo

TRE,

os

'ginásios

da UFSC e o da Astel. Os

agentes

da

RBS,

usando credenciais de

operadores

de VTe umdelescomocrachá

do coordenador

geral

de

Telejornalismo,

Anselmo

Prada, agrediram

jornalistas

aosempurrões e rasgaram cartazes. Fo­

ram.

ajudados

por

operadores

das concor­

rentes,

quando

o

protesto

freqüentava

todasastelinhas.

A

Justiça

Eleitoral,

que se curvou à

programação

da

Globo,

aoesperar quea

emissora liberasse canal para a RBS e

sóentãoabrira

primeira

urnada

Capital,

também permitiu

a atuação da

polícia

Cláudio Silva da Silva

(4)

PORUM

PEDAÇO

DE LAMA

Geraldo Hofmann

Eram

duas horas da

manhã

e

fazia

um

frio de

bater

o

queixo.

Para

ronda

montada

da

Polícia

Militar,

que

acabava

de

cruzar

o

terreno

baldio,

estava

tudo

em

ordem. A

poucos metros

do

rastro

da

cavalaria,

lideranças

do

Movimento

.

Sem-Teto

..

serviam

de

baliza

para

demarcar

os

lotes,

que

estavam

sendo

sorteados

ao

redor

de

uma

fogueira,

num

beco

próximo

dali.

Assim

que

eram

sorteados,

os

sem-teto

recebiam

uma

senha,

um

número

escrito

em

verde

num

pedacinho

de

cartolina,

que

servia

de

passaporte

para

cruzar

a

fronteira

entre

o

sonho

de

ter

o

próprio

teto

e

a

Fotos:GeraldoHofmanneJacquesMick

Até

Odia 29

dejulho

de

1990,

amaioria dos habitantes de

Florianópolis

só conhecia

os

acampamentos

de Sem­

Terra através da

imprensa

ou dos

barracosdelonaque,devez emquan­

do,

aparecemnasescadarias daCate­

dral ou em frente ao Palácio do Go­ verno. Na

madrugada daquele

do­

mingo,

umacentenadefamíliassem­

terra,sem-tetoesem-medoocuparam

um terreno da

COHAB-Companhia

Estadual de

Habitação,

às margens

da BR-282

(Via

Expressa),

na entra­

dada cidade. Foia

primeira

vezque um grupo de famílias se

juntou

para ocupar terras urbanas em

Santa Catarina. As outras ocupa­ çõesda

Capital

aconteceramdesorde­

nadamenteSurgia

umbarraco

aqui,

outro

ali,

cada moradorse instalava

por contra

própria

e, aos

poucos,

se

formavamasfavelas.

Aquelas

cemfamílias tinham espe­

rado muito

tempo

para

poder

sonhar sob o

próprio

teto. Muitas delas ti­ nham

chegado

do interior de Santa

Catarina,

quinze,

vinte anos

-quando

asvelhascasas

açorianas

da

Ilhacomeçarama serdemolidaspara

dar

lugar

aos

grandes

edificios-. O

pedreiro Atílio,

por

exemplo,

veio de

pois

queosdonosentravam,euconti­ nuava

lá,

no meu barraco de zinco nafavela".

Aquelas famílias,

como as outras 200 mil sem-eto de Santa

Catarina,

tinhamentreguemontanhasde do­

cumentoseabaixo-assinadosàs auto­

ridades

pedindo

casa. Em troca, ha­

viam recebido castelos depromessas.

Apresentaram

um

projeto

de lei aos

deputados

na Assembléia

Legislati

-va,para que 1% do ICMS fossedesti­

nadoàconstruçãodecasas

populares.

Mas os

parlamentares

o

rejeitaram,

com. a

desculpa

de que "o povo não

sabe escrever leis". O

usucapião

ur­

bano foi

aprovado

pelo

Congresso

Constituinte. Se tivesse saído dopa­

pel, regularizaria

a

propriedade

de25

mil moradoresdos morros de Floria­

nópolis.

Agora,

sob a

penumbra

das luzes

daVia

Expressa

e deum céu a toda horariscado por

estrelas

cadentes,

os

sem-tetoavançavamatravés da lama

edo frio. Em

silêncio,

como

formigas

carregadeiras,

transportavama casa e o

coração

aos

pedaços.

Atémulheres com

crianças

chorandonocolo

ajuda­

vam acarregara

mudança.

As

lágri­

masdas

crianças

iam misturar-seao

terreno quecobria

pedaços

demadei­

tábuas,

chapas

de

zinco,

Sem-teto constroem pequenos casebres numaárea da COHAB.

É

a

primeira

invasão de terra urbanaem

Santa

Catarina

pa,

fogões

antigos, botijões

de gás,

louças queimadas,

gatos

e cachorros

vira-latas,

ummontede tralhas que

mais tarde tomaria forma nos case­

bres.

O vaivém de silhuetaseracadavez

maisintensonanoite.

Chegavam

de

vários

pontos

da

Capital,

da casade

parentes

onde se amontoavam há anos. O

gari

Derci tinha sido

despe­

jado

de umacasa

alugada

naCostei­ ra. O dono tinha destelhado a casa

para queelenãovoltasse.Afax:ineira

Rosane,

de 18anos,com umamenina

de nove meses nos

.braços,

vinha de um

cortiço

da Rua Conselheiro Ma­

fra.Temgente

que

dáumarisadinha

maliciosa

quando

se fala dessa "rua das

prostitutas",

masalimoramtam­

bém

faxineiras,

pedreiros,

vendedo­

res

ambulantes,

vigias

...

Veioanotícia dequeumsem-teto

tinha adormecidoecaídona

fogueira,

enquanto

esperava o caminhão de

mudança.

Foi parar no

hospital

e

quando

voltouasi deixouosmédicos

perturbados.

"Tenho que ir pra ocu­

pação,

senão não

ganho

meu

pedaci­

nho de terra",

gritava.

Era umabai­

xa, mas não

poderia

deter

aquele

exército que lutava contra o

frio,

a

noite e alama e

erguia

os

primeiros

barracos de lona para

abrigar

os fi­

lhos. Vencidos

pelo

cansaço,

alguns.

deles adormeciam ao

relento,

embo­

lados sob lonase esteiras.

De

manhã,

uma fina camada de

geada

cobria

parte

doacampamento,

como o

de farinha que embran­ quece os telhados dos

engenhos

nes­ sestemposdesafra. Antes de clarear o

dia,

acenderampequenas

fogueiras

e ovapor que saíada boca dos-meni­

nos misturava-se à

fumaça.

Morado­

resdo

Conjunto

Habitacionalacorda­ vam de sobressalto com o ronco dos

caminhõesquetraziamos novosvizi­

nhos.

Quando

amanheceu,

via-se as

pri­

meiras casinhas de madeira. Mesmo

os que não eram

carpinteiros ajuda­

vam a acelerara construçãocomo se

a nova favela tivesse hora marcada

para ser

inaugurada.

Mulheres es­

tendiam cordasparasecarasroupas epreparavamocaféno

fogo

de chão.

Via-seagoraoslimitesde cadaterre­

no,indicados portirasde roupas ve­

lhase fitasquese usa paraenfeitar

presentes.

As

crianças

se enturma­

vam e

aproveitavam

a

geografia

aci­

dentada doterreno parainventarno­

vas brincadeiras. Pescavam lixo nas

valas cheias

d'água,

abertas

pela

CO­ RABpara

impedir

a

ocupação.

Foium

domingo

de muito

trabalho,

mas "dá

gosto

trabalharnoque é da

gente".

Houve bate-bocas entre os

"Eu acho

justo.

Temqueocuparmes­ mo. O governo não dá casa praessa

gente mesmo",

disseumhomem bar­

rigudo

emeiocareca."Essa favela vai

desvalorizar meu apartamento. Já roubaram as cordinhas do meu va­

ral",

esbravejava

uma mulher que

veiopradentrodo

acampamento

ves­

.tindo um

roupão que se usa dentro

decasa.

A Polícia Militar

patrulhava

o

acampamento

sem ensaiar

qualquer

gestoderepressãocontraosque

plan­

tavamseusbarracosnaterraverme­

lha.Abateria de martelossófoi inter­

rompida,

perto

do

meio-dia,

quando

apareceu uma

equipe

de TV. Houve corre-corre. A

repórter queria

saber

onde estavam as

lideranças,

mas as

lideranças

continuavam trabalhan­ do. Diziamque nãohavia

líderes,

que todos os que estavam ali vinham se

reunindo nas

estradas,

debaixo de

viadutos até fazerem a

ocupação.

"E

vocês vão ficar

aqui?

Mas essaterra

é da

COHAB",

repetia

a

jornalista,

como se a terra fosse dela.

Alguns

homens ficaram

indignados

com os

trejeitos

inquisidores

da

repórter.

Nenhuma autoridadeapareceu para

conversarcomosocupantes.

A

noite,

eles se reuniram

junto

a uma cruz de madeira

plantada

no

meiodolotereservado àcasacomuni­

tária. O letreiro "CASA COMUNI­

TÁRIA"

estava

pronto.

Só faltava

a casa.Rezaamsobumcéuestrelado. amarraram um

lenço

brancona cruz.

Os olhos de

um

casal decabelos bran­

cos como a

geada

da

manhã,

brilha­ vamàluzdas velasedeuma

lâmpada

pendurada

na cruz. Os olhos do pe­ dreiro Atílio

-aquele

que veio de

Chapecó

- também brilhavam. Ele

lembrava o dia em que uma kombi

se

desgovernou

na Via

Expressa

e

caiu em cima da casa do vizinho. A

mulher desse vizinho foi levada às

pressas para a maternidade e

pariu

umfilhodesetemeses.

E,

assim,

cada um lembrava os

perigos

e humilha­

ções

porque passaram até entrar na

"terra

prometida"

aoutrosmiletan­

tos sem-teto que esperam nas filas

da CORAB. Comasmãosmanchadas de

barro, repartiram

entre si dois

pães

caseiros. Com este

sinal,

"seu" Atílio e sua mulher

junto

a outros

.

casais,

abraçados,

selaramo com

pro-.

misso de

conjugar

o

segundo

verbo

que aparece no lema dos Sem Teto:

ocupar,resistireconstruir.

No dia

seguin\_e,

abatalha

passaria

do terreno baldio para os

gabinetes

do governo.

Começava

a luta por

água

eluz. Comatimidezdos

pobres

que

chegam

à casa dos

ricos,

entra­

ram noPalácioSantaCatarina. Ogo­

vernadorprometeu quatro

bicas

d'á­ gua, que deviam servir para os ocu­

pantese amais600famíliasquemo­ ram nafavelaao

lado,

oPasto do Ga­

do."Luz,vocês

podem

esperar.Eu vi­

vi 31 anos sem luz

elétrica",

disse o

governador,

que aindanão visitou a

ocupação,

masachaque émuitaterra para poucagente.

Quer

engaiolar

ali 1.400 famílias num novo

Conjunto

(5)

Roteiro

Cinema do CIC

De 17 a 21 de outubro,

o cinema do CIC

exibe,

sempre às 19:30 horas, o

filme "Minha

Pequena

Al­

deia",

acomédia tchecain­

dicada paraoOscar dome­

lhor filme

estrangeiro

de 87. A

exibição

destefilme visa

a

obtemção

derecursospa­

ra a

realização

do

Congres-

.

soNacional de Professores de Francês em

Florianópo­

lis, que será realizado em

28 de fevereiro de 91.

A

promoção

éda Embai­ xada da

Tchecoslováquia

em Brasília.

A

programação

segue

com ofilme "O

Cozinheiro,

,

o

Ladrão,

.sua Mulhere o

Amante",

sempre às 21

horas. O filme é uma

polê­

mica

direção

do

inglês

Pe­

ter

Greenaway,

construída

emtrês atos e um

prólogo,

desenvolvendo-se num pe­

ríododedezdiassobosim­

bolismo dascoresebasea­

do no número sete.

Enuma

promoção

do

Ins-,

tituto Goethe de São Paulo

e

Aliança

Francesa de Flo­

rianópolis,

de24a26deou­

tubro,

às 19:30

horas,

será ,exibido o filme alemão,

"Ce!este",do

diretor

Percy

!

Adlon.

dia27,outraobra

do mesmo diretor,

"Bagdá

e Café".

Museu de Arte de

Santa

Catarina Em outubro, o MASC

(Mu­

seude Arte de Santa Cata­

rina),

apresenta os traba­ lhos de cinco

artistas,

com

destaque

para o Rio Gran­

de do Sule Paraná. Paulina Laks apresenta

suas

pinturas

e

litografias

ao lado de José Francisco

-I

Alves,

Gaudêncio

Fidelis,

Paulo Robertode Christo e

Cyntia

Lorenzo

que

traba­

lhamcom esculturas., , A

exposição inaugurada

nodia 11

permanecerá

até

odia4de

novembro,

dese­

gunda

a sexta, das 9às 12

horasedas13às21 horas.

E nos sábados,

domingos

e

feriados,

das17às 22 ho­

ras.

Museu de

Antr�polo­

gia

da UFSC

.:, Durante todo o mês de

outubroasala de

exposição

temporária

do museu de

Antropologia

da U FSC

apresentará

duas mostras, "Os Bororo

-quando

a

vida passa

pela

morte" .

(vja

O

destaque

nesta

pági­

na)

e"Tramas". Tramas

expõe

tecidos de Luiz Cos­

tacomesculturasde Frank­ linCascaes.

Galeria

de artes da

UFSC

Estreou no dia 16; terça­

feira,

a

exposição

de artes

e artesanato dos funcioná­ rios da

UFSC,

que vai até

odia4de novembro,

Teatro da UFSC .

Integrando

a mostra de

Cinema e

literatura,

serão exibidososfilmes: O Jovem

Torless,

O Pesso Falso e

Effi Briest, O cavaleiro do cavalo branco e oAbuso

das cartasde amor. Os fil­

mes vieram através de um

convênio do

Departamento

artístico-cultural da UFSC

com o institutoGoethe.

Aterro

da Baía Sul

Num

pavilhão

de lona

próximo

ao mercado

públi­

co você

poderá

assistir ao

3� batismo de

Capoeira

Pal­

maresSul, nodia20 deou­

tubro às 9:30 horas.

Cursos emOutubro

Dia 16teve início o labo­ ratório

experimental

de Teatro de

Animação

que continuaemfuncionamento até novembro. O laborató­ rio parte da

experimenta­

ção

das diversas

formas,

linguagens

etécnicas, utili­

zadas no

processo

de cria­

ção

debonecos, máscaras

e

sombras,

através das

eta-.

pasque levam a

realização

de uma

prática

teatral.

AOficinade Arte doMasc promove também um curso

de escultura em bronze,

que teve início no dia 17 e

vai até odia 26 de outubro

e conta com a

orientação

deJosé LuizKincelere Ra­ fael João

Rodrigues.

Ede 16 de outubro a 16

de

novembro,

oCIC promo­

've

um cursode

interpreta­

ção

para vídeo. Os orienta­ doressãoLauro Goes

(dire­

torde

cena)

e Ronaldo dos

Anjos (diretor

d�

imagem).

NÓS

CHAMAMOS

A

TUDO

ISSO

DE·

BLUES

Cláudia

Repsold

Sea

perfeição

existe, ohe­

róida

guitarra

Erica

Clapton

a encontrou,porque

perfeito

éomínimoquese

pode

dizer

do show do

despretencioso

"god

of

guitar':

quelevouao

êxtasemaisde25milpessoas

nanoitede sábadonoestádio

Orlando

Scarpelli.

Quando

o

mágico

do blues

subiuao

palco

etocouos

pri­

meiros acordes de "Preten­

ding':

somqueabriuoshow, a

galera já

estava delirando.

Nemachuva foicapazdees­

friaros ânimos da

moçada,

que

dançou,

cantoue vibrou

ao somde "I shot the sheriff" (numa versão mais

lenta),

"Running

on

Faith':

"Layla':

"No Allibis"e, obviamente,

"Coceine".

A

impressão

quese tinha

é queesse

mágico

da

guitarra

tinha saído de

algum lugar

além de nossa

imaginação.

Elecantouumblues cheio de

toques sensuais, irresistível

àsnossasemoções de

pobres

mortais. Detonou solos na sua Fender

Strstocester

(a

guitarra

dasferas)comtanta concentraçãoque

chegou

afi­ carde costas paraa

moçada.

Nãotomemissocomo umdes­

respeito

ao

público,

massim

como um mago

viajando

no seu som. Tudoé apenasuma

questão de

integração

total

entre

Clapton

e a sua

guitar­

ra que

chega

a fumar

junto

comele

alguns

dosseustrinta

cigarros

diários.

Maséclaroque nãose

pode

talarde Eric

Clapton

semfa­

lar desua

banda,

formadapor

inquestionáveis

alquimistas

da música.

Começando pela

sensualidade transparente

das back vocalsKatieKisson

e Tessa Niles. A

precisão

da

guitarra

de Phil Palmer. Os solos alucinantes do baixo de Natham East. A sutileza do

teclado de

GregPhiliganes.

O compassobem marcado da bateradeSteveFerronee,pa­

ra

fechar,

apercussãomuito

louca de

Ray

Cooper.

Mases­

teúltimoéumshow àparte.

Cooper

não só tocou divina-• mente,comodeu solos deper­

cussão,tocouumsambameio

funk,

fez a

moçada

cantar

junto

comele,levandoa

gale­

ra à apoteose.

É,

realmente

estemeio

v.elho,

meio

louco,

meio cegofoi mais umshow noshow de Eric

Clap

ton.

Não faltou nadano estádi

Orlando

Scarpelli.

Um som

potente, dois telõesnaslate­

raisdo

palco,

genteinterada

e um toquesutil das

drogas,

quese tornoumais

explícito

quando

rolou o som "Cocai­

ne".Seria

legal

alguém

dizer que"Cocaine"éumhinoanti­

drogas

enão o contrário, co­ mopossa parecer.

Não

houve ninguém

que não saíssedo estádio com a

impressão

de que viu um

grandiosos

encontro das

grandes

ferasda música.Sen­ doassim, oquenós,seres co­

muns,

podemos

dizera�sdeu­

ses senão um emocionado

agradecimento pela

suapre­

sença?

E talvezos

fogos

dear­

tifício soltadosno final do show fossem uma

espécie

de

reverência a esse

mágico

da

guitarra,

a esse

percussionis­

tas divinamente

estranho,

a essa banda nota

dez,

a tudo

isso que nós chamamos de blues, a raiz dessa

viagem

que éorock androll.

Tangose

Tragédias

Rosane Porto

Porduas noites Florianó­

polis

virouaEsbórniado

Sul,

uma ilha

itinerante,

desgar­

rada do

continente,

quenave­

gando

pelo

mundo acabouco­

mo umalixeira cultural. Mas

ninguém

percebeu,

exceto quem estava dentro do Cen­ tro

Integrado

deCulturadei­ tando e rolando ao som do

Tangos

e

Tragédias.

Rolan­

do de rir do

jeito

irreverente de Nico

Nicolaiewsky

e Hi­

que

Gomes,

os

dois

de

,!O(tq

Alegre,

onde haSeISanos uu­

ciaramumacerreire demúsi­ cosque virou o Rio Grande

do Sulquase inteiro deper­

nasparao ar.FoinaEsbórnia

do Sul(localizadanummapa

imaginário),

quenasceram o

violinista Kraunus

(Hique)

e omaestroecordionistePlets­

kaya

(Nico),

personagens que

arrancaram

g_argalha.ila�

de

gaúchos, paulzstas,

minei­ ros ecariocas.

Ea

platéia

catarinensete­

veestespersonagensporum

final desemana

pela primei­

ra vez. O show iio

Tangos

e

Tragédias

foi

despojado

e re­

petiu

a dose desucessoante­

rior. Sem

cenário,

com ape­ nasluze som

acústico,

Nico e

Hique surgiram

no

palco

dispostos

a trazerdiversão.

Um contrasensoselevarem

conta o

repertório

com

algu­

masletras de

Alverengt:

e

Renchinho e

Vicente

Celes­

tino,

a história das

c1l1eiras

a

b . "

quese emevsme o TIO .

Mastudo acabaem

pizza,

me­

lhor

em

pastelão.

Com uma

boa dose de

humor,

os dois

acabaram treasiormendo o

tangoemsambae a

tragédia

emcomédia.

O show é umamistura de música com

teatro,

que fica

por conta das caras e bocas

de Nicoe

principalmente

Hi­

que, com a

papada

dos olhos

escurecidaseoscabeloscom­

pridos

queimitam

vampiro:

Kraunuséamargo,

violinista

exotérico,

cansado dos delí­ rios

proféticos.

O maestro

Pletskaya

éumhomem sofri­

do,

atordoado

pelos

amorés

frustrados. E foi da

tristeza,

da amargura dos dois que a

platéia

sedivertiu.

Depois

de uma hora em

paleo,

os dois

acabam voltandocom umbis

pré-combinado

com o

público

paraodesfechoquevem com a

dança

do

Copérnico, aquela

que "você não

pode

mexer com aspernase nem comas

mãos':

a

dança

da Esbórnia.

Quem

foiao CIC viu e não

medeixe mentir. Da

próxima

vezque o

Tangos

e

Tragé­

dias estiverem

Florianópo­

lis,

valeapena

viajar

pela

Es­

bórnia,

quedo

paleo

acabanfl

porta

do

teatro,

com osdOIS músicos dotamanhodo

públi­

co, cara acara,comacordeão

e

violino,

por

pelo

menosmais

(6)

Depois

de 32

anos,

mais

uma

estréia de

um

filme catarinense

"Manhã",

a

aventura

Nilva Bianco

,

'u

ma noite

hollywoodia­

, na,comatoresdesfilan­ do

pelo palco,

sob aluz

,

,

de refletores". Essa é a

imagem

que o escritor Salim

Miguel

guarda

da estréia de "O

Preço

da

Ilusão",

-há32anos,no Cine São José.

Apesar

de

dispensar

o

glamour,

a

pré-estréia

do

cur­

ta-metragem

"Manhã",

de Zeca Nunes PireseNorberto

Depizzolatti, representa

uma retomada do que foi iniciado

pelo

Grupo

Sul: o cinema catarinense em

35mm.

Em

1958,

ainiciativa do

Grupo

Sulfoi

umaaventurade escritoresnomundoau­

diovisual."Só haviauma ouduaspessoas

quejá

haviam vistoumacâmerana

vida,

os demais eram apenas encharcados de

teoria",

lembra Salim

Miguel.

"Manhã",

porsuavez,éurnatentativade dar conti­ nuidade e

profissionalização

ao cinema

catarinense. Alémdos erros,

acertos,

ex­

periência

e

amadorismo,

existe muito maisportrásdos 10 minutose20segun­

dos do filme.

É

a tentativa de se criar'

uma

equipe

de cinemano

estado,

reunin­ do desde atores até

técnicos,

visando a

transformação

da obraem umlaboratório

de

aprendizado

e

aprimoramento.

Sem

teorias ou cursos

disponíveis,

a

solução

éa

prática.

Felicidades- Ocurta"Manhã" teve

'�

origem

quando

Zeca Nunes Pires leu "A

Morte do

Leiteiro",

deCarlosDrummond i5 de

Andrade,

e "viuumfilmeno

poema".

A luta

pela profissionalização

passou

por

Anitápolis

'Em

1987,

o

roteiro,

adaptado

por

Taba-jara Ruas,

foi enviadoao

poeta

erecebeu a

seguinte resposta:

"

...

Fico

torcendopara

querealizeo

projeto

eele

seja

bemsuce­

dido. Felicidades". Foram várias inter­

rupçõesaté que,em

1989, junto

comNor­ berto

Depizzolatti,

Zeca Pirescomeçoua

efetivaro

projeto,

com o

apoio

da UFSC edeempresaslocais.

Anitápolis

foio

pal­

coparaoitodias de

filmagem,

escolhido

pela

beleza de sua

localização, próxima

ao

planalto

catarinense.

Apesar

da maior

parteda

equipe

serlocale

inexperiente,

ofilme acabou saindo.

Valorizando

experiências

como essa, surgeo

projeto

de umnúcleo de

cinema,

integrado

à

Cinemateca,

comautonomia técnicaparaa

realização

denovasobras.

A estrutura desse núcleo está baseada

nas pessoas interessadas emfazer

cine-ma,bemcomo nos

equipamentos,

queco­

meçam a ser

adquiridos

com verba do

Funcine

(arrecadação

de5%.sobrearen­

da,

das

bilheterias,

realizada

pela

Secre­ tariade Culturae

repassada

àCinema­ teca).O

núcleo, quejá possui equipamen­

tode

luz,

embrevevai

adquirir

também

um

equipamento

desom.

Na

opinião

deZecae

Norberto,

apesar

das tentativasem

16mm,

durante muito

tempo

nãosefezcinemaemSanta Cata­

rina

devidoàfalta de

apoio,

eatémesmo

de insistência dos

artistas,

sendoosanos

70osmais

representativos

dessa

situàção

no

estado.

Atualmente,

não são poucos

osque canalizamsuavocação cinemato­

gráfica

através do

vídeo,

emvirtude da

maior facilidade deoperação e

pela

pró­

pria

falta de

oportunidades

de

aprendi-,

Um

jornal

de

jornalistas

AnaCláudia Menezes

O

jornal

francês "Le Monde"

elegeu

noúltimo dia 29o seu4?

diretor,

oex-re­

dator chefeDaniel

Vernet,

quedevedar

continuidade ao trabalho desenvolvido

pelo

diretor

anterior,

André Fontaine. A

eleição,

que tevea

participação

direta

de 300

jornalistas

ecolaboradores do

jor­

nal,

éfeita desde

1951,

quando

o

jornal

enfrentoua sua

primeira

crise. Nesta

ocasião,

foi criada a

primeira

cooperativa

dos

jornalistas,

conhecida

na

época

como "sociedade dos redato­

res",

em que os trabalhadores do "Le

Monde"tornaram-seacionistas. Para Jean

Locouture, ex-jornalista

e

historiador

francês,

"o resultado é

posi­

tivo". Ele

esteve

na UFSC na

quinta­

feira,

dia 4,

proferindo palestra

sobre

a vida e acarreira

política

do

general

,

Charles de Gaulle.

Jean Lacouturefoi articulistado"Le

Monde" durante 20 anos,

completados

em 1970

quando

se

desligou

do

jornal

para se dedicarà

pesquisa.

Acabou es­

crevendo 33 livros. Andou por

países

africanose achouque otextode

jornal

era muito curto para que ele

pudesse

sepassa no Brasilem cem

.linhas?".

A

resposta

veio nos livros e na série de

conferênciasquevemdandoemuniver­ sidades

européias

eamericanas.

O "Le

Monde",

que vendeu 382 rriil

exemplares

diários em 1989, éum dos

jornais

quemais

dispara

críticascontra

o

presidente François

Miterrand. Mas

nemsemprefoiassim.Em

1981,

quando

Miterrand foieleito

pela primeira

vez,

O

jornal apoiou

a

plataforma

socialista

do entãonovogoverno. Nessa

época,

o

"LeMonde" foi acusadode distanciar-se dasua

posição

críticaede

independên­

cia,

perdendo

partes

de seus leitores.

Mesmo

assim,

umdia

após

avitóriade

Miterrand,

o

jornal

vendeu mais deum

milhão

de

exemplares.

O

engajamento

político

sempre convi­

veu nas

páginas

do "Le Monde". O

pri­

meiro

exemplar

foi

lançado

em 18 de

dezembro de

1944,

incentivado

pelo

ge­ neralDe

Gaulle,

que

queria

um

jornal

de

importância

estratégica

internacio­ nal. O

fundador,

Hubert

Beuve-Méry,

mortono ano

passado,

dirigiu

o

jornal

até

1969,

onde escreveu

artigos

defen­

zadoem

cinema,

Na carência deum curso

apropriado,

o curso de Jornalismo da UFSC acaba recebendo futuros

cineastas;

'como

foi o caso de Norberto e Zeca e,

atualmente,

deChico

Faganello,

que está

dirigindo

um

média-metragem

em

16mm.

Apesar

disso,

aindanão é

possível'

compararainstantaneidade dovídeocom a

elaboração

do cinema.

Aindaesse ano, "Manhã" deve'passar

por

grandes

provações

qualitativas.

Está inscrito para o Festival de

Brasília,

em

outubro,

eparaoRioCine- FestivaleMos­

tra Internacional Mário

Santos,

em no­

vembro. A

partir

daí,

serádistribuídope­

las

Organizações

Mário Santos nos três estados do sul e só então enfrentará a

maior prova parasua

aceitação:

o

grande

público.

Le

Monde,

a

cooperativa

que

deu

certo

, . I

\

f

I J I

1

t, �

s

J I /; -,

-l

ii J

?

Bouve-

Méry

ficounocomandoatéoito

meses

depois

de De Gaulle terdeixado

o

poder.

Além da crise sofrida

pelo

"Le

Monde"em1951,umaoutra,em79,fez o

jornal

perder

600milleitoresemseis

anos,alémde darum

prejuízo

pertode

US$

20milhões. Nomeiode todaa

crise,

foram realizadassele

eleições

internas para a

direção

do

jornal,

entre 1980 e

1982.Em 1985,o

jornal

sereergue,au­

mentandoa sua

tiragem

e

publicidade,

mastendoquedemitir

pessoal

e aumen­

taronúmerode acionistas.

Hoje,

o"LeMonde"

figura

em

quinto

lugar

no

ranking

dos

jornais

maisven­

didosna

França,

mas mantém famae

prestígio.

Para trocarde sedeemmaio

deste ano, o

jornal

aumentou o preço

do

exemplar

dostradicionais

4,50

fran­

cospara 5 francos.

Depois

de 45 anos

funcionandonum

antigo

prédio

perto

da ,

Ópera,

o"LeMonde"seinstalouconfor­

tavelmente numa moderna sede no

bairro de

Montparnasse,

em Paris. A

mudança

foi

proposital

para coincidir

com acompradeuma nova

impressora,

_

1'1 em setembro do ano

passado,

e com a

reforma

tecnológica

pretendida pelo

"Le

"

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