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TRABALHO DECENTE NO ESTADO DO AMAZONAS

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TRABALHO DECENTE NO ESTADO DO AMAZONAS

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Tayana Corrêa Nazareth† Renato Mendes Freitas‡ Débora Ramos Santiago§

Palavras-chave: mercado de trabalho; informalidade; trabalho decente. Resumo

O presente artigo faz uma análise da evolução do Trabalho Decente no Amazonas durante o período 2001 a 2007. A importância de estudos desta natureza está ligada à busca para atingir os objetivos da Agenda Nacional do Trabalho Decente, instituída pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 2006, em que o governo Brasileiro aderiu à proposta da OIT reconhecendo o trabalho como centro do desenvolvimento e da inclusão social. A relevância atual do tema aliada a escassez de estudos, no âmbito do Estado do Amazonas, justificam a realização desta pesquisa. Os dados utilizados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD para o mesmo período. A análise foi feita com base nos indicadores propostos pela OIT, e se agrupam em torno das seguintes dimensões fundamentais de trabalho decente: (i) oportunidades de emprego; (ii) salários adequados e trabalho produtivo; (iii) horas decentes de trabalho; (iv) conciliação entre o trabalho, vida familiar e vida pessoal; (v) trabalho a ser abolido; (vi) estabilidade e segurança do trabalho; (vii) igualdade de oportunidades e de tratamento no emprego; (viii) entorno de trabalho seguro; (ix) seguridade social; (x) diálogo social e representação de trabalhadores e de empregadores. O estudo mostrou que vários indicadores de trabalho decente apresentaram déficit no Amazonas durante o período analisado. A taxa de desemprego mostrou-se elevada e acima da média brasileira, houve crescimento da informalidade e do trabalho infantil. A segregação por sexo revelou-se expressiva no período estudado: as mulheres possuem taxa de participação, nível de ocupação e renda inferior aos homens e estão mais desempregadas que os homens. A porcentagem dos trabalhadores com jornadas excessivas recuou no período, mas ainda é elevada.

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Trabalho apresentado no XVII Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Caxambú- MG – Brasil, de 20 a 24 de setembro de 2010

Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional /UFAM – Bolsista FAPEAM

Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional /UFAM

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TRABALHO DECENTE NO ESTADO DO AMAZONAS

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Tayana Corrêa Nazareth† Renato Mendes Freitas‡ Débora Ramos Santiago§

Introdução

Nas últimas décadas, foram intensas as modificações estruturais na economia, assim como as transformações ocorridas no mercado de trabalho. Essas transformações, que acompanham a integração da economia e ocasionam o surgimento de novas formas de trabalho, exigem maior capacitação do trabalhador. Assim, verifica-se o aumento do desemprego, da informalidade e da precariedade do trabalho com menor proteção social.

Neste contexto, vem à tona a discussão sobre quais são as necessidades e os direitos do trabalhador e se eles vêm sendo cumpridos. Surge o conceito de trabalho decente que, segundo a Organização Internacional do Trabalho - OIT trata-se de um trabalho produtivo e adequadamente remunerado, exercido em condições de liberdade, eqüidade e segurança, garantindo uma vida digna a todas as pessoas que vivem do trabalho e a suas famílias. Também pode ser entendido como emprego de qualidade, seguro e saudável, que respeite os direitos fundamentais do trabalho, garanta proteção social quando não pode ser exercido (desemprego, doença, acidentes, entre outros) e assegure uma renda para a aposentadoria. Também engloba o direito à representação e à participação no diálogo social.

O objetivo deste artigo foi analisar a evolução do Trabalho Decente no Estado do Amazonas no período de 2001 a 2007. A análise foi feita a partir de um conjunto de indicadores e de uma proposta de Índice de Trabalho Decente. Os dados utilizados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ressaltando que os dados da PNAD de 2001 a 2003 não incluem a área rural do Estado do Amazonas. As áreas adotadas como parâmetro para um estudo comparativo com o Amazonas são o Brasil e a Região Norte.

Os indicadores selecionados foram a Taxa de Participação (I1), Nível de ocupação (I2),

Taxa de desemprego (I3), Taxa de informalidade (I4), Incidência de trabalho infantil (I5)

Trabalhadores com Rendimento mensal de um salário mínimo ou mais (I6), Excesso de horas

trabalhadas (I7), Permanência de um ano ou mais no emprego (I8), Taxa de segregação de

rendimentos por sexo (I9), Proporção dos ocupados com contribuição de previdência (I10) e

Taxa de sindicalização (I11). Estes indicadores englobam os elementos fundamentais de

mensuração do trabalho decente como: a oportunidade de emprego; o trabalho a ser abolido; os rendimentos adequados; a jornada de trabalho; a estabilidade e segurança no trabalho; a igualdade de oportunidades e a seguridade social.

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Trabalho apresentado no XVII Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Caxambú- MG – Brasil, de 20 a 24 de setembro de 2010

Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional /UFAM – Bolsista FAPEAM

Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional /UFAM

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Por meio deste conjunto de indicadores escolhidos o Índice de Trabalho Decente (ITD)

foi calculado conforme a equação 1.

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Ressalte-se que todos os Indicadores foram convertidos em um valor normalizado dentro de uma faixa que varia de 0 a 1, de acordo com a fórmula:

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O fator Q é o peso atribuído a cada indicador, sendo distribuído da seguinte forma: 

I

1 possui peso igual a 7,5 com Valor Mínimo de 0% e Valor Máximo de 100%

I

2 possui peso igual a 5,0 com Valor Mínimo de 0% e Valor Máximo de 100%

I

3 possui peso igual a 7,5 com Valor Mínimo de 20% e Valor Máximo de 3,5%

I

4 possui peso igual a 5,0 com Valor Mínimo de 50% e Valor Máximo de 5%

I

5 possui peso igual a 10,0 com Valor Mínimo de 20% e Valor Máximo de 0%

I

6 possui peso igual a 25,0 com Valor Mínimo de 55% e Valor Máximo de 100%

I

7 possui peso igual a 5,0 com Valor Mínimo de 55% e Valor Máximo de 15%

I

8 possui peso igual a 5,0 com Valor Mínimo de 70% e Valor Máximo de 100%

I

9 possui peso igual a 20,0 com Valor Mínimo de 40% e Valor Máximo de 100%

I

10 possui peso igual a 5,0 com Valor Mínimo de 25% e Valor Máximo de 100%

I

11 possui peso igual a 5,0 com Valor Mínimo de 10% e Valor Máximo de 100%

A relevância da mensuração do Trabalho Decente e de sua evolução está ligada à busca para atingir os objetivos da Agenda Nacional do Trabalho Decente, instituída no ano de 2006 pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O governo Brasileiro aderiu firmemente à proposta pela OIT reconhecendo o trabalho como cerne do desenvolvimento e da inclusão social. Desta forma, a escassez de estudos e a relevância atual do tema, no âmbito do estado do Amazonas, justificam a realização este estudo.

O presente artigo encontra-se estruturado da seguinte forma: na seção 1 faz-se um breve panorama do comportamento recente do Mercado de Trabalho; na seção 2 os resultados são apresentados e analisados; e, a seção final sintetiza as ultimas considerações deste artigo. 1. Os anos 1990: Fatos estilizados e o Mercado de Trabalho

A década anterior ao período que este artigo analisa mostrou peculiaridades que influenciaram e influenciam diretamente o mercado de trabalho. A partir do início da década de 1990, a política de comércio internacional do Brasil sofreu várias alterações, com a liberalização comercial, a desregulamentação do mercado e a privatização das empresas. Além disso, medidas de estabilização foram tomadas.

Entre diversas outros fatores que influenciaram o comportamento do mercado de trabalho estão também a estabilização, os choques externos e a constituição de 1988. A nova

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orientação política e econômica de integrar o Brasil ao cenário de globalização mundial provocou transformações no mercado de trabalho, sobretudo em termos de emprego e salários (Raposo e Machado, 2002, p.16).

A estabilização, decorrente da redução da inflação a partir de 1995, afetou a estrutura produtiva e de empregos. Com a inflação, alguns setores e profissões são valorizados, mas quando ela se reduz, perdem importância. A inflação pode ainda mascarar resultados operacionais negativos das empresas que ficam evidentes quando ela é derrubada subitamente. Os choques externos também afetaram o comportamento do mercado de trabalho, pois os anos iniciais da abertura comercial e da estabilização vieram acompanhados de diversas crises mundiais (México em 1995, Ásia em 1997, Argentina em 2002), associadas a episódios de elevação da taxa de juros e oscilações cambiais após 1999. O período de 1995 a 2002 foi marcado por ciclos de expansão e desaceleração que exigiam enorme capacidade de adaptação das empresas (IPEA, 2006, p. 246).

Por fim, destaca-se a regulamentação do emprego, inserida na Constituição Federal de 1988, que apresentou efeitos negativos sobre o mercado de trabalho brasileiro. As medidas acarretaram acréscimos no custo unitário do trabalho, em uma época de inovações e pressão à competitividade, ao invés de gerar garantias ao trabalhador, reduziu a capacidade das empresas absorverem mão-de-obra, principalmente, contribuindo para o aumento do desemprego e da informalidade (Averbug, 1999, p. 71).

No âmbito do Estado do Amazonas, a abertura econômica provocou profundas mudanças no modo de produção da Zona Franca de Manaus (ZFM), com reflexos em toda a economia amazonense. Ressalte-se que o modelo tem sido o principal instrumento de intervenção deliberada na economia do Estado nos últimos quarenta anos, sendo responsável por colocar o Amazonas em posição de destaque no cenário nacional, tanto em Produto Interno Bruto quanto em Renda per Capta e arrecadação tributária.

As atividades industriais presentes na ZFM, principalmente, as de transformação, foram atingidas pela abertura do mercado brasileiro às importações, no início dos anos 90. A nova política brasileira de comércio exterior diminuiu as vantagens comparativas entre a Zona Franca de Manaus e o restante do País.

Diante das mudanças provocadas pela abertura comercial a partir dos anos 90, a economia amazonense passou por um processo de reestruturação do seu pólo industrial. De acordo com dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus, com efeito, no primeiro momento, as empresas aumentaram a utilização de capital físico em detrimento do capital humano. E, no segundo momento, aumentaram o índice de regionalização da cadeia produtiva, que passou de 22% para 33%, criando novos postos.

Ademais, ocorreram modificações na legislação, tais como a compulsoriedade da prática do Processo Produtivo Básico – PPB. Iniciou-se a recuperação da ZFM. A progressiva reestruturação das empresas, a redução de custos, dentre outras decisões gerenciais e institucionais, propiciaram maior competitividade aos produtos produzidos no Amazonas, e com isso, a recuperação gradativa do nível de emprego.

2. Análise dos resultados Taxa de Participação (I1)

A taxa de participação costuma ser apontada como sendo de grande significância, pois permite que se conheça a participação da população no mercado de trabalho, uma vez que quanto maior ela for maior será a quantidade relativa de pessoas que ingressaram no mercado de trabalho, ou que tomaram alguma providência efetiva para consegui-lo.

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Os dados analisados mostram que o Amazonas apresentou taxa de participação inferior àquela verificada na Região Norte e no Brasil durante todo o período analisado. Em 2007 o Amazonas, com 56,36%, permaneceu abaixo da Região Norte, com 60,37% e do Brasil com 62,03% (Gráfico 1).

Estabelecendo uma análise comparativa com as áreas adotadas como parâmetro, o Amazonas apresentou taxas de participação masculina no período de 2001/2007 inferior às taxas apresentadas no Brasil e na Região Norte no mesmo período.

A análise da participação por sexo revela que tanto os homens quanto as mulheres apresentaram aumento na taxa de participação no Amazonas. A taxa de participação feminina foi de 41,38% em 2001 e de 45,46% em 2007 e a masculina em 2001 foi de 64,83% e de 67,53% em 2007.

Fonte: IBGE/Pnad (elaboração própria)

Nível de Ocupação (I2)

O nível de ocupação no Amazonas em 2007 foi de 50,41% ficando abaixo da Região Norte sendo de 55,50% e do Brasil com 56,97% no mesmo período. Quando comparado com o ano de 2001, o nível de ocupação no Amazonas teve um crescimento de 3,04 p.p. (Tabela 1).

Já a análise do nível de ocupação por sexo mostra que durante todo o período analisado, os homens mantiveram-se com nível de ocupação superior ao das mulheres. Em 2007 o nível de ocupação dos homens era de 62,50% e o das mulheres 38,62%. Esta diferença significativa é mantida ao longo do período estudado (Gráfico 2).

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Fonte: IBGE/Pnad (elaboração própria)

Taxa de Desemprego (I3)

O desemprego é tido como o indicador mais utilizado para avaliar o desempenho do mercado de trabalho, quando ele se encontra em patamares baixos mostra que o mercado está em um bom momento, o que não ocorre quando os seus níveis estão elevados, mostrando que o mercado não está favorável.

Em 2007, a taxa de desemprego do Amazonas foi de 10,29%, revelou-se, acima da taxa de desemprego do Brasil e inferior a da Região Norte. A variação da taxa de desemprego alcançou picos chegando a 12,33% em 2002 e 15,44% em 2003 (Gráfico 3).

O Amazonas apresentou, durante o período analisado, taxas de desemprego superior as do Brasil e inferior as da Região Norte. Somente no ano de 2003 o Amazonas ficou acima do Brasil e da Região Norte.

O indicador de desemprego é um dos pontos importantes do trabalho decente. As taxas elevadas de desemprego que o Amazonas vem apresentando contribuem para o déficit de trabalho decente na dimensão oportunidade de emprego.

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6 Fonte: IBGE/Pnad (elaboração própria)

Taxa de Informalidade (I4)

A taxa de informalidade corresponde a relação entre a população ocupada (assalariados sem carteira, autônomos e não-remunerados) e a população economicamente ativa.

Um dos fenômenos marcantes do mercado de trabalho, desde os anos 1990, foi a proliferação das práticas informais (IPEA; 92). O estudo mostra que no âmbito do estado do Amazonas o mercado informal continua em crescimento. A informalidade no Amazonas passou de 37,70% em 2001 para 48,15% em 2007. Um aumento expressivo similar foi verificado na Região Norte, conforme pode ser observado na Tabela 1.

Já o Brasil em 2001 apresentava taxa de informalidade de 39,50% e em 2007 apresentou taxa de 36,85%, representando queda neste indicador e mostrando que em comparação com as crescentes taxas de informalidade apresentadas na década anterior o Brasil mostrou melhora no indicador apesar de ainda manter taxas elevadas de informalidade. Trabalho Infantil (I5)

A proteção integral da criança e do adolescente por meio da prevenção e erradicação do trabalho infantil é considerada como um dos princípios e direitos fundamentais no trabalho e um aspecto primordial na agenda de trabalho decente.

O trabalho decente coloca como meta abolir esse tipo de trabalho. No Amazonas houve aumento do indicador de trabalho infantil, passando de 6,45% em 2001 para 8,16% em 2007. Apesar disto, o Estado do Amazonas manteve-se com taxas inferiores às da Região Norte e do Brasil. Em 2007 o Brasil e a Região Norte apresentaram taxas de 11,33% e 10,84% respectivamente.

A erradicação do trabalho infantil é condição fundamental para que se obtenha um índice de trabalho decente maior, que represente os reais direitos dos trabalhadores. Segundo alguns estudos da OIT baseados na própria PNAD, o trabalho infantil gera renda menor na idade adulta, sendo que as pessoas que começaram a trabalhar antes dos 14 anos têm uma probabilidade muito baixa de obter rendimentos superiores aos R$ 1.000 ao longo da vida.

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7 Rendimento Adequado (I6)

Este indicador mostra a proporção de trabalhadores com rendimento mensal de um salário mínimo ou mais, representando o rendimento adequado. O salário mínimo possui grande importância no sentido de melhorar as condições dos grupos de trabalhadores de baixa renda e dos menos qualificados, em que há grandes proporções de mulheres e negros.

Nesse contexto, o Amazonas apresentou taxas de rendimento adequado mais elevadas que as do Brasil e da Região Norte durante o período em estudo. Em 2001 em torno de 78,69% dos trabalhadores ocupados do Amazonas tinham rendimento mensal de 1 salário mínimo ou mais, a Região Norte e o Brasil apresentaram respectivamente taxas de 72,96% e de 75,92%. Já em 2007 as três regiões apresentaram declínios nas suas taxas, quando comparadas ao ano de 2001.

Os dados revelam que houve melhoria neste indicador durante o período analisado. Aumentando a proporção de pessoas que recebem um salário mínimo ou mais pode-se reduzir as desigualdade sociais e a proporção do trabalho informal. Além disso, levando-se em conta que a remuneração adequada é um dos principais aspectos do Trabalho Decente e que a renda adequada deve assegurar aos trabalhadores o sustento próprio e o da família, este indicador tem um peso importante no índice.

Tabela 1

Indicadores de Trabalho Decente do Amazonas, período de 2001 a 2007

Anos Dimensões Indicadores 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Oportunidade de Emprego I1 52,81% 54,70% 57,69% 59,58% 61,83% 58,11% 56,36% I2 47,37% 48,01% 48,84% 53,34% 55,33% 53,14% 50,41% I3 10,29% 12,33% 15,44% 10,39% 10,52% 8,55% 10,55% I4 37,70% 40,94% 39,41% 50,00% 48,98% 48,15% 44,73%

Trabalho a ser Abolido I5 6,45% 6,14% 6,35% 8,83% 7,31% 9,48% 8,16%

Renda Adequada I6 78,69% 71,43% 73,39% 73,60% 71,31% 69,91% 75,43% Jornada de Trabalho I7 46,15% 37,94% 34,88% 36,14% 32,41% 36,62% 27,26% Estabilidade no Trabalho I8 81,08% 79,47% 83,01% 87,62% 90,29% 88,91% 85,06% Igualdade de Oportunidades I9 67,11% 71,61% 71,83% 67,72% 68,06% 62,68% 68,96% Seguridade Social I10 44,51% 44,46% 45,94% 36,44% 36,65% 36,89% 40,83% Diálogo Social I11 5,67% 8,76% 9,29% 10,75% 12,34% 8,41% 10,38%

Fonte: IBGE/Pnad (elaboração própria).

Excesso de horas trabalhadas (I7)

O excesso de horas trabalhadas é uma dimensão importante da qualidade de emprego. Em 2007 o Amazonas, a Região Norte e o Brasil apresentaram declínios em relação ao ano de 2001. No Amazonas, em 2001, cerca de 46,15% dos trabalhadores ocupados trabalhavam mais de 45 horas semanais, correspondendo a quase metade dos trabalhadores. Já em 2007 esse número caiu para 27,26% uma redução bastante significativa, representando melhoria na qualidade de vida do trabalhador. Em 2007, no Brasil e na Região Norte o excesso de horas trabalhadas foi de respectivamente de 34,62% e 31,85%.

A redução do excesso de horas trabalhadas contribui positivamente para o aumento do índice de trabalho decente e a redução do seu déficit. Entretanto, mesmo com a tendência de

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declínio apresentada no período em estudo, ainda existe um grande contingente de trabalhadores com excesso de horas trabalhadas no Amazonas, na Região Norte e no Brasil. Estabilidade e Segurança no Trabalho (I8)

A estabilidade e segurança no trabalho representam uma das dimensões do trabalho decente. A permanência de 1 ano ou mais no emprego é uma das formas de mensurar a estabilidade no trabalho pelo tempo de permanência do trabalhador no mesmo.

O Amazonas apresentou resultados positivos nesse quesito, passando de uma taxa de 81,08% em 2001 para 85,06% em 2007, permanecendo com taxas superiores às do Brasil que em 2001, era de 79,65% e em 2007 foi para 81,58%.

Segregação por Sexo (I9)

A taxa de segregação correspondente à razão do rendimento médio das mulheres em relação ao dos homens. Considerando o estado do Amazonas, os dados revelam uma elevada segregação de gênero na remuneração do mercado de trabalho para mulheres. Porém, verifica-se que houve estagnação deste indicador no período analisado. Em 2001 o Amazonas apresentou taxa de 67,11% e em 2007 aumentou para 68,96%.

Já o Brasil revelou um aumento do rendimento das mulheres em relação aos homens, significando diminuição da segregação de sexo. O país que apresentou em 2001 taxas de 72,03%, em 2007 obteve um aumento de 7,3% com taxas em torno de 77,29%. Na Região Norte quando se compara o ano de 2001 ao de 2007 verifica-se um acréscimo de 3,1% nesse indicador passando de 66,64% para 69,64%.

Esses dados demonstram que apesar da melhoria apresentada nesse indicador ainda existe grande disparidade de rendimento entre homens e mulheres. As taxas de participação, nível de ocupação e taxa de desemprego por sexo que foram vistas anteriormente também revelam esse diferencial entre os gêneros. Este fenômeno é considerado um fator negativo para o trabalho decente, já que este como seu próprio conceito diz, tem como base principal a igualdade entre gênero, raça, etc.

Ocupados com Contribuição Previdenciária (I10)

O acesso à seguridade social é um direito humano de grande relevância para o trabalho decente e o desenvolvimento humano, sendo instrumento essencial para a igualdade social e se bem administrada, aumenta a produtividade, pois proporciona garantia de renda e serviços sociais aos trabalhadores. O aumento da proporção desses benefícios está associado às melhorias no mercado de trabalho e também ao crescimento do emprego formal

A seguridade social é representada pela proporção de ocupados com contribuição de previdência. Tanto no estado do Amazonas, quanto na Região Norte e no Brasil verificou-se um declínio deste indicador durante todo o período analisado. No Amazonas em 2007, cerca de 40,83% dos trabalhadores ocupados contribuíram para a previdência social. Comparando com o ano de 2001 esse indicador caiu 3,68 %, encontrando-se em patamares muito baixos. Esses resultados demonstram que menos da metade dos trabalhadores ocupados contribuem para a previdência social, esse fenômeno colabora para o déficit do trabalho decente.

Taxa de sindicalização (I11)

O aumento da taxa de sindicalização está associado às melhorias no mercado de trabalho, como a redução da informalidade, etc, contribuindo positivamente para a obtenção de um melhor índice de trabalho decente.

Comparando o início e o final do período em estudo, a taxa de sindicalização no Amazonas quase que dobrou, em 2001 era de 5,67% e passou para 10,37% em 2007. Este indicador representa a dimensão diálogo social, que é de grande importância dentro da mensuração do trabalho decente.

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A Região Norte e o Brasil apresentaram respectivamente em 2007 taxas de sindicalização de 13,32% e 17,67%. Quando se compara com o ano de 2001 observa-se um crescimento de 3,03% na Região Norte e uma estagnação do indicador no Brasil com aumento de 0,93%.

Dessa forma, constata-se que mesmo com o crescimento verificado no período considerado, os seus níveis ainda são relativamente reduzidos, o que pode estar associado a uma série de fatores pertinentes ao mercado de trabalho, como o aumento do desemprego, taxa de informalidade relativamente elevada, etc.

Tabela 2

Indicadores de Trabalho Decente da Região Norte, período de 2001 a 2007

Anos Dimensões Indicadores 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Oportunidade de Emprego I1 56,49% 58,31% 59,35% 62,15% 62,60% 60,88% 60,17% I2 50,88% 52,30% 52,90% 57,77% 57,66% 56,57% 55,50% I3 9,95% 10,27% 10,88% 7,04% 7,90% 7,08% 7,76% I4 39,61% 40,72% 40,06% 49,35% 48,61% 47,37% 45,43%

Trabalho a ser Abolido I5 9,42% 9,79% 9,47% 13,78% 13,09% 12,32% 11,33%

Renda Adequada I6 72,96% 66,03% 65,83% 69,13% 66,19% 64,32% 67,41% Jornada de Trabalho I7 47,08% 41,14% 41,21% 38,49% 39,21% 36,74% 31,85% Estabilidade no Trabalho I8 77,53% 76,18% 77,31% 82,17% 81,63% 81,39% 81,60% Igualdade de Oportunidades I9 66,64% 71,44% 72,16% 66,96% 69,07% 67,55% 69,74% Seguridade Social I10 38,64% 37,81% 38,96% 31,25% 33,60% 34,79% 36,49% Diálogo Social I11 10,29% 10,83% 11,59% 13,18% 14,75% 13,49% 13,32%

Fonte: IBGE/Pnad (elaboração própria).

Tabela 3

Indicadores de Trabalho Decente do Brasil, período de 2001 a 2007

Anos Dimensões Indicadores 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Oportunidade de Emprego I1 60,46% 61,31% 61,40% 62,01% 62,87% 62,40% 62,03% I2 54,80% 55,70% 55,42% 56,49% 57,02% 57,15% 56,97% I3 9,35% 9,16% 9,73% 8,90% 9,31% 8,42% 8,15% I4 39,50% 39,50% 39,34% 38,71% 38,66% 37,44% 36,85%

Trabalho a ser Abolido I5 12,71% 12,56% 11,74% 11,76% 12,16% 11,45% 10,84%

Renda Adequada I6 75,92% 72,95% 72,25% 72,39% 69,53% 69,13% 72,11% Jornada de Trabalho I7 40,87% 39,86% 39,57% 37,93% 36,74% 36,40% 34,62% Estabilidade no Trabalho I8 79,65% 79,97% 80,76% 81,05% 80,28% 80,53% 81,58% Igualdade de Oportunidades I9 72,03% 73,77% 74,44% 75,76% 76,88% 77,62% 77,29% Seguridade Social I10 45,71% 45,20% 46,38% 46,54% 47,41% 48,80% 50,74% Diálogo Social I11 16,74% 16,84% 17,68% 17,97% 18,35% 18,58% 17,67%

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10 Índice de Trabalho decente (ITD)

O índice de trabalho decente é composto pelos indicadores analisados acima. A análise do conjunto desses indicadores evidenciou a existência de um déficit de trabalho decente no estado do Amazonas, revelando que ele se encontra em pior situação que o Brasil e em melhor situação que a Região Norte.

Fonte: IBGE/Pnad (elaboração própria)

Em 2001 o ITD no Amazonas foi de 41, 44%, em nível similar o Brasil apresentou ITD

de 41,24%. Quando comparado com o ano de 2007, o Brasil e o Amazonas apresentaram respectivamente crescimento do ITD de 3,71% e 0,72%. Já a Região Norte durante o período

analisado mostrou-se em pior situação que o Amazonas e o Brasil, revelando em 2007 ITD de

36,91%.

O Índice calculado demonstra que o Amazonas necessita melhorar vários indicadores. Como por exemplo, a taxa de desemprego, que se encontra elevada e acima da média brasileira, as taxas de informalidade e do trabalho infantil necessitam ser reduzidas, assim como a segregação por sexo, onde foi evidenciada a inferior participação das mulheres no nível de ocupação e na renda, sendo elas as que apresentaram a maior taxa de desemprego.

TABELA 4

Índice de Trabalho Decente do Brasil, Região Norte e Amazonas, 2001 a 2007

Anos Brasil Região Norte Amazonas

2001 41,24 36,12 41,44 2002 40,79 34,64 39,38 2003 41,16 35,22 40,58 2004 42,64 34,47 39,17 2005 41,36 33,91 40,15 2006 42,51 33,18 35,53 2007 44,95 36,91 42,16

(12)

11 3. Considerações Finais

O presente estudo buscou mensurar as dimensões do conceito de trabalho decente no estado do Amazonas. Os resultados obtidos revelaram que existe déficit de trabalho decente no Amazonas e na Região Norte quando comparados aos indicadores do Brasil. Este déficit mostra que é necessário haver melhoria nas condições e oportunidades de trabalho.

Vários indicadores apresentaram déficit no Amazonas durante o período analisado. A taxa de desemprego mostrou-se elevada e acima da média brasileira, houve crescimento da informalidade e do trabalho infantil. A segregação por sexo revelou-se expressiva no período estudado: as mulheres apresentaram taxa de participação, nível de ocupação e renda inferior aos homens e estão mais desempregadas.

A porcentagem dos trabalhadores com jornadas excessivas recuou, mas ainda é elevada. Outro importante déficit é a pequena proporção (menos da metade) de ocupados que contribuem para a Previdência Social, além disso, o estudo mostrou que houve queda desse indicador nos últimos anos.

O acesso ao trabalho decente significa uma melhoria no desenvolvimento humano. Atingir o nível ideal de trabalho decente requer esforços na busca por alternativas para alcançar as condições sócio-econômicas necessárias, o reconhecimento da importância do trabalho e a inclusão social.

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