K»
MODELO
COMPETITIVO
DE
PRODUQAO
DE
LEITE
PARA
OS
PEQUENOS PRODUTORES
DA
REGIAO
CENTRO DE
GOIAS
I
A
A
A
R
AA
;í___
-A
\í
A
A
A
R..
A
'E
,A
.A
-í
v 04209864IRINEU
GOMES
FLQRIANÓPOLIS
2001ll
UNIVERSIDADE
F
EDERAL DE SANTA
CATARINA
~PROGRAMA
DE
POS-GILADUAÇAO
EM
ENGENHARIA
DE
PRODUÇAO
IRINEU
GO1\/[ES
MODELO
COMPETITIVO
DE
PRODUÇÃO
DE
LEITE
PARA OS
PEQUENOS PRODUTORES
DA
REGLÃO
CENTRO
DE
GOIAS
Dissertação apresentada ao
Programa de
\
Pós-Graduação
em
Engenhariade Produção
da
Universidade Federal de Santa Catarinacomo
parte dos requisitos para obtençãodo
título de
Mestre
em
Engenhariade
Produção.
Área:
Gestão
da
Qualidade eProdutividade.
Orientador: Luiz Carlos de Carvalho Júnior
FLoR1ANÓ1>oL1s
- ~
MODELO
COMPETITIVO
DE
PRODUCAO
DE
LEITE
PARA
,OS
PEQUENOS PRODUTORES
DA
REGIAO
CENTRO DE
GOIAS
~
Esta
Dissertação
foijulgada
adequada
eaprovada para obtençao
do
títulode
Mestre
em
Engenharia
de
Produção no
Programa
de
Pós-Graduação
em
Engenharia
de Produção
da
Universidade Federal
de Santa
Catarina.
Florianópolis,
20
de
Noveinbro
2 i 1Prof.
Ricardo
â z .Barcia, Ph.
D.
Coo
2 =-ador
do
\urso
BANCA
EXMINADORA
,//,/////MV
Prof.
L
`Carlos
de Carvalho
Júnior,Dr.
.
Orientador
0
ff' '
ig?
of.
Lauro
attei,Dr.
*v I`O
¡›"‹' //"
..., ~'i
osé
Ogliaii,Dr.
I'O
Ficha Catalográfica
GOMES,
IrineuModelo
Competitivode Produção de
Leite para osPequenos
Produtoresda
Região Centro de Goiás.
Florianópolis,
UFSC,
Programa de Pós-Graduação
em
Engenharia de Produção, 2000.xv. 166 p.
Dissertação:
Mestrado
em
Engenhariade Produção
(Gestãoda
Qualidade eProdutividade)
Orientador: Luiz Carlos de Carvalho Júnior
1. Competitividade 2. Pecuária Leiteira 3. Produtividade
4.Produção
I. Universidade Federalde
Santa Catarinavi
AGRADECIIVIENTOS
Ao
Professor Luiz Carlosde
Carvalho Júnior, pela orientação e incentivono
desenvolvimento deste trabalho.
Ao
Professor Idone Bringhenti, pelas orientações recebidas na preparaçãodo
projetode
pesquisa.Aos
produtores de leiteque
colaboraramno
fornecimentosde
dados.Ao
Sebrae/GO, pelo fornecimento de material de pesquisa.À
FAEG
-
Federaçãoda
Agriculturado
Estadode
Goiás - pelofomecimento de
dnnwimentanšn lgonl e material de neenniea
..`,-...- ..ç..., . c... _. ... .... ¿,...¡...
À
Universidade Católica de Goiás por ter patrocinado a realizaçãodo
cursode
mestrado a seus professores.
Ao
Programa
dePós-Graduação
em
Engenhariada
Produção da
UniversidadeFederal de Santa Catarina, pela oportunidade de realização
do
mestrado.À
EMBRAPA GADO
DE
LEITE,
pelas orientações recebidas e pemlitido consultaao Diagnóstico da Pecuária Leiteira de Goias e reprodução
de dados
e informações.Ao
SINDILEITE
-
Sindicato das Indústrias de Laticíniosno Estado
de Goiás - pelacolaboração
na
pesquisa junto aos laticínios efomecimento de
dados.Às
Indústrias de laticínios por terem cedido espaço para a coleta dedados
junto aosprodutores de leite.
E
a todos aqueles que, de maneira diretaou
indireta, contribuíram para a realização“Poucos ou
talveznenhum
Programa
Econôrnico teria a abrangência e aprofundidade
de
um
simplescopo
de leite entregue a cada brasileiro!De
fato 5 bastaum
simplescopo
de leite nasmãos
de cada brasileiro eo
país seria outro”.SUMÁRIO
LISTA
DE
ILUSTRAÇOES
... _.LISTA
DE
TABELAS
E
QUADROS
... _.LISTA
DE
ABREVLATURAS,
SIGLAS
E
SÍMBOLOS
... ._LISTA
DE ANEXOS
... ._ Vlll _.x .xi Xii XIIIRESUMO
... _. xivABSTRACT
... _. 1.INTRODUÇÃO
... ._ 1.1PROBLEMA
... ._ 1.2OBJETIVO
GERAL
... .. 1.3OBJETIVOS
ESPECÍFICOS
... ._ 1.3DEFINIÇÕES
... ._ 1.4JUSTIFICATIVA
... ._ 1.5METODOLOGIA
... _. 1.6ESTRUTURA
... _; ... _. _____________________________________ ._2.
REVISAO
DA
LITERATURA
E
FUNDAMENTOS
TEORICOS
... _.2.1
HISTÓRICO
... ._2.2
REVISÃO
DA
LITERATURA
... _.2.3
FUNDAMENTOS
TEÓRICOS
... ... ._3.
SISTEMA
AGROINDUSTRIAL
DO
LEITE
NO
BRASIL
... __3.1
CARACTERISTICAS
GERAIS
______ ______________________________________________________________ _.3.2
MUDANÇAS NO
AMBIENTE
INSTITUCIONAL
_________________________________________ _.._..: ::§::;::: U3\O\D\lU1Í\J>-'›-I'-fl>-H*-*ä
24
_29 .29 .393.3
MUDANÇAS NO
AIVIBIENTE
TECNOLOGICO
... ..443.3
MUDANÇAS NO
AMBIENTE
ORGANIZACIONAL...
... ..474.
SITUAÇAO
GERAL
DA
PECUARIA
DE
LEITE
EM
GOIAS
... ..5O~ z
4.1
GESTAO
DO
NEGOCIO
... _; ... ._4.2
SISTEMA
E
FATORES
DE PRODUÇÃO
... __4.3
SISTEMA
DE
ALIMENTAÇÃO
... _.4.5
DESAFIOS
COMPETITIVOS
... _.5.1
FUNDAMENTAÇÃO DO MODELO
... _.5.2
CARACTERISTICAS
GERAIS
... ._5.3
GESTÃO
SISTEMICA
... ._5.6
PROCESSO DE
PRODUÇAO
INTEGRADO
... _ _4.2 PROCESSODEREPRODUÇÃODEBOVINOS_..._...___...____._fffffffffffffffffffffffff.
67
5.
FORMULAÇÃO
DO MODELO
DE
PRODUÇÃO
DE
LEITE
... _.725.4
SISTEMA
DE ALIMENTAÇÃO
E
MANEJO
... ._5.5
PROCESSO
REPRODUÇAO
... ..8597
_50 .59 .62 .64 .72 .73 _74 .776.1
DISTANÇIAMENTO
DO MODEL9
EM
RELAÇAO
A
REALIDADE
...106
6.2
ESTRATEGIAS
DE IMPLANTAÇAO
... ..1187.
CONCLUSÕES
... ..12REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
... ..124ANEXO
1 _PESQIESA
DA
E1\zn3RAPA
... ..13oANEXO
11 _TABELAS REFERENTES
A EORMULAÇAO DO MODELO
... .. 157X
LISTA
DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1.1- Custo
de
produção de leite e preço recebido pelopequeno
produtor1999
Figura 2.1 -
Ambiente
competitivo dos sistemas agroindustriaisFigura 3.1 - Produtividade
do
rebanho (países seleciondos)Figura 3.2 -
Produção
de leite infonnalno
Brasilem
rnilhõesde
litrosFigura 3.3 - Cenários para
o
Sistema Agroindustriado
LeiteFigura 3.4 -
Evolução do
índice de preçosao
produtor (base julhode
1994,deflacionado pelo
IPP-FGV)
Figura 4.1 - Participação dos principais Estados produtores
em
relação àprodução
nacional total (1990 e 1998,
em
%)
Figura 5.1 - Croquis de
uma
área depastagem de
capim-elefante, utilizando duasalternativas
Figura 5.2
-
Formação
do
GirolandoFigura 5.3
-
Curto intervalo entre partos: troca de vacas secas por vacasem
lactaçãoFigura 5.4
-
Escorede
condição corporal para se determinaro
grau de aptidão reprodutivaLISTA
DE TABELAS
E
QUADROS
Tabela 3.1
-
Produção, importação econsumo
de
leite-
Brasil1986-2000
Tabela 3.2-
Valor daprodução do
SAG
do
leite brasileiroem
1997
Tabela 3.3-
Maiores empresas de laticpinios - BrasilTabela 3.4
-
Importações brasileiras (ton)de
leite e derivados: totais e provinientesdo
Mercosul: 1992-1998Tabela 3.5
-Impacto
da
coleta a granel de leite refrigerado naSUDCOOP
Tabela 4.1-
Produção
total de leiteno Estado
de Goiás (1990 a 2001)Tabelas 4.1 /4.52
AI
-
Tabelas selecionadasda
Pesquisa daEMBRAPA
(Anexo
I)Tabela 4.2
-
Distribuição percentualdo
número
de
produtores eda
produçãode
leitesegundo
os estratos deprodução
Tabela 4.3
-
Produção
de leite por mesorregiãogeográfica
de Goiás 1990/99(em
mil litros)Tabela 4.4
-
Preços reaisdo
leite recebidos pelos produtores (1990 a 2001) Tabela 6.1-
Principais indicadores dedesempenho
Tabela 6.2
-
Gestãodo
negócio: itens selecionadosTabela 6.3
-
Sistema de alimentação e manejo: itens selecionadosTabela 6.4
-
Processo reprodutivo: itens selecionadosTabela 6.5
-
Processode
criação de bezerros: itens selecionadosTabela 6.6
-
Processode formação
das matrizes: itens selecionadosTabela 6.7
-
Processode produção
de leite: itens selecionadosxii
LISTA
DE
ABREVIATURAS,
SIGLAS
E
SÍIVIBOLOS
BNDES
-Banco
Nacional de DesenvolvimentoEconômico
e SocialCCPR/MG
- Cooperativa Central dos Produtores Ruraisde Minas
Gerais (Itambé)CCL-SP
- Cooperativa Central de Laticíniosdo
Estado deSão
Paulo (Paulista)DATEC
-Departamento
Técnico daFAEG
DECEX
-Departamento
deComércio
ExteriorEMBRAPA
-Empresa
Brasileirade
Pesquisa AgropecuáriaFAEG
- Federaçãoda
Agriculturado
Estado de GoiásFAO
- Organização dasNações
Unidas para Agricultura e AlimentaçãoHa
- HectareHG
-Cruzamento
degado Holandês
com
GirHZ
-Cruzamento
degado Holandês
com
Zebu
IAPAR
~ InstitutoAgronômico do
ParanáIPC
- Indice de Preços aoConsumidor
LEITE
FUIDO
- Leite industrializado, apresentadoem
forma
líquida.MERCOSUL
-Mercado
Comum
do
SulSAG
- Sistema Agroindustrialdo
Leiteno
BrasilSIF
- Serviçosde
Inspeção FederalSINDILEITE
- Sindicato das Indústrias de Laticíniosno
Estado de GoiásSUDCOOP
- Cooperativa Central Agropecuáriado
Sudoeste LtdaUA
-Unidade
Animal, equivalente a450
kg
de peso vivoUFG
- Universidade Federal de GoiásAnexo
I-
Pesquisada
EMBRAPA:
tabelas selecionadas e adaptadas(A
Produção de
Leite
em
Goiás). VAnexo
II- Modelos
de fichas para controle leiteiro e reprodutivo, propostos pelaEMBRAPA
GADO
DE
LEITE
Anexo
HI
-
Recomendações
parao
plantio emanutenção
do
capim-elefante,confonne
proposta
da
EMBRAPA GADO
DE
LEITE
_Anexo IV
-
Experimentos diversosda
EMBRAPA
GADO
DE
LEITE
com
aprodução
de leite
em
capim-elefanteAnexo
V
-
Resumo
do manejo da pastagem
e alimentaçãocom
capim-elefante, proposto pelaEMBRAPA
GADO
DE
LEITE
Anexo VI -
Custo
de implantação emanutenção
e customédio
anual deuma
pastagem
de capim-elefante, cultivar napier
em
litrosde
leite por hectare,confomie dados da
EMBRAPA
GADO
DE
LEITE
e pesquisa demercado
feita pelo autor (out./2001)Anexo
VII-
Controle e prevençãoda
mastite,conforme
proposta daEMBRAPA
GADO
DE
LEITE
Anexo
VIII-
Procedirnentosrecomendados
para ordenha manual, proposto porRIBEIRO
(1998)Anexo
IX -
Experimentosdo
IAPAR
na
criaçãode
bezerros mestiçosAnexo
X
-
Crescimento e exigências nutricionaisde
novilhasda
raça Holandesa,conforme
SANTOS
et al. (2001)xiv
RESUMO
A
pecuária leiteirado
Estado de Goiás é caracterizada por mais de90%
de
pequenos
produtores, definidoscomo
aquelesque
produzem
menos
de 500
litrosde
leite dia.
O
modelo de produção
de leite atual não é competitivo,com
tendênciasde
exclusão
da
grande maioria desses produtores,em
decorrência deum
novo
ambientecompetitivo
que
seformou
a partir das grandesmudanças
ocorridasna
cadeiade
lácteos brasileira,na
década de 90. Diante dessa realidade, esta dissertação apresentaum
novo
modelo
deprodução de
leite para ospequenos
produtores daRegião
Centro
de
Goiás, visando garantir a sobrevivência e permanênciados
mesmos
na
atividade.O
modelo
proposto foi formulado a partir das tendências e cenáriosprojetados para os
próximos
anos,da
avaliaçãoda
pecuáriade
leiteem
Goiás ede
experimentos e
recomendações
de vários especialistas e pesquisadores,especialmente
da
EMBRAPA
GADO
DE
LEITE.
Na
construçãodo
mesmo
foram
considerados os seguintes fatores-chave: gestão sistêmica; sistema
de
alimentaçãoe
manejo;
processode reprodução
bovino ;e processode
produção
integrado: leite-bezerros-matrizes.
Como
base de sustentação teórica,o modelo
estáfiindamentado
nos trabalhos sobre- competitividade sistêmica de
FERRAZ
et al. (1997) eFARINA
et al. (1999), nos princípios gerais de sistema abertos
de
KATZ
eKAHN
(1976) eABSTRACT
The
dairy cattleof
Goiás”s state is characterizedby
more
than90%
of
smallproducers,
defined
as thosewho
produce
less than500
liters per day.The
currentmilk production
model
is not competitive, with tendency to exclude the greatmajority of these producers
due
to anew
competitivebackground
thatwas
formed
by
the changes occurred in all the dairy chain in the 90's decade. In functionof
thisreality, this paper presents a
new
model of
milk°s production for the small producersfrom
the CentralRegion of
Goiás, aiming to guarantee their survivaland
permanence
in this activity.The
model proposed
was
formulated in fiinctionof
thetendencies and sceneries projected for next years,
of
the assessment of the dairycattle in Goiás and the experiments and
recommendation of
many
specialistsand
researchers, specially
from
EMBRAPA
DAIRY
CATTLE.
For
the construtionof
this
model
was
considered the following key-factors: systernicmanagement;
systemof feeding and handling; process
of
cattle reproduction;and
process integratedproduction: milk-calves-matrices.
Based on
theoretical studies themodel
issupported
by
theworks on
systemic competitiveof
FERRAZ
et al. (1997),and
FARINA
et al. (1999), in the general principlesof open
systemsof
KATZ
and
1.
INTRODUÇÃO
1.1
PROBLEMA
Quais os fatores de gerenciamento e
do
processo deprodução
da pecuáriade
leiteue
recisam ser atendidos araue
os euenos
rodutores daRe
'ão Centrode
Q
P
_z P Q
_ _
Goiás sejam competitivos , frente às
mutações
e exigênciasdo mercado?
1.2
OBJETIVO
GERAL
Propor
um
modelo
competitivo deprodução de
leite para ospequenos
produtoresda Região
Centrode
Goiás.1.3
OB.i1:TivOs
ESPECÍFICOS
OE-l
Descrever asmudanças
ocorridas,na
última década, nos ambientesinstitucional, tecnológico e organizacional
do
Sistema Agroindustrialdo
Leiteno
Brasil , avaliando seu impacto na competitividade
da
pecuária de leiteem
Goiás.OE-2
Levantar a situação geralda
pecuáriade
leiteem
Goiás, identificandoo
impacto
na
competitividade decorrente dasmudanças
ocorridas nos ambientesinstitucional, tecnológico e organizacional
do
Sistema Agroindustrialdo
Leiteno
Brasil, nos anos 90.
OE-3
Formular
um
modelo
competitivo deprodução de
leite para ospequenos
produtores
da Região
Centro de Goiás.OE-
4
Verificar o nível de distanciamentodo
modelo
deprodução de
leiteformulado,
em
relação à realidade dospequenos
produtores da Região Centrode
Goiás e
propor
estratégias de implantação.1.3
DEFINIÇÕES
Modelo -
Conjunto de fatores deprodução
de leite e elementos de gestão interrelacionados,que
se atendidos garantem a competitividade deforma
auto-sustentável para os
pequenos
produtores de leiteda Região
Centro de Goiás.Pequenos
Produtores-
Para efeito desta dissertação, são produtoresde
leite cujaprodução
atual se encontra abaixo de250
litrosde
leite/dia e para atender omodelo
Competitividade
-
Condições gerenciais e tecnológicasde produção de
leite,bezerros e matrizes que resultam
em
aumento de
produtividadedos
fatoresde
produção
eganhos
econômico-financeiros,de forma
a garantir aospequenos
produtores de leite
da Região
Centro concorrerno
mercado,em
posição vantajosaem
relação aos demais produtores.1.4
JUSTIFICATIVA
A
pecuária leiteira está passando por profundas transformações, desdeo
iníciodos
anos noventa,
em
decorrência principalmenteda
desregulamentaçãodo
mercado,com
a liberação dos preços, abertura comercialcom
o exterior e aoMercosul
e a estabilizarãoda
econornia.A
concorrênciado
setorvem
sedando
deforma
intensa,com
a diferenciação dos preçosda
matéria-prima (leite), guerrasde
ofertas nasgôndolas dos supermercados, entrada de produtos importados, ampliação
do poder
dos laticínios multinacionais e dos supermercados, ampliação
da
coleta a graneldo
leite refrigerado. Essas transformações estão exigindo
mudanças
substanciaisno
sentido demodemizar
a estrutura produtiva etomar
a atividade leiteira competitivae sustentável.
Trabalho realizado por
JANK
et al. (1999),do
IPEA/USP
- Instituto de PesquisaEconômica
Aplicada -,denominado
“O
Agribusinessdo
Leiteno
Brasil”, mostraum
cenário para os próximos 10 (dez) anos extremarnente desafiante para aatividade leiteira nacional, frente aos
novos
padrõesde
concorrênciado mercado,
que
seresume
basicamente na necessidade urgente de se elevar a escalade
produção, a produtividade e a qualidade
do
leite produzido.As
questões mais preocupantes registradas naquele trabalho, referentes à pecuárialeiteira nacional,
em
1998, são: matéria-primade
baixa qualidade; alta sazonidade esem
padronização, incluindo ai a conivênciada
legislação e fiscalização; estruturaprodutiva
dominada
por produtores não-especializados, resultandoem uma
atornização; baixos
volumes
e produtividade,com uma
média
nacionalde produção
de apenas 50 litros/dia por produtor.
Quanto
ao cenário provável para a pecuáriade
leite, nospróximos
10 anos,o
trabalho aponta: seleção e especialização,
com
ahomogeneização dos
sistemasprodutivos;
100%
(cem
por cento)de
coleta a granel nas empresas sob inspeção;forte rigidez
em
relação à qualidade, sanidade e padronização; redimensionamentodas bacias leiteiras: eficiência comparativa.
Do
ladoda
indústria,o
cenário indica:alto grau de concentração; forte presença de capital multinacional; pressão sobre
o
mercado
informal.Do
lado da distribuição, espera-se:aumento
deconsumo
percapita; maiores exigências
em
relação à qualidade e padronização.Quanto
à pecuária leiteirano
Estado de Goiás, a situação é muito mais preocupante.De
acordocom
BRESSAN
et al. (1999),em
trabalhocoordenado
pelaEMBRAPA
G
J
GADO
DE
LEITE,
e parceriacom
CNPq,
FAEG/GO, OCG,
Emater-GO,
UFG
eSindileite, o diagnóstico
da
pecuáriade
leiteem
Goiás (1998/99), apresentava aseguinte situaçao:
O
crescimento daprodução de
leiteem
Goiás,o segundo
maior produtordo
Brasil,tem
sedado
em
decorrência muito maisda
expansão dos estabelecimentosprodutivos e
aumento do
número
dos animais ordenhados,do que do aumento de
produtividade;
Apenas
60%
(sessenta por cento)do
leite produzido tinhacomo
origem rebanhos cuja principal finalidade era a sua produção, enquantoque
amédia
nacional erade
75%
do
leitecom
essa origem; _Os
índices de produtividadeeram
muito baixos,em
comparação
com
outros Estadosbrasileiros.
A
produtividade por animal identificada foi de 1.184 litros de leitevaca/ano, enquanto
que
em
Minas
Gerais erade
1.605 eno
Paraná de 1.540;A
produtividadeda
terra,medido
por litro/ha/anotambém
foi revelada muito baixa,registrando-se
844
litros /ha/ano;A
média
de leite/vaca/diatambém
era muito baixa, registrando-se apenas 5,1 litros,para
um
períodode
lactaçãode
248
dias;A
produtividadeda
força de trabalho,da
mesma
forma, registrava índice muitobaixo,
com
média de
62,4 litros/estabelecimento/dia;Quase
100%
(99,4%) dos estabelecimentosproduziam
leite tipo C,o
que significaordenha
manual
e sistemade
entrega através de latões;A
produção média
por estabelecimento era de 126,9 litros/dia, caindo na época secapara 110,7;
O
tamanho médio
dos estabelecimentos produtivos era de 84,2 ha, superior aMinas
Gerais e Paraná,
o que
caracterizauma
pecuária leiteiraem
regime extensivocom
baixa produção;
Cerca de
56,8%
dos estabelecimentos produtivoseram
administrados por seusproprietários.
Quanto
ao nível de escolaridade, apenas31,6%
dos proprietários apresentarm nívelde escolaradide equivalente
ao
primeiro grau,17,4% o
segundo grau,que
somados
Quanto
à escalade
produção,93%
dos produtoresproduziam
menos
de
250
litros/dia, respondendo por
71%
da
produção. Isso caracterizauma
estruturaprodutiva predominantemente de
pequenos
produtores. Entre250
a500
litros/diade
produção, registrou-se apenas
5,8%
dos produtores, equivalente a19,9% de
toda a produção.Somente 1,2%
dos produtoresproduziam
mais de500
litros/dia.Em
resumo, a pecuária leiteirade
Goiás apresenta baixos indices deprodução por
estabelecimento, baixos índices de produtividade por animal, por hectare e
em
relação à mão-de-obra empregada.
Sua
estrutura deprodução
está pulverizadapor
milhares de
pequenos
produtores (93%), utilizando tecnologias inadequadas, baixaqualificação
da
mão-de-obra evendendo
seus produtos por preços,que segundo
aFederação da Agricultura
do
Estado de Goiás, está abaixo dos custosde
produção,conforme
gráfico a seguir:015 0.4 V ÍOÍBÍ __
_-
Custo ixaÉ
U3 U 1 J recebido U i i 1 i i i i i 1 x iOUT NOV
DE
.IMI FEV MãRMÊ$ABR IIN Jllll JUL .AGO SETFigura
1.1:Custo de
Produção
e
Preço Recebido
pelo
Pequeno
Produtor
-1999
Fonte:
Comissão
Estadual Pecuária
Leiteira/FAEG
Importante registrar que apesar da produtividade, de
forma
geral, ter sido revelamuito baixa, quanto
comparada
com
outros Estados brasileiros,o
Estado de Goiásexperimentou expressiva taxa de crescimento
da
produtividade leiteria,no
período1990-1998, registrando-se
um
crescimentode
117%
(NORONHA,
2001).BRESSAN
et al. (1999)também
reconhecem que
a produtividade animalem
Goiáscresceu
77%, no
período 1985-1996, saltandode 669
para 1.184 litros/vaca/ano.O
mesmo
aconteceuem
relação à produtividadeda
terra, que segundo aqueles autoresteve
um
aumento
de84%
naquele período.A
concorrência acirradado
setor da pecuária nacional, cujas tendênciasapontam
para a necessidade urgente de se modernizar a atividade leiteira, buscando
ganhos
de
produtividade, lucratividade e melhoriana
qualidade, aliado a situaçãopouco
competitiva
em
que
se encontra a pecuária de leiteem
Goiás,com
a atomizaçãodos
produtores,
que
em
sua grande maioria são não-especializados, impõe-se grandes5
de se implantar melhorias e formas
adequadas
deprodução de
leiteque
garantam acompetitividade auto-sustentável dos
pequenos
produtores.Este é
o
objetivo principal desta dissertação,que
visa, após análiseda
pecuáriade
leite
em
Goiás e baseadoem
pesquisas e experimentos, principalmenteda
EMBRAPA
GADO
DE
LEITE
ena
literatura especializada, formular e proporum
modelo de produção de
leite competitivo e auto-sustentável para ospequenos
produtores
da Região
Centro de Goiás.Como
resultado global desta proposta, espera-seuma
série de beneficios. Para osprodutores, a possibilidade de se desenvolverem e dar continuidade à atividade
leiteira,
com
produtividade, lucratividade emelhor
qualidadedo
leite produzido,garantindo assim a sua permanência
no meio
rural, oque
contribuirá para diminuiro
êxido rural,com
suas conseqüências por demais conhecidas. Para suas famílias,melhoria
na
qualidadede
vida.Para a comunidade, o desenvolvimento
da
região,em
decorrênciada
introduçãode
novas tecnologias,
da
expansãoda
atividade,com
repercussão na oferta e melhores~
condiçoes de trabalho
na zona
rural. «Para as indústrias de produtos lácteos
da Região
Centro, a ofertade
matéria-prima(leite)
em
quantidadepermanente
e qualidadeque
garantam seu desenvolvimento,~ A - -~
CXpaI`lSaO 6 3. Sua p€ITIlaI'lCflCl3 II3. I`CglaO.
_
Aos
fomecedores
de produtos agropecuários, melhores condições para seusnegócios. '
Para as entidades
de
classe egovemo,
a possibilidadedo modelo
proposto ser adaptado e aproveitadoem
outras regiões e localidades, proporcionando beneficiossemelhantes.
1. 5
METODOLOGLA
Considerando-se os objetivos deste trabalho, buscou-se,
em
primeiro lugar,uma
ampla
revisão dos referenciais teóricosna
literatura existente,como
basede
sustentação para a fonnulação
do
modelo
e análise dasmudanças
ocorridasna
última década
no
sistema agroindustrialdo
leiteno
Brasil,bem como
para aavaliação
da
pecuária de leiteno Estado de
Goiás. .Neste
sentido,com
base na revisãoda
literatura,foram
selecionados os referenciaisteóricos mais apropriados ao
encaminhamento
dos objetivos propostos.Assim, a fundamentação teórica está alicerçada nos princípios da Teoria
de
nos trabalhos sobre competitividade sistêmica de
FERRAZ
et al. (1997) ede
FARINA
(1999),bem como
nos referenciais apresentados porPORTER
(1989)sobre análise da cadeia de valores. 1
Na
formulaçãodo modelo
propriamente dito,além
dos referenciais teóricosmencionados, buscou-se o
embasamento
em
experimentos erecomendações de
vários especialistas e pesquisadores
do
setor, especialmenteda
EMBRAPA
GADO
DE
LEITE.
A
contribuição dos especialistas e pesquisadores foifimdamental
para a formulaçãodo
modelo, especialmente quanto aos aspectos de alimentação,manejo
e sanidadedos
animais, e os respectivos processos de reprodução bovina eprodução de
leite,criação de bezerros e
formação
de matrizes.Na
construçãodo
modelo
proposto foram considerados quatro fatores-chave, asaber: gestão sistêmica
do
negócio; sistemade
alimentação e manejo; processode
reprodução dos animais; e processo de
produção
integrado: leite-bezerros-matrizes.Como
base de sustentaçãodo
modelo, buscou-seem
sua formulação atender osaspectos regionais quanto ao clima,
composição do
rebanho,tamanho
daspropriedades e a utilização de mão-de-obra familiar.
Desta forma, procurou-se construir
um
modelo
a partirdos
recursos já existentes,constatados através
de
pesquisasda
EMBRAPA
GADO
DE
LEITE.
Com
estadiretriz, procurou-se adotar
no modelo
tecnologiasque fossem de
fácil acesso euso
pelos produtores, respeitando-se
o
nível de evoluçãodos
mesmos.
Para a avaliação da pecuária de leite
em
Goiás, contou-secom
a colaboraçãoda
FAEG,
SINDILEITE,
e de forma especialda
EMBRAPA
GADO
DE
LEITE,
que
cedeu
ampla
pesquisa realizada recentementeno Estado
de Goiás, apresentandoum
diagnóstico detalhado sobre a situação dos produtoresde
leite. Essa pesquisa foifundamental para a análise
da
situação dos produtoresde
leite e serviucomo
o
principal instrumento na avaliaçãodo
nível de distanciamento entre omodelo
proposto e a situação pesquisada dos produtores
da Região
Centrodo
Estado, paraaqual está sendo proposto o
modelo
em
questão.Além
das referências citadas, foram feitas pesquisas complementares pelo autor,através
de
entrevistas junto a grupos de produtoresde
leite daRegião
Centro, aprofessores
do
setor, ao Centro de Pesquisaem
Alimentosda
Universidade Federalde Goiás, e a alguns laticínios e empresas fornecedores de insumos locais. Essas
pesquisas
foram
importantes, pois possibilitaram ampliar os estudos e testar asvariáveis consideradas.
Na
construçãodo
modelo,somou-se
ainda a experiênciado
7
Como
metodologia de implantação,foram
estabelecidas algumas estratégiasque
visam implantar
o
modelo
deforma
gradual e progressiva, fazendo-seo
aproveitamento dos recursos existentes,
como
terra, rebanho, mão-de-obra einstalações.
Além
disso, propõe-se a uniãodos
produtoresem
associações ecooperativas,
como
forma
de fortalecimentoda
categoria e suportena
implantaçãodo
modelo.A
título de proporcionar a viabilidade econômico-financeira, teve-seo
cuidadode
propor a gestão
do
negócio,com
visão sistêmica e sustentada porum
processode
planejamento, controle e avaliação pennanente. Para
melhor
ilustrar esta questão,experimentos e estimativas são apresentados,
conforme
Anexo
VI,IX
e X1, visando mostrardados
com margem
bruta favorável à implantaçãodo
modelo
proposto.uv '
1.6
ESTRUTURA
DA
DISSERTAÇAO
A
estrutura deste trabalho écomposta
por 7 unidades, incluindo~se esta introdutória e as conclusões. _A
unidade seguinte tratada
revisãoda
literatura efimdamentos
teóricos. Esta unidade contemplaum
histórico das principais contribuições teóricas pertinentesao
assunto, a revisãoda
literatura,abordando
os princípios gerais da Teoriade
Sistemas, especialmente as contribuições de
KATZ
eKAHN
(1976) sobre sistemasabertos, os estudos de
PORTER
(1989) sobre análiseda
cadeiade
valores e osestudos de
FERRAZ
et al. (1997) eFARINA
(1999) sobre competitividadesistêmica.
A
terceira unidade refere-se auma
análisedo
sistema agroindustrial do leiteno
Brasil, enfocando o impacto das
mudanças
ocorridasna
década de90
e suarepercussão nos ambientes organizacional, institucional e tecnológico.
A
unidade quarta tratado
levantamentoda
situação geralda
pecuária de leiteem
Goiás,
tomando-se
como
referência dadosfomecidos
pelaFAEG, SINDILEITE
etendo
como
fonte principalampla
pesquisa realizada pelaEMBRAPA GADO DE
LEITE
(1998/99). Essa pesquisa foi realizadaem
todo
o
Estado, abrangendo váriosestratos de produção, especificados
em
cada região.Os
itens principais analisados'nesta unidade estão relacionados
com
os indicadoresde
desempenho
revelado,características básicas
do
sistemade
gestão, processo deprodução
de leite, sistemade
alimentação,manejo
e reprodução dos animais,bem como
cuidados sanitários.A
unidade quinta apresenta a formulaçãodo modelo
competitivo de produçãode
leite, para os
pequenos
produtoresda Região
Centrodo
Estado de Goiás, objetivocentral desta dissertação.
Na
formulaçãodo
modelo
foram
considerados, além dos referenciais teóricos mencionados, experimentos e contribuições de váriosespecialistas e pesquisadores
do
setor, principalmenteda
EMBRAPA GADO
DE
LEITE.
Os
itens considerados na formulaçãodo modelo
são: fundamentação; características gerais; gestão sistêmica, englobando planejamento, controle e avaliação; sistemade
alimentação,manejo
e sanitário, especificado para cada categoria de animais;formação
de capineira e silagem; processo reprodutivo, abrangendomelhoramento
genético e seleção; e processo
de
reprodução integrado: leite-bezerros-matrizes.A
unidade sexta trata da aplicaçãodo
modelo, apresentandouma
avaliaçãodo
nivelde
distanciamento entre omodelo
proposto e a situação dos produtores de leiteda
Região
Centro,confonne
levantamentoda
Pesquisada
EMBRAPA.
A
análise foifeita levando-se
em
consideração os seguintes aspectos: indicadores dedesempenho;
gestão
do
negócio; sistema de alimentação e manejo; processo reprodutivo; processode produção
de leite, criação de bezerros e formaçãode
matrizes; e recursosutilizados.
Complementando
o conteúdo desta unidade,foram
apresentadasalgumas
estratégicas, consideradas fundamentais para a implantaçãodo modelo
em
questão.A
unidade sétima contemplaum
conjunto de conclusões,que foram
evidenciadas9
2.
REvIsÃo
DA
LITERATURA
E
EUNI›AMENTos TEÓRIcos
2.1
HISTÓRICO
Competitividade
tem
sidoum
dos maiores desafios para individuos e organizaçõesnas últimas décadas,
em
decorrência dasprofimdas
transformaçõesque
vêm
ocorrendo
no mundo.
As
mudanças
nospanoramas
político, econômico, social,tecnológico, cultural,
demográfico
e ecológicotêm
provocado
a busca constantede
novas formas
de
executaro
trabalho ede
administrar negócios e organizações, cujoobjetivo principal é se
tomar
mais eficiente,aumentar
a produtividade e garantircompetitividade
no mercado
(HALL,
1984, p.20). Portanto,no
mundo
atual,tomar-
se competitivo é questão de sobrevivência.
Diante desses fatos,
o tema
competitividadetem
merecido grande atenção por partede pesquisadores, estudiosos e escritores, nos vários
campos
do
conhecimento,com
destaque na área
da economia
e gestão empresarial.Tendo
em
vista o objetivo desta dissertação,que
e' a construção deum
modelo
competitivo para a pecuária de leite,
ao
nívelde pequeno
produtor, é importantedestacar as grandes contribuições sobre o
tema
em
três áreas especificas: economia,gestão
de
negócios e pecuária de leite.No
campo
da
economia
e gestão empresarial, dentre os muitos estudiosos, destacam-se Peter Drucker, Michael E. Porter, DanielKatz
e Robert L.Kahn,
Henry
Mintzberb e CharlesHandy,
ambos
com
reconhecimento intemacional.Peter
Dmcker,
reconhecidamenteo
maior pensador, pesquisador e escritordo
mundo
no
campo
da gestão empresarial, por mais de50
(cinqüenta) anos,vem
sededicando a estudar e explicar os
fenômenos
organizacionais e administrativosque
impactam
a competitividade nas empresas.Daniel
Katz
e Robert L. Kahn,tomaram-se
clássicosao
estudar osfenômenos
organizacionais dentro de
uma
concepção sistêmica, eque
assim entendidospermitem
analisar a eficiência deuma
organização.Em
1976, chega ao Brasil a obra-prima destes autores,que
setomou
um
clássicono meio
acadêmico,com
o
título Psicologia Social das Organizações.
Os
trabalhos destes autores evidenciamo
entendimento
de que
as organizações são sistemas abertos, e portanto interagemeficiência, a produtividade e a competitividade
dependem
sobremaneira decomo
asorganizações se relacionam
com
o meio
ambientecomo
um
todo.Desta forma, “as organizações sociais precisam de suprimentos renovados
de
energia de outras instituições,
ou
de pessoas,ou do meio
ambiente material.Nenhuma
estrutura social é auto-suficienteou
autocontida”(KATZ;
KAHN,
1976,p.35).
Henry
Mintzberg, professorde
Management
Studies na McGill University, Canadá,e
no
Insead (França), autor de vários trabalhos,vem
se dedicandohá 30
(trinta) anosaos estudos das estratégias empresarias,
como
instrumento de competitividade.Sua
grande contribuição está relacionado
com
pesquisas e estudos decomo
asorganizações
formulam
e implantam estratégias e a sua correlaçãocom
ganhosde
produtividade e diferenciais competitivos.
O
posicionamento estratégico é questãobásica para se conseguir resultados de eficiência e
aumento
de produtividadeem
uma
organização. ParaMINTZBERG
(2000, p.22) “a estratégiapromove
acoordenação das atividades.
Sem
a estratégia para focalizar os esforços, as pessoaspuxam
em
direções diferentes esobrevem
o caos”.Na
Inglaterra,um
dos grandes pensadoresno
campo
da
gestão empresarial éCharles
Handy, que há
maisde
20(vinte) anosvem
se dedicando a estudarmudanças
e transformações ambientais
que impactam
o desenvolvimento das organizações,com
suas implicações na competitividade empresarial.Com
destaque especial, Michael Porter, eminente professor daHarvard
Business Schol, é reconhecido internacionalmente etem
se destacandocomo
pesquisador,escritor e professor de estratégias e competitividade
no
mundo
dos negócios.A
grande contribuição dePORTER
está na construção demodelos
analíticosque
explicam a competitividade e orientam a formulação de estratégias competitivas.O
fortede
seus trabalhos acontece na década de 80 e inicio dos anos 90,quando
em,momentos
diferentes, ele apresenta seusmodelos de
análise da competitividade e formulaçãode
estratégias,que passam
a ser testados e aceitoscomo
clássicosno
meio
empresarial e acadêmico,em
todoo mundo. Seu
trabalho mais representativo,neste sentido, trata-se
do
modelo
para avaliar a competitividade de indústrias,apresentado
em
seu livro Estratégia Competitiva, Técnicas para Análisede
Indústrias eda
Concorrência, hojeem
sua 53” edição nos Estados Unidos. Neste modelo,PORTER
(1986, p.23-48) demonstraque
acompetição
dentrode
uma
indústriapode
ser avaliada através de cinco forças competitivas, a saber:ameaça
de
entradade novas empresas
na
indústria; intensidadeda
competição entreas
empresas
da
indústria;ameaça
dos produtos substitutos;poder de negociação dos
clientes; epoder
de
negociaçãodos
fornecedores.Num
segundo momento,
para avaliar os fatores de competitividadeintemo
deum
ll
denorninado de cadeia de valores,
onde
busca a análise através das atividadesque
maisagregam
valor para a eficiência organizacional eaumento de
produtividade.Em
um
outromomento,
PORTER
apresentaum
outromodelo
para se avaliar acompetitividade das nações, conhecido
como
o modelo
diamante,onde
sãoreferenciadas as determinantes
da
vantagem
competitiva nacional. Essemodelo
procura responder as razões de
um
país obter êxito internacionalnuma
determinadaindústria. Para
PORTER
(1993, p.87),os determinantes davantagem
nacional são:“condições de fatores; condições
de
demanda;
indústrias correlatas ede
apoio; estratégia, estrutura e rivalidadedas
empresas
Coroando
estes trabalhos,PORTER
apresenta três tiposde
estratégias,como
as mais importantes aserem
formuladas pelas empresas,
como
forma
de semanterem
competitivasno
mercado.Trata-se das estratégias de liderança
no
custo total, diferenciação e enfoque.No
Brasil, trabalho de expressivo valor, para se explicar a competitividadeempresarial é oferecido por
João
Carlos Ferraz,David Kupfer
e Lia Haguenauer,através
da
obraMade
in Brazil (1997).FERRAZ
et al., neste trabalho, apresentamos principais fatores
que
devem
ser considerados para se analisar e alcançar acompetitividade empresarial.
Estes fatores sãoz. fatores empresarias, sobre os quais as empresas
detém
controle(gestão, recursos materiais, equipamentos, recursos financeiros, processo
de
produção, etc.); fatores estruturais, relacionados
com
omeio
ambiente externo, esobre os quais as empresas
detém
pouquíssimo controle, ena
maioria dos casosnenhum
tipo de controle,como
porexemplo
as característicasda
demanda
eda
oferta; taxas de crescimento; distribuição
da
renda; etc.; fatores sistêmicosque
constituem externidades strictu sensu para a
empresa
produtiva, sobre os quais a empresadetém
escassaou
nenhuma
possibilidadede
intervir.Os
fatores sistêmicosestão relacionados
com
omacroambiente
em
que
as empresas operam.Podem
sermacroeconômicos, político-institucionais, legais-regulatótios, infra-estruturais,
sociais e intemacionais. -
No
campo
específico da pecuária leiteira, objetodo
modelo
proposto,uma
variedade de estudos e pesquisas
têm
sido realizados,mostrando
a necessidadeurgente de se buscar formas alternativas de
produção
e gestão para a pecuárialeiteira nacional,
que
venham
tomar
o setor competitivo.No
casodos pequenos
produtores de leite,
que
hoje representam cerca de90%,
deum
universo de 1 milhãode produtores, os vários estudos, principalmente, a partir dos anos 80,
mostram
uma
situação extremamente preocupante. Esses estudos
apontam
para a exclusãode
grande maioria dos produtores, caso
não
venham
desenvolver suas atividadescom
eficiência, redução dos custos, melhoriada
qualidade eaumento da
produtividadeNeste sentido, trabalhos
de
destaquevêm
sendo realizados pelaEMBRAPA
GADO
DE
LEITE,
por pesquisadoresda
USP/Ipea, porEmpresas
de Pesquisas Agropecuária, por pesquisadoresdo
CNPq.
Dentre os várias contribuições, neste sentido, destaca-se trabalho
da
USP/Ipea,(1999),
com
o títuloO
Agribusinessdo
Leiteno
Brasil, realizado porMarcos
Sawaya
Jank, ElizabethM.M.Q.Farina
e Valter Bertini Galan, que apresentamum
cenário para a pecuária leiteira nacional para
o
período l998~2008. Para estesautores,
o
sistema agroindustrialdo
leiteno
Brasilvem
passando pormudanças
profundas, acentuando-se a partir
da
década de 90,com
a desregulamentação,estabilização da economia, a abertura comercial,
o que tem
gerado“um
ambientecompetitivo inteiramente
novo”
(JANK;
FARINA,
GALAN,
1999, p.11).Estes autores registram
que
a longo prazo,com
a generalizaçãoda
coleta a granel, arevisão das
nonnas de produção
e melhoriado
sistema de fiscalização, deverá sercriado
um
trade-ofl
entreo aumento da
importância relativa deum
menor
número
de produtores especializados
que
substituirãoum
forte contingente de produtoresnão-especializados.
Neste
sentido,afirmam
os autores que “o processo deveráredundar
no
desaparecimentode
pelomenos
um
terço dos atuais produtoresde
leite”(JANK;
FARINA,
GALAN,
1999, p. 14).Naquele
trabalho, destaca-se a contribuição deFARINA
ao tratar a competitividadedo
sistema agroindustrialdo
leiteno
Brasil sob o enfoque sistêmico, considerando-se
o
ambiente institucional,o
ambiente organizacional e o ambiente tecnológico.No
caso específicode
Goiás, trabalho de real importância foi desenvolvido pelaEMBRAPA
GADO
DE
LEITE,
em
1998/99em
parceriacom
CNPq
e entidadeslocais, desenvolvido por
Matheus
Bressan, Ruida
SilvaVemeque
e Paulo Moreira,com
o título aProdução de
Leiteem
Goiás. Este trabalho fazum
diagnósticoda
situação
da
pecuária leiteiraem
todoo
Estado, mostrandotambém
a necessidadeurgente desta atividade tomar-se mais competitiva, principalmente
no
casodos
pequenos
produtores. Estes autores reforçam o entendimento deque
as grandes transformaçõesque
vêm
ocorrendo na pecuária de leite, nos últimos tempos,têm
exigido a
modemização
da
estrutura produtiva, e “estão sendo decisivas paratomar
a atividade leiteira mais competitiva e sustentável”
(BRESSAN;
VERNEQUE,
MOREIRA,
1999, p.1).Em
1999, aEmpresa
de
Pesquisa Agropecuária deMinas
Gerais desenvolveuum
trabalho
com
o
título Qualidade e Competitividade de Laticínios, desenvolvidopor
Paulo H. F. da Silva, José A. Bastos Portugal e Maria Cristina D. e Castro,
onde
osautores
chamam
registram a necessidade de se produzir leitecom
melhor qualidade,fator importante para se garantir a competitividade.
Além
disso,fica
clara a posiçãodos autores quanto à importância de haver
uma
integração entre produtores e13
Desta forma,
pode
afirmar-seque
“Competitividade é a palavrado momento,
e aqualidade
provou
não ser apenas maisum
modismo.
Não
podemos
falar apenasde
qualidade,
ou
de competitividade.São
palavras associadasporque
agregam; dissociadas, nãotêm
sentidono
atual cenário mundial”(SILVA,
PORTUGAL;
CASTRO,
1999, p.l). _2.2
REVISÃO
DA
LITERATURA
Construir
um
modelo
competitivode produção
de leite para ospequenos
produtores,visando atender as novas exigências
do
mercado,que
seresumem
basicamenteem
elevaro
nível de escala; melhorar a qualidade, reduzir custos deprodução
eaumentar a produtividade dos diversos fatores
de
produção, sob a óticade
um
gerenciamento sistêmico, requer alguns referencias para se fundamentar sua concepção e formulação.Desta forma, buscou-se na literatura referenciais
que
estão diretamente relacionadoscom
a visão sistêmica aplicada na gestão de negócios;com
os fatores determinantesque
regem
a competitividadeda
pecuária de leite, visto sob o ângulo dinâmicoda
competitividade;
com
processosde
reprodução e alimentação dos animaisvinculados à produção de leite; e
fimdamentahnente
com
a cadeia de valores,relativa às atividades principais
da produção
de leite.Compreender o
empreendimento rural, destinado àprodução
de leite, sob a óticada
visão sistêmica é de fundamental importância por várias razões: favorece
a
análisedas variáveis extemas
que
estão impactando o negócio, tendocom
issouma
visãode
contexto
em
que
está inserido o negócio; possibilitauma
análisedo
inter-relacionamento dos fatores internos
de produção
e gerência; proporcionauma
visãoholística
do
empreendimento,que
é fundamental parao encaminhamento de
decisões e fonnulação de estratégias. .
A
interpretação sistêmicatem
suas bases nos estudosde
Von
Ludwig
Bertalanffy,biólogo alemão, que criou
em
1937
a Teoria Geral dos Sistemas.Para
bem
entender as particularidades deum
sistema, Russell Ackoff,apud
PEREIRA
(1999, p. 9),afirma que
os elementosdo
conjunto eo
conjuntode
elementos que
formam
um
sistemapossuem
três propriedades:0
As
propriedadesou
ocomportamento
de cada elementodo
conjunto afetam aspropriedades
ou
ocomportamento
do
conjuntocomo
um
todo.0
As
propriedades e ocomportamento
de cada elemento e a maneira pela qualafetam
o
tododependem
das propriedades edo comportamento
de pelomenos
v
Todos
os possíveis subgruposde
elementosdo
conjuntopossuem
asduas
primeiras propriedades: cada
um
tem
um
efeito não-independente sobreo
todo.Portanto,
o
todonão
pode
serdecomposto
em
subconjuntos independentes.Um
sistema
não
pode
ser divididoem
sub-sistemas independentes.Com
esse entendimento,pode
seafirmar que
todos os sistemas influenciam-semutuamente
e isto é a base da percepção holística. Portanto, a percepção holística é base para acompreensão da
totalidade.Compreender
a totalidade é importante paraa
tomada de
decisões eencaminhamento de
soluçõesem
qualquer atividade.Outro
aspecto,de
grande valor para se tratar as questões gerenciais e organizacionais, é acompreensão de que
as organizações são sistemas abertos. Neste sentido, pode-seafirmar que
os empreendimentos nrrais, objeto de estudosdesta dissertação, são perfeitos sistemas abertos. Portanto a eles se aplicam os
princípios
da
Teoria de Sistemas. ParaKATZ
eKHAN
(1976, p.34-41), os sistemasabertos apresentam as seguintes características:
0
Importação de
energia.Os
sistemas abertosimportam alguma forma
de energiado
ambiente extemo.Assim
nenhuma
estrutura social é auto-suficienteou
autocontida. _
0
A
transformação.Os
sistemas abertos transformam a energia disponível.0
O
output.Os
sistemas abertosexportam
certos produtos para omeio
ambiente,quer sejam eles a invenção concebida por
mente
pesquisadora, quer sejauma
ponte construída porempresa de
engenharia.0 Sistemas
como
ciclosde
eventos.O
padrão de atividades de troca de energiatem
um
caráter cíclico.O
produto exportado para omeio
ambiente supre as fontesde
energia para a repetição das atividades
do
ciclo.0 Entropia negativa. Para sobreviver, os sistemas abertos precisam mover-se para
deter o processo entrópico; precisam adquirir entropia negativa.
O
processoentrópico é
uma
lei universalda
natureza,no
qual todas as formasde
organização se
movem
para a desorganizaçãoou
morte. Entretanto, o sistemaaberto, importando mais energia de seu
meio
ambientedo que
a que expende,pode
armazena-la e assim adquirir entropia negativa. _0
Imput de
informação,feedback
negativo e processode
codificação.Os
imputspara os sistemas vivos
não
consistemsomente
em
materiais contendo energia, osquais se transformam
ou
são alterados pelo trabalho feito.Os
imputstambém
são de caráter informativo e
proporcionam
sinais à estrutura sobreo
ambiente e15
de informação encontrado
em
todos os sistemas éo
feedback negativo.O
feedeback negativo permite ao sistema corrigir seus desvios
da
linha certa.0
Estado
firme
e homeostase dinâmica.A
importação de energia para deter aentropia negativa opera para manter
uma
certa constânciano
intercâmbiode
energia, de
modo
que
os sistemas abertosque
sobrevivem são caracterizadospor
um
estado finne.0 Dzƒerenciação.
Os
sistemas abertos deslocam-se para a diferenciação e aelaboração.
Os
padrões difusos e globais são substituídos por funçõesmais
especializadas.
0 Eqüzfinalidade.
Os
sistemas abertos são ainda caracterizados pelo principioda
eqüifinalidade, sugerido por
Von
Bertalanflyem
1940.De
acordocom
esseprincípio,
um
sistemapode
alcançar, poruma
variedade de caminhos,o
mesmo
estado final, partindo de diferentes condições iniciais.
Assim, os estudos de
KATZ
eKAHN
são muito importantes para se entender asrazões
da
ineficiência dos processosde produção
e gerência dospequenos
produtores de leite,
bem como
para analisar a competitividadede forma
sistêmica ena
formulação deum
modelo
deprodução
competitivo.Com
visão sistêmica,FERRAZ
et al. (1997) apresentamuma
abordagem de
competitividade sob a perspectiva dinâmica, considerando as relações causais
intrínsecas entre competitividade e indicadores
de
desempenho. Para os autores, os enfoques convencionais de competitividade, traduzidos pelodesempenho ou
pelaeficiência são enfoques limitados, por serem
de
natureza estática.A
competitividadevista
como
desempenho
e' caracterizadacomo
sendo a competitividade revelada,expressa nos indicadores alcançados por
uma
firma
ou
produto juntoao
mercado.Trata-se, portanto, de
um
conceito ex-post.Neste
caso, e' ademanda
de mercado,
que ao
arbitrar quais produtos de quais empresas comprar, estarádefinindo
aposição competitiva das firmas.
A
competitividade vistacomo
eficiência -competitividade potencial
-
é decorrenteda
capacidadeda
firma
de obter omáximo
de rendimento
na
relação insumo-produto, tendocomo
parâmetro indicadorescomparativos. Neste caso, a competitividade reflete
o
grau de capacitaçãotecnológica, gerencial, financeira e comercial
da
firma,onde o desempenho
obtidono
mercado
é decorrente de sua capacitação.Os
indicadores são buscadosem
comparação
com
as melhores práticas verificadasna
indústria intemacional. Trata-se da competitividade ex-ante. Decorre desse entendimento,
que
é o domíniode
técnicas mais produtivas que
vão
determinar,em
última análise, o sucessocompetitivo de
uma
empresa.Na
abordagem
dinâmica de competitividade, tratada pelos autores, acompetitividade é definida