• Nenhum resultado encontrado

Atas do 1º Congresso Internacional de Psicologia, Educação

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Atas do 1º Congresso Internacional de Psicologia, Educação"

Copied!
1057
0
0

Texto

(1)

Atas do

1º Congresso

Internacional de

Psicologia,

Educação e

Cultura

Desafios Sociais e

Educação:

Culturas e Práticas

Organizadores

Leandro Almeida

Alexandra Araújo

Ana Paula Cabral

José Cruz

José Carlos Morais

(2)

Título: Atas do 1º Congresso Internacional de Psicologia, Educação e

Cultura. Desafios Sociais e Educação: Culturas e Práticas

Organizadores: Leandro Almeida, Alexandra Araújo, Ana Paula Cabral,

José Cruz, José Carlos Morais e Mário Simões

Vila Nova de Gaia, Edições ISPGaya

Junho de 2013

(3)
(4)

Instituto Superior Politécnico Gaya

2013

(5)

Índice

JOGO DE XADREZ PARA AÇÕES TERRITORIAIS NA ESCOLA: UMA METÁFORA DO SISTEMA DE GARANTIA DE DIREITOS ... 10GAME OF CHESS FOR TERRITORIAL ACTIONS IN SCHOOL: THE METAPHOR OF THE GUARANTEES OF RIGHTS SYSTEM´S ... 31O PAPEL DA FORMAÇÃO INICIAL DUMA PERSPETIVA DOS ORIENTADORES DE

ESTÁGIO PEDAGÓGICO ... 32AS CONTRIBUIÇÕES DA AFETIVIDADE PARA O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL... 46DISTURBIOS DE FALA NO COTIDIANO ESCOLAR: DISFEMIA E DISLALIA,

CONSIDERAÇÕES SOBRE O PROCESSO DE APRENDIZAGEM E INTERAÇÃO

INTERPESSOAL DAS CRIANÇAS NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL ... 65ENVOLVIMENTO DO ALUNO NA ESCOLA E SUA RELAÇÃO COM A APRENDIZAGEM:

UM ESTUDO EM ESCOLAS DA ILHA DE S. MIGUEL ... 83SONS E SILÊNCIOS: A IMPORTÂNCIA DA MUSICOTERAPIA EM INDIVÍDUOS COM

PERTURBAÇÃO DO ESPETRO DO AUTISMO ... 100O CONHECIMENTO DOS OUTROS E A CONSTRUÇÃO DE SI MESMO EM

ADOLESCENTES COM E SEM SINTOMATOLOGIA DEPRESSIVA: UM ESTUDO

EXPLORATÓRIO ... 115CRIAR, REPRESENTAR E INSPIRAR AS ANTÍGONAS NO SÉC. XXI... 130NADA É MAIS CERTO DO QUE A COISA INCERTA: INDECISÃO GENERALIZADA E

INTOLERÂNCIA DA INCERTEZA COMO MARCADORES PSICOLÓGICOS DO

PROCESSO DE INDIVIDUALIZAÇÃO NAS SOCIEDADES CONTEMPORÂNEAS ... 148INTELIGÊNCIA EMOCIONAL EM CONTEXTO EDUCATIVO: RESULTADOS DE UM

ESTUDO COM ADOLESCENTES ... 160DAPTAÇÃO DE UMA ESCALA DE AUTOEFICÁCIA GERAL PARA APLICAÇÃO NO

BRASIL ... 176PADRÕES ADAPTATIVOS DE APRENDIZAGEM E ESTRATÉGIAS DE REGULAÇÃO DAS EMOÇÕES EM ADOLESCENTES ... 201

(6)

ADAPTAÇÃO E VALIDAÇÃO DA BPR7/9 JUNTO DE ALUNOS MOÇAMBICANOS ... 219PERCEÇÃO DO SELF E AUTOAPRESENTAÇÃO EM CONTEXTOS DE ATRAÇÃO

INTERPESSOAL ... 235UM ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE O BEM-ESTAR SUBJETIVO: DIMENSÕES

SOCIOECONÓMICAS E OCUPACIONAIS ... 252PSICOLOGIA ANALÍTICA E PSICOSSOMÁTICA: A IDENTIDADE CORPO-PSIQUE ... 270DESEMPENHO ACADÉMICO NA UNIVERSIDADE E POLITÉCNICO: UM ESTUDO

EXPLORATÓRIO ... 283O PAPEL DO PSICÓLOGO NA INTERVENÇÃO VOCACIONAL: CONSIDERAÇÕES EM

TORNO DE UMA VISÃO COMPREENSIVA E HOLÍSTICA DO CLIENTE... 303“O LINEAR ENTRE O FORNAL E O INFORMAL: CULTURA, EDUCAÇÃO E O MUSEU –

UMA RELAÇÃO INTRÍNSECA” ... 316A INTEGRAÇÃO PSICOSSOCIAL DOS JOVENS EM PROCESSO DE RECUPERAÇÃO DO

CONSUMO ABUSIVO/DEPENDÊNCIA DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS NOS CURSOS PROFISSIONAIS: UM ESTUDO COMPARATIVO ... 329VIOLÊNCIA NO CONTEXTO ESCOLAR: O BULLYING NAS TURMAS DO ENSINO

FUNDAMENTAL DA ESCOLA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE MANAUS E SUAS

INFLUÊNCIAS NO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM ... 344A FAMÍLIA, A PROFESSORA E AS PSICOPEDAGOGAS: CONHECENDO E INTERVINDO

NAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGENS DE PAULO ... 363A INCLUSÃO DE ALUNOS COM TRISSOMIA 21 NO ENSINO REGULAR: REFLEXÕES

SOBRE A FORMAÇÃO E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DOS DOCENTES DA REDE PÚBLICA MUNICIPAL DE MANAUS ... 380A INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL 399A EDUCAÇÃO INCLUSIVA EM QUESTÃO: IDENTIFICAÇÃO PARA A GARANTIA DA

ESTIMULAÇÃO DOS TALENTOS ... 420INCLUSÃO, STRESS PARENTAL E SUPORTE SOCIAL ... 434REFLEXÕES EM TORNO DOS LIMITES E DAS POTENCIALIDADES DA UTILIZAÇÃO

DA CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DA FUNCIONALIDADE (CIF) NO CONTEXTO EDUCATIVO... 444INCLUSÃO ESCOLAR DE CRIANÇAS COM SÍNDROMA DE ASPERGER: UM ESTUDO DE CASO ... 455DESENVOLVIMENTO SOCIOEMOCIONAL EM CRIANÇAS COM FIBROSE QUÍSTICA:

UM ESTUDO DE CASO ... 473

PROCEDIMENTOS ... 476

SIMPLIFICAÇÕES PERSISTENTES NA LINGUAGEM INFANTIL ... 489APRENDIZAGEM DOCENTE DE PROFESSORES ALFABETIZADORES DE APRENDIZES

(7)

CONCILIAÇÃO DE PAPÉIS PROFISSIONAIS E FAMILIARES NO CONTEXTO ATUAL: MUDANÇAS E EXPETATIVAS. ... 524RELEITURA DE UM CASO DE PSICOSE INFANTIL QUE ALCANÇOU SUCESSO: UMA

VISÃO CLÍNICA PARADOXAL E COMPLEXA ... 537ESTUDANTES ADULTOS EM DOUTORAMENTO: COMO SE CARACTERIZAM E QUAIS

AS SUAS MAIORES APRENDIZAGENS? ... 552CARACTERIZAÇÃO DAS ATITUDES E NECESSIDADES DE FORMAÇÃO DOS

DOCENTES DE EDUCAÇÃO ESPECIAL PORTUGUESES FACE À UTILIZAÇÃO DO REFERENCIAL CIF NO PROCESSO DE AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO EM

CRIANÇAS/JOVENS COM NEE ... 570CONTRIBUTOS PARA A AVALIAÇÃO DA ARTICULAÇÃO ENTRE OS AGENTES

EDUCATIVOS INTERVENIENTES NO APOIO EDUCATIVO: ESTUDO EXPLORATÓRIO NO 1.º CICLO DO ENSINO BÁSICO ... 590A PRÁTICA DE ATENDIMENTO ÀS CRIANÇAS E JOVENS COM POTENCIAL ELEVADO:

REFLEXÕES A PROPÓSITO DOS PRESSUPOSTOS DE GIMENO SACRISTÁN ... 603CULTURA DIGITAL, CULTURA HÍBRIDA: SUGESTÕES PARA UM OLHAR SOBRE

GERAÇÕES E TECNOLOGIAS NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA ... 612CONTRIBUTO DAS ATIVIDADES DE COMPLEMENTO CURRICULAR PARA O

DESEMPENHO ACADÉMICO A LÍNGUA PORTUGUESA DE ALUNOS DO 2.º CICLO DO ENSINO BÁSICO ... 627FORMAÇÃO DE EDUCADORES E OS DESAFIOS DA CIDADANIA INCLUSIVA DIANTE

DA MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO ... 642INVESTIMENTO E APLICAÇÃO DE RECURSOS NA EDUCAÇÃO MUNICIPAL

BRASILEIRA: AUSÊNCIA DE PLANEJAMENTO OU DE COMPETÊNCIA TÉCNICA ... 653ENSINO SUPERIOR INCLUSIVO? VOZES DE ALUNOS E PROFESSORES NUMA

UNIVERSIDADE PÚBLICA PORTUGUESA ... 663PROCESSO DE BOLONHA: GARANTIA E CERTIFICAÇÃO PARA A QUALIDADE DA

FORMAÇÃO NO ENSINO SUPERIOR ... 680RESILIÊNCIA: ALGUMAS REFLEXÕES E ACHADOS NAS NARRATIVAS DE

PROFESSORES ... 700A PARTICIPAÇÃO DOS PAIS NOS CONSELHOS DE TURMA ENQUANTO PROMOÇÃO

DA DEMOCRACIA NAS ESCOLAS ... 717AUTOPERCEÇÃO DA BELEZA FÍSICA NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS ÍNTIMAS .... 734PERCEPÇÃO DE AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTOS EM ALUNOS DO 1º ANO DO

ENSINO SUPERIOR DA ÁREA ARTÍSTICA ... 755O LABORATÓRIO DA PALAVRA PREVENINDO A VIOLÊNCIA NA ESCOLA... 772O FILME A ESCUTA DO SILENCIO AUXILIA NA AÇÃO PREVENTIVA DA VIOLENCIA

(8)

INVESTIGAÇÃO EM PSICOLOGIA POSITIVA - A NATUREZA E OS BENEFÍCIOS DA

GRATIDÃO ... 807

A GRATIDÃO E O AUTOCONCEITO EM ADOLESCENTES INSTITUCIONALIZADOS .. 808

A ATITUDE DE (IN)GRATIDÃO, AS DIMENSÕES DA PERSONALIDADE E AS CAPACIDADES COGNITIVAS NA ADOLESCÊNCIA ... 827

INVESTIGAÇÃO EM PSICOLOGIA POSITIVA ... 846

A NATUREZA E OS BENEFÍCIOS DA GRATIDÃO ... 846

A PERSPETIVA TEMPORAL FUTURA, A PERSONALIDADE E O (IN)SUCESSO ESCOLAR ENTRE ADOLESCENTES ... 862

BATERÍA AURORA (INTELIGENCIA ANALÍTICA Y PRÁCTICA) Y RENDIMIENTO ACADÉMICO... 881

CREATIVIDAD MUSICAL, APTITUD MUSICAL Y RENDIMIENTO ACADÉMICO ... 897

INTELIGENCIA SINTÉTICA Y RENDIMIENTO ACADÉMICO ... 913

PENSAMIENTO CIENTÍFICO Y RENDIMIENTO ACADÉMICO... 929

RASGOS DE PERSONALIDAD Y RENDIMIENTO ACADÉMICO ... 948

ACTITUDES HACIA EL APRENDIZAJE FORMAL DE LAS CIENCIAS Y RENDIMIENTO ACADÉMICO... 977

TESTE R-1 – FORMA B: ESTUDO DAS VARIÁVEIS, SEXO, IDADE E ESCOLARIDADE EM UMA AMOSTRA BAIANA (BRASIL) ... 992

ALUNOS DE MÉRITO ESCOLAR NO ENSINO SECUNDÁRIO: ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE VARIÁVEIS PSICOLÓGICAS ASSOCIADAS AO RENDIMENTO ACADÉMICO ELEVADO ... 1005

AVALIAÇÃO E QUALIDADE EM EDUCAÇÃO: PRESSUPOSTOS E DESAFIOS NO ENSINO SUPERIOR EM PORTUGAL ... 1023

ENSINAR E APRENDER A COMUNICAR EFICAZMENTE: O PAPEL DAS HABILIDADES DE VIDA ... 1034

(9)

Nota de abertura

Este volume reúne algumas das comunicações apresentadas no I Congresso Internacional “Psicologia, Educação e Cultura”, realizado pelo Instituto Superior Politécnico de Gaia (ISPGaya: 28-29 junho, 2013). Mais concretamente, estão aqui reunidos os trabalhos que nos foram enviados devidamente formatados e dentro dos prazos temporais fixados.

Com a edição deste volume pretendem os organizadores proporcionar uma maior divulgação dos trabalhos apresentados e, ao mesmo tempo, garantir uma maior difusão da revista “Psicologia, Educação e Cultura” junto de académicos, profissionais e estudantes dos países de língua portuguesa e espanhola. Os temas da Psicologia e da Eucação são dominantes, como aliás tem ocorrido com os artigos publicados na revista. Este I Congresso serviu, mesmo assim, para alargar o seu âmbito à “Cultura”, devendo este esforço prosseguir de forma deliberada em futuras edições da revista e do congresso.

Tendo havido a preocupação de editar este volume antes da realização do congresso para que os participantes pudessem melhor rentabilizar as comunicações e os autores presentes, nomeadamente pelo elevado número de sessões científicas em simultâneo, pedimos desculpas aos autores por eventuais lapsos na formatação final e edição dos seus textos. Também o curto espaço de tempo impediu qualquer tentativa de revisão séria dos textos do ponto de vista teórico e empírico, ao mesmo tempo que a edição prévia à realização do congresso impediu os autores de integrarem sugestões e críticas recebidas no momento da apresentação oral das suas comunicações. Neste sentido, os autores estão desde já autorizados a retomarem estes seus textos e a reformulá-los buscando outras fontes de publicação, apenas sendo necessário explicitar que uma primeira versão dos mesmos foi publicada neste volume.

(10)

JOGO DE XADREZ PARA AÇÕES TERRITORIAIS NA ESCOLA: UMA METÁFORA DO SISTEMA DE GARANTIA DE DIREITOS

Érica Monteiro Carapeticow1 Fátima Gonçalves Cavalcante2

Daniela de Carvalho Braga3 Luiz José Veríssimo4

Marcelo Henrique da Costa5

Resumo

Propõe-se o Jogo de Xadrez para gestores educacionais como uma dinâmica grupal lúdica e estratégica. Objetivo: Provocar reflexões e trocas sobre o atuar do educador e as ressonâncias no território relacional da escola. Método: A dinamizadora oferece tabuleiro de xadrez gigante com 64 peças, explica regras básicas do jogo, o tabuleiro como sendo o território da escola; as peças e seus movimentos possíveis (avançar, recuar e capturar) e propõe que elas representem os integrantes do Sistema de Garantias de Direitos. Resultado: A devolução do grupo revelou a necessidade de espaço para reflexões e trocas, acerca das escolhas e desafios enfrentados no cotidiano educacional. Concluímos a importância de se ativar percepções capazes de provocar novos sentidos aos acontecimentos vividos em grupo.

Palavras-chave: jogo de xadrez, garantia de direitos, prevenção da violência, formação

de gestores, escola e território

1Email: [email protected].

2 Pesquisadores do Laboratório de Práticas Sociais Integradas da Universidade Veiga de Almeida, (LAPSI-UVA) Ibituruna, 108, casa 04, sala 201, Tijuca, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. CEP: 20.271-020. Email: [email protected].

3 Email: [email protected]. 4 Email: [email protected].

(11)

1. Introdução

O presente artigo apresenta o jogo de xadrez como uma metáfora lúdica e estratégica para pensar a escola junto a gestores da educação e averiguar como essa instituição pode colaborar com o Sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente no espaço escolar. Ele se constitui como uma reflexão teórica e empírica sobre uma dinâmica vivencial aplicada na forma de jogo de xadrez no curso de extensão “Prevenção da Violência e Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente na Escola” para gestores da educação e diretores de escola ligados ao ensino público municipal do Rio de Janeiro, ministrado pela equipe do Laboratório de Práticas Sociais Integradas da Universidade Veiga de Almeida (LAPSI-UVA), com apoio do Núcleo Interdisciplinar de Apoio às Unidades Escolares do Rio de Janeiro (SME/NIAP) e da Faperj/Funadesp em 2012/2013.

O jogo de xadrez ao organizar o movimento de peças num tabuleiro, a luz de regras, nos permitiu atribuir às peças existentes significados metafóricos distintos para se pensar a escola, os atores sociais que nela atuam e o território onde a escola se situa. Nesse cenário de “jogo” foi possível fazer reflexões sobre acontecimentos, dinâmicas e papéis de alguns integrantes do Sistema de garantias de direitos da criança e do adolescente (SGDCA), com destaque à atuação dos profissionais da educação, sua articulação atual na engrenagem do Sistema (SGDCA) e as possibilidades de novas dinâmicas para fazer valer o princípio da proteção integral. No deslizar de cada peça e lance que se fazia no tabuleiro, os gestores faziam associações sobre suas atribuições para proteger ou prevenir a violência e como as peças do jogo de xadrez simbolizavam personagens da escola e do território a ela ligada. Assim o jogo permitiu que se deslizassem ideias e se exercitassem modos possíveis de agir, de fazer escolhas e de lidar com suas consequências, sendo ele um bom ‘tabuleiro metafórico’ para se pensar a escola e a atuação de seus gestores e diretores. Dito de outro modo, o jogo de xadrez foi aqui entendido como metáfora de um jogo social em que se pretende proteger e garantir direitos e acionar atitudes, ações, interações e procedimentos por parte da escola para reverter situações de violação ou de violência entre escolares.

(12)

O Sistema de Garantia de Diretos da Criança e do Adolescente no Brasil

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU, 1948) e a Declaração Universal dos Direitos da Criança (ONU,1959) são marcos legais mundiais que passaram a nortear as políticas sociais voltadas para os direitos humanos em todo o mundo, culminando com a Convenção Internacional dos Direitos da Criança (ONU, 1989) que buscou assegurar mecanismos legais para ações jurídicas contra instituições, grupos sociais organizados ou pessoas que desrespeitem os seus artigos e violem os direitos infanto-juvenis (Ferreira, 2003) . O Brasil tem participado das convenções internacionais e a Carta Constitucional de 1988 tornou-se um marco de apoio aos direitos humanos, sendo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, Lei 8.069/90) o principal documento regulador na área da infância e adolescência. Implantado em 1990 em sintonia com os movimentos internacionais em prol dos direitos, o Estatuto regulamenta ações de proteção e de responsabilização e convoca toda a sociedade brasileira a zelar pelos direitos de suas crianças e adolescentes. Após o ECA, passamos à doutrina de proteção integral, quando se entende que se uma criança ou adolescente não conseguiu se adaptar à vida social, o problema passa a ser visto como da própria sociedade. Assim, a criança e o adolescente passam a ser reconhecidos como sujeito de

direitos, trazendo à responsabilidade o Estado, a família e a sociedade na tarefa de

cuidar desses direitos, mas também dos deveres e obrigações desse indivíduo em formação. A criança passa a ser prioridade absoluta na política, no direito público, no orçamento público destinado à educação para assegurar acesso às creches, escolas e ensino profissionalizante. Em mais de 20 anos, o ECA já sofreu nove atualizações e ainda há muito a se avançar para ampliar o seu alcance num país de proporções continentais como o Brasil (ECA, 2012).

Como vem sendo implantada a política para crianças e adolescentes em nosso país? O artigo 86 do ECA aponta que a política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente far-se-á através de um conjunto de ações governamentais e não-governamentais (ONG’s, associações, sociedade civil, empresas, fundações de empresas) e da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. As políticas públicas desenvolvem-se através de Conselhos de direito e Conselhos setoriais: Saúde, Educação, Transportes, Habitação etc. Ela também se aplica de forma deliberativa e normativa, com a participação da sociedade civil organizada. A população pode

(13)

participar através da gestão pública (Constituição, Art. 1) na forma de participação indireta. Temos duas formas de participar, indireta (voto) e direta (conselhos). Os membros dos Conselhos de Direitos ou Setoriais são metade governamentais e metade não-governamentais. Podemos participar enquanto sociedade, por associação ou como representante da sociedade civil. Em 19 de abril de 2006, o Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente/Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH/CONANDA) publicou a resolução 113 que define as competências de um Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA) no Brasil:

Compete ao Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente promover e defender a efetivação dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais, coletivos e difusos, em sua integralidade, em favor de todas as crianças e adolescentes, de modo que sejam reconhecidos e respeitados como sujeitos de direitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento; colocando-as a salvo de ameaças e violações de qualquer de seus direitos, além de garantir a apuração e reparação dessas ameaças e violações (Art. 2 da Resolução 118 do CONANDA).

Compõem a rede do SGDCA órgãos públicos e dispositivos sociais legalmente incumbidos de fazer valer os direitos anunciados na Constituição Cidadã e nas políticas públicas brasileiras. É fundamental que esses integrantes do Sistema tenham clareza de seus papéis, do modo como se articulam no desempenho das suas responsabilidades enquanto agentes de promoção, defesa e controle desses direitos e garantias infanto-juvenis. Ao lado da Saúde, da Assistência Social, da Justiça, dos Conselhos de Direitos, dos Conselheiros Tutelares que irão cuidar de receber e de apurar as notificações de violações de direitos e de encaminhá-las à justiça, como a Escola se coloca nesse Sistema? Como os integrantes percebem as suas funções e limitações? Como observamos a Escola atuar no território que a compõe? Como ela agrega ações e iniciativas de proteção? Como dialoga como outros dispositivos? Quais são suas parcerias efetivas e resolutivas? A Escola está aberta a trocas com os demais segmentos institucionais? Como a escola opera nessa rede do SGDCA que é tão mais ampla e que se estende por diferentes territórios do município, do estado e do país? Urge a necessidade de um ‘azeitamento da engrenagem’ da rede para torná-la funcional, com integrantes somando forças na defesa e garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes (Oliveira, 2013). Para tal é preciso abrir espaços para reflexões e trocas

(14)

entre as áreas e entidades integrantes do Sistema, o que poderá trazer outros discernimentos entre pares e a criação de novas relações no território social que agrega a Escola.

Rede de Proteção e o Papel da Escola

Para que de fato os problemas infanto-juvenis possam ser tratados com a complexidade que merecem, de forma integral e articulada, é necessária ampla participação dos diversos atores, as peças devem mover-se a partir de uma estratégia integrada. Os conselhos Municipais da Criança e do Adolescente devem cada vez mais ser fortalecidos como um espaço plural e democrático de participação. Quanto maior a participação e engajamento de governos, representantes de ONGs e de outras entidades da sociedade civil, nas instâncias que regulam as políticas de garantias de direitos de crianças e adolescentes, mais asseguraremos a proteção integral, conforme a lei prevê. Um elemento fundamental par que isto ocorra é o desenvolvimento de políticas públicas intersetoriais, que têm nos referidos Conselhos Municipais seu espaço privilegiado para se desenvolver.

A garantia da proteção integral passa necessariamente por duas vias: pelas políticas públicas que possam diminuir a desigualdade social; e pela mobilização da sociedade civil. É necessária a participação da sociedade civil no processo de elaboração das políticas públicas, seu acompanhamento e avaliação. As novas formas de governo incluem o poder local, onde todos são convidados a exercer sua cidadania, o que implica a participação nas discussões da gestão das cidades e dos caminhos para solucionar as demandas do município (Castro, 2010, p.17).

É necessário desenvolver a consciência do papel fundamental dos professores e educadores como integrantes diretos do “sistema de garantia de direitos” e que nem todos os problemas enfrentados na escola em relação às crianças e adolescentes têm como principal antídoto uma abordagem exclusivamente pedagógica. A Escola, pelo contrário, joga um papel fundamental na promoção de direitos e na mitigação das diversas formas de desiguladade, como a exclusão e a miséria. Em muitos casos, a demanda trazida para a escola ancora-se em soluções que passam pela justiça, pela saúde e pela assistência social.

(15)

O involuntário isolamento que muitas vezes a escola se coloca não permite justamente que ela perceba que em diversos casos é necessário acionar outros profissionais, com uma formação acadêmica distinta do professor, articulando saberes e fazeres que de fato garantam a integralidade da proteção. A integração de distintos saberes, na qual o educador tem um papel de destaque, inclui ainda, a família das crianças e jovens, conforme previsto na Constituição Federal, quando fala-se da necessária criação de rede, composta pelo Estado, pela sociedade e pela familia. Tal preocupação também está expressa no Estatuto da Criança e do Adolescente:

Art. 4: É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária (ECA, 2012).

Justamente por compreender que “educar” é uma atividade complexa - que extrapola em muito a mera ação de instruir, apresentar conteúdos acadêmicos, mas é fundamentalmente auxiliar na preparação para a cidadania - é que a Escola cumpre um papel estratégico de não apenas atuar dentro do seu espaço físico e simbólico específico, mas atuar como uma das principais forças de garantias dentro do território em que vivem essas crianças e jovens, território no sentido simbólico de pertencimento e locus do acontecimento cotidiano da vida e das trocas entre os sujeitos. Uma “escola que protege”, além de dar conta de sua rotina, deve ajudar a mapear os potenciais parceiros existentes no território, que são múltiplos, plurais e diversos, levando em conta a especificidade histórica e cultural de cada comunidade, favorecendo o surgimento e a proliferação de fóruns amplos, democráticos e participativos, que disseminem uma cultura de paz e de cidadania, desenvolvendo uma “concepção de aprendizagem que contemple o aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser” (Faleiros, 2007, p. 8).

A transmissão de valores, o livre debate de ideias com construção de respeito e tolerância à opinião divergente, a formação da consciência tem tanta importância como papel da escola como a transmissão de conhecimentos através das disciplinas tradicionais.

É fundamental que se destaque também o caráter eminentemente preventivo do “Sistema de Garantias de direitos”, pelo qual a escola tem um papel destacado, seja ao

(16)

atuar sobre os eventuais problemas de disciplina de alunos – que devem ser resolvidos através de mecanismos que busquem levar à conciliação, através de processos integrados que levem em conta a mediação de conflitos – seja ao orientar as famílias dos escolares, para que sejam peça comprometida com a proteção.

Acima de tudo, a escola deve produzir uma ambiência que favoreça as relações de solidariedade, responsabilidade, autonomia e empatia. Apoiando de um lado o desenvolvimento de singularidades que levem em consideração talentos e afinidades, mas que por outro afirmando uma cultura de paz, de respeito às diferenças e à diversidade, que respeite as novas configurações familiares e que ajude a produzir novos agenciamentos de pertencimento para afirmação do bem-viver e de um mundo de direitos.

As implicações dessa mudança estrutural no direito à vida exigem que a cidadania seja vivenciada por todos, independentemente de etnia, classe social, credo ou idade. Surge então a compreensão de que não basta apenas possuir leis, mas é preciso dar vida a elas (Castro, 2010, p.15).

2. Metodologia

Amostra

O jogo de xadrez foi uma atividade desenvolvida pelo LAPSI, sob a coordenação de Erica Carapeticow, dentro de um Curso de Extensão sobre violência na escola e direitos na educação, de 42 horas, oferecido para 50 gestores de onze Coordenadorias Regionais e 50 diretores de escolas da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, com apoio do NIAP. O jogo do xadrez foi oferecido apenas ao grupo de gestores das CREs que aderiu ao mesmo, participando de uma dinâmica grupal apresentada como – um jogo que ajuda a exercitar um planejamento estratégico – algo que os gestores já costumam fazer em sua prática cotidiana. A participação se deu por adesão voluntária, em dois encontros diferenciados e no total, cerca de 30 gestores da educação aderiram e participaram do jogo.

(17)

Instrumento

O Jogo foi feito num tabuleiro gigante para adultos e os participantes foram convidados a utilizar o jogo como um convite para pensar sobre a sua prática profissional a partir de um outro distanciamento. Para participar do jogo, não era necessário ‘saber jogar xadrez’ mas se disponibilizar para aprender sobre as regras de um jogo, a ser conhecida, vivenciada, compreendida, de modo a se perceber como se faz

escolhas e que resultados essas escolhas produzem. O jogo de xadrez, entendido como

uma metáfora da vida social e da linguagem cotidiana pode produzir reflexões sobre o enfrentamento dos desafios colocados pelo adversário e sobre as jogadas, entre tantas possíveis, de modo que o jogo permite uma reflexão sobre as alternativas e sobre a construção de um pensar estratégico.

Ao propor a gestores da educação o jogo de xadrez, representando a escola no seu território, foi possível oferece-los a possibilidade de conhecer e de explorar a experiência de jogar e experimentar movimentos internos e do pensamento que se transbordam em expressões. O xadrez é jogado num território de 64 casas com 32 peças, em dois conjuntos de cores, de lados opostos equivalentes como ponto de partida. Propomos o uso do xadrez como abertura, disponibilização para novo campo relacional, estabelecido pela apropriação de um território (tabuleiro de xadrez) e suas fragmentações (corpo, coração, alas, diagonais, colunas, linhas e casas), bem como de peças (peões-alunos/apoios, rei-conjunto de direitos, rainha-direção do colégio/escola, bispo-conselhos tutelares, cavalos-Ministério público, torres-famílias) com suas particularidades de avançar, recuar, capturar e forças de atuação. Propor a associação do jogo de xadrez à prática do Sistema de Garantia de Direitos junto a educadores nos permitiu trabalhar a sensação e a percepção de forma simbólica, explorando a capacidade de planejar ações de ‘proteção e defesa’ de um modo lúdico, através da arte de jogar e do movimento. O jogo também ajudou a descentrar a pessoa do habitual e a convida-la ao novo.

(18)

Procedimento

Erica Carapeticow apresentou as peças e esclareceu sobre como elas podem ser movimentadas no tabuleiro, descrevendo as regras básicas do jogo de xadrez. O grupo chegou bem atento, mantendo-se reservado, entreolhando-se e com poucas falas, um cuidado esperado a gestores que ainda estão conhecendo o território desconhecido a ser explorado. Todos escutaram atentamente as regras do jogo e também revelaram a necessidade de entender o que aquele jogo estaria lhes oferecendo naquele momento. Um diálogo sobre o jogo e suas possibilidades foi se travando e as pessoas foram ficando mais interessadas com as conexões possíveis de serem feitas entre os elementos do jogo e da vida social. Cartazes com possíveis associações entre as peças do jogo e personagens da vida cotidiana de uma escola foram afixados nas paredes. A surpresa dessas possibilidades de associar peças do jogo a atores ou entidades da escola e do SGDCA capturou as pessoas para um encontro de mais proximidade e sentido. A situação foi percebida como desafiadora para o grupo e a partida foi protelada ao máximo, com perguntas e afirmações. O grupo optou pela prudência antes de correr riscos, de fazer os seus lances e de mostrar as suas jogadas. Havia apreensão para viver o jogo. Erica ofereceu ajuda para pensar os lances. Então, foram iniciadas partidas de três minutos, o que permitiu que cada equipe fizesse três ou mais jogadas. As jogadas foram negociadas e feitas em equipe e aconteceram muitas trocas para decidirem os lances. Todo o grupo vibrou espontaneamente. O lúdico contagiou a todos naquele momento. Ao final, abriu-se um espaço para se refletir sobre o que o jogo representou para cada integrante e como ele ajudou a pensar a escola em seu território e a revisar ações de proteção da criança e do adolescente na escola.

4. Resultados e Discussão

O Jogo de Xadrez como metáfora para pensar a escola não se restringe apenas ao ato de fazer jogadas, ou a tensão de escolher lances e acompanhar os seus efeitos no tabuleiro. Ele é aqui utilizado como metáfora para pensarmos o desafio de escola diante do SGDCA. Desse modo, a partir de cada peça do jogo que será aqui explicada, com sua movimentação e simbolismo, iremos articular falas que surgiram dos gestores da educação ao longo do curso de extensão ou reflexões teóricas e conteúdos que

(19)

não se pode trazer o clima do jogo para o artigo, optamos por associar as peças de jogo com as ‘peças do SGDCA’, com foco no papel da escola. A dinâmica da apresentação dos resultados irá acompanhar a apresentação das peças e sua movimentação no tabuleiro e, em paralelo, reunir falas e reflexões que ilustram o modo como gestores da educação pensam e como se pensa hoje o desafio contemporâneo da escola. Cada passagem terá perguntas disparadoras que irão alinhavar as reflexões e análises.

A Escola num território de acontecimentos e jogos do SGDCA

No jogo de xadrez é de extrema importância que o jogador visualize o tabuleiro como um todo; é um campo de batalha; representa a armação, reunindo várias partes de um todo, dentro da qual, duas mentes tornam visível sua luta pelo domínio de tempo, espaço e movimento de material na consecução do objetivo do jogo; as peças devem ser vistas compondo um conjunto articulado, integrantes de um contexto. Os movimentos são a execução do planejamento; uma estratégia, corpo de ideias é realizada com variações individuais, táticas (Carapeticow & Oliveira, 2012, p.1).

O tabuleiro de Xadrez - Nesses encontros com gestores da rede municipal de

ensino, convidamos atores da Escola para jogar xadrez, conhecer suas regras, se aproximar uns dos outros enquanto pares, dialogar sobre as conexões surgidas no jogo e perceber como as jogadas evocam os vividos difíceis no atuar escolar. Oferecemos espaço lúdico, de sensações e trocas: um grande tabuleiro com 64 casas formando uma armadura, onde traçamos 14 diagonais, 8 linhas, 8 colunas, um centro de 4 casas e no seu entorno 10 casas constituindo o corpo, além de 4 alas dos Reis e Rainhas. Como um tapete, o tabuleiro foi esticado sob o chão da sala. Nele atuarão 32 peças brancas e pretas, que vão poder avançar, recuar e capturar de forma própria, além de serem capturadas. Tomamos o tabuleiro como sendo o território social no qual a Escola se

integra, o território dos acontecimentos da vida cotidiana. As trocas simbólicas não se

reduzem às favelas e comunidades, podem ser representadas pelo bairro ou pela a cidade. Consideramos que no centro está a pulsação que mais interessa. Portanto, dominá-lo é ter mais chances de sucesso. Mas como conseguir o domínio? Experimentações. As peças deslizam nesse território e, para ganhar o jogo, capturar o

Rei do adversário, é preciso além de conhecer as peças em suas formas de atuação,

(20)

totalidade, nas várias possibilidades de escolha, do jogador e do adversário e como se

mitiga isso no jogo. Uma peça sozinha não consegue nada, precisa se juntar a outras peças, conectar forças e juntas desenharem o campo de atuação. Assim, os jogadores são convidados a apropriarem-se das forças e articulá-las em lances estratégicos. Há uma complexidade que toma os participantes na consideração dos distintos traçados, possibilidades de movimentos, escolha do lance, realização da estratégia, sacrifício de peças, imagens que desafiam a percepção e o sensível.

Que território é esse onde a escola se situa? A escola é uma das instituições

sociais que é intensamente atravessada pelas mudanças sociais, como comentou um gestor: “A sociedade avançou de tal maneira que nós não a acompanhamos (...). A

escola á atravessada direto por essas questões. Na escola, as coisas se dão, as coisas acontecem, com todas as contradições e conflitos”. Portanto, os problemas que

aparecem na escola são transversais, ela lida com a diversidade de raça, gênero, sexualidade, classe social, cultura, homofobia, Bullying e ainda com as novas configurações familiares: “As mudanças sociais ainda estão em desacordo com os valores vigentes da maioria. E a escola tem que lidar com todas essas mudanças. Não é uma tarefa fácil”. E continua outro gestor: “Acho que a escola tem que estar atenta ao seu papel. Temos que dar conta disso, só que a grande questão é que a gente está trabalhando com o fato já acontecido. A gente não tem um trabalho preventivo. Porque

estamos sempre correndo atrás daquilo que está acontecendo, a gente parece um distrito policial, só fazemos atender questões de violência (...) Se não houver um

programa, uma assistência para reverter, para que isso não aconteça, ficaremos só cicatrizando a ferida”. O trabalho preventivo depende de uma coalisão de forças distribuídas pelos participantes, a saber: justiça, saúde, educação e assistência social. A escola pode ser uma parceira nesse sistema de cuidados? Como a escola pode acionar a saúde? Como pode acionar a assistência social? Como pode acionar a justiça? Um gestor comenta: “Se não está na escola ou não tem bolsa família, no fim, entre a saúde e a assistência, quem vai assumir aquela situação será a escola”. Portanto, a escola se percebe como uma instituição social da maior importância e aquela que assume mais diretamente as demandas sociais, inclusive quando nem a saúde e nem a assistência social deram conta de suas próprias demandas de assistência.

(21)

O tabuleiro do jogo não é a escola e sim a comunidade, o “território” – então,

devemos assumir que os muros da escola podem ser apenas o seu contorno feito de pedra ou tijolo. Um espaço social dentro do outro, uma instituição dentro de um lugar específico não representa mais do que uma formalidade abstrata, mas que satisfaz as apreciações do senso comum. O filósofo Martin Heidegger (2012), com respeito à convivência humana, estima que ela não é da mesma ordem espacial que os objetos. Uma roupa está dentro do armário, a água enche um copo, permanecendo dentro dele até ser sorvida. As coisas não se tocam mutuamente, elas podem estar juntas, espremidas uma na outra, numa relação de contentor – contido, mas não se encontram porque uma não pode ir ao encontro da outra.

Como pensar a interação efetiva entre escola e comunidade? Podemos

conceber a escola e a comunidade num universo comum, que resguarde e, até, enriqueça as suas singularidades, que possa provocar uma saída do estranhamento recíproco. Este esforço espelharia a possibilidade de constituição ativa de um ethos, de um espaço de convivência compartilhado e dialogado. Nesse sentido, a escola e a comunidade, elas próprias formariam, como um todo, o sentido pleno de comunidade: um espaço em

comum, que abriga as singularidades, a parceria, o diálogo, e, por outro lado, que

acolheria e conviveria com as provocações e tensões, que, apesar de seu teor de desafio, não inviabilizam a convivência e abrigam os jogos de forças em ação e latentes a serem compreendidos. Observamos, pela fala dos gestores, que a escola ainda aproveita pouco o espaço de interação com o seu entorno social, exceto em alguns casos em que essa parceria foi ilustrada como algo importante e significativo para ambos os lados.

As Peças do Jogo – Apresentamos as peças como ‘personagens’ ou ‘entidades’

ligadas a escola e seu território e ao SGDCA, sob a forma de cartazes colados nas paredes, convidando o grupo a construir um pensamento metafórico em que - o Jogo de Xadrez se torna figura e fundo - para se pensar as relações da escola com o SGDCA. Percebe-se hoje, a escola com enorme poder centralizador, centro, coração do jogo, ponto de encontros diários de gentes e valores. Interrogamos, se há por parte dos profissionais da educação um desconhecimento das outras peças integrantes do sistema de garantia de direitos das crianças e dos adolescentes, bem como de suas competências? Sim, respondem os gestores, “pouco conseguimos nos acessar uns aos

(22)

outros, uns com os outros, dialogar com nossos pares, somar forças para realizar os objetivos sem que a escola se sinta sozinha ou sobrecarregada”.

Como podemos definir o jogo de xadrez como metáfora do jogo social? Para

isso, nos apoiaremos, nesse instante, na leitura de Pearce (1996). A apreciação desse autor nos fez lembrar que não se trata de conceber o jogo da interação social como uma atividade específica que é realizada envolvendo escola e comunidade, mas sim, que o jogo faz parte da própria natureza humana: “a um bebê não é necessário ensinar a jogar jogos. É algo que os humanos fazem naturalmente” (Pearce, 1996, p. 177). Isso não quer dizer que os atos e intenções interativas se processem de forma arbitrária e aleatória. “Os adultos possuem uma aptidão enormemente aperfeiçoada para calibrar o que é que está acontecendo e descobrir a que espaços discursivos – como os chamam alguns – podem se somar” (Pearce, 1996, p. 178). Quanto aos espaços discursivos, Pearce indica que o nosso jogar constitui não apenas as “estratégias”, ou seja, as possibilidades em que nos lançamos na dinâmica de nossas várias redes relacionais, como, em última análise, nossa própria identidade. “Estes espaços nos permitem tomar uma certa posição nas conversações em curso. Achamos nossa identidade como seres humanos, como pessoas, de acordo com os lugares que encontramos nestes jogos que se superpõem” (Pearce, 1996, p. 178). Como ‘jogos que se superpõem’ entendemos os vários espaços sociais por onde transitamos.

O Rei seria o conjunto desses direitos - Ele é o objetivo do jogo, sua captura

pelo adversário significa a derrota. Então, é preciso protegê-lo, colocá-lo na melhor posição, garantida de ameaças. Seus movimentos consistem em avançar e recuar para qualquer direção, somente uma casa, podendo realizar captura de peça adversária que estejam nessas casas que alcança. Quando em xeque, pode sair da ameaça de captura fugindo, capturando a peça que ameaça ou colocando uma peça entre ele e a adversária ameaçadora. Sofre derrota ao receber xeque-mate, ataque sem saída. Ganham os adversários. Mas com a proposição lançada, Rei enquanto esse conjunto de direitos fundamentais infanto-juvenis (direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à cultura, à dignidade), a efetivação dos direitos depende de se colocar ativas as peças do jogo de um modo atento e orientado por prioridades do SGDCA. Na engrenagem do Jogo de Xadrez, bem como do Sistema de Garantia de Direitos é imprescindível o todo da composição em articulações várias, a relação todo e partes.

(23)

Diante dos recursos atuais, que direitos e garantias serão efetivados? A participação dos educadores precisa estar implicada no atuar cotidiano em sintonia com políticas públicas estratégicas.

Qual é essa política para crianças e adolescentes que o ECA traz? A política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente far-se-á através de um conjunto articulado de ações governamentais e não-governamentais, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e dos Conselhos de Direitos e Setoriais (Saude, Educação, Assistência Social, etc). No ECA, fala-se dos direitos fundamentais e da prevenção, do direito à saúde, liberdade, profissionalização, educação. Lá já se prevê a notificação na saúde e na educação. A notificação ou comunicação de casos suspeitos ou confirmados não é pessoal, ela é institucional. O principal objetivo é proteger a criança. Então a medida protetiva, socioeducativa e aquelas pertinentes aos pais serão acionadas e aplicadas por autoridades competentes (Conselho Tutelar, Juiz da Vara da Infância e Juventude). Não é função de professor aplicar medidas protetivas (Oliveira, 2012).

A Rainha, nesse jogo - poderia ser a direção da escola (que lhe representa a nível

local) ou então a própria Escola (quando ela é vista regionalmente por uma rede de escolas). Ela avança e recua em qualquer direção nas linhas, colunas e diagonais, quantas casas quiser, podendo capturar quando se movimenta. Sua atuação é poderosa, pois é nesse dispositivo que crianças e adolescentes vivem encontros regulares, com muitas interferências possíveis nas trocas sensíveis que estabelecem. Pensemos na atualidade e no modo como a escola faz parceria com os outros integrantes do sistema de garantias de direitos infanto-juvenis. O desafio é levar a escola a olhar em seu entorno e perceber os muitos pontos de contato, troca e diálogo que podem ser estabelecidos com o restante do tecido social (Secretarias, Postos de Saúde, Igrejas, Órgãos Públicos), a fim de somar dados, atualizar olhares e dinâmicas de atuação profissional. Então, atos violentos bárbaros sacodem a escola, brotando no dia-a-dia e trazendo para dentro da escola a repetição do social caótico e que resulta da crise de valores. O jogo, como um processo lúdico que é sério, convida os educadores a refletir, dialogar e criar novos trajetos!

Quem é o responsável por verificar se esse direito está sendo cumprido? Um

(24)

controle. Vai funcionar, se cada um souber o que deve ser feito. Para tentar minimizar a falta de conhecimento sobre o processo de escolha do Conselho Tutelar, o CONANDA definiu através de uma resolução que todos os processos de eleição sejam unificados em todo o Brasil. Agora também os Conselheiros Tutelares tem direitos sociais trabalhistas assegurados, que não tinham. Para a Proteção Integral funcionar é preciso ter compromisso com a causa, integração e profissionalismo, ingredientes que juntos acionam o óleo que faz funcionar a engrenagem do quadro do SGDCA descrito abaixo. Os recursos públicos seriam a energia. O Sistema de Garantia de Direitos precisa funcionar com redes e para fluir, tudo precisa funcionar. Tem que estar todo mundo trabalhando junto. Só o funcionamento articulado de todos irá assegurar os direitos através de três eixos estratégicos de ação: defesa, entra quando a promoção não acontece; a promoção, corresponde à aplicação de todas as políticas básicas, educação, saúde, assistência social, etc; e controle, exercido por instituições da justiça e por conselhos que a monitoram (Oliveira, 2012).

As Torres: Pensemos nelas como sendo as famílias. Movimentam-se nas

colunas e linhas, quantas casas quiserem, avançando e recuando conforme a escolha e capturando nesse movimento, quando permanece na casa antes ocupada pela peça capturada. Chegam no Jogo variando o tom da sua presença, trazendo suas coerências e contradições. São elas por vezes parceiras e outras vezes adversárias. Com suas estruturas, vulnerabilidades e novas configurações trazem diferenças ora somando ora minando o convívio. Esperam por uma escola que atenda seus filhos e necessidades e, por vezes, somente para garantir o auxílio de sobrevivência que recebem do governo, sem maior consciência do benefício da escolarização, pois muitas delas estiveram alheias do ensino escolar em sua vida pessoal. Além disso, muitas vezes delegam para a Escola a missão de educar, como dizem os educadores, que se sentem desafiados a equacionar demandas intensas e distintas no âmbito familiar.

Como a escola percebe a família? Muitas vezes, a escola acaba sendo o lugar de

produção de estigma e desconstruir o estigma é algo difícil. Por exemplo, ela tende a chamar a família a comparecer sempre que a escola não tem uma boa notícia para dar aos pais, quando algo não não vai bem. A escola não tem espaço próprio para receber os pais, se reunir, para refletir, para conhecê-los ou acolhe-los melhor. De outro lado, a

(25)

família tem sido descrita, com exceções obviamente, como aquela que muitas vezes não oferece preceitos mínimos de educação aos filhos, não lhes ensina limites, nem orienta sobre direitos e deveres, regras de convivência básica. Então, a escola se vê com a demanda de dar continência a essas faltas, sendo isso visto como algo que também extrapola a sua capacidade. Em muitos momentos, na visão dos gestores da educação, os pais desejam que a escola se prontifique a exercer um papel que não lhe cabe. Embora haja limites, a escola precisa reconhecer a família como um núcleo que também precisa de cuidados e, se devidamente assistida, pode vir a ser parceira em ações de proteção.

Peões – alunos/entidades e organizações do SGDCA- Avançam sempre para

frente uma casa, salvo no primeiro lance de cada um deles, quando podem avançar duas. Capturam tortuosamnente, na casa na imediata diagonal, substituindo a peça adversária ao ocupar a casa na captura. Nesse jogo eles poderiam ser os parceiros do SGDCA: Postos de Saúde, Igrejas, Órgãos Públicos, ONGs, Centros de Trabalho e Renda, etc ou os próprios alunos quando assumem o lugar de Protagonistas em defesa de seus direitos. São as almas do jogo, detendo poderes aumentados aos serem posicionados no formato de ilhas, onde um protege o outro. Simbolicamente revelam a força que pode ter o trabalho sincronizado de entidades em prol de uma criança, um adolescente, uma família, uma escola ou uma comunidade.

O palestrante Marcelo Costa abriu espaço para falas e perguntas, ao final do curso de extensão e indagou: Para vocês, o que é Protagonismo? Gestor: “Liderança, reflexão, iniciativa, ser principal, estar em evidência, destaque, ator principal, personagem principal”. A Secretaria Municipal entende que esse é um termo importantíssimo (...) Então, pensando na nossa rede de educação, o que é Protagonismo Juvenil? Gestor: “Tem uma diferença entre fazer, deixar brotar e criar situações para possibilitar. Atualmente estamos na situação de possibilitar condições para que os alunos sejam protagonistas. Eu acho isso ainda muito difícil”. O palestrante Marcelo pergunta: Por que? Gestor: “Pela nossa cultura, por achar que o jovem não tem voz, não tem vez (...) Quando a gente fala em oportunidade, será que valorizamos o aluno que está na escola, será que estamos valorizando suas capacidades?” O que ganhamos com o protagonismo juvenil? Gestor: “Ajudar o adolescente a ser um jovem consciente”. Mas isso ajuda a

(26)

transformar a escola? Será que a escola sabe disso? O Protagonismo é importante, tem uma relevância para a escola, para a comunidade, para a cidade, afinal as coisas estão interligadas. Logo é muito importante que a gente aposte no protagonismo juvenil (Costa, 2013, p.31).

Qual a importância da intersetorialidade e do trabalho em rede? Trabalha-se

a intersetorialidade para ir contra uma ação fragmentada, pulverizada, buscando-se a relação entre várias organizações públicas e privadas, fazendo-se uso de metodologias que levem em conta inclusão e diversidade, experiências vividas, reexame de atitudes, estabelecendo relações horizontais entre os atores, as redes sociais, favorecendo o diálogo e um permanente refazer-se. Quais as dificuldades que o gestores encontram para conseguir trabalhar a intersetorialidade? “A gente sente falta de todo o restante [demais entidades] entenderem o processo interdisciplinar e se sentirem pertencentes a esse processo (...) A gente vê o trabalho da Assistência Social e da Saúde acontecendo, mas não vemos outros setores. Acabamos ficando no tripé: Saúde, Assistência e Educação. Onde está a Segurança Pública?” (...) O que é uma rede? É um padrão de organização constituído de elementos autônomos, que cooperam entre si de forma horizontal. A rede é a tradução de uma política de emancipação. Redes são formas de agir que privilegiam os sujeitos e ajudam a superar de maneira integrada os problemas sociais. (...) Vamos olhar agora para as microunidades e imaginar as escolas. Quem são os pontos de convergência com a escola? A Igreja, a Comunidade, a CRE? O que a gente tem hoje nesse conjunto, nesse microcosmo? Como olhar para a rede? Quais são os nossos pontos de conexão? O que temos perto, o que está distante? Quais os desafios de trabalhar em rede? Formar facilitadores (...) Eles são apresentados no campo político das relações internas. A estrutura horizontal rompe com relações tradicionais, piramidais, de poder e representação (Nunes,2013, p.26).

Bispos representariam os Conselhos Tutelares. Avançam e recuam quantas

casas quiserem nas diagonais, alguns nas brancas e outros nas pretas, capturando nesse mesmo sentido, quando ocupam a casa da peça capturada. O Conselho Tutelar é um órgão destacado para garantia dos direitos humanos infanto-juvenis quando há ameaça ou violação de direitos, tendo como tarefa acompanhar e monitorar o atendimento de crianças e adolescentes em risco ou vítimas de atos violentos. São representantes escolhidos diretamente pela sociedade.

(27)

Como definir os Conselhos Tutelares e suas competências e funcionamento?

Segundo o ECA (2012), o conselho tutelar é “órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente” (art. 131). O ECA em seu art 132, estabelece que em cada município deverá haver pelo menos um Conselho Tutelar, composto por cinco membros escolhidos pela comunidade local para mandato de três anos, permitida uma recondução. Para ser conselheiro tutelar a pessoa precisa ter reconhecida idoneidade moral, idade superior a 21 anos e residir no município em que está instalado o conselho. “Ele é um órgão responsável por acompanhar crianças de ‘0 a 12 anos incompletos’, autoras de atos infracionais, mas não é órgão de segurança pública. Apesar de suas determinações possuírem peso de lei, não é um órgão da justiça (...) Ele situa-se no eixo da defesa do Sistema de Garantia de Direitos” (Nascimento et al, 2009). Por existirem em úmero insuficiente há ainda pouca confiança dos educadores nesse grupo. Entre as atribuições do Conselho Tutelar estão: (1) Incluir crianças e jovens em programas comunitários ou oficiais de auxílio à família, à criança e ao adolescente (ECA, Art. 101, IV); (2) Atender e aconselhar os pais, aplicando medidas previstas no Art. 129, I a VII do ECA; (3) Garantir matrículas e frequência obrigatória em estabelecimento oficial de ensino fundamental (ECA, Art 101, III). Destacamos apenas algumas atribuições que se relacionam com a escola, seja o apoio a crianças, adolescentes e suas famílias, seja pela garantia de direitos à inserção escolar (Ferreira, 2003).

Cavalos representariam o Ministério Público. Avançam e recuam três casas

formando um “ele”. Para frente, para traz ou para o lado. Captura nesse sentido, ocupando a casa da peça capturada. Dois cavalos no mesmo “ele” tem força dobrada, raio de atuação de dois círculos sobrepostos parcialmente, muitas casas de alcance, defesa, ataque, ocupação. Operam com potência singular. Pensemos o Ministério Público enquanto cavalos nesse jogo. Integram o eixo de defesa dos direitos humanos. Possuem legitimidade legal para exigirem o cumprimento da lei. Pensemos quando e como o Ministério Público é acionado pelos educadores enquanto parceiros desse sistema para que atuem considerando as realidades do território escola, contribuindo para assegurar os direitos integrais infanto-juvenis.

Qual a papel do Ministério Público? “O Ministério Público (MP) torna-se

(28)

reestruturou) os chamados Centros Operacionais das Promotorias da Infância e Juventude” (Nascimento et al, 2008, p. 48). Em São Paulo, na cidade de São Bernardo do Campo foi desenvolvida uma iniciativa conjunta entre o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), a Escola de Defensoria Pública do Estado (EDEPE), o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional da Escola Superior do Ministério Público de São Paulo (ESMP),a Universidade Metodista de São Paulo e a Secretaria Estadual de Educação, criando o Sistema de Proteção Escolar, buscando promover um ambiente escolar saudável e seguro por meio da prevenção de conflitos e valorização do papel pedagógico da equipe escolar, com estímulo à participação de alunos e sua integração à escola e à comunidade. O Programa identifica as escolas mais vulneráveis de cada Diretoria de Ensino (DE), a partir do Registro de Ocorrências Escolares (por sistema eletrônico), possibilitando: (1) avaliar os procedimentos adotados pelas escolas, as ocorrências de maior gravidade e as dificuldades na relação com outros órgãos e atores da rede; (2) desenhar rotinas de encaminhamento das escolas mais vulneráveis, definir competências, instrumentos e estratégias de comunicação entre escola, Diretoria de Ensino e órgãos da rede; (3) desenvolver propostas para sistematizar e divulgar práticas exitosas (Oliveira, 2010; Cavalcante et al, 2013). Esse exemplo ilustra como é possível desenvolver ações em rede de fortalecimento da rede pública de ensino junto a demais entidades do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente e se aproximar mais da área da justiça que tem um papel fundamental na resolutividade do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente no Brasil.

5. Conclusão

O jogo do xadrez, aqui utilizado numa representação metafórica, revelou-se rica estratégia para se pensar a escola em sua relação com o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente no Brasil. Percebemos que diante de um Estatuto da Criança e do Adolescente ainda novo, com pouco mais de 20 anos, a escola ainda está se situando e buscando ampliar suas ações nesse sistema. Ela ainda está centrada em seu próprio universo, da rede de escolas, e já exercita ações de parceria com a área da saúde e da assistência social, embora, ainda se sinta só e muito cobrada por ser ela uma das mais importantes entidades que assegura os direitos de crianças e adolescentes no país.

(29)

curso de extensão, que os gestores perceberam a amplitude de seu campo e entenderam como podem melhor explorar as alternativas existentes em seus territórios. Ficou evidenciada sua necessidade de mapearem os parceiros, conhecendo as possibilidades e limites de suas atuações, bem como de fazer uma busca ativa de novos parceiros do SGDCA, outras entidades, outros programas ou grupos socialmente organizados.

Outro ponto que merece ser destacado é a visão estereotipada que se tem das famílias e como isso pode ser um reflexo de mudanças radicais das novas configurações familiares ou ainda das desigualdades sociais, da violência urbana e dos problemas envolvendo álcool e drogas que afetam famílias e comunidades em certas áreas de risco social. Embora a segurança pública no Rio de Janeiro esteja conseguindo, com êxito, pacificar áreas de violência deflagradas, nos últimos anos, esse processo de pacificação ainda está em curso e tem demandado das escolas criatividade e sabedoria para lidar com entornos sociais mais ou menos atravessados por cenários de violência urbana, de pobreza ou de desigualdade social.

Uma frase lapidar dos resultados merece ser aqui retomada: “A escola á atravessada direto por essas questões [ditas acima]. Na escola, as coisas se dão, as coisas acontecem, com todas as contradições e conflitos”. A escola é uma entidade que é atravessada por todas as influências e forças familiares, sociais, comunitárias e culturais contemporâneas, sendo ela um ‘caldeirão’ de tensões sociais que pode ser aquecido em banho-maria, para melhor lidar com os seus ingredientes, ou pode ser mantido em fogo alto, com efeitos explosivos e de difícil controle. Saber ‘esfriar’ as tensões para manejá-las com sabedoria, agir com discernimento ou invés de reagir com impulsividade, bem como, saber recorrer a uma rede articulada de parceiros parecem os melhores lances para um exitoso ‘jogo’ no SGDCA brasileiro.

6. Referências

Assis, Simone G.; Silveira, Liane Maria Braga da; Barcinski, Mariana; Santos, Benedito Rodrigues dos (2009). Teoria e Prática dos Conselhos Tutelares e Conselhos dos

Direitos da Criança e do Adolescente. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz;

(30)

Barros, Christiane Oliveira Teixeira de (2010). Decifra-me ou te devoro: novos desafios educacionais, pag 41 a 46. In: Castro, D.S.P. de; Gandolfi, C.; Oliveira, R.J.de (orgs.).

Uma nova Aquarela - Desenhando políticas públicas integradas para o enfrentamento da violência escolar em São Bernardo do Campo. São Paulo: MPSP; ESMP; EDEPE; São

Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo.

Brasil (2012), Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei Federal nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Versão atualizada 2012. Realização Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente - CEDECA, Rio de Janeiro.

Castro, Dagmar Silva Pinto de (2010). O ECA como princípio ordenador para o enfrentamento da violência na escola, pag 11 a 20. In: Castro, D.S.P. de; Gandolfi, C.; Oliveira, R.J.de (orgs.). Uma nova Aquarela - Desenhando políticas públicas integradas para o

enfrentamento da violência escolar em São Bernardo do Campo. São Paulo: MPSP;

ESMP; EDEPE; São Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo.

Cavalcante, Fátima G.; Dias, Mônica de V.; Oberg, Lurdes P.; Carapeticow, Erica M. (2013). Garantia de Direitos e Prevenção da Violência na Escola: a formação de gestores e diretores no âmbito global e local. In: Schimanski, Edina & Cavalcante, Fátima G. (orgs). Interdisciplinaridade, Pesquisa e Práticas Sociais. Ponta Grossa/Paraná: Editora de UEPG (no prelo).

Carapeticow, Érica M; Oliveira, Tátia Rangel Emmerick (2012). Aberturas para pensar o Jogo

de Xadrez na Psicomotricidade. Trabalho de conclusão de curso do Anthropos, Centro de

Desenvolvimento do Homen, Rio de Janeiro.

Costa, Marcelo Henrique (2013). Sistema de Garantia de Direitos da criança e do adolescente. Como a escola se situa nessa rede de proteção? In: Aula proferida no Curso: “Prevenção da Violência e Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente na Escola”, Relatório

Técnico para Gestores, Nº 2. Rio de Janeiro: Laboratório de Práticas Sociais Integradas.

Faleiros, Vicente de Paula; Faleiros, Eva Silveira (2007). Escola que Protege: Enfrentando a

violência contra crianças e adolescentes, Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de

Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade.

Ferreira, Windyz B (2003). Aprendendo Sobre os Direitos da Criança e do Adolescente com

Deficiência. Guia de Orientação a Família, Escola e Comunidade, Save The Children

Suécia. Rio de Janeiro: Walprint Gráfica e Editora.

Harada, Jorge; Mattos, Paulo César de A.; Pedroso, Glaura C.; Moreira, Ana Maria M.; Guerra, Aubaneide B.; Silva, Carlos dos S.; Neves, Márcia Bitar P.; Santos, Mércia L.M (2012).

Cadernos de Escolas Promotoras de Saúde, I, Sociedade Brasileira de Pediatrias,

Disponível: http://www.sbp.com.br/img/cadernosbpfinal.pdf. Acessado em 2012.

Heidegger, Martin (2012). Ser e Tempo. Trad. revisada e apresentação Márcia Sá Cavalcante Schuback. 6ª edição, Petrópolis: Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco.

Nascimento, Alexandre F. do; Garavelo, Maria Isabel; Kohls, Marcos Eliezer C.; Cavalcante, Fátima G.; Silva, Helena O.; Guimarães, Cristina de Fátima; Assis, Simone G.; Assis; Pereira, Levi M (2009). In: Simone G.; Silveira, Liane Maria Braga da; Barcinski, Mariana; Santos, Benedito Rodrigues dos. (orgs). Teoria e Prática dos Conselhos

Tutelares e Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente. Rio de Janeiro:

Fundação Oswaldo Cruz; Educação à Distância da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca.

(31)

da Violência e Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente na Escola”, Relatório

Técnico para Gestores, Nº 2. Rio de Janeiro: Laboratório de Práticas Sociais Integradas.

Oliveira, Suzana Aparecida Dechechi de (2010). O papel da escola no século XXI e a necessidade de novas práticas, pag. 76 a 80. In: Castro, D.S.P. de; Gandolfi, C.; Oliveira, R.J.de (orgs.). Uma nova Aquarela - Desenhando políticas públicas integradas para o

enfrentamento da violência escolar em São Bernardo do Campo. São Paulo:

MPSP;ESMP;EDEPE; São Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo. Oliveira, Vera Cristina de (2013). Sistema de Garantia de Direitos da criança e do adolescente.

Como a escola se situa nessa rede de proteção? In: Aula proferida no Curso: “Prevenção da Violência e Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente na Escola”, Relatório

Técnico para Gestores, Nº 2. Rio de Janeiro: Laboratório de Práticas Sociais Integradas.

Pearce, W. Barnettt (1996). Novos modelos e metáforas comunicacionais: a passagem da teoria à prática, do objetivismo ao construcionismo social e da representação à reflexidade. In SCHNITMAN, Dora Fried (Org.). Novos Paradigmas, Cultura e Subjetividade. Trad. Jussara Haubert Rodrigues. Porto Alegre: Artes Médicas.

GAME OF CHESS FOR TERRITORIAL ACTIONS IN SCHOOL: THE METAPHOR OF THE GUARANTEES OF RIGHTS SYSTEM´S

Érica Monteiro Carapeticow; Fátima Gonçalves Cavalcante; Daniela de Carvalho Braga; Luiz José Veríssimo; Marcelo Henrique da Costa.

Abstract

We proposed the Game of Chess to educational managers as a playful and strategic dynamic group. Objective: To provoke reflections and exchanges on the work of the educator and the resonances within relational school. Method: The proactive offers giant chess board with 64 pieces, explains basic rules of the game, the board as the school territory; pieces and their possible moves (forward, backward and capture) and proposes that they represent the members of the Guarantees of Rights System’s. Results: The return of the group revealed a need to space for reflections and exchanges, about the choices and challenges faced in the educational routine. We concluded the importance of enabling insights capable of causing new senses to events experienced in group.

Key:words: Game of Chess; Guarantees of rights; violence prevention, formation of

(32)

O PAPEL DA FORMAÇÃO INICIAL DUMA PERSPETIVA DOS ORIENTADORES DE ESTÁGIO PEDAGÓGICO

Filipa D. Duarte6 Amélia Lopes7 Fátima Pereira8

Resumo

Este estudo aborda a formação inicial de professores, evocando os dois parceiros habituais neste estádio de aprendizagem: a escola e a faculdade. Assim, a formação inicial é entendida como uma atividade temporal e espacialmente delimitada, estabelecendo relações entre o conhecimento científico e a intervenção educativa em sala de aula. Paralelamente com a formação inicial surge a supervisão pedagógica que assume uma tarefa árdua e dilemática, mas também essencial para que o futuro professor construa o seu repertório de competências e conhecimentos. Esta tarefa é-nos aqui apresentada pela voz de três professoras do 3.º Ciclo do Ensino Básico com mais de vinte anos de carreira, reconhecidas pelos seus pares e pela comunidade educativa como profissionais de excelência. Neste estudo exploratório, recorremos ao método da narrativa biográfica para dar voz às professoras, produzindo conhecimento a partir de uma abordagem que potencia a compreensão em maior profundidade das dimensões da identidade docente. Estas dimensões aproximam-se dos modos de se relacionar, de dialogar, de aprender e do modo como as vivências individuais em contexto assumem significação aquando da reconstrução da história de vida. Os resultados obtidos permitem constatar que, para além de elementos constitutivos da identidade, a

6Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (Universidade do Porto, Portugal). Email: [email protected] .

7Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (Universidade do Porto, Portugal). Email: [email protected] 8Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (Universidade do Porto, Portugal). Email: [email protected]

Imagem

Figura 1 - Grelha de repertório de um adolescente (sexo masculino, 17 anos)
Figura 1 – Folheto de divulgação da peça                     Figura 2 – Material afixado  no cenário
Figura 3 – Cartaz publicitário da peça
Tabela  1  -  Medidas  descritivas  das  dimensões  do  questionário  de  IE  dos  jovens  adolescentes e resultados do one sample ttest considerando a amostra global
+3

Referências

Documentos relacionados