DEPARTAMENTD
DE
CIENCIAS
coNTÁEE1s
~
TRABALHO DE CONCLUSAO DE CURSO
PARTICIPAÇÃO
NOS
LUCROS
OU
RESULTADOS
LIZANDRA
BEIÍRO
DE SOUZA
Florianópolis
-
SC
DEPARTAMENTO
DE
crENc1As
coNTÁEE1s
PARTICIPAÇÃO
NOS
LUCROS
OU
RESULTADOS
Trabalho de Conclusão de
Curso
submetido aoDepartamento
de Ciências Contábeis,do
Centro Sócio
Econômico, da
Universidade Federal de Santa Catarina,como
requisitoparcial para obtenção
do
grau de bacharelem
Ciências Contábeis.ACADÊMICA:
LIZANDRA
BEIRO
DE SOUZA
ORIENTADOR:
LUIZ FELIPE
FERREIRA
1=LoR1ANÓPoL1s
_
sc
PARTICIPAÇÃO
NOS
LUCROS
OU
RESULTADOS
AUTORA:
LIZANDRA BEIRO DE
SOUZA
Esta
monografia
foi apresentadacomo
trabalho de conclusãodo Curso
de Ciências Contábeisda
Universidade Federal de Santa Catarina, obtendo a notamédia
de atribuída pelabanca
constituída pelos professores abaixo mencionados.Florianópolis, 12
de
junho
de 2000.'Prof 3
.
Maria
Denize%emque~mde
M.Sc
Coordenadora de
Monografia
do Departamento
de Ciências ContábeisProfessores que
compuseram
a banca: V\ \ ' Prof. - `.‹
\-
ira Pre\
1'‹
Prof. !‹ aino Uessler
l
. . rf”
ro. ui ~
ertonM.
'COFINS
-
Contribuição para Seguridade SocialDIEESE
-
Departamento
Intersindical de Estatística e EstudosSócio-Econômicos
FGTS
-
Fundo
de Garantia porTempo
de ServiçoICMS
-Imposto
sobre a Circulação de Mercadorias e ServiçosINCRA
-
Instituto Nacional de Colonização eReforma
AgráriaINSS
~
Instituto Nacional de Seguridade SocialIPI-
Imposto sobre Produtos IndustrializadosISQN
~
Imposto sobre serviços de qualquer naturezaMP
~
Medida
ProvisóriaPLR
-
Participação nos Lucrosou
ResultadosPIS
-
Programa
de Integração Social1.
Acordos do
tipo de Participação nos Lucrosou
Resultadosem
1996 e 1997 ... .¿ ... ..2.
Acordos
por tipo e por categorias profissionais ... ._3. Tipos de acordos de
PLR
segundo
otamanho da empresa
em
1996 e 1997 ... ..4.
Data da
assinaturacom
relação a vigência dos acordos, por tipo dePLR
em199ó
e 1997 ... ..5. Demonstrativo
do Lucro
Contábil Operacional ... ..6. Vantagens e Desvantagens
do
critério deLucro
... ..7. Vantagens e Desvantagens
do
critério de Resultado ... ..8.
Forma
depagamento da
PLR em
1996 e1997
... _.9. Vantagens de
Ordem
social ... ..10.
Vantagens
de acordocom
Garrido ... ..11. Desvantagens de acordo
com
Garrido ... ..Análise dos
Acordos
dos Sindicatos dos Metalúrgicos deSão
Paulo e Metalúrgicos deOsasco, Comerciários de
São
Paulo e Vestuário deSão
Paulo e Osasco,firmados
em
19975
Mzâidaimvisóúa
n. 1932-72, de29
dejunho
de 2000.Programa
de Participação nos ResultadosTUPER
S/A
.Acordo
para oprograma
de Participação nos Resultadosda\DÍGITRO.
Acordo
de Participação nos Resultadosda
EMBRACO.
Convenção
Coletiva de Trabalho sobre a Participação nos Lucrosou
Rsultados dos Bancos.Convenção
Coletiva de Participação nos Lucrosda\INTELBRÁS.
RESUMO
Esta
monografia
estuda a Participação nos Lucrosou
Resultados,mostrando
ostipos praticados de
PLR,
as formas depagamento
encontradas e utilizadas e as vantagens edesvantagens de introduzir
um
plano dePLR em
uma
empresa. Para a realizaçãoda
pesquisa,procedeu-se a procura
em
livros, artigos, revistas,que
tratavam sobre o assunto.A
participação dos trabalhadores nos lucrosou
resultados das empresas é tunaforma
de remuneração variável quetem
tido bastante divulgaçãoem
vários países, a partirda
década
de 80, eno
Brasil,com
a edição damedida
provisóriaque
regulamentou o assunto,em
1994.Pode-se dizer,
que
os principais motivos dessa difi1são sejam o estímulo aodesempenho
do
trabalhador,onde
aPLR
está ligada àmelhora
de indicadores, entre os quaisdestacamos a produtividade e a qualidade; flexibilização
do
custodo
trabalho, porque aPLR
não
é incorporada aos salários,podendo
variarem
função das condiçõesda
empresa; isençãoAbreviaturas
Lista de Tabelas e
Gráficos
Lista deAnexos
Resumo
viiCAPÍTULO
1
1.1n\1TRODUÇÃO
1.1.1 Assunto 1.1.2Tema
1.1.3Problema
1.1.4 Objetivos 1.1.4.1 Objetivo Geral 1.1.4. 1 Objetivos Específicos 1.1.5 Justificativa 1.1.6 Metodologia _ 1.1.7 Limitaçõesda
PesquisaCAPÍTULO
11 2.1REVISÃO TEÓRICA
2.1. 1 Considerações Iniciais ivv
V12
0O\10\U1U1U1UJUJl\)l\¡ 9 9 92.1.2
Origem
históricada
participação dos trabalhadores nos lucros ____102.1.3
Evolução
históricada
participação nos lucros 1227
2.1.4 Aspectos conceituais
da
PLR
CAPÍTULO
1113.1 Conceito
de
Lucro
eResultado
3.2 Tipos Praticados
de
Participação nosLucros
32
30
30
3.3
Formas
de
pagamento
da
Participação nosLucros ou
Resultados_49
3.4
Vantagens
eDesvantagens
3.4.1 Vantagens 3.4.2 DesvantagensCONCLUSÃO
1‹EFERÊNcL4s
BIBLIOGRÁFICAS
52
52 5559
60
CAPÍTULO
11.1
INTRODUÇÃO
1.1.1 Assunto
Com
a erada
globalização, das inovações tecnológicas e da livre concorrência,surgem
novas formas de organizaçãodo
trabalho,onde
podemos
verificar a fiexibilidadeda contratação,
do
usoda
mão-de-obra e a remuneração. Pode-se destacar entre essasnovas formas de
remuneração do
trabalho a “Participação nos Lucros”.A
organização moderna, tendocomo
suporte a colaboração de seu pessoal,atingirá
um
nível de repercussão social, que produzirá resultadoseconômicos
e financeirossatisfatórios, tanto para os empregados, quanto para os empregadores.
A
participação nos lucrosvem
sendo discutida a vários anos e até hoje aindaexistem muitas divergências entre sindicatos, empregadores e empregados,
que não
chegam
aum
acordo. Ela é apontadacomo
principal elemento representativo deremuneração variável e passou a ser
um
complemento
salarial,no
Brasilcom
a ediçãoda
Medida
Provisória 794/94, que,em
virtude de aindanão
haver sido convertidaem
lei,vem
sendo reeditada, mensalmente, por outras
medidas
provisórias,com
algumas alterações,A
distribuição dos lucros a funcionários constituiuma
fonna de
suprir tensõesde classes, aumentar a produtividade individual e coletiva, objetivando
uma
maior
integração entreempresa
eempregado
ecom
issotomando-se
um
importante elementopara o seu crescimento.
Buscando
alternativas para adaptaçãono mercado
globalizado, asempresas tiveram que
começar
a utilizarnovos
modelos, tanto nos processos deprodução
quanto nas relações de trabalho, destacando-se desta forma, os sistemas de
remuneração
variáveis, que
visam
estimular o aperfeiçoamentodo
funcionário e aguçar a suacompetitividade.
Com
isso, foi implantada,no
Brasil, a participação dos trabalhadores noslucros
ou
resultados.Como
sendouma
forma
de remuneração que amplia o salário dos funcionárioseque
satisfaz tanto os empregados,como
a instituição que por ela optar, seráabordado na
monografia
a “Participação nos Lucros” para os funcionários .1.1.2
Tema
Tem
este projeto de monografiacomo
tema
a “Participação nos Lucrosou
Resultados” para os funcionários. * -
1.1.3
Problema
A
“Participação nos Lucrosou
Resultados” éuma
forma
de remuneração,onde
o valorpago
a seus funcionáriosnão
são incorporados ao salário ecom
issonão
incidem os encargos trabalhistas sobre os salários,
não
aumentando
com
isso os encargosEssa
forma
de distribuição dos lucros é de certa maneiraum
incentivo,um
prêmio
aos funcionários, vistoque
osmesmos
trabalharão paraque
aempresa
obtenha omáximo
de lucro possível.Dentre os objetivos das empresas
que
poderiamos destacar é a redução decustos e a
maximização dos
lucros,com
isto muitas empresaspoderiam
utilizar estaforma
de
remuneração
como
um
incentivador a produtividade, ao crescimentoeconômico
e financeiro.Desde
aMP
n. 794, de29
dedezembro
de 1994, que a participação noslucros
ou
resultadosidas empresas já estáem
vigorno
Brasil,mas
tem-se ainda váriasempresas, principalmente as de micro,
pequeno
emédio
porte, quenão
vêm
distribuindoparte de seus lucros
ou
resultados aos empregados.As
pequenas emédias
empresasdo
Brasil, são geralmente administradas porseus
donos que cuidam
e supeivisionam tanto o setor pessoal,como
ascompras
e0
setor financeiro,com
isso ficandocom
muitas responsabilidades enão pensando
em
uma
maneira
que
pudesse motivar e incentivar os seus funcionários, para conseqüenteaumento
em
seus resultados. Geralmente os empresários desse tipo de empresa,acham
que
eles équem
são os donos e o lucrotem
que ir paraquem
investe enão achando
que seufuncionário teria direito sobre o
mesmo.
Também uma
das causasdo não
atendimento poressas empresas, seria porque as
mesmas
não possuem
controles intemos suficientes paraque
um
plano dePLR
pudesse ser implantado, anão
serque
se fizesse algoque
apenascumprisse a
MP,
mas
que não
fosse a realidade,como
por exemplo, daruma
porcentagem
em
cima do
saláriodo
funcionário a título dePLR.
Também
pode
ser que, a principal causado
não entendimento àMedida
Provisória, seja
em
função das dificuldadescom
as quais as empresastêm
se deparadona
fixação
dos objetivos para a implantaçãodo programa
de “Participação nos Lucros”,onde
pode-se notar
que
amedida
provisórianão
deixa claro,no que
se refere a determinação dosparâmetros para estipulação de
um
percentual de participação,mecanismos
de aferição ePara
TUMA1,
“quantomenor
a empresa,menor
a sua capacidade deinvestimentos,
menos
criativas são as técnicas de gerenciamento de recursoshumanos
emais
baixo é o nível absoluto dos salários.Além
disso a organização sindical tende a sermais
incipiente nestas empresas e as negociações coletivas diretas sãomais
raras”.Com
issovamos
analisarcomo
as empresas poderão atender aMedida
Provisória
que
trata da distribuição dos lucros a seus funcionários e de queforma
elaspodem
distribuir osmesmos.
1.1.4 Objetivos
1.1.4.1 Objetivo Geral
Identificar quais as formas possíveis e de que maneira as empresas poderão
determinar a distribuição dos lucros a seus funcionários.
1.1.4.1 Objetivos Especíñcos
1)
Definir Lucro
2) Identificar os tipos praticados de
PLR
e as formas depagamento
3) Verificar quais são os beneficios para a
empresa
e para osempregados
4) Verificar quais são as desvantagens para a
empresa
a para oempregado
1
TU1\/IA, Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dos
1.1.5 Justificativa
Com
a globalização,o mercado
está exigindomais
qualidade nos produtos, tecnologia ecom
isso as empresas deveriamaumentar
seus padrões de produtividade e qualidade,bem
como
aminimização
dos custos, para conseguir sobreviverno
mercado.Uma
maneira que as empresas teriam de aumentar a produtividade econsequentemente a qualidade de seus produtos
com
melhores resultados, seria implantarum
plano de participação nos lucrosou
resultados,que além
de incentivar os trabalhadores,também
possuí isenção de encargos trabalhistas.Para
GARRIDO2
“a participação nos lucrosou
resultados, trouxe para asempresas beneficios, tais
como:
a participação nos lucrosou
resultadosnão
é incorporada afolha de
pagamento
ecom
isso traz reflexosna
redução dos custos fixos, evita reclamaçãotrabalhista sobre a remuneração recebida a título de participação nos lucros e
não
incidesobre esses valores os encargos trabalhistas e previdenciários”.
No
casodo
Brasil,em
que
as empresas estão diante daMedida
Provisóriaque
trata
da
implantação deum
sistema de participação dos trabalhadores nos lucrosou
resultados,
sem
que saibam exatamente 0que
fazer para cumprir essa determinação, arealização deste estudo poderá contribuir
com
a formação deum
embasamento
teóricocapaz
de
subsidiar afixação
de diretrizes para a implantaçãoda
distribuição de lucrosou
resultados das empresas aos empregados.
2
GARRIDO,
Para
CERVO
E
BERVIAN3,
ciência é “uma
busca constantede
explicaçõese soluções, de revisão e reavaliação de seus resultados e
tem
a consciência de suafalibilidade e de seus limites”.
Segundo
GALLIANO4,
conhecer é “ estabeleceruma
relação entre a pessoaque
conhece eo
objeto que passa a ser conhecido”.No
processo de conhecimento,quem
conhece, apropria-sedo
objetoque
conheceu. Transforma o que
conheceu
em
conceito, reconstituindo-oem
sua mente.“O
conhecimento
levao
homem
a apropriar-seda
realidade e, aomesmo
tempo, a penetrarnela” 5.
O
conhecimento fazcom
que ohomem
possamodificar
as circunstânciasem
benefício próprio, a realidade e'
o
objetodo
conhecimento e ela possuí diversos níveisde
conhecimento. V
Apresenta
CERVO
E
BERVIAN6
que: “Pesquisa éuma
atividade voltadapara a solução de problemas, através
do emprego
de processos científicos”.A
pesquisabusca respostas a dúvidas
ou
problemas ecom
a ajuda demétodos
científicos, buscasoluções e respostas
que
atravésda
pesquisa requer conhecimento à informações e autilização de
métodos
ou
técnicas científicas._ Para a realização desse trabalho será utilizado o
método
dedutivoque
segundo
MARCON1
eLAKATOS7,
“tem
o propósito de explicitaro
conteúdo daspremissas”. .
3
CERVO, Amado
L. e
BERVIAN,
Pedro A. Metodologia Cíentzfica. 3.ed.São Paulo: McGraw-Hill, 1983.p.9 4
4
GALLIANO,
A.
o
Método czénzzfico. são Paulo; Ed. Harbra, 1986. p.175
GALLIANO,
A. 0Me'todo Científico. São Paulo: Ed. Harbra, 1986. p.17
6
CERVO, Amado
L. e
BERVIAN,
Pedro A. Metodologia Científica. 3.ed.São Paulo: McGraw-Hill, 1983. p.5l7
'
Segundo
MARCONI
eLAKATOS8,
monografia
é: “Fum
estudo sobreum
tema
específicoou
particular,com
suficiente valor representativo eque
obedece a rigorosa metodologia”.A
monografia
éum
trabalhoonde
se é pesquisado sobreum
determinadoassunto e se é tratado
com
profimdidade
todos os seus aspectos e objetivos.Com
isso, esse trabalho irá analisar a participação nos lucros dosfuncionários, qual a parcela e de
que fonna
é destinado, pormeio
da pesquisabibliográfica.
1.1.7 Limitações
da
PesquisaO
presente estudo seráuma
pesquisa de natureza bibliográfica,onde
trará os aspectos da participação dos lucros deempregados
.A
pesquisa se limitará aotempo
destinado a ela e a bibliografia disponívelpara a realização
da
mesma.
Com
isso utiliza-se a pesquisaem
livros, artigos e a leis que tratamdo
tema.
8
MARCONI,
Marina de A. eLAKATOS,
Eva M. Fundamentos daMetodología Cientifica. São Paulo:CAPÍTULQ
112.1
REVISÃO TEÓRICA
~
A
revisão teórica, é conduzida atravésde
tópicosque
fundamentam
todoo
trabalho de 'pesquisa que será realizado, quais sejam: considerações iniciais,
origem
eevolução histórica da participação nos lucros das empresas, a participação nos lucros
no
Brasil e aspectos conceituais da participação nos lucros
ou
resultados.2. 1.1 Considerações Iniciais
A
Participação nos Lucros, está prevista desde a Constituição Federal (art. 157,inciso
V)
de 1946,mas
só foi colocadaem
vigorem
nosso país,em
29
dedezembro
de1994,
com
a edição daMedida
Provisória n.° 794.Desde
então esse assuntovem
sendomuito
discutido e debatido por empresas, sindicatos, etc. ~V
Segundo
TUMA9,
“a Participação nos Lucrosou
Resultados caracterizauma
das principais alterações recentes
no
padrão de regulação das relações de traba1ho”'.~Diz
que
apesar de antigaem
outros paísesou
mesmo
nas grandes empresas, a Participação nosLucros
assume
um
novo
papelno
período recente”.H
9
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dosA
Participação nos Lucrosou
Resultados, antes poderia ser consideradacomo
instrumento de política salarial interna das empresasou
seja ela apareciacomo
um
prêmio
adicional ao salário
do
trabalhador,como
decorrênciado
bom
resultado obtido pelaempresa
num
detenninado período.`
Atualmente, segundo
TUMA”,
“a Participação nos Lucrosou
Resultadossurge
como
instrumento para flexibilização de parteda remuneração
dos trabalhadores.Observa-se a substituição dos
aumentos
porabonos
salariais, estabelecendo-se a tendênciade ampliação
da
parte variável dos salários”.2.1.2
Origem
históricada
participação dos trabalhadores nos lucrosA
Participação dos Trabalhadores nos Lucrosou
resultados das empresasnão
éum
assunto recente,com
base na literatura disponível sobre o conteúdo, vários autoresafirmam
que já existiam esse tipo de remuneração desde 1812.Segundo
SARASATE“:
coube
aNapoleão
Bonaparte,em
1812,em
decretoprocedente
do
Quartel General deMoscou,
de 15 de outubrode 1812, regular a participação dos atores nos lucros líquidos das atividades teatrais.
Com
isso os atoresalém
de receberemum
ordenado fixo, recebiamtambém
uma
parcela dos lucroslíquidos, calculado
no
fimdo
ano”.A
sistemática departicipação consistia
na
divisão dos resultadosda
organizaçãoem
24
parcelas. Destas parcelas,22
eram
divididas entre atores,uma
parcela era destinada aum
fundo de reserva para despesas inesperadas, euma
outra era subdividida,metade
paraum
fundo deembelezamento
e restauração e o restante paraum
fundo de pensão.1°
TUMA,
F ábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dos salários? São Paulo: Ltr, 1999. p. 21 «SARASATE12
trata que a Participação nos Lucros, “teve seus primórdiosem
1843,
com
Leclaire, que era proprietário deum
atelier de pintura, ele percebeu os reflexosnegativos
da
situação econômica,que dominava
aEuropa
naquelaépoca
e determinouque
distribuiria parte de seus lucros auferidos durante o
ano
com
seus funcionários”.Embora
tenha sido depouca
duração e êxito a participação nos lucros iniciadopor Leclaire, segundo
SARASATE13,
“o sistema encontrou continuadoresque
seentusiasmaram
com
a idéia. Entre os seguidores estão JeanGodim
e Charles Robert, sendoque
este último eraum
líder influentedo
movimento
cooperativista francês.Ainda
diz que,Robert escreveu vários trabalhos sobre o assunto e,
em
1878,fundou
uma
sociedade paraoestudo da participação nos lucros
que divulgavam
a idéia de Leclaire e assim contribuírampara que várias empresas colocassem a sistemática
em
prática.,
Contudo
SARASATE14,
comenta que
a mais antiga tentativa para se instituiraparticipação dos
empregados
nos lucros da empresa, “refere-se ao caso de Albert Gallantin,Secretário
do
Tesouro de Jefferson Madison, que,em
1794, instituiuum
plano próprio nassuas indústrias de vidro
em
New
Geneve, Pensilvânia”.Também
diz que “por voltade
1820 ou
1832,Lord Wall
Scaert, teria realizadouma
experiência de participação de seusempregados
nos lucros de sua empresa”. .'
Um
evento considerado de grande importânciana
história da participação noslucros, é o Congresso Intemacional
da
Participação nos Lucros, realizadoem
Parisno ano
de 1889, que tinha por finalidade analisar vários conceitos sobre o assmito.
U
SARASATE,
Paulo. Participação nos Lucros e na vida das empresas. Rio de Janeiro. Livraria FreitasBastos S/A, 1982. p. 62
12
SARASATE,
Paulo. Participação nos Lucros e navida das empresas. Rio de Janeiro. Livraria Freitas
Bastos S/A, 1982. p. 61 .
13
SARASATE,
Paulo. Participação nos Lucros e na vida das empresas. Rio de Janeiro. Livraria FreitasBastos S/A, 1982. p. 63
14
SARASATE,
Paulo. Participação nos Lucros e na vida das empresas. Rio de Janeiro. Livraria Freitas2.1.3
Evolução
históricada
participação nos lucrosA
França destaca-se pela grande difusão dessa modalidade deremuneração
(Participação nos Lucros) e
também
pelo grau de regulamentação alcançado.A
legislaçãodo
país impulsiona à adoçãoda
Participação nos Lucrosou
Resultados, atravésda
concessão de vantagens fiscais.
Praticamente todos os assalariados de empresas
com
mais
de 100 funcionáriossão contemplados por
algum
tipo de Participação nos Lucrosna
França, e as organizaçõesmenores, a lei dizia
que
fossem firmados acordos voluntários.~
Embora
comente-se que as primeiras idéias sobre a participaçao dostrabalhadores nos lucros das empresas
tenham
surgidona
França, a legislação daquele paísnão
consagrou de imediato a obrigatoriedade desta sistemática.Foi criado
em
1959, pelogovemo
de Charles Gaulle,o
sistemacom
pagamento
imediato
em
dinheiro.Chamado
“ínteréssement”,“onde
a participação nos lucrossignificava
uma
“terceira via” entre o capitalismo e o socialismo euma
forma de
associaro
capital e o trabalho aos lucros e aos riscos
do empreendimento”
, apesar de existir asvantagens fiscais previstas
no
dispositivo legal,onde
ocumprimento não
era obrigatório, o“íntere'ssement”
não
teve muito repercussão naquelemomento.
Em
1967, foi criadoum
sistemacom
pagamento
diferido,que
sechamava
“participation awcfruíts de i'expansion”
onde tomou-se
obrigatório para as empresascom
mais
de 100empregados
eem
1990, esta obrigatoriedade foi estendida às empresascom
50
a
99
trabalhadores.As
regras para o cálculo e distribuição estão estabelecidasna
lei,que
deixam
margem
para negociação e quepode
ser feitacom uma
comissão de empregados.Na
década de 80 é que se estabelecem as condições mais propícias para aexpansão
da
Participação nos Lucrosou
resultados.Naquele
momento, eram
intensificadasSegundo
TUMA15,
é nesta época que “começam
a surgir a difusãoda
participação nos lucros, principalmentedo
tipocom
pagamento
monetário imediato, “interéssement”, que era prioridadedo
governo Francês.Em
vez de indicar os índices deaumento
salarial a ser concedido nas negociações coletivas, as entidades representativasdos empresários passaram a sugerir a
adoção
de formas deremuneração
mais ligadas aodesempenho
da
empresa”.O
Estado,em
1982, fortalece a intervenção sindical através das leis “/Iurox”,“que
tomam
as negociações coletivas obrigatórias”mas
também
apoia as negociaçõesentre patrão e
empregado
para aproximar e viabilizar a flexibilidade.No
final dos anos 90, os dois tiposmencionados
de participação nos lucros,dominam
o cenáriona
França.Mas
surge aíum
programa
de participação financeira dostrabalhadores
na empresa
atravésda
aquisição de ações.Segundo
TUMA16,
esse tipo departicipação “não se encaixa perfeitamente
na
definição de participação nos lucrosou
resultados, mas, por outro lado, não está totalmente desvinculada dos demais programas,
pois
não
deixa de seruma
forma
de os trabalhadores participarem dos lucros das empresas”.“Na
Alemanha,
o sistema surgiuem
1878, através deBohmer,
professorda
Escola Politécnica de Zurich que publicou urna obra
em
doisvolumes
e que até hoje écitada
como
a mais completa.A
PLR
do
tipopagamento
imediatoem
dinheiro, assimcomo
no
Canadá, é o sistema dominante, apesar denão
contarcom
nenhuma
vantagem
fiscal.
Desde
1984, a legislação incentiva a participação nos lucros, associando-a àparticipação
no
capitalda
própria empresa”.1715
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dos
salários? São Paulo: Ltr, 1999. p. 95
ló
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dos“Na
Inglaterra, o sistema foi introduzido por Stuart Mill, Stanley J evons e outros.O
sistema iniciou por volta de 1.850 e após os dez primeiros anos de sua introdução teve-se notíciaque
das 165 tentativas conhecidas, 65 fracassaram. Neste país, onúmero
deempresas
praticando a participação nos lucros éum
pouco
pequena, apesarda
existência deincentivos legais”. 18
LOBOS19
diz que “no inícioda
década de 80, por exemplo, apenasmeia
dúziade empresas
com
mais de 10.000empregados
mereceria menção. Dessas empresas destacaas seguintes: ICI,
Kodak,
Barclays Bank,Marks
&
Spencer. Diz,também,
quemesmo
diante
da
recenteonda
de privatização das grandes corporações de serviço público, osplanos
que
estãoem
vigência são escassos eque
apenasuma
experiênciamerece
destaque.Trata-se de
uma
empresa do
ramo
de varejodenominada John Lewis
Partnership, cujocapital social encontra-se totalmente nas
mãos
de seus 23.500 empregados, aos quais édistribuído todo o montante dos lucros que restarem após
uma
retenção para investimentos,e após
serem
efetuados ospagamentos
dos dividendos.Na
Holanda, existeum
número
considerável de empresasque
possuí planosvoluntários de participação nos lucros.
LOBOS2°
citaum
exemplo:17
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dos
salários? São Paulo: Ltr, 1999. p. 96
18
LOBOS,
Júlio
A
.A
Participação dos trabalhadores nos lucros das empresas. São Paulo: Hamburg, 1990.p.24
19
LOBOS,
Júlio
A
.A
Participação dos trabalhadores nos lucros das empresas. São Paulo: Hamburg, 1990.p.84
2°
LOBOS,
Júlio
A
.A
Participação dos trabalhadores nos lucros das empresas. São Paulo: Hamburg, 1990.Os
65.000empregados da
Phillips,recebem
um
bônus
anual,usualmente relacionados aos dividendos distribuídos.
Comenta
que nos últimos anos, obônus tem chegado
arepresentar
6%
do
salário-baseem
média.Também
cita aUnilever, que
paga
aos seus 10.900 empregados,bônus
semestrais quesomam
8.33%
dos lucros anuais.Além
dessasduas empresas,
também
destaca aEnka
Glanzstoff e aAkzo,
que
também
distribuem aos seus 12.000empregados
bônus,que é baseado
em
0,5%
do
montante distribuídoem
dividendos e
no
segundo,em
2%
dos lucros anuais.Por
fim,
são
mencionadas
aKLM,
a indústria de tabaco, e a Firestone.A
primeira distribui aos seus 9.500 empregados,um
bônus
anual que equivale a2%
dos lucros anuais ecom
limite individual deaproximadamente
US$
1.000,00.A
indústriade tabaco distribui
um
bônus
anual de3,3%
ena
Firestoneesse
bônus
é de 5,5%.Na
Dinamarca, a participaçãodo
trabalhadores nos lucros étambém
entendidacomo
“fundos sociais”, destinados afomecer
benefícios aos empregados.Conforme LOBOS21,
“o sistema foi oficialmente introduzido naquele país, poruma
leipromulgada
em
1957, e daíem
diante várias empresastem
implantado planosde
participação.
Na
maioria desses planos, o valor distribuído aosempregados
é aqueleremanescente após ser deduzida a percentagem
prefixada
da parte dos lucrosque
serádistribuída aos acionistas”.
No
Canadá, as vantagens fiscaisque
são previstasna
legislação sãomuito
pequenas e restritas aos assalariados
que
têm
participação nos lucros, atravésda
criação defundos de aposentadoria.
Segundo
TUMA22:
trata-se de
um
sistema de participação nos lucrosou
resultados,com
pagamento
diferido, criadoem
1968. Jáem
1990,4%
das empresascom
mais
de20 empregados
adotavam
esse sistema, cobrindomenos
de8%
dos21 ,. .. ,.,
LOBOS,
JulioA
.A
Participaçao dos trabalhadores nos lucros das empresas. São Paulo: Hamburg, 1990.p.28
22
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dosrecuo nos anos 80, a
PLR-pim tem
crescido rapidamente,chegando
a dobrar sua cobertura neste período, sendo praticado por15%
das empresascom
mais de 20
empregados,
em
1990 e atingindo cerca de12%
dosassalariados.
Nos
Países Baixos,segundo
TUMA23,
os trabalhadores
têm
a disposição várias formasde
participação previstas e incentivadas.A
leique
regula aparticipação nos lucros
ou
resultados fala que os objetivos destes sistemas de remuneração são contribuir para amoderação
dos salários-base, estimularpoupança
efiexibilizar o
mercado
de trabalho.A
leinão dá
grandesincentivos fiscais, tanto para as empresas quanto para os
trabalhadores.
No
Reino
Unido, segundoTUMA24,
“o_ objetivo central da legislação é apossibilidade de a participação nos lucros
ou
resultados das empresas vir a substituir osalário”. Isso acontece
com
um
tipo de participação, a “profit-related pay”, criado eregulamentado por lei,
em
1987, contandocom
a isençãodo
Imposto deRenda
dada
aostrabalhadores nos casos
em
que venha
substituir partedo
salário-baseou
quaisquerparcelas
fixas do
salário.Com
isso o incentivo fiscal acaba sendoum
elemento de estímulo à troca de salário por participação nos lucros.A
participação nos lucrosou
resultadosganha
expressãoem
um
cenário dedescentralização das negociações e de
aumento da autonomia
das empresasna
fixação da
remuneração,
onde
a participação nos lucros é estimulada fornecendo sua intensificação.As
negociações aconteciam defonna
descentralizada,onde
uma
empresa
negociava
com
mn
ou
mais sindicatos.O
governo visa o enfraquecimento dasrepresentações dos trabalhadores nos locais de trabalho.
23
TUMA
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dos
salários? São Paulo: Ltr, 1999. p. 93
24
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dos salários? São Paulo: Ltr, 1999. p.107 e 108
Segundo
TUMA25:
“as váriasforma
de participação financeira dostrabalhadores instituídas pelos
govemos
Thatcher eMajor
prescindem a aprovação dosbeneficiários
ou
de seus representantes para entrarem
prática”.Existe
no
reinoUnido
dois tipos de participação nos lucros, a“approved profit
sharing e
o
profit-related-pay.O
primeiro éuma
fonna
de participação nos lucroscom
pagamento
diferido mas, neste caso, é feita, preferencialmenteem
ações.O
segundo é feitocom
pagamento
imediatoem
dinheiro.No
México,
a participação nos lucrosou
resultados foi previstana
Constituiçãode 1917.
SARASATE26
diz que, “ o art. 123, § VI, consagrou a sistemática de participaçãocomo
um
dos direitos dos trabalhadores e o art. 11, ordenouque
de imediatofossem
postasem
vigor as bases constitucionais sobre o trabalho”.A
participação financeira dos trabalhadorestomou-se
obrigatória.As
empresas
com
mais
deum
ano de funcionamento (ou dois anosno
caso de fabricação de produtosnovos)
devem
distribuir10%
do
lucro aos seus empregados, excluídoso
quadro superior edirigentes.
Na
Venezuela,há
uma
lei datada de 1975,que
determina a distribuição dosseus lucros líquidos anuais, entre seus funcionários,
na
base de10%,
sendo seupagamento
efetuado entre 15 e60
dias de salário.LOBOS27
diz que:“em
1976, esse valor era,em
média, de
aproximadamente
US$
112,00no
setor de serviços e deUS$
1.400,00no
depetróleo.
A
maioria dos trabalhadores recebia anualmente entreUS$
2.323,00 eUS$
699,00”.Comenta
aindaque
um
quartodo pagamento fica
retidoem uma
conta bancária elá
permanece
durante cinco anos atéque
o montante supereUS$
800,00”.25 z- .. ,..
-¬..,..
..,..TUMA,
Fabia. Partzczpaçao nos Lucros ou Resultados: Incentivo a eficzencza ou a substztuzçao dossalários? São Paulo: Ltr, 1999. p.108
26
SARASATE,
Paulo. Participação nos Lucros e na vida das empresas. Rio de Janeiro. Livraria FreitasA
participação nos lucrosou
resultados nosEUA,
foi instituídaem
1797,em
uma
fábrica de vidro localizadana
Pennsylvania.Mas
sóum
século depois éque
o sistemapassou ser utilizado entre
um
número
significativo de empresas.Na
época, aorigem da
participação nos lucros foi primordialmente religiosa, pois
uma
facçãodo
clero protestanteacreditava
que
o sistema de participação seria a soluçãoadequada
para resolver osproblemas sociais
da
época.LOBOS28
expõe
que: .O
líderdo
grupo, Paine Gilman, publicouum
livro sobreo
assuntoem
1892,fundando
também
a Associação pelapromoção da
Participação nos Lucros, quatro anosmais
tarde. Dentre os praticantes estavam, William
Cooper
Procter,
que
tinha implantadoum
sistema de participação noslucros
na
sua empresa, a Procter&
Gamble.
Com
esse plano, os lucrosda empresa eram
compartilhados entre o capital e osempregados na
mesma
proporção existente entreo
custo totalde produção e 0 total dos salários. Isso proporcionava a cada
empregado
o recebimento semestral de dividendosem
dinheiro, proporcional a sua renda. Vinte anos
mais
tarde,devido a turbulência trabalhista criada pelos sindicatos, fazia
com
que
osempregados
tivessemmais
atenção a participaçãonos lucros.
Durante e imediatamente após a
Segunda
Guerra Mundial, os trabalhadoresamericanos
não
tiveramaumento
em
seus salários,com
isso, a participação nos lucros eravista
como
uma
forma de
atrair e reter bons trabalhadores.LOBOS29
diz que:27
LOBOS,
JúlioA
.
A
Participação dos trabalhadores nos lucros das empresas. São Paulo: Hamburg, 1990.p.32
28
LOBOS,
Júlio
A
.A
Participação dos trabalhadores nos lucros das empresas. São Paulo: Hamburg, 1990.p. 12
'
29
LOBOS,
Júlio
A
.A
Participação dos trabalhadores nos lucros das empresas. São Paulo: Hamburg, 1990.Em
1946, a Receita Federal dos EstadosUnidos
tinha avaliado 2.471 planos de participação nos lucros, sendoque
desse montante,
metade foram
implantados. Eleafirma
também, que na
década seguinte,mais
outros 6.000 planossemelhantes juntaram-se aos anteriores.
Na
décadade
70,mesmo
estando os planos de participação nos lucros melhoresdo que
os de participação acionária, muitas empresassofreram prejuízos, e prejudicaram a validade
do
sistemade
participação nos lucros que estava,
em
vigência. Citacomo
exemplo, o caso dos ativos financeiros
do
plano departicipação nos lucros
da
SearsRoebuk, que diminuíram
deUS$
3,8 bilhões,em
1971, paraUS$
2,9 bilhões,em
1973.Mesmo
as empresas obtendo prejuízos, elas continuaram seus planos departicipação nos lucros, garantindo
uma
contribuição mínima, independente de qual fosseo
nível de lucro. ~
Mas
o saldoda
década de70 acabou
sendo positivo para o sistema departicipação nos lucros,
em
1978, por exemplo,foram
aprovadosmais
28.634 planos departicipação nos lucros
no
país.No
Brasil, a primeira tentativa para a implantaçãodo
sistema de participaçãonos lucros
na
legislação, foiem
1919. Foi apresentado aCâmara
um
projeto de leique
tratava sobre o assunto e esse projeto foi defendido pelo deputado
Deodato
Maia.Em
1919, a união dosEmpregados
do
Comércio, apresentouum
“memorial”
àCâmara
,em
queeram
discutidos benefícios para o trabalhador, inclusive tratavam sobre aparticipação dos
empregados
nos lucros.O
mineiroAugusto
de Lima3°,comentou
sobre omemorial
em
uma
conferência e escreveu 0 seguinte texto:
3°
SÀRASATE,
Paulo. Participação nos Lucros e na vida das empresas. Rio de Janeiro. Livraria FreitasTrabalho, porque
um
e outro são funçõesdo
mesmo
organismo, a solução é criar entre estas duas funções laços de
interdependência e solidariedade.
O
Capital alimenta oTrabalho; o Trabalho multiplica o Capital. Este é o enunciado
econômico, traduzindo
uma
lei por todos reconhecida.A
solução
econômica
será,como
ébem
claro, fazerque
otrabalho participe
do
Capital, segundo o valorda
atividadecom
que tiver concorrido cada órgãodo
trabalho.O
rendimento é
uma
funçãodo
Capital, porqueo
trabalhoo
provoca e
mantém.
O
salário, taxa fixa,nunca
prenderia oTrabalho ao Capital.
A
solução jurídica, coincidindocom
aeconômica, auxiliará esta,
definindo
a proporção de acordocom
os princípiosda
justiça e o respeito à propriedade, representada pelo Capital, que por sua vez é expoente deesforços
acumulados
pelo trabalho; se o operário fabril,o
empregado do
comércio tiver a certeza de que, zelando edesenvolvendo o Capital, vai participar
do
seu rendimento,será o seu guarda
mais
fiel e o seu servidor mais ativo. Trata-se de seu próprio interesse.
Segundo
SARASATE31,
em
1920,o
deputadoAugusto
de Lima, apresentouum
projeto de lei sobre o “trabalho comercial”,onde
tratava que “os comerciários,empregados
de sociedadesanônimas
ecompanhias
limitadas terão o direito à percepçãoanual de
uma
percentagem sobre o lucro das empresas, proporcional aos vencimentosde
cada emprego”.
Em
1936, Osvaldo Lima, elaborou outro projeto de lei sobre a participação noslucros.
Mas
não
obteve êxito, dentre vários motivos,SARASATE32
destaca “à dissoluçãodo
Congresso,no ano
seguinte. Durante toda vigênciada
Constituição de 1937,não
sevoltou a falar sobre a participação nos lucros e sobre a regulamentação a
mesma”.
Para
TUMA”
, aPLR
estava prevista-na constituição brasileira, desde 1946,no
art. 157, XI:
31
SARASATE,
Paulo. Participação nos Lucros e na vida das empresas. Rio de Janeiro. Livraria Freitas
Bastos S/A, 1982. p. 117
'
32
SARASATE,
Paulo. Participação nos Lucros e na vida das empresas. Rio de Janeiro. Livraria FreitasBastos S/A, 1982. p. 117
33
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficíêncía ou a substituição dos
aos seguintes preceitos,
além
de outrosque visem
à melhoriada
condição dos trabalhadores:IV
-
a participaçãoobrigatória e direta
do
trabalhador nos lucros das empresas,nos termos e pela
forma que
a lei detenninar.Mas também
em
1946, foram emitidos 2documentos
importantes,que
tratavam
do
assunto.A
“Carta daPaz
Social”, de janeiro de 1946, éum
deles,que
foielaborada pelas classes produtoras
do
país, que falavamda
participação indireta.O
outrodocumento, foi elaborado através conclusões
do
II Congresso Brasileiro de Direito Social,que
foi realizadoem
São
Paulo, de 12 a 19de maio
de 1946.Com
o intuito de ressaltar, os doisdocumentos
SARASATE34,
citaum
trecho, tirado dos incisos 4, 5 e 6,da
Cartada Paz
Social,que
falava 0 seguinte:Com
o objetivo de atender as necessidades sociais urgentes ede propiciar aos trabalhadores
do
campo
eda
cidademaior
soma
debem
estar e igualdade de oportunidades,propõem-
se os empregadores a criar
um
fundo social a ser aplicadoem
obras e serviços
que
beneficie osempregados
de todas as categorias, eem
assistência socialem
geral, repartindocom
os institutos existentes as atribuições assistências e demelhoramento
fisico e cultural da população.O
objetivodo
fundo social é
promover
a execução demedidas
que,não
sómelhorem
continuamente 0 nível de vida dos empregados,mas
lhe facilitem osmeios
para seu aperfeiçoamento cultural e profissional.V
O
Fundo
Social será constituído por urna contribuiçãode
cada empresa, agrícola, industrial e comercial,
ou
de outranatureza, retirada dos lucros líquidos de seu balanço
levantado nas condições prescritas pela legislação
do
impostosobre a renda.
A
forrna de arrecadação as percentagensanuais dessa contribuição serão
fixadas
demodo
a atender àsnecessidades
do
plano assistencial.A
administraçãodo
Fundo
Social será organizada de maneiramais
apropriada e eficiente, de acordocom
a experiência, sejadentro das empresas, seja
com
o agrupamento
destas, pormeio
de comissões mistas locais,compostas de
representantes de empregadores e empregados, sendo
preferível,
sempre que
possível, destinar, aos trabalhadores e34
SARASATE,
Paulo. Participação nos Lucros e na vida das empresas. Rio de Janeiro. Livraria Freitasda empresa
aque
pertencem.A
fomia
dessa administraçãoserá decidida após consultas aos empregadores e empregados,
de maneira a
melhor
atender aos anseios gerais.35
Após
o citado texto,SARASATE
, fala das conclusões sobre a participaçãonos lucros
ou
resultados,que foram
extraídasdo
II Congresso de Direito Social:“O
II Congresso de Direito recomenda:a) “que se entende por participação dos
empregados
nosresultados
da empresa
aconvenção
tácitaou
expressano
contratodo
trabalho, a qual o trabalhador,além do
saláriopessoal convencionado,
fixo
ou
não, costumeiroou
profissional,tem
direito a receberuma
parte variável,conforrne os resultados
da
empresa;b)
que
o salário básico deverá ser de preferóenciao
profissional, partindodo
saláriomínimo
familiar relativo;c)
que
este salário básico, fora os casos previstosem
lei,seja irredutível, independente
da
existóencia de excedente adistribuir; '
d)
que
aforma
de aplicaçãodo
excedente seja depreferência mista, isto é, parte dos beneficios entregue
diretamente ao trabalhador, e parte destinada à criação
de
obras de utilidade coletivada
própria empresa, de associaçõesde empresas
ou
de criação de obras de utilidade coletivada
própria empresa, de associações de empresas
ou
de criação emanutenção
sindical;e)
que
afomia
desta distribuição seja coletiva, isto é,atribuída a todos os empregados,
podendo
a lei fixar certascondições mínimas,
como
tempo
de trabalho, assiduidade eprodutividade, para
que
o trabalhador possa gozarintegralmente
da
participação;f)
que
o instituto de participação considere anecessidade,
no
Brasil, da formação e ampliação de capitais,entre outras modalidades, pela aplicação obrigatória
da
partedos excedentes a distribuir entre os empregados,
na
aquisiçãode títulos representativos de capital e de crédito;
g)
que
seja inicialmente facultativa, apenas reguladaem
seus efeitos pela lei,
com
a proibição de certasnomias
decomprovada
pemiciosidade,conforme
as experiências járealizadas;
35 -- ...
SARASATE,
Paulo. Participaçao nos Lucros e na vida das empresas. Rio de Janeiro. Livraria FreitasBastos S/A, 1982. p. 122
normas
estas baseadas nos ensinamentos queo
períodoexperimental fornecer;
i)
que o
Estado estude a criação de favores fiscais eoutros para as empresas
que
adotarem a participação;j) que se utilize parte dos recursos proporcionados pela
participação nos resultados das empresas,
na manutenção de
obras de beneficio coletivo a cargo da empresa,da
associaçãode grupos de empresas
ou
ainda sindicatos”.'
Já
em
1967, segundoTUMA36,
“a constituiçãopromulgada
sob o regimemilitar conservou o preceito anterior ( constituição de 1946),
com
modificações
(art.158,V)
mantidas pelaEmenda
Constitucional de 1969”.V-
integraçãona
vida eno
desenvolvimentoda
empresa,com
participaçãonos lucros e, excepcionalmente,
na
gestão,segundo
for estabelecidoem
lei”.Em
abril 1995, segundoTUMA37,
“foi editada aMedida
Provisória n.° 980,que regulava sobre a
PLR
para as empresas públicas, pois a partir desta data, a participaçãodos trabalhadores nos lucros
ou
resultados das estatais federais (empresasem
que
aUnião
detêm
a maioriado
capital votante) passou a exigir regulamentação própria, oque
ocorreuatravés de Resolução n.° 10
do
Conselho deCoordenação
e Controle dasEmpresas
Estatais, de
30
demaio
de 1995”.A
Constituição de 1988 incluiuno
Capítulo ll,Dos
Direitos Sociais,o
art. 7°,inciso XI,
que
determina o direito aos trabalhadores urbanos e rurais a participarem noslucros
ou
resultadosda
empresa, desvinculados de sua remuneração, e, excepcionalmente,participação
na
gestãoda
empresa,conforme
a lei.Com
o objetivo de regulamentar aparticipação nos lucros, vários projetos de lei
foram
levados ao Congresso Nacional,mas
nenhum
deles trouxe resultado favorável.Somente
em
1994, a participação nos lucros foiprevista pela
Medida
Provisória n.° 794, que, aindanão
sendo convertidaem
lei,vem
36
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dossalários? São Paulo: Ltr, 1999. p. 185
37
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dossendo constantemente reeditada,
com
algumas
alterações, sendoque
a mais recente é aMedida
Provisória n.° 1982-72 de20
dejunho
de 2000. .Todas
as publicações,da
Medida
Provisória,que
trata sobre aPLR,
até omomento
possuem
omesmo
art. 1°,que
diz:“Esta
Medida
Provisória regula a participação dos trabalhadores nos lucrosou
resultadosda empresa
como
instrumento de integração entre o capital eo
trabalho ecomo
incentivo à produtividade, nos termosdo
art. 7°, inciso XI,da
Constituição”.38De
acordocom TUMA39,
“o tratamentodado
ao longo dos anos demedidas
provisórias à participação sindical
no
processo de negociação daPLR
revela a intenção dealijar os sindicatos
da
referida integração entre o capital e o trabalho”.Na
1°MP,
0 zm. 2° dúzizz“Toda empresa
deverá convencionarcom
seus empregados, mediantenegociação coletiva, a
forma
de participação destesem
seus lucros e resultados”.4°Como
a medida,não
fez referência ao sindicato, emesmo
sabendoque
aconstituição lhes confere o papel de representantes dos trabalhadores nas negociações
coletivas, ela foi muito criticada.
Com
a ediçãoda nova medida
provisóriano
mês
seguinte, ao invés de o sindicato ser incluído
na
medida, anova
redação procurou excluí-los, deixando a negociação direta entre patrões e empregados.
A
medida
provisória traziaoseguinte texto:
“Toda
empresa
deverá convencionarcom
seus empregados, pormeio
decomissão por eles escolhida, a
forma
de participação daquelesem
seus lucros e38
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dossalários? São Paulo: Ltr, 1999. p. 188
39
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dosresultados”.41
Apenas
é citado o sindicato de acordocom
TUMA,
no
parágrafo 2° ,do
mesmo
artigo, dizendoque
é reservado à entidade sindicalo
papel de arquivar oinstrumento de acordo celebrado.
Mas
em
agosto de 1997, segundoTUMA42,
“a presença sindical foi admitida,mas
lhes permitindo apenas a indicação deum
membro
da comissão:A
participação noslucros
ou
resultados será objeto de negociação entre aempresa
e seus empregados,mediante comissão por estes escolhida, integrada, ainda, por
um
representante indicadopelo sindicato
da
categoria”.Com
isso gerandoum
conflito entreempresa
e empregados.De
acordocom
TUMA”,
“em
junho
de 1998, foi feitamais
uma
alteraçãono
art. 2° ,
que
fala sobre a participação sindical.O
texto diz que:A
participação nos lucrosou
resultados será objeto de negociação entre a
empresa
e seus empregados, medianteum
dosprocedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de
comum
acordo: I-
comissão
escolhida pelas partes, integrada,
também,
porum
representante indicado pelo sindicatoda
respectiva categoria, dentre osempregados da
empresa; II-
convenção ou
acordocoletivo”.
Segundo
TUMA44,
“as negociaçõespodem
ocorrer entre sindicatos decategorias profissionais e econômicas,
que
representam várias empresas,finnando
convenções
coletivas”.Podem também
se darentre os sindicatos de trabalhadores euma
ou mais
empresas,que
resultariamem
acordo coletivos.4°TUMA, Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dos
salários? São Paulo: Ltr, 1999. p. 189
41
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dossalários? São Paulo: Ltr, 1999. p.l89 42
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dos
salários? São Paulo: Ltr, 1999. p.l9O
43
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiência ou a substituição dossalários? São Paulo: Ltr, 1999. p.l9O
44
TUMA,
Fábia. Participação nos Lucros ou Resultados: Incentivo à eficiêncía ou a substituição dosAinda segundo
TUMA45,
“até aMedida
Provisória de30
de junho de 1998, asmedidas
provisóriasda
PLR, jogavam
a negociação desta remuneração para o âmbitoda
empresa.
Diziam que
era aempresa
que iria negociar, valendo-se de índices deprodutividade, qualidade
ou
lucratividade da própriaempresa
edefinindo programas
demetas pactuados”.
De
acordocom
TUMA46,
“como
a constituição de 1998, afastouum
dosmaiores problemas para a
adoção
daPLR,
explicitandoque
está desvinculadada
remuneração,
com
isso quis dizerque
aPLR
pode
ser aumentada, reduzidaou
excluídaem
função de regras próprias,
que
não asque
regem
o comportamento do
salário,que
corresponde a parcela
fixa
da remuneração.As
Medidas
Provisória, que ao longo dos anosvem
regulando aPLR,
reforçamque
esta está totalmente desvinculadado
salário, sendo tratadacomo
um
abono
salarial.E
ainda,
dão
isenção de qualquer encargo trabalhista sobre aPLR
(FGTS, INSS,
salárioeducação,
SAT
e as contribuições para as empresasdo
sistema S e para oINCRA).
De
acordocom
o art.3° , daMedida
Provisória n.° 1982-70,temos
que:“A
participação de que trata 0 art. 2°não
substituiou complementa
aremuneração
devida a qualquer empregado,nem
constitui base de incidência de qualquerencargo trabalhista,
não
se lhe aplicando 0 princípio da habitualidade”Com
isso, as empresas deveriam adotar o sistema dePLR,
para que seus custoscom
o trabalho atépudessem
ser reduzidos,em
funçãoda
isenção dos encargostrabalhistas.
A
empresa
terátambém
a isençãodo
Imposto deRenda
atribuído a pessoajurídica, considerando a
PLR
como
despesa operacional, reduzindocom
issoo
lucro a ser45