Universidade Nova de Lisboa
NOVA Medical School I Faculdade de Medicina de Lisboa
ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE
RELATÓRIO FINAL – 6º ANO
MESTRADO INTEGRADO EM MEDICINA
Mariana Simões Beja
Nº de aluno: 2012277
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Relatório Final – Mariana Simões Beja
ÍNDICE
1. Introdução……….2
2. Atividades desenvolvidas………...3
Estágio clínico de Cirurgia Geral………3
Estágio clínico de Medicina Interna………..3
Estágio clínico de Saúde Mental………4
Estágio clínico de Medicina Geral e Famíliar………...4
Estágio clínico de Pediatria………5
Estágio clínico de Ginecologia e Obstetrícia………5
Formação extracurricular………6
3. Reflexão crítica geral………..7
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Relatório Final – Mariana Simões Beja
INTRODUÇÃO
O 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) da Nova Medical School I Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa é um ano profissionalizante, que se encontra organizado por seis estágios parcelares em especialidades indispensáveis para a formação abrangente de um futuro médico. Assim, procura-se que o aluno ponha em prática os conhecimentos teóricos adquiridos ao longo do curso e adquira uma crescente autonomia na prática clínica. Desta forma, e tendo como referência o documento “O Licenciado Médico em Portugal”, são por mim estabelecidos os seguintes objetivos para o presente ano: desenvolver técnicas de colheita de história clínica e raciocínio clínico, tornando-me capaz de reconhecer as patologias médicas mais comuns; propor a implementação de um plano de gestão de cuidados, recomendando a instituição de terapêutica adequada com base no modelo biopsicossocial; consolidar aptidões de comunicação e empatia com os doentes e famílias, focando-me na importância da criação de uma relação médico-doente; aplicar os princípios éticos e deontológicos durante a minha atividade clínica; e integrar a equipa médica numa perspetiva de articulação multidisciplinar, que permita a aquisição de autonomia progressiva e participação ativa nas diferentes atividades.
O presente relatório procura descrever e analisar as atividades realizadas ao longo do 6º ano, iniciando-se com a apresentação da organização do mesmo e a exposição dos objetivos gerais definidos no inicio do ano (introdução), descrevendo-se posteriormente o trabalho desenvolvido em cada estágio parcelar e nas atividades extracurriculares (atividades desenvolvidas). No presente relatório consta também uma reflexão crítica geral, na qual são analisadas as atividades realizadas e, por fim, podem ser consultados os diplomas em anexo de elementos valorativos, anteriormente referidos como atividades extracurriculares.
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ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
A. ESTÁGIO CLÍNICO DE CIRURGIA (10.09.2017 a 3.11.2017)
O estágio clínico de Cirurgia decorreu durante 8 semanas no Hospital da Luz, tutelado pelo Dr. João Rebelo de Andrade. Os objetivos inicialmente propostos foram: conhecer as principais síndromes cirúrgicas; saber e aplicar a linguagem e a terminologia cirúrgica; e enquadrar-me na dinâmica do bloco operatório, com vista à observação e posterior realização de procedimentos técnicos. Durante a primeira semana, foram lecionadas aulas teórico-práticas no Hospital Beatriz Ângelo, onde se procurou rever conteúdos teóricos importantes para a posterior prática cirúrgica, terminando com a realização do curso TEAM. As restantes semanas decorreram no Hospital da Luz e foram subdivididas em duas semanas nos Cuidados Intensivos, onde consolidei os meus conhecimentos sobre a abordagem de um doente crítico, e cinco semanas em Cirurgia Geral. Durante este último período, destaco a minha participação no total de 21 cirurgias como 1ª ou 2ª ajudante, sempre com um aumento gradual de autonomia, o que me permitiu ganhar mais segurança na realização dos procedimentos cirúrgicos. Estive presente também na consulta externa, onde observei doentes com patologia colo-rectal, e na sala de pequena cirurgia. No último dia de estágio, apresentei no mini congresso um trabalho intitulado de “Doença Rectal? Abordagem Recta!”.
B. ESTÁGIO CLÍNICO DE MEDICINA INTERNA (6.11.2017 a 12.01.2018)
O estágio clínico de Medicina Interna decorreu no Serviço de Medicina IV do Hospital São Francisco Xavier, tutelado pelo Dr. José Guia, durante 8 semanas. Os principais objetivos propostos consistiram em saber os princípios gerais de atuação das patologias médicas mais comuns, sendo capaz de diagnosticar e propor terapêutica adequada; perceber a importância da decisão partilhada através da integração numa equipa médica e adquirir uma crescente autonomia na realização de procedimentos médicos fundamentais. A minha atividade clínica foi desenvolvida predominantemente na enfermaria, onde acompanhei diariamente os doentes que me eram atribuídos (em média 2 doentes/dia). Observei um total de 30 doentes, frequentemente com patologia multiorgânica e, todas as semanas, realizava a apresentação dos mesmos nas reuniões
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de serviço. Estive presente na realização de algumas técnicas como colocação de cateteres venosos centrais, realização de paracentese e ecografia torácica. Realço também o contacto diário com as equipas de enfermagem, assistente social e fisioterapeuta, percebendo a importância do trabalho em equipa e articulação com os vários profissionais. Frequentei todas as semanas o Serviço de Urgência (SU) e estive presente nos seminários de medicina que decorreram na faculdade. No final do estágio, apresentei um trabalho intitulado de “Doença crónica – os custos e a carga da doença”.
C. ESTÁGIO CLÍNICO DE SAÚDE MENTAL (22.01.2018 a 16.02.2018)
O estágio clínico de Saúde Mental decorreu no Hospital de Dia (HD) do Hospital Fernando da Fonseca, durante 4 semanas, sob a orientação do Dr. João Carlos de Melo. Como objetivos específicos considerei: identificar sintomas de perturbação psiquiátrica e elementos patológicos da personalidade, aumentando os meus conhecimentos de diagnóstico e intervenção clínica em Psiquiatria, e desenvolver uma relação interpessoal com o doente com patologia psiquiátrica através do contacto diário com o mesmo. Nos dois primeiros dias de estágio, foram lecionadas aulas teóricas na faculdade, onde se descreveu a correta abordagem de várias patologias psiquiátricas agudas e se abordou o estigma em Saúde Mental. No restante período, integrei a Equipa do HD e estive presente na maioria das atividades da equipa médica, equipa de enfermagem e terapia ocupacional, o que tornou o meu estágio mais completo e diversificado. Embora tenha sido um estágio fundamentalmente observacional, tive a oportunidade de realizar uma entrevista clínica sozinha. Estive também presente no SU e, pontualmente, no Internamento de psiquiatria, o que proporcionou o contacto com patologia aguda e aumentou o meu conhecimento sobre a prescrição terapêutica nestes contextos.
D. ESTÁGIO CLÍNICO DE MEDICINA GERAL E FAMÍLIAR (19.02.2018 a 16.02.2018)
O estágio clínico de Medicina Geral e Familiar (MGF) decorreu na USF São João do Estoril, tendo sido orientada pela Dra. Filipa Manuel durante 4 semanas. O estágio tinha como principais
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objetivos: saber identificar e gerir os problemas de saúde mais frequentes da comunidade; ganhar autonomia para uma abordagem correta aos doentes, tendo em conta os seus aspetos psicossociais, culturais e familiares; e adquirir competências para a realização de um plano de cuidados, sabendo gerir a complexa multi-morbilidade e polimedicação bem como a utilização dos recursos disponíveis. No decorrer do estágio, assisti a várias consultas das 4 diferentes áreas de MGF nomeadamente consulta de saúde de adultos, doença aguda, saúde infantil e juvenil e planeamento familiar, tendo conduzido uma consulta sozinha. Destaco a prevalência de patologia cardiovascular e metabólica nos doentes observados, bem como a observação da realização de algumas infiltrações peri-articulares em consulta. Acompanhei a equipa de enfermagem durante um dia, percebendo a complexidade dos cuidados primários prestados aos doentes, e a realização de visitas domiciliárias.
E. ESTÁGIO CLÍNICO DE PEDIATRIA (19.03.2018 a 20.04.2018)
O estágio clínico de pediatria decorreu durante 4 semanas no Hospital Dona Estefânia, tutelado pelo Dr. João Farela Neves. Foram definidos os seguintes principais objetivos: reconhecer as patologias da criança e adolescente mais comuns; desenvolver técnicas de colheita de história clínica e realização do exame objetivo procurando chegar ao correto diagnóstico e posterior proposta terapêutica; e desenvolver competências de comunicação com a criança e familiares. Ao longo do estágio, acompanhei o meu tutor na sua atividade clínica nomeadamente consulta externa de Imunodeficiências Primárias, Hospital de Dia e, pontualmente, na Enfermaria. Tive a oportunidade de assistir a consultas de HIV e de Imunoalergologia, e todas as semanas, frequentei o SU, onde ajudei na marcha diagnóstica de doentes com patologia aguda. No final do estágio, apresentei um trabalho intitulado de “Infeção HIV pediátrica: diagnóstico inaugural”.
F. ESTÁGIO CLÍNICO DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (23.04.2018 a 18.05.2018)
O estágio de Ginecologia e Obstetrícia decorreu durante 4 semanas no Hospital Fernando da Fonseca, sob a orientação da Dra. Elsa Landim. Foram estabelecidos os seguintes objetivos
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principais: adequar a colheita de história clínica para a semiologia de ginecologia e obstetrícia e saber como atuar nas patologias mais comuns; e adquirir autonomia na observação ginecológica e obstétrica. Durante o meu estágio, tive a oportunidade de estar presente nas várias atividades do serviço, nomeadamente consulta externa de obstetrícia e de neoplasia ginecológica, enfermaria de ginecologia e obstetrícia, bloco de partos e bloco operatório, onde ajudei em 3 cirurgias ginecológicas e 1 cesariana. Realço também a minha participação na consulta de ginecologia, onde realizei sozinha várias vezes a observação ginecológica e colheita de citologias. No fim do estágio, apresentei um trabalho sobre colestase gravídica.
G. FORMAÇÃO EXTRACURRÍCULAR
Assim como referiu Abel Salazar “O médico que só sabe de Medicina, nem de Medicina sabe”, acredito também que aquilo que realizamos fora da faculdade é um importante complemento à nossa formação enquanto futuros médicos. Ao longo dos seis anos de curso, fui dirigente na 1ª Companhia de Carcavelos, da Associação Guias de Portugal. Através da realização de atividades para raparigas dos 6 aos 17 anos em prol do seu crescimento e educação enquanto cidadãs ativas e responsáveis, desenvolvi inúmeras competências ao nível da responsabilidade, tomada de decisão e trabalho em equipa. Durante o presente ano, fiz parte da equipa de organização das
Mafeking Talks, um evento de dimensão internacional, onde se partilhou o que de melhor se faz no
Esc(ou)tismo e Guidismo em Portugal e no Mundo. Este evento esteve inserido no programa da Capital Europeia da Juventude – Cascais 2018, e contou com a presença de sensivelmente 300 participantes. Fazer parte da organização desta atividade, que juntou, pela primeira vez, jovens das três associações, possibilitou-me adquirir ferramentas necessárias para a organização de um evento em grande escala, mas também lidar com diferentes obstáculos que podem surgir na realização de um evento a este nível (Anexo I). Saliento também a minha participação em várias atividades de cariz social, nomeadamente na Refood e no Banco Alimentar contra a Fome, onde fui chefe de equipa durante 4 campanhas seguidas. Em todas estas atividades tenho a oportunidade de tomar contacto com diferentes realidades da população portuguesa, algo com que também vou
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deparar-me num futuro enquanto médica (Anexo II e III). Ao longo do curso, realizei também dois estágios de caracter opcional, em Ginecologia e Obstetrícia e Neurologia, que foram importantes momentos de formação (Anexo IV e V). Considero também que é importante conhecermos novas realidades, novas formas de atuar e agir de forma a alargar os nossos horizontes e foi isso que me influenciou a estudar em Bolonha, no segundo semestre do 4º ano de faculdade, através do programa Erasmus (Anexo VI). Realizei também um estágio de um mês em Ginecologia e Obstetrícia na Indonésia, no final do 5º ano através da IFMSA. Foi, sem dúvida, uma experiência bastante enriquecedora e única. Não só pela variada patologia observada e pelas oportunidades que me foram dadas ao longo do estágio, realizando vários procedimentos pela primeira vez, mas principalmente pelo contexto sociocultural e económico tão diferente que me permitiu aprender a atuar em prol do bem-estar dos doentes com escassos recursos disponíveis (Anexo VII). São estas as experiências que nenhum cidadão esquece, mas como médica estas são as que certamente me definirão.
REFLEXÃO CRÍTICA GERAL
Concluindo o Estágio Profissionalizante, que procura dar-nos ferramentas para a nossa prática clínica enquanto futuros médicos, considero que atingi os objetivos inicialmente propostos. A passagem pelas diversas especialidades permitiu-me reconhecer as patologias médicas mais comuns, sentindo-me atualmente capaz de abordar de forma mais completa os meus doentes. A aquisição gradual de autonomia foi fundamental para, através do maior contacto com os doentes e seus familiares, perceber a importância da comunicação empática e da criação de uma boa relação médico-doente. Na maioria dos estágios, integrei-me na equipa multidisciplinar onde fui inserida, conseguindo trabalhar em equipa e comunicar com os restantes profissionais de saúde que, ao partilharem os seus conhecimentos, permitiram que eu tivesse uma perceção mais real da Medicina diferente daquela que aprendo nos livros. Apesar de ter evoluído muito ao longo deste ano, e sentir mais confiança e segurança para tomar determinadas decisões, apresento ainda algumas
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dificuldades ao nível da instituição da terapêutica adequada, sendo que necessito ainda de aprofundar mais o meu conhecimento nesta temática.
Analisando mais detalhadamente cada um dos estágios profissionalizantes realizados, concluo que os objetivos foram globalmente alcançados. Realço a vantagem do rácio tutor/aluno que permite um maior aproveitamento do estágio, bem como a minha passagem por diferentes hospitais, onde contatei com doentes em diversos contextos socioeconómicos. O estágio de Cirurgia Geral foi sem dúvida um momento bastante enriquecedor para a minha formação pela sua elevada componente prática. A autonomia crescente dada pelo meu tutor permitiu-me ter mais confiança e segurança no bloco operatório, melhorando assim a técnica de desinfeção e realização de suturas. O estágio de
Medicina Interna permitiu-me, também, adquirir uma maior segurança e confiança no meio
hospitalar. O elevado tempo despendido na enfermaria a observar os doentes pelos quais estava responsável, fez-me adquirir conhecimentos e competências para a correta abordagem aos mesmos, aperfeiçoando o meu raciocínio clínico e tomada de decisões. No estágio de Saúde
Mental, destaco o meu contacto diário e próximo com os doentes no HD, onde consegui criar uma
relação interpessoal com os mesmos, quebrando assim os estigmas inerentes ao doente com patologia psiquiátrica que tinha previamente. Saliento apenas que teria sido mais vantajoso a possibilidade de rotatividade pelas várias unidades especificas de atuação do serviço ao longo do estágio, possibilitando uma visão mais holística da especialidade. No estágio de Medicina Geral e
Familiar, reforço o meu contato com os problemas de saúde mais frequentes da comunidade,
observando, na maioria, doentes com multimorbilidade e polimedicados, realidade cada vez mais frequente atualmente. Penso que teria sido importante ter tido a oportunidade de orientar um maior número de consultas, de forma a ganhar mais segurança na abordagem aos doentes. Do estágio de Pediatria, destaco o contacto próximo com crianças com prognóstico reservado, que me permitiu aprender a lidar com as más notícias e a saber como transmiti-las da melhor forma às pessoas próximas dos doentes. Considero que teria sido mais benéfico ter estado inserida numa área menos especializada, que me permitisse a passagem mais regular pela enfermaria e o
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contacto com um maior número de patologias pediátricas, embora esta falta tenha sido parcialmente colmatada com a minha passagem semanal pelo SU. Por último, o estágio de Ginecologia e
Obstetrícia, apesar de ter sido na sua maioria observacional, permitiu-me consolidar os
conhecimentos ao nível da semiologia e das patologias mais comuns da mulher, graças à passagem pelas várias valências da especialidade.
O presente ano de estágio profissionalizante foi, sem dúvida, o mais desafiante de todo o curso, mas também o mais enriquecedor. Aprendi muito dentro e fora das paredes do hospital, e considero que adquiri competências indispensáveis para o meu desenvolvimento profissional e pessoal, que certamente me ajudarão nos desafios futuros enquanto médica. Para finalizar, gostaria de agradecer a todos os professores, profissionais e colegas que se cruzaram no meu caminho ao longo destes seis anos, tendo todos sido fundamentais para concluir esta etapa da minha formação.
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ANEXOS
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Anexo VII: Certificado do estágio realizado pela IFMSA, em Surabaya - Indonésia