ÍNDICE
INTRODUÇÃO ... 2
ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ... 2
Estágio parcelar de Cirurgia Geral ... 2
Estágio parcelar de Medicina Interna ... 3
Estágio parcelar de Saúde Mental ... 4
Estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar ... 4
Estágio parcelar de Pediatria ... 5
Estágio parcelar de Ginecologia e Obstetrícia ... 6
REFLEXÃO CRÍTICA FINAL ... 6
INTRODUÇÃO
O sexto ano é um ano marcante no percurso académico de qualquer estudante do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) da NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas (NMS|FCM). Afinal, trata-se do culminar de uma primeira etapa naquela que é a aprendizagem contínua e permanente que caracteriza a vida do Médico. Através da cadeira Estágio Profissionalizante, que se desenrola num sistema de rotação por diversas áreas clínicas (ver Anexo 1), pretende ser um ano de consolidação e aquisição de conhecimentos teóricos, de treino e aperfeiçoamento de competências práticas, de crescimento e desenvolvimento pessoal e, acima de tudo, de progressiva responsabilização e autonomia.
Assim, o presente relatório, objeto de discussão pública, tem como principais objetivos descrever as atividades desenvolvidas no decorrer dos seis estágios parcelares que constituem a cadeira e refletir acerca das mesmas. Para tal, o documento divide-se em três principais secções: a introdução (onde se explicitam os objetivos e estrutura do mesmo), um corpo (onde se expõe sucintamente o modelo dos diferentes estágios parcelares e se descrevem as atividades desenvolvidas ao longo dos mesmos), e uma reflexão crítica final (onde é feita uma análise retrospetiva das tarefas realizadas e do cumprimento dos objetivos de formação). Por fim, poderão ser encontrados em anexo documentos representativos de atividades desenvolvidas no decorrer do MIM e que considero terem tido um impacto relevante no meu percurso académico.
ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
ESTÁGIO PARCELAR DE CIRURGIA GERAL (9 de setembro - 31 de outubro de 2019)
O estágio parcelar de Cirurgia Geral, com a duração total de oito semanas, dividiu-se genericamente em três períodos principais. Ao longo da primeira semana, tiveram lugar múltiplas sessões teóricas e teórico-práticas (incluindo o curso TEAM - Trauma Evaluation And Management) no Hospital Beatriz Ângelo e no Centro de Simulação da NMS|FCM. Nas duas semanas que se seguiram, tive a oportunidade de realizar estágio opcional no serviço de Anestesiologia do Hospital da Luz. Durante estas semanas, e sob a supervisão da Dr. ª Cristina Pestana, pude familiarizar-me com diversos equipamentos de monitorização, ventilação e de administração de fármacos, assim como observar e realizar vários procedimentos, tais como ventilação por máscara facial e laríngea, entubação oro-traqueal, inserção de cateteres venosos centrais e periféricos, colocação de linha arterial e cateterização vesical. Durante as cinco semanas subsequentes, e sob a tutoria do Dr. Paulo Roquete, pude contactar com várias vertentes da Cirurgia Geral no Hospital da Luz. No Bloco Operatório, fui integrada numa
equipa multidisciplinar, tendo observado diversos procedimentos cirúrgicos e participado como ajudante em oito dos mesmos, num total de vinte e quatro cirurgias assistidas (sobretudo na área da Cirurgia Bariátrica e Colorretal). Observei e participei ainda num número considerável de consultas (cerca de cinquenta e quatro), onde contactei com uma maior proporção de pacientes e patologias cirúrgicas, e treinei competências práticas relacionadas com a avaliação pré e pós-operatória. O contacto com a Pequena Cirurgia e o Internamento foi breve, no entanto, importante, já que permitiu recordar e treinar as diferentes técnicas de suturas e identificar passos essenciais na abordagem no período pós-operatório mais imediato. Em todas as semanas, assisti também a reuniões e sessões clínicas multidisciplinares, que incidiram sobre um conjunto de temas e patologias altamente diversificado. Finalmente, na última semana, participei no Mini-Congresso de Cirurgia, onde, em conjunto com o meu grupo de trabalho, apresentei um trabalho intitulado “À terceira é de vez”, sobre o caso de uma doente submetida a várias cirurgias bariátricas.
ESTÁGIO PARCELAR DE MEDICINA INTERNA (4 de novembro de 2019 - 10 de janeiro de 2020) Durante um período de oito semanas, integrei a equipa responsável pelos doentes do sexo masculino do Serviço de Medicina 2.3 do Hospital de Santo António dos Capuchos. Sob a orientação de todo o corpo clínico, e em especial, da Dr.ª Sofia Pinheiro e do Dr. João Oliveira, tive a oportunidade de executar variadas tarefas com progressiva autonomia. Durante a maior parte deste período, a minha atividade foi desenvolvida no serviço de internamento, onde diariamente me eram atribuídos um a três doentes. Ao longo da manhã, competia-me observar os doentes, procurando aferir a evolução das suas queixas e realizar um exame objetivo dirigido e cuidado. Adicionalmente, consultava e interpretava as suas vigilâncias e os resultados de exames complementares, redigia diários clínicos, notas de entrada ou de alta, pedia exames complementares adicionais, caso pertinente, e realizava a revisão terapêutica. No final da manhã, discutia os casos dos doentes com um assistente da equipa, sendo este um momento particularmente importante para o desenvolvimento do raciocínio clínico e para a revisão de conceitos teóricos e sua aplicação prática. Tive também a oportunidade de realizar vários procedimentos, mais ou menos invasivos, nomeadamente, punções arteriais para gasimetria, punções venosas (periféricas e femoral) para avaliação analítica e cultura, e eletrocardiogramas. Na enfermaria, procurei ainda participar ativamente nas visitas médicas do Serviço, onde semanalmente apresentei os casos que me competia acompanhar. Frequentei ainda o Serviço de Urgência do Hospital de São José, onde pude observar doentes com diferentes níveis de gravidade, no Atendimento Geral, no Serviço de Observação ou na Sala de Reanimação. Por último, participei em atividades complementares, das quais destaco seis sessões clínicas e seis aulas teóricas dinamizadas pelos médicos do Serviço 2.3, bem como a apresentação de um trabalho de grupo de caráter opcional e tema livre, intitulado “Emergências Oncológicas”.
ESTÁGIO PARCELAR DE SAÚDE MENTAL (20 de janeiro - 14 de fevereiro de 2020)
Durante um período de quatro semanas, tive a oportunidade de acompanhar a atividade clínica do Dr. Rafael Costa e do Dr. Rui Durval no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL). Ao nível do Hospital de Dia do CHPL, onde se acompanham diariamente doentes em fase de recuperação ou com patologia de difícil controlo, participei nas reuniões semanais dos grupos de trabalho que garantem o bom funcionamento das atividades do serviço. Assisti a múltiplas discussões acerca das situações clínicas e sociais dos doentes aí seguidos, observando que o caráter multi e interdisciplinar dos grupos de trabalho proporciona uma abordagem abrangente e completa do tratamento e reabilitação dos doentes. Sendo este um serviço não direcionado para diagnósticos específicos mas para doentes com necessidade de cuidados intermédios, pude contactar com um leque variado de patologias e de indivíduos (em diferentes fases de doença e com personalidades distintas). Adicionalmente, assisti a cerca de trinta e três consultas em regime de ambulatório que me permitiram observar a realização da anamnese e do exame do estado mental num número alargado de doentes, assim como discutir planos de diagnóstico e tratamento para patologias em diferentes fases de evolução. Num dos dias de estágio, frequentei o Serviço de Urgência do Hospital de São José, tendo esta experiência diferido das anteriores pela necessidade de realização de uma entrevista clínica e de um exame do estado mental mais sistemáticos e pela necessidade de estratificação de risco e eventual atuação imediata. Tive ainda a oportunidade de participar numa sessão do Grupo Psicoterapêutico Aberto e de contactar brevemente com um serviço de internamento do CHPL, momentos estes que proporcionaram uma experiência de estágio mais completa e me permitiram explorar outras vertentes da Psiquiatria. Por fim, participei em diversos momentos formativos de caráter teórico-prático dirigidos aos alunos do 6º ano, bem como em aulas do Internato Médico, que permitiram relembrar conceitos fundamentais e específicos desta área clínica.
ESTÁGIO PARCELAR DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR (17 de fevereiro - 13 de março de 2020) O estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar, com a duração total de três semanas, decorreu na Unidade de Saúde Familiar (USF) Dafundo, onde fui acompanhada e orientada pela Dra. Fernanda Lima. Ao longo deste estágio, fui observando um elevado número de consultas, sobretudo de Saúde de Adultos e Consultas do Dia, onde pude contactar com um grupo vasto e variado de doentes e com múltiplas patologias com relevância epidemiológica em Portugal. Tive ainda a oportunidade de participar em consultas de Saúde Infantil, Saúde Materna e Planeamento Familiar, as quais se pautam por especificidades próprias e se revelaram momentos privilegiados para prevenção de doença e promoção da saúde. Inicialmente pude assistir a múltiplas consultas conduzidas pela minha tutora, com oportunidade de intervenção na realização da anamnese e exame objetivo e na discussão da melhor abordagem diagnóstica e terapêutica para cada doente. Posteriormente, foi-me dada a
oportunidade de eu própria conduzir consultas com supervisão indireta (cerca de cem consultas) ou à distância (cerca de seis), com progressiva autonomia. Para além de realizar a avaliação biopsicossocial dos doentes e de colaborar na definição de um plano de gestão adequado para os seus problemas, redigi inúmeros registos clínicos, trabalhei com plataformas eletrónicas distintas, contactei com estruturas de apoio social próximas à USF e familiarizei-me com procedimentos burocráticos que preenchem o quotidiano do Médico de Família. Adicionalmente, tive a oportunidade de acompanhar a equipa médica em consultas no domicílio, sendo estes momentos únicos de contacto com os doentes no seu contexto habitacional e familiar. Destaco ainda a realização de um folheto informativo sobre escabiose, tendo o tema sido sugerido pela equipa médica, que considerou ser uma patologia de prevalência não desprezível, sobretudo na população pediátrica, e promotora de dúvidas frequentes. No início da quarta semana de estágio, este foi interrompido pela necessidade de suspensão das atividades letivas presenciais, imposta pela pandemia COVID-19 (Coronavirus Disease 2019), tendo a avaliação oral do Diário do Exercício Orientado decorrido à distância, por videochamada.
ESTÁGIO PARCELAR DE PEDIATRIA (16 de março - 17 de abril de 2020)
Devido à necessidade de suspensão das atividades letivas acima referida, não existiu a possibilidade de realizar o estágio parcelar de Pediatria, de intuito prático, no seu formato habitual. Assim, esta cadeira assumiu um caráter teórico-prático, decorrendo à distância em plataformas online. Procurou manter-se a realização do seminário que usualmente ocorre de forma presencial, sendo que, neste âmbito e em conjunto com o meu grupo de trabalho, realizei um trabalho de tema livre subordinado ao tema “Enurese na criança”, o qual apresentámos em formato PowerPoint na plataforma Zoom©. Foi ainda proposta a realização de um trabalho individual adicional com intuito formativo e sumativo, sob a forma de artigo de revisão, acerca de um tema relevante na área de Pediatria. Neste sentido, redigi um artigo acerca do tema “Complicações não-supurativas de faringoamigdalite estreptocócica”, o qual escolhi por representarem um problema de saúde pública com impacto a nível global, por poderem constituir um desafio diagnóstico e por despertarem interesse pessoal. Posteriormente, foram ainda dinamizadas sessões online para discussão de casos clínicos e esclarecimento de dúvidas, conduzidas por diversos assistentes e subordinadas a temas como adolescentes, hematologia, gastroenterologia, pediatria geral, entre outros.
ESTÁGIO PARCELAR DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (20 de abril - 15 de maio de 2020)
Considerando-se não estarem reunidas condições para o regresso aos estágios hospitalares no contexto da pandemia COVID-19, também a cadeira de Ginecologia e Obstetrícia teve lugar à distância, assumindo um caráter teórico-prático. Deste modo, o workshop “The Woman”, realizado habitualmente na primeira semana de estágio para revisão de conhecimentos adquiridos em anos anteriores, foi disponibilizado no Moodle™ sob a forma de dispositivos acompanhados por áudio. Após leitura do material disponibilizado, foi proposta a formação de grupos por pólo hospitalar para discussão e resposta a múltiplas questões subordinadas aos temas do workshop. Assim, em conjunto com os colegas da Maternidade Alfredo da Costa, debati três conjuntos de questões disponibilizadas semanalmente no Moodle™, cujas respostas foram enviadas por email. Para além disso, contribui para a realização de um trabalho de grupo acerca do tema “Complicações da gravidez múltipla”, o qual tomou a forma de PowerPoint acompanhado de áudio e foi enviado por email na última semana deste período.
REFLEXÃO CRÍTICA FINAL
Chegado o final deste ano letivo, impõe-se a necessidade de analisar retrospetivamente as semanas de estágio que o compuseram e de refletir acerca das atividades desenvolvidas e do cumprimento dos objetivos gerais e específicos de formação.
De uma forma global, este parece-me ter sido um ano marcado por múltiplos sucessos académicos e penso ter cumprido aqueles que considero serem objetivos gerais e transversais a todos os estágios. Em primeiro lugar, o facto de ter contactado com um elevado número de indivíduos com as mais variadas patologias e provenientes de diferentes contextos contribuiu para a minha capacidade de percecionar a pessoa doente na sua multidimensionalidade. Assim, reconheço que uma abordagem de acordo com fatores pessoais, físicos, familiares e sócio-económicos, e ainda com as suas crenças, receios e expetativas, permite uma atuação holística, mais empática mas também mais eficaz. Adicionalmente, parece-me ter sido um ano essencial no estabelecimento de uma base de conhecimentos sólida e coerente. Sendo esta uma tarefa que se inicia em anos anteriores é também uma que, inevitavelmente, se vai trabalhando de forma contínua. Penso também que o elevado número de horas de contacto nas enfermarias e consultas, assim como o maior grau de autonomia que caracteriza este ano, me permitiu treinar e aperfeiçoar aptidões práticas, ao nível da colheita da história clínica, da realização de um exame objetivo completo e metódico e da aplicação do conhecimento teórico na formulação de hipóteses de diagnóstico e na definição de um plano de diagnóstico, terapêutico e de seguimento. Para o cumprimentos destes objetivos, foram fundamentais as várias oportunidades de discussão dos casos clínicos
observados com os meus tutores, mas também a identificação de lacunas no meu conhecimento teórico e competências práticas. De facto, ao longo do ano fui observando várias limitações, destacando aquelas relacionadas com aspetos práticos da prescrição de medicamentos, que procurei ao máximo colmatar pela revisão e procura de informação relevante e fiável. Gostaria de salientar que estes momentos de reconhecimento das próprias limitações, que muito valorizo, apenas me parecem ter sido possíveis pelo contacto com profissionais que me incentivaram sempre a fazer mais e melhor e permitiram que eventuais “falhas” se tornassem em momentos de aprendizagem. Por último, a realização de tarefas com um nível crescente de complexidade e de autonomia permitiu a confirmação da necessidade de um elevado sentido de responsabilidade, humildade e respeito pela vida humana no exercício da Medicina, algo que penso ter desenvolvido com o crescimento pessoal que invariavelmente acompanha a progressão no curso, mas também pela observação de excelentes profissionais que lideram pelo exemplo.
De uma forma mais particular, gostaria de destacar o cumprimento de certas necessidades de aprendizagem mais específicas a determinados estágios.
Os estágios de Cirurgia Geral e Anestesiologia permitiram a familiarização com o ambiente do Bloco Operatório, com a linguagem e terminologias cirúrgicas e com o manuseamento do material usado na técnica anestésica e nos procedimentos cirúrgicos. Estas foram semanas essenciais não só para a revisão de conhecimentos básicos, nomeadamente de anatomia, fisiopatologia e farmacologia, mas também para a sistematização da abordagem ao doente no período pré, intra e pós-operatório. Destaco ainda a oportunidade para treino de técnicas de assepsia e de pequena cirurgia. Gostaria apenas de apontar como limitação deste estágio a falta de oportunidade de integrar uma equipa de Urgências, que impossibilitou o contacto com patologia cirúrgica de caráter emergente e urgente.
O estágio de Medicina Interna foi uma experiência bastante positiva por ter sentido que a minha contribuição no serviço era não só necessária mas também valorizada. Penso que este estágio foi particularmente importante para o treino de gestos práticos na avaliação do doente, mas também para o treino de competências de comunicação. Por um lado, permitiu-me investir um número de horas significativo no contacto com os doentes, com quem falei sobre Medicina e tantos outros assuntos, o que contribuiu sem dúvida para a reflexão acerca daquela que constitui uma relação médico-doente saudável e desejável. Por outro lado, foi um estágio que se pautou pela necessidade constante de comunicação com familiares de doentes e outros profissionais de saúde, de trabalho em equipa e de articulação com outros serviços. Este foi um aspeto que nem sempre se revelou fácil, mas em que notei uma evolução realmente significativa. Saliento ainda os momentos de atividade no Serviço de
Urgência, que assumiram um papel formativo importante pela necessidade de uma avaliação e intervenção mais rápida e sistematizada.
Ao longo do estágio de Saúde Mental, destaco o contacto com o Hospital de Dia como aquele em que a abordagem biopsicossocial e multidisciplinar se tornou mais evidente. O facto de a Psiquiatria ser uma área clínica com características muito próprias, fez com que este se tornasse um estágio mais observacional. Ainda assim, proporcionou momentos de aprendizagem importantes, dos quais saliento a realização da história clínica, pela oportunidade de treino autónomo de competências práticas de entrevista e exame do estado mental. Este foi ainda um estágio em que pude reforçar a importância da relação médico-doente para o estabelecimento de confiança e para a adesão ao tratamento, reconhecendo o seu valor terapêutico e prognóstico.
O estágio de Medicina Geral e Familiar foi também integral para a compreensão da abordagem centrada na pessoa e para o treino de competências de comunicação interpessoal. Sendo este um dos estágios em que me foi dada maior autonomia e sendo esta uma área vasta e de caráter integrador, foi um período em que me senti realmente desafiada e, por vezes, até um pouco insegura. Simultaneamente, foi também um dos estágios em que notei uma maior evolução das minhas aptidões, que atribuo ao elevado número de horas de contacto com os doentes, ao acompanhamento atento da minha tutora e à progressiva familiarização com diversos processos burocráticos e com os sistemas informáticos da USF.
Gostaria de me poder debruçar sobre as áreas de Pediatria e de Ginecologia e Obstetrícia da mesma forma como fiz para as restantes áreas. No entanto, num ano letivo excecional que ficará eternamente marcado por uma pandemia que obrigou à suspensão das atividades letivas, a reflexão sobre estas áreas será necessariamente diferente. Reconheço as dificuldades imprevisíveis que esta situação colocou ao ensino médico e compreendo a necessidade de adaptar este ensino para um modelo online e à distância. Infelizmente, esta transição, pela necessidade de aplicação num curto espaço de tempo e pelo contexto de instabilidade associada, pautou-se por inúmeras adversidades. Ainda assim, penso ter constituído uma excelente contribuição para a revisão de conteúdos teóricos e para o desenvolvimento do raciocínio clínico. Não obstante, este novo modelo de caráter teórico-prático, nunca poderia substituir completamente a experiência de um estágio clínico, ficando uma lacuna importante na componente prática destas duas áreas. Assim, espero vir a ter a oportunidade de colmatar esta lacuna no futuro, ao longo da formação pós-graduada, o que procurarei fazer ativamente.
Gostaria ainda de fazer uma menção aos elementos valorativos que se seguem, uma vez que considero terem sido fundamentais não só para o meu percurso académico, mas também para o meu desenvolvimento pessoal. De facto, ao longo do curso procurei participar em múltiplas ações de formação como palestras, cursos e conferências, numa tentativa de complementar a componente curricular, destacando a participação no iMed Conference® 11.0 durante o 6º ano (ver Anexo 3). Para além disso, realizei um estágio observacional CEMEF Insight no Serviço de Medicina Geral e Familiar do Centro de Saúde de Leiria, no verão do 2º ano, que despertou desde cedo o interesse por esta especialidade (ver Anexo 4). Adicionalmente, realizei um estágio no serviço de Cirurgia Geral do Hospital de Santo André em Leiria (ver Anexo 5), que sem dúvida complementou o estágio curricular do 3º ano, sobretudo pelo contacto alargado com o Serviço de Urgência. Saliento ainda a minha experiência de Intercâmbio Clínico da International Federation of Medical Students Associations (IFMSA) na República Checa (ver Anexo 6), onde realizei estágio hospitalar na área da Anestesiologia, tendo contactado com a especialidade ao nível da Unidade de Cuidados Intensivos, do Bloco Operatório e do Serviço de Urgência. Esta constituiu uma experiência formativa e social única, não só pela elevada qualidade do estágio de Anestesiologia, mas também pela oportunidade de contacto intercultural, que indubitavelmente contribui para a formação de médicos mais tolerantes e empáticos. No seguimento desta experiência, candidatei-me a vogal da Direção da Associação de Estudantes da NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas (AEFCM), onde cumpri um mandato enquanto Diretora da Equipa Internacional e Coordenadora de Intercâmbios Clínicos da IFMSA (ver Anexos 7 e 8). Esta foi certamente a experiência extracurricular mais marcante do meu percurso académico, exigindo um nível de dedicação e gestão de tempo considerável. Neste cargo, desenvolvi aptidões de comunicação verbal e não verbal, assumi a liderança, ao mesmo tempo que aprendi a trabalhar com diversas equipas, geri mais de sessenta estudantes de mais de trinta países diferentes e contactei com o trabalho da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) nas suas diversas áreas de atuação.
Por fim, num ano civil e letivo particularmente difícil e imprevisível em tantos aspetos, não posso deixar de experienciar um enorme sentimento de orgulho e realização ao completar um ciclo marcado por sucessos, e de, simultaneamente, sentir que se perderam algumas oportunidades de formação e memórias significativas. Termino com alguma apreensão, no contexto de uma pandemia devastadora que nos relembra que a condição humana é frágil e que o conhecimento humano e a Medicina são limitados. Mas termino também com uma enorme vontade de iniciar a minha formação pós-graduada, de expandir conhecimentos e de aperfeiçoar competências, humilde nas minhas limitações e consciente do impacto e responsabilidade da profissão que escolhi.
ANEXO 1 – CRONOGRAMA DO ANO LETIVO 2019/2020
Estágio Parcelar Período de Estágio Local de Estágio Tutor(a)
Cirurgia Geral 9 de setembro –
31 de outubro de 2019 Hospital da Luz Dr. Paulo Roquete
Medicina Interna 4 de novembro de 2019 –
10 de janeiro de 2020
Serviço de Medicina 2.3 do Hospital de Santo António dos Capuchos
Dr.ª Sofia Pinheiro Dr. João Oliveira
Saúde Mental 20 de janeiro –
14 de fevereiro de 2020
Centro Hospitalar Psiquiátrico de
Lisboa Dr. Rafael Costa
Medicina Geral e Familiar
17 de fevereiro – 13 de março de 2020
USF Dafundo (ACES Lisboa
Ocidental e Oeiras) Dr.ª Fernanda Lima
Pediatria 16 de março –
17 de abril de 2020 Online Não se aplica
Ginecologia e Obstetrícia
20 de abril –
15 de maio de 2020 Online Não se aplica
ANEXO 2 – TRABALHOS REALIZADOS DURANTE OS ESTÁGIOS PARCELARES
Estágio Parcelar Tema Autor(es)
Cirurgia Geral “À terceira é de vez” (apresentação de caso
clínico)
Catarina Custódio, Danna Krupka, Maria Inês Roxo e Nuno Silva
Medicina Interna Emergências Oncológicas (revisão teórica) Ana Rita Oliveira, Carolina Fernandes e
Catarina Custódio
Medicina Geral e
Familiar Escabiose (folheto informativo) Catarina Custódio
Pediatria
Enurese na criança (revisão teórica) Cláudia Oliveira, Catarina Custódio, Maria Inês Roxo e Maria João Pires
Complicações não-supurativas de
faringoamigdalite estreptocócica (artigo de revisão)
Catarina Custódio
Ginecologia e Obstetrícia
Complicações de gravidez múltipla (revisão teórica)
Catarina Custódio, Nuno Silva e Teresa Ribeiro
ANEXO 8 – CERTIFICADO DE EXERCÍCIO DE FUNÇÕES COMO COORDENADORA LOCAL DE INTERCÂMBIOS CLÍNICOS DA IFMSA (2019)