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Estabilidade Local em Problemas de Controle Óptimo com duas variáveis de Estado: Uma Extensão do Teorema de Dockner

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(1)

UNIVERSIDADE DE ÉVORA

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA

DOCUMENTO DE TRABALHO Nº 2002/02

Estabilidade Local em Problemas de Controle Óptimo com

duas variáveis de Estado: Uma Extensão do Teorema de

Dockner

José Manuel Madeira Belbute

Universidade de Évora, Departamento de Economia

UNIVERSIDADE DE ÉVORA

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA

Largo dos Colegiais, 2 – 7000-803 Évora – Portugal

Tel.: +351 266 740 894 Fax: +351 266 742 494

www.decon.uevora.pt

[email protected]

(2)

Resumo/Abstract

O presente trabalho procura demonstrar que as condições exigidas por Dockner no teorema 3, mesmo

para o caso da sociedade evidenciar impaciência face ao futuro (caso em que r > 0) podem fazer surgir

não só os 4 valores próprios apenas com parte real a que o teorema se refere, como também dois pares

de complexos conjugados sendo que dois deles têm parte real positiva e dois parte real negativa. Com

isso, as trajectórias em direcção ao estado estacionário, quando vistas a partir do Stable Manifold, podem

evoluir em forma de espiral convergente (Foco Estável).

Palavras-chave/Keyword: Controle Óptimo, Princí pio de Pontryagin, Dinâmica de Sistemas, Estabilidade

local em sistemas dinâmicos não lineares de dimensão 4.

(3)

Estabilidade Local em Problemas de Controle Óptimo com

duas variáveis de Estado: Uma Extensão do Teorema de

Dockner

José Manuel Madeira Belbute

Departamento de Economia - Universidade de Évora

I. INTRODUÇÃO

No seu artigo de 1985, Dockner apresenta uma metodologia que lhe permite calcular explicitamente os valores-próprios associados ao Jacobiano resultante da linearizaç ão do Sistema Dinâmico Hamiltoniano Modificado. Com isso, estabelece um Teorema (o Teorema 3) no qual apresenta as condiç ões necessárias e suficientes para que o estado estacionário associado ao problema em estudo evidencie localmente as propriedades tí picas de Ponto Sela. Verificadas essas condiç ões, os valorespróprios do sistema canónico apenas apresentam parte real

-{ }

0

Im

λ

i

=

, com i = 1,2,3,4- sendo dois positivos e dois negativos.

O presente trabalho procura demonstrar que não só esse teorema é incompleto como ainda é incorrecta a afirmaç ão segundo a qual "it is an important fact in the

case of r = 0, no imaginary eighenvalues are possible. Thus closed contours of H around the steady state are excluded and periodic sinusoidal motions are rules out. A necessary condition for such motions to occur is r = 0" (sendo que r corresponde à

taxa de impaciência da sociedade ou Taxa de Desconto).

Na verdade, como teremos ocasião de mostrar, as condiç ões exigidas por Dockner no teorema 3, mesmo para o caso da sociedade evidenciar impaciência face ao futuro (caso em que r > 0) podem fazer surgir não só os 4 valores próprios apenas com parte real de que já falámos, como também dois pares de complexos conjugados sendo que dois deles têm parte real positiva e dois parte real negativa. Com isso, as trajectórias em direcç ão ao estado estacionário, quando vistas a

(4)

partir da variedade central estável - Stable Manifold -, podem evoluir em forma de espiral convergente (Foco Estável)(1)

.

II - O problema geral de Controle Óptimo com Duas

Variáveis de Estado

Comecemos por especificar o problema geral de controle óptimo com duas variáveis de estado (x e y), definido num horizonte temporal infinito, autónomo (com um factor de desconto afectando a funç ão objectivo), sem restriç ões sobre as variáveis de controle, u e que pode ser perturbado por um conjunto de parâmetros representados aqui pelo vector β. Formalmente, trata-se, em geral, de

[1]

∞ − 0

F

(

u

,

x

,

y

,

)

e

dt

max

t u δ

β

s.a

)

,

,

,

(

x

y

u

β

f

x

=

• [2]

)

,

,

,

(

x

y

u

β

g

y

=

x

(

0

)

=

x

0 0

)

0

(

y

y

=

onde, u é o vector das variáveis de controle : n n

u

,

β

, F(.), f(.) e g(.) são

funç ões contí nuas, definidas em ℜ e δ > 0 é a taxa de desconto.

A soluç ão do problema pode ser encontrada pela aplicaç ão do Princí pio de Máximo de Pontryagin que consiste em encontrar um valor para as duas variáveis de co-estado λ e µ, associadas às duas equaç ões diferenciais [2], que maximizam o (valor-corrente do) Hamiltoniano

[3]

H

(

u

,

x

,

y

,

β

,

λ

,

µ

) (

=

F

u

,

x

,

y

,

β

)

+

λ

f

(

u

,

x

,

y

,

β

)

+

µ

g

(

u

,

x

,

y

,

β

)

(1) Brito P. (l994), faz na sua dissertação de doutoramento uma caracterização completa da dinâmica local associada a sistemas Hamiltonianos como o que estamos aqui a usar. Nesse sentido os nossos resultados constituem apenas um dos casos que analisa, concretamente o caso que identifica como A (vidé ob. cit. pág. 206).

(5)

que asseguram a existência de uma trajectória óptima

{

* * *

}

=0

,

,

x

y

t

u

e onde as

condiç ões necessárias geram o seguinte Sistema Dinâmico Hamiltoniano

[4] y x

H

H

H

y

H

x

=

=

=

=

• • • •

δµ

µ

δλ

λ

µ λ

com as seguintes condiç ões de 1ª ordem

[5]

=

0

H

=

F

(.)

+

f

(.)

+

g

(.)

=

0

u

H

u u u u

λ

µ

e que, devido às propriedades de F(.), f(.) e g(.), fornece os ní veis óptimos das variáveis de controle, u, como funç ão de todas as variáveis que a determinam (soluç ão fechada). Formalmente

[6]

u

ˆ

i

=

u

ˆ

(

x

,

y

,

β

,

λ

,

µ

)

com i = 1, ..., m

Introduzindo agora [6] no Hamiltoniano inicial, obtemos o que na literatura se denomina por Hamiltoniano Modificado:

[7]

H

ˆ

(.)

=

H

[

u

ˆ

(

x

,

y

,

β

,

λ

,

µ

),

x

,

y

,

β

,

λ

,

µ

]

que é, obviamente equivalente ao Hamiltoniano inicial e que dá origem a um sistema canónico também equivalente ao anterior denominado Sistema Dinâmico Hamiltoniano Modificado (SDHM).

A análise da estabilidade local baseia-se na linearizaç ão deste sistema em tomo do

ponto de equilí brio

=

=

=

=

0

µ

λ

y

x

que gera o seguinte sistema:

[8]

+

=

=

• •

η

ξ

δ

η

ξ

2

'

I

A

C

B

A

JD

D

(6)

onde

=

y

y

x

x

ξ

,

=

µ

µ

λ

λ

η

,

=

y x y x

H

H

H

H

A

µ µ λ λ ,

=

µµ µλ λµ λλ

H

H

H

H

B

,

=

yy yx xy xx

H

H

H

H

C

e, finalmente, I2, a matriz Identidade de ordem 2, sendo

J

=

{ }

J

i,j i,j=1,...,4, o

Jacobiano obtido a partir do sistema inicial. Como J é uma matriz de dimensão (4x4), os valores próprios φ que lhe estão associados são soluç ões do polinómio de quarto grau obtido a partir de

det

(

J

φ

I

4

)

=

0

;

[9]

=

=

4 0

0

)

4

(

)

1

(

j j j

j

M

φ

em que M(h) denota o somatório de todos os menores principais de ordem h obtido a partir de J (por convenç ão, M(0) = 1)

[10]

φ

4

M

(

1

)

φ

3

+

M

(

2

)

φ

2

M

(

3

)

φ

+

M

(

4

)

=

0

Definindo agora [11]

∂µ

λ

λ

∂µ

∂µ

µ

µ

∂µ

∂λ

λ

λ

∂λ

δ

δ

• • • • • • • • • •

+

+

=

=

=

y

x

y

x

y

y

y

y

x

x

x

x

M

M

Z

(

2

)

2

(

3

)

2

cada um dos menores principais pode ser escrito do seguinte modo:

( )

1

(

)

φ

2

δ

4 1

=

=

=

= i i

J

tr

M

(

J

J

) (

J

J

J

J

)

J

J

J

J

Z

M

=

+

33

+

44

34 43

+

14 41

13 31

24 42

=

2

+

2

2

)

2

(

δ

δ

δ

[

M

]

Z

M

(

3

)

=

δ

(

2

)

δ

2

=

δ

=

=

det(

)

)

4

(

J

M

(7)

a equaç ão caracterí stica de J virá

[12]

φ

4

2

δφ

3

+

(

δ

2

+

Z

)

φ

2

δ

Z

φ

+

=

0

que é equivalente à seguinte equaç ão bi-quadrática em

λ δ

2

(1) [13] 0 2 2 2 2 2 2 2 2 2 4 = ∆ +               −       −       −     − +       −φ δ δ φ δ δ δ Z Z

usando agora a transformaç ão

2 2     − = φ δ

ϕ obtemos a seguinte quadrática em ϕ

[14]

0

2

2

2

2 2 2 2

=









+

δ

ϕ

δ

δ

ϕ

Z

Z

Como consequência trivial, as raí zes desta equaç ão virão

[15]

±

=

4

2

2

2 2 1 2 2 , 1

Z

Z

δ

ϕ

Tendo em conta a transformaç ão que fizemos à pouco, podemos escrever que

ϕ

δ

φ

=

±

2

, donde os quatro valores próprios do jacobiano virão, finalmente

[16]

±

±

=

4

2

2

2

2 2 1 2 4 , 3 , 2 , 1

Z

Z

δ

δ

φ

Estamos agora em condiç ões de estabelecer o seguinte teorema.

Teorema 1- Sendo > 0 e Z < 0, a soluç ão estacionária possui as propriedades do ponto-sela. Se Z2 - 4∆ ≥ 0, o Jacobiano do sistema canónico terá 4 raí zes reais sendo duas positivas e duas negativas. Se Z2 - 4 < 0, o Jacobiano terá 4 raí zes complexas conjugados, sendo que duas terão parte real positiva e duas parte real negativa.

(8)

Dem. Quando Z2 - 4∆≥ 0 é fácil verificar que as raí zes serão reais dado que com Z < 0 se terá necessariamente 4 0 2 2 2 2 1 2 > ∆ − − −       Z Z

δ . Por outro lado, como

∆ − + −       < 4 2 2 2 2 2 1 2 Z Z δ

δ , duas raí zes serão positivas e duas negativas. Isto

significa que estamos, de facto, em presenç a das propriedades que tipificam um ponto sela.

Quando Z2 - 4A < 0, teremos seguramente dois pares de raí zes complexas

[17]

Z

21

(

Z

2

)

i

2 2 , 1

4

2

2

2

±

+

=

δ

δ

φ

[18]

Z

(

Z

2

)

i

2 1 2 4 , 3

4

2

2

2

±

=

δ

δ

φ

que escritas na forma polar tomam o seguinte aspecto

[19]

{

[

]

}

2 1

cos

2

2 , 1

θ

θ

δ

φ

+

r

±

isen

=

[20]

{

[

]

}

2 1

cos

2

4 , 3

θ

θ

δ

φ

r

±

isen

=

e onde se fez [21]

+

=

2 4

2

2

δ

δ

Z

r

[22]

r

Z

=

2

2

cos

2

δ

θ

[23]

r

Z

sen

2 2 1

4

=

θ

usando agora o Teorema de De Moivre, as raí zes caracterí sticas do jacobiano podem se escritas do seguinte modo:

(9)

[24]

φ

δ

[

θ

2

θ

]

1 2 1 2 , 1

cos

2

2 1

isen

r

±

+

=

[25]

φ

δ

[

θ

2

θ

]

1 2 1 4 , 3

cos

2

2 1

isen

r

±

=

parte real de

φ

1,2 é positiva dado que com cos

θ

>0 e terá

0

2

cos

1

cos

21

θ

=

+

θ

>

. Porém, as propriedades de ponto sela requerem que as

partes reais de

φ

3,4 sejam

negativas o que se verificará desde que em [25] se tenha

δ

21

θ

cos

2

2 1

r

<

.

Usando de novo a fórmula do semiângulo,

0

2

cos

1

cos

21

θ

=

+

θ

>

e em face de [22],

podemos escrever que

[26]

+

=

+

=

2

2

2

2

1

cos

2 2 1 2 2 1 2 1 2 1 2 1

Z

r

r

Z

r

r

δ

δ

θ

Porém, como ∆ > 0 e Z < 0 verificar-se-ão, seguramente as seguintes relaç ões

[27]

2

2

2

2

2

2

2 2 2 1 2 2 1 2 2 1

δ

δ

δ

δ

=

δ

+

>

+

>

+

Z

r

r

(1)

pelo que a parte real de

φ

3,4 é seguramente negativa e teremos, assim, as condiç ões necessárias para as propriedades de ponto-sela.

(1) Recorde-se que como se tem > 0 e Z < 0, [21] permite escrever seguramente que

2 2 4   > ∆ +   −   = δ δ δ

(10)

Isto significa que existem duas "variedades" (manifolds) de dimensão dois (sendo uma estável, associada às raí zes com parte real negativa e outra instável, associada à raí zes com parte real positiva) tangente aos respectivos Espaç os Lineares, respectivamente, Estável (ES) e Instável (Eu) do sistema canónico e que contém o estado estacionário.

A variedade estável de dimensão dois (já que são dois os valores próprios com raí zes negativas -ou com parte real negativa) tem a propriedade de que qualquer "caminho" que parta do seu interior. efectuará uma trajectória assimptótica em direcç ão ao estado estacionário. Isto significa que se escolher convenientemente os valores iniciais das variáveis de co-estado e de estado, λ(0) = λ[x(0), y(0)] e µ(0) = µ[x(0),y(0)], de tal modo que estes valores iniciais emanem da variedade estável,

então há a garantia de que o caminho que percorrerão ao longo do tempo se dirigirá para o estado estacionário

(

x

, y

,

λ

,

µ

)

.

Se as raí zes forem reais e restringindo a análise ao plano da variedade estável linearizada de dimensão dois, então o estado estacionário será caracterizado pela topologia tí pica de um nó-estável.

Se as raí zes forem complexas, a trajectória desenvolvida pelas variáveis em direcç ão ao estado estacionário descreverá uma espiral (ou foco estável).

{ Inserir aqui Fig. 1}

III - Conclusão

Com o presente trabalho clarificámos o teorema 3 de Dockner (1985) ao separar duas situaç ões distintas relativas à topologia em torno do estado estacionário mas que exigem as mesmas condiç ões para o det(J) e para a magnitude Z. Ao contrário do que especifica o teorema 3, não se pode dizer que, verificadas as condiç ões nele previstas, se tenham imediata e unicamente quatro valores próprios reais, sendo dois positivos e dois negativos (assegurando, por isso, a convergência para o estado estacionário).

(11)

Como julgamos ter demonstrado, verificadas as condiç ões previstas no teorema 3 e mesmo para uma taxa de desconto positiva, a relaç ão entre Det(J) e a magnitude Z pode ser de tal ordem que os 4 valores próprios do sistema canónico podem ser dois pares de complexos conjugados, dois com parte real positiva e dois com parte real negativa . Neste caso, a aproximaç ão ao estado estacionário pode ser feita sob a forma de um Foco Estável.

(12)

Bibliografia

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BRITO, P. (1994); Taxa de Câmbio Real, Crescimento e Dí vida Externa, Dissertaç ão de Doutoramento, ISEG, Lisboa.

DOCKNER, E. (1985); Local Stability Analysis in Optimal Control Problems with

Two State Variables, in Optimal Control Theory and Economic Analysis,

Feichtinger Editor, Elsevier Science Publishers.

FEICHTINGER, g., A. Novak & F. Wirl (1994); Limit Circles in Intertemporal

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HALE, J. & Koç ack (1991); Dynamics and Biffurcations, Springer Verlag, N. Y. KUZNETOV, Y. (1995); Elements of Applied Biffurcation Theory, Springer Verlag,

N. Y.

SEIERSTAD, A. & Sydsaeter (1987); Optimal Control Theory with Economic

Applications, North-Holland, Amsterdam.

TU, P, (1994); Dynamical Systems: An introdution with Applications in Economics

(13)

Figura 1

Re λ

E

s Es

Referências

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