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A Informática e a Educação no Ensino mediado por Computador

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Academic year: 2021

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(1)A Informática e a Educação no Ensino mediado por Computador Adriano Rogério Bruno Tech. Resumo. Abstract. O presente artigo tem como premissa a utilização da Informática no apoio ao Ensino, através da utilização dos Sistemas Tutores Inteligentes (STI) embasados com conceitos, teorias e estratégias Pedagógicas de Ensino que permitirão o desenvolvimento de um sistema de gerenciamento escolar enfocando a interação Aluno-ComputadorInstituição e servindo, portanto, como facilitador no processo de aprendizagem. Dada a ênfase nos aspectos computacionais envolvidos no modelo de usuários dos STI, o objetivo é apresentar algumas diretrizes pedagógicas para esta modelagem, de maneira a permitir uma relação mais amigável entre o Sistema e o Estudante (modelo do estudante), sendo que, estas diretrizes fundamentadas nas principais teorias de aprendizagem, visam apoiar o trabalho de desenvolvimento dos Sistemas Tutores.. The present article has as premise the use of the Computer Science in the support to the Teaching, through the use of the Systems Intelligent Tutors (STI) based with concepts, theories and Pedagogic strategies of teaching that will allow the development of a system of school administration focusing the interaction Student-computer-institution and serving, therefore, as facilitator in the learning process. Given the emphasis in the aspects computational involved in the users’ of STI model, the objective is to present some pedagogic guidelines for this modelling, in way to allow a friendlier relationship between the System and the Student (model of the student), and, these guidelines based in the main learning theories, it seek to support the work of development of the Systems Tutors.. Palavras-chave: Estratégias Pedagógicas; Sistemas Tutores (ST); Sistemas Tutores Inteligentes (STI).. Introdução Há mais de 20 anos, o computador tem sido utilizado na Educação, demonstrando ser um grande aliado no processo ensinoaprendizagem, principalmente quando utilizado com base nos conceitos e técnicas de Inteligência Artificial, Psicologia Cognitiva e Pedagogia. Temos observado no decorrer destes anos que, quando se trata do tema Informática Educativa, diversas linhas de pensamento. Revista de Educação. Mestre em Informática - PUCCampinas Professor do Centro Universitário Anhanguera - UNIFIAN e-mail: [email protected]. Key-words: Pedagogic Strategies; Systems Tutors (ST); Systems Intelligent Tutors (STI); Teory of Learning.. buscam seu espaço e sua colocação junto à comunidade acadêmica e às famílias, gerando um ciclo favorável de pesquisa e desenvolvimento na área, permitindo que novas tecnologias e abordagens sejam desenvolvidas ou aprimoradas, com o objetivo de aperfeiçoar a transmissão do conhecimento, melhorando com isto, a Educação (ROMANI, 1999). O uso de Novas Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação tem produzido um aumento de produtividade no 113.

(2) Adriano Rogério Bruno Tech. Revista de Educação. processo de ensino-aprendizagem, principalmente se associadas a objetivos sérios e com base num projeto didático-pedagógico coerente (EBERSPÄCHER, 2001), buscando parâmetros de aprimoramento dos conteúdos a serem transmitidos de forma a incentivar os educandos na busca do conhecimento. Em relação ao uso de computadores na Educação, podemos identificar, de maneira geral, a existência de três pontos de aplicação distintos, porém, bastante inter-relacionados; a saber: • educação sobre computadores; • computadores na automação escolar e • educação com computadores. 114. O primeiro diz respeito ao aprendizado sobre os conceitos dos computadores, à sua origem, aos inventores e às linguagens que permitem a sua utilização e programação. O segundo refere-se à utilização dos computadores na escola, como ferramentas de apoio ao setor administrativo, através de software de controle acadêmico, financeiro, entre outros. O terceiro enfoca a utilização no apoio à Educação, permitindo à Instituição utilizá-lo de forma a melhorar o ensino transmitido aos educandos, através de softwares educativos, Tutores Inteligentes, que permitirão a utilização de recursos computacionais voltados para a tarefa de ensinar; aspecto este que abordamos neste trabalho de pesquisa (CHAIBEN, 2002). Com o objetivo de desenvolvimento destes recursos, temos verificado o crescimento de pesquisas na área da Inteligência Artificial, que tem contribuído com novas abordagens permitindo a representação de algumas habilidades de raciocínio e conhecimento voltados à aprendizagem e ao ensino. As pesquisas sobre a psicologia de aprendizado, principalmente com os paradigmas comportamentalista e cognitivista, têm influenciado os Sistemas de Apoio ao Ensino e, com o auxílio da Informática, estão sendo desenvolvidos métodos de ensino que procuram criar uma forma de ensinar e transmitir o conhecimento de maneira mais simples e clara, a fim de atrair os estudantes na busca do conhecimento, através de incentivo e de apoio. (CHAIBEN, 2002), servindo assim, como um facilitador neste processo de ensino. Estratégias Pedagógicas de Ensino Introdução As tecnologias da informação estão sendo cada vez mais incorporadas ao processo ensinoaprendizagem como ferramenta de mediação entre o indivíduo e o conhecimento. O desenvolvimento dos Sistemas Tutores Inteligentes (STI) buscam utilizar técnicas de Inteligência Artificial (IA), visando torná-lo mais flexível e capaz de apoiar o ensino individualizado. Entretanto, algumas dificuldades no desenvolvimento dos Sistemas Tutores Inteligentes (STI) ainda continuam, principalmente, na representação do conhecimento e no modelo do estudante. A compreensão das diferentes teorias de aprendizagem leva-nos a identificar as opções de ensino ou maneiras de transmissão do conhecimento, utilizadas nos diversos produtos de ensino auxiliados por computador, ao mesmo tempo em que nos permite avaliar a qualidade e os objetivos que determinam o seu uso educacional. Permite-nos, ainda, fazer escolhas a respeito da utilização, de uma ou outra teoria na modelagem, enquanto, projetista ou usuário desse sistema (MORAIS, 2001). Uma das maiores dificuldades na modelagem do estudante diz respeito à falta de explicitação da teoria de aprendizagem utilizada pelos Sistemas Tutores atuais. Observa-se que os pesquisadores em IA e Educação, estão atentos para as dificuldades relacionadas aos modelos do estudante, mas deixam a desejar em exemplos de aplicações destas teorias. Um dos fatores mais importantes na interação entre o STI e o estudante, é a teoria de aprendizagem na qual está baseada a relação. As teorias de aprendizagem buscam reconhecer a dinâmica envolvida nos atos de ensinar e aprender, partindo do reconhecimento da evolução cognitiva do homem e, tentam explicar a relação entre o conhecimento pré-existente e o novo conhecimento. A aprendizagem não é apenas inteligência.

(3) A Informática e a Educação no Ensino mediado por Computador. Teorias de Aprendizagem Para Wittrock (apud CASAS, 1997), a aprendizagem é o processo de adquirir mudanças relativamente permanentes na compreensão, na atitude, no conhecimento, na informação, na capacidade e na habilidade através da experiência. Aprendizagem não é o mesmo que pensamento. Podemos dizer que o “Pensamento” refere-se ao uso de habilidades cognitivas, como formular e responder perguntas, procurar na memória, processar informação ou avaliar soluções potenciais para problemas (CASAS, 1999). O pensamento. pode produzir aprendizagem, seja quando as habilidades cognitivas forem usadas para processar entradas novas, ou quando a reflexão sobre experiências anteriores produzirem conhecimentos internos novos. De maneira simples, pode-se definir a aprendizagem como sendo uma mudança relativamente permanente na capacidade de execução, adquirida pela experiência. Esta experiência pode implicar interação aberta com o ambiente externo, mas também pode implicar processos cognitivos fechados (CASAS, 1999). Entre as diferentes teorias de aprendizagem, selecionamos, por questões metodológicas, o comportamentalismo, o neocomportamentalismo, o construtivismo e o pósconstrutivismo. A escolha justifica-se por serem estas as teorias mais elaboradas, descritas, embasadas e usadas. Comportamentalismo Os comportamentalistas consideram o homem como um organismo passivo, dirigido por estímulos fornecidos pelo ambiente externo. O comportamento é tudo que deve ser observado e tudo o que responde à mudança, em função das contingências de reforço. O teórico mais representativo desta escola é Skinner. Para ele, o conhecimento é um conjunto de comportamentos que se manifestam a partir de um estímulo particular e da probabilidade de comportamento especializado, mas não é somente a presença de estímulos ou da resposta que leva à aprendizagem e sim, a presença das contingências de reforço. O reforço é o elemento mais importante no processo de ensino. O professor é o principal responsável por planejar essas contingências, sendo destacado como a figura central do processo ensinoaprendizagem. Os principais aspectos da teoria de Skinner estão relacionados ao aprendizado através do ensino programado, os estímulos positivos, o reforço, o aprendizado observável através do comportamento apresentado e os conteúdos organizados em grau de dificuldade crescente (DA COSTA, 1997).. Revista de Educação. e construção de conhecimento, mas basicamente identificação pessoal e relação através da interação com o Sistema Tutor. Várias teorias contribuem para o entendimento da aprendizagem. Estas teorias têm em comum o fato de assumirem que, indivíduos são agentes ativos na busca da construção do conhecimento, dentro de um contexto significativo. No desenvolvimento de um plano sobre como ensinar determinado conteúdo, o Sistema necessita do conhecimento das informações oriundas do diagnóstico, da monitorização sobre o comportamento da interação com o estudante e de suas características cognitivas de modo a gerar uma seqüência de objetivos capazes de conduzir uma interação de ensino-aprendizagem, com relativo sucesso. Portanto, as estratégias de ensino devem inserir funções de orientação no desempenho das atividades, das explicações, bem como de adaptações específicas e individuais, gerando desafios, exemplos e contra-exemplos durante as interações. Dada a ênfase nos aspectos computacionais envolvidos no modelo de usuários nos STI, o objetivo deste tópico é apresentar algumas diretrizes pedagógicas para esta modelagem, de maneira a permitir uma relação mais amigável entre o Sistema e o Estudante, sendo que, estas diretrizes fundamentadas nas principais teorias de aprendizagem, visam apoiar o trabalho de desenvolvimento dos Sistemas Tutores.. 115.

(4) Adriano Rogério Bruno Tech. Revista de Educação. Neo-Comportamentalismo. 116. As teorias neo-comportamentalistas entendem a aprendizagem como mudanças observáveis de comportamento, mas incorporam no escopo de suas teorias, os processamentos mentais internos. Gagné é o seu mais importante teórico, sendo a ponte entre o comportamentalismo e o construtivismo. Gagné dedicou seu trabalho ao aspecto do Treinamento Prático. Ele observava como ponto fundamental para a viabilização da aprendizagem, a relação entre os processos internos de cognição e os eventos externos ao estudante. Gagné fundamenta seu pensamento na Teoria de Processamento de Informação (CASAS, 1999). Gagné, segundo Casas (1999), descreve oito etapas que distinguem oito tipos de aprendizagem, denominadas respectivamente de: Motivação, Apreensão, Aquisição, Retenção, Memorização, Generalização, Desempenho e Feedback. Estas fases de aprendizagem apresentam sua ocorrência influenciada por eventos, que podem tanto ser de origem interna como externa ao ser humano (estudante). Segundo Da Costa (1997), Gagné considera a aprendizagem como uma alteração comportamental seguida da permanência desta alteração ou mudança. A aprendizagem é iniciada por uma variedade de tipos de estimulação provenientes da interação do indivíduo com o ambiente. Esta estimulação é considerada a entrada para os processos de aprendizagem e gera uma modificação de comportamento, que é observada como desempenho humano. A situação de aprendizagem, em Gagné, envolve quatro elementos: um aprendiz, uma situação em que a aprendizagem ocorra, alguma maneira de comportamento explícito por parte do aprendiz e uma mudança interna. A aprendizagem de habilidades intelectuais obedece a uma ordem hierárquica que se inicia com conexões estímulo-resposta, passando por cadeias, conceitos e regras, até chegar à solução de problemas. Qualquer habilidade intelectual pode ser compreendida em termos de habilidades mais simples, que devem ser combinadas para produzir sua aprendizagem.. As habilidades mais simples podem ser compostas de habilidades ainda mais simples, que lhes são pré-requisitos, resultando em uma estruturação de “hierarquia de aprendizagem” (DA COSTA, 1997). Para utilização da abordagem de Gagné na prática educativa, o professor deve incentivar a aprendizagem através da instrução, sendo o responsável pela motivação do aluno, procurando discutir as idéias, avaliar o desempenho, determinando com antecedência os procedimentos mais adequados ao conteúdo e estabelecer seus pré-requisitos. De acordo com esta teoria, os pontos principais são: a aprendizagem como mudança comportamental persistente, as mudanças internas, a aprendizagem em ordem hierárquica e o reforço. Construtivismo Os modelos construtivistas são protótipos de aprendizagem que enfatizam o desenvolvimento do conhecimento novo para os estudantes através dos processos de construção ativa, que vinculam o conhecimento novo ao conhecimento prévio. Para o construtivismo, o conhecimento é construído ou reconstruído pelo indivíduo nas interações com o ambiente externo. Em lugar de receber passivamente ou apenas copiando a informação dos professores ou dos livros, os estudantes interagem de maneira ativa a entrada de informação, tratando de dar-lhe sentido e de relacionar-lhe com o conhecimento prévio que possuem do tema em estudo (CASAS, 1999). Portanto, o estudante é o principal sujeito no processo de aprendizagem, através da experimentação, da pesquisa em grupo, do estímulo à dúvida e ao desenvolvimento do raciocínio. Os conceitos são formados na interação com o mundo e com outros estudantes, onde o professor assume o papel de provocador e estimulador de novas experiências e deve ter a sensibilidade para propor estratégias ou caminhos para a busca de respostas. O construtivismo tem dois importantes teóricos: Piaget e Bruner (DA COSTA, 1997)..

(5) Piaget Piaget idealizou um modelo que descreve como os humanos dão sentido ao seu mundo, através da extração e organização da informação. Para Piaget (CASAS, 1999), os seres humanos nascem como processadores de informação ativos e exploratórios e constroem o seu conhecimento, ao invés de adquiri-lo já pronto em resposta à experiência ou à instrução. Ele via os indivíduos em constante luta para adaptar-se ao ambiente e construir conhecimento que lhes permitisse perceber o significado e exercer o controle por meio de mecanismos adaptativos. O desenvolvimento da inteligência é uma contínua adaptação ao ambiente através de um processo de maturação, formado por dois componentes básicos: adaptação e organização. A adaptação é o processo pelo qual o sujeito adquire um equilíbrio entre assimilação e acomodação. A assimilação é o processo de responder a uma situação de estímulo, utilizando os esquemas estabelecidos. Em outras palavras, implica em trabalhar e compreender algo novo acoplando-o ao conhecimento já adquirido. Para Da Costa (1997) o equilíbrio é o processo de organização das estruturas cognitivas em um sistema coerente, interdependente e que possibilite ao indivíduo a adaptação à realidade. A organização é a função pela qual a informação é estruturada, gerando os elementos internos da inteligência, os esquemas e as estruturas. Os esquemas podem ser considerados como unidades que conformam as estruturas intelectuais. A aprendizagem ocorrerá no momento da reestruturação das estruturas cognitivas internas (esquemas e estruturas). O conhecimento aumenta através da formação de estruturas, negando o mecanismo de justaposição de conhecimento defendido pelos comportamentalistas. O pensamento é estruturado através da adaptação de experiências e dos estímulos fornecidos pelo ambiente. A organização forma as estruturas, sendo que a adaptação e a organização são interdependentes. O desenvolvimento da inteligência é dividido em três fases de desenvolvimento mental: sensório motor,. operações concretas e operações formais, que se dividem em sub-fases. A passagem de uma fase para outra não ocorre de forma abrupta e guarda características das fases anteriores segundo Da Costa (1997). No processo educacional, os fatores de motivação são internos e, não podem ser manipulados pelo professor, devendo ser ativado o mecanismo de aprendizagem. Ou seja, a capacidade de reestruturar-se mentalmente, procurando novos esquemas de assimilação para adaptar-se a novas situações. Segundo Piaget, em Da Costa (1997), o professor deve estruturar o ambiente, fornecendo fonte de estimulação ao estudante, permitindo seu desenvolvimento em ritmo próprio, de acordo com seus interesses, através de métodos ativos, disponibilizando problemas úteis ao estudante. Deve-se evitar a utilização de atividades de memorização e repetição de atitudes e assuntos, sendo que, as fases de desenvolvimento contribuem estabelecendo os limites. Bruner Bruner, em Da Costa (1997) preocupase em induzir uma participação ativa do estudante no processo de aprendizagem, favorecendo-a pela descoberta. Os seus objetivos são a exploração de alternativas e o currículo em espiral. Portanto, para Bruner, o segredo para o êxito do ensino disciplinar é traduzi-lo de maneira que os estudantes possam entender, pois os indivíduos em diferentes etapas de desenvolvimento possuem formas características de ver, explicar e compreender o mundo em que estão inseridos. O conceito de exploração de alternativas pressupõe que o ambiente ou conteúdo de ensino deve proporcionar alternativas para que o estudante possa inferir relações e estabelecer similaridades entre as idéias apresentadas, favorecendo a descoberta de princípios ou relações. Por sua vez, o currículo em espiral permite que ele veja o mesmo tópico em diferentes níveis de profundidade e modos de representação.. Revista de Educação. A Informática e a Educação no Ensino mediado por Computador. 117.

(6) Revista de Educação. Adriano Rogério Bruno Tech. 118. Para Bruner, a aprendizagem mais significativa é a desenvolvida por métodos de descoberta orientada, que implica em proporcionar aos estudantes, oportunidades de manipulação de objetos em forma ativa, para transformá-los pela ação direta, assim como por atividades que os animem a procurar, explorar, analisar ou processar, de alguma outra maneira, a informação que recebem, em vez de somente respondê-la. Por outro lado, ainda que os dados sobre a questão sejam irregulares (CASAS, 1999), a aprendizagem por descoberta parece ser boa e útil, quando os estudantes tiverem motivação e as habilidades necessárias. A aprendizagem pela descoberta é de suma importância para objetivos que impliquem solução de problemas ou criatividade, pois, na medida em que os estudantes desenvolvem suas atividades de forma individual, é importante selecionar atividades que lhes interessem ou que os estimulem para a realização das atividades planejadas. Esperando-se que os estudantes trabalhem de maneira colaborativa, é importante que estejam preparados para cooperar de forma produtiva com os objetivos propostos. O desenvolvimento intelectual depende da maturação para representação e da integração. A maturação para representação depende do nível de amadurecimento do aluno e varia com o crescimento, através de refinamentos constantes, sendo dividida em três modos de representação do mundo: enativo, icônico e simbólico. Através desses três modos de representação, os indivíduos passam por três fases de processamento e representação de informações, que são: manuseio e ação, organização perceptiva de imagens e utilização de símbolos. A integração é a capacidade do indivíduo transcender o momentâneo, desenvolvendo situações de ligar o passado, o presente e o futuro (DA COSTA, 1997). Um dos pontos mais importantes para o desenvolvimento intelectual é o ambiente aberto, onde a capacidade de representação e integração são estimuladas através de técnicas provenientes da exposição ao ambiente especializado de uma determinada cultura. Na abordagem construtivista, Bruner destaca que os professores são os principais. agentes do processo educacional e devem ser capazes de dominar o uso dos recursos com conhecimento e compreensão deste uso, de acordo com o assunto, assumindo ainda tarefas de comunicador e figura de identificação. De maneira sucinta, a teoria de Bruner aborda a participação ativa do aluno no processo de aprendizagem: da aprendizagem por descoberta, da exploração de alternativas, do currículo em espiral e da aprendizagem segundo as fases internas de desenvolvimento. Pós-Construtivismo Entre os teóricos considerados pósconstrutivistas, Vygotsky é o que apresenta maior contribuição no entendimento do complexo processo de aprendizagem humana. Vygotsky propõe o interacionismo, o qual é baseado em uma visão de desenvolvimento apoiada na concepção de um organismo ativo, onde o pensamento é construído gradativamente em um ambiente histórico e, em essência, social (VYGOTSKY, 1989). A interação social possui um papel importante no desenvolvimento cognitivo do indivíduo e toda função no desenvolvimento cultural de um sujeito, aparece primeiro no âmbito social, entre pessoas, e depois no âmbito individual. Segundo Casas (1999) e Da Costa (1997), Vygotsky relata três estágios de desenvolvimento na criança, que podem ser estendidos a qualquer aprendiz: • nível de desenvolvimento real determinado pela capacidade em solucionar problemas, independente das atividades que lhe são propostas; • nível de desenvolvimento potencial determinado através da solução de atividades realizadas sob a orientação de uma pessoa ou de um grupo de pessoas mais capazes, e; • zona de desenvolvimento proximal considerada o nível intermediário entre o desenvolvimento real e o desenvolvimento potencial. De acordo com a teoria de Vygotsky, em.

(7) A Informática e a Educação no Ensino mediado por Computador. Resumo das Teorias Os principais pontos das teorias descritas encontram-se resumidas no quadro 2.1. Como já citado, o objetivo deste tópico é apresentar algumas diretrizes pedagógicas para apoio ao desenvolvimento dos Sistemas Tutores Inteligentes na modelagem do estudante. Diretrizes Pedagógicas para Modelagem do Aluno Verificando as diversas combinações entre as teorias que apoiam o modelo do estudante e a atuação dos sistemas e considerando a afirmação de que o mesmo esteja relacionado com o modelo pedagógico, surgem questionamentos sobre como planejar os eventos educacionais nos Sistemas Tutores Inteligentes, de acordo com as diferentes teorias de aprendizagem. Segundo Da Costa (1997), Viccari enfoca que não se pode esquecer o apoio das teorias para fundamentar os modelos do estudante e pedagógico. As estratégias de ensino podem ser consideradas como os planos que definem as maneiras de apresentar o material educacional ao estudante, através de sua interação com o modelo de interface. Este modelo é responsável pela interação entre os elementos dos Sistemas Tutores e o Estudante, transmitindo informações ao STI e recebendo informações, as quais, após verificação e análise serão devolvidas ao estudante, mediante a abordagem utilizada pelo modelo pedagógico. Em relação à concepção de sistemas de aprendizagem, Da Costa (1997) descreve que os fatores que determinam uma operação tutorial e que constituem a base de decisões são considerados a partir da análise didática do domínio, da modelagem do estudante e dos princípios pedagógicos. O modelo do estudante relaciona-se, também, com o módulo do conhecimento do domínio da aplicação. A interação entre esses módulos é complexa, pois cada operação do Sistema requer um plano de ação que interaja de forma harmoniosa às decisões e conteúdos desses três componentes: modelo do estudante, modelo. Revista de Educação. qualquer nível de desenvolvimento existem certos problemas que um indivíduo está a ponto de resolver. O indivíduo somente requer algumas estruturas, chaves e recordações que o ajudem a recordar detalhes ou passos, que o encorajem a procurar a solução, tentando encontrar os meios necessários para a descoberta da mesma através de eventos sucessivos. É evidente que alguns problemas ultrapassem a capacidade do indivíduo, ainda assim se explica cada passo com clareza. Na zona de desenvolvimento proximal, encontramos o local onde o ensino pode alcançar êxito, já que é onde a aprendizagem real é possível (CASAS, 1999). A “zona de desenvolvimento proximal” é potencializada através da interação social, onde as habilidades podem ser desenvolvidas com a ajuda de um orientador, servindo de guia ou através da colaboração entre pares. Já o nível de desenvolvimento real é considerado como as funções mentais do indivíduo, que já estão estabelecidas, decorrentes das etapas de desenvolvimento inteiramente cumpridas pelo mesmo. Segundo Casas (1999) a teoria de Vygotsky recomenda que os professores não se preocupem somente em dispor os dados, mas sim, de condicionar o ambiente de maneira que os estudantes possam descobrir o problema por si. Os estudantes devem ser orientados com explicações, demonstrações e exercícios em parceria com outros colegas, disponibilizando oportunidades para a aprendizagem cooperativa. Deve-se criar (desenvolver) neles o uso da linguagem para organização e estruturação dos seus pensamentos, para que desta forma consigam falar a respeito dos passos necessários para a resolução dos problemas. Portanto, a abordagem da teoria de Vygotsky na prática educacional requer que o professor reconheça a idéia da “zona de desenvolvimento proximal” e incentive o trabalho colaborativo, de forma a potencializar o desenvolvimento cognitivo dos estudantes. Os ambientes colaborativos de aprendizagem, apoiados em computadores e tecnologias associadas, valorizam este tipo de abordagem, criando um espaço de trabalho conjunto (FERREIRA, 1998 e DA COSTA, 1997).. 119.

(8) Revista de Educação. Adriano Rogério Bruno Tech. pedagógico e modelo de domínio. As decisões devem ser explicitadas e previstas, devido à complexidade dos fatores que influenciam as modificações do estado de conhecimento e a natureza do diagnóstico do aluno. Verifica-se que existem poucas referências explicitadas à utilização de teorias pedagógicas na concepção dos Sistemas Tutores. Considerando os aspectos abordados nos itens anteriores deste tópico, Da Costa (1997) elaborou algumas diretrizes básicas para apoiar a modelagem do estudante, relacionando uma estratégia pedagógica coerente com cada uma 120. das quatro abordagens teóricas apresentadas, as quais, estão apresentadas no Quadro 2.2. Considerações Finais Neste Artigo, foram descritas e analisadas quatro teorias de aprendizagem e, os enfoques pedagógicos referentes aos modelos do estudante, concluindo que elas têm um importante papel no desenvolvimento dos Sistemas Tutores Inteligentes. Desta maneira, foram disponibilizadas diretrizes pedagógicas para a modelagem do estudante. Entretanto,.

(9) surgiram questões relacionadas à rigidez da maior parte dos Sistemas Tutores descritos e as possíveis soluções para o desenvolvimento de sistemas mais flexíveis e abertos, instrucionalizando eventos mais livres e criativos, permitindo, assim, um processo de aprendizagem mais simples, coerente e eficiente. Portanto, uma das soluções seria a construção de Sistemas Híbridos, compostos de um ambiente interativo de aprendizagem e dos modelos tradicionais dos Sistemas Tutores Inteligentes. Os ambientes interativos enfatizariam o papel ativo e autônomo do estudante que interagiria com um ambiente, cujo objetivo é o processo de construção do conhecimento, apoiando o espaço de exploração, descoberta e cooperação entre os estudantes e, os Sistemas Tutores viriam para fornecer conteúdo estruturado, individualizando o processo educacional. O referido tópico referendou as abordagens pedagógicas e suas utilizações no. desenvolvimento do Modelo Pedagógico do Sistema a ser proposto, utilizando-se técnicas de exposição do conhecimento através das teorias Construtivistas e Pós-Construtivistas permitindo, assim, um aproveitamento melhor na interação do Sistema com o Estudante, com isso, aprimorando o processo ensino-aprendizado.. Revista de Educação. A Informática e a Educação no Ensino mediado por Computador. Referências Bibliográficas CASAS, Luis Alberto Alfaro. Contribuições para a Modelagem de um Ambiente Inteligente de Educação Baseado em Realidade Virtual. 1999. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) - Programa de Pós Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina. CHAIBEN, Hamilton. Inteligência Artificial na Educação. Relatório de pesquisa. Universidade Federal do Paraná. Disponível em: <http:// www.cce.ufpr.br/~hamilton/iaed/iaed.htm >. Acesso em: 22 out. 2002. COEN, Michael. “Sodabot Agent”. Disponível em: <http://www.ai.mit.edu/people/sodabot/>. 1995. apud FLEISCHHAUER, Luciana Irene Amaral. Uso da. 121.

(10) Revista de Educação. Adriano Rogério Bruno Tech. 122. Tecnologia de Agentes na integração da Programação da Produção. 1996. Dissertação - Universidade Federal de Santa Catarina. Santa Catarina. 1996. COSTA, E. Um modelo de ambiente interativo de aprendizagem baseado numa arquitetura multiagentes. 1997. Tese (Doutorado) - Programa de Pós Graduação em Engenharia Elétrica. Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa, 1997. COSTA, Marcelo Thiry C. Uma arquitetura baseada em agentes para suporte ao ensino à distância. 1999. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) Programa de Pós Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 1999. DA COSTA, Rosa M. E.; SANTOS, N. ; ROCHA, Ana R. Diretrizes pedagógicas para modelagem de usuário em sistemas tutoriais inteligentes. In: Taller Internacional de Software Educativo, TISE, 1997, Santiago. Trabajos...Santiago, 1997. Disponível em: <http://www.c5.cl/ieinvestiga/actas/tise97/trabajos/ trabajo11/index.htm>. Acesso em: 22 out. 2002. EBERSPÄCHER, H. ; KAESTNER, C. A arquitetura de um sistema de autoria para construção de tutores inteligentes hipermídia e seu posicionamento na informática educativa. In: Congresso da Rede Iberoamericana de Informática Educativa, RIBIE, 4, 1998, Brasília. Actas...Brasília, 1998. Disponível em: < http://www.c5.cl/ieinvestiga/actas/ribie98/207.html>. Acesso em: 21 mar. 2001. MORAIS, Luis Cesar Dias. Sistemas Tutores Inteligentes. Disponível em: <http:// www.tathy.comp.ita.cta.br/~luiscdm/sti.html>. Acesso em: 15 set. 2001. ROMANI, L.; GOMES, S. Professor virtual baseado em sistemas multi-agentes. 1999. Monografia (Pós Graduação) - Instituto de Computação, Unicamp..

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