RAFAEL
DE
SOUZA
TRINDADE
EPIDEMIOLOGIA
E
PREVENÇÃO
DE ACIDENTES
ESPORTIVOS
EM
CRIANÇAS
Trabalho apresentado à Universidade
Federal de Santa Catarina, para a conclusão
no Curso de Graduação
em
Medicina.FLORIANÓPOLIS
EPIDEMIOLOGIA
E
PREVENÇÃO
DE
ACIDENTES
ESPORTIVOS
EM
CRIANÇAS
Trabalho apresentado à Universidade Federal de Santa Catarina, para a conclusão
no Curso de Graduação
em
Medicina.Coordenador do Curso: Edson Cardoso
Orientador: Suely Grosseman Mattosinho
Coorientador: Leila Cristiane
Machado
FLORIANÓPOLIS
AGRADECIMENTOS
Quero
agradecer este estudo aminha
orientadora, SuelyGrosseman
Mattosinho, e a
minha
coorientadora, Leila CristianeMachado,
pelacalma
epela confiança depositada
em
minha
capacidade. 'Como
agradecimento pessoal, gostaria de congratular GabrielaBalbinot, pelo apoio científico, emocional e por seu companheirismo,
mesmo
nas horas mais difíceis.À
seu pai, Geraldo Balbinot, agradeço o imprescindível apoio logístico,com
o qual tive grandes facilidades.À
família,acostumada
com
ausências,mas
conscientedo
objetivo aalcançar,
meu
muito obrigado. _À
UFSC,
universidade de qualidade e propriedadedo
povo,meus
votos de perseverança e muitos anos de vida.1.
INTRODUÇÃO
... ._ 01 2.CONHECENDO
A
TEMÁTICA
... ..04
3.
SÍTIOS
ANATÔMICOS
E
ESPORTES
ENVOLVIDOS
... .. 103.1
CRÃNIO
3.2OLHOS
` 3.3EACE
3.4CORAÇÃO
3.5MÃOS
4.
PREVENIR
PARA
NÃO
REMEDIAR
... .. 25 5.CONCLUSÃO
... .. 321.
INTRODUÇÃO
No
Brasil, as causas externas (violência e acidentes), constituíram amaior
causa de mortalidadena
faixa de idade de 5 a 19 anosem
1996em
ambos
os sexos.Nas
idades compreendidas entre 5 a 9 anosem
1996, deforma
global(em
todo o Brasil), foi de 56,3%, sendo que,na
região Sul, representou49,2%
eem
Santa Catarina, 59,8%; sendo esta a líder dos estados desta região. Jána
faixa de 10 a 14 anos, os índices de mortalidadeglobais encontrados
foram
de 56,3%; sendo59,2%
na região Sul e66,4%
em
Santa Catarina,
novamente
líder dos estados sulinosl.O
esporte e a atividade recreacionalpodem
estar envolvidoscomo
fatores causais de morbimortalidade por causas externas.No
Brasil aindahá poucos
dados epidemiológicos direcionados às causas extemasz.
A
principal fontede informação
tem
sido os óbitos por estas causas, quena
maioria das vezes,são coletados através de atestados de Óbitos emitidos pelo Instituto
Médico
Legal de cada estado,havendo
itens importantes,como
tipo e natureza da lesão, imprecisosou
incompletos.Quanto
à morbidade, os dadosdependem
de estudos direcionados e que ainda são poucos3.
A
atividade fisicavem
sendo cada vei mais estimulada, objetivandonão só o desenvolvimento de habilidades e daforma
fisica,mas também
amanutenção da
saúde defonna
global e demelhor
qualidade de vida4*5 .Um
fenômeno documentado
atualmente é o envolvimento cada vezmaior
decrianças e adolescentes
em
competições (esportes de rendi1nento)4”6*7.Paralelo ao
aumento
da prática desportiva,tem
se observadoum
preocupação crescente
em
relação aos esportes infanto-juveniss etem
sidoobjeto de estudo de diversos países3*8. `
Nota-se que tanto o público quanto os jogadores aceitam o risco de lesão
como
uma
conseqüência inevitável da participação desportiva 9. Esta éuma
grande barreira a ser transposta: a idéia de que o acidente é imprevisível 110
e que sua ocorrência é aleatória, de
forma
que não possa ser previsto eevitado “_
Entretanto, pode-se afirmar que tanto os acidentes quanto as doenças
têm
sua epidemiologia
bem
definida, o que faz a idéia "acidente" cairem
desuso.Em
seu lugar surge a correta e científica descrição de lesões, agentes causadores,comportamento
e fatores de risco relacionados às causasexternas3. Esta
abordagem
toma-se fundamental para o planejamento deestratégias de prevençãou. Sabe-se que cerca de
50%
de todas as lesões sofridas por crianças e adolescentes durante atividades esportivasorganizadas são evitáveis 5.
A
verdadeira importância das lesões acidentais e o seu custo sócio-econômico
são grosseiramente subestimados.Os
acidentesnão
têm
recebidoem
nosso pais a proporcional atenção merecida 2.Como
fator contribuinte e aomesmo
tempo
agravante,há
o fato de haverpoucas publicações científicas que
têm
abordado oproblema na
infância 12 e nos esportes 1114.Além
de poucas trabalhos nesta área, certos estudiososvêm
concentrando seus trabalhos principalmentena
áreada
mortalidade,havendo
grandecaminho
a ser percorridocom
relação àmorbidade
12 .Na
área desportiva, a maioria dos estudos são transversais”, referentes aum
único esporte, sítio anatômico específicoou
mesmo
cornuma
casuísticanão
representativa”. Diferentes definições de lesões, níveis técnicos, objetosde estudo
além
de diferenças quanto ao tipo de análise, entre outros aspectos,tomam
dificeis ascomparações
entre os resultados obtidos7*l6°17°lS.¬ 3
A
Sociedade Brasileira de Pediatria,com
o apoio daUNICEF,
desencadeouem
outubro de1998
uma
Campanha
Nacional de Prevenção de Acidentes, procurando nãosomente
sensibilizar os pediatrasmas também
outros setoresrelacionados à saúde e à criança.
Ao
pediatra, cabe importante papelna
conscientização dos pais e responsáveis pelas crianças quanto à prevenção de acidentes 19.
A
OrganizaçãoMundial
deSaúde
tem
como
importante objetivouma
substancial redução de lesões desportivas, tantono
número
quanto na gravidade,antes
do
ano 2000.O
plano apresenta quatro etapas: coleta de dados, descoberta de fatores etiológicos, aplicação de medidas preventivas baseadas nestes fatores e a avaliação destasmedidas
1° _Esta
monografia
tem
por objetivo fazer urna revisão bibliográfica de estudos sobre lesões desportivas agudasem
criançascom
idadeacima
de 5 anos7salientando a importância
da
morbimortalidade e de suas diversas formas de prevenção.2.
coNHEcENi)o
A TEMÁTICA
Uma
lesão desportiva edefinida
como
qualquerdano
fisico causado porum
acidente durante aula de educação flsicaou
qualquer atividadedesportiva fora da escola, sendo esta organizada
ou
não-organizada” . Atletasestão sujeitos a dois tipos basicos de injúrias: as lesões agudas e as
crônicas4“2°.
As
lesões agudasacontecem
devido aum
macrotrauma
de impacto único4'8°2l, e
têm
evolução imediata7.
As
lesões crônicasocorrem
por repetidos microtraumas4*8”21, e são de evolução cumulativa7.No
desportistaambas
podem
teruma
ou
mais das seguintesconseqüências: redução total
ou
parcial das atividades desportivas,necessidade de orientação
ou
tratamento médico,além
de repercussõesna
. ,, . . 3
vida
economica
e social _Os
mecanismos
de lesãodevem
ser relacionadoscom
os fatores de risco. Estes são classificadosem
fatores extrínsecos e intrínsecossza) Fatores intrínsecos são os aspectos relacionados
com
a idade, o sexo, 'acondição fisica, o desenvolvimento motor, alimentação e fatores psicológicos.
b) Fatores extrínsecos
compreendem
aspectos da execuçãoda
técnica de cada modalidade, tipo de equipamento, organizaçãodo
treino eda
A
classificação dos esportes por contato ocorre da seguinteforma
esportes de contato/colisão, de contato limitado e
sem
contato”V (Éontato colisão Basquetebol
Boxe
Rugby
Artes Marciais IceHockey
FutebolHandebol
Contato
limitado Beisebol Ciclismo Ginástica Vôlei SkateSquash
SurfeSem
contato Golfe BolicheDança
Arco
flecha
Pesca Natação TênisQuadro
I - Classificação dos esportes pelo contato 22.Nos
esportes de colisão (boxe, “ice hockey”, futebol americano), os atletas entramem
contato propositadamente unscom
os outrosou
contra objetos inanimados,com
grande força.Nos
esportes de contato (beisebol,basquetebol), os jogadores entram
em
contato rotineiramente unscom
osoutros,
porém
com
menor
força.Nos
esportes de contato limitado, o contatoé apenas ocasional
ou
inadvertido.Os
esportes de contato limitado,como
aginástica e o “downhill”,
podem
ser tão perigosos quanto as atividades de contatoou
colisão. Esta classificação reflete,com
algumas
limitações, orisco relativo
da
possibilidade de lesões e acomparação
da probabilidade deSahlinm, durante
um
ano, entre 1985 e 1986, aplicouum
questionário,preenchido pela criança vítima de lesão desportiva
ou
por seus acompanhantes,quando da
admissãono
Hospital Universitário de Trondhein, Noruega.O
hospital tinhauma
área de abrangência de 200.000 habitantes. Acidentescom
bicicletasomente
foram incluídos se ocorressemem
circunstâncias de competição.De um
total de 2841 acidentes ocorridosem
crianças de 5 a 14 anos que foram atendidas naquele hospital,27%
ocorreramem
atividade esportiva, sendo53%
no
sexo masculino e47%
no
sexo feminino.
Entre os meninos, os esportes onde mais ocorreram lesões
foram
o futebol(32,83%
das lesões), esqui (15,28%), "cross-country” esqui(10,52%), acidentes corn ginástica (4,76%) e acidentes
com
bola,não
especificados (4,0l%). '
Entre as meninas, os principais esportes onde
houve
lesõesforam
o handebol (26,56%), o futebol (11,77%), esqui e acidentescom
bolanão
especificados
(aproximadamente
6,26%
cada).Os
mecanismos
de lesão mais freqüentemente encontradosforam
asquedas
(41%)
e as colisõescom
adversáriosou
obstáculos (41%).No
futebol, as colisões contaramcom
56,74%
das vezescomo
mecanismo
delesão, estando
em
primeiro lugar.Em
segundo, encontraram-seas
quedas,com
37,07%.No
handebol, as colisões contaramcom
61,29%
e as quedas, corn33,87%
dos casos.Os
dois esportes, neste trabalho, apresentarammecanismos
semelhantes de lesões.Os
principais tipos de lesõesno
futebolforam
as entorses (34,83%), ascontusões (33,14%) e as fraturas (26,40%).
No
handebol, as lesões maisfreqüentes
foram
as entorses (50,8%), as contusões (25,80%) e as fraturas7
Pouca
variação na incidência de lesões, foi encontradaquando
levadaem
consideração a idade. Entre as crianças de 5 a 11 anos,31,63%
das lesõesforam
entorsese32,99%,
contusõesou
lacerações. Entre aquelas de 12 a 14anos,
34,05%
dos casosforam
entorses e31,66%,
contusõesou
lacerações.Velin et al.” estudaram, de
forma
prospectiva, 8641 casos de urgências cirúrgicas,em
crianças de 7 a 16 anos, atendidasno
Hospital PediátricoLenval ,
em
Nice, França, durante o ano de 1992.Não
foram levadasem
consideração lesões crônicas (ou por excesso de uso).
Foram
incluídos ostraumas ocorridos
em
aulas de educação física, competições organizadas porassociações esportivas
ou
federaçõesou
ainda prática livre (não organizada).O
referido hospital atendeu, durante o ano de 1992,11847
crianças,sendo
73%
urgências cirúrgicas e27%
urgências médicas.Os
traumas esportivos contribuiramcom
541 casos, sendo4,6%
do total atendido e6,3%
dos casos cirúrgicos atendidos.A
distribuição por sexo foi de62%
para criançasdo
sexo masculino e38%
do
sexo feminino.Foram
encontradas os seguintes indicadores epidemiológicos, entre osesportes, para as lesões desportivas: futebol
(18,5%
dos casos), bicicleta (12,2%), basquete e ginástica (9,4%), esqui (9,2%), equitação (7,8%), vôlei(5,0%), handebol (4,8%) e o atletismo (4,6%).
Houve
significativa diferençaem
relação às circunstâncias da atividadedesenvolvida
no
momento
em
quehouve
o trauma. Neste estudo, o esporteescolar contribuiu
com
36,3%
dos casos; o lazer desportivo,com
51%
e as competiçõesem
geral representaram12,7%
das lesões.Diferenças
foram
encontradas quanto ao esporte praticadoem
relação aotipo de atividade:
a) nos esportes escolares, a ginástica teve incidência de
20,4%
dos acidentes,b)
no
lazer desportivo, os acidentescom
bicicleta estiveramem
primeirolugar
com
25%;
o esqui,com
17%
e o futebol, 14,9%.c)
em
competições, o futebol representou37,8%
dos casos; os esportes decombate
(judô, boxe, aikidô, etc),17,4%
e o basquete,14,5%
das vezes.No
futebol ocorreram maiornúmero
de lesões durante as competições sendo que estastambém
foram
mais graves.Na
ginástica, deforma
diferentedo
futebol, apesar de haver maiornúmero
de lesõesna
prática escolar, as lesões mais graves aconteceramem
competições.Traumas
crânio-faciais ocorreramem
15,5%
dos casos; lesões no tronco,em
9,2%
e traumas periféricos aconteceramem
75,3%
das vezes. Dentreestes,
houve
39,2%
de fraturas,32,9%
de entorses e25.7%
de contusões.Descolamentos
epifisários aconteceramem
3,5%
dos traumas.Ocorreram
hospitalizações
em
14,4%
das vezes devido às lesões desportivas,demonstrando que
a prática desportiva foi benigna.Diferença significativa na
porcentagem
dos traumas desportivosem
relação a outras referências,pode
ter sido originadano
inícioda
idade faixaetária estudada, que neste estudo foi de 7 anos, diferente de outros 5=14'24*25_
Baxter-Jones et al.26
fizeram
um
estudo longitudinaldenominado
TOYA
(training of
young
athletes study), durante três anos, entre 1987 e 1990,em
Aberdeen, Escócia.Tiveram
uma
amostra de453
crianças, de _8 a 16 anosde idade, todas consideradas atletas de elite, e que tiveram a seguinte
distribuição
segundo
o sexo: 231 crianças masculinas e222
femininas.Segundo
os esportes, foram: a) futebol:64
crianças; b) natação: 114 crianças;c) ginástica: 119 crianças e d) tênis: 156 crianças.
9
O
estudo considerou lesão desportiva àquela ocorridacomo
resultado departicipação
em
esporte que tenhauma
ou
ambas
das seguintesconseqüências: redução
na
quantidadeou
nível de atividade desportivaou
necessidade de tratamentoou
aconselhamento.Foram
encontrados49%
de atletas livres de lesões e51%
de atletascom
uma
ou
mais lesões.Houve
uma
incidência de 54 lesões paraum
grupo de l00 atletas, sendo que40
eram
relativas aos esportes selecionados e o restante, devido a outras práticas desportivas, esportesou
aulas de educaçãofísica.
Houve
diferenças marcantes quanto aos diferentes esportes.No
futebol,houve
lesõesem
67%
dos jogadores.Na
ginástica, aconteceramem 65%
dos atletas eem
tenistas,em
52%.
Na
natação, ocorreram lesões ein37%
dasvezes.
A
maioria das lesões ocorreramem
treinos, principalmentena
ginástica, corn quase
80%. Exceção
feita ao futebol,onde
houve
mais lesõesem
competições, contribuindocom
53%
das vezes. Praticamente ametade
das lesões
do
futebol, ocorridas fora de competiçõesou
treinos, ocorreram devido à participaçãoem
outras atividades fisicasou
esportes.Não
foram
achadas diferenças significativas entre os sexosna
probabilidade de sofrerem traumatismos.
O
TOYA
não incluiumeninas
entre os jogadores de futebol, ao contrário dos outros esportes. _,De
todas as lesões reportadas,30,08%
foram
classificadascomo
crônicasou
por excesso de uso e69,92%
corno lesões agudas. Lesões por excesso de usoforam mais
severas e tiveramcomo
conseqüênciauma
média
de20
diaspara sua recuperação, enquanto as lesões agudas deterrninaram cerca de 13
dias de convalescença.
Nadadores
tiveram cerca de 2/3 de lesões por excesso de uso enquanto que jogadores de futebol, cerca de 1/6.A
localização anatômica dos traumas variou entre os esportes estudados.nadadores, os
ombros foram
o ponto mais vulnerávelcom
40%
do
totalneste esporte.
Em
tenistas,houve pequena
preponderância de traumasem
tornozelos e pés.Em
ginastas femininas, ocorreram lesões de padrão semelhante ao tênis.3.
SÍTIOS
ANATOMICOS
E
ESPORTES ENVOLVIDOS:
3.1-Crânio
Sosin et al.”
em
1996
estimaram que 300.000 lesões cerebraistraumáticas esporte-relacionadas
acontecem
nos EstadosUnidos
a cada ano.Os
esportesonde
maisocorrem
traumas encefálicos internos são o futebolamericano e o
boxe
28. Outros esportes,onde
há probabilidade detrauma
encefálico,
devem
ser considerados,como
o "ice hockey", "roller hockey",futebol, basquetebol, beisebol e esqui.
No
entanto, a verdadeira incidência édesconhecida 29 .
Diamond
30'estudou
46.680
casos de .traumatismos crânio-encefálicos(TCE)
ocorridos entre 1988 a 1993 e obtidosdo
Registro Central de lnjúriaCerebral
da
Virgínia,EUA.
Considerando a incidência ajustada à idade,traumas crânio-encefálicos foram mais presentes
em
criançasmenores
de 6anos.
Acidentes relacionados a esportes e recreação contribuiram
com
considerável parcela dos traumas registrados, principalmente ein criançasll
contribuíram
com
3,5%
dosTCE,
ficando
em
3° lugar, atrás das quedas(73,2%) e acidentes
com
veículos automores (9,1%).Na
faixa de 6 a 10anos, esportes e recreação
causaram
18,1%
dos acidentes, ficandoem
2° lugar, atrás das quedas,com
42,4%. Entre ll e 19 anos,permaneceram
em
2° lugar,com
17,2%
dos casos, atrás dos acidentes automobilísticos,com
38,8%
dosTCE.
A
maioria dos traumas encefálicos de leve amoderada
gravidade é classificadocomo
concussão, isto é,uma
síndrome clínicaonde
háalterações imediatas e temporárias
do
estado mental devido às forças de aceleração e desaceleração resultantes deum
trauma encefálicozglg.Repetidos traumas encefálicos, leves
ou
moderados, queocorrem
em
um
curto periodo de tempo, corno horas, dias
ou semanas
podem
ser fatais, senão
houver completamelhora
anterior. Estefenômeno
échamado
Sindrome
do
Segundo
Impacto28°29.Segundos
a minutos após o segundo impacto, oatleta se sente obnubilado, entra
em
colapso,havendo
dilatação pupilar,perda da
movimentação
ocular e sinais de insuficiência respiratória, condições quepodem
ser fataiszg.O
MMWR
29,em
1996, publicou dois relatos de casos deSíndrome do
Segundo
Impacto:no
primeiro caso,um
atleta de 17 anos sofreuqueda
durante jogo de futebolamericano, colidindo sua cabeçacom
o solo. Sentiu- semal
durante o intervalo,mas
não
informouao
treinador.No
segundo
tempo, devido aos habituais choques
com
os adversários, sofreu síncope efoi levado ao hospital já
em
estado de coma.Apesar
de todo o apoiomédico
disponível, veio a falecer quatro dias depois. Autópsia revelou
edema
cerebral difuso, áreas de isquemia subcortical ehematoma
subdural.No
segundo caso,
um
jogador de futebol americano, de 19 anos, teve cefaléiaapós
um
treino de “full-contact”.No
dia seguinte ao treino, sofreu síncope durante o jogo de futebol, 2 minutos após Luna jogada de risco.Tomografia
computadorizada
mostrou
edema
cerebral difuso ehematoma
subduralpequeno.
Apesar
de todo cuidadomédico
disponível, faleceu 3 dias após.Autópsia revelou congestão cerebrovascular e herniação do lobo temporal.
3.2-Olhos
Traumas
oculares por causas geraisem
todas as idades representam de38
a
52%
dosnovos
casos apresentadoscomo
acidentesou
emergências ocularesem
hospitais 3152.Os
locais de acontecimento maiscomuns
paralesões oculares
em
todas as idades são: lar, local de traballio, locais de¬»\
JJ
esportes/lazer e calçadas
ou
ruas .Estima-se que lesões oculares relacionadas a esportes são responsáveis por mais de 100.000 visitas
médicas
por anoem
todas as idadesem
1995 nosEUA
34.Fong
35,em
estudo sobre "lesões oculares relacionadas a esportes",encontrou
um
percentual de5%
de contribuição desta causaem
relação àstodas as lesões oculares tratadas
no Royal
VictorianEye
and
Ear Hospital, Austrália, durante o período de 1989-1991.Apesar da
baixa incidência encontrada, sua severidade foi desproporcionalmente alta, vistoque
representou
22%
das admissões hospitalares por lesões oculares naquele hospital.Segundo
Catalano36, crianças e adolescentestêm
maior
participaçãoem
esportes de risco do que adultos.O
maior número,
a imaturidade atlética e a probabilidadeaumentada
de uso inadequadoou
mesmo
de proteção ocular imprópria, contribuem para suagama
desproporcional de lesões oculares.13
Capão
Filipe et al.37, estudaram deforma
prospectiva 85 casos de lesõesoculares relacionadas ao esporte, atendidas entre 1992 e 1995,
no
Departamento
deEmergências
Ocularesdo
Hospital de PortoSão
João,em
Portugal.
Do
total de lesões oculares esporte-relacionadas,houve
incidência de27%
de casos pediátricos (menores de 18 anos).Na
Escócia,em
pesquisa prospectiva nacional sobre lesões ocularesmoderadas
a severas33, durante os anos de 1991 e 1992, Desai et al.encontraram
um
índice de22,2%
de lesões ocularesem
criançasmenores
de15 anos, sendo que crianças entre 5 e 15 anos representaram
18,7%
do totalde traumas oculares.
O
ambiente demaior
envolvimento nos traumas oculares nestas criançasforam
: o lar,em
46,2%
das vezes, a escola,com
16,7%
e os locais deesportes e lazer, perfazendo
11,5%
dos casos.O
conhecimento das atividades desenvolvidasno
momento
de ocorrência das lesõespodem
fornecer melhores informações sobre as causas das lesões oculares, possibilitandomelhor
planejamento das estratégias de prevenção.Em
crianças entre 5 e 15 anos, as seguintes situaçõesforam
encontradas neste estudo: prática desportiva,em
18%
das casos; agressões, representando16,7%
dos casos e acidentescom
eletrodomésticos e ferramentasdomiciliares,
em
7,7%
dos casos.Os
mecanismos mais
freqüentes de lesões oculares encontrados porCapão
Filipe et al.37, foram:trauma
diretocom
bola(64,3%
dos casos) etrauma
com
ospunhos
(15,6%
das vezes).Desai et al.33
na
Escócia, encontraramcomo
causas de lesões oculares, osseguintes fatores:
a) trauma direto
com
tacos de beisebolou
outroequipamento
desportivocausaram
7,2%
dos traumas oculares;c) trauma direto
com
bola de squash,em
0,96%
das vezes; d)trauma
diretocom
bola de futebol,com
0,48%
dos casos ee)
com
outras bolas,em
0,72%.Segundo
Jeffers 38,no
basquete, as lesões oculares sãocausadas geralmente por dedos e cotovelos.
No
beisebol, ocorrem geralmente pela bola e nos esportes de quadraou
de raquete, acontecem pelo contato diretocom
a bola e secundariamente pela raquete.A
atividade desportivapode
ocasionar vários tipos de lesões oculares,como:
lesões de pálpebra, hemorragia orbital,enfisema,
presença de corposestranhos, fraturas orbitais, lesões conjuntivais , comeais e retinais 36, sendo
que
as mais freqüentemente encontradas são: abrasão de córnea, iritetraumática, hiferna traumática e fraturas orbitárias 2538.
Capão
Filipe et al.37 encontraramcomo
diagnóstico inicial maiscomum
ohifema, seguido de contusão palpebral e orbital, uveite, hemorragia retiniana e hemorragia vítrea.
As
lesões leves mais encontradasno Departamento
de Oftalmologiada
Universidade de Kentucky,
USA,
foram
abrasões e contusões, seguida delesões mais graves
como
hifema
39.Os
esportes de maior risco para lesões oculares são aqueles nos quaisnenhuma
proteçãopode
ser usada, incluindo oboxe
, o "w_restling" e as artesmarciais
em
geral 3638.Com
risco alto iriclueim-se aquelesque
usam
de rápidomovimento
de bolaou
disco , tacos e raquetesem
geral, corno obeisebol, tênis-de-mesa, tênis, "lacrosse", e arco-e-flecha36,
além
de futebolamericano, "l1ockey", basquetebol, softbol, tênis de duplas, "squash", handebol, "badminton", polo aquático e esgrima38.Esportes de baixo risco
incluem natação e ginástica36 ,e
também
ciclismo e natação” .Os
esportes que apresentammaior
frequência de lesões oculares são: o basquete, o beisebol e os esportes de quadras/raquetes 38 .15
No
Departamento
deEmergências
Ocularesdo
Hospital de PortoSão
João
em
Portugal 37, entre 1992 e 1995, os esportes que mais ocasionaramlesões oculares
em
todas as idadesforam
o futebol "outdoor" (38,1%), ofutebol "indoor" (34,5%), o handebol (6,0%), o voleibol e basquetebol
(3,6%
cada) e o tênis (2,4%).
3.3-Face
Lesões maxilofaciais são divididas ein três categorias: lesões de tecidos
moles, trauma dentoalveolar e trauma
do
esqueleto facial” _ Estima-se quel/3 de todas as traumas dentários sejam esporte-relacionados 41.
Tanaka
et al.” estudaram, demodo
retrospectivo, 98 pacientescom
fraturas maxilofaciais esporte-relacionadas tratadas
no Departamento
deCirurgia Oral e Maxilofacial da Universidade de Odontologia e
Medicina
de Tokio, durante os anos de 1977 a 1993.Neste estudo, pessoas entre
20
a 30 anosforam
a la faixa etáriamais
afetada por fraturas neste estudo(52%
das lesões). Pessoas entre 10 e20
anos representaram
34,7%
dos casos,em
2° lugar. VFraturas maxilofaciais esporte-relacionadas representaram
10,4%
do
total de fraturas maxilofaciais deste período.Rugby
e esqui, seguidos de beisebol e futebolforam
os esportesonde
mais aconteceram fraturas.Segundo
osautores,
normalmente
o esporte responsável pelomaior
número
de fraturastende a ser o esporte mais popular
do
país.No
casodo
Japão, orugby
éum
dos mais populares.
As
causas mais importantes de traumas maxilofaciaisforam
o impacto contra outro jogador,com
56,1%
dos casos; ocorrendo principalmenteem
esportes de contato
como
orugby
e o futebol. Impacto contra bolasou
tacos representaram26.5%
dos casos, principalmenteno
beisebol eno
golfe.Houve
60,2%
de fraturas mandibulares e22,4%
de fraturas alveolares.Cerca
de7%
dos casos apresentaram múltiplas fraturas,como
mandibularese ma>/rilares.
Os
locaismais
freqüentemente atingidosforam
o ângulo (41,l%), sinfise (28,8%) e o corpo (24,7%).Emshoff
et al. 43, pesquisaram sobre a incidência e causas de982
fraturasmandibulares de 712 pacientes ocorridas
em
Innsbruck, Áustria, entre 1984 e 1993 que foram tratadasno Departamento
de Cirurgia Oral e Maxilofacialda
Universidade de Insbruck.Do
total de 712 pacientes, o esporte representou causa de fraturaem
31,5%
dos casos. Destes,71%
dos pacientes foramhomens
e29%
foram
mulheres.
A
idade variou de 4 a 75 anos.Em
2° lugar, encontraram-se os acidentes de tráfego,com
27,2%;
em
3° lugar vieram as quedas,com
20,8%
e
em
4° , a violência, representando12,5%
dos casos. Outras causassomaram
8%.
Houve
predominância de fraturasno
período de inverno(dezembro
a março),onde
há o clima propício para a prática de esqui. Esqui foi oprincipal esporte na causa dos traumas maxilares, representando
90,9%
dostraumas ocorridos entre
novembro
a abril.Do
total da amostra, o esquirepresentou 55,3%.
A
segunda
causa maiscomum
foi o ciclismo,com
25,4%
dos traumas, enquanto o futebol contribuiucom
8,9%. Outrosesportes representaram
menos
de5%
cada.No
esqui,houve
predominância de lesões maxilaresem
homens,
em
urnaproporção de 7:3 mulheres.
No
ciclismo, a proporcão foi de 3:2. Cerca de51%
dos traumas aconteceramem
pacientesmenores
de 20 anos, e14,1%
em
pacientes de 0-9 anos de idade.No
futebol, ocorreram fraturassomente
17
A
distribuição anatômica das fraturas mandibulares foi a seguinte: área subcondilar (34,9%), sínfise (l6,8%), corpo anterior (18%), ângulo (l3,8%) e corpo posterior (5,2%).Neste estudo, o esporte contribuiu
com
31,5%
dos traumas maxilares, o que contrastacom
a incidência reportada na literatura corrente,onde
varia de 1,4 a 5,4%.A
diferença foi atribuída pelos autorescomo
sendoem
virtudeda localização geográfica de Innsbruck, cidade turística rica
em
locais para recreação e esportes, muito procurada por turistas. Portanto, os pacientes tinham muitotempo
disponível para praticarem esportes,alem do
ambientepropício,
tomando-o
principal causa de fraturas mandibulares.Nowjack-Raymer
e Gift 44 pesquisaram sobre o uso de protetores bucais ecefálicos entre 9.630 crianças
em
idade escolar, que sofreram lesõesdesportivas
no
ano de 1991, nos Estados Unidos.Os
dados forarn obtidosdo
NHIS
(National Health Interview Survey).Apesar
de haver protetores bucaise capacetes especialmente desenvolvidos para o beisebol e softbol, apenas
35%
das criançasusavam
capacetes e somente7%
usavam
protetores bucais durante todoou maior
partedo tempo
em
que praticavam estes esportesdurante o ano de 1991.
Houve
diferençasna
adesão ao uso de protetores bucaisquando
levadosem
consideração os seguintes fatores: -a) sexo:
40%
das crianças masculinas os usavam, contra25%
das femininas.b) nível sócio-econômico:
36%
das criançascom
maior nível osusavam,
esomente
24%
das crianças demenor
nível os usavam.c) idade:
12%
das crianças desegundo
grau (high school)usavam
protetores,contra
6%
das criançasdo
primário (elementary school)d) escolaridade dos pais:
45%
dos filhos de pais corn escolaridade igual/acima do segundo grau (high school),usavam
protetores, contra38%
daqueles filhos de paiscom
escolaridade inferior aosegundo
grau.No
futebol, segundo esportemais
popular entre criançasem
idade escolarnos
EUA
em
1991,com
quase 5 milhões de praticantes 44, apenas4%
dosjogadores
usavam
protetores e7%
protetores bucais.O
uso de capacetesnão
variou
com
a idade,mas
o uso de protetores bucais cresceu de4%
entre as crianças do curso primário para14%
do
segundo grau. Esta baixa adesão ao uso doequipamento
era esperada devido à ausência de regras para proteçãoorofacial na Federação
Americana
de Futebol(US
Soccer Federation) e ánão
menção
de tais equipamentosem
textos para atletas e treinadores.Apesar
de haver regras quanto ao uso de capacetes e protetores bucaisno
futebol americano há mais de 30 anos, foi encontradauma
incidência de72%
de uso destes equipamentos durante todo ou parte dotempo
de práticadeste esporte.
Houve
diferenças quanto aos seguintes fatores:a) sexo:
77%
do
sexo masculinousavam
capacetes, contra15%
do sexofeminino. '
b) idade:
88%
do
segundo grau contra52%
do primário.c) nivel sócio-econômico:
77%
das crianças de maior nivel os usavam,em
constraste ao uso de
54%
das crianças demenor
nível.d) educação dos pais:
78%
das crianças cujos pais tinhamsegundo
grauou
mais
usavam
capacetes, enquanto68%
daqueles cujos pais tinhamsegundo
grau
ou
menos
os usavam.O
estudo “Sports related oral injuryand mouthguard
useamong
Sheffield school children” 45 foi realizadoem
15 escolas secundáriasda
cidade de Sheffield,Reino
Unido,em
1994.Do
total de 717 questionários enviados,557
alunos, de 14 a 15 anos,responderam
completamente.A
idade-pico do acontecimento de lesões orais foi de 9,9 anos e a proporção entre os sexos foi de 1,6meninos
para cada menina.As
quedasforam
a principal causa,com
27%
dos casos, seguida dos esportes,com
24
3.5-Mãos
Pesquisa retrospectiva realizada no Children°s Hospital of Pittsburgh,
EUA,
durante o período de julho adezembro
de 1989, avaliou 27.294pacientes, dos quais
464
(l,7%) tiveram diagnóstico de lesãoem
mão,
em
um
total de477
lesões 51.Dos
101 pacientes lesionados por causas esportes-relacionadas,resultaram 105 lesões
em
mãos.A
idade pico de lesões relacionadas ao esporte foi 'de 11,8 anos, enquanto queem
lesões por causas gerais, foi de7,9 anos.
A
proporção entre os sexos foi de 2,5meninos
para cada menina.Quanto
ao ambienteonde
ocorreram as lesões, cerca de60,8%
dos pacientes acidentaram-seem
casa,21,7%
durante participação desportiva,3,8%
na escola ,2,6%
durante briga na rua,2,6%
enquanto hospitalizadosem
hospital psiquiátrico e0,4%
durante o trabalho.Em
8%
dos casos,não
houve
registro.Dentro das lesões desportivas (LD), as 4 principais lesões foram:
39
lesões de partes
moles (37,l%
das LD); 31 fraturas(29,5%
das LD);26
entorses
(24,7%
dasLD)
e 6 lacerações(5,7%
das LD).Os
esportes que mais contribuíramcom
a incidência dasLD
em
mãos
foram: futebol americano,com
35 lesões (33,3%); basquetebol,representando 21 lesões (20%), bicicleta,
com
ll lesões (l0,4%),beisebol/softbol,
com
9 lesões (8,5%); voleibol/ginástica: 6 lesões cada (5,7%
cada).O
futebol americano contribuiucom
grande parte das lesões einmãos,
mas
pode
ter havido urna falsa representação, pois o período de seismeses
4.
PREVENIR
PARA
NÃO
REMEDIAR
Deve-se
entender que é bastante difíciltomar
a prática desportivatotalmente livre de riscos.
Apesar
dos esforços dos pais, as criançastendem
a escolher o tipo de esporte baseadasem
seu próprio desejo, em' sua habilidadeou
ainda por influência de seus pares 16.Para estratégias de saúde e segurança serem efetivas na prevenção de lesões,
uma
abordagem
multidisciplinar deve ser seguida entre as partes interessadas,como
profissionais da saúde, autoridades, organizações
voluntárias, indústria e comércio, conselhos de segurança, etc.
O
papeldo
govemo
é de estimular e manter estas estratégias 33 _Em
primeira instância,cabem
aos pais a 'função de educar as criançascom uma
mentalidade voltada à prevenção de acidentes. Muitas vezes, face ao despreparo de muitos pais, a função acaba recaindo sobre a escola 2.Uma
maior
participação de associações desportivas, treinadores e paisem
atividades desportivas organizadas e o uso de equipamento
protetor
oferecem
apromessa
de contrabalançar a freqüência e diminuir a severidade das lesões destas atividades”. Sabe-se que cerca de74%
das lesões previníveis são atribuídas às atitudes dos próprios jogadores 9. '__ .
'
Os
programas
de prevençãopodem
ser estabelecidos a 3 níveis 8:a)
Prevenção
primária: prevê a ocorrência de lesões;b) Prevenção secundária: estabelece
medidas
para reduzir os acidentes e as lesões;c) Prevenção terciária: previne as disfunções funcionais.
Programas
de prevençãodevem
ser estabelecidos a nível deprevenção
primária e secundária, e não
como
atualmente acontece,onde
se atua basicamenteem
nível terciário 8.27
da
fala,além do
desconforto,da
durabilidade limitada edo
ajuste precário. Estratégias novasdevem
ser desenvolvidas para incrementar o uso de equipamentos de segurança,como
os protetores bucais fabricados sob medida, que são mais efetivos, de durabilidade maior e de maior conforto 44.O
preparo de educadores fisicos e treinadores deve ser rigido. Estima-seque
80%
daqueles que treinam times de esportes organizados nosEUA
nunca
tiveram aulas paraaumentarem
seus conhecimentosno
esporteem
que estão treinando 52,em
prevenção delesões ou procedimentos de emergência.
Programas
de educação epromoção
da saúdepodem
serdirecionada diretamente a estes grupos,
como também
ao público geral, pais e atletas °°.Técnicos e educadores fisicos necessitam ter
um
nível rninirno de qualificação necessário para suas responsabilidades ils, que inclua oconhecimento básico
do
desenvolvimento de responsabilidades, regras de segurança emanutenção
dos equipamentos, competênciaem
primeirossocorros,
métodos
de treinamentos ecomportamento
apropriadosem
relação aoitrabalhocom
crianças e adolescentes.Programas
como
oAmerican
EfièctívenessProgram (ACEP)
e oProgram
for AthleticCoaching
Educationpodem
suprir a necessária educaçãos.Deve
ser mantidoum
número
reduzido de crianças sob supervisãodo
treinador, afim
de obtermelhor
visão eum
acompanhamento
mais atuante dos alunosou
atletas 1°.
O
ColégioAmericano
deMedicina do
Esporte 5 salientaque
cerca de50%
das todas as lesões desportivas são preveníveis.A
melhoriada
aptidãofisica, da força e da flexibilidade de atletas jovens
pode
diminuir afreqüência de ocorrência de lesões agudas.
O
jovem
atleta deve seraconselhado a tomar parte de
um
esporte que seja compatível corn o seu tipoe nível técnico a
fim
de proporcionarmenor
risco para lesões. Regrasdevem
ser feitas para encorajar o “jogo limpo”, desestimulando faltas violentas.
A
avaliaçãomédica
pré-participação 554 necessita de realizações periódicas, devido ao rápido crescimento individual.A
anamnese
e oexame
físico
devem
definir condições que requeiram proteçãoou
tratamento (até
mesmo
exclusão de determinados esportes),ou que predisponham
a criançaàs lesões, a não ser que cuidados especiais sejam tomados.
Métodos
seguros de treinamento 5 são importantes na prevenção de todasas lesões desportivas.
Aumento
na intensidade e quantidade de treinamentodeve ser gradual e progressiva.
Apesar
de não haver dados científicos devalor, a regra de
10%
deaumento
na quantidade total de treinamento decrianças e adolescentes
tem
sidouma
prática clínica razoável. Treinamentodevem
incluiraquecimento
e desaquecimento. Exercícios de flexibilidadedevem
ser obrigatóriosem
atletas jovensem
fase rápida de crescimento, para evitar contraturas. `O
equipamento
deve ser seguro e prover proteção suficiente contra asprováveis forças encontradas naquele esporte.
Há
necessidade de instruções quanto à substituição devido aonúmero
de horas de uso, manutenção,método
de uso, etc.O
calçado,além
de propiciar conforto, devefomecer
segurança
adequada
ao praticante de acordocom
o esporte 2.As
superficiesde treino,
como
na ginástica,devem
estarem
boas condiçõesi, sofrerdeformações
no
impacto dos pés,além
deserem
firmes
para manter aestabilidade 7.
Na
natação, por exemplo,todos os acidentes ocorridos
foram
devido ao piso escorregadio ao redor da piscina
ou
mesmo
no
vestiário,segundo
pesquisa feita por Sahlin M.Grandes
progressosna
segurança da prática desportiva infonnal (nãoorganizada) tornar-se-iam, possíveis
com
a transferência29
princípios e hábitos de segurança aprendidos nos programas de educação fisica
em
atividades formais (organizadas) 8.A
Academia
Americana
de Neurologiarecomenda
a seguinte conduta29.
com
referência aomanejo
pós concussão cerebrala)
Concussão
com
confusão transitória,sem
perda de consciência e duração da anormalidadedo
estado mentalmenor
que l5 minutos:exame
médico
em
intervalos de 5 minutos. Se os sintomas desaparecerem dentro de 15 minutos, é permitido o retorno à atividade desportiva
no
mesmo
dia. Sehouver
uma
2” concussãono
mesmo
dia, proscrever a atividade fisica até o atleta tomar-se assintomático por
um
período de l semana.b)
Concussão
com
confusão transitória,sem
perda de consciência e duraçãoda
anormalidadeno
estado mentalmenor
que 15 minutos: proscrição daatividade fisica, avaliação freqüente dos sintomas,
com
avaliação diagnóstica mais extensa se os sintomas persistirem por mais de l semana. Retorno aoesporte se assintomático por 1 semana. Se houver
um
2° episódiosubseqüente ao 1°, retomar se assintomático por 2 semanas.
c)
Concussão
com
perda de consciência(mesmo
que por segundos): proscriçãoda
atividade fisica por 1 semana, se a perda de consciência foimomentânea.
Sehouver
um
2° episódio, o atleta deve serremovido
dosesportes até manter-se assintomático por 1 mês.-Se houver anormalidade nos
exames
deimagem,
proscrição da atividade fisica por toda a temporada.A
avaliaçãomédica
pré-participação éum
dos passos principaisna
prevenção de acidentes desportivos
em
geral 55.Nas
lesões oculares, a
anamnese deve
ser feita procurando identificarproblemas
oculares anterioresou
atuaiscom
os olhos e a visão,além do
uso de óculos de grau, lentes de contatoou
deequipamento
ocular protetor 56.Com
estaanamnese
, o("one-eyed"), termo desenvolvido pela
Academia
Americana
de Oftalmologia 56.Autores
sugerem
que estas criançaspoderiam
participarda
maioria dosesportes,
com
exceção de artes marciaisou
qualquer outro esporteem
que
proteção ocular
não
possa ser usada. Pais, pediatras, atletas, treinadores eadministração escolar
devem
estar envolvidos nesta decisão 57.No
exame
fisico dos olhos deve sermedida
a acuidade visual, que deveser 20/40
ou
melhor,com
ou
sem
lentes corretivas.Atletas
com
um
único olhoou
com
um
olho funcional ("one-eyed")ou
com
história prévia de cirurgiaou
lesão significativadevem
usar proteção ocular apropriada seforem
praticar esportes de alto risco para lesões oculares. Se o usodo equipamento
protetor for regular, deve ser checado seo estado
do equipamento
ébom
e se o tipo éadequado
58.Houve reduçãodramática na incidência de lesões oculares
no
“icehockey”
eem
esportes deraquete ocorridas por resultado direto de protetores oculares adequadosó. Esportes nos quais a proteção ocular não possa ser efetivamente usada para
estes pacientes são contra-indicados 373857,
como
oboxe
e artes marciaiscomo
full-contact e "wrestling" 61.Em
algunsesportes
podem
ser usados Óculos de proteção desportivoscom
lentes de policarbonato,como
"badminton", handebol, futebol, "squash", "street hockey", tênis e pólo aquático (estes
com
Óculos de nataçãocom
lentes de policarbonato38). Para outros esportes,como
beisebol, futebol americano, "ice hockey", "lacrosse"e softbol, a errigência varia de acordo
com
o tipo de esporte,podendo
serrecomendado
o uso concomitante de capacetes, protetores de face, Óculosespeciais, etc 3658. Capacetes
em
forma
de tigela ecom
presilhasno
queixonão
devem
serusados, poisum
impacto súbitopode
arranca-los e haver31
As
especificações para protetores oculares desportivos são definidas por organizações quedeterminam
os padrões de proteção dos olhos nos esportes,como
aAmerican
Society for Testing&
Materials e a Canadian Standards Association, permitindouma
maior
segurança ao usuário e aomédico
que oprescreve.
Os
padrões são os seguintes 38:a) lentes de policarbonato de 3
mm
de espessura e para esportes de baixorisco de lesões oculares
podem
ter 2mm.
.b)
armação
resistentecom
borda posterior para evitar lesão traumática deolho. '
c) tratamento antineblina das lentes. d) perfeito ajustamento.
Várias barreiras existem
em
relação à adesão ao equipamento ocular protetor: desconforto, visão alterada para a realização de determinada tarefa,5.
CONCLUSÃO
_
A
presente monografia observou que:Causas extemas constituíram importante causa de morbimortalidade
no
Brasil
em
1996;Acidentes relacionados a esportes representam relevante fator das causas extemas;
Há
2 tipos de lesões, as agudas e as crônicas.As
primeirasocorrem
devido aoum
macrotrauma
de acontecimento único, etendem
a termenor
período deconvalescença;
As
crônicasocorrem
por excesso de uso e seu período de recuperação tende a ser maior.Normalmente
os esportes demaior
contatotem maior
casuística de lesõesdesportivas agudas. Variações. ocorrem devido às diferenças regionais,
estações do ano, nível técnico,
mecanismo
de lesão, circunstâncias deocorrência, popularidade
do
esporte, dentre outros fatores.O
esporte mais popularno
país tende a ser ocampeão
de lesões.Apesar
das lesões desportivas serem,em
sua maioria, benignas,podem
serfatais nos casos de concussão cardíaca e
Síndrome do Segundo
Impacto. _Um
esforço de váriossegmentos
da sociedade deve ser feito afim
de prevenir lesões desportivas agudasem
crianças, incluindomudanças
nas regras dos jogos,adoção
de equipamentos mais seguros,exame
médico
pré- participação, dentre outros aspectos.33
6.
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