UNIVERSIDADE
FEDERAL
DE SANTA CATARINA
CURSO DE
GRADUAÇÃO
EM
c1;ENc1As
ECONÔMICAS
\
'
-
CONCENTRAÇÃO,
mOvAÇÕEs
TECNOLÓGICAS
E
GLOBALIzAÇÃOz
BREVE
A
- r
ESTUDO
DO
SETOR BANCARIO
BRASILEIRO
, i
Monografia
submetida aoDepartamento
de CiênciasEconômicas
para obtenção de cargahorária na disciplina
CNM
5420
-Monografia
Por
AndréiaZimmermann
Orientador: Prof.:
F emando
Seabra 'Área
de Concentração:Economia
IndustrialPalavras-Chaves: 1. Concentração; 2. Inovações Tecnológicas; 3. Globalização Financeira
\
r
UNIVERSIDADE
FEDERAL
DE
SANTA CATARINA
CURSO
DE GRADUAÇÃO
EM
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
A
.banca examinadora resolveu atribuir a nota._g¡...Q aluna AndréiaZimmermann
na disciplina
CNM
5420
- Monografia, pela apresentação deste trabalho. ~Banca
Examinadora:-\«â*^l~`f
Prof.:
Femando
Seabra Presidente ; 4, 'Pro.
G
t2.CAm?e3
Membro
.vá..
¿
z
flrzyí
Prof.: l4Â1_‹¡úu ¿‹.‹zL Flv~¡'e~'H
Dedico
estamonografia
aosmeus
pais, ameu
irmão e'
amigos.
A
todos aqueles que se esforçam na realização de 'Ao
Professor Fernando Seabra, pela valiosa e dedicada orientação.Ao
ProfessorRenato
Ramos Campos
pela paciência incansável.Ao
ProfessorAry
César Minella,do Curso
de Ciências Sociais daUFSC,
pela gentil acolhidaA
ProfessoraCarmen
Gelinsky, pelacompreensão
e apoio sincero.Aos
colegasdo
cursode
Ciências Econômicas.SUMÁRIO
LISTA
DE
TABELAS
... ..RESUMO
... . .CAPÍTULO
1 Página ... ..vii .... ..viii1.1NTRoDUÇAo
... ..2 1.1.O
-problema ... .. 1.2.Formulação
da Situação-Problema ... .. ... ..2 ... ..3 1.3. Objetivos ... ..6 1.3.1. Geral ... .. 1 .3 .2. Específicos ... . . 1.3.3 Metodologia ... ..CAPÍTULO
II 2.CONCENTRAÇÃO
INDUSTRIAL:
ALGUNS
ASPECTOS TEÓRICOS
2.1. Conceitos Gerais ... .. 2.3.Mudanças
no Grau
de Concentração ... .. ... ..6... ..6
... ..6
... ..9
... ..9 2.2. Determinantes da Concentração ... .. .... ..1O
CAPÍTULO
III3.
A
INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
NA
INDÚSTRIA
BANCÁRIA
BRASILEIRA;
UMA
BREVE
DISCUSSÃO TEÓRICA
... .;1s 3.1. Conceitos Gerais ... ... _. 183.2.
O
Caso
dosBancos
Brasileiros ... ..21CAPÍTULO
Iv
4.
SISTEMA
BANCÁRIO
NO
BRASIL:
BREVE
HISTÓRICO E
ANÁLISE
DA
CONCENTRAÇÃO
E
AUTOMAÇÃO
... . ... ..2s 4.1.Desempenho
do
Sistema Bancário nos anos80
e90
... ..28 4.2.A
Evidênciada
Concentração Bancáriano
Brasil ... ..354.2.1.
O
Sistema Financeiro Pré-Reforma ... .z....35 4.2.2.Reforma
e Reestruturaçãodo
Sistema Financeiro ... ..38 4.2.3.Breve
Caracterização da Concentração Bancáriado
Brasil ... ..4l4.3.
As
Causas
da
Automação
Bancária se a Participação da Concentração NesteProcesso ... ... ..4_.'/. «I
CAPITULO
V
5.A
GLOBALIZAÇÃO
FINANCEIRA
E
O
HSISTEMA
BANCÁRIO
BRASILEIRO
... ... ..535.1. Conceitos Gerais
da
Globalização ... ..535.2. Antecedentes Históricos da Globalização Financeira ... ..5*9
5.3.
A
Globalização e osBancos
Brasileiros ... ... ..6lCAPÍTULO
VI
«ó.
CONCLUSÕES
E
RECOMENDAÇÕES
... ..ósLISTA
DE
TABELAS
Página
-TABELA4l.-
Número
de Agências Bancárias - Brasil - 1980 a1984
... ...3O-
TABELA~4.2.
-Evolução do
Emprego
no
Setor Bancário e na Indústria de Transformação -1979
a1983 ... ..3l
-
TABELA
4.3. -Número
Total deEmpregados
e Agências Bancárias dosNove
MaioresBancos
PrivadosNacionais: 1991 a 1994.... ... ... ... ..33
-
TABELA
4.4. -Número
de Bancos. Comerciais - Brasil - 1964 e1976
... ..43-
TABELA
4.5-Agências Bancárias dos Maiores
Bancos
Comerciais Privadosdo
Brasil: 1970, 1976, 1985 e 1986 ... ... .Ç ... ... ... ..44-
TABELA
4.6. -RESUMO
O
objetivo principal deste estudo foi caracterizar o processo de concentraçãoda
indústria bancária brasileira e relacioná-lo
com
a introdução da inovação tecnológica.Basicamente, fez-se
uma
síntese econômico-histórica das principais transformaçõesdo
sistema bancário nacional -no
que diz respeito aos processos de concentração eautomação
- desde adécada
de 60
até ostempos
atuais.O
marco
teórico utilizado pertence à teoriada
OrganizaçãoIndustrial. Todavia, pesquisou-se
também
em
jornais, revistas decunho
jornalístico, revistasde caráter acadêmico, estudos acadêmicos
(monografias
de graduação, dissertaçoes a nívelde
mestrado e doutorado).Resumidamente,
pode-se admitir que a evoluçãodo
sistema bancário nacional atéo
estágio atual
tem
a vercom
a orientação e estratégia governamental adotadano
periodo pós- 1964. Originalmente, a fase marcante se caracterizou pela reestruturaçãopromovida
pelo governo militar nos anos 60,ou
seja, especialização e busca de eficiência das instituições financeiras. Posteriormente, visandouma
participação mais ativado
setor financeirono
padrão de internacionalizaçãoda economia
brasileira dos anos 70, a conglomeração financeira teve papel destacado nos endividamentos externo e interno.Nos
anos 80,com
a crise daeconomia
nacional, os bancos
obtém
lucros altíssimos, refletindono
aumento
do
grau de concentração ena
elevação dos investimentosem
informática.Com
relação aos anos 90,marcada
pelaestabilização da
economia
brasileira e pelas tendências de globalização, os bancos nacionais estão enfrentandoum
periodo profundo de reestruturação e mudanças.CAPITULO
1CAPITULO
I1.
O
PROBLEMA
1.1.
INTRODUÇÃO
Este trabalho
tem
por objetivo contribuir para a discussão das questões relacionadascom
a estrutura da indústria bancária brasileira,em
particularno que
se refereao processo de concentração e suas implicações
no
crescimento da automatização dos bancosdo
país.Para tanto, busca-se apresentar alguns aspectos
do
sistema bancário brasileiro, de1.964 até o presente, período caracterizado pela evolução dos processos de concentração e
automação. Todavia, diante das recentes transformações sofiidas pelos bancos brasileiros tais
como
omovimento
de fusões, incorporações e falências, toma-se importanterelacionar a ocorrência destes fatos
com
o
processo de globalizaçãoda economia
mundial.O
trabalho encontra-se assim estruturado:no
próximo
capítulo serão apresentadas, suciniamente, as considerações teóricas sobre a concentração industrial, de acordocom
aabordagem
encontradana
literatura de organização industrial.Por
sua vez, o capítulo 3 tratará dos aspectos teóricos sobre a inovação tecnológica,dando
ênfase ao casodo
setorbancário brasileiro. Posteriormente,
no
capítulo 4, procurar-se-á caracterizarhistoricamente
o
processo de concentração na indústria bancária brasileira e relaciona-locom
a introdução de inovações tecnológicas. Finalmente,no
capítulo 5, o assuntoprincipal será a caracterização
do
processo de globalização, e, suas implicações para osbancos brasileiros.
O
trabalho encerra-secom
a apresentação das conclusões aque
se1.2.
FORMULAÇÃO
DA
SITUAÇÃO-1›RoBL1‹:MA
Nas
últimas três décadas, o ,setor bancário brasileiro, assimcomo
todoo
sistema financeiro nacional,tem
passado por profundasmodificações
na sua estrutura efuncionamento.
A
intermediação bancária restringia-se à captação de depósitos e auma
variedade limitada de aplicações, diferentemente da situação atual,onde
são oferecidasuma gama
crescente de produtos e serviços bancários.De
certa forma, esta evoluçãotem
sido propiciada pelo extraordinário desenvolvimento das inovações financeiras e tecnológicas por parte dos bancos brasileiros.
No
que se refere a concentração desta indústria, a tendênciatem
sido ascendente desde a reforma bancária dos anos 60,onde
um
número
restrito de poderosas instituições, lidera a maioriado
sistema bancário e financeirodo
paisl.O
sistema bancário passa por “reformas”que mudarão
a própria naturezada
atividade
no
país.Na
verdade, esta éuma
tendência mundial. Outros paísestambém
estão sendo obrigados amudar
suas estruturas produtivas para se adaptarem aosnovos
tempos
da
econornia globalizada. Váriossão
os motivosque
contribuem para a aceleração deste processo: asmudanças
tecnológicasque
criamum
fluxo de informaçõesem
tempo
real, adesregulamentação financeira, ab transição de economias estatizadas para
economias
demercado, os planos de estabilização, além da formação dos blocos econômicosz e
o
fim
do
padrão de desenvolvimentodo
pós-guerra(FOLHA
DE
SÃO
PAULO,
18/08/96).No
caso brasileiro, tantoem
relação a bancos privadoscomo
estatais, pode-se observar três principais tendências. Primeiro, o recrudescimentodo
processo de concentração bancária,que
fortalece o sistemacom
instituições mais sólidas e provavelmente mais cautelosas. Segundo,com
o
fim
da inflação,o
sistema financeírocomo
um
todo deve voltaraexecutar
sua verdadeira função,ou
seja, a de servircomo
1
Segtmdo MARQUES(1987), a forma do sistema bancário nacional se caracteriza pelo caráter oligopolista: poucos bancos detendo grande parte dos ativos e passivos da indústria bancária.
2
Segundo
BAUMANN(l996),
a crescente regionalização seriaum
paradoxo dentro do processo deinstrumento
de
apoio à atividade produtiva atravésda
concessão de crédito. Terceiro,o
setor bancário deverá enfrentar questões dificeis ligadas à abertura
do
mesmo
à concorrência estrangeira e à cobrança de tarifas pelos serviços prestados.Conforme
BULHÕES(l993),
a evoluçãodo
setor bancário brasileiro, de1964
atéos
tempos
atuais,pode
ser caracterizada por essencialmente quatro fases.A
primeira,durante os anos 60,
quando
foi realizadaampla
rede de reformas, possibilitandoo
desenvolvimento de
um
novo
sistema financeiro.A
segunda, na década seguinte,caracterizada por fusões, incorporações e formação de conglomerados
que
delinearam aestrutura
do
setor.A
terceira, nos anos 80~e início de 90,em
que se observou total desvio das _fi1nções básicas dos bancoscomo
intermediários financeiros. Finalmente a quarta,marcada
pelo Plano Real, e caracterizada pela drástica reestruturação dos bancosem
funçãoda economia
estável e da globalização dos mercados.O
quadro político-econômicoem
que
se insereo
atual sistema de bancosbrasileiros é resultado de
um
longo processo de crescimento e concentração, por fusões eaquisições,
que
se iniciou nos anos40
e se acelerou a partirda
segundametade
dos an`os60,
com
o advento das reformas bancária e financeira.O
processo deacumulação
financeira, favorecidoem
grande parte pela estratégiade
concentração,também
ganhou
impulso definitivo após as referidas reformas.Além
disso,no que
diz respeito à tecnologia de informação (informática, automação, telecomunicações) os bancos brasileirosdesenvolveram, nas últimas décadas, inovações
com
níveis de integração e sofisticaçãosomente
comparáveis apoucos
paises de econornia avançada.A
introdução eo
acelerado desenvolvimento daautomação
bancáriano
Brasil “constituium
exemplo
marcantedo emprego
produtivo de tecnologias de informaçãoem
um
paísem
processo de industrialização”(FRISCHTAK, 1992, p. 197).Em
outraspalavras,
dado o
grau de heterogeneidadeda
indústria brasileiraem
relação aprodução
e uso de tecnologia e produtos de infonnática, somente os bancos brasileiros conseguiram5
adotar
uma
“trajetória tecnológicas independente”que remonta
ao início dos anos60
(CASSIOLATO,
1992).Em
termos históricos, a estruturado
sistema bancário (etambém
financeiro) atual está diretamente relacionadacom
a políticaeconômica govemamental do
período pós-64que
criou diversos estímulos institucionaisno
sentido de favorecer a concentraçãobancária.
De
.forma indireta estas medidas exerceram certa influência sobre osrumos da
automação
bancáriano
Brasil.Conforme
CASSIOLATO(op.
cit., p. 173) “foi, todavia,apenas durante a década de
70 que o
rápido processo de concentração e centralizaçãodo
setor bancário brasileiroimpôs
e criou tanto as condições quanto os meios parauma
automação
relativamente rápidado
setor”.Diante
do que
foi exposto, cabe a seguinte pergunta:como
o processode
globalizaçãoda
econornia mundialpode
influenciar omovimento
de concentração eautomação
dos bancosem
operaçãono
Brasil?Além
disso, neste estudo postula-seque o
intrigantecaminho
daautomação
bancáriano
Brasilpode
ser explicado, pelomenos
em
parte, pelasmudanças na
concentração verificadas
no
setor bancário. Justifica-se esta hipótese,com
basena
teoriamicroeconômica,
onde
um
aumento
na concentração industrial induz maiores lucros.Maiores lucros, por sua vez, permitem investimentos maiores, os quais
no
caso dosbancos
dirigem-se prioritariamente a automação.Diante
da
presente hipótese, faz-se a seguinte indagação:no
caso brasileiro, seráque
o
processo de concentração bancáriatem
sido realmente o principal agente causador daautomação
dos bancosno
Brasil?Ou
ainda, quais são verdadeiramente as causasda
automação
bancária brasileira?3
Trajetória tecnológica é 0 caminho natural percorrido pelo progresso técnico. Conforme DOSI(apud
LIFSCHITZ e BRITO, 1993, p. 9): “a trajetória tecnológica é atividade do progresso tecnológico ao longo dos “trade-ofl`s” econômicos e tecnológicos definidos pelo paradígrna tecnológico”.
1.3.
OBJETIVOS
1.3.1.
GERAL
Caracterizar historicamente o processo de concentração
do
sistema bancário brasileiro e relacioná-locom
a introdução de inovações tecnológicas.1.3.2.
ESPECÍFICOS
O Verificar os fatores
que
permitiram e impulsionaram a adoçãode
tecnologia/informática por parte dos bancos brasileiros;O Investigar alguns dos efeitos da globalização sobre a estrutura da indústria bancária brasileira.
H
1.4.
METODOLOGIA
Para atingir os objetivos acima este estudo procede análise histórico-econômica dos fatos recentes
que
caracterizam as transformaçõesdo
sistema bancário brasileiro.Entre estes fatos, dar-se-à mais destaque àqueles
que
originaram e incentivaram os processos de concentração eautomação
dos bancosem
operaçãono
país.Dados
os objetivos,0
período de análisedo
presente estudo inicia-se na década de60,
marcada
pela reestruturaçãodo
sistema bancário nacional, e chega até ostempos
atuais,com
as recentes transformações dos bancos brasileiros. Essencialmente, trata-sede
uma
síntese histórica dos principais acontecimentos envolvendo a estruturado
sistema bancáriodo
país.7
Primeiramente, para a realização deste trabalho foi realizada
uma
revisão bibliográfica dos conceitos relacionadoscom
a questão principal, dando-se destaforma ao
trabalho,
um
marco
teórico. Neste sentido foi necessário consultaruma
bibliografia dos seguintes temas fundamentais:a) Concentração Industrial:
foram
utilizados estudos de autorescomo
George
e Joll,Sylos-Labini, e, Tavares e Carvalheiro.
Devido
à extensão de trabalhos sobre o tema,procurou-se fazer
uma
síntese dos principais detemiinantes (da concentração) e dosprincipais fatores que
provocam mudanças no
grau de concentração;b) Inovação Tecnológica: os estudos de Schumpeter, Pavitt, Lifschitz e Brito, servirão de base conceitual e teórica à formulação
do
capítuloque
tratará das inovações tecnológicasna
indústria bancária brasileira. Semelhante à teoria sobre concentração industrial, os estudos sobre inovaçãotambém
possuem
vasta literatura;i
c) Globalização Financeira:
o
livro“O
Brasil e aEconomia
Global”, organizado porBaumann,
foi a principal fonte teórica. Necessariamente, sobre este tema, ainda são maioria os artigos de jomais e revistas, os quaisforam
também
consultados.Fazem
parte da literatura utilizada: diversasmonografias;
estudos publicadosem
revistas de
cunho
acadêmico (Revista Brasileira deEconomia,
EnsaiosFEE,
Revistade
Economia
Política, Política e PlanejamentoEconômico,
e outras); artigos da Revista ConjunturaEconômica
e estudosdo
DIEESE.
Com
base nesta literatura, parte-se para a formulaçãodo
presente estudo eda
comprovação
dos objetivos acima relacionados.9
CAPÍTULO
22.
CONCENTRAÇÃO
INDUSTRIAL:
ALGUNS
ASPECTOS TEÓRICOS
O
objetivo principal -deste capítulo é apresentar aspectos gerais da teoria sobre concentração industrial, visando dar suporte à explicação da estrutura da indústriabancária brasileira nos últimos anos. Para tanto, encontra-se dividido
em
três partes:na
seção 2.1.,com
basena
literatura sobre Organização Industrial, conceitua-se concentração; os determinantes principais desta estrutura demercado fazem
parteda
seção 2.2.; finalmente, na seção 2.3., serão apontados os fatores
que
impulsionammudanças
na concentração.2.1.
CONCEITOS
GERAIS
Com
o objetivo de apresentar os fundamentos teóricosda
concentração industrial,faz-se necessário, inicialmente, explicitar alguns aspectos conceituais relativos à
mesma.
Por
concentração industrial entende-se o processo pelo qualum
número
reduzido defirmas
passa a deteruma
parcela substancial deum
atributo (emprego, produção, vendas,depósitos, empréstimos, ativos, e outros) da indústria. Para
CARVALHO,
GARÓFALO
E
DEL
MÔNACO(1989,
p. 7 -a 8) concentraçãoem
um
dado
mercado, por exemplo, éum
processo multifacetado,
o
qual se manifesta atravésdo aumento do tamanho médio
dasfirrnas,
da
redução das desigualdades entre as dimensões das empresas sobreviventes, de controle de parcelas crescentes demercado
por algumas instituições e assim por diante”.p. 253),
“depende
basicamente da busca deuma
crescente eficiência técnica e da tendência a produzir a custossempre
decrescentes”.`A
concentração industrialpode
ser analisada tanto ao nívelda
indústriacomo
um
todo,
o que
sedefine
como
concentração agregada,como
ao
nível de indústrias individuaisou
de mercados. Adicionalmente, a concentração industrialpode
também
serdefinida
como
horizontalou
vertical, correspondendo ao primeiro caso o nível de controle deum
atributo qualquer porum
grupo defirmas que
produzem
uma mesma
mercadoria e,ao
segundo o
nível de controle deuma
cadeia produtiva porum
determinadonúmero
defirrnas.
No
trabalho deSMYLOS-LABIN1(op.
cit., p. 35),também
são sugeridas asseguintes defmições
de
concentração industrial: concentração técnica,em
termos deestabelecimentos industriais; concentração econômica,
em
termos de firmas; e ~concentraçao financeira,
em
termos de grupos de firinas ligadas entre si.2.2.
DETERMINANTES
DA CONCENTRAÇÃO
Na
literaturaeconômica
sobre organização industrialuma
questãotem
sidocontinuamente estudada: os fatores
que
determinam os níveis de concentraçãoem
uma
indústria.
GEORGE
eJOLL(1983), apontam
aspectoscomo
as economias de escala,o
tamanho
do mercado
e as barreiras à entradacomo
principais detenninantes das variações na concentração industrial.Na
visão geral dos economistas, a presença de economias de escala éo
fatorque
mais claramente se destacana
explicação dos efeitosque
contribuem para a concentração de certos setores industriais (ou de certas firrnas individuais). Conceitualmente, aseconomias de escala
podem
ser entendidascomo
sendo reduçõesno
custo unitário deprodução
com
o aumento do tamanho
da unidade produtiva. Estas reduçõespodem
sermodernos
(mais automatizados e avançados),como
também
podem
estar relacionadas a “ganhoscom
propaganda, marketing,P&D,
financiamento,enfim
qualquer etapa daprodução
e comercialização”(POSSAS, 1989, p. 13).É
significativamente vastoo
assunto envolvendo economias de escala.É
um
tema
que
possui várias definições e conceitos, sendo, portanto, fonte das mais diversas interpretações teóricas.Desde
Adam
Smith,como
comenta
GEORGE
eJOLL(op.
cit.) aseconomias de escala são alvo de
uma
contínua investigação empírica e teórica: V\
“Do
ladodas
atividades produtivasde
uma
firma, as principais fontesde
economias de
escala sãoa
especialização ea
divisãodo
trabalho.As
vantagens
a
serem
conseguidas dessamaneira são
bem
conhecidas desdeque
foram
expostaspor
Adam
Smithem
A
riquezadas
nações:a maior
qualificaçãode
uma
pessoa
trabalhando constantementenum
mesmo
trabalho,
a
economia de tempo
conseguidacom a
especialização e que,caso contrário, é perdida
quando
sepassa
deum
trabalhopara
outro, ea
introdução
de maquinaria
especializadapara
a
execuçãodas
tarefasrepetitivas.
A
obtenção desses beneflcios está claramente relacionadacom
o
tamanho
da
unidadede
produção. Assim,no
casodo
trabalho, é possívelmaior
divisãodo
trabalhonas grandes
fábricasdo que nas
pequenas
e, talvezmais
importante ainda, as fábricas maiorespodem
fazer uso
mais
completodos insumos
especializados.A
economia
operacionalno
usode
operários emáquinas
altamente qualificadosnuma
escalamínima
capaz de
produzir _grande
quantidadedepende
da
capacidadede
se diluírem os custos incorridos pelomaior
número
possível
de
unidadesdo
produto
e, nesse sentido,a
grande
fábricatem
clara
vantagem
sobrea
pequena
”(GEORGE
eJOLL,
op. cit., p. 1 4 7-48).Outro detemiinante apontado
do
nível de concentração refere-seao
tamanho da
indústriaou
mercado,onde
se postula a existência deuma
relação inversa entre ambos.Embora
não
existam evidências empíricas satisfatórias sobre a correlação negativa entre totamanho do mercado
e a concentração “deve-se atentar parao
fato deo tamanho
demercado
ser apenasum
dos determinantesda
concentração e de essa constituir apenasTAVARES
eCARVALHÍE[RO(l985),
afirmam
que
é extremamente importante a relação entre eficiência, concentração e dimensãodo
mercado.Conforme
suas própriaspalavras:
) se
algumas
firmas
de
uma
indústria se interessampor
ampliarem
suas escalasde
produção além
do tamanho mínimo
Ótimo, isto sópoderá
ser feito,dado
o
tamanho
do mercado
com
um
grau maior de
concentração. (...)De uma
maneira
geral, quantomaior o
tamanho
mínimo
ótimoem
relaçãoao
mercado,maior
seráo
,graude
concentraçãoda
indústria.Não
há, portanto, razões teóricas (econômicas)para
a
sociedade desejar
que
asfirmas
alcancem
tamanhos
maioresque
o
mínimo
ótimo, embora, existam vários incentivos às firmaspara
assim fazerem, taiscomo:
controlede
mercado,redução
da
concorrência, poder,etc. ”(TA
VARES
eCARVALHEIRO,
op. cit., p. 52).Por
sua vez, as barreiras à entrada constituem-se, de acordocom
GEORGE
eJOLL(op.
cit., p. 166-67), noutro ponto relevante na determinaçãodo
nível de concentração industrial.Como
exemplos de barreiras à entradapodem
ser citadas aspróprias economias
de
escala,na
medida
em
que
asfirmas que
pretendessem ingressarem
um
novo mercado
precisariam incorrerem
um
substancial gasto inicial de capital parapoderem
construir plantas, cujotamanho
aproveitasse as vantagens técnicas propiciadas por suas dimensões. Outro caso de barreira à entrada seriam as vantagens absolutas decustos, “devido a fatores
como
técnicas superioresde
produção protegidas por patentes,propriedade exclusiva de
insumo
essencial, propriedadeou
controle de elevada proporçãode
estabelecimentos comerciais e acesso mais favorável aomercado
de capitais”.Uma
ter/ceira barreira à entrada diz respeito à diferenciaçãodo
produto.São
exemplos desta estratégia: aperfeiçoamentoda
marca,embalagem
e desenhodo
produto, os gastoscom
publicidadena promoção
de vendas (brindes, sorteio de prêmios, demonstração grátisdo
produto aos clientes, etc.), melhoria
da
qualidadedo
produto para se destacar diante dosdemais concorrentes.
Uma
quarta barreira à entrada está relacionadacom
aspectosde
caráter institucional.
A
legislação sobre patentes,que
protegeo
direito exclusivode
uma
firma
de fabricarum
produto específicoou
de usarum
processo específico.Além
disso,“o
governo
pode
conceder auma
organizaçãoo
direito exclusivo de fabricarou
fornecer determinadobem
ou
serviço”.Ou
ainda,o
governopode
se destacarcomo
“grandecomprador
de bens e serviços e destaforma
limitar suascompras
a fornecedores jáestabelecidos
no
país”.Um
outroexemplo
apontadocomo
barreira à entrada são aqueles casos de monopólios legais, “que são insuperáveis quaisquerque
sejam as condições vigentesno mercado
e qualquerque
seja otamanho
dos competidores potenciais”.POSSAS(op.
cit., p. 8),complementa
anoção
de barreiras à entrada, inicialmenteproposta por Bain4. Ela incorporou aspectos da
nova
realidadeeconômica
(a preocupaçãocom
as inovações) e propõe, para tanto,uma
releiturada noção
de barreiras à entrada associadas freqüentemente às vantagens absolutas de custo, às relacionadascom
adiferenciação
do
produto e àquelasque
se originamdo emprego
de economias de escalana produção. E
ç
Nesta
nova
concepção proposta porPOSSAS(op.
cit.) as vantagens absolutas decusto pertencentes a algumas indústrias (ou finnas) estariam vinculadas aos seguintes
aspectos: capacidade de financiamento
da
firma; financiamento aos usuários; relaçãocom
os usuários; patentes e licenciamento de tecnologia e; relação
com
fomecedores.Por
suavez, a diferenciação
do
produto adquirenovos
elementoscom
a assimilação dos seguintesfatores: especificações;
desempenho;
design e aspectos ergonômicos; gastos de vendas e fonnas de comercialização; linhas de produto e; assistência técnica e suporteao
usuário.Finahnente,
no que
se refere .às economias de escalacomo
prováveis fontes de barreiras àentrada, a única alteração feita foi a diferenciação entre aquelas e economias de escopos.
2.3.
MUDANÇAS
No
GRAU
DE
coNcENTRAÇÃo
Quanto
aos aspectos que determinam asmudanças
na concentraçao,GEORGE
eJOLL(op.
cit.)começam
destacando o próprio nível presente de concentração deuma
4
A
presente autora não aponta
com
clareza a obra de Bain que lhe serviu de inspiração. Todavia, podeser a Industrial Orga11ization(1968) ou ainda Barriers to
New
Competition (sem data).5 Economias de escopo
são econornias de escala referidas a
um
conjunto de bens e não apenasum
só.Conforme POSSAS(1989, p. 13): “por exemplo se há
um
componentecomum
a mais deum
produto queindústria.
Caso
este seja elevado, mais dificil setoma
parauma
finna
ampliar sua participaçãono mercado
às custas das demais. Issopode
induzir as firmaslíderes à diversificação, e,na medida
em
que
elas se deslocarem para indústriascom
menor
nível deconcentração,
o
mesmo
tenderá, consequentemente, a elevar-se.O
ritmo -de -crescimentode
uma
indústn'a é outro aspectoque
influi nasmudanças
da concentração.Quando
uma
indústria cresce rapidamente, asfirmas
maiores terão dificuldadede
aproveitar todas as oportunidades para a sua própria expansão, e issoaumentará a possibilidade de entrada de novas firmas,
o
que, caso sejamde tamanho
relativamente menor, implicaráem
uma
efetiva reduçãodo
nível de concentração.São
ainda apontados porGEORGE
e JOLL(op.cit.),como
fatoresque
influenciamas
mudanças na
concentração, a diferenciação de produtos e os gastoscom
publicidade,os quais
atuam
deuma
fonna
combinada. Aquelas indústriasonde
a diferenciação é importantetambém
tendem
a ser asmesmas
onde
apropaganda
se revela igualmente importante,o que
fazcom
que
as grandesfirmas
tenham, nesse aspecto, substanciaisvantagens sobre as suas rivais de
menor
tamanho.Dessa
forma, a diferenciação de produtos,somada
àpromoçao
de vendas,pode
permitir auma
fimia
aumentar sua participaçãono
mercado,bem como
prevenir a erosão da participação das grandes firmas.Os
avanços tecnológicostambém
podem
interferir na estrutura demercado
e propiciarmudanças no
nível de concentração das indústrias. Esta questãotem
particularrelevo na obra de
SYLOS-LABINI(op.
cit.),onde
elechama
atenção para a presençade
descontinuidades tecnológicas nas estruturas de
mercado
oligopolizadas,como
conseqüência
do
processo de concentração industrial.Nas
palavrasdo
próprio autor:“(..)
o
aspecto característicodo
processode
concentração está exatamente aíporque
ele cria descontinuidades tecnológicasnão
desprezíveis.
Somente
as maioresempresas
podem
aplicarmétodos
-não
somente
métodos
técnicos,mas
também
métodos de
organização -somente
que faz parte.
Também
é possivel haver economias de escopo nas diversas etapas de comercialização e produção, incluindoP&D.
15
elas
podem
obter certaseconomias de
escala. E,por
outro lado,das
empresas menores
para
as maiores,não
sepassa
gradativamente,existindo saltos que se
tornam
maiores quantomais
se aceleraa
concentração”(SYLOS-LABINI,
op. cit., p. 76).Entretanto, as pequenas
firmas
também
podem
se sobressair naprodução
edesenvolvimento de tecnologia.
Ou
seja, não sãosomente
as grandes empresas(com
suasescalas “gigantescas” de produção)
como
no
campo
dos setores químico, metalúrgico eautomobilístico
que
possuem
as condições ideais para se destacarem nesta função.Como
advertemGEORGE
eJOLL(op.
cit.) :“Os
imensosavanços
feitosna
indústria eletrônicavêm
beneficiando todas as firmas,mas
tem-seargumentado que
esse benefício émaior
para
as
pequenas
firmas
do
que
para
as grandes.A
fabricaçãode
computadores de grande
capacidade,mas
baratos, colocou osavanços
nas
técnicas gerenciaisao
alcancedas
pequenas firmas.
Além
disso,o
acelerado ritmo
de
mudança no
mundo
da
eletrônica tem criado oportunidadespara
a
pequena
firma que
tem intensa atividadede
pesquisa e desenvolvimento”(GEORGE
eJOLL,
op. cit., p. 160-61).A
alta concentração industrial.também
pode
serpromovida
pelas autoridades governamentais.“A
atitudedo
governo diantedo monopólio
e da política de fusões”tem
se
mostrado
eficaz napromoção
damudança
estrutural ocorridaem
certas indústrias (ou empresas). Vários são osmecanismos
utilizados para estefim,
por exemplo: a concessão de direitos de patente sobre invenções; a concessão de incentivos fiscais e creditícios;além
disso,
“como
grandecomprador
de bens e serviços,o
govemo
pode
demonstrar preferência pelas grandes firmas”.Finalmente, quanto ao papel
desempenhado
pelas filsõesno
processode
concentração industrial,GEORGE
eJOLL(op.
cit.)comentam
os seguintesacontecimentos:
“A causa
mais
importantedos
aumentos
_de
concentração é indubitavelmentea
atividadede
fusões.Nos
Estados Unidos,no
finaldo
séculoXYX
e iníciodo
séculoXXI
a
grande
onda
de
fusões transformoua
estrutura
das
indústrias siderúrgica,de equipamentos
elétricos pesados,de
explosivos,de
latas emáquinas
agrícolas. (..)Pode
serque
nem
todasas fusões,
nem mesmo
a
maioria delas,sejam
conseqüência de tentativasde
monopolizara
indústria.Mas,
qualquerque
sejaa
causa
exatadas
fusões,não
deve haver dúvidade que
elas têm contribuído muitíssimopara
osaumentos de
concentração”(ÓEORGE
eJOLL,
op. cit., p. 163).Os
autores acima citados concluíramque
as filsões,no
período pós II GuerraMundial, tiveram
um
papel fundamental na explicação da concentração industrial na Grã- Bretanha,o
mesmo
não
ocorrendo nosEUA
devido à existência deuma
legislaçãobem
mais restritiva às fusões.
Em
suma, a teoriaeconômica
aponta as economias de escalacomo
determinanteprincipal
da
concentração industrial.Com
oaumento
da unidade produtiva, a indústriaou
afirma
individual,procuram
fortalecer o seu poder demercado
diante dos demais concorrentes. Aliado às economias de escala, asfinnas procuram
aumentar seusganhos
econômicos
napromoção
de investimentosem
recursos tecnológicos, por exemplo, e,assim, aumentar
o
seupoder
de competição.A
estrutura demercado
oligopolizada é apontada na maioria das vezescomo
propícia às descobertasno
campo
da tecnologia, namedida
em
que
proporciona condições técnicas e financeiras.Logo,
as autoridades governamentais, através de estímulos fiscais, financeiros e creditícios, estimulam muitasvezes a prática de fusões e incorporações,
com
o
intento de fortalecer determinado agente da atividade produtiva (setor, indústria, firma).No
setor bancário brasileiro, por exemplo, a concentração está diretamente relacionadacom
a política concentracionistado
Governo
nas décadas de60
e 70,que
impulsionou consideravelmente a atividade de fixsões,incorporações e aquisições neste período.
Com
a concentração, esperava-se que os bancosbrasileiros obtivessem economias de escala, que, por sua vez, seriam responsáveis pela diminuição dos custos administrativos e na maior eficiência dos bancos brasileiros.
Além
disso, bancos maiores e financeiramente mais sólidos, teriam plenas condições de investir
\
CAPÍTULO
I11A
INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
NA
INDÚSTRIA
BANCÁRIA
BRASILEIRA
CAPÍTULO
3
3.
A
INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
NA
INDÚSTRIA
BANCÁRIA
BRASILEIRA:
UMA
BREVE
DISCUSSÃO
TEÓRICA.
O
presente capítulo destina-se à discussão teórica sobre a introduçãoda
inovação tecnológicana
indústña bancária brasileira (seção 3.2.). Antes, porém, será apresentada,com
basena
literatura econômica,uma
breve amostrada
literatura sobre inovação.3.1.
INOVAÇÃO
TECNOLÓGICAz
CONCEITOS
GERAIS
SCHERER(
1995) chega à seguinte definição de inovação tecnológica (ou melhor,do
processo de inovação tecnológica) :“O
processo de inovação tecnológica refere-seao
uso, aplicação e.transformação
do
conhecimento técnico e cientifico.na
soluçãode
problemas
concretos(OCDE,
1992, p. 33)6.Suas
fases são: descoberta,invenção, inovação e dij'usão. Estas fases encontram-se inter-relacionadas
em
um
processo caracterizadopela
complementaridade não-linear,onde
a
modificação
em
uma
das
fases possuia
capacidade de afetaro
desenvolvimento das outras (...)”(SCHERER, op. cit., p. 93).Rosenberg7, todavia, conceitua inovação
do
ponto de vista econômico, que nas suas palavras:“(...)
não
éum
ato único ebem
definido, senãouma
sériede
atos unidosao
processo inventivo.A
inovação adquire importânciaeconômica
só atravésde
um
processo exaustivode
redesenho, modificações e milpequenas
melhoriasadequadas
ao mercado
de
massas,para
a
produção
por
meio
de técnicasde produção
massivas (...).O
aproveitamentopotencial
de
uma
invenção supõe,por
seu lado,um
cuidadosoexame
da
acumulação de pequenos avanços
técnicosda
invençãono
decorrerdo
6 “Technology and
Competitiveness”. Paris,
OCDE,
(Technology and Economy Programme - TEP), 1992.7ROSENBERG,
N. Tecnología y Economía. Barcelona, Editorial Gustavo Gili S.A, 1979.T
`\ \
19
tempo, suas implicações
na
alteraçãodas
características de rendimentoem
termos econômicos, ecomo
resultadouma
comparação
de custosda
nova
tecnologiacom
as tecnologias alternativasjá
disponíveis. (..)O
êxito comercial
com
as inovações tecnológicasno
geral envolveou
implicauma
cuidadosa discriminação daqueles aspectosdas
práticaspassadas que precisam
serabandonadas
e daquelesque
precisam sermantidos ”(citado
por
CAMPOS,
1996, p. 283).Outra importante contribuição à literatura de inovação foi desenvolvida por Freemang, sendo
comentada
porCAMPOS(op.
cit.)da
seguinte fonna:“Também
FREEÀ/[AN
(1987) explicitacom
clarezao
caráter contínuo ecumulativo
de
certas inovações,que
denominou
de
inovações incrementais.São
inovaçõesque ocorrem mais
ou
menos
continuamenteem
uma
indústria,que não
resultam necessariamentede programas de
P&D, mas
de
invençõesou melhoramentos
sugeridospor
engenheiros,administradores
ou
usuáriosda
indústria.Para
FREEMAN,
taisinovações
são
particularmente importantes (principalmenteem
períodos posteriores às inovaçõesque
eledenomina
de
radicais) e estão associadasao
incrementonas
escalasde
plantas eequipamentos
ou
à
melhoriada
qualidade
dos
produtos”(CAMPOS,
op. cit., p. 283).Sob
outro pontode
vista , “a inovaçãovem
a ser aadoção
pelomercado
de idéiasnovas
ou
invenções sob aforma
de produtos, processos eserviços”(MOREIRA,
1991, p. 4).Na
concepção deste autor, a inovação é representada porum
ciclocomposto
das seguintes fases: pesquisa, desenvolvimento, engenharia, transferência, produção industrial,uso
do
produto final e, finalmente, novas necessidades.E
continua:“Quando
uma
empresa
incorporauma
invençãoà
produção, ela está realizandouma
inovação.Enquanto que
a
invenção éum
produto
essencialmente intelectual,a
inovação já
e'um
fenômeno
econômico que
depende
estritamenteda
sua
organização”fl\4OREIRA,
op. cit., p. 4).Para Schumpeterg,
num
primeiromomento,
o conceito de inovação tecnológica estariabem
fonnulado se nele fossem considerados os seguintes aspectos: (1) “introduçãode
um
novo
produtono
mercado”, (2) “introdução deum
novo
método
de produção,não
necessariamente baseado
em
um
descobrimento científico novo”, (3) “abertura deum
novo
mercado, não associado previamente aum
ramo
particular da indústria”, (4)“conquista de
uma
nova
fonte defomecimento
de matéria-primaou
produtos semi- elaborados”; (5) “criação deuma
.novaforma
de organização daprodução
na indústria”(LIFSCHITZ eBRITO,
1992, p. 5). Entretanto, mais tarde,Schumpeter
restringiria a definição de inovação tecnológica “a primeira introdução comercial de
uma
invenção” (LIFSCI-IITZ eBRITO,
op. cit., p. 5). Essencialmente, a concepçãoschumpeteriana sobre inovação está associada àquelas capazes de
romper
drasticamentecom
o
paradigma tecnológico” existente e iniciarum
rumo
tecnológico novo.O
arcabouço teórico sobre inovação tecnológica(também
chamada
de progressotécnico),
como
demonstrado
parcialmente acima, “está inseridanum
contextode
divergências históricasque
se manifestamem
proposições metodológicas diferentes”(MOREIRA,
op. cit., p. 8).O
debate teórico sobre este assuntotem
mantido acaracteristica da “discórdia” desde os autores clássicos, passando pelos neoclássicos e
chegando
até os“modernos”
manuais sobre inovação.A
tradição schumpeteriana, por exemplo, concebe a inovaçãocomo
um
processo descontínuo e relacionado especificamente à esfera econômica, enquantoque
a atividade inovativa estaria restrita aocampo
científico.Por
outro lado, existem pensadores,como
Freeman,que
interpretam a inovaçãocomo
sendoum
processo cumulativo e gradual. Já para Rosenberg, existiriauma
“forte interação e complementaridade” entre invenção e inovação.
FREEMAN,
C.. Teclmology Policy and Economic Performance, Lessons from Japan. London. Pinter Publisher, 1987.9
Na
obra Teoria do Desenvolvimento Econômico (1938).
1_°
De
acordocom
CASSIOLATO(1992, p. 167), “ os paradigmas tecnológicos consistemem
um
conjuntogeral de procedimentos de busca que são amplamente aceitos pela comunidade tecnológica. Essa busca irá resultar
em
projetos básicos que determinam o padrão tecnológico porum
período considerável de tempo.A
difusão de tais regimes é medida pela aceitação social”.21
3.2.
O
CASO DOS
BANCOS
BRASILEIROS
No
casoda
indústria bancária brasileira a inovação tecnológica (conhecidatambém
pelo termo técnico “automação”)pode
ser entendida conceitualmenteda
seguinte forma:“Podemos
conceituaro
processode
automação
bancáriano
Brasil,como
sendo
a
adoção de
inovação tecnológicaque
se utilizade
todos os recursos oferecidos pela tecnologiada
informática - componentes,computadores
e telecomunicações -com
vistasà
realizaçãode
transaçõescontábeis
de
resultados financeirosem
tempo
real (real time), objetivando integrar eletronicamente os usuáriosàs
operaçõesdo
sistema financeiro eeste
a
outros setoresdo
sistema econômico.Com
isso, osbancos
podem
viabilizar
a
maximização
da
rentabilidadedos
recursos disponíveis emaior
.agilizaçãodos
negócios e operaçõesdos
usuários (..) ”Ú\/IARQUES, 1987, p.215
a
216).-i
O
alto grau de sofisticação daautomação
bancáriado
país deve-seem
grande parte auma
interação muitopróxima
estabelecida entre osfomecedores
(firmas de computação) e os usuários de produtos e equipamentos para informática (sistema bancário).Teoricamente, esta “parceria” entre fornecedores e usuários encontra respaldo na
literatura sobre inovação:
S
“A literatura sobre inovações (Freeman,
1982)”
sugereque
a
proximidade dos
usuáriosem
relaçãoaos
fornecedoresde
uma
inovação temum
papel
importantena
concepção
eno
aperfeiçoamento denovos
produtos, especialmente produtosde
alta tecnologia.Na
verdade, muitas inovaçõesde
alta tecnologia envolvemum
desenvolvimento colaborativoentre fornecedor e usuário. (..)
A
interação entre os fornecedores e os usuáriosda
tecnologia ea
existênciade
um
reservatório relativamentesofisticado de habilitações técnicas
no
ambiente circundante são elementos importantesdo
processode
desenvolvimentode
uma
nova
tecnologia”(CASS1OLA
T
0, 1992, p.168
a
169).Entretanto, antes de se
tomar
um
“campeão” no
uso e na produção de tecnologia,o sistema bancário brasileiro foi dependente tecnicamente de
firmas
multinacionaisde
computação.A
.indústria nacional de computadores era ainda nascente e .portantonão
tinha plenas condições de suprir as necessidades tecnológicas dos bancos brasileiros. Todavia, a tecnologia estrangeira fornecida ao sistema financeiro doméstico
não
seadequava
devidamente ao padrão deautomação que
se pretendia desenvolverno
país (enem
se enquadravacom
as características dos bancos nacionais da época).Como
bem
salienta,CASSIOLATO(op.
cit.), exemplificandocom
o
casodo banco
Bradesco:“Está
bem
documentado o
fato deque
elas (asfirmas
multinacionais decomputação)
não
estavam interessadasem
desenvolver tais produtos,quando
abordadas
nesse sentido pelos técnicos ligadosaos bancos
brasileiros (Dantas, 1988)”.
Por
exemplo,o
BRADESCO
desenvolveu seu próprio sistema,o
“BRADESCO
Instantâneo ”, deforma
que
caixasautomáticos
pudessem
ler caracteres magnéticos impressosnos
cheques. Isso ocorreu antesque
equipamentosde
leitura desse tipo estivessem disponíveis mundialmente.As
_ subsidiárias de multinacionaisnão
se interessaramem
desenvolver esse produto, portanto,o
BRADESCO
criou seu próprio laboratóriode
eletrônica digital,encabeçado
por
um
antigo engenheiroda
IBM.
Em
menos
deum
ano, eles criaramo
primeiroequipamento
leitorde
caracteres magnéticosdo
Mundo
(Dantas, 1988).(...)
No
que diz respeitoà
produção de “hardware”
e componentes,o
BRADESCO
seguiua
estratégia de participações minoritárias.No
começo,
o
Banco
participoude apenas
trêsempreendimentos
(SID,Digilab e
COBRA,
a
empresa
decomputadores
controlada pelo Governo).No
início dosanos
80, adquiriuo
controle totalda
Digilab etambém
a
usou
como
“holding”para
seus investimentosem
informática. (...)O
Itaú,o
outro principalbanco
brasileiro, seguiuuma
estratégia diferente.Decidiu criar
uma
empresa
sob seu total controle,a
Itautec,para
desenvolver e fabricar seus sistemas,
além de
suprir outros segmentosdo
mercado
brasileiro”(CASSIOLA
T
O, op. cit., p.176
a
178) .Dessa
forma, a única saída encontrada pelas instituições financeirasdo
país foi a de desenvolver e fabricar seus próprios programas e equipamentos para automação. Juntamentecom
o auxílio defirmas
nacionais decomputação
foram produzidos e comercializados diversos produtoscom
vistas à informatização dosmesmos.
Na
verdade, os bancos, juntocom
entidades govemamentais,foram
os pioneirosno
uso de recursos eprodutos
de
informáticano
Brasil (processoque
se iniciaem
meados
da década de 60).“
FREEMAN,
C..The Economics of Industrial Innovation. London, Pinter, 1982.12
DANTAS,
v..Gacm1haTccnclógicaz a vcfâaócira História da Pciíúca Nacicaal dc Iafcrmàúca. ru,
23
Estes dois agentes, principalmente as instituições bancárias, exerceram grande influência
no
extraordinário crescimento da indústria doméstica decomputadores
(principalmenteno
períododa
década de 8-0).Sendo
assim, os bancospodem
ser vistoscomo
“difusores” de tecnologia emodelo de
desenvolvimento tecnológico para os demais setores daeconomia
brasileira (inclusive para economias intemacionais).Nas
palavras deCASSIOLATO(op.
cit.):
“A experiência
da
automação
bancáriano
Brasil proporcionaum
exemplo
interessante decomo
as relações entre usuários e produtoressão
importantespara
conformar
trajetórias especificasde
inovação e difusão durante os estágios iniciaisde
introduçãode
um
novo
paradigma
tecno-econômico
em
um
paísem
desenvolvimento”(CASSIOLAT
O, op. cit., p. I 70).Na
verdade, pode-se falar deuma
simbiose entreo
sistema bancáriodo
país e as tecnologias computacionais e de informação.Um
dos efeitos mais significativos desta “parceria”tem
sidoo
desenvolvimento de inovações tecnológicas específicas para os bancos brasileiros (inovações incrementais).Logo,
as descobertas ocorridas na indústriade
computadores
(e deforma
mais geral na indústria microeletrônica)têm
sido difimdidasentre os bancos brasileiros através
do
desenvolvimentode
equipamentos específicos e de melhoramentos realizados nos já existentes.Outra importante questão a ser examinada na indústria bancária brasileira diz respeito aos efeitos
do
progresso técnico sobre a estrutura desta indústria, especialmenteno que
se refere aocomportamento
da concentração (e vice-versa).Comprovando
esta hipótese, pode-seafinnar que
“aestrutura das indústrias, tanto ofertante quanto usuária, é fator relevante para a velocidade da difusão deuma
inovação. Entretanto, a correspondência ré biunívoca: a difusãode
uma
inovaçãotambém
pode
afetar a estruturade
uma
indústria”(SCHERER,
op. cit., p. 102).Essencialmente, a argumentação teórica sobre
o
presente assunto (estrutura demercado
e inovações)pode
ser aplicado ao caso dos bancos brasileiros.Em
outraspalavras,
com
as medidas concentracionistas adotadas peloGoverno
nos anos 60 e 70, criaram-se as pré-condições para aautomação
das instituições bancárias e financeirasdo
país.Ou
seja, a .ampliaçãodo
setor bancário brasileiro resultou na necessidade crescente por recursos de infonnática ecomputação que pudessem
agilizar e otimizar as atividades e funções exercidas pelos bancos.Da
mesma
forma, pode-se afirmarque
as inovações tecnológicaspodem
servircomo
estratégia para obtenção de ganhoseconômicos
por parte das zfirmas. Atualmente, aceleração deste processo está associadaem
grande parte a “intensificação e globalização da concorrêncianos
diferentes ambientesindustriais”(LIFSCHI'l`.Z e
BRITO,
op. cit., p.. 3).Por
conseguinte, os investimentosem
recursos tecnológicos significam para a
firma
uma
maneira de aumentaro
seu poder de competição e de chegar auma
situação de“monopólio
temporário”.Complementando
a presentenoção
teórica, tem-seem
Pavittuma
importantecontribuição..
De
acordocom
este autor, “o progresso técnico éum
processo cumulativo específico das firmas”(citado porCAMPOS,
op. cit., p. 285).E
continua:“(..) .Ele é condicionado pelo
campo
de
conhecimento se pelas habilidadestécnicas
das firmas,
não
é facilmente transmitido e reproduzidopara
todas as
firmas
e, portanto, taorigem
ea
direçãodo
conhecimentotecnológico
adquirem
características diferentes entre os diversos setores".(CAMPOS,
op. cit., p. 285).A
partir das características das indústriascomo
usuárias e produtoras de tecnologiae seus meios de apropriação
do
resultado das inovações, Pavitt” (citado porLIFSCHITZ
e
BRITO,
op. cit., p.29
a 31) reúnenuma
classificação as diferentes trajetóriastecnológicas setoriais.
Foram
encontrados quatro principais grupos de indústrias:A)
SetoresDominados
por Fomecedores: “inclui indústrias têxteis, confecções, indústriaeditorial e gráfica, produtos de madeira.
Nesse
caso as inovações estão associadas a tecnologias de processo, estando incorporadasem
equipamentos e insumos intermediários25
adquiridos,
com
asfirmas desempenhando
um
papel relativamente “passivo” namodulação
da dinâmica tecnológicada
indústria. Especial importância é atribuída à difusão de bens-de-capital «e bens intermediários produzidos por outrasfinnas
cujaprincipal atividade está localizada fora
do
setor considerado e quecom
ele se articulamatravés de trocas inter-industriais”,
B)
Setores Intensivosem
Escala: “Neste caso as inovações estão relacionadas tanto a produtoscomo
a processos; a produçãonormalmente
envolve o domínio de sistemas complexos; as economias-de-escala sãoum
fator significativo para obtenção de ganhosno
processo competitivo (tanto na produção,como
em
atividades deP&D);
as empresastendem
a ser grandes,empregando
uma
parcela significativa de seus recursosem
atividades de
P&D
ecom
tendência à integração vertical.É
possível, nesse sentido, estabeleceruma
distinção entre dois tiposde
atividades: (a) indústrias de processamento contínuocomo
cimento, parte da indústria química, insumos básicos e alguns produtosalimentares; (b) indústrias de
montagem
de componentes, geralmente baseadasna
automação
das linhas de produção,como
automóveis, eletro-domésticos e outros bensde
consumo
duráveis”,C)
Setores de Fornecedores Especializados: “Nesse caso, a inovação relaciona-sefimdamentalmente
à introdução de produtos a serem utilizados por outros setorescomo
insumos, principalmente
como
equipamentos de capital.As
firmas tendem
a ser pequenas, operando a partir deum
contato muito estreitocom
seus consumidores,no
intuito de aperfeiçoar tecnologicamente os produtos gerados, e incorporandoum
conhecimento altamente especializado”, e.D)
SetoresBaseados
na Ciência: “Nesse padrão,que
inclui, dentre outros, os setoresde
eletro-eletrônica, mecânica de precisão, farmacêutico e química de especialidades, as
inovações estão diretamente relacionadas ao avanço
do
conhecimento científico; asfirmas
13
PAVITT, K.. Pattems of Technical Change: Towards a Taxonomy and a Theory. Research Policy, v. 13, p. 343 a 373, 1984. Esta referência não foi explicitada pelo autor, contudo é importante que se
~ ¿¿r
sao ageis” e “oportunistas”
em
suas estratégias, baseadasem
atividades inovativas“fonnalizadas”
em
laboratóriosde
P&D.
Para esse tipo de setor, as perspectivas de inovaçãodependem,
em
boa
medida, deuma
posição consolidada dos agentes na área deciência básica.
Os
conhecimentos geradospodem
ter variadas utilizações,podendo
orientar o esforço tecnológico tanto na direção de tecnologias de produtocomo
de processo.As
firmas,com
algumas exceções,tendem
a ser grandes, principalmentena
medida
em
que
a indústria se consolida eque
são reforçadas as economias-de-escalaem
P&D”.
CASSIOLATO(op.
cit.) classificou as instituições bancárias de países avançadoscomo
“empresasdominadas
pelos fomecedores”.No
caso brasileiro,em
particular,observa-se
uma
“comunhão”
entre os bancos e as empresas de computação, jámencionado
anteriormente. Neste sentido, os bancos adquirem características defirmas
tipicamente intensivasem
recursos de informática, sendoque
a incorporação destas tecnologiastem
como
objetivo principal a redução dos custos eo aumento do
desempenho
operacional,além
é claro, de implicitamente, buscar-seeconomias
de escalae maiorpoder
demercado
(concentração e conglomeração).De
fonna
geral, os bancos nacionaistambém
se encaixam na categoria proposta por Cassiolato aos bancos estrangeirosde
paises desenvolvidos. Apesar de alguns bancosdo
pais serem os próprios responsáveis pelo desenvolvimento de “softwares” e sistemas de engenharia para fabricaçãodo
“hardware”.Por fim,
pode-se caracterizar o processo de inovação tecnológicano
sistema bancário brasileirocomo
altamente intensivoem
tecnologia, atémesmo
em
comparação
com
os países desenvolvidos.Os
bancos brasileiros se destacamcomo
os grandescc ' 77 . ' \ ' f ~ f '
consumidores de produtos relacionados a tecnologia