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Concentração, inovação tecnológicas e globalização : breve estudo do setor bancário brasileiro

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(1)

UNIVERSIDADE

FEDERAL

DE SANTA CATARINA

CURSO DE

GRADUAÇÃO

EM

c1;ENc1As

ECONÔMICAS

\

'

-

CONCENTRAÇÃO,

mOvAÇÕEs

TECNOLÓGICAS

E

GLOBALIzAÇÃOz

BREVE

A

- r

ESTUDO

DO

SETOR BANCARIO

BRASILEIRO

, i

Monografia

submetida ao

Departamento

de Ciências

Econômicas

para obtenção de carga

horária na disciplina

CNM

5420

-

Monografia

Por

Andréia

Zimmermann

Orientador: Prof.:

F emando

Seabra '

Área

de Concentração:

Economia

Industrial

Palavras-Chaves: 1. Concentração; 2. Inovações Tecnológicas; 3. Globalização Financeira

\

r

(2)

UNIVERSIDADE

FEDERAL

DE

SANTA CATARINA

CURSO

DE GRADUAÇÃO

EM

CIÊNCIAS

ECONÔMICAS

A

.banca examinadora resolveu atribuir a nota._g¡...Q aluna Andréia

Zimmermann

na disciplina

CNM

5420

- Monografia, pela apresentação deste trabalho. ~

Banca

Examinadora:

-\«â*^l~`f

Prof.:

Femando

Seabra Presidente ; 4, '

Pro.

G

t2.CAm?e3

Membro

.

vá..

¿

z

flrzyí

Prof.: l4Â1_‹¡úu ¿‹.‹zL Flv~¡'e~'H

(3)

Dedico

esta

monografia

aos

meus

pais, a

meu

irmão e

'

amigos.

A

todos aqueles que se esforçam na realização de '

(4)

Ao

Professor Fernando Seabra, pela valiosa e dedicada orientação.

Ao

Professor

Renato

Ramos Campos

pela paciência incansável.

Ao

Professor

Ary

César Minella,

do Curso

de Ciências Sociais da

UFSC,

pela gentil acolhida

A

Professora

Carmen

Gelinsky, pela

compreensão

e apoio sincero.

Aos

colegas

do

curso

de

Ciências Econômicas.

(5)

SUMÁRIO

LISTA

DE

TABELAS

... ..

RESUMO

... . .

CAPÍTULO

1 Página ... ..vii .... ..viii

1.1NTRoDUÇAo

... ..2 1.1.

O

-problema ... .. 1.2.

Formulação

da Situação-Problema ... .. ... ..2 ... ..3 1.3. Objetivos ... ..6 1.3.1. Geral ... .. 1 .3 .2. Específicos ... . . 1.3.3 Metodologia ... ..

CAPÍTULO

II 2.

CONCENTRAÇÃO

INDUSTRIAL:

ALGUNS

ASPECTOS TEÓRICOS

2.1. Conceitos Gerais ... .. 2.3.

Mudanças

no Grau

de Concentração ... .. ... ..6

... ..6

... ..6

... ..9

... ..9 2.2. Determinantes da Concentração ... .. .... ..1O

(6)

CAPÍTULO

III

3.

A

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

NA

INDÚSTRIA

BANCÁRIA

BRASILEIRA;

UMA

BREVE

DISCUSSÃO TEÓRICA

... .;1s 3.1. Conceitos Gerais ... ... _. 18

3.2.

O

Caso

dos

Bancos

Brasileiros ... ..21

CAPÍTULO

Iv

4.

SISTEMA

BANCÁRIO

NO

BRASIL:

BREVE

HISTÓRICO E

ANÁLISE

DA

CONCENTRAÇÃO

E

AUTOMAÇÃO

... . ... ..2s 4.1.

Desempenho

do

Sistema Bancário nos anos

80

e

90

... ..28 4.2.

A

Evidência

da

Concentração Bancária

no

Brasil ... ..35

4.2.1.

O

Sistema Financeiro Pré-Reforma ... .z....35 4.2.2.

Reforma

e Reestruturação

do

Sistema Financeiro ... ..38 4.2.3.

Breve

Caracterização da Concentração Bancária

do

Brasil ... ..4l

4.3.

As

Causas

da

Automação

Bancária se a Participação da Concentração Neste

Processo ... ... ..4_.'/. «I

CAPITULO

V

5.

A

GLOBALIZAÇÃO

FINANCEIRA

E

O

H

SISTEMA

BANCÁRIO

BRASILEIRO

... ... ..53

5.1. Conceitos Gerais

da

Globalização ... ..53

5.2. Antecedentes Históricos da Globalização Financeira ... ..5*9

5.3.

A

Globalização e os

Bancos

Brasileiros ... ... ..6l

CAPÍTULO

VI

«

ó.

CONCLUSÕES

E

RECOMENDAÇÕES

... ..ós

(7)

LISTA

DE

TABELAS

Página

-TABELA4l.-

Número

de Agências Bancárias - Brasil - 1980 a

1984

... ...3O

-

TABELA~4.2.

-

Evolução do

Emprego

no

Setor Bancário e na Indústria de Transformação -

1979

a

1983 ... ..3l

-

TABELA

4.3. -

Número

Total de

Empregados

e Agências Bancárias dos

Nove

Maiores

Bancos

Privados

Nacionais: 1991 a 1994.... ... ... ... ..33

-

TABELA

4.4. -

Número

de Bancos. Comerciais - Brasil - 1964 e

1976

... ..43

-

TABELA

4.5-

Agências Bancárias dos Maiores

Bancos

Comerciais Privados

do

Brasil: 1970, 1976, 1985 e 1986 ... ... .Ç ... ... ... ..44

-

TABELA

4.6. -

(8)

RESUMO

O

objetivo principal deste estudo foi caracterizar o processo de concentração

da

indústria bancária brasileira e relacioná-lo

com

a introdução da inovação tecnológica.

Basicamente, fez-se

uma

síntese econômico-histórica das principais transformações

do

sistema bancário nacional -

no

que diz respeito aos processos de concentração e

automação

- desde a

década

de 60

até os

tempos

atuais.

O

marco

teórico utilizado pertence à teoria

da

Organização

Industrial. Todavia, pesquisou-se

também

em

jornais, revistas de

cunho

jornalístico, revistas

de caráter acadêmico, estudos acadêmicos

(monografias

de graduação, dissertaçoes a nível

de

mestrado e doutorado).

Resumidamente,

pode-se admitir que a evolução

do

sistema bancário nacional até

o

estágio atual

tem

a ver

com

a orientação e estratégia governamental adotada

no

periodo pós- 1964. Originalmente, a fase marcante se caracterizou pela reestruturação

promovida

pelo governo militar nos anos 60,

ou

seja, especialização e busca de eficiência das instituições financeiras. Posteriormente, visando

uma

participação mais ativa

do

setor financeiro

no

padrão de internacionalização

da economia

brasileira dos anos 70, a conglomeração financeira teve papel destacado nos endividamentos externo e interno.

Nos

anos 80,

com

a crise da

economia

nacional, os bancos

obtém

lucros altíssimos, refletindo

no

aumento

do

grau de concentração e

na

elevação dos investimentos

em

informática.

Com

relação aos anos 90,

marcada

pela

estabilização da

economia

brasileira e pelas tendências de globalização, os bancos nacionais estão enfrentando

um

periodo profundo de reestruturação e mudanças.

(9)

CAPITULO

1

(10)

CAPITULO

I

1.

O

PROBLEMA

1.1.

INTRODUÇÃO

Este trabalho

tem

por objetivo contribuir para a discussão das questões relacionadas

com

a estrutura da indústria bancária brasileira,

em

particular

no que

se refere

ao processo de concentração e suas implicações

no

crescimento da automatização dos bancos

do

país.

Para tanto, busca-se apresentar alguns aspectos

do

sistema bancário brasileiro, de

1.964 até o presente, período caracterizado pela evolução dos processos de concentração e

automação. Todavia, diante das recentes transformações sofiidas pelos bancos brasileiros tais

como

o

movimento

de fusões, incorporações e falências, toma-se importante

relacionar a ocorrência destes fatos

com

o

processo de globalização

da economia

mundial.

O

trabalho encontra-se assim estruturado:

no

próximo

capítulo serão apresentadas, suciniamente, as considerações teóricas sobre a concentração industrial, de acordo

com

a

abordagem

encontrada

na

literatura de organização industrial.

Por

sua vez, o capítulo 3 tratará dos aspectos teóricos sobre a inovação tecnológica,

dando

ênfase ao caso

do

setor

bancário brasileiro. Posteriormente,

no

capítulo 4, procurar-se-á caracterizar

historicamente

o

processo de concentração na indústria bancária brasileira e relaciona-lo

com

a introdução de inovações tecnológicas. Finalmente,

no

capítulo 5, o assunto

principal será a caracterização

do

processo de globalização, e, suas implicações para os

bancos brasileiros.

O

trabalho encerra-se

com

a apresentação das conclusões a

que

se

(11)

1.2.

FORMULAÇÃO

DA

SITUAÇÃO-1›RoBL1‹:MA

Nas

últimas três décadas, o ,setor bancário brasileiro, assim

como

todo

o

sistema financeiro nacional,

tem

passado por profundas

modificações

na sua estrutura e

funcionamento.

A

intermediação bancária restringia-se à captação de depósitos e a

uma

variedade limitada de aplicações, diferentemente da situação atual,

onde

são oferecidas

uma gama

crescente de produtos e serviços bancários.

De

certa forma, esta evolução

tem

sido propiciada pelo extraordinário desenvolvimento das inovações financeiras e tecnológicas por parte dos bancos brasileiros.

No

que se refere a concentração desta indústria, a tendência

tem

sido ascendente desde a reforma bancária dos anos 60,

onde

um

número

restrito de poderosas instituições, lidera a maioria

do

sistema bancário e financeiro

do

paisl.

O

sistema bancário passa por “reformas”

que mudarão

a própria natureza

da

atividade

no

país.

Na

verdade, esta é

uma

tendência mundial. Outros países

também

estão sendo obrigados a

mudar

suas estruturas produtivas para se adaptarem aos

novos

tempos

da

econornia globalizada. Vários

são

os motivos

que

contribuem para a aceleração deste processo: as

mudanças

tecnológicas

que

criam

um

fluxo de informações

em

tempo

real, a

desregulamentação financeira, ab transição de economias estatizadas para

economias

de

mercado, os planos de estabilização, além da formação dos blocos econômicosz e

o

fim

do

padrão de desenvolvimento

do

pós-guerra

(FOLHA

DE

SÃO

PAULO,

18/08/96).

No

caso brasileiro, tanto

em

relação a bancos privados

como

estatais, pode-se observar três principais tendências. Primeiro, o recrudescimento

do

processo de concentração bancária,

que

fortalece o sistema

com

instituições mais sólidas e provavelmente mais cautelosas. Segundo,

com

o

fim

da inflação,

o

sistema financeíro

como

um

todo deve voltar

aexecutar

sua verdadeira função,

ou

seja, a de servir

como

1

Segtmdo MARQUES(1987), a forma do sistema bancário nacional se caracteriza pelo caráter oligopolista: poucos bancos detendo grande parte dos ativos e passivos da indústria bancária.

2

Segundo

BAUMANN(l996),

a crescente regionalização seria

um

paradoxo dentro do processo de

(12)

instrumento

de

apoio à atividade produtiva através

da

concessão de crédito. Terceiro,

o

setor bancário deverá enfrentar questões dificeis ligadas à abertura

do

mesmo

à concorrência estrangeira e à cobrança de tarifas pelos serviços prestados.

Conforme

BULHÕES(l993),

a evolução

do

setor bancário brasileiro, de

1964

até

os

tempos

atuais,

pode

ser caracterizada por essencialmente quatro fases.

A

primeira,

durante os anos 60,

quando

foi realizada

ampla

rede de reformas, possibilitando

o

desenvolvimento de

um

novo

sistema financeiro.

A

segunda, na década seguinte,

caracterizada por fusões, incorporações e formação de conglomerados

que

delinearam a

estrutura

do

setor.

A

terceira, nos anos 80~e início de 90,

em

que se observou total desvio das _fi1nções básicas dos bancos

como

intermediários financeiros. Finalmente a quarta,

marcada

pelo Plano Real, e caracterizada pela drástica reestruturação dos bancos

em

função

da economia

estável e da globalização dos mercados.

O

quadro político-econômico

em

que

se insere

o

atual sistema de bancos

brasileiros é resultado de

um

longo processo de crescimento e concentração, por fusões e

aquisições,

que

se iniciou nos anos

40

e se acelerou a partir

da

segunda

metade

dos an`os

60,

com

o advento das reformas bancária e financeira.

O

processo de

acumulação

financeira, favorecido

em

grande parte pela estratégia

de

concentração,

também

ganhou

impulso definitivo após as referidas reformas.

Além

disso,

no que

diz respeito à tecnologia de informação (informática, automação, telecomunicações) os bancos brasileiros

desenvolveram, nas últimas décadas, inovações

com

níveis de integração e sofisticação

somente

comparáveis a

poucos

paises de econornia avançada.

A

introdução e

o

acelerado desenvolvimento da

automação

bancária

no

Brasil “constitui

um

exemplo

marcante

do emprego

produtivo de tecnologias de informação

em

um

país

em

processo de industrialização”(FRISCHTAK, 1992, p. 197).

Em

outras

palavras,

dado o

grau de heterogeneidade

da

indústria brasileira

em

relação a

produção

e uso de tecnologia e produtos de infonnática, somente os bancos brasileiros conseguiram

(13)

5

adotar

uma

“trajetória tecnológicas independente”

que remonta

ao início dos anos

60

(CASSIOLATO,

1992).

Em

termos históricos, a estrutura

do

sistema bancário (e

também

financeiro) atual está diretamente relacionada

com

a política

econômica govemamental do

período pós-64

que

criou diversos estímulos institucionais

no

sentido de favorecer a concentração

bancária.

De

.forma indireta estas medidas exerceram certa influência sobre os

rumos da

automação

bancária

no

Brasil.

Conforme

CASSIOLATO(op.

cit., p. 173) “foi, todavia,

apenas durante a década de

70 que o

rápido processo de concentração e centralização

do

setor bancário brasileiro

impôs

e criou tanto as condições quanto os meios para

uma

automação

relativamente rápida

do

setor”.

Diante

do que

foi exposto, cabe a seguinte pergunta:

como

o processo

de

globalização

da

econornia mundial

pode

influenciar o

movimento

de concentração e

automação

dos bancos

em

operação

no

Brasil?

Além

disso, neste estudo postula-se

que o

intrigante

caminho

da

automação

bancária

no

Brasil

pode

ser explicado, pelo

menos

em

parte, pelas

mudanças na

concentração verificadas

no

setor bancário. Justifica-se esta hipótese,

com

base

na

teoria

microeconômica,

onde

um

aumento

na concentração industrial induz maiores lucros.

Maiores lucros, por sua vez, permitem investimentos maiores, os quais

no

caso dos

bancos

dirigem-se prioritariamente a automação.

Diante

da

presente hipótese, faz-se a seguinte indagação:

no

caso brasileiro, será

que

o

processo de concentração bancária

tem

sido realmente o principal agente causador da

automação

dos bancos

no

Brasil?

Ou

ainda, quais são verdadeiramente as causas

da

automação

bancária brasileira?

3

Trajetória tecnológica é 0 caminho natural percorrido pelo progresso técnico. Conforme DOSI(apud

LIFSCHITZ e BRITO, 1993, p. 9): “a trajetória tecnológica é atividade do progresso tecnológico ao longo dos “trade-ofl`s” econômicos e tecnológicos definidos pelo paradígrna tecnológico”.

(14)

1.3.

OBJETIVOS

1.3.1.

GERAL

Caracterizar historicamente o processo de concentração

do

sistema bancário brasileiro e relacioná-lo

com

a introdução de inovações tecnológicas.

1.3.2.

ESPECÍFICOS

O Verificar os fatores

que

permitiram e impulsionaram a adoção

de

tecnologia/informática por parte dos bancos brasileiros;

O Investigar alguns dos efeitos da globalização sobre a estrutura da indústria bancária brasileira.

H

1.4.

METODOLOGIA

Para atingir os objetivos acima este estudo procede análise histórico-econômica dos fatos recentes

que

caracterizam as transformações

do

sistema bancário brasileiro.

Entre estes fatos, dar-se-à mais destaque àqueles

que

originaram e incentivaram os processos de concentração e

automação

dos bancos

em

operação

no

país.

Dados

os objetivos,

0

período de análise

do

presente estudo inicia-se na década de

60,

marcada

pela reestruturação

do

sistema bancário nacional, e chega até os

tempos

atuais,

com

as recentes transformações dos bancos brasileiros. Essencialmente, trata-se

de

uma

síntese histórica dos principais acontecimentos envolvendo a estrutura

do

sistema bancário

do

país.

(15)

7

Primeiramente, para a realização deste trabalho foi realizada

uma

revisão bibliográfica dos conceitos relacionados

com

a questão principal, dando-se desta

forma ao

trabalho,

um

marco

teórico. Neste sentido foi necessário consultar

uma

bibliografia dos seguintes temas fundamentais:

a) Concentração Industrial:

foram

utilizados estudos de autores

como

George

e Joll,

Sylos-Labini, e, Tavares e Carvalheiro.

Devido

à extensão de trabalhos sobre o tema,

procurou-se fazer

uma

síntese dos principais detemiinantes (da concentração) e dos

principais fatores que

provocam mudanças no

grau de concentração;

b) Inovação Tecnológica: os estudos de Schumpeter, Pavitt, Lifschitz e Brito, servirão de base conceitual e teórica à formulação

do

capítulo

que

tratará das inovações tecnológicas

na

indústria bancária brasileira. Semelhante à teoria sobre concentração industrial, os estudos sobre inovação

também

possuem

vasta literatura;

i

c) Globalização Financeira:

o

livro

“O

Brasil e a

Economia

Global”, organizado por

Baumann,

foi a principal fonte teórica. Necessariamente, sobre este tema, ainda são maioria os artigos de jomais e revistas, os quais

foram

também

consultados.

Fazem

parte da literatura utilizada: diversas

monografias;

estudos publicados

em

revistas de

cunho

acadêmico (Revista Brasileira de

Economia,

Ensaios

FEE,

Revista

de

Economia

Política, Política e Planejamento

Econômico,

e outras); artigos da Revista Conjuntura

Econômica

e estudos

do

DIEESE.

Com

base nesta literatura, parte-se para a formulação

do

presente estudo e

da

comprovação

dos objetivos acima relacionados.

(16)
(17)

9

CAPÍTULO

2

2.

CONCENTRAÇÃO

INDUSTRIAL:

ALGUNS

ASPECTOS TEÓRICOS

O

objetivo principal -deste capítulo é apresentar aspectos gerais da teoria sobre concentração industrial, visando dar suporte à explicação da estrutura da indústria

bancária brasileira nos últimos anos. Para tanto, encontra-se dividido

em

três partes:

na

seção 2.1.,

com

base

na

literatura sobre Organização Industrial, conceitua-se concentração; os determinantes principais desta estrutura de

mercado fazem

parte

da

seção 2.2.; finalmente, na seção 2.3., serão apontados os fatores

que

impulsionam

mudanças

na concentração.

2.1.

CONCEITOS

GERAIS

Com

o objetivo de apresentar os fundamentos teóricos

da

concentração industrial,

faz-se necessário, inicialmente, explicitar alguns aspectos conceituais relativos à

mesma.

Por

concentração industrial entende-se o processo pelo qual

um

número

reduzido de

firmas

passa a deter

uma

parcela substancial de

um

atributo (emprego, produção, vendas,

depósitos, empréstimos, ativos, e outros) da indústria. Para

CARVALHO,

GARÓFALO

E

DEL

MÔNACO(1989,

p. 7 -a 8) concentração

em

um

dado

mercado, por exemplo, é

um

processo multifacetado,

o

qual se manifesta através

do aumento do tamanho médio

das

firrnas,

da

redução das desigualdades entre as dimensões das empresas sobreviventes, de controle de parcelas crescentes de

mercado

por algumas instituições e assim por diante”.

(18)

p. 253),

“depende

basicamente da busca de

uma

crescente eficiência técnica e da tendência a produzir a custos

sempre

decrescentes”.`

A

concentração industrial

pode

ser analisada tanto ao nível

da

indústria

como

um

todo,

o que

se

define

como

concentração agregada,

como

ao

nível de indústrias individuais

ou

de mercados. Adicionalmente, a concentração industrial

pode

também

ser

definida

como

horizontal

ou

vertical, correspondendo ao primeiro caso o nível de controle de

um

atributo qualquer por

um

grupo de

firmas que

produzem

uma mesma

mercadoria e,

ao

segundo o

nível de controle de

uma

cadeia produtiva por

um

determinado

número

de

firrnas.

No

trabalho de

SMYLOS-LABIN1(op.

cit., p. 35),

também

são sugeridas as

seguintes defmições

de

concentração industrial: concentração técnica,

em

termos de

estabelecimentos industriais; concentração econômica,

em

termos de firmas; e ~

concentraçao financeira,

em

termos de grupos de firinas ligadas entre si.

2.2.

DETERMINANTES

DA CONCENTRAÇÃO

Na

literatura

econômica

sobre organização industrial

uma

questão

tem

sido

continuamente estudada: os fatores

que

determinam os níveis de concentração

em

uma

indústria.

GEORGE

e

JOLL(1983), apontam

aspectos

como

as economias de escala,

o

tamanho

do mercado

e as barreiras à entrada

como

principais detenninantes das variações na concentração industrial.

Na

visão geral dos economistas, a presença de economias de escala é

o

fator

que

mais claramente se destaca

na

explicação dos efeitos

que

contribuem para a concentração de certos setores industriais (ou de certas firrnas individuais). Conceitualmente, as

economias de escala

podem

ser entendidas

como

sendo reduções

no

custo unitário de

produção

com

o aumento do tamanho

da unidade produtiva. Estas reduções

podem

ser

(19)

modernos

(mais automatizados e avançados),

como

também

podem

estar relacionadas a “ganhos

com

propaganda, marketing,

P&D,

financiamento,

enfim

qualquer etapa da

produção

e comercialização”(POSSAS, 1989, p. 13).

É

significativamente vasto

o

assunto envolvendo economias de escala.

É

um

tema

que

possui várias definições e conceitos, sendo, portanto, fonte das mais diversas interpretações teóricas.

Desde

Adam

Smith,

como

comenta

GEORGE

e

JOLL(op.

cit.) as

economias de escala são alvo de

uma

contínua investigação empírica e teórica: V

\

“Do

lado

das

atividades produtivas

de

uma

firma, as principais fontes

de

economias de

escala são

a

especialização e

a

divisão

do

trabalho.

As

vantagens

a

serem

conseguidas dessa

maneira são

bem

conhecidas desde

que

foram

expostas

por

Adam

Smith

em

A

riqueza

das

nações:

a maior

qualificação

de

uma

pessoa

trabalhando constantemente

num

mesmo

trabalho,

a

economia de tempo

conseguida

com a

especialização e que,

caso contrário, é perdida

quando

se

passa

de

um

trabalho

para

outro, e

a

introdução

de maquinaria

especializada

para

a

execução

das

tarefas

repetitivas.

A

obtenção desses beneflcios está claramente relacionada

com

o

tamanho

da

unidade

de

produção. Assim,

no

caso

do

trabalho, é possível

maior

divisão

do

trabalho

nas grandes

fábricas

do que nas

pequenas

e, talvez

mais

importante ainda, as fábricas maiores

podem

fazer uso

mais

completo

dos insumos

especializados.

A

economia

operacional

no

uso

de

operários e

máquinas

altamente qualificados

numa

escala

mínima

capaz de

produzir _

grande

quantidade

depende

da

capacidade

de

se diluírem os custos incorridos pelo

maior

número

possível

de

unidades

do

produto

e, nesse sentido,

a

grande

fábrica

tem

clara

vantagem

sobre

a

pequena

”(

GEORGE

e

JOLL,

op. cit., p. 1 4 7-48).

Outro detemiinante apontado

do

nível de concentração refere-se

ao

tamanho da

indústria

ou

mercado,

onde

se postula a existência de

uma

relação inversa entre ambos.

Embora

não

existam evidências empíricas satisfatórias sobre a correlação negativa entre to

tamanho do mercado

e a concentração “deve-se atentar para

o

fato de

o tamanho

de

mercado

ser apenas

um

dos determinantes

da

concentração e de essa constituir apenas

(20)

TAVARES

e

CARVALHÍE[RO(l985),

afirmam

que

é extremamente importante a relação entre eficiência, concentração e dimensão

do

mercado.

Conforme

suas próprias

palavras:

) se

algumas

firmas

de

uma

indústria se interessam

por

ampliarem

suas escalas

de

produção além

do tamanho mínimo

Ótimo, isto só

poderá

ser feito,

dado

o

tamanho

do mercado

com

um

grau maior de

concentração. (...)

De uma

maneira

geral, quanto

maior o

tamanho

mínimo

ótimo

em

relação

ao

mercado,

maior

será

o

,grau

de

concentração

da

indústria.

Não

há, portanto, razões teóricas (econômicas)

para

a

sociedade desejar

que

as

firmas

alcancem

tamanhos

maiores

que

o

mínimo

ótimo, embora, existam vários incentivos às firmas

para

assim fazerem, tais

como:

controle

de

mercado,

redução

da

concorrência, poder,

etc. ”(TA

VARES

e

CARVALHEIRO,

op. cit., p. 52).

Por

sua vez, as barreiras à entrada constituem-se, de acordo

com

GEORGE

e

JOLL(op.

cit., p. 166-67), noutro ponto relevante na determinação

do

nível de concentração industrial.

Como

exemplos de barreiras à entrada

podem

ser citadas as

próprias economias

de

escala,

na

medida

em

que

as

firmas que

pretendessem ingressar

em

um

novo mercado

precisariam incorrer

em

um

substancial gasto inicial de capital para

poderem

construir plantas, cujo

tamanho

aproveitasse as vantagens técnicas propiciadas por suas dimensões. Outro caso de barreira à entrada seriam as vantagens absolutas de

custos, “devido a fatores

como

técnicas superiores

de

produção protegidas por patentes,

propriedade exclusiva de

insumo

essencial, propriedade

ou

controle de elevada proporção

de

estabelecimentos comerciais e acesso mais favorável ao

mercado

de capitais”.

Uma

ter/ceira barreira à entrada diz respeito à diferenciação

do

produto.

São

exemplos desta estratégia: aperfeiçoamento

da

marca,

embalagem

e desenho

do

produto, os gastos

com

publicidade

na promoção

de vendas (brindes, sorteio de prêmios, demonstração grátis

do

produto aos clientes, etc.), melhoria

da

qualidade

do

produto para se destacar diante dos

demais concorrentes.

Uma

quarta barreira à entrada está relacionada

com

aspectos

de

caráter institucional.

A

legislação sobre patentes,

que

protege

o

direito exclusivo

de

uma

firma

de fabricar

um

produto específico

ou

de usar

um

processo específico.

Além

disso,

“o

governo

pode

conceder a

uma

organização

o

direito exclusivo de fabricar

ou

fornecer determinado

bem

ou

serviço”.

Ou

ainda,

o

governo

pode

se destacar

como

“grande

comprador

de bens e serviços e desta

forma

limitar suas

compras

a fornecedores já

(21)

estabelecidos

no

país”.

Um

outro

exemplo

apontado

como

barreira à entrada são aqueles casos de monopólios legais, “que são insuperáveis quaisquer

que

sejam as condições vigentes

no mercado

e qualquer

que

seja o

tamanho

dos competidores potenciais”.

POSSAS(op.

cit., p. 8),

complementa

a

noção

de barreiras à entrada, inicialmente

proposta por Bain4. Ela incorporou aspectos da

nova

realidade

econômica

(a preocupação

com

as inovações) e propõe, para tanto,

uma

releitura

da noção

de barreiras à entrada associadas freqüentemente às vantagens absolutas de custo, às relacionadas

com

a

diferenciação

do

produto e àquelas

que

se originam

do emprego

de economias de escala

na produção. E

ç

Nesta

nova

concepção proposta por

POSSAS(op.

cit.) as vantagens absolutas de

custo pertencentes a algumas indústrias (ou finnas) estariam vinculadas aos seguintes

aspectos: capacidade de financiamento

da

firma; financiamento aos usuários; relação

com

os usuários; patentes e licenciamento de tecnologia e; relação

com

fomecedores.

Por

sua

vez, a diferenciação

do

produto adquire

novos

elementos

com

a assimilação dos seguintes

fatores: especificações;

desempenho;

design e aspectos ergonômicos; gastos de vendas e fonnas de comercialização; linhas de produto e; assistência técnica e suporte

ao

usuário.

Finahnente,

no que

se refere .às economias de escala

como

prováveis fontes de barreiras à

entrada, a única alteração feita foi a diferenciação entre aquelas e economias de escopos.

2.3.

MUDANÇAS

No

GRAU

DE

coNcENTRAÇÃo

Quanto

aos aspectos que determinam as

mudanças

na concentraçao,

GEORGE

e

JOLL(op.

cit.)

começam

destacando o próprio nível presente de concentração de

uma

4

A

presente autora não aponta

com

clareza a obra de Bain que lhe serviu de inspiração. Todavia, pode

ser a Industrial Orga11ization(1968) ou ainda Barriers to

New

Competition (sem data).

5 Economias de escopo

são econornias de escala referidas a

um

conjunto de bens e não apenas

um

só.

Conforme POSSAS(1989, p. 13): “por exemplo se há

um

componente

comum

a mais de

um

produto que

(22)

indústria.

Caso

este seja elevado, mais dificil se

toma

para

uma

finna

ampliar sua participação

no mercado

às custas das demais. Isso

pode

induzir as firmaslíderes à diversificação, e,

na medida

em

que

elas se deslocarem para indústrias

com

menor

nível de

concentração,

o

mesmo

tenderá, consequentemente, a elevar-se.

O

ritmo -de -crescimento

de

uma

indústn'a é outro aspecto

que

influi nas

mudanças

da concentração.

Quando

uma

indústria cresce rapidamente, as

firmas

maiores terão dificuldade

de

aproveitar todas as oportunidades para a sua própria expansão, e isso

aumentará a possibilidade de entrada de novas firmas,

o

que, caso sejam

de tamanho

relativamente menor, implicará

em

uma

efetiva redução

do

nível de concentração.

São

ainda apontados por

GEORGE

e JOLL(op.cit.),

como

fatores

que

influenciam

as

mudanças na

concentração, a diferenciação de produtos e os gastos

com

publicidade,

os quais

atuam

de

uma

fonna

combinada. Aquelas indústrias

onde

a diferenciação é importante

também

tendem

a ser as

mesmas

onde

a

propaganda

se revela igualmente importante,

o que

faz

com

que

as grandes

firmas

tenham, nesse aspecto, substanciais

vantagens sobre as suas rivais de

menor

tamanho.

Dessa

forma, a diferenciação de produtos,

somada

à

promoçao

de vendas,

pode

permitir a

uma

fimia

aumentar sua participação

no

mercado,

bem como

prevenir a erosão da participação das grandes firmas.

Os

avanços tecnológicos

também

podem

interferir na estrutura de

mercado

e propiciar

mudanças no

nível de concentração das indústrias. Esta questão

tem

particular

relevo na obra de

SYLOS-LABINI(op.

cit.),

onde

ele

chama

atenção para a presença

de

descontinuidades tecnológicas nas estruturas de

mercado

oligopolizadas,

como

conseqüência

do

processo de concentração industrial.

Nas

palavras

do

próprio autor:

“(..)

o

aspecto característico

do

processo

de

concentração está exatamente aí

porque

ele cria descontinuidades tecnológicas

não

desprezíveis.

Somente

as maiores

empresas

podem

aplicar

métodos

-

não

somente

métodos

técnicos,

mas

também

métodos de

organização -

somente

que faz parte.

Também

é possivel haver economias de escopo nas diversas etapas de comercialização e produção, incluindo

P&D.

(23)

15

elas

podem

obter certas

economias de

escala. E,

por

outro lado,

das

empresas menores

para

as maiores,

não

se

passa

gradativamente,

existindo saltos que se

tornam

maiores quanto

mais

se acelera

a

concentração

”(SYLOS-LABINI,

op. cit., p. 76).

Entretanto, as pequenas

firmas

também

podem

se sobressair na

produção

e

desenvolvimento de tecnologia.

Ou

seja, não são

somente

as grandes empresas

(com

suas

escalas “gigantescas” de produção)

como

no

campo

dos setores químico, metalúrgico e

automobilístico

que

possuem

as condições ideais para se destacarem nesta função.

Como

advertem

GEORGE

e

JOLL(op.

cit.) :

“Os

imensos

avanços

feitos

na

indústria eletrônica

vêm

beneficiando todas as firmas,

mas

tem-se

argumentado que

esse benefício é

maior

para

as

pequenas

firmas

do

que

para

as grandes.

A

fabricação

de

computadores de grande

capacidade,

mas

baratos, colocou os

avanços

nas

técnicas gerenciais

ao

alcance

das

pequenas firmas.

Além

disso,

o

acelerado ritmo

de

mudança no

mundo

da

eletrônica tem criado oportunidades

para

a

pequena

firma que

tem intensa atividade

de

pesquisa e desenvolvimento

”(GEORGE

e

JOLL,

op. cit., p. 160-61).

A

alta concentração industrial.

também

pode

ser

promovida

pelas autoridades governamentais.

“A

atitude

do

governo diante

do monopólio

e da política de fusões”

tem

se

mostrado

eficaz na

promoção

da

mudança

estrutural ocorrida

em

certas indústrias (ou empresas). Vários são os

mecanismos

utilizados para este

fim,

por exemplo: a concessão de direitos de patente sobre invenções; a concessão de incentivos fiscais e creditícios;

além

disso,

“como

grande

comprador

de bens e serviços,

o

govemo

pode

demonstrar preferência pelas grandes firmas”.

Finalmente, quanto ao papel

desempenhado

pelas filsões

no

processo

de

concentração industrial,

GEORGE

e

JOLL(op.

cit.)

comentam

os seguintes

acontecimentos:

“A causa

mais

importante

dos

aumentos

_

de

concentração é indubitavelmente

a

atividade

de

fusões.

Nos

Estados Unidos,

no

final

do

século

XYX

e início

do

século

XXI

a

grande

onda

de

fusões transformou

a

(24)

estrutura

das

indústrias siderúrgica,

de equipamentos

elétricos pesados,

de

explosivos,

de

latas e

máquinas

agrícolas. (..)

Pode

ser

que

nem

todas

as fusões,

nem mesmo

a

maioria delas,

sejam

conseqüência de tentativas

de

monopolizar

a

indústria.

Mas,

qualquer

que

seja

a

causa

exata

das

fusões,

não

deve haver dúvida

de que

elas têm contribuído muitíssimo

para

os

aumentos de

concentração

”(ÓEORGE

e

JOLL,

op. cit., p. 163).

Os

autores acima citados concluíram

que

as filsões,

no

período pós II Guerra

Mundial, tiveram

um

papel fundamental na explicação da concentração industrial na Grã- Bretanha,

o

mesmo

não

ocorrendo nos

EUA

devido à existência de

uma

legislação

bem

mais restritiva às fusões.

Em

suma, a teoria

econômica

aponta as economias de escala

como

determinante

principal

da

concentração industrial.

Com

o

aumento

da unidade produtiva, a indústria

ou

a

firma

individual,

procuram

fortalecer o seu poder de

mercado

diante dos demais concorrentes. Aliado às economias de escala, as

finnas procuram

aumentar seus

ganhos

econômicos

na

promoção

de investimentos

em

recursos tecnológicos, por exemplo, e,

assim, aumentar

o

seu

poder

de competição.

A

estrutura de

mercado

oligopolizada é apontada na maioria das vezes

como

propícia às descobertas

no

campo

da tecnologia, na

medida

em

que

proporciona condições técnicas e financeiras.

Logo,

as autoridades governamentais, através de estímulos fiscais, financeiros e creditícios, estimulam muitas

vezes a prática de fusões e incorporações,

com

o

intento de fortalecer determinado agente da atividade produtiva (setor, indústria, firma).

No

setor bancário brasileiro, por exemplo, a concentração está diretamente relacionada

com

a política concentracionista

do

Governo

nas décadas de

60

e 70,

que

impulsionou consideravelmente a atividade de fixsões,

incorporações e aquisições neste período.

Com

a concentração, esperava-se que os bancos

brasileiros obtivessem economias de escala, que, por sua vez, seriam responsáveis pela diminuição dos custos administrativos e na maior eficiência dos bancos brasileiros.

Além

disso, bancos maiores e financeiramente mais sólidos, teriam plenas condições de investir

(25)

\

CAPÍTULO

I11

A

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

NA

INDÚSTRIA

BANCÁRIA

BRASILEIRA

(26)

CAPÍTULO

3

3.

A

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

NA

INDÚSTRIA

BANCÁRIA

BRASILEIRA:

UMA

BREVE

DISCUSSÃO

TEÓRICA.

O

presente capítulo destina-se à discussão teórica sobre a introdução

da

inovação tecnológica

na

indústña bancária brasileira (seção 3.2.). Antes, porém, será apresentada,

com

base

na

literatura econômica,

uma

breve amostra

da

literatura sobre inovação.

3.1.

INOVAÇÃO

TECNOLÓGICAz

CONCEITOS

GERAIS

SCHERER(

1995) chega à seguinte definição de inovação tecnológica (ou melhor,

do

processo de inovação tecnológica) :

“O

processo de inovação tecnológica refere-se

ao

uso, aplicação e

.transformação

do

conhecimento técnico e cientifico.

na

solução

de

problemas

concretos

(OCDE,

1992, p. 33)6.

Suas

fases são: descoberta,

invenção, inovação e dij'usão. Estas fases encontram-se inter-relacionadas

em

um

processo caracterizado

pela

complementaridade não-linear,

onde

a

modificação

em

uma

das

fases possui

a

capacidade de afetar

o

desenvolvimento das outras (...)”(SCHERER, op. cit., p. 93).

Rosenberg7, todavia, conceitua inovação

do

ponto de vista econômico, que nas suas palavras:

“(...)

não

é

um

ato único e

bem

definido, senão

uma

série

de

atos unidos

ao

processo inventivo.

A

inovação adquire importância

econômica

só através

de

um

processo exaustivo

de

redesenho, modificações e mil

pequenas

melhorias

adequadas

ao mercado

de

massas,

para

a

produção

por

meio

de técnicas

de produção

massivas (...).

O

aproveitamento

potencial

de

uma

invenção supõe,

por

seu lado,

um

cuidadoso

exame

da

acumulação de pequenos avanços

técnicos

da

invenção

no

decorrer

do

6 “Technology and

Competitiveness”. Paris,

OCDE,

(Technology and Economy Programme - TEP), 1992.

7ROSENBERG,

N. Tecnología y Economía. Barcelona, Editorial Gustavo Gili S.A, 1979.

T

`\ \

(27)

19

tempo, suas implicações

na

alteração

das

características de rendimento

em

termos econômicos, e

como

resultado

uma

comparação

de custos

da

nova

tecnologia

com

as tecnologias alternativas

disponíveis. (..)

O

êxito comercial

com

as inovações tecnológicas

no

geral envolve

ou

implica

uma

cuidadosa discriminação daqueles aspectos

das

práticas

passadas que precisam

ser

abandonadas

e daqueles

que

precisam ser

mantidos ”(citado

por

CAMPOS,

1996, p. 283).

Outra importante contribuição à literatura de inovação foi desenvolvida por Freemang, sendo

comentada

por

CAMPOS(op.

cit.)

da

seguinte fonna:

“Também

FREEÀ/[AN

(1987) explicita

com

clareza

o

caráter contínuo e

cumulativo

de

certas inovações,

que

denominou

de

inovações incrementais.

São

inovações

que ocorrem mais

ou

menos

continuamente

em

uma

indústria,

que não

resultam necessariamente

de programas de

P&D, mas

de

invenções

ou melhoramentos

sugeridos

por

engenheiros,

administradores

ou

usuários

da

indústria.

Para

FREEMAN,

tais

inovações

são

particularmente importantes (principalmente

em

períodos posteriores às inovações

que

ele

denomina

de

radicais) e estão associadas

ao

incremento

nas

escalas

de

plantas e

equipamentos

ou

à

melhoria

da

qualidade

dos

produtos

”(CAMPOS,

op. cit., p. 283).

Sob

outro ponto

de

vista , “a inovação

vem

a ser a

adoção

pelo

mercado

de idéias

novas

ou

invenções sob a

forma

de produtos, processos e

serviços”(MOREIRA,

1991, p. 4).

Na

concepção deste autor, a inovação é representada por

um

ciclo

composto

das seguintes fases: pesquisa, desenvolvimento, engenharia, transferência, produção industrial,

uso

do

produto final e, finalmente, novas necessidades.

E

continua:

“Quando

uma

empresa

incorpora

uma

invenção

à

produção, ela está realizando

uma

inovação.

Enquanto que

a

invenção é

um

produto

essencialmente intelectual,

a

inovação já

e'

um

fenômeno

econômico que

depende

estritamente

da

sua

organização

”fl\4OREIRA,

op. cit., p. 4).

Para Schumpeterg,

num

primeiro

momento,

o conceito de inovação tecnológica estaria

bem

fonnulado se nele fossem considerados os seguintes aspectos: (1) “introdução

(28)

de

um

novo

produto

no

mercado”, (2) “introdução de

um

novo

método

de produção,

não

necessariamente baseado

em

um

descobrimento científico novo”, (3) “abertura de

um

novo

mercado, não associado previamente a

um

ramo

particular da indústria”, (4)

“conquista de

uma

nova

fonte de

fomecimento

de matéria-prima

ou

produtos semi- elaborados”; (5) “criação de

uma

.nova

forma

de organização da

produção

na indústria”(LIFSCHITZ e

BRITO,

1992, p. 5). Entretanto, mais tarde,

Schumpeter

restringiria a definição de inovação tecnológica “a primeira introdução comercial de

uma

invenção” (LIFSCI-IITZ e

BRITO,

op. cit., p. 5). Essencialmente, a concepção

schumpeteriana sobre inovação está associada àquelas capazes de

romper

drasticamente

com

o

paradigma tecnológico” existente e iniciar

um

rumo

tecnológico novo.

O

arcabouço teórico sobre inovação tecnológica

(também

chamada

de progresso

técnico),

como

demonstrado

parcialmente acima, “está inserida

num

contexto

de

divergências históricas

que

se manifestam

em

proposições metodológicas diferentes”

(MOREIRA,

op. cit., p. 8).

O

debate teórico sobre este assunto

tem

mantido a

caracteristica da “discórdia” desde os autores clássicos, passando pelos neoclássicos e

chegando

até os

“modernos”

manuais sobre inovação.

A

tradição schumpeteriana, por exemplo, concebe a inovação

como

um

processo descontínuo e relacionado especificamente à esfera econômica, enquanto

que

a atividade inovativa estaria restrita ao

campo

científico.

Por

outro lado, existem pensadores,

como

Freeman,

que

interpretam a inovação

como

sendo

um

processo cumulativo e gradual. Já para Rosenberg, existiria

uma

“forte interação e complementaridade” entre invenção e inovação.

FREEMAN,

C.. Teclmology Policy and Economic Performance, Lessons from Japan. London. Pinter Publisher, 1987.

9

Na

obra Teoria do Desenvolvimento Econômico (1938).

1_°

De

acordo

com

CASSIOLATO(1992, p. 167), os paradigmas tecnológicos consistem

em

um

conjunto

geral de procedimentos de busca que são amplamente aceitos pela comunidade tecnológica. Essa busca irá resultar

em

projetos básicos que determinam o padrão tecnológico por

um

período considerável de tempo.

A

difusão de tais regimes é medida pela aceitação social”.

(29)

21

3.2.

O

CASO DOS

BANCOS

BRASILEIROS

No

caso

da

indústria bancária brasileira a inovação tecnológica (conhecida

também

pelo termo técnico “automação”)

pode

ser entendida conceitualmente

da

seguinte forma:

“Podemos

conceituar

o

processo

de

automação

bancária

no

Brasil,

como

sendo

a

adoção de

inovação tecnológica

que

se utiliza

de

todos os recursos oferecidos pela tecnologia

da

informática - componentes,

computadores

e telecomunicações -

com

vistas

à

realização

de

transações

contábeis

de

resultados financeiros

em

tempo

real (real time), objetivando integrar eletronicamente os usuários

às

operações

do

sistema financeiro e

este

a

outros setores

do

sistema econômico.

Com

isso, os

bancos

podem

viabilizar

a

maximização

da

rentabilidade

dos

recursos disponíveis e

maior

.agilização

dos

negócios e operações

dos

usuários (..) ”Ú\/IARQUES, 1987, p.

215

a

216).

-i

O

alto grau de sofisticação da

automação

bancária

do

país deve-se

em

grande parte a

uma

interação muito

próxima

estabelecida entre os

fomecedores

(firmas de computação) e os usuários de produtos e equipamentos para informática (sistema bancário).

Teoricamente, esta “parceria” entre fornecedores e usuários encontra respaldo na

literatura sobre inovação:

S

“A literatura sobre inovações (Freeman,

1982)”

sugere

que

a

proximidade dos

usuários

em

relação

aos

fornecedores

de

uma

inovação tem

um

papel

importante

na

concepção

e

no

aperfeiçoamento de

novos

produtos, especialmente produtos

de

alta tecnologia.

Na

verdade, muitas inovações

de

alta tecnologia envolvem

um

desenvolvimento colaborativo

entre fornecedor e usuário. (..)

A

interação entre os fornecedores e os usuários

da

tecnologia e

a

existência

de

um

reservatório relativamente

sofisticado de habilitações técnicas

no

ambiente circundante são elementos importantes

do

processo

de

desenvolvimento

de

uma

nova

tecnologia

”(CASS1OLA

T

0, 1992, p.

168

a

169).

Entretanto, antes de se

tomar

um

“campeão” no

uso e na produção de tecnologia,

o sistema bancário brasileiro foi dependente tecnicamente de

firmas

multinacionais

de

computação.

A

.indústria nacional de computadores era ainda nascente e .portanto

não

(30)

tinha plenas condições de suprir as necessidades tecnológicas dos bancos brasileiros. Todavia, a tecnologia estrangeira fornecida ao sistema financeiro doméstico

não

se

adequava

devidamente ao padrão de

automação que

se pretendia desenvolver

no

país (e

nem

se enquadrava

com

as características dos bancos nacionais da época).

Como

bem

salienta,

CASSIOLATO(op.

cit.), exemplificando

com

o

caso

do banco

Bradesco:

“Está

bem

documentado o

fato de

que

elas (as

firmas

multinacionais de

computação)

não

estavam interessadas

em

desenvolver tais produtos,

quando

abordadas

nesse sentido pelos técnicos ligados

aos bancos

brasileiros (Dantas, 1988)”.

Por

exemplo,

o

BRADESCO

desenvolveu seu próprio sistema,

o

“BRADESCO

Instantâneo ”, de

forma

que

caixas

automáticos

pudessem

ler caracteres magnéticos impressos

nos

cheques. Isso ocorreu antes

que

equipamentos

de

leitura desse tipo estivessem disponíveis mundialmente.

As

_ subsidiárias de multinacionais

não

se interessaram

em

desenvolver esse produto, portanto,

o

BRADESCO

criou seu próprio laboratório

de

eletrônica digital,

encabeçado

por

um

antigo engenheiro

da

IBM.

Em

menos

de

um

ano, eles criaram

o

primeiro

equipamento

leitor

de

caracteres magnéticos

do

Mundo

(Dantas, 1988).

(...)

No

que diz respeito

à

produção de “hardware”

e componentes,

o

BRADESCO

seguiu

a

estratégia de participações minoritárias.

No

começo,

o

Banco

participou

de apenas

três

empreendimentos

(SID,

Digilab e

COBRA,

a

empresa

de

computadores

controlada pelo Governo).

No

início dos

anos

80, adquiriu

o

controle total

da

Digilab e

também

a

usou

como

“holding”

para

seus investimentos

em

informática. (...)

O

Itaú,

o

outro principal

banco

brasileiro, seguiu

uma

estratégia diferente.

Decidiu criar

uma

empresa

sob seu total controle,

a

Itautec,

para

desenvolver e fabricar seus sistemas,

além de

suprir outros segmentos

do

mercado

brasileiro

”(CASSIOLA

T

O, op. cit., p.

176

a

178) .

Dessa

forma, a única saída encontrada pelas instituições financeiras

do

país foi a de desenvolver e fabricar seus próprios programas e equipamentos para automação. Juntamente

com

o auxílio de

firmas

nacionais de

computação

foram produzidos e comercializados diversos produtos

com

vistas à informatização dos

mesmos.

Na

verdade, os bancos, junto

com

entidades govemamentais,

foram

os pioneiros

no

uso de recursos e

produtos

de

informática

no

Brasil (processo

que

se inicia

em

meados

da década de 60).

FREEMAN,

C..The Economics of Industrial Innovation. London, Pinter, 1982.

12

DANTAS,

v..Gacm1ha

Tccnclógicaz a vcfâaócira História da Pciíúca Nacicaal dc Iafcrmàúca. ru,

(31)

23

Estes dois agentes, principalmente as instituições bancárias, exerceram grande influência

no

extraordinário crescimento da indústria doméstica de

computadores

(principalmente

no

período

da

década de 8-0).

Sendo

assim, os bancos

podem

ser vistos

como

“difusores” de tecnologia e

modelo de

desenvolvimento tecnológico para os demais setores da

economia

brasileira (inclusive para economias intemacionais).

Nas

palavras de

CASSIOLATO(op.

cit.):

“A experiência

da

automação

bancária

no

Brasil proporciona

um

exemplo

interessante de

como

as relações entre usuários e produtores

são

importantes

para

conformar

trajetórias especificas

de

inovação e difusão durante os estágios iniciais

de

introdução

de

um

novo

paradigma

tecno-

econômico

em

um

país

em

desenvolvimento

”(CASSIOLAT

O, op. cit., p. I 70).

Na

verdade, pode-se falar de

uma

simbiose entre

o

sistema bancário

do

país e as tecnologias computacionais e de informação.

Um

dos efeitos mais significativos desta “parceria”

tem

sido

o

desenvolvimento de inovações tecnológicas específicas para os bancos brasileiros (inovações incrementais).

Logo,

as descobertas ocorridas na indústria

de

computadores

(e de

forma

mais geral na indústria microeletrônica)

têm

sido difimdidas

entre os bancos brasileiros através

do

desenvolvimento

de

equipamentos específicos e de melhoramentos realizados nos já existentes.

Outra importante questão a ser examinada na indústria bancária brasileira diz respeito aos efeitos

do

progresso técnico sobre a estrutura desta indústria, especialmente

no que

se refere ao

comportamento

da concentração (e vice-versa).

Comprovando

esta hipótese, pode-se

afinnar que

“aestrutura das indústrias, tanto ofertante quanto usuária, é fator relevante para a velocidade da difusão de

uma

inovação. Entretanto, a correspondência ré biunívoca: a difusão

de

uma

inovação

também

pode

afetar a estrutura

de

uma

indústria”(SCHERER,

op. cit., p. 102).

Essencialmente, a argumentação teórica sobre

o

presente assunto (estrutura de

mercado

e inovações)

pode

ser aplicado ao caso dos bancos brasileiros.

Em

outras

(32)

palavras,

com

as medidas concentracionistas adotadas pelo

Governo

nos anos 60 e 70, criaram-se as pré-condições para a

automação

das instituições bancárias e financeiras

do

país.

Ou

seja, a .ampliação

do

setor bancário brasileiro resultou na necessidade crescente por recursos de infonnática e

computação que pudessem

agilizar e otimizar as atividades e funções exercidas pelos bancos.

Da

mesma

forma, pode-se afirmar

que

as inovações tecnológicas

podem

servir

como

estratégia para obtenção de ganhos

econômicos

por parte das zfirmas. Atualmente, aceleração deste processo está associada

em

grande parte a “intensificação e globalização da concorrência

nos

diferentes ambientes

industriais”(LIFSCHI'l`.Z e

BRITO,

op. cit., p.. 3).

Por

conseguinte, os investimentos

em

recursos tecnológicos significam para a

firma

uma

maneira de aumentar

o

seu poder de competição e de chegar a

uma

situação de

“monopólio

temporário”.

Complementando

a presente

noção

teórica, tem-se

em

Pavitt

uma

importante

contribuição..

De

acordo

com

este autor, “o progresso técnico é

um

processo cumulativo específico das firmas”(citado por

CAMPOS,

op. cit., p. 285).

E

continua:

“(..) .Ele é condicionado pelo

campo

de

conhecimento se pelas habilidades

técnicas

das firmas,

não

é facilmente transmitido e reproduzido

para

todas as

firmas

e, portanto, ta

origem

e

a

direção

do

conhecimento

tecnológico

adquirem

características diferentes entre os diversos setores

".(CAMPOS,

op. cit., p. 285).

A

partir das características das indústrias

como

usuárias e produtoras de tecnologia

e seus meios de apropriação

do

resultado das inovações, Pavitt” (citado por

LIFSCHITZ

e

BRITO,

op. cit., p.

29

a 31) reúne

numa

classificação as diferentes trajetórias

tecnológicas setoriais.

Foram

encontrados quatro principais grupos de indústrias:

A)

Setores

Dominados

por Fomecedores: “inclui indústrias têxteis, confecções, indústria

editorial e gráfica, produtos de madeira.

Nesse

caso as inovações estão associadas a tecnologias de processo, estando incorporadas

em

equipamentos e insumos intermediários

(33)

25

adquiridos,

com

as

firmas desempenhando

um

papel relativamente “passivo” na

modulação

da dinâmica tecnológica

da

indústria. Especial importância é atribuída à difusão de bens-de-capital «e bens intermediários produzidos por outras

finnas

cuja

principal atividade está localizada fora

do

setor considerado e que

com

ele se articulam

através de trocas inter-industriais”,

B)

Setores Intensivos

em

Escala: “Neste caso as inovações estão relacionadas tanto a produtos

como

a processos; a produção

normalmente

envolve o domínio de sistemas complexos; as economias-de-escala são

um

fator significativo para obtenção de ganhos

no

processo competitivo (tanto na produção,

como

em

atividades de

P&D);

as empresas

tendem

a ser grandes,

empregando

uma

parcela significativa de seus recursos

em

atividades de

P&D

e

com

tendência à integração vertical.

É

possível, nesse sentido, estabelecer

uma

distinção entre dois tipos

de

atividades: (a) indústrias de processamento contínuo

como

cimento, parte da indústria química, insumos básicos e alguns produtos

alimentares; (b) indústrias de

montagem

de componentes, geralmente baseadas

na

automação

das linhas de produção,

como

automóveis, eletro-domésticos e outros bens

de

consumo

duráveis”,

C)

Setores de Fornecedores Especializados: “Nesse caso, a inovação relaciona-se

fimdamentalmente

à introdução de produtos a serem utilizados por outros setores

como

insumos, principalmente

como

equipamentos de capital.

As

firmas tendem

a ser pequenas, operando a partir de

um

contato muito estreito

com

seus consumidores,

no

intuito de aperfeiçoar tecnologicamente os produtos gerados, e incorporando

um

conhecimento altamente especializado”, e.

D)

Setores

Baseados

na Ciência: “Nesse padrão,

que

inclui, dentre outros, os setores

de

eletro-eletrônica, mecânica de precisão, farmacêutico e química de especialidades, as

inovações estão diretamente relacionadas ao avanço

do

conhecimento científico; as

firmas

13

PAVITT, K.. Pattems of Technical Change: Towards a Taxonomy and a Theory. Research Policy, v. 13, p. 343 a 373, 1984. Esta referência não foi explicitada pelo autor, contudo é importante que se

(34)

~ ¿¿r

sao ageis” e “oportunistas”

em

suas estratégias, baseadas

em

atividades inovativas

“fonnalizadas”

em

laboratórios

de

P&D.

Para esse tipo de setor, as perspectivas de inovação

dependem,

em

boa

medida, de

uma

posição consolidada dos agentes na área de

ciência básica.

Os

conhecimentos gerados

podem

ter variadas utilizações,

podendo

orientar o esforço tecnológico tanto na direção de tecnologias de produto

como

de processo.

As

firmas,

com

algumas exceções,

tendem

a ser grandes, principalmente

na

medida

em

que

a indústria se consolida e

que

são reforçadas as economias-de-escala

em

P&D”.

CASSIOLATO(op.

cit.) classificou as instituições bancárias de países avançados

como

“empresas

dominadas

pelos fomecedores”.

No

caso brasileiro,

em

particular,

observa-se

uma

“comunhão”

entre os bancos e as empresas de computação, já

mencionado

anteriormente. Neste sentido, os bancos adquirem características de

firmas

tipicamente intensivas

em

recursos de informática, sendo

que

a incorporação destas tecnologias

tem

como

objetivo principal a redução dos custos e

o aumento do

desempenho

operacional,

além

é claro, de implicitamente, buscar-se

economias

de escalae maior

poder

de

mercado

(concentração e conglomeração).

De

fonna

geral, os bancos nacionais

também

se encaixam na categoria proposta por Cassiolato aos bancos estrangeiros

de

paises desenvolvidos. Apesar de alguns bancos

do

pais serem os próprios responsáveis pelo desenvolvimento de “softwares” e sistemas de engenharia para fabricação

do

“hardware”.

Por fim,

pode-se caracterizar o processo de inovação tecnológica

no

sistema bancário brasileiro

como

altamente intensivo

em

tecnologia, até

mesmo

em

comparação

com

os países desenvolvidos.

Os

bancos brasileiros se destacam

como

os grandes

cc ' 77 . ' \ ' f ~ f '

consumidores de produtos relacionados a tecnologia

no

pais.

Da

conexao

entre usuarios (bancos) e fomecedores (firmas de informática) surgiram inovações tecnológicas específicas para

o

setor bancário brasileiro.

(35)

CAPÍTULO

Iv

s1sTEMA

BANCÁRIO

No

BRASIL:

BREVE

HISTÓRICQ

E ANÁLISE

DA

Referências

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