C
Violência)
Dados do Ministério da
justiça
revelam que Santa Catarinafoi
oestadocampeão
emagres-sões
por
habitanteno anopassado.
Apo-sição
emrelação
aonúmero de homicí diostambém nãofoi
modesta: sextolugar.
A indústria do turismo litorâneo rende
lucros,
masgeraconflitos
sócio-culturais eambientais. Ainexistência de
planejamento
tomacadatempora da de verãopior
quea anterior. Mesmoassim,
aocupação
intensivado litoralcontinua,
patrocina
da
pela
especulação
imobiliária.C
Ambiente)
C
Crianças
)
Apesar
deproibido
porlei,
a cada ano aumenta o número de menores que trabalham.Em
Florianópo
lis,
são mais de 300 crianças
pelas
ruas nosmaisvariados
serviços.
A maio riatementre10e17 anos.I
lI;fI;ROTECA
-Curso
de
Comunicação
socrar
:�§º:
�-'Para
muitos,
anoiteé
oespaço
ideal
para
liberar
fantasias
Mãos
e
estômagos
à
obra
Em
algumas
profissões,
além de
habilidade,
são
necessários
nervos e
estômago
de aço
Numa
época
em que odesemprego
assusta os
brasileiros,
ainda existemprofissões
queamaioria das pessoas não exerceriam de modoalgum.
Ivonete Iracema da Silva, 3"' alIOS, é técnica em análises clínicas doHospital
Universitárlo. Crina e catarro fazem
parte da sua rotina. "A
contaminação
pode
acontecer no ar",
afirmaatécnica,
que exerce aprofissão
há dez anos.Rogério
Assis, 30 anos, há cinco trabalhacomo
desentupidor
defossas."
Não tem
que gostar ou não
",
diz. Emalguns
casos, avocação
é deixada de ladopela
necessidade..�
Um
roteiro
pela
noite
de
Florianópolis
revela
o
mix
das
tribos
" a..
�
A
noite
é
oambiente
comum
onde
todas
as
tribos
se
divertem.
Todas
asidades,
sons
eestilos
seencontram.
Na
noite
é
que
as
pes
soas
selibertam
da
rotina,
extravasam,
numritual
frenético
onde
a
palavra
de ordem
é
descontração.
Em
Florianópolis
oroteiro
noturno
é
bem
diversificado.
Passear
sem
destino
certo
pela
noite
da
capital
revela
muitas
surpresas.
Ambientes
especializados
atendem
a
todos
osestilos,
gostos
e
bolsos.
Para
aproveitar
as
opções
que
acidade
oferece
é necessário
um
roteiro. Os
nossos
repórteres
foram
conferir
anoite
e
revelam
os
points
db
Ploríanopoiís.
Acima
de
Zero
Egberta
o Zero não
poderia
deixar
de
estarpresente
nogrande
momentoque
amú-sica
teveemPloripa
esteano: oFloria-nópolis
in
jazz.
Nomes comoHerme-to
Pascoal
eGlsntonti
lotaram
ascadeiras do
Centro
Integrado
de Cul
tura. Nossosrepór-teres
efotógrafos
es-tiveramlá
eregistraram
as noites emque
o samde
NewOrleans
balançou
acidade.
Com
15
anosde estrada
edoze
discos
gravados,
oBarão
Vermelho
é
umdos
grandes
nomesdo rock
nacional
Acarreira
da
banda,
marcada
por
altos
ebaixos,
gan
hou
novoim-pulso
com olança
mento
de
álbum,
comregravações
de
antigos
sucessosda
MFB. I' UI�.·
.•'�" j.'�.'
.;:�
I'---
Novembro.96
__
Zero
Queridos,
encolheu
a
equipe!
tia,
busca
desesperada
porto
tos,
repórteres
fantasmas
...Saindo quase
ummês
depois
do
previsto,
acreditamos que
não
conseguimosatingir
totalmente o
objetivo
de apresen
tarum
projeto
grdtico
diferen
te.
As
reportsgens,
senão são tãoquentes quanto
as de edi
ções
passadas,
deram
espaço aprodução
de sala-de-aula.
Meio careta?
Pode
ser. Pudera,
talvez
seja
essa aconsequência
de
tersido
quebrada
outra
tradição
do
Zero. Nunca se
viu
umaequipe
tão pe ,.---Muenanaprodução
do
jornal
�
aboratório
do
cursode
[orna-(.,1.
�
\4IiiiíltJ=-ii�\lo
...,
Pareceu um
parto,
mas oZero
finalmente
saiu. Ede
cara,
quebrando
tradições.
Asprimeiras,
emais visiveis:
ologotipo
e oformato standard
Optamos
porele,
não pormania
de
grandeza,
maspela
vantagem
de
poder ampliar
aspossibilidades
de
diagrama
ção,
além
dedar
maiordes
taque
a
produção fotográfica.
Foram quatro
noites vira
das,
com maisde três
sema nasde busca de
matérias,
corrida atrás
detempo
disponi
vel
nolaboratório
de
integra-Iismo,
sendo que oito
páginas
Incompatibilidadcs
ideolá
chegaram
a sereditadas
porgicas
aparte,
concluimos
a umasó
pessoa. Notou-seatal-
primeira
etapa
deste
semestre. tade
nomes que antes eramNão
perdemos, porém,
aoporpresenças sssiduas
na repor-tunidsde de
agredecer
atodos
tagem
eedição.
Naedição
pas-aqueles
que
se"preocuparam"
sad
a, o Zero contou com 26 emsaber
quando
ticaria pron pessoasenvolvidas
nasuapro- taestaedição.
Passaremosago
dação,
sem contarcom os re- raa
fasede
avaliação
do
traportcres.
Nestaedição,
apenasbalho que
nosfoi "confiado"
esete pessoas se
envolveram.
esperamos
queascriticas
e suBoicote? Antes
de
responder
a
gestões
venham
acompanha
essa
questão
cabe avaliar
aati-das de
uminteresse
maioremtude de futuros formadores de
aprimorar
opróximo
Zero. OsEditores
Opinião
In_ter-�t:iva
É,
nem sóde
alienação
vive
atelevisão!
Oveículo
que dita
comportamentos
e porsuavez,forma
opiniões,
não
faz da realidade do
país
um
filme de
ficção.
Foi-se
otempo
emque
éramos me rosespectadores,
recebíamos
a
mensagem televisiva
e engolíamos
a seco.Naverdade,
acho que isto
nuncaaconte ceu. Obrasileiro,
seja
ele fa
velado
oumilionário, perdeu
a
inocência
já
faz
umbom
tempo.
E
atelevisão
também
contribuiu,
e porque
não,
paraque
essainocência
fos
seperdida.
Apesar
de
seus mteressespolíticos
eestratégias
para manterno comando
"podres poderes",
não sepode
negar que
avelha má
quina
de fazer doidos
temretratado
aviolência,
aim
punidade,
adesigualdade
e outrosmales da humanida
de
atravésde
suaprogramação
diária.
Claro
que seformos anali
sar as
novelas
globais,
encon traremostrechos
da
história do
país
distorcidos
eromantica
mentecontados.
Mas paraum
país
que
nãotem memória,
osimples
fato desses
acontecimentos
seremlembrados
já
éumavançoeuma
prova
que des
menteachamada
alienação
atribu
ída
atelevisão.
"
O
Rei do Gado"
estáaí,
e não medei-xa mentir. A
re-forma
agrária
e omovimento
semterra nunca
foram
tãodiscu
tidos.
Que
seja
atravésde
umasem terra
bem cuidada
earia
na como a
atriz Patrícia
Pillar,
ounaforma de
umsenador da
República
bem intencionado
epreocupado
com as causasnobres do Brasil
como o atorários
domundo
sãobonzinhos,
Carlos
Vereza.Ou,
ainda,
quegenerosos
echarmosões
como opróprio
líder do movimento
o atorAntõnio
Fagundes.
Oacredite que
ogoverno final-
importante,
nestecaso,
éque
conflitos
brasilei-rosestãoem
voga
todos
osdias
naTV,
fazendo
comque
não nos esqueçamos
mesmo
dos trabalha
dores
mortos emEldorado dos
Carajás.
Se
falarmos
do horário eleito
ral
gratuito,
então,
atelevisãode
alienadora
nãotem
nada.
Nuncatão
visto
antesquanto
nestaseleições,
oho
rário
passou a ser uminstru
mentade
"tire
amáscaravocêtambém".
E,
se obrasileiro,
inocentemente
(o
que nãocreiol),
acha que
ataques
pessoais de candidato
paracan-"O
horário
político
nunca
foi
tão
visto
e
passou
a
ser um
instrumento
de
tire
a
máscara você
tambcm"
mentesepreocupacomopro
blema,
porque determina que
oexército
doe
terras(impro
dutivas,
logicamentel)
para o assentamentodessas famílias.
Quem
sabe
também,
acredita
remos
que todos
osIatifundi-, ,
SAUDÀDES
HO��R\O
�O\...\ \\CO
�---eLlnrOAA
l
"P£c;.O
�&,u
"oro!>��OO
li"..
6UA.c..OM"�
..
e�6M>.
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Jl)'úN'.D�t>'E
J:61tt-l1;o
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DE
����«:>
,. .1)E
FA-t--\í
L-l
AS
NO�
Tli�QE)o.)O
DOA DO "?e:.L.O�íADO.
didato
são purabaixaria,
para
mim tudo isto
é,
nomínimo'
interessante
eenrique
cedor.
Não nosdeixando
esquecer que
atelevisão
é um trampulim
paraopoder
sim,
eque
comoFernando Collor
de
Mello
usouamáquina
ali
enadora,
outrosvirão
emfor
made
aspirantes
aprefeito
desta cidade.
Por
isso,
acreditar que
a
televisão
é capaz somentede alienar e/
ouformar
opi
niões
é a mesmacoisa que
achar que
omocinho
da
novela
"ORei do
Gado"
morreunum
desastre
aéreo e nãomais
apareceria
noscapítu
los da
trama. Ou quecandi
datos
aprefeito
não são políticos,
mastécnicos
competentes
que fizeram
efarão
muito
porFlorianópolis.
Ana
Paula
Barretoestudante de
jornalismo
Solon
So
�---- --.._--.._ -___ ---.-_ ---___ -......,10
Stt
'\)p.eoco·l)�
• EU"A�B!H
"" li.'�TO
",��,t\
•3xpedien-tE
JORNAL LABORATÓRIO
DO CURSODE
JORNALISMO
UNIVERSIDADE FEDERAL
DESANTA CATARINA
Novembro
de 19�
6Florianópolis
Caso
Water..2"ay
E
nomínimo curioso
que ossupostos
responsá
veis
pela
publicação
de
umjornal
de conteúdo discri
minatório
venham
posarde
defensores
da liberdade de
imprensa.
Desde
quando
aimprensa
sepresta
apropagar valores de exclusão que
decretam
oisolamento
de
umaparcela
numericamen
tesignificativa
da
população
e que vem,finalmente,
sedestacando
emostrando
a cara emtodas
as áreasque
a
heterossexualidade
tomoucomo
exclusiva? Temo
pelo
futuro
(assim
comolamen
toopresente)
da
imprensa
quando
vejo
quem
serãoosfuturos
profissionais.
Pstricia
Chiviolle
Florianópolis
o
Cursode
jornalis
moda
UFSC,
que forma
osmelhores
profissionais
do
Estado
ealguns
dos melho
res
do
país
nãopode
perder
tempo
discutindo
algo
tãoóbvio:
aliberdade de im
prensa. Se asminorias
temdireito de
semanifestar,
amaioria
heterossexual,
que
nãovai
contraàlei de
Deuse
da
natureza,
também
temdireito de
responder
a essamanifestação,
namaioria
das
vezes,
provocativa.
Arthur De
Oliveira
São
José
Zero
Rumo
aoISO
_._---Gnsidero
oZeroumdos melhores
"produtos"
que aUFSCoferece
àsociedade.
Semdúvida,
um espaçode
aprendizado,
ao mesmotempo
que oferece informa
ção
de
qualidade
àpopula
ção.
Continuem
com essetrabalho
de
primeira.
Lucia
Arruda
Florianópolis
Te
cuida,
Paulão!
Lamentável
aatitude
dos universitários.
Oensino
público gratuito
nunca es teve tão naiminência
da
extinção
etodos
fingem
que
nãoé
comninguém.
Atitu
des isoladas da
UNE nãovãosegurar
orojão
pormuito
tempo. É
preciso
abrir
osolhos.
Anderson
jordan
EIDIAMOS
Na
ultima
edição,
o Zeropublicou,
nareportagem
central
-O mundo de
R$
6 mi
lhões
-,sobre
a acampanha
publicitária
do governo
estadual,
umafoto onde aparece
oestudante
haitiano,
da 8a. fase
do
cursode
Engenharia
Elétri
cada
UFSC,
aolado
de
outrosuniversitários negros. Ele
esclarece que
nãoparticipa
de
nenhum movimento de
esquerda
e queapenas
quis
colaborar
com arepórter
foto
gráfica
do
jornal.
Arte:SolonSoares
Coleborsçâo.foice Sabatke,
BeatrizPrates,
Ivan
fcrônimo
e christin« veladãoCapa:
Allayn
RothermelCapa
Acima de Zero:Fátima Pissarrs, .
Edição:
Allayn Rothermel,
FátimaPissarra,
MarcoAurelioSilva,
MarinaMoros,Solon SoaresePatriciaFrancallacciEdição
de texto:Allayn Rothermel,
Fátima Pissarrae MarcoAurélioSilvaEdição
de Geral:Marco Aurélio SilvaEdição
do Acima de Zero: Fátima PissarraEdição
deFotografia
eTratamento de fotos: MarinaMorosLaboratório
Fotográfico:
MarinaMoroseFátima PissarraProjeto
Gráfico, Editoração
Eletrônica:Allayn Rothermel,
Fátima PissarrseMarcoAurélio Silva
Montagem:
Marco Aurélio SilvaRevisão final:MarcoAurélioeFátimaPissarra
Supervisão:
ProfCarlosLocatelliRedação:
Curso dcfornalismo,
Cf-"'E-UFSC,Trindade,
Florianópolis/SC
- f-"'EP88040-900e-mail:
[email protected]
e[email protected]
Telefones:
(048)
231-9215e231-9490 Fax: (048) 231-9988Fotolitose
impressâor
fornul
ANoticiaTiragem:
5milexemplares
Distribuição
Gratuita-Circulação
dirigida
í
Zero
Novembro'96
---Violência
o
pouconãoacabouem homicídio.
E no item homicídio Santa
Dados do
Ministério
da
Justiça
desmentem
a
fama:
Santa
Catarina
não
é mais
um
estado
pacato
VIOLÊNCIA A
VISTA
lemon
Menezes,
admiteaexistência decontradições.
"Osdadossãooficiais,
nãototais",
esclarece.Asesta tísticas fazemparte
de um programa de
informações
sobre a crimi nalidade nopaís
e começoua funcionar há um ano e meio. Foram
mandados,
no início de1995,
formulários para todososEstadosbra sileiros.
Alguns
voltaramincornple
tos.
Outros,
comtodososdados soli citados.Houve,
no entanto,estadosquenem
responderam,
comoPiauí,
MaranhãoeGoiás.
MasissonãolivraSantaCa
tarina de uma
péssima imagem.
OEstado
pode
nãoestar,defato,
entreos
primeiros.
Masaviolênciaaconteceeestá crescendo:em95 aconte
cerem 253 homicídiosa mais que
em 94. E não é
preciso
quejo
vens, num barzinho daBeira-rm
MarNorte,
emFlorianópolis,
sejam
assassinados porassaltan-tes,
como aconteceu recente menteem.SãoPaulo,
paraa vi olência tornar-se evidente.É
certo que Santa Catarina não
chegou
numa escala de violên-ciacomo noRioeemSãoPaulo,
mas elaacontece.Cachorro
-Há cinco meses,em
Florianópolis,
abriga
por um cachorroprovocouamorte deumho
meme,por pouco,seufilho também
não foi assassinado.Ocrime acon
teceunodia 12de maio. Emcome moraçãoaoDia dasMães,oaposen
tado Osvaldo
Ferreira,
42anos,pre-parava um churrasco Catarina
emplacou
a sextaposição
no ano
passado
- foram2131mor
tes (44 para cada 100mil habitan
tes).OEstado foi consideradoomais
agressivo,
masnãoé ondesematammais pessoas.Esteéumdos
aspectos
curiosos que aparecemnosdados do MinistériodaJustiça.
Rondônia,
porexemplo,
teoricamentemenosagres sivo queSantaCatarina,
éosegun doestadonopaís
emnúmero deas sassinatos. AtéoRio deJaneiro,
re cordistaem homicídio(11.804
registros),
tem menosagressões
por habitante. "No BrasilasfontesRr
iga
de bar.Briga
entrevizinhos.
Briga
entre marido e mulher.
Briga
no trânsito.Avidamostraqueobra sileiro não é de paz, ao contrário do quesediz.Emuitomenos os catarinenses,
conforme mostram as estatísticas oficias: oestadoregis
trouomaior número de
agressões
por habitantenopaís
em1995,362
para cada 100mil pessoas.Eavio lêncianãopára
por aí.Deacordocomdados apre-
r---�
__d I M·
,
,. I F'O
--senta ospeo irusténo r -C'(5' ...---__ são da
Justiça,
Santa Cata-f
--�-""j
c'nfiá_
,
ind f 11a 10
rmatemam aa
quarta
I 'f
veis no
,
de sui ídi ! I
I
maior taxa eSUlCI lO r 1
que se
,
de sé r I
n?
pais. Per e so paraf
1!;.
f
refere àRioGrande do
Sul,
Pa-f
•
!
vioIên_ranáeSãoPaulo. fI, "
J Cia ,ana-, Em 1995
fora�
I
f
lisa aco-registrados
noBrasill.-...
!
ordenado-393.214agressões,
---:---"_�
__ -.._�Ira
doNú-17.580 delas em Santa Catarina,
---...J
cleo deEstu Nesteano, sónaGrandeFlorianó-dos
Interdisciplina-
res sobre apolis já
foramsomadas,
atéjulho, Violência,
da
UFSC,
Sônia Terezinha2.352. Um desses casosaconteceu
Felipe.
"Além de não haver cultura háummês.Foiumabriga
entredoisde
registros
emalguns Estados,
nãohomens que
disputaram
umavagaháumsistema
padronizado
dosBonoestacionamento do
superrnerca-letins de Ocorreência
(BOs)",
expli
do SantaMônica,
emFlorianópo-caSônia. lis.O
juiz aposentado,
queprefere
Osdados do Ministérioda
justi
nãose
identificar,
esperava paraes-ça são
baseados
em BOs enviados tacionarseuKadettquando
omo-através dos governos estaduais. E o torista deum Uno entrouna
rnes-próprio
di-retor doDeparta
mento de Assun tos deSegu
rança Pú blica do Ministério daJustiça,
coronel Fi-estatísticasnãoma vaga. Encostados os carros, o dono do Uno se
irritou,
saiupela
janela
equebrou
ovidro do Kadett com umpontapé. Agrediu
ojuiz
esó
fugiu quando percebeu
que eleligou
paraapolícia
através deum celular."Fiquei
abismado com aviolênciado rapaz. Acho queesta
va
drogado",
containdignado
ojuiz.
O casofoi pararemjuízo
e o rapaz teve que pagar multa. PorMargarete
eFaísca: aviúvae a causadeumamorteabsurdavo e visar maisospequenos
delitos,
oque
ajudou
adiminuirosgrandes
crimes. Bratton ainda aumentou o efetivoemelhorouossalários dos po
liciais.
Prevenção
-Segundo
ocomandanteda Polícia Militar de Santa
Catari
na, coronel Wal-mirLemos, o mé todo de Bratton não é novidade. "Comos recursosque elestêm,
nãoé difícil
chegar naqueles resultados",
comenta. Ele confessa quea
PMSC,
agora, estáprecisando
deequipa
mento. "Não
adianta,
porexemplo,
ligar
parapoliciais
no 190enão teruma
viatura", explica.
E quantoaopoliciamento preventivo,
o coronelafirma que
já
é utilizadonoestadocatarinense.
"Trabalhamos
preven tivamente. Há
policial
nojogo
de futebol, notrânsito,
nos bairros. A pre sençadopolici
al inibe o marginal" .diz.
Mas o ato deprender
um crirmnoso nãoimplica
emsua saída das ruas.Aí entram
osistema
legis
lativoe oJudici
ária. Dos 775 infratores con duzidosaosdis tritosnomêsde
julho
deste ano, em média 90%estão soltos.
"Então éa
polí
cia aculpada
pela inseguran
ça?",
indaga
o coronel Walmir nadostêm entre 14e 19anos. E,aocontrário do que se pensa, os pro blemas
SOCiais,
comomiséria,
margi-nalidade, drogas
edesemprego
não sãodeter-minantesna
explica
çãoda
crimina-lidade,
emboracon tribuam. Pelomenoséoque defendea
professora
SôniaFelipe.
Ela atribui toda onda de
violência,
aumen tandonomundointeiro,
aumúnico fator:ostress. "A falta de emprego,dedinheiroatuasobreo
psiquismo.
Aviolência éolimiar do
stress',
argumenta.
Amídia é
aguçadora
desse pro cesso,segundo
Sônia."Enfiam,já
nocafé-da-manhã,
cadáveresempilha
dos",
salienta. Elaratifica queami sérianãoécausaisolada da criminalidade citando
países
comoÍndia,
19957
SantaCatarina
teve2131
homicídios
(626
dolosos,
1505
culposos)
Fonte: Ministério da
Justiça
para suaesposa,a co
zinheira
Margarete
Ferreira,
37 anos.Eleseos filhosestavamno
quintal
da casa, noSacoGrandeII,quan do ouviram
gritos
do seucachorro,
oFaísca.O filho mais velho foi
ver oqueestavaacon tecendo. Viuo
vizinho,
conhecido comoMár-cio.jogar
umtijolo
noanimal por eleterinvadidoseuterre
no.
Quando
Osvaldoe o filhopediram
para Márcionãomaltratar oanimal,
foram alvejados
comcinco balas de um revólver cali bre 38. "Ele atirava como um louco. Só via
fumaça
saindo da roupa domeufilhoe domeumarido",
nar ra a viúva. Osvaldo Ferreiramorreu com um tiro certeiro nocoração,
Márcio fugiu
esóseapresentou, doismesesapós
o assassinato,
emjuízo.
Espera
ojulgamento
em liberdade. "Não querovingança,
não quero maisviolência,
só quero queajustiça
seja
feita",
diz cho randoMargarete,
que agora mora com ostrês
filhos,
na casadamãe. "A
culpa
não é dapolícia,
é dajusti
ça", indigna-se
amãede
Margarete,
Ota-sí lia FurtadoGoes,
de 72 anos. Mãe e filha reclamam que aindatêm medo do assassi
no, que é conhecido
na
região
por fazerameaçasaosvizinhos.
Stress - Assim
cornoOsvaldo Ferrei ra, 47 mil pessoas morremtodoanoror
causada violência no
Brasil.
(:
ast)',unda
cüusümortis
-só pCI' de para o in í'arto.
Pior,
38%dosassassr-Ganae
Paraguai.que
têm de cincoa dez vezes menoscrimes que oBrasil.
Segundo
aprofessora,
seriauma catástrofe humanasefosseesteofator determinante dos crimes. "São
50 milhões de
pobres
no Brasil. Sepobreza
fosse sinônimo deviolência,
estaríamosperdidos" ,conclui.
Já
osociólogo
FernandoPon tedeSousa,que fez mestradoedoutorado sobre a
violência,
não vê ostress corno fator determinante.
Considera-o maisum
fator,
apenas.Para ele a criminalidade está mais associadaao
desemprego.
"Paranãomorrerdefomeaspessoascometem atos
ilícitos",
comenta.Eleprevê
quelogo
acontecerá umacampanha
para pena demorteepedidos
paraqueoExército vá paraarua,como
aconteceunadécada desetenta.
Naquela
época, segundo
o sociólogo,
foi feita urnaestratégia
dogoverno para desviara atenção do povo.
Preocupados
corn medidas de segurança, deixaram osproblemas
decustode vidaernsegundo
plano.
"Agora
isso serepete,
só queopro blema éafalta deemprego",
analisa.
Assim,
FernandoSousaacha quea violência só será amenizadacom
mudanças
político-econômicas,
"As causas sãosociais.Assoluções
teriam que ser sociais. Não
adiantam,
porexem
pIo,
açõespoliciais",
argumenta. Polícia
-Responsável pela
que da dacrimi-nalidadeematé39%nacidade deNova
York,
William Brat ton tornou-seopolicial
mais famo sodo mundo.Agora
dá consultoria dentroefora dosEUA. Aocontráriodo
sociológo
FernandoSousa,
elenãoacredita quea
solução
para violência
esteja
numa sociedade sem de semprego,massimnumaboaerespeitada
polícia.
Embora também considere osproblemas
sociais.Brattonseguea filosofia deum dos mais
requi-sitados pes
quisadores
americanos, DavidBay
ley,
que di zia: "Apolí
cianãocon segue evital'o crime. Os
especialistas
e apolícia
sabemdisso,
mas a OPI niãopública
nãosabe".Aestratégia
usadapelo
ex-chefe de políria dl' NY I,ll hasi c :I III C 11 I C ,Ip"SLit 11,1policiuuu-n
1,1prcvcnü
Homicídios em 1998no Brasí1: 46.388 Em 1994foramregistrados
39.698
umacréscimode20%.
teno Brasil 5 se -28. 735 a.mea.�'"fU$ e-osegundo
nopais.
Perde paraMGcom32.897
registros.
FonteMinistériodajustiça,
Lemos. A secretária deSegurança
Pública de San taCatarina,
Lu cia Stefanovich. acredita que existam falhas no sistemaLe-gislativo.
"Espe-ro, e épreciso,
Margarete
Ferreira: "Viafumaça
saindo queaLegislação
daroupado
meufílho".Penal
seja
atua-__�
lizada",
diz. Ela contesta os dados_---...,,--
1
oficiais referentesaoEs-...,,---..--(f!)S
1\
tadocata-f---""""---
, 'Af)E
'N1EN
t rin ens e.i
p(f!)I,YICln.
\
��cm-\
�
\
responde
a\
li�
\
nossareali-\
1\
dade",justi- \
\
fica.Quando
\
\
os dados fo- t\
ram enviados\
,\
, . " \ à\1lr1ua \ ao Ministério \ ,_ 'desanta ,) daJustiça,
Lu-\
ieia!lA1lWJ.r..-_--.---""
cia Stefanovich
\
_---ainda não tinha
\
__---assumido a Se- \....---...--cretaria.
Zero
Novembro'96
adolescentes
shopping
As
pracinhas
de
antigamente
dão
lugar
aspraças
de
alimentação
e
todo
o
aparato
dos
shopping.
Monotoniaoudiversão: aventuranomesmo
lugar
SãO
114 milhões de pessoaspor mês. Em 42
dias,
toda a""""""""",,""""""":"':':.
população
brasileirapoderia
passarmII:::::::::::mm::::'I:!:':I::::1
pelas
creto.portas
Os destesgigantes
deconshopping
centerssão ver-dadeirasinstituições
dentro daro-
"""""""""""",-tina de milhões de brasileiros. Ao
todono
país
existem 114shoppings,
emais 13ficarão
prontos
até 1998.Ninguém
gosta
de falar em núme ros,porém
calcula-se que essa in dústriafaturemais de R$ 1.6bilhões pormês.As praças de
alimentação
dessescentros tomaramo
lugar
dasantigas pracinhas.
Em cidades que oferecem poucoslugares
delazer,
,
os
shoppings
se tornampontos
dePatrícia Leandro
da
SJ1va,
encontro para a meninadaem
ge-14:!
desfila
emroupas
que
fa-cilmente
chegam
aos/l$500,OO.Jean�
blusa,
blsser
c
sapato;
«todas
de
grife'�
além
do lencinho amarrado
nopes
coço que
completa
ovisual
dessa
Patrícia?
que não tem
vergonha
de
seassumir
"pstricinha",
A estudante do
primeiro
anodosegundo
grau
do
Colégio Catarinenesepassa.
quase
todas
astardes
noshopping.
"Muitas
vezes euvenho
depois
do
colégio
eal
moço por
aqui
mesmo;
noutras;
venho
Ii
tarde
evolto de
pois
de
jantar
oudo
cinema»,
explica
ela.
Invariavelmente,
Patrícia
vemcomumgrupode
amigas
esó
não
cumpriu
ori
tual
de
todas
astardes
quando
aconteceu. a
explosão
noShopping
Plaza,
emOsssco.
"Cheguei
aficar
Ionge
do
shopping
por
umasemans",
confessa.
O
melhor horário
para
freqüentar
o centrode
compres
eagora também de
encontros;
é
des
cinco
horas
emdiante. Patrícia
afirma
que
é
nessehorário
que
opessoal
sai
dos
colégios
e"nessas
ho
ras costumarrolar muita
aza.ração'�
O
pai
da.
estudante?
engenheiro elétrico,
ganha
emtorna
de
23
saláriôs
minimos,
oque
permite
Ii
Patrícia
umamesada
gorda,gasta,
namaior
parte;
emroupas.
Para
ela
oshopping significa
"um
ponto
de
encontrocomamigf14
onde
posso fazer
compras
empaz
eencontrar
gente
bonita.
Aqui
agenie sempre
encontra
algu
ma
coisa para
fazer.
"JulesMoreÍra,
lambem
é
um
trcqüentador
assíduo do
shopping,
masnão
pelos
mes momotivos
de Patrícia.
Vai
porque
".fica
longe
das vistas
dos
pais
etemmais
liberdade
para
fazer
oque
quiser'�JuJes
quer
dizer fumar
e"zoar".
Metido
numacalça
que
pare
.ce
quatro
números
maior que
ele,
tenis;
camisão
eboné?
ele
pertence
aumaoutratribo do
shopping.
As
roupas
todas de
grife
de
skatistas;
comoele
expli�
são
para
impressionar
asmeninas
queele
vempaquerar.
Jules
está
terminando
opri.tneiro
grau
eseuspais
são
donas
de
umapequenaempre
SIl.
Confessa que muitas
vezesmente
que vai
para
aaula
esegue para
oshopping,
"como
hoje",
diz
com ardesatiadon
"Shopping
é
Iugiu:
de
encontro!
Aqui
agente
pode
comer edar
umasbandas
póraí
com agalera.
Além
disso
não tem
tempo
ruim,
nemfrioe
tá
sempre
cheio
de
iat.in118'�
diz
oga
roto
de
15
anossoltando
mais
uma
baforada.
oferecemaos
pais algo precioso
-se
gurança. A dona de casa Geralda
Mathias,
39,diz que deixaosfilhos noshopping;
sempreocupações.
Paraela esses centros são "um
tipo
de babá moderna".Em
Florianópolis
nãoé diferen te.OBeiramar recebeumamédia de 30 mil pessoas pordia,
de acordo com ochefe dodepartamento
desegurança, MoisésAntenor Dionísio.
Segundo
ogerente
depromoções,
Josué Oliveira,
omaiorshopping
da cidade movimenta mais de R$ LImilhãopormês.Dionísioafirma que 60%do
público
éformado por adolescentes e o índice aumenta para
80",6
quando
setratada praça de alimentação.
Asegurança dageração
lizada semanalmente.
Paquera
- Umpasseio
pelo
Beiramar confirmaatendência des sa
geração.
Apraça dealimentação
fica
repleta
de adolescentesnosho ráriospróximos
aotérminodasaulas.Nessemomentocentenasde
me-aula de
educação
física parasejun
tar aos
amigos
no Beiramar e ficar"azarandoumasmeninas".Ele acha que
"antigamente
devia ser muito chato". "Como é queo meupai
fa zia para paquerarasmeninas efi car sem aminha avónopé
dele?",
seperguntacurioso.Se anteriormente os encontros aconteciamnas
pracinhas
próximas
dasigrejas,
nocinemaou nosbailes,
issocomeçou a mudar há 14 anos,com a
inauguração
doprimeiro
shopping
dagrande Florianópolis,
oShopping
CenterItaguaçu,
em SãoJosé.
OItaguaçu
recebeSOmil pessoas nosfinais desemana. Com 82
lojas
e um faturamento deaproxi
madamente R$ 3S0 mil pormês,
oshopping
perdeu
público
para o Beiramar porficar foradailha,
mascontinua sendoa
grande
opção
paraosadolescentes quemoram naspro ximidades. "Amaior
parte
denossopúblico
ainda é formada por adultos",
garanteogerente
depromoções
do Itaguaçu,
Márcio Luís Onofre.LuísaMenezes
Moura, 12,
sem-3 preacompanha
a mãe às comprasno
Itaguaçu,
"masfreqüentaria
oshopping
dequalquer
maneira",
emendaamenina. A mãedeLuísa,
a
microempresária
CarlaMenezes,
diz quefreqüentemente
deixa afi lha vir aoshopping,
pois
também acredita nasegurança que ele ofe rece. Para Carla"enquanto
Luísa estáaqui
nãoestánarua".O item segurança também é le vado a sério no
Itaguaçu.
"Aslojas
sãovisitadas todosos meses
pelo
cor po debombeiros",
afirmouochefe da segurança, Roberto de Souza. Umaequipe
de 39 pessoasgarante
atranqüilidade
dosfreqüentadores
do
Itaguaçu.
Mundinho fechado - A
pedagoga
Alberta Outra Schirns considera que
Colégio
Coração deJesus,
"matou" "ageração
shopping
centernasceuindisci
p
fina
nummomentode muitas descober
tasparaohomem
conternporâneo".
"Oadolescente de
hoje
vivena era daliberdadedeexpressão,
doscom-putadores",
explica
ela. "Tudo é muitonovo eestamosaprendendo
alidar com isso".
Segundo'
Alberta,
essageração
já
nasceupodendo
usufruir muitas
possibilidades.
Entre elasteromundonateia deum computador' viajar
sem sair dolugar,
ter
experiências
virtuaiseindividuais.
Assim,
nãoestá maisdisposto
a viverumaexperiência
decadaveze nomomento certo."Para
quê
buscar emvários
lugares,
seelepode
tertudonumsé?"
argumenta
Schirns.Universo àmão- Paraela
essaé a
razãodeserdos
shoppings
centers. Sãolugares
deencontro,
de afirmação,
onde os adolescentes têm todo runes e meninas circulamgeral
menteemgrupose seencontrampor
lá. Cristiane
Gonçalves
Lima,
16,
vai à praça quase todososdias. Ela diz que é por pura conveniênciajá
que também trabalhanumadas20S lo Jas doshop-ping
e é mais fácil almoçar por
perto.
"Mesmo que elanãotrabalhasse
aqui,
ela sempre ia estar noshop-ping",
desmente aamiga Rejane Rodrigues
Martins. Econclui: "o que maistempara fazer
Patricinhss
&
Cia.
umuniversoàmãoenãosepermi tem, nem
desejam,
buscar asexperiêcias
necessárias paraoamadurecimento. Alberta acredita que os
shoppings
não são apenas ummodismo, pois
essa tendênciavem tomando corpo hápelo
menos 20anos, e vai se disseminar cada vez mais.
Apresença dos
shoppings
nasociedade brasileiravem
gerando
no voscomportamentos
sociais. Essas "ilhas deconsumo",
vemapagando
a "aventura"e oprazer de conhe cerpessoas através doencontrofor tuitoe
inesperado.
Foram-seas antigas
pracinhas,
palco
depiadas,
cantorias e trocas deexperiências.
No
lugar,
mesas,bandejas,
bolsas degrifes
famosas.Carlos Bradmesnãoimagina
comoseupai
conheceusuamãe sem a presença do
shopping
center.
Pudera,
nascido no Brasil"moderno",
da sociedade deconsu mo, praça, se não for de alimentação,
é apenas referência de trânsito.As
pracinhas
deontemdãolugar
às praças dealimentação
ral. OestudantePaulo da Silva Lei-
shopping
égarantida
por 82 pessote,
IS,
concorda com essa afirma- as,ligadas
atravésdeumsistema deção.
"Comonuncatem nadaparata-comunicação
interno. Alémdisso,
azer a
gente
vem para oshopping",
manutenção
dosequipamentos
do concorda.Alémdisso,
osshoppings
shopping
eavistorianaslojas
érea-nacidade?Tá todomundo
aqui!".
Algumas
pessoasjá
nãopodem
imagmar a vida sem osshoppings.
Carlos Claúdio Bradmes aluno do Viviane
Rodrigues'
Marco
Aut'élio_
Eu
quero!
experiências
necessárias para o ama
durecimento",
afirma a
psicóloga
Marla
juraci Siqueira,
38 anos,
professora
doCursode Psicologia
da UFSC.Aprofessora
Lígia
Trin dade Cassettaricomplementa:
"queríamos
daruma liberdade que
não tivemos e não
estvávamos prepa
rados para isso",
A
partir
da dé cada de80,
oado lescente assistiu àaceleração
de um processo defrag
mentação
da famí lia. Mães no mercado detrabalho,
pais
trabalhando em horáriosdilatados,
além da diversidade maior das atividadesparalelas
como cursos e
prática
deesportes.
Essa alteração
noritmo de vidadas famíliasobrigou
oadolescentea semovimentarsozinhonas cidades. Isso gerou
umgrau de relativa
independência
eoadolescente parece quegarantiu
para si umdireito de escolha ede cisão sem limites.Cézar
Augusto,
17 anos,cursa aY. série do
segundo
grau e moracomos
pais.
Filhoúnico,
desdeos11anoséelemesmoquem decideseus horáriose os cursosquequer fazer.
Toma aulas de
inglês,
informáticaebateria,
além depraticar
basquete
ehandebol. "Desde pequeno o Cézar sempre foi
respeitado
em suasopi
niões",
dizamãe,
Regina,
39anos.Econclui: "talvez por isso tornou-se tão
exigente
eintransigente".
"Essasensação de
poder
se dá porque aclassemédiatransfereaosfilhosuma falsasensaçãoderealidade.Essaéli
geração
do'euquero',
ageração
dodesejo
acima detudo,
ligada
aosva lores dasociedadede consumo".Velha escola - A
instituição
esco larcomoconhecemoshoje,
data do séculoXVIII.Delápara cá todasasEscolas da classe
média enfrentam
a
indiscipline
dos
adolcsccntcs
outras
instituições,
famílianomeio,
sofrerammudanças
profundas.
Aescola,
noentanto,
foi a menos sujeita
àstransformações.
"Nocapita
lismo
moderno,
aeducação
'missio nária'nãofazmaissentido",
afirmao
professor
AntônioBraulin,
48 anos,vintede
magistério.
"Paraasclasses
maisfavorecidas,
aeducação
tornou-se uma mercadoriae tem que
se
rnodernizar",
enfatiza Braulin.Defato,
nasclassessociaisemqueapresença do
computador,
daInternet,
da1Vacaboedeoutros avanços tecnológicos
nãoémaisnovidade,
trabalhar apenas com
giz
elousa torna
qualquer
aulaummartírio para osadolescentes.Que
agrande
maioriadosjovens
da classe médiaestudaemcolégios
particulares,
todomundosabe.Masoque poucos
pais
sabemé queessas escolas seguem modelos de educação
quenem sempre sãocompatí
veiscom a
educação
familiar. "Afa míliajoga
ofilhonaescola achando que ela deveeducá-lona totalidadeenãoé bem
assim",
dizLígia.
Segun
doo
professor
Afonso LuizdaSilva,
32anos, há mais de dez na
profis
são,
algumas
escolas tradicionais4ue têm
rígidos
controlesde disciplina
esbarram emalunos-proble
masporque "osadolescentesnão têmeducação
familiarepor issonãotêmnoção
de limites". Paraaprofessora
Lígia,
asolução
passa
pelo
resgate
da famíliaepela
readaptação
daes cola. "Faltaexperimentar
muitascoisas",
diz ela,sem esclarecer que coisas seriam essas. "Estamos repetindo muitas coisas da nossa gera cão,cm lliitrarealidade",conclui.
Geraçãoantena
-A influeru-ia dos
meios del·lllllIIIlIC:I,'.hlnoquea
PS1-CÓlll;l,i1
Mana.I11l".ll·{
d,I.�Slftl'llll de"ícnónu-no
imliscipliu.rr"
(' nítida.A"gl'l'a,·,ll'-I'I'l,]l!cII1.I"
d,ls sulas dl'aula é a mesma
"geração-mídia",
aquela
quenasceu e cresceuapós
aimplantação
e com o amadurecimentodaindústriaculturalnoBra
sil.
Sobretudo,
nos anos80,
quando
ocapitalismo
descobriuascrianças
e adolescentes como um mercado consumidorem
potencial.
.
Só parase teruma
idéia,
atualmente,
ascrianças
da classe médiajá
consomem 8%do ProdutoInternoBruto- PIB- do
país.
Umadolescentedaclasse médiacustaaos
pais,
emmédia,
SOOreais pormês. liA1V égrande responsável
pela geração
'querer
epronto',
pois
ocupaumperíodode
tempo
enorme navida doadolescente",
afirma apsicóloga
Marialuraci.Segundo ela,
oproble
mamaiorestánaprogramação
queinstiga
oconsumismoeaalienação.
Falta estímulo - Acontradição
nocomportamento
desses adolescentes estáno fatodelesquebrarem
insistentemente as regras de
disciplina,
masaomesmotempo,
concordaremque certos controles de
disciplina
devemsermantidos. "Se nãotivesse controle defaltas,
todomundomatava
aula",
concluiDaniel,
13anos,aluno da 7a. série do
primeiro
grau.Osadolescentesde classemédiatêm mais
poder
deargumentação,
fruto doacessoàleitura,
filmes, viagens",
disseoprofessor
Braulin,
"oque fal taéestímulo".
Há quem afirme que a indisci
plina
nasescolas da classe médiajá
foi mais grave. "Nos anos
80,
erapior,
eraaépoca
das bombasnobanheiro,
dofogo
nascortinas'',
lem braaprofessora
Lígia.
Oproblema,
desta vez, éadesordem
originada
dodesinteresseeisso estáatormentan
doa vidade
pais,
alunoseprofesso-res,
Allayn
Rothermel/
Marco
Aurélio_
A hora dorecreio invadeassaías de aulaEassados
queFernando,
dez anosISanos.endesdeescola,
seuhistóricoesco larjá
acumula
dezesseispáginas.
Esse éoresultadodas duastrans
ferências edas
quatro
expulsões
dos setecolégios
onde estudou.Atualmente,
elecursa a P. série dosegundo
grau deumdos colégios
mais tradicionais doEstado,
ondejá
foi advertidotrêsvezesporindisciplina. Juliana,
16 anos, aluna da 2a. série dosegundo
grau,em outrotradicional colégio
deBlumenau,
tem um histó rico mais modesto: apenas uma transferênciaetrêsexpulsões.
Os dois
exemplos
acima sãocasosextremos deum
problema
cadavezmaiscomum dos brasileirosque
têmganhos
acima de vinte salários mínimos. São os casosde.indisciplina
que rondam asescolas da classe média.Adis cussãodotemarende teorias pedagógicas
deprofessores, psicó
logos,
terapeutas
epais.
Mesmo carr. a conclusão fácil deque asculpadas
são,
comosempre,a so ciedadee afamília,
éinteressante analisar o "fenômenoindiscipli
nar"
mundial
quetambématinge
asescolas das classesfavorecidasnoBra
si!.
"Oalunoentramuito cedonaes cola evai
chegar
umahoraemque oadolescente querbrincar",
expli
ca aprofessora Lígia
TrindadeCassettari,
41 anos,que leciona há vinteanos na rede
particular
de ensi no. Naverdade,
aindisciplina
nes sasescolaspode
sertraduzidacomo umreflexodas váriasmudanças
no universodacriança
edoadolescenteda classe média. As
modificações
das
relações
familiares,
dasquestões
sexuais,
dasperspectivas
do merca do detrabalho,
assim como a interação
massiva com osmeios decomunicação,
aliadas a um sistemaeducacional
obsoleto,
produziram
adolescentescujo
comportamento
apresenta
um alto graude contradição.
Nova família - A estrutura da fa
míliabrasileirasofreu muitas mo