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(2) 2. JOÃO LOPES MARTINS JÚNIOR. FADIGA E DEPRESSÃO NO IDOSO. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Psicologia da Saúde. Orientador: Prof. Dr. Renato Teodoro Ramos. SÃO BERNARDO DO CAMPO 2007.
(3) 3. FICHA CATALOGRÁFICA M366f. Martins Júnior, João Lopes Fadiga e depressão no idoso / João Lopes Martins Júnior.-São Bernardo do Campo, 2007. 35 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Metodista de São Paulo, Faculdade de Psicologia e Fonoaudiologia, Curso de Pós Graduação em Psicologia da Saúde. Orientação de: Renato Teodoro Ramos 1. Fadiga 2. Depressão 3. Ansiedade 4. Atividade física I. Título CDD 157.9.
(4) 4. AGRADECIMENTOS. Agradecer é uma tarefa difícil, pois nem sempre as palavras conseguem expressar o que verdadeiramente estamos sentindo. Ao longo da minha trajetória acadêmica tive a oportunidade de conhecer e conviver com diversas pessoas, mas algumas delas foram realmente muito especiais na minha vida. Chegou o momento de dizer muito obrigado.. Ao professor Dr. Renato Teodoro Ramos, meu orientador e mestre, que me transmitiu a segurança necessária para enfrentar o meu caminho e seguir, que incluiu no nosso convívio: sabedoria, amizade, compreensão, alegria, sinceridade, apoio, incentivo, tranqüilidade. Renato, obrigado pela sua precisa orientação, pela sua inteira disponibilidade, pela paciência, pelo aprendizado, por tudo.... A minha esposa querida e filho amado, pela compreensão, paciência, apoio, incentivo... Meu eterno amor e gratidão. Aos meus pais, irmãos, minha irmã e familiares, pela força motivadora que me estimula a seguir em frente.. A Deus, que esteve presente em todos os momentos..
(5) 5. Martins Jr., J.L. Fadiga e Depressão no Idoso. 2007. 40 f. Dissertação (mestrado em Psicologia da Saúde) – Faculdade de Psicologia e Fonoaudiologia, Universidade Metodista de São Paulo, 2007 RESUMO A fadiga é um sintoma inespecífico, encontrado com freqüência na população. Ela é definida como sensação de cansaço físico profundo, perda de energia ou mesmo sensação de exaustão, e é importante a sua diferenciação com depressão ou fraqueza. Os transtornos depressivos e ansiosos constituem os transtornos psiquiátricos mais freqüentes no idoso, e quase sempre dão lugar a conseqüências graves neste grupo etário. Este estudo visa avaliar a influência da ansiedade e depressão sobre o desencadeamento de fadiga e evolução de problemas de saúde e de comportamentos peculiares ao processo de envelhecimento. Trata-se de um estudo, do tipo caso-controle investigando ansiedade, depressão e fadiga. Foram avaliados 61 indivíduos com 60 anos de idade ou mais. Um grupo controle constituído por 60 indivíduos jovens (idade até 35 anos), foram selecionados entre estudantes do Centro Universitário de Santo André que responderam um Questionário de Características Gerais, um Inventário de Ansiedade traço-estado, um Inventário de Depressão de Beck e uma Escala de Severidade de Fadiga. O grupo de idosos apresentou um escore significativamente maior em relação ao grupo controle na escala de severidade de fadiga. O grupo de idosos apresentou escore médio de 36,87 ± 14,61 enquanto o grupo controle apresentou escore médio de 31,47 ± 12,74 (t = 2,167; df = 119; p = 0,032). No entanto, o grupo de idosos apresentou escores significativamente maiores na escala de Beck (10,54 ± 8,63) em relação aos controles (6,83 ± 7,95); t = 2,455; df = 119; p = 0,016). Analisando-se apenas o grupo de indivíduos idosos, observou-se uma correlação significativa entre os escore da escala de severidade de fadiga e a escala de depressão de Beck (correlação de Pearson = 0,332; p = 0,009). Ainda trabalhando apenas com o grupo de indivíduos idosos, observou-se um escore significativamente maior da escala de severidade de fadiga naqueles indivíduos que praticavam atividade física regular, sendo, escore médio de 31,55 ± 13,36; (t = 2,203; df = 58; p = 0,032). A partir da análise dos resultados deste estudo pôde-se concluir que o grupo de indivíduos idosos apresentam estatisticamente significante escore maior, quando comparado com o grupo controle, apresentando mais sintomas de fadiga e depressão. Estes sintomas de fadiga ocorreram em conjunto com sintomas depressivos sugerindo uma possível correlação entre estes. Quando se observou apenas os idosos, esta correlação foi confirmada. Analisado-se ainda somente o grupo de indivíduos idosos observa-se que o grupo de idosos que praticam atividade física regularmente apresentam menos sintomas fadiga que o grupo que não pratica atividade física. Palavras chaves: Idoso; Fadiga; Depressão; Ansiedade; Atividade Física.
(6) 6. Martins Jr., J.L. Fatigue and Depression in the Elderly (Fadiga e Depressão no Idoso). 2007. 40 f. Dissertation (Master in Health Psychology) – School of Psychology and SpeechLanguage Pathology, Universidade Metodista de São Paulo, 2007 ABSTRACT Fatigue is a non-specific symptom commonly found in the population. Fatigue can be defined as extreme physical tiredness, lack of energy or even a feeling of exhaustion, and must be differentiated from depression or weakness. Depressive and anxiety disorders are the most common psychiatric disorders of the elderly, and often lead to severe consequences within this population. The primary purpose of this study is to evaluate the influence of anxiety and depression on the onset of fatigue and development of health conditions and typical behaviors of the aging process. This is a case-control study investigating anxiety, depression and fatigue. 61 individuals of at least 60 years of age will be evaluated after the following selection process: elderly individuals who live with their families and are considered normal and active, who do not undergo psychiatric treatment and are self-sufficient (individuals who do not depend on others for performing their daily activities, who go out alone, practice sports and do crafts, all literate). A control group consisting of 60 young individuals (up to 35 years of age) will be selected among students of Santo André University to answer a General Characteristics Questionnaire, a state-trait Anxiety Inventory, a Beck Depression Inventory and a Fatigue Severity Scale. The elderly group showed a significantly higher score in the fatigue severity scale in relation to the control group. The elderly group had an average score of 36.87 ± 14.61, whereas the control group had an average score of 31.47 ± 12.74 (t = 2.167; df = 119; p = 0.032). However, the scores of the elderly group in the Beck scale were significantly higher (10.54 ± 8.63) than the control group (6.83 ± 7.95); t = 2.455; df = 119; p = 0.016. An analysis of the elderly group alone showed a significant correlation between the scores in the fatigue severity scale and the Beck depression scale (Pearson’s correlation = 0.332; p = 0.009). Once again, an analysis of the elderly group alone revealed a significantly higher score in the fatigue severity scale for individuals who exercise regularly, being the average score 31.55 ± 13.36; (t = 2.203; df = 58; p = 0.032). By analyzing the results of this study, we conclude that on statistical terms, the elderly group has a significantly higher score in relation to the control group, thus revealing more symptoms of fatigue and depression. Such fatigue symptoms occurred in association with depression symptoms, what suggests a possible relation between both factors. This correlation was confirmed upon analyzing the elderly group alone. An analysis of the elderly group alone reveals that those who exercise regularly are less prone to fatigue than those who do not exercise.. Key words: Elderly; Fatigue; Depression; Anxiety; Physical Activity.
(7) 7. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO................................................................................................................... 01 1.1 ENVELHECIMENTO NO BRASIL .................................................................................. 01 1.2 SAÚDE NO IDOSO .......................................................................................................... 03 1.3 O CONCEITO DE FADIGA.............................................................................................. 06 1.3.1 Avaliação Diagnóstica..................................................................................................... 07 1.3.1.1 História clínica ............................................................................................................. 07 1.3.1.2 Exame físico................................................................................................................. 07 1.3.1.3 Avaliação psicológica................................................................................................... 08 1.4 ANSIEDADE E DEPRESSÃO NO IDOSO ....................................................................... 08 1.4.1 Características Especiais de Depressão no Idoso.............................................................. 08 1.5 JUSTIFICATIVA .............................................................................................................. 11 2 OBJETIVOS ....................................................................................................................... 12 3 MATERIAIS E MÉTODO ................................................................................................. 13 3.1 DESENHO EXPERIMENTAL .......................................................................................... 13 3.2 ÉTICA ............................................................................................................................... 13 3.3 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO............................................................................... 13 3.4 ANÁLISE DE RESULTADOS .......................................................................................... 14 4 RESULTADOS ................................................................................................................... 15 5 DISCUSSÃO ....................................................................................................................... 17 6 CONCLUSÃO..................................................................................................................... 22 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................... 23.
(8) 8. 1 INTRODUÇÃO. 1.1 ENVELHECIMENTO NO BRASIL. Desde as últimas décadas do século passado, o Brasil se depara com um declínio rápido e acentuado da fecundidade, fenômeno sem precedentes na sua história, e que se sobressai mesmo em comparação com outros países, seja do mundo desenvolvido, seja entre aqueles do terceiro mundo. Como aconteceu na maioria dos países em desenvolvimento, esse declínio, combinado com a queda da mortalidade, acarretou um processo de envelhecimento populacional e de aumento da longevidade da população.. Os dados do Censo Demográfico de 2000 mostram que a proporção de pessoas de 60 anos ou mais no Brasil corresponde a 8,6% da população total, em comparação com 7,3% no ano de 1991, o que confirma o acelerado processo de envelhecimento da população brasileira. Mesmo se não houver mais declínio da fecundidade no Brasil, a partir do ano 2000, o envelhecimento da população continuará até que desapareça, totalmente, de sua configuração etária, o efeito direto e indireto da alta fecundidade do passado (CARVALHO & GARCIA, 2003). As projeções mostram que a população de idosos brasileira chegará ao ano 2020 com mais de 26,2 milhões, representando quase 12,4% da população total (UFMG/CEDEPLAR, 1999).. O declínio sustentado da fecundidade é o grande definidor do processo de envelhecimento de uma população. No final da década de 60, iniciou-se uma rápida e generalizada redução da fecundidade no Brasil. A taxa de fecundidade total mudou de 5,8 em 1970 para cerca de 2,3 filhos por mulher em 2000. A mortalidade declinou significativamente a partir de 1940 até a década de 70. A rápida queda da mortalidade nesse período não provocou mudanças na distribuição etária da população em direção a um maior envelhecimento relativo, pois a redução era atribuída, principalmente, à queda das taxas específicas de mortalidade infantil. Como conseqüência, maior proporção de crianças sobreviveram em relação aos adultos e idosos, desencadeando um efeito sobre a distribuição.
(9) 9. etária semelhante ao de um aumento da fecundidade, isto é, de uma população mais jovem (CARVALHO, 1993). A queda da mortalidade contribui para o envelhecimento populacional quando essa se concentra nas idades mais avançadas, pois ocorrerá, assim, um incremento no número absoluto de idosos (CARVALHO & GARCIA, 2003). No Brasil, esta etapa do processo de envelhecimento já se encontra em andamento. A queda nos níveis de mortalidade ao longo do tempo é a responsável pelo aumento da longevidade entre a população idosa. Esta maior longevidade é considerada uma grande conquista em todo o mundo e tem conseqüências importantes para a sociedade. No Brasil, a redução nos níveis de mortalidade propiciou ganhos significativos da esperança de vida, como resultado das diminuições de mortes provocadas pelas doenças infecto-contagiosas, especialmente na infância (BARBOSA & ANDRADE, 2001). A esperança de vida ao nascer cresceu cerca de 30 anos entre 1940 e 2000, passando de 37,6 para 64,8 anos entre os homens e de 39,4 para 72,6 anos entre as mulheres. Os ganhos foram mais expressivos entre as mulheres, que apresentaram, em 2000, uma esperança de vida ao nascer superior em oito anos à masculina (IBGE, 2000). Assim, com a queda da fecundidade e conseqüentemente a menor proporção de crianças, os adultos e, principalmente, os idosos, começaram a ter maior representatividade. Por sua vez, com a queda da mortalidade, os indivíduos sobrevivem, em média, mais tempo, vivendo um maior número de anos nas idades mais avançadas (WONG, 2001). O que era antes um privilégio de poucos − chegar à velhice − passou a ser a norma, mesmo nos países mais pobres. Essa nova situação se transforma em um grande desafio para a sociedade porque envelhecer não é o suficiente. É também fundamental alcançar uma melhoria da qualidade de vida daqueles que já envelheceram ou que estão envelhecendo. Portanto, a preocupação passou a ser com o bem-estar e a boa qualidade de vida na velhice, um privilégio de poucos idosos residentes nos países em desenvolvimento (KALACHE et al., 1987; RAMOS, 1993; VERAS, 2002).. Na maior parte dos países desenvolvidos, o processo de envelhecimento populacional ocorreu em uma época de intenso desenvolvimento social e econômico, ao passo que na maioria dos países em desenvolvimento, como é o caso específico do Brasil, esse processo vem acontecendo paralelamente com graves problemas sociais e econômicos. Diante desse.
(10) 10. contexto de desigualdades socioeconômicas, o Estado se depara, ainda, com a necessidade de enfrentar as dificuldades impostas pelo aumento da proporção de idosos na população. Deste modo, as questões relacionadas aos idosos e ao processo de envelhecimento têm despertado cada vez mais interesse entre os pesquisadores brasileiros de diversas áreas (TIRADO, 2000). O progressivo e acentuado aumento da proporção de idosos tem implicações importantes que envolvem a vida do próprio indivíduo idoso, de sua família, da comunidade em que vive e, principalmente, dos órgãos responsáveis pela assistência social e de saúde (CANÇADO, 1994). Para KALACHE et al. (1987) o aumento do número de idosos em uma população se traduz em um maior número de problemas de longa duração, que com freqüência dependem de intervenções de custos elevados, envolvendo tecnologia complexa para um cuidado apropriado. Assim, o aumento relativo dos idosos associado à maior longevidade da população brasileira pode representar um grave problema para a sociedade se os anos de vida adicionados não forem vividos em condições de saúde adequadas (CHAIMOWICZ, 1997).. 1.2 SAÚDE NO IDOSO. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde como “o estado de completo bem-estar físico, psíquico e social, não meramente a ausência de doença ou enfermidade”. A obtenção do estado de completo bem-estar físico, mental e social depende de fatores que não estão somente ao alcance da medicina, mas sim da sociedade em geral. Deste modo, a saúde depende dos recursos alocados para a educação, da alimentação, da habitação, da infraestrutura sanitária, das condições de vida e de trabalho, da renda, do estilo de vida, do meio ambiente, do lazer. Por ser multidimensional e dinâmico, o estado de saúde não possui um conceito bem definido. Sendo assim, a caracterização das condições de saúde dos idosos requer informações detalhadas sobre diferentes aspectos de suas vidas. Cada elemento pode ser visto como um indicador específico, mas quando analisados separadamente são insuficientes para descrever o estado geral de saúde do indivíduo (PORTRAIT et al., 2001). Sentir-se saudável é um componente importante na vida das pessoas idosas. Esta sensação é determinante chave da possibilidade dessas se manterem independentes e autônomas (ARBER & GINN, 1993). Uma boa saúde é fundamental para aumentar ou manter a qualidade de vida dos idosos e garantir a continuidade da contribuição desses para a.
(11) 11. sociedade (WHO, 2001). Por sua vez, uma condição de saúde ruim implica numa maior vulnerabilidade e dependência na velhice (BARRETO et al., 2002). E a dependência é considerada por muitos como uma ameaça aos valores, como o respeito próprio e a dignidade humana, além de criar barreiras para obter satisfações na vida (ARBER & GINN, 1993). Apesar do processo de envelhecimento não estar, necessariamente, relacionado a doenças e incapacidades, as doenças crônico-degenerativas são freqüentemente encontradas entre os idosos (CHAIMOWICZ, 1998). Segundo RAMOS (1993), à medida que um maior número de pessoas atingem idades mais avançadas há uma tendência de alteração no padrão da morbidade e causas de morte, modificando o perfil de saúde da população e criando demandas específicas, tais como programas de prevenção de doenças crônicas, especialmente neoplasias, modificações no estilo de vida e hábitos alimentares e aumento de leitos hospitalares para ocupação com a população idosa. Assim, a tendência atual é termos um número crescente de indivíduos idosos que, apesar de viverem mais, encontram-se funcionalmente incapacitados e com uma saúde precária. Associado ao declínio da saúde, os idosos são expostos a outros prejuízos significativos, como separação de filhos, perdas de amigos, de emprego, de renda e de companheiro. Essas perdas podem interferir diretamente na saúde dos idosos, na medida em que exacerbam os fatores de risco ambientais, comportamentais e psicológicos que resultam em deterioração das condições de saúde (CHENG et al., 2002).. Há um número razoável e crescente de investigações que abordam as associações entre saúde e os determinantes demográficos, socioeconômicos, as doenças crônicas e a capacidade funcional entre as pessoas idosas nos países desenvolvidos. Uma das possibilidades de conduzir este tipo de estudo tem como base informações provenientes da percepção dos idosos em relação ao seu próprio estado de saúde. Embora a mensuração do estado de saúde seja bastante difícil, englobando diversos aspectos da vida do indivíduo, a autopercepção de saúde tem sido muito utilizada em pesquisas que visam estabelecer o estado de saúde do indivíduo, especialmente do idoso. No entanto, a autopercepção também apresenta as suas desvantagens, uma vez que não está imune a falhas. Os diferentes indivíduos, de distintos grupos sociais, apresentam percepções diversas sobre as opções de respostas (MURRAY & CHEN, 1992). Ainda assim, a autopercepção é considerada uma medida válida e confiável de saúde, consistindo em uma.
(12) 12. variável interveniente importante entre os problemas objetivos de saúde e o bem-estar subjetivo ou a qualidade de vida. Os resultados de numerosas pesquisas comprovam a correlação entre a autopercepção de saúde do idoso e os determinantes demográficos, socioeconômicos, as doenças crônicas e a capacidade funcional (SMITH et al.,1994; DENTON & WALTERS, 1999; ARBER & GINN, 1993; COTT et al, 1999; LEINONEN et al., 2002). Entretanto, alguns autores (HAY, 1988; ROSS & WU, 1996; CHENG et al., 2002; ZIMMER & AMORNSIRISOMBOON, 2001) destacam que o nível socioeconômico apresenta uma forte associação com a percepção de saúde, mas outros (GAMA et al., 2000; HOEYMANS et al., 1997; DAMIAN et al, 1999) afirmam que a capacidade funcional e as doenças crônicas são os principais determinantes da autopercepção de saúde do idoso. Os resultados se mostram ainda bastante controversos. Os resultados dos diferentes estudos focalizados ao longo deste capítulo reforçam a importância de se estudar os determinantes da autopercepção de saúde dos idosos, uma vez que esses podem influenciar diretamente na saúde e no bem-estar da população idosa. Nessa perspectiva, um envelhecimento saudável depende da interação multidimensional de vários fatores determinantes. No entanto, são poucos os estudos que exploram um modelo que combine a idade, as doenças crônicas e a capacidade funcional, especialmente nos países em desenvolvimento, como o Brasil. A influência desses diferentes determinantes na autopercepção do estado de saúde do idoso é incerta, sendo que a correlação nem sempre é consistente entre os estudos. Além disso, algumas pesquisas alertam para as dificuldades em interpretar essas associações. Cada determinante pode proporcionar um efeito significativo e.
(13) 13. independente na autopercepção de saúde do idoso, mas a interação entre eles também apresenta um papel importante.. Esta problemática aponta para a necessidade de identificação dos fatores determinantes relacionados com a autopercepção do estado de saúde entre os idosos, na medida em que a expansão do conhecimento desses determinantes pode contribuir para a minimização das desigualdades de saúde, e para o desenvolvimento e planejamento de políticas públicas adequadas e orientadas à manutenção e à melhora da saúde, à valorização das ações corretas e à implementação de intervenções preventivas que visam um envelhecimento com saúde e uma maior qualidade de vida na velhice.. 1.3 O CONCEITO DE FADIGA. A fadiga é um sintoma inespecífico, encontrado com freqüência na população. Ela é definida como sensação de cansaço físico profundo, perda de energia ou mesmo sensação de exaustão, e é importante a sua diferenciação com depressão ou fraqueza muscular (KRUPP et al.,1989). Embora seja um sintoma subjetivo e inespecífico, ela acompanha diversas doenças, podendo ocorrer também em indivíduos sadios (IRIARTE & CASTRO, 1994). Pode ser dividida nas seguintes entidades, conforme duração e apresentação dos sintomas. Fadiga prolongada – fadiga incapacitante e prolongada com duração de pelo menos um mês. Fadiga crônica - fadiga incapacitante e prolongada com duração de pelo menos seis meses. Quando a fadiga crônica é inexplicada por outras condições médicas ou psicológicas, ela se subdivide em idiopática ou Síndrome da Fadiga Crônica (SFC), neste último caso quando preenche critérios específicos (CHRONIC FATIGUE SYNDROME WORKING GROUP, 2002; SHARPE et al, 1991).. A fadiga foi o nono sintoma mais comum em Atenção Primária à Saúde (APS), segundo levantamento norte americano de 2000 (ZIMMER & LIMA, 2004). Um estudo britânico de base populacional encontrou fadiga excessiva em 38% dos 15.000 entrevistados, destes 18% tiveram duração superior a 6 meses (ZIMMER & LIMA, 2004). Estima-se que.
(14) 14. 9% das pessoas sentem fadiga por mais de seis meses alguma vez na vida (DARBISHIRE et al, 2003). Em outro estudo, 18 pacientes consultaram com queixa de fadiga de um total de 1000 consultas realizadas em um ano (DARBISHIRE et al, 2003). É mais freqüente em mulheres que em homens (28% vs. 19%) (ZIMMER & LIMA, 2004). Metade dos pacientes com fadiga tem uma causa psicológica (EBELL & BELDEN, 2001). O perfil dos indivíduos com fadiga crônica apresenta níveis de atividade geral baixa, discreta tendência depressiva, mais eventos estressores na vida, distúrbios do sono e dificuldade de lidar com estresse quando comparados com indivíduos saudáveis. Contudo quando comparado com indivíduos com SFC, estes apresentam maiores níveis de fadiga física e níveis mais baixos de atividade geral (MASUDA et al, 1994). A fisiopatologia da fadiga permanece obscura, assim como os métodos de abordagem diagnóstica carecem de evidências conclusivas (EBELL & BELDEN, 2001; EDMONDS et al, 2004). Do mesmo modo, poucas abordagens terapêuticas, especialmente na Síndrome da Fadiga Crônica (SFC), têm-se mostrado efetivas (WHITING et al, 2001). 1.3.1 Avaliação Diagnóstica Levando em consideração fadiga como sintoma, encontramos uma variedade ampla de hipóteses diagnósticas. Torna-se necessário ter um método sistemático de abordagem, visando acurácia. Situações clínicas com risco de vida ou de perda funcional devem ser detectadas, assim como se deve evitar o excesso de investigações complementares. Numa avaliação diagnóstica inicial, é imprescindível um exame clínico abrangente que consiste em: História clínica, exame físico e avaliação psicológica (CHRONIC FATIGUE SYNDROME WORKING GROUP, 2002; ZIMMER & LIMA, 2004; EBELL & BELDEN, 2001; RIDSDALE et al, 1993; DEPARTMENT OF DEFENSE: VETERANS HEALTH ADMINISTRATION, 2002):. 1.3.1.1 História clínica Deve-se explorar semiologicamente o sintoma fadiga, o qual deve ser diferenciada especificamente de fraqueza muscular (doença neuro-muscular), dispnéia ou intolerância ao esforço (doença cardíaca ou respiratória), sonolência, perda de motivação ou prazer. Outras.
(15) 15. queixas podem orientar a diagnósticos alternativos, como perda de peso inexplicada (cânceres, infecções ocultas, tireotoxicose), pele seca e intolerância ao frio (hipotireoidismo), ronco e sonolência diurna (apnéia do sono), artralgia e rache cutâneo (colagenoses) (CHRONIC FATIGUE SYNDROME WORKING GROUP, 2002).. É importante avaliar uso de medicamentos e abuso de drogas, fatores causais para o sintoma fadiga. Deve-se pesquisar a ocorrência de fatores estressores no momento atual e no passado (GODWIN et al, 1999).. 1.3.1.2 Exame físico. Normalmente não existem achados anormais na fadiga crônica e SFC. O exame físico e do estado mental, a princípio, é direcionado para exclusão de outras doenças. Uma avaliação cuidadosa de déficits neurológicos ou sinais de anemia, insuficiência cardíaca, problemas respiratórios, infecções ocultas, doença do tecido conjuntivo ou tumores deve ser bem conduzida.. 1.3.1.3 Avaliação psicológica Uma precisa avaliação diagnóstica para transtornos psiquiátricos deve ser realizada, especificamente os transtornos de ansiedade e depressão (DEPARTMENT OF DEFENSE: VETERANS HEALTH ADMINISTRATION, 2002). Instrumentos e escalas diagnósticas podem ser utilizados para melhorar a acurácia diagnóstica (MORRISS & WEARDEN, 1998). Embora não seja necessária avaliação por psicólogo ou psiquiatra, o referenciamento de alguns pacientes, em que, por exemplo, persista a dúvida diagnóstica ou apresentem problemas psiquiátricos de maior gravidade com estes profissionais (CHRONIC FATIGUE SYNDROME WORKING GROUP, 2002).. 1.4 ANSIEDADE E DEPRESSÃO NO IDOSO Segundo GIL et al (2004) os transtornos depressivos e ansiosos constituem os transtornos psiquiátricos mais freqüentes no idoso, e quase sempre dão lugar a conseqüências graves neste grupo etário. No início deste século, a Organização Mundial da Saúde (OMS).
(16) 16. alertava sobre os riscos que podiam apresentar os transtornos psiquiátricos como causa da falta de capacidade, e colocava uma ênfase especial nos perigos que podia apresentar a depressão e a ansiedade em populações frágeis, como os idosos. Só uma de cada três pessoas com depressão recebe um diagnóstico e tratamento adequado, e existem indícios bem fundamentados de que esta proporção é menor no caso de pessoas mais velhas. Por outro lado, as conseqüências da depressão não tratada são mais graves entre os idosos, tanto pela perda funcional como pelo aumento da mortalidade, devido, em parte, ao maior risco de suicídio nos idosos.. 1.4.1 Características Especiais da Depressão no Idoso A depressão do indivíduo idoso é comparável àquela vista em pessoas de outras idades com características como as seguintes (BALLONE, 2006): 1. Estado de ânimo depressivo na maior parte do dia, quase todos os dias. Pode ser referido pelo próprio paciente em forma de tristeza, ou sentimentos de vazio (o que é menos freqüente no idoso) ou objetivar-se pela presença, por exemplo, de pranto. 2. Diminuição explícita do interesse ou da capacidade para o prazer em todas ou quase todas as atividades, a maior parte do dia, quase todos os dias (referido pelo próprio paciente ou observado por outros). Esta anedonia, acompanhada geralmente de apatia, nem sempre resulta fácil avaliação nos idosos isolados ou privados de estimulação no seu entorno. Menos antecedentes familiares de transtornos depressivos. Maior prevalência de demência. Maior aumento de ventrículos cerebrais laterais. Maior hiperintensidade em substancia branca. Maior comorbilidade médica. Maior mortalidade. 3. Aumento ou perda importante de peso sem fazer regime e/ou aumento ou perda do apetite, quase todo dia. 4. Insônia ou hipersonia quase todo dia. 5. Agitação ou enlentecimento psicomotores quase todo dia (observável pelos demais, não mera sensação de inquietude ou de estar enlentecido). 6. Fadiga ou perda de energia quase todo dia. 7. Sentimentos de inutilidade ou de culpa excessivos ou inapropriados (que podem ser delirantes) quase todo dia. 8. Diminuição da capacidade para pensar ou concentrar-se, ou indecisão quase todo dia (seja uma percepção subjetiva ou uma observação alheia)..
(17) 17. 9. Pensamentos recorrentes de morte (não só temor à morte), ideação suicida recorrente sem um plano específico ou uma tentativa de suicídio ou um plano específico para suicidar-se.. A presença destes sintomas representa uma mudança na vida do individuo no que diz respeito a sua atividade prévia, provocando mal-estar clinicamente significativo e deterioro social, laboral ou de outras áreas importantes (BALLONE, 2006). As mudanças decorrentes do envelhecimento fazem da terceira idade um período de grande necessidade de ajustamento emocional. A forma como cada indivíduo se adapta as modificações físicas, intelectuais e sociais, determinará um envelhecimento saudável ou repleto de dificuldades (CURIATI & ALENCAR, 2000). A diminuição da visão, audição, força e flexibilidade, no físico; no mental, alteração da memória, criatividade, atenção e iniciativa; além das modificações na sexualidade e sociabilidade, fazem com que a idéia de perda seja relacionada ao idoso (BLAZER, 1999; SIEGLER et al, 1999).. Fatores de estresse como a aposentadoria, representando o fim da idade produtiva, a morte de amigos, familiares, cônjuge, falta de perspectiva de futuro, e a solidão podem somarse as perdas da idade e desencadear manifestações psíquicas de depressão (STOPPE & LOUZÃ, 1999). A depressão é caracterizada por um conjunto de sinais e sintomas como perda de interesse, do prazer em atividades anteriormente significativas, distúrbio no sono, apetite, diminuição do interesse sexual, retardo psicomotor, dificuldade cognitiva, desesperança, diminuição da auto-estima, pensamento de morte ou suicida entre outros (MIGUEL & ALMEIDA, 2000; SNOWDON, 2002).. É difícil definir e avaliar a depressão, ela pode estar mascarada por doença física ou momento de estresse emocional. No uso leigo, o termo depressão tem como sinônimos tristeza e desânimo; em psiquiatria, refere-se a um sintoma, geralmente relacionado ao humor depressivo, sendo também usado para definir uma síndrome (SIEGLER et al, 1999). Atualmente os psiquiatras e psicólogos utilizam-se da classificação americana para diagnosticar as pessoas com esta manifestação psicológica (SANTOS, 2002)..
(18) 18. Os sintomas depressivos são altamente prevalentes em fases tardias da vida. A maioria dos estudos de prevalência de transtornos depressivos que requerem intervenção clínica indica que mais de 10% dos idosos apresentam um quadro depressivo. Esse número sobe para 30 % em idosos institucionalizados (GEORGE, 1999).. Pessoas deprimidas apresentam mais queixas álgicas (GOBBI et al, 2002). Há evidências que as mulheres têm mais sinais de depressão que os homens e acometem mais idosos internados em asilos; idosos solteiros ou viúvos são mais suscetíveis à depressão que os casados (SANTOS, 2002; MARCHAND, 2004).. Ter maior redes sociais e ser casado são fatores que tendem a produzir efeitos positivos sobre a saúde psico-emocional, melhorando a capacidade do idoso para enfrentar as alterações decorrentes do envelhecimento (SIEGLER et al, 1999). A preocupação com a sociabilidade do idoso não deve ser apenas quantitativa. Ampliar as redes de convivência é recomendável. Porém, se a qualidade desses relacionamentos é fraca, os índices de depressão são mais elevados (MIGUEL & ALMEIDA, 2000). A atividade física colabora para a formação de redes sociais além é claro, dos benefícios corporais e fisiológicos (MONTEIRO, 2001). Os índices de depressão são menores em idosos que praticam atividade física, estudos comprovam melhora no aspecto emocional, como aumento da auto-estima, humor, sensação de bem-estar, diminuição da ansiedade e da tensão (STOPPE & LOUZÃ, 1999; FUKUKAWA et al, 2004). Pesquisa realizada com mulheres demonstrou que as sedentárias apresentaram índices de depressão e doenças mais elevados quando comparadas as praticantes de dança (SULLIVAN, 1999). Outro estudo realizado no Japão com indivíduos de idade entre 65-70 anos praticantes de exercícios diários demonstrou que os idosos reduziram os sintomas de depressão (NOVAIS, 2004). Na indicação ou elaboração de um programa de exercícios físicos, é necessário um planejamento rigoroso, levando em consideração objetivos específicos e a avaliação dos riscos de lesão de cada indivíduo. Atividades que estimulem a consciência corporal e cognição devem ser incentivadas (GOBBI et al, 2002; STILES, 2000)..
(19) 19. 1.5 JUSTIFICATIVA. O presente trabalho justifica-se pela necessidade de ampliar o interesse de outros profissionais, e não somente os ligados à psicologia, a observar o estado de ânimo e interesse pela vida dos idosos, e com esta abordagem incentivar intervenções adequadas. Há necessidade também de observar se a atividade física ajuda o idoso na melhora de ânimo e bem-estar.. 2 OBJETIVOS Este estudo visa avaliar a correlação entre sintomas de ansiedade, depressão e fadiga em indivíduos idosos e comparar a ocorrência de sintomas de ansiedade, depressão e fadiga em indivíduos idosos e jovens..
(20) 20. 3 MATERIAS E MÉTODO 3.1 DESENHO EXPERIMENTAL. Trata-se de um estudo, do tipo caso-controle investigando ansiedade, depressão e fadiga. O convite para a participação no estudo foi feito a estudantes universitários da região do ABC no estado de São Paulo, aos quais foi proposto o preenchimento das escalas. Solicitou-se a estes indivíduos que identificassem entre sua família um ou mais indivíduos com 60 anos de idade ou mais, não institucionalizados. Foram avaliados um grupo de 61 indivíduos com 60 anos de idade ou mais, recrutados da seguinte maneira: Idosos que vivem com suas famílias considerados normais, ou seja, que não estejam sob tratamento psiquiátrico e que não tenham recebido diagnóstico psiquiátrico anterior (transtornos de eixo I do DSMIV), ativos, com autonomia (não dependem de outras pessoas para suas atividades diárias, saem sozinhos, praticam esportes, fazem artesanato, todos alfabetizados) e um grupo controle, constituído por 60 indivíduos jovens (idade até 35 anos). Ambos os grupos responderam um Questionário de Características Gerais, um Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE), um Inventário de Depressão de Beck e uma Escala de Severidade de Fadiga. 3.2 ÉTICA.
(21) 21. Todos os participantes, incluindo membros do grupo controle, foram informados sobre os detalhes da pesquisa e só foram admitidos após assinarem o termo de consentimento aprovado pela comissão de ética da universidade. 3.3 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO. Questionário de Características Gerais Visa obter dados gerais como idade, sexo, condições de moradia, formas de sustento financeiro, estrutura familiar, antecedentes médicos, psicológicos e prática de atividade física. Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE) de Spielberger Questionário auto-aplicável com duas sub-escalas que visam avaliar: AnsiedadeTraço, definida como propensão geral e persistente à ansiedade e Ansiedade-Estado, definida como estados ansiosos transitórios. Cada escala, consiste de 20 afirmações a serem respondidas através de uma escala de 4 pontos. Não foi adotada uma nota de corte de forma que o escore de cada escala foi utilizado para testes de correlação com os outros instrumentos de avaliação (SPIELGBERGER et al, 1979).. Inventário de Depressão de Beck (BDI – Beck Depression Inventory) Esse inventário é composto por uma escala de auto-relato contendo 21 itens, tendo cada um deles 4 alternativas, subentendendo graus crescentes de gravidade da depressão, com escores de 0 à 3 de acordo com a intensidade dos sintomas. Novamente, não foi adotada uma nota de corte e indivíduos com escores elevados foram encaminhados para avaliação psiquiátrica (CUNHA, 2001). Escala de Severidade de Fadiga (ESF) Escala de auto-avaliação, onde os indivíduos são instruídos a escolher um número de 1 à 7 para indicar seu grau de acordo com cada pergunta, onde, 1 indica descordo totalmente e 7 concordo totalmente (KRUPP et al, 1989)..
(22) 22. 3.4 ANÁLISE DOS RESULTADOS Foi montado um banco de dados para a análise dos resultados coletados. Os escores, nas diferentes escalas, foram submetidos a testes de correlação. A idade e o gênero foram considerados como co-fatores nas análises.. 4 RESULTADOS O grupo de indivíduos idosos foi composto por 61 indivíduos com idade média de 70,54 ± 6,11 anos enquanto o grupo controle foi composto por 60 indivíduos com idade média de 24,27 ± 6,28 anos. Os dois grupos foram semelhantes em relação à distribuição por sexo com 22 indivíduos do sexo masculino no grupo de idosos e 16 no grupo controle (Qui quadrado = 1,240, p = 0,328).. A tabela 1 apresenta a comparação entre idosos e controles em relação às escalas clínicas usadas, revelando uma diferença significativa entre os grupos nas escalas de depressão de Beck e de severidade de fadiga. Tabela 1 Comparação entre idosos e controle em relação às escalas de severidade de fadiga, depressão de Beck e ansiedade traço-estado (média ± desvio padrão)..
(23) 23. Idosos (n= 61). Controle (n = 60). Severidade de Fadiga. 36,87 ± 14,61. 31,47 ± 12,74. t= 2,167; df= 119; p= 0,032. Inventário de Beck. 10,54 ± 8,63. 6,83 ± 7,95. t= 2,455; df= 119; p= 0,016. IDATE Estado. 39, 74 ± 12,00. 41,35 ± 11,09. t= - 0,767; df= 119; p= 0,445. IDATE Traço. 44,21 ± 10,02. 41,00 ± 11,54. t= 1,636; df = 119; p= 0,194. Analisado-se. apenas o grupo de indivíduos idosos, observou-se uma correlação. significativa entre os escore da escala de severidade de fadiga e a escala de depressão de Beck (Correlação de Pearson = 0,332; p= 0,009).. Trabalhando apenas com o grupo de indivíduos idosos, observou-se um escore significativamente maior da escala de severidade de fadiga naqueles indivíduos que praticavam atividade física regular (Tabela 2). Tabela 2 Comparação entre indivíduos idosos com e sem atividade física regular em relação aos escores das escalas de severidade de fadiga, depressão de Beck e ansiedade traço-estado (média ± desvio padrão). Sem atividade. Com atividade. física (n= 40). física (n= 20). Severidade de Fadiga. 40,02 ± 14,36. 31,55 ± 13,36. t= 2,203; df= 58; p= 0,032. Inventário de Beck. 10,60 ± 8,97. 9,60 ± 7,43. t= 0,430; df= 58; p= 0,649. IDATE Estado. 40,45 ± 11,39. 37,85 ± 13,39. t= 0,786; df= 58; p= 0435. IDATE Traço. 45,17 ± 9,78. 41,65 ± 10,15. t= 1,283; df= 58; p= 0,199.
(24) 24. 5 DISCUSSÃO Este estudo mostrou uma alta prevalência de sintomas de fadiga na população idosa, confirmando dados anteriores da literatura. Estes sintomas de fadiga ocorreram em conjunto com sintomas depressivos sugerindo uma possível correlação entre estes. Segundo GIL et al (2004) os transtornos depressivos e ansiosos constituem os transtornos psiquiátricos mais freqüentes no idoso, e quase sempre dão lugar a conseqüências graves neste grupo etário. No início deste século, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertava sobre os riscos que podiam apresentar os transtornos psiquiátricos como causa da falta de capacidade, e colocava uma ênfase especial nos perigos que podia apresentar a depressão e a ansiedade em populações frágeis, como os idosos. Só uma de cada três pessoas com depressão recebe um diagnóstico e tratamento adequado, e existem indícios bem fundamentados de que esta proporção é menor no caso de pessoas mais velhas. Por outro lado, as conseqüências da depressão não tratada são mais graves entre os idosos, tanto pela perda.
(25) 25. funcional como pelo aumento da mortalidade, devido, em parte, ao maior risco de suicídio nos idosos.. A depressão do indivíduo idoso é comparável àquela vista em pessoas de outras idades com características como as seguintes (BALLONE, 2006): 1. Estado de ânimo depressivo na maior parte do dia, quase todos os dias. Pode ser referido pelo próprio paciente em forma de tristeza, ou sentimentos de vazio (o que é menos freqüente no idoso) ou objetivar-se pela presença, por exemplo, de pranto. 2. Diminuição explícita do interesse ou da capacidade para o prazer em todas ou quase todas as atividades, a maior parte do dia, quase todos os dias (referido pelo próprio paciente ou observado por outros). Esta anedonia, acompanhada geralmente de apatia, nem sempre resulta fácil avaliação nos idosos isolados ou privados de estimulação no seu entorno. Menos antecedentes familiares de transtornos depressivos. Maior prevalência de demência. Maior aumento de ventrículos cerebrais laterais. Maior hiperintensidade em substancia branca. Maior comorbilidade médica. Maior mortalidade. 3. Aumento ou perda importante de peso sem fazer regime e/ou aumento ou perda do apetite, quase todo dia. 4. Insônia ou hipersonia quase todo dia. 5. Agitação ou enlentecimento psicomotores quase todo dia (observável pelos demais, não mera sensação de inquietude ou de estar enlentecido). 6. Fadiga ou perda de energia quase todo dia. 7. Sentimentos de inutilidade ou de culpa excessivos ou inapropriados (que podem ser delirantes) quase todo dia. 8. Diminuição da capacidade para pensar ou concentrar-se, ou indecisão quase todo dia (seja uma percepção subjetiva ou uma observação alheia). 9. Pensamentos recorrentes de morte (não só temor à morte), ideação suicida recorrente sem um plano específico ou uma tentativa de suicídio ou um plano específico para suicidar-se.. A presença destes sintomas representa uma mudança na vida do indivíduo no que diz respeito a sua atividade prévia, provocando mal-estar clinicamente significativo e deterioro social, laboral ou de outras áreas importantes (BALLONE, 2006)..
(26) 26. É importante destacar que ela tem sido considerada como um dos transtornos que mais afetam o idoso. Seu diagnóstico no idoso é ainda mais complexo quando comparado ao diagnóstico em outras faixas etárias, pois, como ressaltam PICCOLOTO, WAINER, BENVEGNÚ e JURUENA (2001), o próprio processo de envelhecimento apresenta algumas características semelhantes aos sintomas depressivos, o que conduz à confusão no diagnóstico.. A depressão envolve uma série de comprometimentos no funcionamento de uma pessoa. Os resultados do estudo de FLECK e cols. (2002) mostraram que a presença de sintomatologia depressiva está associada com pior funcionamento social e qualidade de vida, bem como a uma maior utilização dos recursos de saúde. Os indivíduos com maior intensidade de sintomas depressivos avaliaram sua saúde como pior e estão menos satisfeitos com ela do que aqueles com menor intensidade de sintomas depressivos.. Pode-se dizer que a desesperança está relacionada ao sentimento de fracasso, considerando-se que na velhice o fracasso ocorre com maior freqüência do que na juventude (SKINNER & VAUGHAN, 1985). Muitas vezes, o idoso deixa de fazer aquilo que não consegue realizar com sucesso, visto que considera que irá fracassar novamente. Nesse momento o sentimento de desesperança é inevitável. Sob esse aspecto, DAVIM e cols. (2004) preconizam que, com o avançar da idade, existe uma progressiva perda de recursos físicos, mentais e sociais, que conduzem a sentimentos de desamparo. A velhice, muitas vezes, caracteriza-se por sentimentos de impotência e fragilidade.. A satisfação percebida pelos idosos em relação à saúde foi apontada como boa e ótima pela maior parte dos idosos. Todavia, chama a atenção o fato de que cinco idosos relataram sentir-se péssimos quanto a sua saúde. Nessa direção, FLECK e cols. (2002) consideram que pessoas com maior intensidade de sintomas depressivos não estão satisfeitas com sua saúde. Pessoas. com. sintomas. depressivos. tendem. a. apresentar. distúrbios. ansiosos. e,. conseqüentemente, algum nível de desesperança (GAZALLE, LIMA, TAVARES & HALLAL, 2004; SOLOMON, 2002)..
(27) 27. Encontrou-se também que idosos praticantes de atividade física apresentaram menos sintomas de fadiga quando comparados com idosos que não praticavam. Como confirmado à correlação entre sintomas de fadiga e depressão, este estudo sugere que idosos não praticantes de atividade física apresentem maior prevalência de sintomas de fadiga e sintomas de depressão.. Tem sido demonstrada na literatura uma associação positiva entre níveis elevados de atividade física e boa saúde mental (MATHER, 2002). A prática de atividades físicas entre os idosos favorece a interação social, melhora a auto-eficácia (crença do indivíduo na sua capacidade de desempenho em atividades específicas) e proporciona uma maior sensação de controle sobre os eventos e demandas do meio (RUUSKANEN, 1995). O efeito benéfico do exercício físico em idosos deprimidos reside em uma série de fatores: melhora do humor, redução das respostas fisiológicas ao estresse, efeitos positivos na imagem corporal, no funcionamento cognitivo e na auto-estima, além de melhora na qualidade do sono e maior satisfação com a vida (KRITZ, 2001).. De um modo geral, os estudos com o objetivo de observar a relação de causa e efeito entre a prática de atividade física e alterações nos níveis de depressão apontam para uma relação inversamente proporcional. Achados recentes dão suporte a duas vertentes diferenciadas na tentativa de elucidar a relação entre atividade física e depressão. A primeira vertente indica a prática da atividade física como um fator influenciador na diminuição da intensidade dos sintomas depressivos. LAMPINEM et al (2000) verificaram que idosos que reduziram as atividades praticadas após 8 anos apresentaram aumento nos sintomas de depressão, enquanto que os indivíduos que aumentaram ou mantiveram a intensidade das atividades não apresentaram esse efeito. A segunda vertente aponta para a influência da depressão na atividade física. Ao analisar 1.920 idosos ao longo de 6 anos, verificaram que idosos que se tornaram depressivos tendem mais ao sedentarismo do que aqueles sem depressão. Portanto, a depressão seria a causa da diminuição do estado geral de aptidão física. Apesar de envolver um grande número de sujeitos, o desenho dos estudos permite que se afirme que há associação entre diminuição de exercício físico e depressão, mas não precisa.
(28) 28. causa e efeito, já que não houve acompanhamento cronológico do evento (VAN GOOL et al, 2003).. Além do sedentarismo, a desistência da prática de atividades e a insatisfação com a atividade física praticada também podem estar relacionadas com níveis altos de depressão (BENYAMINI, 2004).. Dois estudos híbridos avaliaram o efeito protetor da atividade física na depressão, através de análise transversal e longitudinal, e apresentaram resultados contraditórios (STRAWBRIDGE et al, 2002). Nas análises transversais, os idosos menos ativos possuíam maiores riscos de depressão do que os mais ativos. Nas análises longitudinais, encontraram relação direta entre a incidência de depressão e a redução da prática de atividades físicas. MATHER et al (2002), encontraram redução significativa de 55 e 30% dos níveis de depressão, quando submeteram 86 idosos a aulas de ginástica coletiva ou reuniões e palestras com psicólogos durante 12 semanas, respectivamente. Já MCNEIL et al (1991), analisaram dois tipos de sintomatologias (sintomas psicológicos: sentimentos de inutilidade, perda de interesse em atividades usuais e distúrbios de humor; e sintomas somáticos: perda do apetite, fadiga e distúrbio do sono) em idosos que fizeram exercício ou receberam visitas de psicólogos. Ambos reduziram os dois tipos de sintomas, mas somente o grupo exercício reduziu significativamente os sintomas somáticos.. A prática de atividades físicas é um hábito de vida saudável em qualquer faixa etária. Na velhice esse hábito promove a manutenção de uma boa saúde física e mental. Os dados apontaram que a realização de atividades físicas foi comum entre os idosos, sendo que a caminhada foi à atividade mais freqüente nessa população (OLIVEIRA, 2006).. Uma velhice vivenciada de forma positiva, para BEE & MITCHELL (1984), envolve a prática de atividades físicas e de lazer, o que certamente promove a melhora da qualidade de.
(29) 29. vida. Pessoas que se sentem bem e felizes nessa faixa apresentam bons relacionamentos sociais e emoções que geram prazer e realização. Desse modo, sugere-se que os participantes, de uma forma geral, comprovaram uma vivência positiva em relação a sua velhice, apresentando inclusive hábitos saudáveis que corroboram a tranqüilidade para uma boa saúde mental.. Ao fazer referência às contribuições da atividade física regular e planejada para a melhora do sofrimento psíquico do idoso com depressão, cabe mencionar a atividade física como um recurso preventivo de sintomas depressivos, constituindo um tema importante a ser aprofundado em nosso meio. Propõem-se que as administrações municipais, através da articulação entre as Secretarias de Esporte e de Saúde, organizem serviços que ofereçam atividade física para a população idosa.. 6 CONCLUSÃO A partir da análise dos resultados deste estudo pôde-se concluir que o grupo de indivíduos idosos apresenta mais sintomas de fadiga e depressão, quando comparado com o grupo controle, e nenhum resultado significante com relação à ansiedade-traço e ansiedadeestado. Estes sintomas de fadiga ocorreram em conjunto com sintomas depressivos sugerindo uma possível correlação entre estes. Quando se observou apenas os idosos, esta correlação foi confirmada. Analisando-se ainda somente o grupo de indivíduos idosos observa-se que o grupo de idosos que praticam atividade física regularmente apresentam menos sintomas fadiga que o grupo que não pratica atividade física..
(30) 30. 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARBER, S., GINN, J. Gender and inequalities in health in later life. Social Science and Medicine, v.36, n.1, p.33-46, Jan. 1993. BALLONE GJ Depressão no Idoso www.psiqweb.med.br, revisto em 2006.. in.. Psiqweb,. Internet,. disponível. em. BARBOSA, L. M., ANDRADE, F. C. D. Rompendo a barreira dos 60: aplicação da técnica dos riscos competitivos à mortalidade do Brasil, 1991. In: WONG, L. L. R. (Org.) O envelhecimento da população brasileira e o aumento da longevidade: subsídios para políticas orientadas ao bem-estar do idoso. Belo Horizonte: UFMG/CEDEPLAR, 2001. Cap.7, p.191218. BARRETO, S. M., et al. Gênero e desigualdades em saúde entre idosos brasileiros. In: OFICINA DE TRABALHO SOBRE DESIGUALDADES SOCIAIS E DE GÊNERO EM SAÚDE DE IDOSOS NO BRASIL, 1, 2002, Ouro Preto. I oficina de trabalho sobre desigualdades sociais e de gênero em saúde de idosos no Brasil = workshop on social and gender inequalities in health among the elderly in Brazil. Ouro Preto: NESPE, 2002. p. 59-69. BEE, H. L., MITCHEL, S. K. A pessoa em desenvolvimento. São Paulo: Editora Harper & Row do Brasil. 1984. BENYAMINI, Y., LOMRANZ, J. The relationship of activity restriction and replacement with depressive symptoms among older adults. Psychol Aging. 2004;19(2):362–6..
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