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Academic year: 2021

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TÍTULO: O CUIDAR EM ONCOLOGIA: PERCEPÇÕES DE ENFERMEIROS. TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:

SUBÁREA: Enfermagem SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO(ÕES): CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO - UNASP INSTITUIÇÃO(ÕES):

AUTOR(ES): JÉSSICA BIONI DOS SANTOS FERREIRA, RAFAELA SUZANE DOS SANTOS MATIAS AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): ELISABETE VENTURINI TALIZIN ORIENTADOR(ES):

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CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO CAMPUS SÃO PAULO

CURSO DE ENFERMAGEM

JÉSSICA BIONI DOS SANTOS FERREIRA RAFAELA SUZANE DOS SANTOS MATIAS

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O cuidar em oncologia: percepções de enfermeiros

Caring in Oncology: perceptions of nurses

Jéssica Bioni dos Santos Ferreira1, Rafaela Suzane dos Santos Matias1, Elisabete Venturini Talizin2

1Acadêmicas do Curso de Enfermagem Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), São Paulo-SP, Brasil.

2 Enfermeira Mestre em Promoção da Saúde Docente do Curso de graduação em enfermagem do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), São Paulo-SP, Brasil.

Correspondência: Jéssica Bioni dos Santos Ferreira. Rua Cantigas da Saudade, 335 – Bairro Jardim Amália – São Paulo –SP. CEP. 05890-050. Telefone: (11) 948930528. Endereço eletrônico: [email protected].

RESUMO

Introdução: O câncer é considerado um problema de saúde pública e uma das

principais causas de mortalidade. O enfermeiro é o profissional de saúde que mais permanece ao lado do cliente com câncer. Objetivo: Identificar as percepções e sentimentos vivenciados por enfermeiros na assistência ao paciente oncológico.

Metodologia: Estudo de abordagem qualitativa, descritivo e exploratório. Foi desenvolvido

na cidade de São Paulo, utilizando a técnica SNOWBALL para abordagem dos participantes. A amostra foi composta por 15 enfermeiros que atuavam na assistência oncológica há mais de 6 meses. Os dados foram coletados mediante entrevistas semiestruturadas, gravadas em áudio, transcritas, analisadas e categorizadas segundo a metodologia de Bardin. Resultados: A maioria dos entrevistados (93,3%) era do sexo feminino, casadas, e possuíam especialização em oncologia. Emergiram três categorias referentes às percepções da assistência oncológica pelos enfermeiros: desafio, sentimentos ambíguos e satisfação pessoal/profissional. Participar de atividades sociais, religiosas e acompanhamento psicológico são as estratégias que os enfermeiros utilizavam para a promoção de sua saúde mental. Considerações finais: cada profissional tem uma maneira peculiar de enfrentar situações de sofrimento e a possibilidade de morte. Embora cada um tenha uma forma de lidar com as exigências do cuidado, todos sentem que em algum momento essa vivência assistencial pode afetá-los emocionalmente, e mesmo diante desta realidade, o amor à profissão e ao cuidado prevalece.

Palavras chave: Assistência de enfermagem, saúde mental, enfermagem oncológica,

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ABSTRACT

Introduction: Cancer is considered a public health problem and one of the main causes of

mortality. The nurse is the health professional who stays most with the client with cancer.

Objective: To identify the perceptions and feelings experienced by nurses in the care of

cancer patients. Methodology: This is a qualitative, descriptive and exploratory study. It was developed in the city of São Paulo, using the technique SNOWBALL (BALL OF SNOW). The sample consisted of 15 nurses who have been on cancer care for more than 6 months. Data were collected through a semi-structured interview, recorded in audio, then transcribed, analyzed and categorized using Bardin data analysis. Results: Most of the interviewees (93.3%) were female, married, and had a specialization in oncology. Three categories of nurses' perception of oncology care emerged: challenge, ambiguous feelings and personal / professional satisfaction. Participating in social, religious and psychological activities are the strategies nurses use to promote their mental health. Final considerations: each professional has a peculiar way of facing situations of suffering and the possibility of death. Although each has a way of dealing with the demands of care, everyone feels that at some point this care experience can affect them emotionally, and even before all else, love for the profession and care prevails.

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INTRODUÇÃO

O câncer é uma doença que acomete milhões de pessoas em todo o mundo. Ele é definido como, “um grupo de mais de 100 doenças caracterizadas pelo crescimento desordenado de células que possuem a capacidade de disseminar-se entre os tecidos e órgãos adjacentes à estrutura afetada”. Sua incidência crescente tem ocasionado uma transformação no perfil epidemiológico da população, causada pelo aumento da exposição aos fatores cancerígenos, pelo envelhecimento populacional, pelo aprimoramento das tecnologias para o diagnóstico, e também pela elevação do número de óbitos¹.

Atualmente, o câncer vem se mostrando como uma das principais causas de mortalidade no mundo, merecendo especial atenção por parte dos profissionais de saúde no sentido de aliviar o sofrimento, pois mesmo havendo cura para muitos casos a taxa de mortalidade ainda é muito alta. A descoberta dessa patologia ocasiona impactos biopsicossociais na vida do paciente, apesar de todos os avanços científicos relacionados ao diagnóstico e tratamento das neoplasias, o medo de morrer e a ansiedade são o reflexo de altos índices de mortalidade relacionados a essa patologia, resultando em sentimentos variados e de diferentes intensidades como: medo, dúvidas, angústia, ansiedade, raiva, entre outros².

O enfermeiro é uma importante fonte de esperança à pessoa que está debilitada e doente, pois está em constante contato com aquele que sofre³.

Devido aos longos períodos que o enfermeiro permanece ao lado do cliente, prestando cuidado e demonstrando empatia, seu papel torna-se primordial para o sucesso do tratamento. Além disso, ele deve estar preparado emocionalmente para que os cuidados prestados ao paciente oncológico sejam eficazes, pois este lida com frustrações frequentes, devido ao tratamento e poucos retornos gratificantes4.

Um estudo realizado com 18 enfermeiros que trabalhavam em unidades de internação e ambulatório hospitalar de quimioterapia, em duas capitais do Sul do País, mostrou que são usadas estratégias individuais para minimizar os efeitos na saúde mental decorrentes da assistência à pacientes oncológicos, são elas a negação e resignação no cuidado à pessoa com câncer; a busca de apoio na equipe de saúde e a busca de aperfeiçoamento pessoal e profissional5.

Portanto, a presente pesquisa torna-se importante, pois é necessário divulgar informações sobre os possíveis efeitos na saúde mental de enfermeiros que prestam

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assistência a pacientes oncológicos, disponibilizando informações referentes a técnicas de autocontrole usadas por enfermeiros da oncologia para fins de auxílio no controle e conhecimento sobre as mesmas.

Sob essa ótica, o problema de pesquisa estabelecido baseia-se em como os enfermeiros percebem o cuidar do paciente oncológico?

O objetivo geral deste estudo foi identificar as percepções e sentimentos vivenciados por enfermeiros na assistência ao paciente oncológico.

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MÉTODOS

O presente trabalho caracteriza-se como um estudo de abordagem qualitativa, descritivo e exploratório. Foi desenvolvido na cidade de São Paulo, utilizando a técnica

SNOWBALL (bola de neve)6.

A amostra foi composta por 15 enfermeiros que atuavam na assistência oncológica há mais de 6 meses. Foi realizado contato com o primeiro participante e este indicou outras pessoas que se encaixavam nos critérios do estudo e assim sucessivamente. O contato com os participantes foi agendado previamente, combinando local e horário de acordo com a disponibilidade dos mesmos.

Os critérios de inclusão para participação do estudo foram: ser enfermeiro atuante em oncologia (radioterapia, quimioterapia e internação oncológica) há mais de seis meses. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário Adventista de São Paulo (CAAE: 76995317.7.0000.5377 em 14/11/2017). Todos os participantes foram orientados sobre os objetivos do estudo e concordaram em participar do mesmo assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Foi utilizado pelas pesquisadoras, um roteiro de entrevista semiestruturado. Para validar o instrumento de coleta foi realizada a entrevista com dois enfermeiros que atendiam os critérios de inclusão no trabalho. Estas duas entrevistas foram descartadas e não fizeram parte da amostra. Tal validação comprovou que o questionário respondeu os objetivos da pesquisa e também a compreensão pelos entrevistados. O roteiro continha duas partes, uma com dados sociodemográficos dos participantes e a outra com as perguntas norteadoras: “Como é trabalhar com pacientes oncológicos?”, “Quais os principais sentimentos vivenciados por você na assistência a pacientes com câncer?” e “Quais métodos você utiliza para minimizar os possíveis efeitos na sua saúde mental?”.

As entrevistas ocorreram nos meses de março e abril de 2018, em local reservado e livre de ruídos. Todas as entrevistas foram gravadas em áudio utilizando um telefone, após a concordância dos participantes. O tempo médio das entrevistas foi de quinze minutos. Foi organizado o material a partir da transcrição na integra dos depoimentos gravados, cada participante foi identificado pela letra “E” seguido de um número correspondente a sequência dos depoimentos. Ex: E1, E2, E3, etc.

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A análise dos resultados foi realizada utilizando o referencial de Bardin7, utilizou-se a modalidade de análise temática onde o tema foi o ponto central da análise e foram geradas as seguintes categorias: Desafio; sentimentos ambíguos; e satisfação pessoal/profissional; e como estratégias para a promoção da saúde mental: atividades físicas, sociais e de lazer, atividades relacionadas à religiosidade e acompanhamento psicológico.

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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Participaram do estudo 15 enfermeiros que atuavam na cidade de São Paulo, sendo apenas um do sexo masculino, com idades de 29 a 48 anos e a maioria eram casados.

O tempo de formado variou de 5 a 22 anos e o tempo de experiência em assistência oncológica de 1 a 22 anos.

A maioria dos participantes possuía curso de especialização em oncologia, uma não possuía especialização e outros dois em outras áreas: estomaterapia e saúde pública.

Segundo os entrevistados, trabalhar com clientes oncológicos representa um

desafio, traz satisfação pessoal/profissional e geram sentimentos ambíguos, estas

foram as três categorias identificadas e serão discutidas a seguir.

1ª Categoria: Desafio

A maioria dos profissionais sente-se desafiadas ao cuidar de pacientes oncológicos; vários referiram a dificuldade em lidar com as inconstâncias da patologia. Conforme observado nos depoimentos a seguir:

“...É muito difícil, porque não sei muita das vezes lidar com as montanhas russas que existem nessa patologia. É um alto e baixo sempre, porque vem a melhora, quando você menos espera, o paciente piora”. E15

“É um desafio e ao mesmo tempo muito gratificante... Você vê a vida e a morte ao mesmo tempo, e também a luta pela sobrevivência”. E7

“Nos deparamos com diversas situações diferentes e temos que saber lidar com todas elas e ainda ajudar de todas as maneiras os pacientes e seus familiares”. E12

“ É muito difícil , tem que ter jogo de cintura e paciência”. E4

“...é uma complexidade muito grande trabalhar com esses pacientes”. E11

Em todas as áreas do cuidar em enfermagem existem complexidades, porém na área oncológica este desafio se dá especialmente pelo fato da palavra “câncer” estar quase sempre associado a sofrimento, dor e morte8.

A assistência ao paciente oncológico vai além da visão tecnicista: é preciso saber lidar com os sentimentos do paciente, família e com as próprias emoções perante a doença com ou sem possibilidade de cura. Os enfermeiros além de lidar com seus próprios sentimentos devem estar prontos para dar apoio ao paciente e sua família durante uma

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diversidade de crises físicas, emocionais, sociais, culturais e espirituais9. Por este motivo é um desafio diário cuidar destes pacientes.

2ª categoria: Sentimentos ambíguos

Os enfermeiros relataram sentimentos diversos em relação ao quadro clínico dos pacientes. Quando há piora no quadro clínico os sentimentos mais frequentes são tristeza, dor, agonia e desespero. No entanto, quando o paciente evolui para um quadro positivo, os sentimentos expressados são de alegria, felicidade, gratidão, compaixão e amor, como destacados nos depoimentos que seguem:

“Tem sentimento desde a tristeza, porque a gente vê muitos pacientes falecerem, mas também existe sentimento de felicidade quando você pode trazer alivio de uma dor, por exemplo”. E1

“Tristeza, agonia e impotência quando não há mais o que fazer... e felicidade, alegria quando os cuidados e a terapia aplicada surte efeito restaurador...” E6

“...sentimos tristeza, dor, fracasso; já no tratamento com êxito, sentimos alegria, alivio, gratidão, amor...” E9

“...É uma mistura de sentimentos. Existem pacientes que nos trazem alegria, motivação, aprendizagem, comoção, dor e desespero”. E11

Observou-se semelhança em relação aos sentimentos negativos citados pelos participantes deste estudo, com os estudos de Borges e Mendes com enfermeiros de cuidados paliativos, eles relatam que os profissionais de saúde, sobretudo enfermeiros estabelecem uma relação ímpar e singular com os pacientes, e, ao presenciarem o processo de óbito, surgem sentimentos de tristeza e sensação de vazio, pois a preservação e o prolongamento da vida são os seus objetivos e assim, podem sentir-se incapazes ou frustrados quando não obtêm êxitos em suas tentativas10.

Um estudo com enfermeiros oncológicos em Teresina, revelou que a maioria dos profissionais admite o despreparo no manejo de enfrentamento desta condição de

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a estes pacientes. Tal condição possibilitará novas reflexões frente a atitudes e enfrentamentos12.

Além dos sentimentos negativos, os entrevistados demonstraram amor pela profissão, pelos pacientes, conforme os relatos:

“São diversos sentimentos, sinto amor por cada um deles e por isso sofro junto, choro com eles, me alegro quando eles se alegram, quando recebem boas noticias. Sentimento de compaixão, e de dor”. E12

“...é uma área que eu gosto e amo cuidar, se torna mais fácil”. E2

Rivero e Erdmann afirmam que a concepção de amor tem sido muito abordada e pode ser utilizada em benefício da profissão de enfermagem. Através do exercício do cuidado humano com amor a enfermagem pode adquirir o poder necessário para irradiá-lo nas instituições de saúde e melhorar a qualidade da assistência13.

3ª categoria: Satisfação pessoal e profissional:

A satisfação pessoal e profissional é de extrema importância para que todas as etapas da assistência sejam feitas com dedicação14.

“O trabalhador, sua saúde e subjetividade, incluindo nesse contexto a satisfação e insatisfação no trabalho, merecem e têm recebido maior atenção da comunidade científica, pela potencial relação estabelecida entre as aspirações subjetivas e a qualidade da assistência”14.

A análise dos relatos evidenciou a satisfação profissional no cuidado aos pacientes oncológicos. Seguem depoimentos:

“...aprendemos muito com essas pessoas que passam por tantas coisas... Sinto que ganhei um presente de Deus”. E10

“... eu entendi que é um encargo, eu fui escolhida, eu não escolhi.” E5

“...Amo o que eu faço e se torna muito mais fácil trabalhar com esses pacientes”. E14

“A satisfação em promover o alívio do sofrimento do outro pode traduzir a reposição de energias, o bem-estar e a amenização da dor, permitindo novos enfrentamentos e melhor desempenho no seu trabalho”5 .

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Percebe-se, portanto, que o aspecto emocional está muito presente na assistência ao paciente oncológico, um motivo para este envolvimento emocional pode ser o fato da enfermagem ser a categoria profissional que passa o maior tempo com a clientela e especialmente que suas ações não se restringem a procedimentos meramente técnicos15.

Este fato pode ser verificado no próximo relato:

“...é uma área que você consegue ver efetivamente a ação do enfermeiro atuando pra cuidar do paciente”. E7

Em um estudo com profissionais de enfermagem de um Hospital oncológico do Rio de Janeiro relataram também satisfação profissional e destacaram a autonomia da equipe de enfermagem oncológica como um fator que traz grande satisfação profissional16.

Com os discursos submetidos à análise, constatou-se que os entrevistados relataram utilizar várias estratégias simultâneas para a promoção de sua saúde mental, foram identificadas três categorias:

 Atividades físicas, sociais e de lazer

Os entrevistados relataram realizar várias atividades sociais, de lazer e física como forma de relaxar e esquecer a rotina diária com os pacientes oncológicos. Seguem os relatos:

“Nos tempos livres desligo-me de tudo, costumo sair, estar com meus filhos, sair pra dançar, gosto muito de tudo isso”. E6

“Sempre procuro passear, ter minha vida social ativa... gosto de fazer caminhadas ao ar livre e sempre que posso eu vou ao cinema”. E15

“A gente descontrai. Tem vida social, viaja, vê filmes, família, temos que ter a nossa vida fora desse ambiente também”. E3

“...procuro sempre viajar, gosto de ir pra cachoeira, a natureza é minha válvula de escape, eu leio, canto, gosto de ouvir música”. E2

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Num estudo no Rio de Janeiro com profissionais de enfermagem que atuam em hospital oncológico, revelaram que apesar de estarem expostos a estressores como dor, sofrimento e morte, os profissionais estudados utilizavam estratégias de enfrentamento eficazes na diminuição da percepção subjetiva do estresse, sendo que a maioria (91%) realizam atividades de lazer17.

 Atividades ligadas à religiosidade

Cuidar da própria dimensão espiritual é experimentar a confiança em algo que vai além do aspecto biológico, envolve a transcendentalidade e que costuma trazer sensações menos aflitivas neste contexto permeado pela tristeza. Ao sentir fé o enfermeiro acredita mais em si mesmo e no cuidado prestado14.

Neste estudo, alguns participantes relataram buscar refúgio em Deus, conforme os relatos:

“Sempre peço sabedoria a Deus... leio bastante, vou a igreja...” E10

“Busco orar sempre a Deus pra me dar calma, paciência e sabedoria pra saber lidar com todas as situações que tenho que enfrentar” E8.

“Busco a força em Deus e na natureza...” E2 “...faço minhas orações...” E11

Resultado semelhante foi encontrado num estudo com enfermeiros oncológicos em Santa Catarina, todos os enfermeiros oncológicos pesquisados apontaram a oração como uma estratégia de enfrentamento12.

 Acompanhamento psicológico

“A exaustão emocional caracteriza-se pela redução dos níveis de energia para a realização de determinadas tarefas, ocorrendo um desgaste físico e ou psíquico18.

Alguns entrevistados relataram que fazem terapias para lidar com o desgaste emocional que o trabalho os expõe. Conforme o exposto, seguem relatos:

“Procuro fazer terapias, sempre que posso vou às sessões...” E14

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A morte é única certeza que temos, mas ao mesmo tempo torna-se inaceitável para o ser humano, pois vivemos como se esse fato nunca fosse acontecer, e talvez seja por isso, que as profissionais de enfermagem, apesar de discussões sobre morte e morrer, não estão preparados para atender no processo de morte10.

“O profissional de enfermagem, ao cuidar de si, permite-se refletir sobre si mesmo, sobre suas ações, sobre os seus sentimentos, sobre como isso está repercutindo em sua vida, prioriza-se sua felicidade, alegria, satisfação, e a relação com o outro”20.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que cada profissional tem uma maneira peculiar de enfrentar situações de sofrimento e da possibilidade de morte. Afirmou-se que a oncologia é uma área desafiadora e que a humanização faz toda a diferença na assistência. Embora cada um tenha uma forma de lidar com as exigências do cuidado à pacientes oncológicos, todos sentem que em algum momento essa vivência assistencial pode afetá-los emocionalmente, e mesmo diante de tudo, o amor a profissão e ao cuidado prevalece.

Evidenciou-se a importância da divisão entre as atividades laborais e a vida pessoal dos profissionais, e que o lazer, busca espiritual e acompanhamentos psicológicos são formas e estratégias de minimizar a tristeza o e os abalos psicoemocionais causados no cotidiano do cuidar/assistir pessoas com câncer.

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REFERÊNCIAS

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