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TÍTULO: OS IMPACTOS AMBIENTAIS CAUSADOS POR EXPLORAÇÃO ILEGAL DE MINÉRIO E OS POSSÍVEIS INSTRUMENTOS DE PROTEÇÃO CONTRA ESSA PRÁTICA
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS ÁREA:
SUBÁREA: DIREITO SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): ROZILENE SANTOS CONCEIÇÃO AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): JOÃO EMÍLIO DE ASSIS REIS ORIENTADOR(ES):
1. RESUMO
A presente pesquisa tem por objetivo examinar e discorrer sobre os instrumentos jurídicos de proteção ao meio ambiente quanto à exploração dos recursos ambientais em áreas de preservação permanente, com o exemplo do licenciamento ambiental e suas etapas para a legalização da atividade de exploração de minérios. Partindo da análise de um caso especifico ocorrido no interior do Estado do Mato Grosso será analisada a questão dos impactos ambientais decorrentes da atividade garimpeira ilegal e os meios de proteção e intervenção do órgão competente para a defesa do meio ambiente e da coletividade. Quanto à metodologia, foi usado o método dedutivo, pois no trabalho buscou-se a compreensão das questões ambientais de assuntos gerais para os específicos, até chegar ao caso estudado. Além da forma quantitativa e descritiva quanto às fases da intervenção do Poder Judiciário no caso ilegal em questão. Buscando-se finalmente refletir que a ilegalidade na atividade está no descumprimento dos requisitos apresentados pelas diversas leis e resoluções relacionadas à exploração de recursos ambientais.
2. INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem por objetivo analisar sobre a questão ambiental na exploração de recursos ambientais. Entende-se que o direito ambiental é revestido de instrumentos para defesa do meio ambiente. Um exemplo desses instrumentos é o Licenciamento ambiental, que garantirá o uso correto dos recursos ambientais disponíveis. Lembrando que de modo algum pode ser considerado como um empecilho, pois é por meio desses instrumentos que a Administração Pública irá controlar as atividades da ação humana, de modo que seja possível harmonizar o desenvolvimento e a proteção ambiental.
Nesse sentido, será que o detentor deste direito está de fato colaborando com sua própria existência, a fim de obter sim os ganhos financeiros através da exploração dos recursos naturais, contudo assegurando o uso moderado e dentro da lei? A partir disso, o presente trabalho analisará o caso de um garimpo ilegal localizado na cidade de Pontes e Lacerda, Estado do Mato Grosso, onde as ações humanas causaram impactos ambientais e ao final será examinada a intervenção do Órgão competente perante o caso ilegal.
O trabalho desenvolvido tem por objetivo analisar e compreender as ações e medidas de proteção tomadas pelo Órgão Competente diante do caso ilegal de atividade garimpeira na cidade de Pontes e Lacerda – Mato Grosso.
Além de verificar se o local estudado é de fato uma Área de Preservação Permanente, se positivo, investigar a possibilidade de permissão para a exploração de lavra nessas áreas especiais. Identificando as medidas preventivas para mitigação dos impactos ambientais gerados pela atividade.
4. METODOLOGIA
Quanto à metodologia, foi usado o método dedutivo, pois no trabalho buscou-se a compreensão das questões ambientais de assuntos gerais para os específicos, até chegar ao caso estudado. “O método dedutivo parte de argumentos gerais para argumentos particulares. Primeiramente, são apresentados os argumentos que se consideram verdadeiros (...)” (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2009, p. 65). Ainda, para a realização da pesquisa usou-se a forma quantitativa e descritiva quanto às fases da intervenção do Poder Judiciário no caso ilegal em questão (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2009, p.109).
E por fim, o estudo buscou a junção de pesquisa teórica e prática, tendo em vista que para abordar o caso prático é preciso, primeiramente a fundamentação teórica vinculada ao caso específico. “Portanto, uma pesquisa exclusivamente teórica é possível, mas uma pesquisa prática, sempre demandará a exposição do suporte teórico empregado” (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2009, p.112).
5. DESENVOLVIMENTO
Por muitos anos a questão ambiental esteve fora do planejamento organizacional de crescimento, não havia nada que pudesse conter a devastação de floresta, a exploração de seus recursos ou qualquer desequilíbrio ecológico. Nesse contexto, achou-se a necessidade de criar normas para regulamentar à vida em sociedade e suas ações. Pois, à medida que a civilização crescia e se desenvolvia, havia um enorme desgaste no meio ambiente natural, ficando impossível a harmonização entre o crescimento, que era de forma desordenada e sem planejamento, com o meio ambiente natural, em razão disso houve uma necessidade: Um guia para a proteção do meio ambiente natural (SILVA, 2002, p. 35).
É importante notar que mesmo sem a específica proteção Constitucional com a chegada do Código Civil de 1916, regulamentando as questões de conflitos de
vizinhança, foram surgindo outras normas regulamentadoras para a proteção do meio ambiente, isso “porque o legislador se baseava no poder geral que lhe cabia para proteger a saúde humana. Aí está, historicamente, o primeiro fundamento para a tutela ambiental(...)” (MILARÉ, 2007, p. 142).
A Constituinte de 1988 trouxe a devida proteção Constitucional ao Meio Ambiente no capítulo VI, em seu Artigo 225, caput, dispondo que “todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado”, porém a responsabilidade na proteção e defesa sobre esse ambiente é total e de forma taxativa do Poder Público e de todos os cidadãos, assim o meio ambiente será saudável e irá oferecer a devida qualidade de vida. (FREITAS, 2000, p. 11).
Já se reconhece o direito ao meio ambiente sadio “como extensão do direito à vida, quer sob o enfoque da própria existência física e da saúde dos seres humanos, quer quanto ao aspecto da dignidade dessa existência- a qualidade de vida [...]” (MILARÉ, 2013, p. 122 e 123). Similarmente, “preservar o patrimônio ambiental é garantir vida sadia e com qualidade. Garantir vida com qualidade é promover a dignidade da pessoa humana” (REIS, 2013, p. 304).
Sob este viés, é importante notar que um dos elementos para obter uma vida plena, em todos os sentidos, o Ser humano necessita de um ambiente saudável para que sua qualidade de vida seja eficaz. Em outras palavras, pode-se comparar, que até no contexto bíblico, a Ordem “Bíblico-Constitucional” foi de cultivar e guardar o meio ambiente.
5.1 Área de Preservação Permanente
A APP é considerado um espaço territorial especialmente protegido pela Lei nº 12.651/2012, denominado Código Florestal, que em seu art. 3º, inc. II prevê o conceito de APP.As APP’s podem estar situadas em zonas urbanas ou rurais e são criadas com o propósito de proteger o meio ambiente e proporcionar à população a sadia qualidade de vida e o equilíbrio ecológico. O art. 4o do Código Florestal dispõe uma lista desses espaços protegidos chamados de APP’s.
No estudo de caso do presente artigo a APP se encontra em zona rural aproximadamente há 10 km da Cidade de Pontes e Lacerda-MT, denominada de Serra da borda, que ganhou mais uma denominação nos últimos meses: “A nova Serra Pelada”. Sobre esta específica APP, o atual Código Florestal no art. 4º, inc. IX declara a proteção sobre “topo de morros, montes, montanhas e serras, com altura mínima de 100 (cem) metros e inclinação média maior que 25°, as áreas delimitadas
a partir da curva de nível correspondente a 2/3 (dois terços) da altura mínima da elevação sempre em relação à base”.
Essas áreas especiais e protegidas podem ser classificadas e instituídas por força de definição legal ou por ato declaratório do Poder Público (SOUZA; CARNEIRO, 2004, p. 398). Sabendo disso, o Poder Público municipal da cidade de Pontes e Lacerda com sua competência suplementar, instituiu a Lei Complementar nº 123 de 08 de maio de 2014, a fim de complementar o atual Código Florestal no que diz respeito à região e com base nas peculiaridades do município em questão. Dessa forma dispõe o art. 203 da referida Lei Complementar:
Ficam definidas como zona de preservação permanente as áreas em conformidade com a legislação Estadual e Federal acrescidas de peculiaridades do Município, tais como:
IV - No topo de morros, montes, montanhas e serras;
V - Nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45º, equivalente a 100% (cem porcento) na linha de maior declive.
5.2 Licenciamento ambiental para extração de minérios
Para fins de desenvolvimento sustentável e proteção ao meio ambiente, o poder público estabeleceu um instrumento capaz de controlar as atividades geradoras de impactos ambientais, incentivando então a defesa do meio ambiente. Este é chamado de Licenciamento ambiental que hoje é considerado o instrumento mais importante para a “defesa e preservação do meio ambiente, já que é por meio dele que a Administração Pública impõe condições e limites para o exercício de cada uma das atividades potencial ou efetivamente poluidoras” (FARIAS, 2015, p.21).
Para a atividade de exploração mineral é necessário o processo de licença ambiental prévia para lavra garimpeira, essa permissão é dada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), conforme a Lei nº 7.805, de 18 de Julho de 1989. Partindo da mesma linha de pensamento, o licenciamento ambiental alcança essa atividade pela forte magnitude de impactos ambientais, além de ser necessário o “prévio estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto sobre o meio ambiente (EIA/RIMA)”, assim confirma o art. 3º da resolução CONAMA nº 237/97.
À vista disso somente através do Licenciamento ambiental, com seu caráter de prevenção, se aprovado pela Administração Pública, autoriza uso e exploração de recursos naturais. Essa licença para a exploração será de acordo com os princípios do direito ambiental, estabelecidos pela Constituição Federal/88, além de normas regidas pela legislação vigente. Sempre levando em conta o
Desenvolvimento Sustentável e a Proteção Ambiental caracterizando assim a tríplice abordagem, social, econômica e ambiental.
5.3 Da exigência do epia-rima para exploração de minérios
Da mesma premissa parte o art. 225, § 1, inc. IV da Constituição Federal de 1988 que afirmou a resolução CONAMA nº 237/97 e a Lei nº 6.938 de 1981 exigindo “o estudo prévio de impacto ambiental para a instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente” (TRENNEPOHL, 2010, p.60).
O EPIA viabiliza a identificação dos aspectos e impactos causados por determinada atividade e as medidas para conter e acompanhar o processo para a concessão da licença ou não, prevendo assim “a existência de um diagnóstico da situação ambiental presente, antes da implantação do projeto, possibilitando fazer comparações com as alterações ocorridas posteriormente, caso o projeto seja aceito” (FIORILLO, 2013, p. 247). E por fim a Lei nº 7.805, de 18 de Julho de 1989, que dispõe sobre o regime de permissão de lavra garimpeira e afirma que as atividades de mineração necessitam de prévia autorização, inclusive se a área for de conservação.
Após o estudo prévio de impacto ambiental, deverá ser realizado o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), estes, serão encaminhados ao Órgão ambiental competente para a análise do processo de licenciamento. O Relatório de Impacto Ambiental cumpre a função social do princípio da informação e da participação da sociedade, pois ao instrumento deve-se dar a publicidade por meio da audiência pública (FIORILLO, 2013, p. 248).
5.4 Impactos Ambientais decorrentes da atividade de mineração
Conforme observado anteriormente, a atividade de mineração gera impactos significativos ao meio ambiente natural e igualmente ao ambiente social. À vista disso é que a lei exige o estudo de impacto ambiental, contudo, há um grande número de atividades dessa natureza que atuam de forma ilegal. Em uma reportagem especial da Rádio Câmara (dos Deputados), José Carlos Oliveira (2012) declarou que a exploração ilegal de ouro, principalmente em limite de fronteira, traz consequências ambientais que se enquadram em diversos crimes como o “tráfico de drogas, tráfico de armas, tráfico de pessoas especificamente para prostituição. Tráfico de crianças também. Sonegação fiscal, crimes contra ordem tributária, crimes contra o sistema financeiro (...)”.
É exatamente por este motivo que deve ser respeitado o princípio da prevenção, no sentido de realmente buscar medidas para evitar o impacto ambiental, pois o princípio será enraizado na legalidade “da exigência do estudo de impacto ambiental para a instalação de atividades ou obras que se supõem antecipadamente daninhas ao meio ambiente, à saúde e ao sossego das pessoas” (CONTAR, 2004, p.81).
Vale ressaltar que mesmo que os impactos ambientais decorrentes da extração de minérios sejam de grande magnitude, não a torna uma atividade ilegal, isso levando em conta que é indispensável “que ela esteja rigorosamente submetida a controles de qualidade ambiental, de monitoramento e auditorias constantes” (ANTUNES, 2002, p. 631). Portanto, para minimizar ou mitigar os impactos ambientais negativos decorrentes dessa atividade é preciso que a população participe efetivamente de uma correta gestão ambiental, usando os recursos ambientais de forma racional, mantendo o equilíbrio ecológico e evitando a exploração desordenada e ilegal (VIEIRA, 2002, p. 67).
5.5 Estudo do Caso - História do Garimpo na região
Passa-se neste momento a abordar de fato a questão do estudo do caso ocorrido na cidade de Pontes e Lacerda, interior do Estado do Mato Grosso, as ilegalidades e as intervenções do Órgão competente diante do caso.
Como estudado anteriormente, é sabido as consequências decorrentes da extração de minérios e seus impactos no meio ambiente, contudo essa atividade exerceu um importante papel na economia do Brasil, desde a colonização por Portugal onde este passou a ter o direito de propriedade sobre todo território, inclusive a posse dos recursos minerais naquele momento (ANTUNES, 2002, 617).
A atividade garimpeira ilegal se deu em uma região rica em recursos minerais, dentre eles o ouro. O local da extração ilegal localiza-se em zona rural do município, assim, para o acesso até a Serra da Borda ou Serra do Caldeirão, os garimpeiros passavam por dentro de fazendas de particulares. O caso tomou conhecimento da sociedade da região após várias imagens veiculadas nas redes sociais com o ouro extraído, vindo a partir daí o conhecimento em nível Nacional. O que culminou na vinda de curiosos e garimpeiros, tanto da região como também de outros Estados.
Vale lembrar que a exploração de ouro ocorria de modo ilegal, pois não havia nenhum tipo de licença ambiental para a exploração, que se deu em uma área protegida e de propriedade da União, comprovando então a ilegalidade na atividade
por falta de autorização e condições eficazes de trabalho. Lembra-se também que por ser uma região rica em minérios, já havia presença de grandes empresas de mineração, que na ciência do garimpo ilegal reiteraram com pedido de lavra junto ao DNPM.
5.6 Intervenção do Órgão Competente e Decisão da Justiça Federal
Dentre os instrumentos processuais para a defesa do meio ambiente se destaca de forma mais efetiva a Ação Civil Pública, elencada no art. 129, inciso III da CF/1988 servindo como garantia à proteção dos bens ambientais (ARAÚJO, 2001, p. 15). A partir disso, o Ministério Público Federal de Cáceres – MT, por conta da segurança pública e em defesa do meio ambiente agiu como fiscal da lei na ação civil pública nº 3759-43.201.401.3601, para intervenção na atividade ilegal ocorrida na Serra da Borda na cidade de Pontes e Lacerda – MT.
Na ação proposta o MPF, entendeu que a “extração de ouro desenvolvida por centenas de pessoas é ilegal, não há autorização ou licença para lavra emitida pelo Departamento Nacional de Produção Mineral”. E ainda que tais “recursos minerais são bens da União, conforme determina o inciso IX do artigo 20 da Constituição da República. A extração sem a devida autorização do órgão fiscalizador constitui dano ao patrimônio da União”, além dos impactos ambientais decorrentes da atividade descontrolada.
Assim, com a ação do MPF, a 1ª Vara da Justiça Federal de Cáceres observando a ilegalidade no caso, acolheu a liminar veiculada na inicial de forma que fosse cessada a atividade, além de fixar multas diárias aos requeridos, conforme consta nas folhas 50 e 55 dos autos (BRASIL, 2015, p. 9).
Ainda na decisão liminar, entendeu o Juiz que é “inegável o impacto danoso na cidade e região, uma vez que provoca danos ambientais, requerendo, ainda, especial atenção por se tratar de região de fronteira (...)” (BRASIL, 2015, p. 1). Assim, foi dada a ordem de cumprimento no dia 09, 10 e 11 de novembro de 2015 para a desocupação da área onde ocorria a exploração ilegal do minério. Vale ressaltar que a desocupação da área se deu de forma pacífica.
Ocorre que uma semana após a desocupação, e saída da fiscalização, muitos garimpeiros voltaram a ocupar o local e intensificaram a exploração ilegal do minério. No ato da primeira desocupação a Polícia militar já previa uma possível reocupação, e como era previsto, assim se deu. Conforme consta nos autos, o relatório de Inteligência da Polícia Militar do dia 01/12/2015.
Diante desse cenário, ainda concluiu a Justiça Federal que “o quadro atual da localidade é de reocupação em decorrência da cessação das atividades de fiscalização, em total desrespeito e descaso à decisão proferida nestes autos pelo Poder Judiciário” (BRASIL, 2015, p. 4).
Mais uma vez, o MPF e MPE em nova ação proposta, tomou frente e reiterou novamente o pedido inicial, dessa vez em face da União e do Estado do Mato Grosso obrigando os entes a garantir segurança interna aos moradores da cidade, de maneira que seja determinada de forma urgente a cessação da atividade ilegal.
Também reiterou o MPF que além do dever dos entes União e Estado, os proprietários da área agiram em desconformidade com a lei, permitindo de forma livre e consentida a degradação ambiental, sendo até rejeitada a legitimidade de defesa desses, já que se encontram ligados de forma direta com a exploração ilegal, de forma que não impediram o dano ambiental causado pelo garimpo ilegal.
Após a autorização de uso das forças especiais, se referindo ao Exército brasileiro e Força Nacional de Segurança, foi realizado um novo plano para a desocupação da área onde ocorria o garimpo ilegal. Assim, em janeiro de 2016 foi realizada a segunda e última desocupação da área, cumprindo a inicial ordem judicial. Nesta segunda operação as forças especiais permaneceram por mais tempo, para que assim evitassem uma nova reocupação por parte dos garimpeiros. Contudo, é sabido que após a retirada das forças especiais, infelizmente, existem garimpeiros que ainda exploram a área no período noturno.
6. RESULTADOS
A presente pesquisa demonstrou que os impactos ambientais decorrem da exagerada intervenção humana, que por muitas vezes se declara ser egoísta e tendenciosa, isso porque muitos casos de exploração de minérios estão em desacordo com a legislação mineral. E ainda, se tratando das APP’s, por essas serem áreas protegidas, necessitam de prévia aprovação e autorização da Administração Pública para qualquer tipo de atividade degradante. Nesse sentido, grandes foram os impactos ambientais decorrentes dessa atividade de garimpo ilegal nas APPs, comprometendo a vegetação, a flora, os mananciais e outros (MACHADO, 2009, p. 681). Tantos foram os danos causados ao meio ambiente por ocasião do garimpo ilegal, que houve reconhecimento da necessidade por parte da Justiça Federal determinando que se cumpram as leis a fim de “evitar o
prolongamento dos danos ambientais, cessar a atividade ilegal perpetrada e, principalmente, retomar a segurança local e regional” (BRASIL, 2015, p. 5).
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tratada toda questão material do caso estudado, foi possível entender que a ilegalidade na atividade de exploração será demonstrada se a atividade não possuir a licença ambiental, que obriga a todo àquele que causar algum tipo de dano ambiental possa repará-lo.
Ainda sobre o processo de intervenção, o Ministério Público Federal declarou que nas contestações apresentadas pelos requeridos, não se via nenhuma preocupação em restaurar o que fora degradado, se não a “tentativa desesperada destes em se eximir de qualquer obrigação pela tragédia ocorrida na Serra da Borda (...)” (BRASIL, 2016, p. 10). Visto que eles são beneficiados através “dos recursos ambientais e obtém margens altas de lucro, mas quando algo dá errado, recusam qualquer responsabilidade, objetivando que a sociedade arque com os danos, procurando sempre externalizá-los” (BRASIL, 2016, p. 10).
Essas ações demonstram um grande retrocesso na defesa do meio ambiente, mesmo com grandes conquistas no passado em matéria ambiental. Muitos não param para refletir que o uso descontrolado e ilegal dos recursos podem causar danos irreversíveis às presentes e futuras gerações.
8. FONTES CONSULTADAS
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