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Academic year: 2021

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16°

TÍTULO: ANALISE DE IMC EM CRIANÇAS DE 6 A 7 ANOS NO MUNICÍPIO DE ITAJUBÁ TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:

SUBÁREA: FARMÁCIA SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ITAJUBÁ INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): GABRIELA DA ROCHA SILVA AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): CRISTINA CÂNDIDA DE MACEDO, WAGNER LUIZ DA COSTA FREITAS ORIENTADOR(ES):

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1- RESUMO

Obesidade trata do acúmulo de gordura no corpo advindo em sua maioria a partir de um consumo excessivo de calorias na alimentação, ou seja, quando a ingestão alimentar é maior que o gasto energético do organismo para sua manutenção e realização das atividades do dia a dia. Pessoas com obesidade possuem riscos de desenvolver algumas doenças como: hipertensão, diabetes, problemas nas articulações, dificuldades respiratórias, aumento nos índices de colesterol, entre outros riscos. Nesse sentido, o presente estudo investigou a prevalência da obesidade em crianças de 6 a 10 anos nas escolas municipais de Itajubá/MG. Trata-se de uma pesquisa de natureza metodológica quantitativa deTrata-senvolvida a partir da aplicação de um questionário aos responsáveis abordando quesitos referentes à atividade física, alimentação e histórico familiar. Foram feitas também medições de massa e altura a fim de serem calculados os índices massa corpórea (IMC). Percebe-se a partir dos resultados que uma parcela significativa das crianças de ambos os sexos encontram-se na faixa de obesidade (20%). Comparando este valor com os questionários respondidos pelos responsáveis, 23,50% destes afirmaram que os voluntários estavam fora da faixa de peso ideal. Outro fator relevante observado diz respeito a relação direta entre obesidade e maus hábitos alimentares, sedentarismo e histórico familiar. Dessa forma, evidencia-se a necessidade de novos estudos e medidas preventivas a fim de minimizar o índice de obesidade em crianças.

Palavras-chave: Obesidade Infantil; Hábitos Alimentares; Prevenção da obesidade infantil.

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2- INTRODUÇÃO

Entre as questões de saúde pública que atraem a atenção de pesquisadores e estudiosos encontra-se a obesidade. Entende-se por obesidade o acúmulo de tecido gorduroso que pode gerar desequilíbrios no corpo de um indivíduo, sendo essa palavra derivada do latim “obesitas” que significa gordura física (MIRIAM, 2016).

Who (1995), afirma que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o excesso de peso tornou-se um problema de saúde pública em vários países e está chamando a atenção de vários profissionais desta área sendo considerada uma epidemia global. Este fator é de grande relevância, pois a obesidade está associada a outras patologias como a dislipidemia, diabetes mellitus, doença cardiovascular e hipertensão.

O aumento gradativo da obesidade principalmente na infância tem chamado atenção. Cerca de 10 a 40 % dos países da Europa apresentaram crescimento significativo no índice da obesidade infantil, principalmente na faixa etária de 5 a 6 anos. Nestes países, o aumento da obesidade também se destacou entre os adolescentes (DIETZ, 2001; EBBELING, PAWLAK, LUDWIG 2002).

Segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica - ABESO (2010), estudos apontam que cerca de 40% da população brasileira apresenta excesso de peso. Já Damiani, Carvalho e Oliveira (2002) relataram que nos Estados Unidos 15 a 20% das crianças já são consideradas obesas, atrelando dessa forma a obesidade às questões de caráter nutricional (FISBERG, 1995)

A ABESO (2010) considera a obesidade “uma doença multifatorial e complexa, podendo ser adquirida através da genética, de um estilo de vida não saudável e fatores emocionais”.

O excesso de gordura acumulada pode apresentar diversas causas, entre elas a má alimentação e o sedentarismo. Em alguns casos, a ingestão desordenada de alimentos ricos em valores calóricos pode estar atrelada também a fatores de caráter emocional, visto que para alguns indivíduos, excesso de comida se transforma em refúgio e consolo para suas angustias, medos e ansiedades (FREITAS, COELHO, RIBEIRO 2009; SANTOS 2003)

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É de conhecimento que a alimentação balanceada e rica em propriedades nutricionais é de fundamental importância para o desenvolvimento e manutenção fisiológica de todos os indivíduos, e no caso específico das crianças em fase de desenvolvimento os pais são fundamentais. Fisberg (2003) cita que “Ensinar a criança ter uma alimentação saudável desde cedo, pode fazer com que ela aprenda a comer de tudo e ter bons hábitos alimentares, pois a má alimentação na infância pode gerar complicações futuras na adolescência e na vida adulta”.

Dessa forma, é importante a atenção dos responsáveis na alimentação das crianças, pois com a variedade e o aumento na oferta de comidas industrializadas é comum a ingestão desses alimentos justificada pela realidade acelerada do dia a dia da sociedade de uma forma geral. Em decorrência deste fato e com a diminuição do tempo hábil comprometendo o preparo de alimentos saudáveis, opta-se por comidas práticas como industrializados e embutidos, ricos em carboidratos refinados e com alto valor energético

A alimentação desregrada atrelada a falta de exercícios físicos são alguns fatores que podem contribuir para o sobrepeso, pois crianças mais ativas e com maiores atividades físicas, apresentam menores chances de acúmulo de gordura corporal se comparadas com crianças menos ativas (DEHEEGER, FONTVIEILLE, 1997; VINCENT, et.al. 2003).

Diante disso, torna-se clara a importância de se desenvolver trabalhos com enfoque na obesidade infantil, pois trata-se de um tema relevante, porém ainda escasso na literatura. Dessa forma, este trabalho procura investigar o índice de obesidade infantil entre as crianças de 6 a 10 anos de idade matriculadas nas escolas municipais de Itajubá – MG.

3- OBJETIVO

O presente estudo tem como objetivo geral apresentar um panorama da obesidade infantil nas escolas municipais da cidade sul mineira de Itajubá.

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4- MÉTODOS E DESENVOLVIMENTO

A pesquisa foi realizada tendo como referência alunos voluntários matriculados na rede municipal da cidade de Itajubá em parceria com a Secretaria da Educação do município.

Foi realizada uma reunião com a presença dos representantes das escolas municipais de Itajubá para abordagem de todos os temas e procedimentos a serem realizados na pesquisa. Ao final da reunião 50% (11 diretores) dos representantes presentes demonstraram interesse na realização da pesquisa, porém apenas 6 escolas participaram efetivamente do estudo.

Foram marcados encontros com os pais ou responsáveis dos alunos matriculados nas escolas participantes a fim de conscientizá-los sobre a importância do trabalho e esclarecer quaisquer dúvidas sobre os procedimentos de pesquisa. Como a participação dos responsáveis nos encontros não foi satisfatória optou-se pela distribuição por parte da direção escolar de folhetos autoexplicativos sobre a pesquisa e seus procedimentos, além da entrega do termo de compromisso e do questionário a serem preenchidos e assinados pelos responsáveis. Vale destacar que participaram da pesquisa apenas aqueles voluntários que apresentaram os termos de responsabilidade assinados pelos responsáveis e os questionários respondidos.

Para a efetiva realização da pesquisa, foram aferidos valores de altura, peso, medida da circunferência abdominal e medida do quadril dos voluntários e a partir desses dados foram calculados e analisados o IMC (Índice de Massa Corpórea). Cientes de todos os processos referentes ao estudo, os responsáveis pelos voluntários assinaram o “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido” concordando com a participação destes na pesquisa. Os responsáveis também responderam um questionário a fim de obter dados sobre o histórico familiar de doenças cardiovasculares, hábitos alimentares, atividades físicas e características socioeconômica da família. É importante ressaltar que este trabalho está registrado na Plataforma Brasil sob o protocolo 45991115.4.0000.5094 e foi aprovada pelo Comitê de Ética de acordo com as exigências requeridas. Durante todo o estudo foi preservada a identidade dos participantes. Esta pesquisa possui natureza metodológica quantitativa.

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5- RESULTADOS E DISCUSSÕES

Em posse dos questionários respondidos pelos responsáveis e dos dados coletados durante a pesquisa, foi elaborada a Tabela 1 referente aos principais tópicos de analise deste estudo.

Tabela 1: Dados do questionário referentes a atividade física, alimentação e histórico familiar.

Analisando os questionários respondidos pelos responsáveis, observa-se que das 187 crianças estudadas, 97 realizam alguma atividade física. Os responsáveis justificaram a resposta afirmando que os voluntários possuem momentos de entretenimento ao ar livre e no ambiente escolar a justificativa se deu pela aula destinada à educação física. Fazendo uma comparação entre os gêneros, verifica-se que a diferença entre os meninos e as meninas nesse quesito é baixa (47 meninos e 50 meninas). Destaca-se também que apenas 9,6% dos responsáveis não souberam opinar neste assunto, visto que não conseguiram definir se as atividades desenvolvidas pelas crianças poderiam ser consideradas atividades físicas.

Quanto a hábitos alimentares, evidencia-se que as meninas apresentam piores resultados se comparados com os meninos, visto que há um maior consumo de frituras, doces e refrigerantes por elas. Verifica-se também que este consumo é

Tópicos de analise

Meninos Meninas Total dos

Voluntários Sim Não Não

opinou Sim Não

Não

opinou Sim Não

Não opinou Peso recomendável 61 23 4 74 21 4 135 44 8 Doença Cardiovascular 10 75 3 15 82 2 25 157 5 Colesterol alto 13 72 3 22 75 2 35 147 5 Diabetes 24 61 3 28 69 2 52 130 5 Obesidade 13 72 3 19 78 2 32 150 5 Atividade física 47 32 9 50 40 9 97 72 18 Ingestão de frutas, legumes e verduras 54 30 4 75 22 2 129 52 6 Ingestão de frituras, doces, industrializados 57 24 7 72 22 5 129 46 12 Ingestão de refrigerantes com frequência 36 45 7 58 36 5 94 81 12

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maior na faixa etária de 8 a 10 anos. No entanto, vale ressaltar que o consumo de legumes e verduras também se destaca entre as meninas (75,8% delas possuem este hábito alimentar) como pode-se constatar no Gráfico 1.

Gráfico 1: referente a atividades físicas e hábitos alimentares

Quanto ao histórico familiar (Gráfico 2), 32 crianças apresentam casos de obesidade na família, mantendo o maior índice de ocorrência entre as meninas. Os casos de doenças cardiovasculares relacionados à obesidade, colesterol alto e diabetes também apresentaram maiores índices entre os familiares das alunas.

Gráfico 2: Referente ao histórico familiar. 0% 20% 40% 60% 80% Atividade Física

Consumo de doces e frituras Consumo de refrigerantes Consumo de verduras e

legumes

ANALISE DOS QUESTIONÁRIOS

Meninas Meninos -0% 20% 40% 60% 80% 100% Peso recomendável Obesidade na família Doenças cardiovasculares Colesterol Alto Diabetes

Histórico Familiar

Geral

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-Quanto a analise do peso das crianças, 69,3% dos meninos (61) e 74,4% das meninas (74) foram consideradas com peso ideal pelos responsáveis. No entanto, a análise geral dos valores do IMC calculados por faixa etária demonstra que 33% dos meninos e 42,4% das meninas se encontram no peso ideal. Tal discrepância pode estar associada ao fato de que alguns dos responsáveis não identificaram evidencias de sobrepeso em algumas crianças, o que pode vir a se tornar um entrave para futuros trabalhos e medidas de prevenção à obesidade.

Analisando os dados coletados (Gráfico 3) durante o estudo, constatou-se um resultado significativo de crianças acima do peso e com indícios de obesidade, sendo este mais recorrente entre os homens (15,9% acima do peso e 22,7% em quadro de obesidade). Este resultado entra em conflito com as respostas obtidas a partir dos questionários, visto que nestes, foram apresentados entre as meninas maiores históricos de hábitos inadequados de alimentação. Podemos atribuir essa divergência à parcela de responsáveis que não souberam opinar quanto à alimentação das crianças e também quanto à frequência de atividades físicas realizadas por estas.

Gráfico 3: relação entre sobrepeso e obesidade considerando as faixas etárias

Quanto ao nível de baixo peso, o índice entre os meninos e as meninas se equiparam em cerca de 28% do total de participantes. O cálculo do IMC foi realizado por faixa etária de 6 a 10 anos considerando a Tabela 2 de referência fornecida pelo Instituto de Cirurgia de Ribeirão Preto.

0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% TOTAL 6 anos 7 anos 8 anos 9 anos 10 anos

Sobrepeso e Obesidade

Obesidade Sobrepeso

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Tabela 2: Tabela de IMC para crianças

Fonte: http://institutodecirurgia.com.br/obesidade

O Gráfico 4 apresenta o cálculo do IMC por faixa etária respeitando as classificações apresentadas na tabela anterior:

Gráfico 4: Referente aos dados do IMC em analise geral

Por meio da análise do IMC geral foi constatado que cerca de 40% dos voluntários se encontram no peso recomendável, cerca de 14% das crianças se encontram acima do peso e cerca de 20% em quadro de obesidade.

0% 10% 20% 30% 40% 50%

Baixo Recomendável Acima do peso Obesidade

IMC GERAL DOS VOLUNTÁRIOS

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-6- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pode-se verificar a partir dos dados analisados que uma parcela significativa dos voluntários analisados encontra-se na faixa de obesidade (20%), o que contribui para uma preocupação com a saúde das crianças de uma forma geral. Comparando os dados analisados com a resposta dos responsáveis no questionário, verifica-se que os fatores hábitos alimentares e histórico familiar apresentam grande relação com este resultado.

Outro ponto a destacar é que há um índice considerável de casos de doenças relacionadas à obesidade entre os familiares dos participantes. É de conhecimento neste trabalho que a obesidade pode contribuir para o desenvolvimento de consequências negativas nos indivíduos tais como: depressão, fadiga, distúrbios alimentares, problemas no relacionamento interpessoal e social, diabetes, doenças cardiovasculares, aumento de pressão entre outros.

Dessa forma, conclui-se neste trabalho a importância de se desenvolver trabalhos diferenciados de conscientização sobre o assunto nas escolas envolvendo o corpo docente, discente, toda comunidade escolar e familiares, visto que há possibilidades de que crianças obesas venham se tornar adultos obesos.

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8- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DAMIANI, D; CARVALHO, D. P.; OLIVEIRA, R. G. Obesidade fatores genéticos ou ambientais. Pediatria Moderna, 2002.

DEHEEGER, M; ROLLAND,CMF; FONTVIEILLE AM. Physical activity and body composition in 10 year old French children: linkages with nutritional intake? Int J Obes 1997;21:372-9.

DIETZ W.H. The obesity epidemic in young children. BMJ. 2001;322(7282):313-4. EBBELING CB, PAWLAK DB, LUDWIG DS. Childhood obesity: publichealth crisis, common sense cure. Lancet. 2002;360(9331): 473-82.

FISBERG, Mauro. Obesidade na infância e adolescência. 2º Ed. São Paulo: Fundo Editorial DYK, 1995.

FREITAS, AS; COELHO, SC; RIBEIRO, R.L; OBESIDADE INFANTIL: INFLUÊNCIA DE HÁBITOS ALIMENTARES INADEQUADOS; Saúde & Amb. Rev., Duque de Caxias, v.4, n.2, p.9-14, jul-dez 2009.

SANTOS, AM. Obesidade Infantil: excessos na sociedade. Boletim da saúde. Rio Grande do Sul, V. 17, nº 1, pág: 98 a 104, 2003.

VINCENT, SD; PANGRAZI, RP; RAUSTORP, A; TOMSON, LM; CUDDIHY TF. Activity levels and body mass index of children in the United States, Sweden, and Australia. Med Sci Sports Exerc 2003;35:1367-73

World Health Organization. Physical status: the use and interpretation of anthropometry. Geneva: WHO; 1995.

ABESO. Diretrizes brasileiras de obesidade, associação brasileira para o estudo da obesidade e a síndrome metabólica. Disponível em: <http://www.abeso.org.br/pdf/diretrizes_brasileiras_obesidade_2009_2010_1.pdf>. A cesso em: Ago. 2016.

MIRIAM. Consultório Etimológico, Origem da Palavra. Disponível em: http://origemdapalavra.com.br/site/?s=obesidade. Acesso em: Set. de 2016.

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