Ψ autor correspondente
1.Introdução
Neste trabalho abordaremos a anato - morfologia dos aparelhos genitais e da reprodução sexual, destacando a composição e influência do sistema endócrino / límbico no comportamento sexual.
O comportamento reprodutivo está intimamente relacionado ao comportamento sexual, embora nem todo o comportamento sexual resulte em reprodução. O comportamento sexual é um comportamento motivacional, e partilha de alguns mecanismos neurais semelhantes.
O sistema genital não é essencial para a sobrevivência do indivíduo, contudo, é necessário para a sobrevivência da espécie. É através da reprodução que novos indivíduos de uma espécie são produzidos, e o código genético passa de uma geração para a próxima através da reprodução sexual.
A reprodução sexual consiste numa combinação de genes entre dois indivíduos de modo aleatório em cada nova geração, oferece a vantagem de introduzir grandes variabilidades em uma população, assegurando assim a sobrevivência às alterações no meio ambiente ao longo da evolução do tempo.
Pela forma do envolvimento entre dois
indivíduos que se relacionam ocorre a
necessidade do desejo, que ultrapassa uma
simples liberação da tensão fisiológica sexual,
sendo influenciado por inúmeros factores não
biológicos.
2.Morfofisiologia do aparelho genital masculino
As funções reprodutoras masculinas podem ser divididas em três grupos principais:
- 1º - a espermatogénese: conjunto de fenómenos que dizem respeito à formação e maturação de espermatozóides nos testículos;
- 2º - o desempenho do acto sexual masculino; - 3º - a regularização das funções reprodutoras masculinas através das várias hormonas.
Associados a estas funções reprodutoras estão os efeitos das hormonas sexuais masculinas (andrógenios) sobre os órgãos sexuais acessórios, o metabolismo celular, o crescimento e outras funções do corpo (Guyton, 1997).
A espermatogénese ocorre em todos os túbulos seminíferos durante a vida sexual activa como resultado da estimulação das hormonas gonadotrópicas da hipófise anterior, iniciando em média aos treze anos de idade prolongando-se por toda a vida (Spence, 1991).
Fig 1: Espermatogénese, in Graaff, 2003 LICENCIATURA EM PSICOLOGIA - 1º ANO DIURNO
UNIDADE CURRICULAR: PROCESSOS BIOLÓGICOS DA MENTE E DO COMPORTAMENTO (PBMC)
2008
BIOPSICOLOGIA DO COMPORTAMENTO SEXUAL E DA EMOÇÃO
Karina Santos nº 20084028Ψ
Laura Catocci nº 20081990 Luciana Coutinho nº 20083487
A definição de sexo sugere uma “conformação física, orgânica, celular particular que permite distinguir o homem da mulher, atribuindo-lhes um papel específico na reprodução humana” (Houaiss,2003).
O objectivo fundamental deste trabalho é apresentar de uma forma sucinta factores e processos envolvidos na reprodução sexual e na sexualidade, e a sua repercussão no comportamento emocional e sexual do Homem.
O acto sexual masculino ocorre por um estímulo neuronal e pela estimulação sensorial da glande do pénis. A glande contém um sistema sensorial que transmite ao cérebro toda a sensação excitatória.
Fig2a: Genital Masculino, in Yocochi,1998
Fig2b:Legenda Genital Masculino
As etapas do acto sexual masculino passam pela erecção, lubrificação, emissão e ejaculação. Estas etapas quando processadas provocam sinais sensoriais, transmitidos pelos nervos genitais para as regiões especificas da medula espinal, causando
sensação súbdita dos órgãos internos (orgasmo) (Guyton, 1997).
Nos testículos as células responsáveis pela secreção de testosterona são as células intersticiais de leydig, situadas nos interstícios entre os túbulos seminíferos.
Fig2c:Secção Sagital Mediana
Os testículos segregam várias hormonas sexuais masculinas (andrógenios), compreendidos por testosterona, diidrotestosterona e androstenodiona. Todavia a testosterona é muito mais abundante do que as demais hormonas. O termo androgénio significa qualquer hormona esteróide com efeito masculinizante. Os seus compostos (esteróides), podem ser sintetizados a partir do colesterol, ou directamente a partir da acetilcoenzima-A (controlo neuro-hormona do córtex do sistema límbico). Após ser segregada pelos testículos cerca de 97% da testosterona torna-se fracamente ligada com a albumina plasmática ou mais firmemente fixada a uma beta-globulina, denominada globulina fixadora de hormonas sexuais, desta forma, circula na corrente sanguínea, por cerca de 30 minutos a uma hora. A testosterona fixa aos tecidos ou degrada-se em produtos inactivos que por sua vez serão excretados (Junqueira & Carneiro, 1999).
Fig3: Estrutura Bioq Colesterol, in http://www.medstudents.com.br/users Regis/loginK
Grande parte da testosterona que se fixa aos tecidos é convertida dentro das células a diidrotesterona especialmente em certos órgãos como a glândula prostática no adulto e a genitália externa do feto masculino.
Fig 4: Estrutura Bioquímica das Hormonas Esteróis, in http://www.medstudents.com.br/users Regis/loginK A função da testosterona passa por definir as características distintas do corpo masculino, durante a vida fetal, os testículos são estimulados pela gonadotropina coriónica da placenta para produzir quantidades necessárias ao longo do período pré-natal (Guyton, 1997).
3. Morfofisiologia do aparelho genital feminino As funções reprodutoras femininas podem ser divididas em dois grupos principais: 1º - a preparação do corpo feminino para a concepção e a gestação e, 2º - o período da própria gestação. A mulher não apenas produz os seus óvulos e recebe os espermatozóides do homem, como também os seus órgãos genitais são especializados em oferecer locais para a fertilização, para a implantação de massa celular embrionária em desenvolvimento (blastócistos), para a gestação e para o parto (Graaff, 2003).
Fig 5: Genital Feminino, in Yocochi, 1998.
O sistema genital feminino é mais complexo, pois também proporciona meios de nutrição para o recém- nascido pela segregação de leite através das glândulas mamárias.
O acto sexual feminino depende tanto da estimulação psíquica quanto da estimulação sexual local. O desejo também se altera durante o ciclo menstrual, atingindo o ponto máximo perto do tempo da ovulação, provavelmente devido aos altos níveis de secreção de estrogénio (feedback positivo) durante o período pré-ovulatório (Guyton, 1997).
Fig6: Secreção Gonadotrofina e Hormonas dos Ovários, in Graaff, 2003.
A estimulação sexual local ocorre semelhantemente da mesma maneira que nos homens, pois a estimulação cria sensações sexuais, que são transmitidas para os segmentos específicos da medula espinhal pelo nervo genital e plexo sacral/lombar. Uma vez que estes sinais penetram na medula são transmitidos para o cérebro.
As hormonas sexuais femininas pertencem a dois grupos principais chamados estrogénio e progesterona, a principal fonte de estrogénio numa mulher, excluindo as grávidas, são os ovários. O estrogénio quando associado ao ciclo menstrual, causa o espessamento dos órgãos sexuais secundários e das características sexuais secundárias. A progesterona também é segregada nos ovários e a sua função é em ajudar na manutenção da regulação dos estrógenios no endométrio (Guyton, 1997).
O estrogénio e a progesterona são sintetizados nos ovários a partir do colesterol derivado do sangue e uma pequena extensão a partir da acetil-coenzima-A, múltiplas moléculas de combinação nucleoesteróide.
O estrogénio é secretado em maior quantidade pelos ovários (beta - estradiol) e a progesterona é secretada em quantidade significativa apenas durante a segunda metade de cada ciclo ovariano. Tanto os estrogénios quanto a progesterona são transportados no sangue fixo pela albumina plasmática, e globuminas específicas. O fígado, é importante para a degradação metabólica, pois conjuga os estrogénios para formar gliconiridéos e sulfactos que serão conjugados e excretados na bílis e outra parte excretados na urina.
A função principal do estrogénio é a proliferação celular e o crescimento dos tecidos dos órgãos sexuais e de outros tecidos relacionados com a reprodução; a função mais importante da progesterona é promover alterações secretórias no endométrio uterino durante a segunda metade do ciclo menstrual, preparando assim o útero para a implantação do ovo fertilizado (Guyton, 1997).
Os estágios do acto sexual feminino passam pela erecção e lubrificação, que se encontram localizados em torno do intróito do clitóris. A existência de um tecido eráctil controlado por nervos parassimpáticos dilata as artérias liberando óxido nítrico nas terminações nervosas.
Nos pequenos lábios localizam-se glândulas bilaterais de Bartholin que causam a secreção do muco para dentro do intróito. Este muco é responsável pela lubrificação durante o acto sexual, a lubrificação estabelece uma sensação satisfatória de massagem em vez de uma sensação irritativa provocada por uma vagina seca (Junqueira & Carneiro, 1999).
4.Reprodução sexual
Nos pontos descritos anteriormente sobre as funções sexuais masculinas e femininas, acrescentamos uma nova sequência que é a fertilização do ovócito denominado gestação, caracterizado pela reprodução sexual.
Fig7: Fecundação, in Lewis, 1995.
A reprodução sexual requer a produção de dois tipos de gâmetas (células sexuais) que possuem formas masculinas e femininas, cada qual com seu próprio sistema genital. Os sistemas genitais masculinos e femininos completam-se um ao outro no objectivo comum de garantir a descendência (Azevedo, 2005).
A fertilização refere-se a penetração de um espermatozóide em um óvulo, com união subsequente dos seus materiais genéticos. Este evento determina o sexo de uma pessoa e a sua herança biológica. Contudo a fertilização pode não se verificar, a menos que sejam atendidas certas condições: presença do óvulo na tuba uterina e um número elevado de espermatozóides.
Fig8: Diagrama do Processo de Ovogénese, in Graaff, 2003. O encontro do espermatozóide com o óvulo dá-se pela penetração do espermatozóide na camada protectora coriónica radiada e zona da pelúcida, para ocorrer a fertilização. Com efeito, a cabeça de cada espermatozóide é coberta por uma organela chamada acrossomo que contém uma enzima proteolítica que digere o ácido hialurônico constituinte do tecido conjuntivo (Spence, 1991). Logo que o espermatozóide penetra a zona da pelúcida existe uma alteração química que evita que outros espermatozóides se liguem a ela. O ovócito é estimulado a completar uma divisão meiótica.
Fig9: Estágio Mórula, in Lewis, 1995.
Horas após a concepção, as membranas nucleares do espermatozóide e do óvocito II desaparecem, os dois genomas haplóides (do óvulo e do espermatozóide) unem-se restabelecendo o genoma diplóide.
Este processo denomina-se de fertilização e tem como resultado a determinação do sexo do bebé e o restabelecimento da diploidia (Richau, 2008).
Após a fertilização o zigoto sofre diversas
divisões
mitóticas
denominadas
segmentações,
esta
fase
tem
como
característica a implantação do embrião na
parede uterina (nidação), a fase a seguir a
segmentação é a gastrulação e neurulação, no
qual origina o plano anatómico do ser com as
camadas germinativas (endoderme, ectoderme
e mesoderme) e a formação da placa e do tubo
neural que constitui o esboço rudimentar do
sistema nervoso central. (Richau, 2008).
Fig10: Morfogénese, in Lewis, 1995.
Este crescimento e a diferenciação de células e tecidos são conhecidas como morfogénese e, através deste processo cada órgão e sistema podem ser afectados por factores genéticos ou ambientais (Spence, 1991).
A herança genética manifesta-se na aquisição de caracteres ou qualificações transmitidas pelos processos descritos anteriormente, sendo que no homem existem dois diferentes cromossomas sexuais (XY), e na mulher dois iguais (XX), sendo o cromossoma Y que determina o sexo na nossa espécie. As informações hereditárias são fornecidas através dos genes. Um gene é a porção do DNA de um cromossomo que contém a informação necessária para sintetizar uma molécula de determinada proteína (Richau, 2008). O DNA pode ser considerado como um catálogo de genes conhecido como genótipo, a
expressão é conhecida como uma característica observada denominada fenótipo. Certas características hereditárias estão localizadas nos cromossomas que determinam o sexo (Azevedo, 2005).
5. Sistema límbico e endócrino
Estes sistemas são compostos por várias glândulas que estão localizadas em diversas partes do nosso corpo.
Fig11: Dissecação do Sistema Límbico, vista lateral esquerda, in Yocochi,1998.
As glândulas endócrinas participam na regulação das actividades corporais produzindo as hormonas, que são os mensageiros químicos. Esta regularização hormonal é geral, afecta desde as células a um grande número de órgãos e podem afectar um órgão ou uma célula em particular denominados (órgãos-alvo). As glândulas endócrinas principais são: a hipófise, a tireóide, as paratiróides, as adrenáis (supra-renais), o pâncreas e as gônadas (Spence, 1991).
Fig12:Interacções Bidireccionais entre Sistema Nervoso e gônadas, in Bear, 2002.
A estrutura química das hormonas são complexas, pois algumas, são esteróides, por exemplo o cortisol, outras são proteínas, por exemplo as prolactínas e o ainda outras são polipeptídeos ou relacionadas com aminoácidos, como por exemplo a oxitocina e epinefrina. Independentemente da natureza química, as hormonas participam da regulação e da integração dos processos e funções corporais da manutenção da homesostase que está intimamente ligado com o sistema nervoso (Guyton, 1997).
Existem vários mecanismos de acção hormonal, os dois mais importantes são: 1) a utilização de mediadores intracelulares; e 2) a activação de genes nas células.
Fig13:Controlo Neural dos órgãos sexuais, in Bear, 2002. Acredita-se que as hormonas têm influência na função celular por meio de mediadores intracelulares que se ligam por receptores da membrana plasmática. Esta ligação causa a liberação do mediador intracelular conhecido por segundo mensageiro, um composto conhecido como 3’ 5’ – adenosina monofosfato cíclico (AMP cíclico) que é formado a partir do ATP por uma enzima adenilciclase (Spence, 1991).
As hormonas esteróides agem por um diferente mecanismo elas exercem seus efeitos activando os genes nas células. Neste processo as hormonas esteróides entram na célula e combinam-se com as proteínas receptoras no citoplasma.
O complexo hormona- receptor é transportado para o núcleo da célula, onde interage com o material genético e activa certos genes. Esta activação leva à síntese de RNA mensageiro e, no final, a produção de proteínas, como por exemplo
enzimas, que influenciam nas reacções ou processos celulares (Spence, 1991).
A hipófise é a glândula responsável por um certo número de actividades corpóreas, também conhecida por glândula mestra, a relação entre sistema nervoso e sistema endócrino é estreita e evidente no desenvolvimento e funcionamento da hipófise. Ela está localizada na base do cérebro e rodeada pela reentrância do osso esfenóide. O seu desenvolvimento embrionário diverge de duas regiões diferentes ectodérmicas: o soalho do cérebro e o tecto da boca.
Fig 14: Eixo hipotálamo hipófise adrenal 1, in http://www.psiquiatriageral.com.br/cerebro/texto13.htm A porção da glândula pituitária conhecida por neuro-hipófise é uma envaginação do tecido nervoso da base cerebral, na região do hipotálamo, ela consiste num pedúnculo, o infundíbulo que une o lobo neural ao cérebro e existe uma pequena elevação chamada eminência mediana (Spence, 1991).
A segunda porção da hipófise do tecido ectodérmico cresce em direcção a neuro-hipófise, que por sua vez conecta-se com a boca, criando uma bolsa hipofisária. A porção da hipófise derivada da bolsa torna-se na adeno-hipófise. A neuro-hipófise permanece directamente conectada ao cérebro pelo infundíbulo, enquanto a adeno-hipófise está intimamente associado com o cérebro embora não directamente conectado. A neuro-hipófise é um tracto nervoso essencial e é composta por axónios que terminam no lobo neural. Apesar de não ter células glandulares presentes e não produzir hormonas, existem duas hormonas de natureza peptídica que são
produzidas no hipotálamo, e conduzidas ao longo dos axónios e armazenadas e liberadas no lobo neural. Estas hormonas são: hormona antidiuréctica (HAD, ADH), também denominada vasopressina; a outra hormona é a oxitocina. Ambas são fabricadas em núcleos hipotalâmicos por células nervosas especializadas (neurosecretoras), formando o tracto hipotalâmico-hipofisário, o que demonstra a relação íntima entre o sistema nervoso e o sistema endócrino (Spence, 1991).
Seis hormonas são produzidas e libertadas pela parte distal da adeno-hipófise: hormona folículo - estimulante (HFE, FSH), hormona luteinizante (HL, LH), tirotrofina (HET, TSH), adenocorticotrofina (HACT, ACTH), hormona do crescimento (HC, GH) e prolactina.
Gonodatrofinas
Duas das hormonas produzidas pela adeno-hipófise são chamadas gonodatrofinas, afectam particularmente as gônadas (ovários e testículos). Na mulher, a hormona folículo - estimulante HFE, estimula o desenvolvimento dos folículos e induz a secreção da hormona sexual feminina que é o estrogénio e progesterona. No homem o HL e o HFE estão presentes e envolvidos no desenvolvimento e maturação dos espermatozóides, o LH no homem é denominado hormona estimulante das células intersticiais (HECI, ICSH), produzindo os androgénios.
fig15: GnRH, in http://www.google.es Tirotrofina
Hormona estimulante da tiróide (HET ou TSH) produzida pela adeno-hipófise, que estimula a síntese e a libertação das hormonas tiroideanas que também é uma glicoproteína.
Adrenocorticotrofina
Hormona sintetizada e libertada pela adeno-hipófise que age estimulando e libertando as hormonas das regiões corticais das glândulas supra-renais activas no metabolismo dos carboidratos (glicocorticóides e cortisol). Esta
hormona é um polipeptídeo composto por 39 aminoácidos.
Fig16: Organização Hormonas (Tireóide), in http://www.google.es
Hormona do Crescimento
Hormona também conhecida por somatotrofina, esta hormona estimula o crescimento geral e do sistema esquelético. O HC aumenta a entrada de aminoácidos na célula e facilita a incorporação em proteínas, aumenta a libertação de ácidos gordos do tecido adiposo no sangue. Os ácidos gordos são utilizados como fonte de energia para a maioria das células, promovendo a formação de glucose (a partir do glicogénio do fígado) que é libertada no sangue. E’ uma hormona proteica constituída em 191 aminoácidos.
Prolactina
A prolactina estimula a produção de leite
durante o período de amamentação nas
mulheres. É uma hormona proteica com uma
estrutura
semelhante á hormona do crescimento.
O cérebro exerce um controlo importante sobre a síntese e libertação das hormonas adeno-hipofisárias, mesmo não estando a adeno-hipófise directamente conectado a ele.
No cérebro, células neurosecretoras especializadas manufacturam um grupo de compostos conhecidos como substâncias libertadoras ou inibidoras. Se a identidade química de uma substância inibidora estiver estabelecida a substância é denominada hormona, de outra forma, a substância é referida como um factor libertador ou inibidor.
As células neurosecretoras no cérebro que fabricam as substâncias mencionadas formam o tracto túbero-hipofisário que passa através do túber cinéreo da hipófise para o infundíbulo. As células neurosecretoras libertam os seus produtos no plexo capilar primário, as substâncias libertadoras ou inibidoras circulam através das veias porta-hipofisárias, seguindo directamente para a adeno-hipófise, onde induzem ou inibem a libertação das hormonas adeno-hipofisárias (Spence, 1991).
Estas breves considerações sobre as hormonas da hipófise servem para enfatizar a importância da glândula na regulação das actividades de muitas células diversas no corpo.
6.Psicobiologia hormonal do comportamento sexual e da emoção
Todo o comportamento é um conjunto de respostas que um indivíduo executa a um determinado conjunto de estímulos. Ao longo dos anos o comportamento vem sendo explicado pela relação causal, pelo estímulo, pela resposta, e pelo organismo, levando em conta os factores internos que possam vir a interferir na resposta do indivíduo (Pestana & Páscoa, 2002).
Podemos dizer que as emoções expressam-se organicamente, e a base para as respostas (reacções) depende do sistema nervoso autónomo (SNA), estas reacções podem ser inatas ou adquiridas; as reacções emocionais inatas são próprias da espécie e hereditárias.
As reacções emocionais adaptativas como o sexo resultam das primeiras experiências e necessidades de adaptação com o meio.
A expressão orgânica das emoções envolve vários sistemas biológicos internos e externos. Os externos são aqueles que podemos observar ou medir durante o acto sexual, como a frequência cardíaca, o aumento da frequência respiratória, a dilatação da pupila, o aumento do volume dos mamilos, a inibição da função digestiva, a erecção dos pêlos entre outros. Os internos não são
observáveis directamente, mas são possíveis de medir e ou alterar, e estudos neste âmbito tem sido mais explorado com o avanço tecnológico na biologia, química e medicina.
Fig18:Sistema Nervoso Autónomo, in
http://www.enciclopedia.com.pt/articles.php?article_id=730
As alterações hormonais induzem as alterações emocionais e vice-versa. O excesso ou a falta de corticóides, por exemplo, induz a ansiedade, a depressão, os estados confusionais e outras alterações biopsicológicas que ocorrem através de 3 mecanismos: (1) através de alterações no hipotálamo, na hipófise ou no córtex-pré-frontal; (2) acção das hormonas sobre os receptores específicos no cérebro, (3) alterações metabólicas periféricas (Habbib, 2003).
O hipotálamo é a área relacionada com as emoções, e a sua activação através da hipófise gera respostas físicas e psicológicas em todo o organismo, activando o sistema endócrino denominado eixo-hipotálamo-hipofisário-supra-renal (Guyton, 1997).
As hormonas hipotalámicas actuam na regulação das emoções que influenciam na memória, na aprendizagem, na afectividade, na conduta maternal e principalmente na função sexual.
Portanto, as hormonas estão implicadas na activação, inibição ou modulação dos mecanismos centrais do sistema nervoso central relacionado com padrões de conduta e de emoções específicas.
Quando as emoções são intensas, eleva o nível da cortisona (17- OHCS), considerado o índice do estado emocional. As hormonas androgénicas (cortisol / corticóide) estão relacionadas com o stress, alterações dos seus níveis influenciam o ciclo cicardiano, metabolismo das proteínas, carboidratos e lípidos, tónus muscular, antígenios, conservação da glicose, sínteses de proteínas e ácidos gordos no tecido adiposo.
Os transtornos relacionados ao aumento funcional do córtex supra-renal associam-se á uma sintomatologia psiquiátrica com alteração da personalidade, alucinação, crise de pânico, ansiedade, sintomas psicóticos mais graves e hipersexualidade. A hipo função desta glândula pode estar relacionada com uma lesão hipofisária ou hipotalâmica. O transtorno emocional é discreto, podem ser observados: apatia, astenia, irritabilidade, queixas frequente de dores pelo corpo principalmente nas pernas, depressão leve a moderada, fadiga crónica, insónia, anorexia, perda de peso e diminuição da libido (Guyton, 1997).
7. Conclusão
A interacção dos processos biológicos, psicológicos e sociais integrantes da cultura humana, fazem de cada Homem um Ser complexo e único, atribuindo-lhe assim, a qualidade e a característica de um Ser BIO-PSICO-SOCIAL. Os estudos aprofundados da Biologia e do desenvolvimento humano, contribuíram para um entendimento da influência e funcionamento das hormonas no comportamento sexual. O Ser Humano depende directamente do factor emocional, que por sua vez, é o agente motivacional de reacção do acto sexual.
Estudar as bases biológicas do funcionamento sexual, reprodutivo e hormonal, deu-nos como estudantes de Psicologia uma visão mais ampla e menos subjectiva de tentar perceber o ser humano no seu todo avaliando as suas partes constituintes.
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