UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL- UNIJUÍ
DEPARTAMENTO CIÊNCIAS DA VIDA - DCVida CURSO DE NUTRIÇÃO
JOICINARA TEIXEIRA DO AMARAL
ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR E ESTADO NUTRICIONAL
EM LACTENTES DE 0 A 30 MESES DE VIDA
IJUÍ, RS, BRASIL 2017
JOICINARA TEIXEIRA DO AMARAL
ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR E ESTADO NUTRICIONAL
EM LACTENTES DE 0 A 30 MESES DE VIDA
Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Nutrição do Departamento de Ciências da Vida da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, apresentado como requisito para aprovação no Componente Curricular TCC II.
ORIENTADOR: Prof. Dr. Pâmela Fantinel Ferreira
Ijuí, RS, Brasil 2017
DEDICATÓRIA
Dedico essa conquista
Primeiramente a Deus, o que seria de mim sem a fé que eu tenho nele. A minha família que sempre esteve me apoiando nas minhas escolhas. A minha mãe, pela incansável dedicação e ajuda, por me acompanhar e me incentivar nas horas de desânimo, por acreditar em mim e no desejo de realizar esse sonho. E por fim ao meu pai que não pode estar presente nessa caminhada, mas que com certeza sempre esteve ao meu lado me dando forças para seguir em frente. Tudo seria mais difícil sem o apoio e compreensão de vocês. Vocês são a certeza de que não estou sozinha nessa caminhada. Muito Obrigada!
AGRADECIMENTOS
Agradeço...
A Deus, principal responsável por minhas contínuas vitórias nas batalhas de cada dia. A minha mãe pela paciência e compreensão nas horas difíceis e por não medir esforços para que eu chegasse até esta etapa da minha vida. A minha prima Luana pelas incontáveis vezes em que esteve ao meu lado me apoiando e me dando forças para continuar. A minha família por compreenderem a minha ausência e me apoiarem nas minhas escolhas. A minha orientadora Pâmela Fantinel Ferreira, pelo apoio, disponibilidade, dedicação, colaboração e conhecimentos transmitidos durante a elaboração deste trabalho. Aos mestres que estiveram presentes no meu caminho enquanto acadêmica, despertando em mim a paixão pela minha profissão. Aos amigos que sempre ouviam as queixas e de uma maneira ou outra me incentivaram, além das alegrias, tristezas е dores compartilhadas. Aos meus colegas, pela companheirismo e amizade ao longo desses anos. Enfim, a realização desta monografia marca a realização de uma importante etapa da minha vida. Agradeço a todos que de alguma forma fizeram parte desse caminho e contribuíram para que eu chegasse até aqui e a todos aqueles que de alguma forma estiveram е estão próximos de mim, fazendo esta caminhada valer cada vez mais а pena. Obrigada!
EPÍGRAFE
“Que todos os nossos esforços estejam sempre focados no desafio à impossibilidade. Todas as grandes conquistas humanas vieram daquilo que parecia impossível.”
RESUMO
Objetivo: Investigar a introdução da alimentação complementar e o estado nutricional em lactentes entre 0 a 30 meses de vida, residentes no município de Humaitá - RS. Metodologia: o estudo envolveu 24 crianças, que eram atendidas na Unidade Básica de Saúde do Município ou estudavam na Escola de Educação Infantil Nossa Senhora Aparecida, com idade média de 15,6 ± 8,2 meses. Foi realizada avaliação antropométrica (peso, comprimento e perímetro cefálico) afim de investigar o estado nutricional e a adequação do crescimento dos envolvidos na pesquisa. Para avaliação dietética foi aplicado um questionário elaborado pela pesquisadora com base nos Marcadores de Consumo Alimentar na Atenção Básica do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN). Resultados: A maioria das crianças apresentou peso e estatura adequados para a idade e sexo. O aleitamento materno esteve presente na maioria dos avaliados, porém, complementado, não exclusivo. Foi observado que 69,2 % das crianças consumiam leite materno e leite de vaca e 75% somente leite de vaca. Conclusão: Foram observadas inadequações quanto a introdução alimentar, pois, foi realizada precocemente. A maioria das crianças apresentou estado nutricional adequado. Torna-se de fundamental importância o acompanhamento nutricional dessas crianças, para que continuem com um bom desenvolvimento para a garantia de uma vida saudável.
ABSTRACT
Objective: To investigate an introduction of complementary feeding and nutritional
status in infants between 0 and 30 months of age living in the municipality of Humaitá - RS. Methodology: the study involved 24 children, who are attended at the Basic Health Unit of the Municipality or Student at the School of Infant Education Nossa Senhora Aparecida, averaging a mean of 15.6 ± 8.2 months. An anthropometric evaluation (weight, period and cephalic perimeter) was carried out in order to investigate the nutritional status and adequacy of the research participants' growth. For dietary assessment it was applied in a questionnaire elaborated by the researcher based on the Food Consumption Markers in the Basic Attention of the Food and Nutrition Surveillance System (SISVAN). Results: The majority of the children presented weight and height adequate for age and sex. Breastfeeding was present in most cases, but, complemented, it is not exclusive. It was observed that 69.2% of the children consume breast milk and cow's milk and 75% only cow's milk. Conclusion: Inadequate dietary intake was observed because it was performed early. Most children presented adequate nutritional status. It is of fundamental importance the nutritional monitoring for children, so that they continue with a good development for the guarantee of a healthy life.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ... 10 2. REVISÃO DE LITERATURA ... 11 2.1 Aleitamento Materno ... 11 2.2 Alimentação Complementar ... 14 2.3 Crescimento Infantil ... 15 3. METODOLOGIA ... 16 3.1 Caracterização Da Pesquisa ... 16 3.2 Amostra ... 17 3.3 Critérios de Inclusão ... 17 3.4 Critérios de Exclusão ... 17 3.5 Local de estudo ... 173.6 Procedimentos para coleta de dados ... 17
3.7 Avaliação do crescimento ... 18
3.8 Avaliação do Aleitamento materno e Alimentação Complementar ... 19
3.9 Aspectos Éticos ... 20
4. ANÁLISE DOS DADOS ... 21
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 21
5.1 Dados ao nascer ... 21
5.3 Dados sobre a alimentação ... 27
5.4 Introdução alimentar ... 28 5.5 Frequência alimentar ... 29 6 CONCLUSÕES ... 32 7 REFERÊNCIAS BILBIOGRÁFICAS ... 34 APÊNDICE A ... 43 APÊNDICE B ... 45 APÊNDICE C ... 46 ANEXO A...48 ANEXO B...49
1. INTRODUÇÃO
A alimentação da criança desde o nascimento e nos primeiros anos de vida tem repercussões ao longo de toda a vida do indivíduo (MONTE, 2004). O aleitamento materno é a forma ideal de alimentar crianças pequenas, pois além de protegê-las contra doenças infecciosas e ser uma importante fonte de nutrientes, promove vínculo afetivo entre mãe e filho e melhor desenvolvimento físico, cognitivo, social e psicomotor da criança. A recomendação atual da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde (MS) é para que o aleitamento materno seja exclusivo até os seis meses de vida e complementado até os dois anos ou mais (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2015).
Por volta dos seis meses de vida a criança já tem desenvolvidos os reflexos necessários para a deglutição, como o reflexo lingual, manifesta excitação à visão do alimento, sustenta a cabeça, facilitando a alimentação oferecida por colher e tem-se o início da erupção dos primeiros dentes, o que facilita na mastigação, o que lhe confere a habilidade de receber outros alimentos complementares ao leite materno. Além disso, a criança desenvolve ainda mais o paladar e, consequentemente, começa a estabelecer preferências alimentares, processo que a acompanha até a vida adulta (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009).
Por alimento complementar entende-se qualquer alimento ou líquido dado durante o período de alimentação complementar e que não seja leite materno (LM). É introduzido quando o bebê já não obtém a energia e os nutrientes necessários para sua sobrevivência apenas do leite materno, fornecendo energia, proteína, vitaminas e sais minerais (MONTE, 2004).
O efeito protetor do leite materno pode diminuir quando a criança recebe qualquer outro alimento devido à redução da oferta de fatores de proteção, maior risco de contaminação e interferência na absorção de nutrientes do leite materno. Além disso, pode prejudicar a sucção do bebê, quando a oferta destes alimentos é associada ao uso de mamadeira, afinal uma menor sucção da mama pode levar a um menor estímulo de produção do leite (MORELLATO, 2009).
Do ponto de vista teórico, é importante o conhecimento sobre alimentação complementar, como deve ser a introdução de alimentos a partir dos seis meses de vida, e qual a relação da introdução alimentar precoce com o estado nutricional dessas crianças, para poder entender o quão importante é a fase em que a criança começa a conhecer os
alimentos e porque não há necessidade de introduzir alimentos para o bebê antes dos seis meses de vida.
A introdução precoce dos alimentos complementares frequentemente aumenta a vulnerabilidade da criança a diarreias, infecções e desnutrição. A consequência imediata da nutrição inadequada nesse período é o aumento da morbimortalidade e atraso no desenvolvimento mental e motor. Essa é uma etapa crítica, a qual pode acarretar déficit nutricional e outras enfermidades, representando um processo com complexos fatores biológicos, culturais, sociais e econômicos, que podem interferir no estado nutricional da criança (GERMOGLIO, 2014).
Grande parte dos lactentes (crianças em aleitamento materno) brasileiros ainda se encontram sujeitos a práticas inadequadas de aleitamento materno e à baixa qualidade da alimentação complementar (AC). Assim, torna-se evidente a necessidade de incentivar o aleitamento materno e as práticas da alimentação complementar apropriadas, de forma que haja a introdução adequada de alimentos para complementar o leite materno (GERMOGLIO, 2014).
Tendo em vista a importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e da introdução dos alimentos complementares na idade correta para o crescimento e desenvolvimento adequado da criança justificou-se esta pesquisa. Entretanto a literatura nos mostra que a prevalência de aleitamento materno vem diminuindo uma vez que alimentos complementares estão sendo oferecidos cada vez mais cedo para as crianças, fato que poderá implicar no desenvolvimento infantil. O estudo teve como objetivo avaliar a introdução alimentar, a frequência, os principais alimentos da introdução precoce da alimentação complementar em lactentes entre 0 a 30 meses de vida, residentes no município de Humaitá/RS. Assim como, avaliar o desenvolvimento dos lactentes conforme fatores avaliados através das curvas de crescimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e se houve interferência na saúde desses lactentes ou não.
2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Aleitamento Materno
A amamentação, ou aleitamento materno, é o período de tempo durante o qual o recém-nascido se alimenta total ou parcialmente do leite materno. Em geral, a criança o suga diretamente do seio materno, mas em condições especiais ela pode recebê-lo de uma mamadeira, um copinho ou de uma colher (ABCMED, 2014). Amamentar vai muito
além de simplesmente nutrir a criança. É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com efeitos no estado nutricional da criança, na proteção contra infecções, em sua fisiologia, no seu desenvolvimento cognitivo e emocional, além de apresentar implicações na saúde física e psíquica da mãe (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009). Além disso o aleitamento materno proporciona, afeto, proteção e nutrição para a criança e constitui a mais sensível e eficaz intervenção para redução da morbimortalidade infantil. Permite ainda um grandioso impacto na promoção da saúde integral entre a mãe e o bebê (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009).
O aleitamento materno (AM) configura-se como elemento essencial para garantir o crescimento e o desenvolvimento psicológico e motor adequados, atender as necessidades nutricionais da criança, propiciar fatores de promoção e proteção para a saúde materno-infantil, reduzir a morbimortalidade na primeira infância, aumentar o vínculo afetivo e reduzir gastos. Quando a amamentação é realizada na primeira hora após o parto, pode diminuir consideravelmente os riscos de mortes neonatais, o que representa um indicador de excelência dessa prática (SCHINCAGLIA, 2015). Ainda sobre as vantagens e os benefícios do AM são diversos, representando a estratégia que mais previne mortes infantis, estimando que a amamentação tem o potencial de reduzir 13% das mortes em crianças menores de 5 anos e 19 a 22% as mortes neonatais (quando praticada na primeira hora de vida). Além disso, tem a capacidade de promover a saúde física, mental e psíquica da criança (VENANCIO et al., 2010).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece os benefícios e as vantagens do aleitamento materno e, por assim ser, recomenda amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida da criança e continuado, após a introdução de alimentos complementares apropriados, até os dois anos ou mais. A partir dos seis meses de idade o leite materno como única fonte de alimento pode não ser suficiente para preencher as necessidades nutricionais da criança, sobretudo de energia, proteína, ferro, zinco e algumas vitaminas lipossolúveis, iniciando a partir daí a introdução dos alimentos complementares (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2015).
A amamentação deve ser iniciada tão logo quanto possível após o parto. A OMS e o Ministério da Saúde recomendam colocar os bebês em contato pele a pele com suas mães logo após o parto, por no mínimo uma hora, e encorajar as mães a reconhecerem
quando seus bebês estão prontos para serem amamentados, oferecendo ajuda, se necessário (GIUGLIANI, 2000), além de incentivar o aleitamento materno sem restrições, pois a livre demanda diminui a perda de peso inicial do recém-nascido, favorece a recuperação mais rápida do peso de nascimento, promove uma “descida do leite” mais rápida, aumenta a duração do aleitamento materno, estabiliza os níveis de glicose do recém-nascido, diminui a incidência de hiperbilirrubinemia e previne ingurgitamento mamário (GIUGLIANI, 2000).
Segundo a OMS, as práticas de amamentação são definidas em, amamentação exclusiva, na qual a criança recebe somente leite materno; amamentação predominante que inclui criança que recebe leite materno e outros líquidos não lácteos (água, chás, sucos de frutas, dentre outros); amamentação completa que inclui crianças em aleitamento exclusivo e predominante; e amamentação, na qual as crianças recebem leite materno e outros alimentos (sólidos ou líquidos) e fórmulas lácteas (DEVINCENZI et al., 2004).
Além de ser benefício para o bebê, o aleitamento materno também contribui para a saúde da mulher, protegendo contra o câncer de mama e de ovário e ampliando o espaçamento entre os partos. A eficácia da lactação como anticoncepcional é de 98% nos primeiros 6 meses após o parto, desde que a amamentação seja exclusiva ou predominante e que a mãe se mantenha sem menstruar. Outra vantagem para a saúde da mulher que amamenta é a involução uterina mais rápida, com consequente diminuição do sangramento pós-parto e de anemia (GIUGLIANI, 2000).
Estudo transversal realizado por Moreira et al. (2012) no Nordeste, com 963 crianças com média de idade de 27,7 meses, avaliou variáveis da criança e da mãe, evidenciando uma prevalência de excesso de peso em menores de 5 anos de 28,5%, estando diretamente associada à obesidade central na mãe e duração do aleitamento materno não exclusivo por um período inferior a 6 meses. Dessa forma, sugere-se que o aleitamento materno pode proteger a criança contra o excesso de peso (MOREIRA et al., 2012).
São várias as evidências epidemiológicas que embasam a recomendação de amamentação exclusiva por aproximadamente 6 meses e a manutenção do aleitamento materno complementado até os 2 anos ou mais. Porém, ainda é pouco o número de mulheres que cumprem com essa recomendação (MANGABEIRA, 2014).
Há alguns fatores que influenciam as mães a aderir a amamentação como, a importância do aleitamento materno para a saúde da criança e da mãe, algumas práticas e crenças culturais, a promoção inadequada de substitutos do leite materno, a falta de
confiança da mãe quanto a sua capacidade de amamentar o seu filho e práticas inadequadas de serviços e profissionais de saúde. Portanto, cabe a nós, profissionais de saúde, desempenharmos um papel de extrema relevância na assistência à mulher-mãe-nutriz. Instrumentalizando-nos com conhecimentos atualizados e habilidades, tanto no manejo clínico da lactação como na técnica de aconselhamento. Pois assim, estaremos cumprindo com o nosso papel de profissional de saúde e de cidadão, ao colaborar com a garantia do direito de toda a criança de ser amamentada (GIUGLIANI, 2000).
2.2 Alimentação Complementar
De acordo com Silva et al (2010), a OMS descreve a alimentação complementar como o período em que outros alimentos e líquidos são providos às crianças juntamente com o leite materno e que qualquer alimento ou líquido, que não o leite humano, dado às crianças durante o período de alimentação complementar é definido como alimento complementar (SILVA, 2010).
A alimentação complementar é um elemento essencial de cuidado do lactente, pois, associada à presença ou ausência de doenças, é determinante direto da sobrevivência da criança, de seu crescimento e desenvolvimento. A alimentação complementar tem como objetivo fornecer energia, proteína, vitaminas e sais minerais quando a produção de leite materno já não atende mais as necessidades nutricionais do lactente. De início, o leite materno é complementado, até ser completamente substituído por alimentos da dieta familiar (ACCIOLY, 2003).
O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde consideram alimentação complementar apropriada a introdução de alimentos, sólidos ou semissólidos, de densidade energética mínima de 70 kcal/100mL entre os seis e sete meses (SILVA et al., 2010). A alimentação complementar é iniciada aos 6 meses, idade em que a maioria das crianças atinge um estágio de desenvolvimento geral e neurológico (mastigação, deglutição, digestão e excreção) que habilita a receber outros alimentos que não o leite materno, aos seis meses considera-se que o leite materno exclusivo já não supre todas as suas necessidades nutricionais (PAHO/WHO, 2003).
Oferecer à criança alimentos que não o leite materno antes dos quatro meses é em geral desnecessário, e pode deixar a criança mais vulnerável a diarreias, infecções e desnutrição, que podem levar ao comprometimento do crescimento e do desenvolvimento. Em compensação, a inicialização tardia da introdução de alimentos
(após o sexto mês de vida) também pode trazer consequências indesejadas, tais como deficiência de crescimento (DIAS, 2010).
A introdução tardia dos alimentos complementares também é desfavorável, pois pode ocorrer um retardo no crescimento da criança, além de aumentar o risco das deficiências nutricionais. No entanto, em casos individuais, a alimentação complementar antes dos seis meses pode ser recomendada, em especial quando as crianças não apresentam o crescimento satisfatório com amamentação exclusiva (SILVA et al., 2010). Em países em desenvolvimento, como o Brasil, a introdução errônea da dieta complementar pode influenciar diretamente na saúde infantil, devido a fatores como a falta de acesso a alimentos complementares adequados, contaminação microbiana e substituição do leite materno por alimentos menos nutritivos. Porém a introdução da alimentação complementar no momento correto possibilita a transição da amamentação à comida da família (SILVA et al., 2010).
A alimentação complementar é considerada, sem dúvida, o principal fator relacionado ao processo de crescimento e desenvolvimento infantil. A privação ou o excesso de alimentos pode levar a uma série de distúrbios de maior ou menor gravidade, devendo haver um equilíbrio entre a demanda e a ingestão de nutrientes para a adequada nutrição (WEFFORT; LOPES, 2009). Deve-se lembrar que no início, a introdução de alimentos sólidos é lenta, e que quanto mais imatura é a criança mais demorada é a aceitação de alimentos diferentes do leite.
A formação dos hábitos alimentares sofre a influência de fatores fisiológicos e ambientais. Inicia-se desde a gestação e amamentação, e sofre modificações de acordo com os fatores a que as crianças serão expostas durante a infância, por isso a alimentação deve ser a mais variada possível para que o organismo receba todos os tipos de nutrientes necessários (REVISTA APS, 2007).
2.3 Crescimento Infantil
Crescimento é o aumento na estrutura do corpo, tendo em vista a multiplicação e o aumento do tamanho das células, cessando com o alcance da altura individual máxima (crescimento linear). Pensando de um modo mais amplo, ele é um processo dinâmico e contínuo que tem início na concepção e vai até o final da vida, considerando-se os fenômenos de substituição e regeneração de tecidos e órgãos. Constitui um dos melhores indicadores de saúde e reflete as condições de vida de uma criança no passado e no presente (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2012).
Medir o crescimento e avaliar o desenvolvimento infantil é uma forma de conhecer e vigiar seu estado de saúde geral. O crescimento é um processo de aquisição de funções cada vez mais complexas, e é produto de interação entre a maturidade e a aprendizagem, entre o potencial individual e o meio social (MURGUERO, 2009).
A avaliação do estado nutricional do crescimento e desenvolvimento da criança fundamenta-se, principalmente, em parâmetros antropométricos, sendo que os mais utilizados são o massa corporal, a estatura e o perímetro cefálico.
Em termos de antropometria, o peso corporal é a variável antropométrica mais conhecida, expressa a dimensão da massa ou volume corporal, constituído tanto pelo tecido adiposo como pela massa magra. Este se modifica de forma rápida e intensa em curto tempo, expressando as alterações no estado nutricional, permitindo o diagnóstico de desnutrição, ou ainda a recuperação do estado nutricional (ACCIOLY et al., 2003).
A estatura é quem indica o tamanho corporal e do crescimento linear da criança. As modificações na estatura ocorrem em períodos de tempos longos, de forma que os déficits refletem agravos nutricionais a longo prazo, podendo significar o comprometimento do tecido proteico, considerando de grande importância no diagnóstico da desnutrição na infância (ACCIOLY et al., 2003)
O perímetro cefálico é utilizado para avaliar o desenvolvimento do sistema nervoso central, diagnosticando estados patológicos de microcefalia, macrocefalia ou hidrocefalia (VITOLO, 2008).
O crescimento infantil é um processo dinâmico que se realiza ao longo do tempo e que deve ser observado e quantificado mediante múltiplas avaliações, seguindo orientação conforme a fase de crescimento, idade e gênero, por meio das técnicas padronizadas (ABREU et al., 2007; WEFFORT; LOPES, 2009).
3. METODOLOGIA
3.1 Caracterização Da Pesquisa
O presente estudo caracteriza-se por ser do tipo descritivo exploratório de corte transversal com abordagem quantitativa.
A pesquisa descritiva procura descobrir, com a maior precisão possível a frequência com que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros, sua natureza e características, de maneira que os dados estudados são observados, registrados e analisados sem serem manipulados (OLIVEIRA, 2004).
3.2 Amostra
A população alvo deste estudo foi composta de lactentes, de ambos os sexos, com idade entre 0 e 30 meses de vida residentes no município de Humaitá/RS. A seleção dos lactentes para pesquisa considerou o aceite dos pais ou responsáveis dos mesmos para participar da pesquisa. Foi encaminhado um oficio (Apêndice A) para a Secretaria de Saúde do município, bem como para a Escola de Educação Infantil do município.
A amostra de conveniência foi composta por 24 lactentes entre 0 e 30 meses de vida, livres de patologias, residentes no Município de Humaitá/RS.
Entre os lactentes 46 preencheram os critérios de inclusão do estudo, destes 22 não puderam participar da pesquisa porque não estavam presentes no dia da coleta de dados. Desta forma foram incluídos no estudo 24 lactentes entre 0 e 30 meses de vida. Não foram incluídos lactentes com idade superior a 30 meses pois não se enquadravam no questionário dos marcadores de consumo alimentar.
3.3 Critérios de Inclusão
Os critérios de inclusão para ingresso no estudo: Idade entre 0 e 30 meses de vida;
Ser residente e usuário dos serviços de saúde do município de Humaitá – RS.
3.4 Critérios de Exclusão
Os critérios de exclusão no estudo serão: Idade superior a 30 semanas de vida.
3.5 Local de estudo
No município de Humaitá/RS encontra-se uma Unidade Básica de Saúde e uma Escola de Educação Infantil, sendo ela: Escola Municipal de Educação Infantil Nossa Senhora Aparecida.
3.6 Procedimentos para coleta de dados
Após a aprovação do Projeto de Pesquisa no Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) (Apêndice B) da instituição, sob o número do parecer 2.295.707, foi dado início a seleção da amostra da pesquisa, através da Unidade Básica de Saúde e Escola de Educação Infantil do Município.
Primeiramente foi apresentado aos pais e/ou responsáveis os objetivos e os critérios de inclusão da pesquisa e o TCLE (Apêndice C). Após a concordância dos seus responsáveis e assinatura do TCLE, iniciou-se à coleta de dados.
A coleta de dados foi realizada na Unidade Básica de Saúde e na Escola de Educação Infantil. As crianças foram avaliadas individualmente somente na presença da avaliadora (a própria pesquisadora) e dos pais, evitando qualquer constrangimento. Os procedimentos realizados não representaram nenhum risco aos avaliados e compreenderam avaliações rotineiras dos serviços de saúde, realizadas durante o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança. Os investigados não sofreram nenhuma dor e a presença dos pais evitou que houvesse desconforto ou qualquer estranhamento. O questionário foi feito pela pesquisadora aos responsáveis na Unidade Básica de Saúde e na Escola de Educação Infantil foi enviado aos responsáveis no caderno das crianças para ser respondido em casa, devido ao fato de que a pesquisadora não conseguiu encontrar-se pessoalmente com os pais, porém o questionário foi enviado aos pais com um passo a passo de como proceder para responder o questionário.
Dentre os benefícios destaca-se que a avaliação do crescimento é etapa fundamental no acompanhamento da saúde da criança, a fim de verificar se o crescimento está se afastando do padrão esperado devido a alguma doença, morbidade e/ou condições sociais desfavoráveis.
3.7 Avaliação do crescimento
A avaliação do crescimento foi realizada através das medidas antropométricas de peso corporal, do comprimento e do perímetro cefálico que foram registradas em Formulário de Identificação e Dados do Crescimento (ANEXO A).
As avaliações antropométricas seguiram as orientações do manual: Avaliação Nutricional da Criança e do Adolescente (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2009). Para aferição da massa corporal, as crianças completamente despidas foram colocadas sobre a superfície da balança pediátrica digital (sendo que nenhuma criança atingiu o peso máximo) da marca Ramuza®, modelo BP nº 620/95, com capacidade máxima de 15 kg e mínima de 125g, expressa em gramas, devidamente tarada, sem contato algum com os membros superiores e inferiores.
A medida do comprimento foi realizada com o antropômetro da marca Seca®, graduado em centímetros. As crianças foram posicionadas em decúbito dorsal (assim como para o peso, nenhuma criança teve comprimento maior que o do antropomêtro),
sendo a cabeça apoiada firmemente contra a parte fixa do antropômetro e a parte móvel do equipamento direcionada para a planta dos pés.
A medida do perímetro cefálico foi realizada com a fita métrica inextensível, marca Sanny®, posicionada na porção posterior mais proeminente do crânio, o occipício, e na parte frontal da cabeça (glabela).
O estado nutricional foi avaliado de acordo com os valores de escore-z dos indicadores antropométricos peso/idade (P/I), peso/estatura (P/E) e estatura/idade (E/I), por meio do programa WHO Anthro da Organização Mundial da Saúde (www.who.int/childgrowth/standards/en/).
Os indicadores foram confrontados com os valores de escore-z adequados para o sexo e idade referidos nas curvas de crescimento da Organização Mundial da Saúde para crianças de 0 a 5 anos de idade (WHO Multicentre Growth Reference Study Group, 2006).
Para realizar as avaliações, foram utilizados equipamentos disponíveis na Unidade Básica de Saúde e na Secretaria Municipal de Educação do Município, após aceite do pedido de liberação dos mesmos.
3.8 Avaliação do Aleitamento materno e Alimentação Complementar
A avaliação dietética do aleitamento materno e da introdução dos alimentos complementares foi realizada por meio de um questionário elaborado pela pesquisadora com base nos Marcadores de Consumo Alimentar na Atenção Básica do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) (ANEXO B), que abordou perguntas sobre os hábitos que a mãe tem quanto à alimentação das crianças, que foi aplicado as mães dessas crianças. Os resultados serão demonstrados na forma de gráficos quantitativos.
O aleitamento materno será classificado de acordo com os parâmetros da OMS que propõe a seguinte nomenclatura (Manual de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, 2012):
• Aleitamento materno exclusivo: quando a criança recebe somente leite materno, diretamente da mama, ou leite humano ordenhado, e nenhum outro líquido ou sólido, com possível exceção de medicamentos, ou seja, toda a energia e todos os nutrientes são fornecidos pelo leite humano.
• Aleitamento materno predominante: quando o lactente recebe, além do leite materno, água ou bebidas à base de água, como sucos de frutas ou chás, mas não recebe outro leite.
• Aleitamento materno: quando a criança recebe leite materno, diretamente do seio ou dele extraído, independentemente de estar recebendo qualquer alimento, inclusive leite não humano.
• Não recebe leite materno: a criança já mantém uma alimentação com alimentos sólidos e semissólidos, sem o aleitamento materno. Recebe algum complemento lácteo.
3.9 Aspectos Éticos
De acordo com a Resolução 466/2012, os participantes desta pesquisa não sofreram qualquer tipo de risco em decorrência do envolvimento.
Os responsáveis legais, foram informados sobre os possíveis riscos da aplicação do questionário alimentar, como constrangimento pela não compreensão das questões e da escrita. Para evitá-los a pesquisadora fez a leitura oral das alternativas e auxiliou na realização das questões, por meio de atendimento individualizado. E manteve-se neutra para não influenciar nas respostas, para os questionários enviados para os pais através dos cadernos das crianças, junto foi enviado um passo a passo de como proceder para responder os mesmos.
As medidas de massa corporal, perímetro cefálico e comprimento foram realizadas pela pesquisadora previamente treinada e na presença da nutricionista do município, para evitar qualquer estranhamento sempre na presença dos responsáveis. Para avaliação foi necessário retirar a roupa e fralda da criança, buscando maior veracidade dos dados.
Os benefícios da pesquisa foram: verificação e avaliação do estado nutricional das crianças investigadas; descrição do hábito alimentar de lactentes. Os resultados foram de grande importância para a caracterização da condição de saúde relacionada à nutrição em crianças. A avaliação do estado nutricional é etapa fundamental no acompanhamento da saúde da criança, a fim de verificar se o crescimento está se afastando do padrão esperado devido a alguma doença, morbidade e/ou condições sociais desfavoráveis. Crianças de zero a cinco anos possuem maior risco de desnutrição e doenças relacionadas à má nutrição.
A avaliação nutricional teve como finalidade a triagem da população para cuidado individual de saúde, a identificação de mudanças tendenciosas no estado nutricional, distúrbios nutricionais, doenças carênciais e promoção de intervenções de recuperação e manutenção da saúde.
Os responsáveis foram informados quanto à relevância da participação deles neste estudo para outras pesquisas futuramente realizadas com o mesmo intuito e tema.
Os indivíduos participantes da pesquisa foram acompanhados e devidamente assessorados pela professora orientadora e a respectiva orientanda deste estudo, em todo e qualquer procedimento.
Os responsáveis foram comunicados quanto à plena liberdade de envolvimento na pesquisa, de recusar-se a participar ou retirar seu consentimento, em qualquer fase da pesquisa, sem penalização alguma. Cada responsável recebeu uma via do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido que foi assinado e devolvido no momento da realização da coleta de dados. Todos os documentos preenchidos pelos pais e alunos foram mantidos em sigilo e privacidade durante todas as fases da pesquisa.
A orientadora da pesquisa ficará responsável pela guarda dos dados da pesquisa em arquivo, físico ou digital, por um período de 5 anos, e após esse tempo será incinerado. A divulgação dos resultados, bem como o retorno aos participantes e instituições que autorizaram os procedimentos, serão efetuados em encontro previamente agendado com a nutricionista do município, a realizar-se na Escola de Educação Infantil, com os responsáveis e durante as consultas de puericultura na Unidade de Saúde do Município, assim que a pesquisa for finalizada e apresentada.
4. ANÁLISE DOS DADOS
Os resultados obtidos foram digitados em banco de dados do programa Excel e foi realizada análise descritiva das variáveis. Os resultados estão apresentados em valores de porcentagem, média e desvio-padrão.
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados serão apresentados em seções para melhor discutir os achados do estudo.
5.1 Dados ao nascer
Participaram do estudo 24 lactentes entre 0 e 30 meses de vida, com média de idade de 15,6 meses. Do total da amostra, 66,66% (n = 16) eram meninos e 33,33% (n = 8) meninas. O peso médio ao nascer foi de 3,000 kg ± 1,0, sendo que apenas uma criança apresentou peso do nascimento inferior a 2,500 Kg classificando-a como baixo peso. O tipo de parto prevalente foi a cesárea (66,66%) e o número médio de consultas no
pré-natal foi de 9,2 ± 3,3 atendimentos. A média do índice de Apgar no 1º minuto de vida foi de 8,2 ± 0,9 e ao 5º minuto foi de 9,1 ± 0,5. Os dados referentes ao nascimento estão apresentados na Tabela 1.
Tabela 1 – Características gerais dos lactentes ao nascer
Características LACTENTES Sexo Masculino* Feminino* Total 16 (66,66) 8 (33,33) 24 (100) Peso (kg)** 3,000 ± 1,0 (2,120 – 4,190) N = 23 Comprimento (cm)** 49,02 ± 7,3 (34 – 77) N= 21 Perímetro cefálico (cm)** 35,3 ± 3,5 (30 – 47) N= 19 Apgar 1º minuto** 8,2 ± 0,9 (5 – 10) N= 19 Apgar 5º minuto** 9,1 ± 0,5 (8 – 10) N= 19 Consultas pré-natal (nº)** 9,2 ± 3,3 (5 – 20) N= 21 Tipo de Parto* Normal Cesárea Total 7 (33,3) 14 (66,6) 21 (100) *valores expressos em número e percentual;
**valores expressos em média e desvio-padrão
O peso ao nascer é um parâmetro que é usado para avaliar as condições de saúde do recém-nascido e reflete diretamente as condições nutricionais do recém-nascido (TOURINHO, 2013), sendo que interfere no crescimento e o desenvolvimento da criança a curto e longo prazo. Dentre os fatores de risco relacionados a morbimortalidade infantil destaca-se o baixo peso ao nascer, pois este é um parâmetro utilizado para investigar condições de sobrevivência e de qualidade de vida da criança (MOTTA, 2005). No presente estudo 61,9% dos lactentes avaliados apresentaram peso adequado ao nascer.
Em estudo de Schaffazick (2011), 9,7% das crianças estudadas apresentaram baixo peso ao nascer. Um percentual semelhante foi observado no estudo de Hofelmann & Dallabona (2012) realizado com crianças a partir de 1,5 meses, a maioria matriculada em escolas públicas, onde 10,2% das crianças apresentaram baixo peso ao nascer.
Entre as principais consequências do baixo peso ao nascer estão o retardo no desenvolvimento infantil, doenças infecciosas e mortalidade infantil (BOCCOLINI, 2013). A importância da avaliação do peso ao nascer, portanto, dá-se por ser um processo complexo, resultante de uma série de fatores de origem biológica, social e ambiental e que coloca em evidência fatores relacionados às condições de vida da população (GOMES, 2013).
Em relação às demais variáveis antropométricas, o perímetro cefálico dos lactentes se manteve dentro das medidas ideais do nascimento. Sabe-se que existe uma forte correlação entre o crescimento do perímetro cefálico (PC) e o desenvolvimento cerebral, torna-se de grande importância o acompanhamento do crescimento do PC em intervalos regulares, possibilitando a percepção de verificar se o desenvolvimento cerebral está ou não adequado esta medida é a última a ser comprometida nos casos de desnutrição (JALDIN et al., 2011).
Uma característica básica que pode-se diferenciar a criança do adulto é o crescimento físico linear que é representado pelo aumento corporal em altura. No presente estudo foi encontrada uma média de comprimento de 49,02 ± 7,3 centímetros entre os avaliados, considerada uma média adequada para idade. O crescimento adequado é considerado um dos melhores indicadores de saúde da criança (BRASIL, 2002).
No estudo de Sousa et al., (2015) que avaliou crianças entre 0 a 24 meses, foi constatado que em uma criança o comprimento estava elevado para a idade e duas crianças estavam com limites inferiores, sugerindo que sejam tomados os devidos cuidados em saúde.
Também foram coletados dados de informação do Índice de Apgar ao nascer no 1º minuto e no 5º minuto. Este índice ou escala consiste na avaliação de cinco sinais no recém-nascido, verificando sinais como frequência cardíaca, respiração, tônus muscular, irritabilidade reflexa e cor da pele entre o primeiro e o quinto minuto após o nascimento. A classificação do índice de Apgar permite avaliar a necessidade de estimular a respiração e oxigenação no recém-nascido, sendo que quanto mais próximo do valor 10 melhor a condição de nascimento da criança. Valores abaixo de 8 podem indicar a existência de asfixia leve (SANTOS & PASQUINI, 2009).
Foram encontrados nesse estudo, no primeiro minuto 89,4% (n=17) apresentaram Apgar entre 8 e 9, destes seis eram nascidos de parto normal e 11 de cesariana, e 31,5% (n=6) apresentaram valores entre 9 e 10, três nascidos de parto normal e três de cesariana, sendo estes valores esperados para que esteja tudo bem com o bebê. Aos cinco minutos 89,4% das crianças avaliadas apresentaram valores de Apgar entre 9 e 10 e 10,5% apresentaram valores de Apgar entre 8 e 9.
No estudo de Loth et al., (2001) foi constatado que não houve diferença significante entre os valores de Apgar do 1º e do 5º minuto entre as crianças nascidas de parto normal ou cesáreo, mas, notou-se que os maiores índices de Apgar no 1º minuto deu-se nas crianças nascidas de parto normal, e que no 5º minuto observou-se o maior índice nas crianças que nasceram de cesariana.
Apesar da comprovada importância do parto normal, na amostra investigada a prevalência de cesáreas foi maior (66,6% vs 33,3%). Em estudo, realizado em Cuiabá (MT), com 921 crianças o tipo de parto prevalente foi a cesárea, representando um percentual de 57,8% (n = 529) da amostra (BRUNKEN et al., 2006). Outro estudo envolvendo a avaliação nutricional de 1814 crianças de 0 a 24 meses de idade, mostrou um percentual de parto normal superior ao parto cesáreo (51,4% vs 48,3%) (SALDAN et
al., 2015).
Dá-se o nome de parto normal ou vaginal o método natural de nascer. Este método traz vários benefícios à saúde tanto da mãe, quanto do bebê. Há um total envolvimento e participação da mulher ou do casal no processo da acolhida de seu bebê, com repercussões imediatas altamente positivas no vínculo afetivo entre eles. Estudos mostram que a prevalência de parto normal varia conforme a escolaridade das mães, quanto maior a escolaridade, menor é a preferência pelo parto normal, com isso pode-se perceber também que as desigualdades sociais, faixa etária materna e nível de escolaridade interferem na escolha do tipo de parto. A recuperação após o parto normal é mais rápida e fisiológica que o parto cesáreo. As complicações próprias do parto normal são menos graves quando comparadas com aquelas advindas do parto cirúrgico. A amamentação do recém-nascido se torna mais fácil e mais saudável, a infecção hospitalar é muito menos frequente no parto normal, considerando que a alta hospitalar é em poucas horas (VELHO et al., 2012).
5.2 Dados antropométricos no momento da coleta
Na tabela 2 estão ilustradas as características antropométricas da amostra e os valores de escores-z dos indicadores antropométricos considerados no diagnóstico
nutricional dos lactentes estudados (WHO, 2006). A média de idade entre os lactentes no momento da coleta foi de 15,6 ± 8,2 meses. Quanto aos valores de escore-z dos indicadores antropométricos, P/I e E/I os resultados sugeriram que os lactentes apresentaram crescimento dentro da faixa de normalidade. Com estes dados é possível mostrar que a maior parte dos lactentes apresentaram crescimento linear e ganho de peso satisfatório para a idade e sexo. Em crianças as medidas, estatura, peso e perímetro cefálico, são as mais comuns, facilmente obtidas e utilizadas como indicadores da saúde (LEE, 2003).
Tabela 2 – Características antropométricas e estado nutricional dos lactentes no momento da avaliação
Antropometria e Estado nutricional Média/DP
Idade Peso IMC/I Comprimento (cm) Perímetro cefálico (cm) IMC/I Eutrofia* Risco de sobrepeso* P/I
Peso adequado para idade E/I Estatura adequada* 15,6 ± 8,2 9,8 ± 2,2 16,3 ± 1,5 76,1 ± 9,9 44,5 ± 3,5 17(89,5) 2(11,5) 19(100%) 19(100%) *valores expressos em número e percentual
Através do IMC/I, observou-se neste estudo que 89% dos lactentes apresentaram eutrofia. Entretanto o risco de sobrepeso (11%) ainda que seja um índice baixo e que não houveram crianças com sobrepeso e obesidade, é preocupante.
Segundo Conde & Monteiro (2006) é de grande importância o emprego das curvas baseadas no IMC/idade, pois elas dão a possibilidade de classificar o estado nutricional de crianças e adolescentes permitindo soluções práticas e ainda causam um movimento sobre a utilização destas curvas para avaliar grupos em fase de crescimento.
Segundo Dallabona et al., (2010) a intervenção precoce da obesidade na infância depende da colaboração e do reconhecimento da situação nutricional atual das crianças por parte dos pais e/ou responsáveis. No estudo de Schaffazick (2011) realizado com 62 crianças entre sete meses e nove anos, pode-se observar que, em relação ao IMC para idade, 19,4% das crianças classificaram-se em risco de sobrepeso e 9,6% com excesso de peso.
Podemos observar que dos 24 lactentes avaliados, 100% estavam Eutróficos na avaliação antropométrica do P/I, porém, importante atenção deve ser dada aos 11,5% das crianças que encontram-se em risco de sobrepeso para IMC/I. O indicador P/I e o IMC/I são indicadores recomendados para a avaliação do excesso de peso em crianças, diferentemente do P/I. O indicador P/I por não considerar a estatura da criança, pode conduzir a uma classificação errônea de sobrepeso, quando na realidade a criança apresenta também uma elevada estatura para idade (KAC et al., 2007).
Segundo Vitolo (2008), se houver deficiência nutricional em qualquer idade, ocorre uma mudança no peso da criança de forma imediata, já a estatura não sofre alterações, pois o déficit estatural ocorre de forma lenta, o que dificulta a percepção dos pais ou responsáveis.
Mesmo que a maioria dos lactentes avaliados foram classificados como eutróficos, por meio dos indicadores antropométricos, houve um percentual de risco de sobrepeso considerável quando observamos o tamanho da amostra. Estes resultados indicam a necessidade de que haja um olhar atento a estas crianças, com o intuito de prevenção, para que não haja o agravamento destes casos, evitando o desenvolvimento de patologias associadas tanto a obesidade.
O desmame precoce com a introdução alimentar inadequada, é um dos fatores que pode levar a criança ao início da obesidade ainda no primeiro ano de vida, com maior frequência em indivíduos predispostos. Os percentuais de risco de sobrepeso observados demonstram a realidade do estado nutricional da população brasileira, a obesidade na infância e na adolescência, se não for tratada e/ou controlada, tenderá a continuar na fase adulta, levando ao aumento da morbimortalidade e respectivamente, diminuição da expectativa de vida, em decorrência das doenças relacionadas a obesidade como hipertensão arterial, diabetes, doenças cardíacas, dentre outras. Dessa forma, cabe ao profissional da saúde detectar precocemente as crianças com maior risco para o desenvolvimento de obesidade, com a tomada de medidas necessárias para que o prognóstico seja mais favorável a longo prazo (ESCRIVÃO, 2000).
5.3 Dados sobre a alimentação
Foram entregues 24 questionários de avaliação dietética e todos foram preenchidos pelos pais e/ou responsáveis. Portanto a presente pesquisa apresenta as variáveis antropométricas de 24 lactentes e os dados dietéticos de 24 avaliados.
Dos 24 lactentes, 45,8% (n = 10) permaneceram recebendo leite materno mais complemento (alimentos semissólidos) até o momento da coleta de dados. Este é um percentual que deve ser considerado, pois a média de idade dos avaliados foi 9 meses. Ainda, 13 (54,2%) lactentes estavam recebendo outro tipo de leite (leite de vaca) no momento da coleta dos dados.
Mesmo com a comprovada importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade, os índices de AME permanecem abaixo desta idade (CARRASCOZA et al. 2011).
Dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (2006) revelaram que apesar das mudanças positivas no decorrer dos últimos 10 anos (1996 – 2006), a prevalência de AME em menores de 6 meses foi de 38,60%, sendo que antes dos dois meses de vida 18% das crianças amamentadas já recebiam outros leites e 14% alimentos semissólidos. Com relação à Alimentação Complementar, observou-se que, na faixa de 6 – 11 meses, 4 em cada 10 crianças amamentadas não haviam consumido suco de fruta, e, somente 40% das crianças maiores de 6 meses não amamentadas haviam consumido frutas, legumes ou verduras diariamente. O consumo diário de carne foi baixo, sendo que a maior parte do consumo (30,40%) foi verificado na faixa dos 18 – 23 meses. (SEGALL – CORREA et.
al., 2009; VANNUCCHI; VITOLO; JORDÃO JÚNIR, 2009).
No presente estudo, 16 crianças recebem atualmente leite materno mais leite de vaca (69,2%) e 12 somente leite de vaca (75%). Estudos apontam que o leite de vaca possui em sua composição várias inconformidades nutricionais, principalmente relacionadas às quantidades de ferro de boa biodisponibilidade e de proteínas. A recomendação é de que ele seja introduzido apenas a partir dos 12 meses de vida, e havendo a impossibilidade do aleitamento materno exclusivo, as fórmulas lácteas infantis devem substituir o leite materno até essa idade (ALBUQUERQUE et al., 2010).
O estudo de Alleo et. al., (2014), que descreveu a prática alimentar em crianças no primeiro ano de vida em São Paulo, avaliou 122 crianças com idade até 365 dias. Elas foram divididas em dois grupos: um com crianças até 3 meses e outro de 4 a 12 meses. Entre o primeiro grupo, apenas 35,29% delas estavam em aleitamento materno exclusivo,
destacando a baixa proporção do AME em decorrência à introdução precoce da alimentação complementar.
Sabe-se que para famílias de baixa renda o leite de vaca não modificado, representa o único alimento lácteo acessível. Estudos têm demonstrado sua inconformidade para os lactentes menores de um ano de idade (VIEIRA et al., 2004).
A prevalência do aleitamento materno encontra-se bem abaixo dos níveis recomendados pela Organização Mundial da Saúde. De acordo com a Global Strategy for
Infant e Young Child (2003), no mundo todo apenas 35% das crianças eram alimentadas
exclusivamente pelo leite materno e somente durante os primeiros quatro meses de vida. Em Portugal, dados coerentes com essas informações são explicitados com o “Registro do 30 Aleitamento Materno” de 2013, da Direção Geral da Saúde, indicando que apenas 50% das crianças foram amamentadas exclusivamente até os três meses (MARTINS et
al., 2014).
5.4 Introdução alimentar
Em nosso estudo os doces foram introduzidos de maneira inadequada em 29% (n = 6) da amostra, bem como o Iogurte ou Leite de vaca em 40% (n = 9). Ainda 20% (n = 4) dos lactentes recebeu frutas na introdução alimentar. Entretanto todos os grupos alimentares foram introduzidos de maneira precoce na alimentação dos avaliados.
Conforme o estudo de Oliveira et al., (2011) realizado com crianças entre 0 e 13 meses nenhuma criança havia consumido papa de fruta ou salgada no primeiro mês de vida, 18% (n=40) consumiram pela primeira vez aos quarto meses. Pesquisa realizada nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, aponta que cerca de 25% das crianças consome comida salgada e frutas entre 3 e 6 meses. Nas idades entre 6 a 9 meses, 69,8% das crianças haviam consumido frutas e 70,9%, verduras e legumes. Na Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde, entre 4 e 5 meses de idade, 22% das crianças já haviam consumido comida de sal (OLIVEIRA et al., 2011).
Podemos observar em nosso estudo que antes dos seis meses 4% (n = 1) dos lactentes já estava recebendo alimentos semissólidos, como mingau e comida de sal. A introdução alimentar de baixo valor nutricional desde o início da vida, bem como o abandono precoce do aleitamento materno exclusivo, contribuem diretamente para o comprometimento do crescimento e desenvolvimento da criança, além de propiciar a diminuição da proteção imunológica e o desencadeamento de processos alérgicos e
distúrbios nutricionais. Com isto, a tendência é que as crianças desenvolvam precocemente hábitos alimentares irregulares (BORTOLINI et al., 2012).
Oliveira et al., (2005) relatam que no Brasil existem vários estudos que identificaram a introdução precoce dos alimentos complementares, mostrando que é alarmante o número de crianças que aos seis meses já possuem o hábito de consumir variedades de alimentos. No estudo de Brunken et al. (2006), é possível verificar uma alta frequência de alimentos introduzidos precocemente, principalmente água, chá e frutas. Outro estudo de Magalhães & Almeida (2011), 2,5% (n=40) receberam alimentação complementar no primeiro mês de vida. Já Monte & Giugliani (2004) afirmam que a introdução precoce de alimentos aumenta a morbimortalidade infantil por consequência da menor ingestão de leite materno e de seus fatores de proteção à criança. Pode-se perceber no geral, em diferentes regiões, que pouca importância é dada ao aleitamento materno exclusivo, sendo dada a preferência pela introdução dos alimentos.
Podemos associar a alimentação diretamente com à saúde, nutrição, crescimento e desenvolvimento infantil, e ela constitui-se nos primeiros anos de vida em período fundamental para o estabelecimento de práticas alimentares adequadas, que por sua vez, são condicionadas pelo poder aquisitivo e nível de informação familiar (TOLONI et al., 2011).
No estudo de Torres et al. (2007) realizado com 119 crianças entre 0 a 60 meses o consumo alimentar habitual apresentou-se baixo em frutas e hortaliças e alto na introdução precoce, de salgados de pacote, refrigerante e doces. Já Pires et al. (2009) ao analisar a frequência do consumo dos alimentos em pré-escolares, verificou que, independentemente da idade e do tempo em que a criança está na creche, os alimentos mais consumidos foram: açúcar e arroz.
5.5 Frequência alimentar
A frequência Alimentar será apresenta em faixa estaria, de acordo com os marcadores de consumo alimentar do SISVAN.
¹Consumo referente ao dia anterior a pesquisa
Tabela 4 – Alimentação dos lactentes de acordo com faixa etária – 6 a 23 meses¹
¹Consumo referente ao dia anterior a pesquisa
Tabela 5 – Alimentação dos lactentes de acordo com faixa etária – 2 anos ou mais 50% 50% 50% 50% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% LM MINGAU COMIDA DE SAL OUTROS ALIMENTOS/BEBIDAS 69,2 92,3 100 75 37,5 62,5 87,5 68,7 87,5 12,5 62,5 87,5 12,5 25 12,5 18,7 0 20 40 60 80 100 120
¹Consumo referente ao dia anterior a pesquisa
No presente estudo avaliou-se o consumo alimentar dos lactentes, a partir dos Marcadores de Consumo Alimentar do SISVAN (Tabela 5, 6 e 7). Segundo relato dos responsáveis, a maior prevalência de ingesta foi de frutas, 92,3% das crianças haviam consumido este grupo alimentar no dia anterior a pesquisa. Quanto aos percentuais de consumo das hortaliças, proteínas (carne/ovos), feijão e cereais, grupos indispensáveis para o adequado desenvolvimento e crescimento, foram um pouco menores, entretanto, foram consumidos pela maioria dos lactentes (87,5% n = 21). Conforme relato, o consumo de mingais, produtos industrializados e guloseimas, foi baixo (12,5% n = 3), porém sabendo que não existe a necessidade do consumo destes, considera-se que a prevalência poderia ter sido ainda menor.
Barbosa et al. (2006) verificou em pré-escolares que após seis meses de frequência na creche, houve um significativo aumento do consumo de legumes, apesar de ainda não atingir a recomendação esperada, portanto, nota-se a necessidade de um maior incentivo das mães enquanto as crianças estão em casa.
No estudo de Cagliarini et al. (2009) os grupos alimentares mais consumidos diariamente pelas crianças foram, o do arroz, o do leite, o do açúcar e salgadinhos, o do óleo e o das bebidas, o que difere deste estudo em que o maior consumo registrado foi de arroz, carne e legumes. Observou-se que o consumo de alimentos prejudiciais à saúde
66,6 50 66,6 33,3 33,3 50 66,6 0 10 20 30 40 50 60 70
como balas/chocolates e salgadinhos foi bem mais frequente, diferentemente do presente estudo que apresentou baixa prevalência na oferta destes alimentos por parte dos responsáveis.
No período entre 1988 e 1996, com relação ao perfil nutricional da população brasileira, houve redução do consumo de leguminosas, frutas, verduras e legumes em todas as áreas metropolitanas (MONTEIRO; MONDINI; COSTA, 2000).
No presente trabalho, observaram-se tendências melhores, como um consumo acentuado de frutas, hortaliças, feijão e carne e baixa ingestão de alimentos ricos em lipídios. Vale ressaltar então, que o consumo adequado desses alimentos pode prevenir o desenvolvimento da obesidade e de algumas doenças relacionadas diretamente a ela, como hipertensão e doenças cardiovasculares.
Como evidenciado durante todo este estudo existe uma ligação direta entre saúde, nutrição e bem estar físico e mental de qualquer ser humano e em qualquer faixa etária, foi verificado a partir da literatura estudada, que a infância é o período ideal para a formação de hábitos e condutas de vida, portanto, a educação alimentar deve acontecer desde cedo para que os riscos de doenças crônico-degenerativas sejam impedidos e reduzidos o quanto antes, minimizando com isto as doenças do século, como a obesidade e desnutrição, que tem causado grandes problemas à população de todas as idades e de todo mundo.
Podemos ter a educação nutricional como importante estratégia de garantia do desenvolvimento normal, e o estabelecimento de um nível adequado de saúde, uma vez que se trata de um estágio de vida vulnerável aos distúrbios nutricionais e a ocorrência de doenças (GIUGLIANI; VICTORA, 2000).
Há muitos anos atrás já disse um sábio filósofo chamado Hipócrates “Que teu alimento seja teu remédio e que teu remédio seja teu alimento.”
6 CONCLUSÕES
Os resultados finais permitem concluir que conforme a média encontrada nos dados idade, peso, comprimento, perímetro cefálico (cm), P/I (escore z), E/I (escore z) e IMC/I a maioria das crianças avaliadas apresentou um adequado crescimento e desenvolvimento, alcançando os padrões de normalidade dos indicadores antropométricos, para crianças nascidas a termo de 0 a 30 meses de vida. Entretanto a prevalência de risco de sobrepeso que foi também observado são preocupantes, visto que
a inadequação do estado nutricional na infância tende a permanecer e se consolidar na vida adulta.
A maioria dos lactentes recebeu uma dieta variada com a oferta dos diferentes grupos alimentares, abrangendo verduras/hortaliças, cereais, carnes, feijão e frutas mostrando que a alimentação oferecida tem contemplado os nutrientes necessários para o bom desenvolvimento. Quanto aos doces e guloseimas, observou-se uma baixa prevalência de consumo dentre os avaliados.
Estabelecer bons hábitos alimentares na infância, e mantê-los no decorrer dos anos tem um grande impacto na saúde e bem-estar, reduzindo o risco de doenças crônicas no futuro.
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