UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ODONTOLOGIA
Barbara de Souza Pereira
COMPLICAÇÕES MECÂNICAS EM IMPLANTES CURTOS
Florianópolis 2020
Barbara de Souza Pereira
COMPLICAÇÕES MECÂNICAS EM IMPLANTES CURTOS
Trabalho Conclusão do Curso de Graduação em Odontologia do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito para a obtenção do título de Bacharelado em Odontologia.
Orientador: Prof. Dr. César Augusto Magalhães Benfatti
Coorientador: MSc. Karin Gisel Apaza Bedoya Koiyama
Florianópolis 2020
Florianópolis 2020
Barbara de Souza Pereira
Complicações mecânicas em implantes curtos
Este Trabalho Conclusão de Curso foi julgado adequado para obtenção do Título de Cirurgião Dentista e aprovado em sua forma final pelo Curso de Odontologia
Florianópolis, 27 de julho de 2020.
________________________ Prof.ª Gláucia Santos Zimmermann, Drª
Coordenadora do Curso
Dedico este trabalho aos meus maiores exemplos, meus alicerces, pai e mãe. A minha irmã e aos meus amigos que me apoiaram em todos os momentos onde achei que não conseguiria, tornando essa caminhada mais leve e proveitosa.
AGRADECIMENTOS
Quem me acompanhou ao longo de toda a minha trajetória sabe que cursar Odontologia nunca tinha me passado pela cabeça, talvez Medicina Veterinária por amar tanto os animais ou alguma Engenharia pois eu era fascinada por física. Pois bem, escolhi ser ‘’Dentista’’ e no primeiro dia de aula me perguntaram ‘’porque você resolveu fazer Odontologia?’’, até hoje me pergunto qual foi o ponta pé inicial para escolher este curso, mas posso dizer com toda certeza que não me vejo atuando em outra área.
Obrigada mãe e pai por sempre me apoiarem e me ampararem nos momentos que eu estava surtando ou porque tinha algum trabalho para fazer, alguma prova para estudar ou simplesmente cansada da rotina corrida. Obrigada por sempre estarem presentes mesmo de longe, ou quando ligavam avisando que estavam indo para Florianópolis almoçar ou jantar uma pizza comigo. Vocês não fazem ideia da diferença que fizeram e fazem nos meus dias. Obrigada por todos os sacrifícios que fizeram para que tudo se tornasse realidade, sem vocês não conseguiria ter chegado até aqui. Amo vocês imensamente.
Obrigada a minha irmã Olívia por sempre me apoiar, incentivar e comemorar as minhas conquistas não me deixando desanimar nunca. Você é essencial. Obrigada por ser quem és, amo você.
As minhas amigas de São Joaquim que mesmo com cada uma seguindo um novo caminho, sempre se fizeram presentes nos momentos bons e ruins. Catarina Zazécki minha parceira de inúmeros momentos, sempre disponível para tudo. Roberta Martorano ou minha dupla ‘’arroz doce com canela’’ desde 2007, que mulher forte você é. Juliana Arruda, obrigada por tudo! Que venham mais viagens incríveis por ai! Letícia Goulart que orgulho da mulher que se tornou, obrigada por estar presente no momento em que tudo parecia desmoronar, você é incrível! Letícia Pereira sempre preocupada com tudo, com a minha saúde mental, com meus prazos de entrega de TCC, você é meu presentinho, indispensável, do basquete para a vida. Amo todas vocês, cada qual com seu jeito, que nossa amizade dure mais uma vida inteira. Ao melhor grupo que eu poderia ter Bruna Borges, Camilla Drissen, Fernanda Lemos, Gustavo Veras, Heron Silva, João Victor Cunha, Maria Luíza Araújo e Naiara Kloppel não teria como não se chamar ‘’Família’’, vocês foram essenciais para que eu chegasse até aqui, morar em outra cidade não é fácil e vocês tornaram toda a trajetória mais leve e com certeza
divertida. Todas as jantas, festas, trabalhos em grupo, cafés fizeram com que nossa amizade se fortalecesse. Obrigada odontogeriatria por me apresentar pessoas tão incríveis.
Obrigada a minha dupla Maria Luíza que de um café na biblioteca passou a dupla, e agora uma amiga que vou levar para a vida inteira. Não teria um apelido melhor para ela senão ‘’mãelu’’ pois em todos os momentos em que precisei ela estava presente, seja para uma conversa, um ‘’mc’’ no Iguatemi, um barzinho ou me levar ao hospital quando eu ficava doente. Obrigada por todo apoio de sempre, por tentar me mostrar o lado bom de ‘’endo’’ enquanto eu te mostrava o lado bom de cirurgia, o que seria de mim sem essa dupla. Amo você.
Stefania Savino, Júlia Roberta, Rangel Lidani e Fernanda Guesser não poderia não os mencionar, que nossa amizade cresça cada vez mais e que nunca nos afastemos. Obrigada por todas as risadas, jantas, festas, bares e claro noites de estudo. Vocês são incríveis.
Obrigada ao meu orientador César Augusto Magalhães Benfatti, que desde a iniciação cientifica me recepcionou muito bem, foi sempre acessível e acreditou que era possível realizar este trabalho. Obrigada por toda a orientação e disponibilidade para que eu sanasse minhas dúvidas e cumprisse com as obrigações para concluir este trabalho. Também a banca examinadora que se disponibilizou a participar desse momento tão importante.
Obrigada a minha coorientadora Karin Gisel Apaza Bedoya Koyama que foi peça chave durante a minha graduação. Quando ainda estava na pré-clínica tiveste paciência para me acolher e um carinho enorme em ensinar coisas que eu achei que não era capaz e que eu não sabia que eram possíveis. Além de uma professora incrível você se tornou uma grande amiga, me ensinando muito além de odontologia. Obrigada por todo o conteúdo, todas as conversas, conselhos, cafés. Obrigada por toda a disponibilidade, auxilio e apoio durante esses dois anos e meio, sem você a conclusão deste trabalho não seria possível. Sinto uma admiração enorme e tenho você como inspiração, se eu me tornar metade da profissional incrível que és estarei satisfeita.
Agradeço a Universidade Federal de Santa Catarina por ter me proporcionado esses cinco anos e meio de estudo e é uma das melhores instituições de ensino do país, onde eu tive a oportunidade de aprender com profissionais incríveis e seres humanos exemplares, entre eles Thaís Mageste Duque, Thalisson Saymo, Humberto Cherem, Dayane Ribeiro, Márcio Correa, Nelson Makowiecky. Entre outros nomes, me inspiro em vocês. Obrigada também a todos os servidores que estiveram presentes nessa caminhada.
‘’Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.’’
RESUMO
O presente estudo clinico prospectivo tem como objetivo avaliar a taxa de complicações mecânicas/ protéticas em reabilitações com implantes curtos com pelo menos seis meses em função e comparar com os dados encontrados na literatura. Assim, pacientes saudáveis, não fumantes e com uma quantidade óssea vertical entre 6 e 8 mm e horizontal mínima de 6 mm avaliada por exame tomográfico foram incluídos. Implantes de conexão cônica com 4 ou 5 mm de diâmetro e 5 ou 6 mm de comprimento (S.I.N.® Sistema de Implantes Nacional) foram instalados e reabilitados com próteses unitárias cimentadas com um tempo de acompanhamento médio de 27.8 ± 10.37 meses. Foram consideradas como complicações mecânicas mobilidade do componente protético, afrouxamento ou fratura do parafuso protético, fratura do material de revestimento, fratura da estrutura metálica, fratura do componente protético e perda da reabilitação protética devido a fratura ou perda do implante. Assim 21 implantes foram instalados em 15 pacientes, sendo 9 na maxila e 12 na mandíbula. Encontraram-se complicações em 5 implantes (23,80%) instalados, um (1) na maxila e quatro (4) na mandíbula em 4 pacientes distintos (26,66%). Uma falha foi considerada reversível, pois a prótese girou e foi resolvido refazendo-a, enquanto que as outras quatro falhas foram consideradas irreversíveis pois os componentes de corpo único fraturaram ao nível do parafuso, não sendo possível retirar os parafusos fraturados dentro dos implantes sendo necessário fazer a trefinação dos mesmos. Estudos com uma amostra maior são necessários para maiores conclusões. Observou-se por meio dos resultados obtidos que o tratamento reabilitador unitário com implantes curtos é viável. Porém, a taxa de complicações mecânicas é significativa e precisa ser levada em consideração.
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ABSTRACT
The present prospective clinical study aims to evaluate the rate of mechanical / prosthetic complications in rehabilitation with short implants with at least six months in function and to compare with the data found in the literature. Thus, healthy, non-smoking patients with a minimum bone quantity between 6 and 8 mm and a minimum horizontal bone of 6 mm, evaluated by tomographic examination were included. Conical connection implants with 4 or 5 mm in diameter and 5 or 6 mm in length (SIN® National Implant System) were used and rehabilitated with cemented single prostheses with an average follow-up time of 27.8 ± 10.37 months. Prosthetic component mobility, loosening or fracture of the prosthetic screw, fracture of the lining material, fracture of the metal structure, fracture of the prosthetic component and loss of prosthetic rehabilitation due to fracture or loss of the implant were considered as mechanical complications. Thus, 21 implants were installed in 15 patients, 9 in the maxilla and 12 in the mandible. Complications were found in 5 implants (23.80%) installed, one (1) in the maxilla and four (4) in the mandible in 4 different patients (26.66%). One failure was considered reversible, as the prosthesis rotated and was resolved by redoing it, while the other four failures were considered irreversible because the single-body components fractured at the screw level, it is not possible to remove the fractured screws inside the implants and it is necessary to make the trephination. Studies with a larger sample are needed for further conclusions. It was observed through the results obtained that the unitary rehabilitation treatment with short implants is viable. However, the rate of mechanical complications is significant and needs to be taken into account.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Medição da proporção Coroa/Implante... 25 Figura 2 – Componente protético fraturado... 28 Figura 3 – Trefinação do implante ... 29
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Quantidade de implantes instalados conforme diâmetro e comprimento... 27
Tabela 2 – Próteses unitárias e local de instalação... 27
Tabela 3 – Complicações protéticas... 28
Tabela 4 – Proporção coroa/implante... 29
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
CEPID – Centro de Ensino e Pesquisa em Implantes Dentários mm – Milímetros
C/I – Coroa/implante
UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina SIN – S.I.N.® Sistema de Implante, São Paulo, Brasil
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 15
2 REVISÃO DE LITERATURA ... 16
2.1 IMPLANTES CURTOS ... 16
2.2 TAXA DE SOBREVIVÊNCIA E TAXA DE SUCESSO ... 17
2.3 COMPLICAÇÕES MECÂNICAS EM IMPLANTES DENTÁRIOS ... 18
2.4 FATORES AGRAVANTES DAS COMPLICAÇÕES MECÂNICAS ... 19
3 OBJETIVOS ... 22 3.1 OBJETIVO GERAL... 22 3.2 OBJETIVO ESPECÍFICO ... 22 4 MATERIAL E MÉTODOS ... 23 4.1 TIPO DE ESTUDO ... 23 4.2 SELEÇÃO DE PACIENTES ... 23 4.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO ... 23 4.4 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO ... 23 4.5 ETAPA CIRÚRGICA ... 24 4.6 ETAPA PROTÉTICA ... 24 4.7 COLETA DE DADOS ... 24 4.8 PROPORÇÃO COROA/IMPLANTE ... 25 4.9 ANÁLISE DE DADOS ... 26 5 RESULTADOS ... 27
5.1 PACIENTES COM PRÓTESES UNITÁRIAS INSTALADAS ... 27
5.2 COMPLICAÇÕES PROTÉTICAS ... 27
5.2.1 COMPLICAÇÕES PROTÉTICAS RELACIONADAS COM A REGIÃO ... 29
5.2.2 COMPLICAÇÕES PROTÉTICAS RELACIONADAS COM A PROPORÇÃO COROA/IMPLANTE ... 29
5.2.3 COMPLICAÇÕES PROTÉTICAS RELACIONADAS COM O TEMPO EM FUNÇÃO ... 30 6 DISCUSSÃO ... 31 7 CONCLUSÃO ... 34 REFERÊNCIAS ... 35 ANEXO A ... 40
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1 INTRODUÇÃO
A implantodontia é uma área da odontologia que está cada vez mais ganhando espaço entre os cirurgiões dentistas por representar um método eficaz e previsível no tratamento e reabilitação de pacientes edêntulos totais ou parciais. Entretanto, alguns fatores são limitantes para tal, como por exemplo altura óssea reduzida. A seleção de um implante é baseada de acordo com a quantidade máxima de osso disponível. Uma vez que as forças mastigatórias são transmitidas diretamente ao osso e concentram-se na crista do rebordo aumentando a chance de reabsorção óssea, o princípio de distribuição de cargas oclusais tornam-se mais favoráveis quando há um maior contato entre osso e tamanho do implante. Porém, na presença de altura óssea reduzida, o uso de implantes de tamanho convencional nem sempre se aplicam e os implantes curtos apresentam-se como uma alternativa para devolver ao paciente funcionalidade, conforto, estética, fonética e saúde (GALVÃO et al., 2011; SANITÁ; HELENA; TAVARES, 2009).
Na região posterior da mandíbula temos uma característica crucial no planejamento dos casos, o canal mandibular, que muitas vezes está em contato íntimo com a crista óssea ou então muito próximo a ela impedindo a instalação de implantes de tamanho convencional. Assim como na região posterior de maxila que apresenta como fator limitante o seio maxilar que pode invadir o espaço ósseo que é reabsorvido após uma perda dentária. Para tais situações uma nova estratégia reabilitadora pode ser usada, a instalação de implantes curtos ou extra curtos que vem demonstrando um resultado tão eficaz e previsível quanto os implantes convencionais (ESPOSITO et al., 2011).
A escolha da conduta terapêutica varia de acordo com a patologia bucal, com a anatomia do lugar edêntulo e principalmente as condições gerais de saúde do paciente, seu estilo de vida (tabagismo, higiene bucal) e suas preferências. As principais justificativas para o uso de implantes curtos ou extra curtos são menor custo, uma vez que com a altura óssea limitada haveria a necessidade de cirurgias para aumento ósseo, como colocação de enxerto ósseo, levantamento de seio maxilar, transposição do nervo alveolar inferior, entre outros métodos cirúrgicos que resultariam num maior número de cirurgias; menor chance de complicações cirúrgicas e também menor morbidade. Além disso, o tempo clinico é reduzido e há uma maior facilidade da técnica (ESPOSITO et al., 2011; GALVÃO et al., 2011; MALÓ; DE ARAÚJO NOBRE; RANGERT, 2007; ROSSI et al., 2010; SANITÁ; HELENA; TAVARES, 2009; SANZ et al., 2015).
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2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 IMPLANTES CURTOS
Com os avanços em tecnologia e pesquisa a reabilitação de pacientes edêntulos totais ou parciais com uso de implantes e próteses implantossuportadas vem ganhando espaço entre os tratamentos propostos pelos cirurgiões dentistas, principalmente devido as elevadas taxas de sucesso que indicam um método de tratamento eficaz e previsível. Porém, áreas com reabsorção óssea severa e a consequente altura óssea reduzida representam um fator limitante para a reabilitação por meio de implantes convencionais, principalmente em regiões posteriores de maxila e mandíbula. Essas regiões geralmente tem menor altura óssea devido ao fato do seio maxilar se expandir após uma perda dentaria e do canal mandibular que encontra-se 10 mm ou mais, acima do bordo inferior do corpo mandibular (GALVÃO et al., 2011; RENOUARD; NISAND, 2006). Para essas situações o tratamento com implantes curtos vem ganhando destaque, pois tornam-se uma opção viável (ESPOSITO et al., 2011; MALÓ; DE ARAÚJO NOBRE; RANGERT, 2007; ROSSI et al., 2010).
Dentre algumas vantagens dos implantes curtos encontram-se menor custo, tempo de cirurgia e desconforto para o paciente, uma vez que com altura óssea limitada procedimentos de enxertia visando o aumento ósseo horizontal, elevação de seio maxilar ou transposição do nervo alveolar inferior seriam necessários. Também, os implantes curtos apresentam menor risco cirúrgico, pois outros procedimentos cirúrgicos elevam as taxas de complicações cirúrgicas tais como perfuração do seio maxilar e parestesia do nervo alveolar inferior. E por fim a facilidade, dado o menor número de procedimentos (ESPOSITO et al., 2011; BIDEZ; MISCH, 1992). Além disso, tem sido estudado que quando é considerado o grau de satisfação de pacientes submetidos a uma cirurgia de levantamento de seio maxilar ou a instalação de implantes curtos, os pacientes preferiram a cirurgia de implante curto em 75% dos casos (FELICE et al., 2018).
A classificação do quanto é um implante curto na literatura existente é variada e variam entre 5 a 10 mm. Inicialmente, a definição para implantes curtos foi compreendida por diversos autores como sendo implantes com altura < 10mm (FELDMAN ET AL., 2004; JEMT E LEKHOLM, 1995; SRINIVASAN ET AL., 2014). Tawil & Younan (2003) afirmaram que era ≤ 10 mm, porém, também foi definida como sendo ≤ 8,5 mm (RENOUARD; NISAND, 2006). Rossi et al. propôs que implantes curtos fossem definidos como aqueles com um comprimento
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≤6 mm (ROSSI et al., 2010, 2016). No entanto, existem outros termos como ‘’ultra curto’’ ou ‘’extra curto’’ usados exclusivamente para implantes menores que 6 mm (AL-JOHANY et al., 2017). A falta de consenso na nomenclatura e como ela tem sido mudada ao longo dos anos dificulta a discussão entre os diversos trabalhos publicados, assim como sua análise para chegar a conclusões e levar para a prática clínica.
2.2 TAXA DE SOBREVIVÊNCIA E TAXA DE SUCESSO
O sucesso de um implante dentário tem sido definido segundo alguns critérios: implante imóvel quando testado clinicamente, radiografia sem evidencia radiolúcida periimplantar, perda óssea anual <2mm, sem dor persistente, desconforto ou infecção (ALBREKTSSON, 1986). Sendo que a taxa de sobrevivência é a razão entre o número de implantes resultantes ao final do período de acompanhamento e o número total de implantes instalados, independentemente de inflamação, perda óssea ou afrouxamento. Em geral, os implantes dentários apresentam uma taxa de sobrevivência de 94.6% ao final de um período de acompanhamento de 10 anos (MORASCHINI et al., 2014).
A taxa de sobrevivência dos implantes curtos tem sido comparada com aquela dos implantes convencionais. Uma taxa de sobrevivência de 95.5% foi apontada por Tawil et al. (2004) para os implantes curtos o que é similar com as dados encontrados por Buser et al. (2012) para os implantes longos que tiveram uma taxa de sobrevivência de 98,8% e taxa de sucesso de 97,0% ele concluiu em seu estudo que as forças oclusais na região posterior dos maxilares é uma variável que pode afetar a sobrevivência dos implantes (BUSER et al., 2012; TAWIL; YOUNAN, 2004).
Em um estudo retrospectivo de uma série de casos, a taxa de sucesso após a entrega das próteses num período de 5 anos foi de 100%. Numa busca assistida da língua inglesa com publicações de 1991 a 2003 é encontrada uma taxa de sobrevivência de 85.3% para 2837 implantes reportados como sucesso, é importante ressaltar que as falhas não foram cirúrgicas nem falhas iniciais na osseointegração, mas ocorreram após o carregamento protético (MISCH et al., 2006).
Maló et al. encontrou uma taxa de sobrevivência de 96.2% para implantes de Brånemark de 7mm de altura e 97.1% para os implantes de 8.5mm de altura e concluiu que eles são uma alternativa de tratamento viável mesmo quando comparados com as taxas de
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sobrevivência de implantes mais compridos (MALÓ; DE ARAÚJO NOBRE; RANGERT, 2007).
Um estudo conduzido por Kim et al. (2010) avaliou prognóstico, complicações mecânicas e fatores que afetavam a sobrevivência de implantes curtos na região posterior de maxila e mandíbula e obteve 91.1% de taxa de sobrevivência. Com as técnicas de tratamento de superfície e novos designs, os implantes curtos tem sido reportados com um prognóstico favorável. Posteriormente, Kim et al. (2018) estudaram acerca de implantes curtos de diâmetro reduzido constatando que os de 4 mm e 4.5 mm de diâmetro alcançaram uma taxa de sucesso e sobrevida de 100%, os de 5 mm uma taxa de sobrevida de 100% e de sucesso de 98.6% e os de diâmetro de 6mm apresentaram uma taxa de sucesso de 91.2% e de sobrevida de 94.7% (KIM, KU, KIM, YUN, & KIM, 2018, 2010).
2.3 COMPLICAÇÕES MECÂNICAS EM IMPLANTES DENTÁRIOS
Complicações mecânicas é um termo coletivo usado para conceituar danos mecânicos em implantes, componentes de um implante ou a supraestrutura (prótese). Porém, Mangano et al. (2015), dividem as complicações protéticas em complicações mecânicas e complicações técnicas onde as complicações mecânicas são definidas como complicações dos componentes pré-fabricados (perda ou fratura de parafuso, fratura do componente ou fratura do implante), enquanto que complicações técnicas são definidas como as complicações da supraestrutura fabricada pelo laboratório ou dos materiais usados (perda de retenção, fratura de cerâmica/ venners) (MANGANO et al., 2015).
Nos implantes com coroas unitárias, em uma média de 4.8 anos de acompanhamento, Sadid-Zadeh et al. (2015) encontrou uma taxa de 10.8% para complicações técnicas ou mecânicas. O afrouxamento do parafuso ou do abutment foi visto em 5.6% dos casos e foi comparada com o material que o abutment era fabricado, se era de metal ou zircônia, porém não houve diferença significativa entre eles e o afrouxamento do abutment estava mais relacionado ao tipo de conexão do implante do que com o material de fabricação. Uma forma de reduzir essa complicação, principalmente para os implantes com conexão interna, é revisar a oclusão do paciente. A fratura do material de revestimento da coroa ou da coroa foi reportada como a segunda complicação mais frequente em uma média de 5 anos, representando 3.4% dos estudos analisados, além disso, as coroas cerâmicas foram mais propensas à fratura do que as metalocerâmicas. Fratura do abutment e decimentação tiveram incidência de 0.5% e 6.1%,
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respectivamente (SADID-ZADEH; KIM, 2015). Apesar de que esses foram resultados obtidos para implantes de tamanho convencional corrobora com os resultados obtidos para implantes de tamanho reduzido, onde num estudo com coroas unitárias sobre implantes com 6 mm de comprimento, Rossi et al. (2010) constataram que nenhuma complicação técnica ou mecânica foi encontrada em 2 anos de acompanhamento. Posteriormente, num estudo de 10 anos de acompanhamento três implantes instalados foram perdidos resultando numa taxa de sobrevivência de 91.7%, é importante ressaltar que nenhuma das falhas foram técnicas ou mecânicas, concluindo então que implantes de 6 mm instalados em região posterior mantiveram função completa por pelo menos 10 anos (ROSSI & LANG, 2010; ROSSI ET AL., 2018).
Para próteses parciais implantossuportadas um estudo clínico prospectivo constatou que 16.1% eram complicações técnicas ou mecânicas sendo a fratura ou lasca do material de revestimento a mais frequente, seguida do afrouxamento do parafuso protético (SADID-ZADEH; KIM, 2015).
Um estudo com implantes curtos de 6 mm x 4 mm reabilitados com coroas unitárias, encontrou como única complicação mecânica o afrouxamento do parafuso, presente em 13 casos (28.3%) (VILLARINHO et al., 2017).
Num estudo envolvendo implantes 6.5 mm de altura x 5 mm de diâmetro com 5 anos de acompanhamento, apenas 5 pacientes apresentaram algum tipo de falha protética (7,5%), sendo uma falha mecânica (afrouxamento do pilar do implante), enquanto as outras quatro foram técnicas (2 perdas de retenção da prótese e 2 lascamentos/ fratura da cerâmica) (MANGANO et al., 2016).
Uma revisão sistemática sobre implantes extra curtos (≤ 6 mm) encontrou em um acompanhamento ao longo de 5 anos, 46 complicações protéticas (afrouxamento do parafuso protético, decimentação e fratura do componente protético), porém, concluiu que essas complicações representam uma taxa de complicações baixa e que os implantes extra curtos são uma alternativa de tratamento viável para pacientes com altura óssea reduzida (RAVIDÀ et al., 2019a).
2.4 FATORES AGRAVANTES DAS COMPLICAÇÕES MECÂNICAS
Segundo Laney a relação coroa/implante (C/I) é a relação entre a altura da restauração protética e do implante instalado. O comprimento do implante é medido do seu ápice até a parte
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mais coronal do contato osso-implante, enquanto que o comprimento da coroa é a distância entre seu contato com o osso até sua parte mais coronal (LANEY, 2007).
Blanes (2009) constatou em sua revisão sistemática uma taxa de sobrevivência de 94.1% com uma proporção C/I de no mínimo 2:1. Apenas uma publicação reportou complicações técnicas, o afrouxamento do parafuso representava 7.8% enquanto fratura de porcelana foi de 5.2%, sendo que em um único caso ocorreu fratura do implante. Tawil et al. (2006) concluiram que, a razão C/I aumentada em 2 a 3 vezes não representa um fator de risco biomecânico para os implantes curtos sendo um tratamento viável a longo prazo, porém, a distribuição da carga oclusal precisa ser favorável e a parafunção controlada.
Foi hipotetizado que restaurações de implante com baixas relações C/I podem causar menor sobrecarga nos componentes protéticos, reduzindo o risco de complicações técnicas, como afrouxamento do parafuso protético, falha de cimento ou decimentação e fratura da estrutura metálica ou material de revestimento (RANGERT ET AL. 1995, 1997). Porém, Blanes (2009) concluiu que não há dados clínicos suficientes para informar as taxas de sobrevivência e nem comparar a relação C/I com as complicações técnicas das próteses implanto suportadas. O que corrobora com outros estudos que afirmam que o aumento da razão C/I não pode ser associado aos casos de complicações mecânicas (MEZZOMO et al., 2014; VILLARINHO et al., 2017).
Adel et al. (1981) correlacionou a proporção C/I com cantilever aumentado, o estudo foi feito com pacientes edêntulos totais reabilitados com prótese total fixa e disse que esse aumento na proporção resultava em um braço de alavanca. Posteriormente, White et al. (1994) afirmou em seu estudo que o comprimento do cantilever estava diretamente relacionado às complicações e/ou falhas da prótese, o que corrobora com o estudo de Kim et al. (2010) onde o afrouxamento do parafuso protético foi a complicação mais comum e foi associada com um cantilever mesiodistal, concluindo que a taxa de sucesso para implantes curtos depende da minimização do cantilever.
Misch et al. (2005; 2006) propôs uma forma de diminuir a tensão produzida por um cantilever aumentado por meio de um maior número de implantes por região uma vez que a força oclusal na região posterior pode ser ≥400% quando comparada à região anterior. Segundo Scurria et al. (1998) as maiores taxas de falhas após o carregamento protético em implantes curtos se dão, em partes, a essa força oclusal. Outra forma de diminuir a tensão produzida é reabilitar o paciente com próteses esplintadas, aumentando assim a área de superfície funcional de apoio e dissipando as tensões. Muitos autores relataram um aumento na taxa de sucesso de
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implantes curtos quando esplintados (MISCH et al., 2005,2006; SCURRIA, 1998; BIDEZ, 1992, BALSHI et al., 2014; ANNIBALI et al., 2012;).
Na Universidade Estadual de Ohio foram comparadas próteses esplintadas e não esplintadas suportadas por implantes curtos, extra curtos e convencionais ,assim, Clelland et al. afirmaram que o afrouxamento do parafuso protético foi a complicação mais encontrada; coroas individuais foram trocadas por coroas esplintadas em um paciente com repetidas fraturas do parafuso protético resultando na estabilidade dos parafusos; próteses esplintadas são altamente bem sucedidas mesmo com a ocorrência de um caso de fratura do material de revestimento; todos os implantes de 6 mm de altura com próteses esplintadas sobreviveram. Concluíram então que todas as fraturas de parafuso e uma perda de implante de 6 mm ocorreram em restaurações não esplintadas (CLELLAND et al., 2016).
Uma recente revisão sistemática, constatou que quando os implantes extra curtos (≤ 6 mm) são esplintados, apresentam uma menor taxa de complicações protéticas e menor chance de falha dos implantes, em relação aos não esplintados (RAVIDÀ et al., 2019a).
Numa série de casos, os implantes curtos foram correlacionados com pacientes com parafunção (bruxismo), apesar de apenas 22% dos pacientes se inserirem nesse grupo, 77% dos implantes apresentaram alguma complicação mecânica: 55% tiveram fratura da cerâmica e 22% afrouxamento do parafuso (TAWIL; ABOUJAOUDE; YOUNAN, 2006). Chrcanovic et al. (2017), encontraram que o grupo de pacientes com bruxismo apresentou uma taxa de complicações mecânicas elevada em relação ao grupo de pacientes sem bruxismo concluindo que, o bruxismo pode aumentar significativamente a taxa de falha do implante e também a taxa de complicações mecânicas e técnicas.
O emprego de elementos finitos em um estudo, constatou que coroas unitárias suportadas por implantes extra curtos (4 mm) é uma opção viável na presença de guia de desoclusão mutuamente protegida, porém, frente a uma instabilidade oclusal com presença de forças obliquas, presente em pacientes com bruxismo, as coroas unitárias são contraindicadas para implantes extra curtos, sendo necessário a união de próteses ou utilização de implantes de maior comprimento (ELIAS et al., 2020).
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3 OBJETIVOS
3.1 OBJETIVO GERAL
Avaliar a taxa de complicações mecânicas/técnicas após tratamento com próteses unitárias cimentadas em reabilitações sobre implantes curtos de conexão cônica com 4 mm ou 5 mm de diâmetro e 5 mm ou 6 mm de comprimento da marca SIN (S.I.N.® Sistema de Implante, São Paulo, Brasil) em região posterior de maxila e mandíbula, com pelo menos 6 meses em função.
3.2 OBJETIVO ESPECÍFICO
a) Relacionar a taxa de complicações mecânicas/técnicas com fatores relacionados ao implante como: região (maxila/mandíbula), proporção coroa/ implante e tempo em função.
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4 MATERIAL E MÉTODOS
4.1 TIPO DE ESTUDO
Esta foi uma pesquisa clínica prospectiva e fez parte de um projeto de qualificação de doutorado denominado – Estudo longitudinal prospectivo de implantes curtos SIN em região posterior de maxila e mandíbula, executado pela aluna de doutorado Karin Gisel Apaza Bedoya Koiyama e coordenado pelo Profº, Drº César Augusto Magalhães Benfatti, o qual foi submetido ao Comitê de Ética (Parecer aprovado número: 1.318.444).
4.2 SELEÇÃO DE PACIENTES
A amostra contou com 15 pacientes, selecionados no Centro de Ensino e Pesquisa em Implantes Dentários e clínicas de graduação da UFSC.
4.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
− Pacientes com idade superior a 18 anos, sem comprometimento sistêmico significante no período pré-operatório e nem fumantes. Boa higiene oral, definida como um índice de placa menor ou igual a 25%.
− Pacientes com indicação para a instalação de pelo menos um implante dentário na região posterior da maxila ou mandíbula. Tendo uma quantidade óssea vertical entre 6 mm e 8 mm e horizontal mínima de 6 mm avaliada por exame tomográfico. Não devem ter sido submetidos a uma enxertia previa.
− Finalmente devem ser voluntários.
4.4 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
− Pacientes comprometidos sistemicamente, pacientes com história de radioterapia ou quimioterapia nos últimos 5 anos, pacientes grávidas ou com menopausa precoce, pacientes em tratamento médico com drogas que afetem a remodelação óssea ou cicatrização da mucosa, pacientes com abuso de substâncias.
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− Doença periodontal e cáries ativas deverão passar por tratamento prévio para inclusão no estudo, e apenas casos nos quais o tecido ósseo da região que será analisada não foi afetado por patologias periodontais serão incluídos.
− Pacientes que se ausentarem das consultas de manutenção e controle também serão excluídos, para que dados incompletos não sejam gerados.
4.5 ETAPA CIRÚRGICA
Os implantes curtos (S.I.N.® Sistema de Implante) foram instalados seguindo o planejamento reverso, obedecendo rigorosas condições de assepsia e de acordo com o protocolo do fabricante. As medicações pós cirúrgicas foram padronizadas.
Uma radiografia periapical foi realizada logo após a cirurgia e o controle pós-operatório foi realizado de 7 a 10 dias após a cirurgia. A reabertura (segundo estágio cirúrgico) foi realizada após 4 meses de osseointegração para maxila e um período de 3 meses para a mandíbula.
4.6 ETAPA PROTÉTICA
A reabilitação protética foi realizada depois de uma semana da reabertura. As próteses unitárias foram cimentadas e confeccionadas com material metalocerâmico. Radiografias periapicais foram realizadas.
Os pacientes foram incluídos em um programa de manutenção regular em intervalos de 6 meses no primeiro ano e anualmente nos anos consecutivos. Essas revisões avaliaram a performance clínica das próteses sobre implante, assim como avaliação radiográfica por radiografias periapicais e tomografia computadorizada de cone beam para avaliação a nível biológico.
4.7 COLETA DE DADOS
Para avaliar a performance clínica das próteses implantossuportadas os seguintes parâmetros foram utilizados:
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- Afrouxamento do parafuso protético - Fratura do parafuso protético
- Fratura do material de revestimento - Fratura da estrutura metálica
- Fratura do componente protético
- Perda da reabilitação protética devido a fratura ou perda do implante
As avaliações foram realizadas após 6 meses, 1 ano e 2 anos da instalação das próteses unitárias definitivas.
4.8 PROPORÇÃO COROA/IMPLANTE
A proporção coroa/implante foi obtida usando um software de análise de imagens (ImageJ versão 2.0, Wisconsin).
Figura 1 – Medição da proporção Coroa/Implante.
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Primeiramente, o software foi calibrado, após isso, foram traçadas linhas de referência: uma linha vertical passando pelo longo eixo do implante, e três linhas horizontais: a linha ‘’A’’ passa pelas cúspides da restauração protética; a linha ‘’B’’ passa pela plataforma do implante; e a linha ‘’C’’ passa pela parte mais apical do implante. Logo, foi medida a ‘’distância 1” da plataforma do implante (linha B) até a linha ‘’A’’, correspondendo assim ao comprimento da coroa. O comprimento do implante, ‘’distância 2‘’, foi medido do seu ápice até a plataforma do implante.
Para evitar viés nas avaliações, cada radiografia teve sua proporção coroa/implante medida 3 vezes e então uma média aritmética dos valores encontrados foi feita.
4.9 ANÁLISE DE DADOS
Os resultados obtidos foram analisados descritivamente utilizando Excel (versão 2004). Sendo o implante considerado como unidade estatística.
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5 RESULTADOS
5.1 PACIENTES COM PRÓTESES UNITÁRIAS INSTALADAS
Quinze pacientes (15) tiveram suas próteses unitárias definitivas instaladas, totalizando 21 próteses, sendo 9 na maxila e 12 na mandíbula. Todos os pacientes foram reabilitados com próteses cimentadas com um tempo de acompanhamento médio de 27.8 ± 10.37 meses.
Tabela 1 – Quantidade de implantes instalados conforme diâmetro e comprimento.
Diâmetro de 4 mm Diâmetro de 5 mm Total
Comprimento de 5 mm 7 3 10 Comprimento de 6 mm 10 1 11 Total 17 4 21
Tabela 2 – Próteses unitárias e local de instalação
Maxila Mandíbula Total
Próteses unitárias instaladas
9 12 21
5.2 COMPLICAÇÕES PROTÉTICAS
Encontraram-se após o tempo mínimo de 6 meses em função, complicações em 5 implantes (23,80%) instalados em 4 pacientes distintos (26,66%), resultando em uma taxa de sobrevivência de 76,20%. Uma falha foi considerada reversível, pois a prótese girou e foi resolvido refazendo-a, enquanto que as outras quatro falhas foram consideradas irreversíveis pois os componentes de corpo único fraturaram ao nível do parafuso, não sendo possível retirar
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os parafusos fraturados de dentro dos implantes sendo necessário fazer a trefinação dos mesmos.
Tabela 3 – Complicações protéticas
Implantes Pacientes
Mobilidade do componente protético 1 1
Afrouxamento do parafuso protético Fratura do parafuso protético Fratura do material de revestimento
Fratura da estrutura metálica Fratura do componente protético
Perda da reabilitação protética devido a fratura ou perda do implante
4 3
Total 5 4
Percentual 23,80 % 26,66 %
Figura 2 – Fratura do componente protético. A) Coroa cimentada ao intermediário protético fraturado. Observa-se a fratura ao nível do parafuso após terminar a parte cônica do cone morObserva-se. B) Radiografia periapical mostrando o fragmento do parafuso fraturado dentro do implante curto de 4 x 6 mm.
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Figura 3 – A) Foto clínica do implante com o parafuso fraturado no interior. B) Trefina de 4.1 mm de diâmetro após remover o implante de 4 mm de diâmetro.
5.2.1 COMPLICAÇÕES PROTÉTICAS RELACIONADAS COM A REGIÃO
Encontraram-se complicações mecânicas em 5 implantes, sendo uma falha irreversível na maxila (4,76 %) e quatro (4) na mandíbula (19,04%), uma reversível e três irreversíveis.
5.2.2 COMPLICAÇÕES PROTÉTICAS RELACIONADAS COM A PROPORÇÃO COROA/IMPLANTE
A média geral encontrada para a proporção coroa/implante foi de 2.55. As cinco complicações encontradas ocorreram em implantes com proporção coroa/implante distintas. Uma mensuração não pode ser feita devido a situação mundial de COVID-19, e então foi excluída desta amostra.
Tabela 4 – Proporção coroa/implante.
Média Individual Média Geral
Complicação 1 Implante 4x5 mm 3.36 2.55 Complicação 2 Implante 5x5 mm 2.43 2.55
A
B
30 Complicação 3 Implante 4x6 mm 2.60 2.55 Complicação 4 Implante 4x6 mm 2.23 2.55
5.2.3 COMPLICAÇÕES PROTÉTICAS RELACIONADAS COM O TEMPO EM FUNÇÃO
Três complicações ocorreram nos primeiros 6 meses após a instalação das próteses definitivas. Nenhuma complicação ocorreu no controle de 1 ano. As complicações listadas como ‘’1’’ e ‘’3’’ ocorreram após o controle de 2 anos, 8 meses e 2 meses após, respectivamente.
Tabela 5 – Complicações relacionadas com o tempo em função.
Controle de 6 meses Controle de 1 ano Controle de 2 anos
Complicação 1 - irreversível ‘’X’’ Complicação 2 - reversível X Complicação 3 - irreversível ‘’X’’ Complicação 4 – irreversível X Complicação 5 - irreversível X
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6 DISCUSSÃO
Bordin et al. (2018) conduziram um estudo in vitro com implantes extra curtos da mesma linha e empresa usados nesta pesquisa avaliando a taxa de sobrevivência e falhas mecânicas. Constataram que implantes de 4, 5 e 6 mm de diâmetro com altura de 5 mm submetidos a diferentes cargas de compressão, tiveram como única complicação mecânica a fratura do pilar protético, mostrando que o implante curto em si não apresenta contraindicações. Esse estudo simulou implantes instalados na região anterior representando um momento fletor, porém para comparar com esta pesquisa as forças aplicadas precisariam ser axiais uma vez que foi estudada a região posterior. Frente a cargas oclusais de 100MPa, os implantes curtos comportaram-se bem, porém, com cargas de 200 a 300 MPa as taxas diminuíram sendo a de 300 MPa catastrófica. Mesmo assim, por se tratar de um mesmo problema mecânico (fratura do pilar protético a nível de parafuso), pesquisas com maiores amostras devem ser conduzidas para regiões posteriores para investigar as possíveis causas.
No início da reabilitação de pacientes com implantes, a justificativa para seu uso era de que ele substituiria a raiz dentária e sobre ele viria uma prótese (implantossuportada) substituindo a coroa do dente. Dessa forma, o implante de maior altura possível era instalado na área edêntula, com o intuito de aumentar a superfície disponível para a osseointegração, além de manter uma relação C / I a mais próxima possível da relação natural coroa / raiz. (ANITUA et al., 2014). Encontramos neste estudo uma relação coroa/implante de 2.55 totalizando cerca de 23,80% de complicações mecânicas, porém, Rossi et al. (2018) encontraram um total de 0% de complicações o que pode ser explicado pela baixa relação coroa/implante que neste caso era de 1.6 ± 0.4. Contudo, alguns autores afirmam que a proporção C/I não pode ser relacionada com a ocorrência de complicações mecânicas/técnicas (BLANES, 2009; MEZZOMO et al., 2014; VILLARINHO et al., 2017).
Pesquisas anteriores sugeriram que quanto maior a plataforma do implante, maior a concentração de estresse no pilar (ANITUA et al., 2014). Além disso, alguns autores também afirmam que mais importante que a altura de um implante está a sua largura, uma vez que as forças oclusais e mastigatórias se dissipam na parte mais superficial do implante que está em contato com a crista óssea (LANGER et al. 1993; MAHON et al. 2000; PIERRISNARD et al. 2003).
Estudos afirmam que implantes curtos e implantes longos em 1 ano de acompanhamento, não apresentam diferenças significativas nas taxas de complicações
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protéticas (DE SOUZA; MARTINI; AZEVEDO-ALANIS, 2018; RAVIDÀ et al., 2019b), porém, tratando-se de 3 anos de acompanhamento, os implantes curtos apresentaram diferença significativa de complicações em relação aos implantes convencionais (RAVIDÀ et al., 2019b). Vazouras et al. (2020) encontraram uma taxa de complicações maiores em acompanhamentos de 3 anos ou mais, o que é confirmado por outro estudo onde em 1 ano de acompanhamento os implantes curtos apresentam uma taxa de sucesso de 98,7% mas em 5 anos essa taxa cai para 93,6% (LEE et al., 2014). Os achados neste estudo, demonstram que 50% das complicações irreversíveis ocorreram nos primeiros 6 meses após a instalação das próteses definitivas e que 50% ocorreram após 2 anos, confirmando que as falhas podem ser observadas ao longo do tempo. Apesar disso, os autores concluem que o tratamento reabilitador com implantes curtos é uma alternativa viável, mas, são necessárias amostras maiores e um maior tempo de acompanhamento para confirmar os resultados.
Srinivasan et al. (2014) identificou que os implantes curtos Straumann de 6 mm falharam mais frequentemente na maxila quando comparados à mandíbula, o que não condiz com os achados desta pesquisa, onde a mandíbula teve um número de falhas de 4:1 em relação a maxila. Porém, o resultado encontrado por Srinivasan et al. (2014) diz respeito a falhas precoces, ou seja, antes da instalação da prótese não sendo possível comparar com os resultados obtidos nesta pesquisa. Alguns autores encontraram resultados semelhantes para risco de falha em mandíbula e em maxila (VAZOURAS et al., 2020). Porém, Villarinho et al. (2017) encontraram uma tendência de maior risco a falha na mandíbula, também confirmado em um estudo realizado em 2014, onde a maxila apresentou um melhor prognóstico em relação a mandíbula na instalação de coroas unitária suportadas por implantes curtos (MEZZOMO et al., 2014), confirmando nossos achados.
Em um acompanhamento de 3 a 7 anos com implantes curtos, as complicações mecânicas representaram um total de 17,8% e nenhuma fratura de componente aconteceu (TANG et al., 2020). Apesar de se tratar de um estudo com próteses parafusadas, os resultados podem ser comparados com as próteses unitárias cimentadas em relação a taxa de sucesso que para ambas as próteses são semelhantes (PJETURSSON et al., 2014; WITTNEBEN; MILLEN; BERN, 2014). Porém, levando em conta apenas os aspectos mecânicos, as próteses cimentadas possuem uma taxa de complicações mecânicas maior em relação as parafusadas (WITTNEBEN; MILLEN; BERN, 2014). A grande maioria dos estudos apresentam a maior parte das complicações mecânicas sendo decimentação e fratura do pilar (NEDIR et al., 2004); fratura de porcelana, afrouxamento do parafuso e perda de retenção (POHL et al., 2017; TANG
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et al., 2020), entre outros. Nesse estudo clinico, a fratura do componente protético apresentou-se como a complicação mecânica mais relevante estando preapresentou-sente em 3 pacientes (4 implantes) com próteses unitárias. Porém são poucos os estudos que apresentam esse tipo de complicação. Mezzomo et al. (2014) encontraram uma taxa de complicações protéticas de 2,8% para coroas unitárias suportadas por implantes curtos. Adicionalmente, uma taxa de complicações mecânicas de 19,04% foi encontrada, em um estudo com 5 anos de acompanhamento com coroas unitárias sobre implantes de 5 x 5 mm e 4,1 x 7 mm de comprimento, instalados em região posterior de mandíbula (PERELLI et al., 2011). O que condiz com os resultados encontrados neste estudo, onde a mandíbula apresentou uma taxa de 19,04% de complicações mecânicas. Porém, um estudo mais recente obteve uma taxa de complicações mecânicas/protéticas de zero (0 %) em coroas unitárias sobre implantes curtos de 4,1 x 6 mm tanto para maxila quanto para mandíbula em 10 anos de acompanhamento (ROSSI et al., 2018). Um estudo in vitro com próteses esplintadas e não-esplintadas sobre implantes de 6 mm, mostrou que quando submetidos a forças oclusais oblíquas, as reabilitações esplintadas apresentaram uma distribuição das tensões mastigatórias mais uniformes do que quando não-esplintadas (YILMAZ et al., 2011). Essa abordagem é interessante se tratando de pacientes com parafunção, uma vez que forças não axiais (laterais e oblíquas) criam tensão na interface componente protético e implante, que pode ser considerada uma das causas para a fratura do componente protético em um dos pacientes inclusos nesse estudo. Além disso, um estudo recente afirma que quando as forças oblíquas excessivas estão presentes, as próteses unitárias são contraindicadas (ELIAS et al., 2020).
Sabemos que o bruxismo é uma parafunção e se caracteriza pelo contato não funcional dos dentes, ligados a movimentos mandibulares anormais (PEREIRA et al., 2006). No presente estudo, as falhas mecânicas ocorreram em dois pacientes que fazia bruxismo. A variável ‘’bruxismo’’ não foi considerada neste estudo uma vez que, para diagnosticar essa condição precisa-se da combinação de duas vertentes, a objetiva por meio de polissonografia ou eletromiografia e também do exame clinico e a subjetiva onde o paciente fornece informações que auxiliam no diagnóstico (MELO et al., 2019). Porém, neste estudo o diagnostico objetivo não foi realizado, apenas foram coletadas informações dos pacientes pelo que conclusões não foram feitas.
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7 CONCLUSÃO
Estudos com uma amostra maior são necessários para maiores conclusões. Observou-se por meio dos resultados obtidos que o tratamento reabilitador unitário com implantes curtos é viável. Porém, a taxa de complicações mecânicas é significativa e precisa ser levada em consideração.
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