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Elaboração de PPRA em empresa de abate e processamento de carnes

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Academic year: 2021

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CHARLES EDUARDO ASSMANN

ELABORAÇÃO DE PPRA EM EMPRESA DE ABATE E

PROCESSAMENTO DE CARNES

Santa Rosa, RS 2017

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ELABORAÇÃO DE PPRA EM EMPRESA DE ABATE E

PROCESSAMENTO DE CARNES

Trabalho de Conclusão de Curso de Engenharia de Segurança do Trabalho apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho.

Orientador(a): Fernando Wypyszynski

Santa Rosa, RS 2017

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ELABORAÇÃO DE PPRA EM EMPRESA DE ABATE E

PROCESSAMENTO DE CARNES

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado para a obtenção do título de Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho e aprovado em sua forma final pelo professor orientador e pelos membros da banca examinadora.

Santa Rosa, 17 de outubro de 2017.

Prof. Fernando Wypyszynski Especialista pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões Coordenador do Curso de Engenharia de Segurança do Trabalho/UNIJUÍ

BANCA EXAMINADORA

Prof. Cristina Eliza Pozzobon (UNIJUÍ) Mestre em Engenharia Civil (UFSC)

Prof. Fernando Wypyszynski (UNIJUÍ) Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho (URI) - Orientador

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Aos meus pais, a base de minha existência, e a minha namorada e companheira Patrícia, pelo incentivo nos momentos difíceis.

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minha vida. Agradeço por todo o esforço realizado podendo me dar conforto e educação para me tornar a pessoa que sou hoje. Sou o que sou por causa de vocês.

Ao meu querido avô Isédio (in memoriam), pelos ensinamentos e principalmente por todo o carinho que sempre me dedicou.

A minha companheira Patrícia, pela paciência, compreensão e principalmente pelo apoio e incentivo na hora das dificuldades e nos momentos difíceis, obrigado.

Ao Prof. Fernando Wypyszynski, orientador deste trabalho, pelas ideias, pelo apoio, confiança e incentivo na realização desta pesquisa.

Aos professores e colegas de Pós Graduação, pelos ensinamentos e pela troca de informações e conhecimento que tivemos a oportunidade de desfrutar.

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Que os vossos esforços desafiem as impossibilidades, lembrai-vos de que as grandes coisas do homem foram conquistadas do que parecia impossível. Charles Chaplin

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2017. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, Santa Rosa, 2017.

A Engenharia de Segurança do Trabalho é uma ciência de grande abrangência, destinada a estudar alternativas e aplicá-las com o propósito de tornar qualquer atividade livre de oferecer riscos a quem estiver realizando. Ela surgiu, devido aos altos índices de doenças e de acidentes relacionados ao trabalho que ocorrem desde os primórdios da humanidade. Deste modo, relacionando a Segurança e Saúde no Trabalho (SST) com o setor frigorífico, sabe-se que esta área é uma das áreas que mais oferecem riscos aos seus trabalhadores, e, que, ao longo dos últimos anos tem contribuído muito com acidentes e afastamentos do trabalho devido a danos relacionados as atividades laborais. Isto ocorre devido a não observância e a falta de cumprimento das normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho, em especial a NR 09 e NR 36, normas de gestão de riscos; esta última específica para empresas de abate e processamento de carnes e derivados. Este trabalho faz referência a conceitos de gestão de segurança, acidentes e doenças do trabalho segundo normas técnicas, e considerações efetivadas por diversos pesquisadores. Além disso, a pesquisa relaciona conceitos de higiene ocupacional e uma abordagem das Normas Regulamentadoras, destacando a NR 09 e a NR 36. O estudo de caso, foi em uma empresa de abate e processamento de carne bovina, onde foram realizados levantamentos ambientais e a elaboração do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA); avaliou-se as condições de segurança e saúde, através da antecipação, reconhecimento e avaliação dos riscos físicos, químicos e biológicos existentes. Para cada situação foram propostas sugestões para a empresa eliminar ou controlar os riscos detectados.

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ASSMANN, C. E. Elaboração de PPRA em empresa de abate e processamento de carnes. 2017. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, Santa Rosa, 2017.

The Engineering of Work Safety is a science of great scope, destined to study alternatives and to apply them with the purpose of making any activity free of presenting risks to who is realizing. It arose because of the high rates of work-related illnesses and accidents that have occurred since the dawn of mankind. In this way, relating Safety and Health at Work (SST) to the refrigeration sector, it is known that this area is one of the ones that most present risks to its workers, and that, over the last years, it has contributed a lot with accidents and leave due to work related damages. This is due to non-compliance and failure to comply with the regulations of the Ministry of Labor, especially NR 09 and NR 36, risk management standards, the latter specific for meat processing and slaughtering companies. This work refers to concepts of safety management, accidents and occupational diseases according to technical norms, and considerations made by several researchers. In addition, the research relates concepts of occupational hygiene and an approach to Regulatory Norms, highlighting NR 09 and NR 36. The case study was carried out in a slaughter and beef processing company, where environmental surveys were carried out and the Environmental Risk Prevention Program (PPRA) was drawn up; safety and health conditions were evaluated through the anticipation, recognition and evaluation of existing physical, chemical and biological risks. For each situation, suggestions were suggested for the company to eliminate or control the risks detected.

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Figura 02: Setor Caldeira...41

Figura 03: Setor Cozinha...44

Figura 04: Setor Escritório...48

Figura 05: Local de abate de bovinos...51

Figura 06: Sala de separação de resíduos...51

Figura 07: Sala de desossa...51

Figura 08: Câmara fria...51

Figura 09: Higienização dos equipamentos...55

Figura 10: Higienização...55

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Quadro 01: Dados da empresa...33

Quadro 02: Cargos por setor de trabalho...34

Quadro 03: Resultados das avaliações do setor Caldeira...42

Quadro 04: Possíveis comprometimentos e medidas de controle dos riscos...43

Quadro 05: Resultados das avaliações do setor Cozinha...45

Quadro 06: Possíveis comprometimentos e medidas de controle dos riscos...46

Quadro 07: Antecipação e reconhecimento de riscos...48

Quadro 08: Resultados das avaliações do setor Produção...52

Quadro 09: Possíveis comprometimentos e medidas de controle dos riscos...53

Quadro 10: Resultados das avaliações do setor Produção / Higienização...56

Quadro 11: Resultados das avaliações do setor Produção / Higienização...57

Quadro 12: Possíveis comprometimentos e medidas de controle dos riscos...58

Quadro 13: Medidas de controle propostas...59

Quadro 14: Resultados das avaliações do setor...60

Quadro 15: Possíveis comprometimentos e medidas de controle dos riscos...61

Quadro 16: Resultados das avaliações do setor...63

Quadro 17: Possíveis comprometimentos e medidas de controle dos riscos...64

Quadro 18: Composição da CIPA...65

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ACGIH American Conference of Governamental Industrial Higyenists AET Análise Ergonômica do Trabalho

CA Certificado de Aprovação CBO Código Brasileiro de Ocupações

CIPA Comissão Interna de Prevenção de Acidentes CLT Consolidação das Leis do Trabalho

CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas EPC Equipamento de Proteção Coletiva

EPI Equipamento de Proteção Individual

FISPQ Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas

NBR Norma Brasileira

NHO Norma de Higiene Ocupacional

NIOSH National Institute for Occupational Safety and Health NR Norma Regulamentadora

PCMSO Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PPRA Programa de Prevenção de Riscos Ambientais

SESI Serviço Social da Indústria SST Segurança e Saúde no Trabalho

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1 INTRODUÇÃO ... 14 1.1 CONTEXTO ... 16 1.2 PROBLEMA ... 17 1.2.1 Questões de Pesquisa ... 17 1.2.2 Objetivos de Pesquisa ... 18 1.2.3 Delimitação ... 18 2 REVISÃO DA LITERATURA ... 19

2.1 ASPECTOS CONCEITUAIS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO (SST) 19 2.1.1 Segurança e Saúde no Trabalho (SST) ... 19

2.1.2 Higiene do Trabalho ... 20

2.1.3 Acidentes e Doenças do Trabalho ... 22

2.2 NORMAS REGULAMENTADORAS ... 24

2.2.1 NR 09 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) ... 25

2.2.2 NR 36 - Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes e Derivados. ... 27

3 MÉTODO DE PESQUISA ... 30

3.1 ESTRATÉGIA DE PESQUISA ... 30

3.2 DELINEAMENTO ... 31

4 RESULTADOS ... 32

4.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA ... 32

4.2 METODOLOGIA DE AÇÃO DO PPRA ... 34

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4.3 MEDIDAS DE CONTROLE ... 38

4.4 RISCOS AMBIENTAIS AVALIADOS ... 39

4.4.1 Avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores por setor de trabalho 40 4.5 NORMAS REGULAMENTADORAS ARTICULADAS COM A EMPRESA 64 4.6 REGISTROS, MANUTENÇÃO E DIVULGAÇÃO DO PPRA ... 70

4.7 ENCERRAMENTO DO PPRA ... 72

5 CONCLUSÃO ... 73

REFERÊNCIAS ... 76

Anexo A – Relatórios de Avaliações de Ruído ... 79

Anexo B – Certificados de Análise dos Agentes Químicos ... 80

Anexo C – Certificados de Aprovação dos EPI Fornecidos Pela Empresa Avaliada 81 Anexo D – Certificados de Calibração dos Equipamentos de Medição ... 82

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1 INTRODUÇÃO

Observando-se o passado, pode-se afirmar que os problemas das doenças geradas por exposição a agentes ambientais acontecem desde os primórdios da humanidade (CAMPOS, 2016). Ao longo dos anos, após a Revolução Industrial ocorreram grandes mudanças nos ambientes de trabalho, principalmente por não haver métodos de monitoração dos riscos existentes nas atividades laborais (CAMPOS, 2016).

Fonseca (2007) destaca entretanto que a Segurança e Saúde no Trabalho (SST) encontra-se em evolução. Esta ciência surgiu devido aos elevados índices de doenças e de acidentes sofridos por trabalhadores ao longo da história, devido as precárias condições em que o trabalho era materializado (SALIBA, 2004).

Segundo Saliba (2004), até iniciar-se a Revolução Industrial havia poucos relatos sobre acidentes e doenças do trabalho. Com o advento das máquinas, a produtividade aumentou, e, consequentemente, junto com ela surgiram os riscos de acidentes e de doenças relacionados ao trabalho (SALIBA, 2004). Naquela época, o trabalho era realizado focado apenas na produção, sendo que houve um notável aumento do número de agravos relacionados ao trabalho, decorrentes do uso crescente de máquinas, do acúmulo de operários em locais confinados, das longas jornadas laborais, da utilização de crianças nas atividades industriais, além das péssimas condições de salubridade nos ambientes fabris (CHAGAS; SALIM; SERVO, 2011). Ao mesmo tempo, os trabalhadores não recebiam qualquer tipo de informação ou treinamento acerca dos riscos ambientais existentes em suas atividades, tampouco recebiam equipamentos de proteção individual (EPI) para proteger sua integridade física (SALIBA, 2004).

A partir disso, dando ênfase ao trabalho relacionado ao abate e processamento de carnes e derivados há referências significativas. Segundo dados do IBGE, o Brasil bateu seu recorde de abate de bovinos em 2016. O grande crescimento do setor frigorífico ao longo dos anos e seu importante papel na economia do país impulsionou a sua modernização no que se refere à tecnologia e à automação, entretanto a maior parte dos processos de trabalho envolvem a mão de obra do trabalhador (CARDOSO, 2017). Segundo Cardoso (2017), os ambientes de trabalho

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______________________________________________________________________________ encontrados nos frigoríficos, em geral, expõem os trabalhadores a inúmeros fatores de riscos que exercem grande influência no comprometimento de sua saúde e segurança.

Os trabalhadores do setor frigorífico estão constantemente expostos a agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes que podem causar danos irreparáveis a saúde e segurança, caso sejam negligenciados. Analisar essas questões é de extrema importância pois atinge diretamente os trabalhadores e reflete diretamente nos custos sociais e econômicos.

Com o intuito de mudar o cenário e reduzir os altos índices de adoecimentos e acidentes no setor frigorífico, o Ministério do Trabalho criou em abril de 2013 através da portaria n° 555 a NR 36 - Segurança e Saúde o Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes e Derivados. Apesar da existência das demais normas, o surgimento da NR 36 visa mudar o panorama da segurança e saúde do trabalho (SST) neste setor.

Deste modo, é de fundamental importância da gestão dos riscos ambientais por parte das empresas do setor frigorífico. Uma exigência prevista na Norma Regulamentadora 09 é a gestão dos riscos através do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), instrumento este utilizado para antecipar, reconhecer, avaliar e consequentemente controlar os agentes ambientais presentes nos locais de trabalho. A norma apresenta uma série de requisitos e metodologias que devem ser utilizadas para uma eficiente avaliação, apresentando várias etapas a serem seguidas, constituindo um documento base. Além disso deve ser realizada uma análise global com ações a serem desenvolvidas a fim de melhorar os locais de trabalho, devendo ser realizada sempre que houver qualquer mudança nos processos produtivos da empresa ou no mínimo uma vez ao ano.

No entanto, a NR 36 que trata especificamente do setor frigorífico, citando o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais e inclusive destacando pontos que devem ser observados durante uma avaliação de riscos na área de abate e processamento de carnes e derivados.

Assim, surgiu a oportunidade de realizar a elaboração de um PPRA de uma empresa que tem como atividades o abate e processamento de carne bovina. Elaborou-se um Programa de Prevenção de Riscos Ambientais afim de atender as normas regulamentadoras, em especial a NR 09 e a NR 36. Foram acompanhadas todas as etapas do processo produtivo da empresa, onde foram realizadas as avaliações ambientais, análises quantitativas dos agentes físicos e químicos de todos

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os setores, avaliações qualitativas dos agentes biológicos, bem como observou-se os locais de trabalho para avaliar as condições em relação a saúde e segurança do trabalho.

1.1 CONTEXTO

O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais existe desde o final de 1994, pela Portaria n° 25 do Ministério do Trabalho, mas só começou a ser cobrado pelo órgão de fiscalização a partir de agosto de 1995, representando um marco nas relações trabalhistas no Brasil (CAMPOS, 2016). De acordo com a Norma Regulamentadora NR 09, todas as empresas que admitirem trabalhadores como empregados, independente da atividade econômica, é obrigada a elaborar e manter atualizado o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). O mesmo deve funcionar como uma ferramenta de gestão dos riscos existentes na empresa, sendo atualizado toda vez que houver alguma alteração na empresa, ou no mínimo uma vez ao ano (BRASIL, 1994a). A principal função do programa é eliminar ou controlar os agentes de riscos que sejam capazes de desencadear doenças ou prejudicar a saúde e a segurança dos trabalhadores.

Além disso, contextualizando com a atividade econômica de abate e processamento de carnes, percebe-se a necessidade de melhorias na gestão da segurança neste setor. O setor frigorífico é um dos setores que mais vem crescendo no Brasil, e mesmo que tecnologia traga meios de trabalho menos penosos aos trabalhadores, a maioria das atividades ainda dependem da mão de obra do trabalhador. Levando em consideração os processos produtivos, os trabalhadores ficam expostos a ambientes insalubres, há diversos agentes biológicos, ambientes úmidos, baixas temperaturas, ruídos, entre outros.

A NR 36 surgiu em 2013 para mudar este panorama, trazendo diretrizes para as empresas do setor frigorífico relacionadas a gestão da segurança e saúde no trabalho, inclusive vinculando estas com o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (BRASIL, 2013b).

Deste modo, decidiu-se por realizar uma pesquisa relacionada a este assunto, de grande relevância e que está em evidencia, pois até mesmo os órgãos de fiscalização dispõe de uma força tarefa no Rio Grande do Sul, intensificando a fiscalização as empresas do setor frigorífico.

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______________________________________________________________________________ 1.2 PROBLEMA

Conforme o Anuário Estatístico da Previdência Social em 2013, o setor frigorífico figura com o segundo maior número de acidentes de trabalho no Estado do Rio Grande do Sul, sendo 2,9 mil casos em abatedouros de bovinos, suínos e aves e fábricas de derivados que representam 9% a mais do que o ano anterior e o equivalente a 5% de todos os registros no Rio Grande do Sul.

A legislação vigente, relacionada a Segurança e Saúde no Trabalho (SST) exige que toda e qualquer empresa faça a gestão das atividades desenvolvidas dentro dos ambientes de trabalhos, de modo a tornar o trabalho saudável e prevenir a ocorrência de acidentes e de doenças ocupacionais. Deve haver um controle permanente sobre os riscos existentes ou que venham a existir em cada atividade presente dentro da empresa, bem como oferecer medidas de proteção coletivas e individuais aos trabalhadores.

Para realizar tais ações é necessária a implementação de projetos relacionados à SST, que objetivem a promoção da saúde, e ações que visem melhorar as condições de trabalho com a eliminação dos riscos, ou o seu controle. Deste modo destaca-se o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA).

1.2.1 Questões de Pesquisa

 Questões principais

Quais riscos físicos, químicos e biológicos das atividades realizadas na empresa de abate e processamento de carne bovina? Quais as medidas de proteção coletivas e individuais existentes para eliminar, reduzir ou controlar a ocorrência destes riscos ambientais? Estas medidas são suficientes?

 Questões secundárias

a) O abate e o processamento de carnes na empresa avaliada são realizados de acordo com as normas técnicas que tratam da segurança e saúde dos trabalhadores que exercem essa atividade?

b) No caso de desconformidade das normas, quais medidas devem ser implementadas para assegurar a integridade física e conservar a saúde dos trabalhadores?

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1.2.2 Objetivos de Pesquisa

O objetivo geral do trabalho é a elaboração do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) de uma empresa de abate e processamento de carnes, indicando a necessidade de medidas de proteção aos trabalhadores e avaliar a eficácia das medidas já existentes, seguindo as diretrizes das normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho, em especial as normas NR 09 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais e NR 36 - Segurança e saúde no trabalho em empresas de abate e processamento de carnes e derivados.

Como objetivos específicos tem-se:

a) Avaliar quais riscos físicos, químicos e biológicos estão envolvidos nas atividades realizadas em uma empresa de abate e processamento de carne bovina;

b) Avaliar se o abate e processamento de carnes na empresa avaliada é realizada de acordo com as normas técnicas que tratam da segurança e saúde dos trabalhadores que exercem essa atividade;

c) No caso de desconformidade das normas, identificar quais medidas devem ser implementadas para assegurar a integridade física e conservar a saúde dos trabalhadores.

1.2.3 Delimitação

A pesquisa foi delimitada a elaboração do PPRA de uma empresa que realiza abate e processamento de carne bovina, localizada em um município do interior da Região Noroeste do estado do Rio Grande do Sul.

As avaliações que originaram os dados desta pesquisa foram realizados em empresa escolhida, que possuí interesse em verificar o nível de atendimento aos aspectos relacionados à saúde e segurança do trabalho e que apresenta empenho em implantar melhorias em seus processos de trabalho. Foram realizadas várias visitas a campo nas instalações físicas da empresa a fim de obter as informações necessárias para a pesquisa.

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2 REVISÃO DA LITERATURA

A revisão da bibliografia oportunizou uma melhor compreensão da importância e da relevância do tema abordado e entender as dificuldades encontradas por aqueles que dedicam sua vida profissional a área de Segurança e Saúde no Trabalho. Além disso, esta busca por conhecimento oferece elementos imprescindíveis para a interpretação de itens das normas e a sua aplicação.

2.1 ASPECTOS CONCEITUAIS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO (SST) Neste item são abordados conceitos básicos de segurança e saúde no trabalho, para a compreensão das dificuldades e dos objetivos da gestão da segurança.

2.1.1 Segurança e Saúde no Trabalho (SST)

“A gestão da segurança e saúde no trabalho consiste em um conjunto de medidas e ações aplicadas para prevenir acidentes e doenças ocupacionais nas atividades das empresas ou estabelecimentos” (ZOCCHIO, 2002 apud BRIDI, 2012).

Segundo Rocha (1999, p. 31):

[...] O objetivo geral da segurança do trabalho é garantir que as atividades se desenvolvam conforme planejado sem perigo para os trabalhadores, eliminando também os riscos e qualquer outro fator que possa levar o trabalhador a sofrer qualquer tipo de acidente ou incidente.

De acordo com Saliba (2004, p. 19) “a segurança do trabalho é a ciência que atua na prevenção dos acidentes do trabalho decorrentes dos fatores de risco operacionais”. Desta forma, ao analisar antecipadamente os potencias riscos existentes em determinada atividades, pode-se prevenir contra acidentes já conhecidos (RIGOLON, 2013). Do ponto de vista da prevenção, o acidente do trabalho é o mais abrangente, incluindo também os quase acidentes e os acidentes que não provocam lesões, mas que geram outros danos como perda de tempo ou danos materiais (SALIBA, 2004).

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De acordo com Campos (2016, p. 111):

[...] Em termos de segurança e saúde no trabalho (SST) no Brasil, houve uma divulgação expressiva de duas bases técnicas: a BS 8800 (guia inglês) em 1996, que era voluntária (não existe obrigação de adotar seus requisitos), e depois em 1999, com a publicação da OHSAS 18001 (especificação) que se tornou a primeira certificação em SSt no mundo, principalmente porque seus requisitos vieram alinhados com os da ISO 9001 (Gestão da Qualidade) e ISO 14001 (Gestão Ambiental).

Conforme Campos (2016), para que a gestão exista é preciso ter uma documentação que descreva os principais elementos do sistema e os documentos / registros que irão suportá-lo. Além disso, é preciso mantê-los atualizados para garantir que a gestão possa ser entendida e executada de maneira a gerar o desempenho e os resultados esperados (CAMPOS, 2016).

2.1.2 Higiene do Trabalho

Segundo Goelzer (2010, p. 3) “Higiene Ocupacional é a ciência que trata da antecipação, reconhecimento, avaliação, prevenção e controle dos riscos originados nos locais de trabalho e que podem prejudicar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, também tendo em vista o possível impacto nas comunidades vizinhas e no meio ambiente em geral.”

A Higiene do trabalho visa à prevenção da doença ocupacional por meio da antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos agentes ambientais, sendo que a “Prevenção da doença” deve ser entendida com um sentido mais amplo, pois a ação deve estar dirigida à prevenção e ao controle das exposições inadequadas a agentes ambientais (SESI, 2007).

De acordo com o SESI (2007), a atuação da higiene ocupacional prevê uma intervenção deliberada no ambiente de trabalho como forma de prevenção das doenças ocupacionais ou aquelas relacionadas as atividades laborais. Esta definição de higiene ocupacional foi ampliada para incluir não meramente a prevenção de doenças em trabalhadores, mas todos os fatores ambientais que podem causar lesão, doença ou inaptidão, ou afetar o bem estar dos trabalhadores e da comunidade (BURGESS, 1997).

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______________________________________________________________________________  Higiene teórica: focada em estudos e experimentos, relaciona a exposição de

trabalhadores a agentes ambientais analisando as relações dose-resposta estabelecendo níveis máximos de exposição.

 Higiene de campo: trabalho de campo, onde segue-se metodologia com procedimento padronizado a ser seguido com utilização de equipamentos para coleta de amostras seguindo uma estratégia de amostragem.

 Higiene analítica: relacionada ao trabalho de análises laboratoriais de amostras realizadas, possui estreita relação com a higiene de campo e a teórica.

 Higiene operacional: relacionada com a seleção, a implementação e a manutenção, seja por meio de tecnologia de proteção, seja por EPC ou EPI.

Goelzer (2010, p. 3) destaca que os agentes e condições prejudiciais para a saúde só podem ser evitados, ou corrigidos, pela implementação de medidas preventivas adequadas, no contexto de um programa de prevenção de riscos eficiente (abrangente, adequado, multidisciplinar, bem gerenciado e sustentável). Do mesmo modo, quando riscos sérios para a saúde são óbvios e evidentes, a recomendação de medidas preventivas deve ser imediata, mesmo antes de ser feita uma avaliação quantitativa de risco (GOELZER, 2010).

Saliba (2009, p. 10) observa que pelas várias definições a tendência da higiene ocupacional a reconhecer, avaliar e controlar não só os agentes ambientais capazes de produzir doenças do trabalho como, também o bem estar e conforto nos ambientes de trabalho e na comunidade. Do mesmo modo, Goelzer (2010, p. 4) destaca a importância das intervenções de higiene ocupacional ultrapassarem o ambiente de trabalho, pois estas visam também evitar que atividades e processos de trabalho tenham efeitos negativos sobre as comunidades vizinhas e o meio ambiente em geral.

Segundo Campos (2016, p. 254) para o desenvolvimento de um programa de higiene ocupacional ser eficaz, é necessário que a etapa antecipação de riscos deve ser entendida como uma estratégia de gestão, onde os riscos identificados em uma planilha de reconhecimento sirvam de orientação aos administradores do programa. Além disso, destaca a importância de se formar uma equipe multidisciplinar para realizar as análises de riscos necessárias (CAMPOS, 2016).

Na mesma linha, Saliba (2009, p. 15) menciona que a prevenção da doença do trabalho envolve e exige o engajamento de equipe multidisciplinar, vez que há interface da higiene

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ocupacional com diversos ramos de atividades, entre as quais podem se destacar a medicina do trabalho, meio ambiente, direito, ergonomia e a segurança do trabalho.

Segundo Mendes (2003), em uma estratégia de avaliação de higiene ocupacional deve-se avaliar a exposição dos trabalhadores aos riscos, levando em consideração os efeitos que estes agentes podem trazer, de modo a avaliar devidamente os riscos associados ao trabalho em um ambiente ocupacional.

2.1.3 Acidentes e Doenças do Trabalho

A NBR 14280 - Cadastro de Acidente do Trabalho (ABNT, 2001, p. 2) define acidente do trabalho como “ocorrência imprevista e indesejável, instantânea ou não, relacionada com o exercício do trabalho, de que resulte ou possa resultar lesão pessoal”. Entende-se como acidentes os acontecimentos anormais, imprevistos e involuntários que causam danos físicos ou materiais (CHAGAS; SALIM; SERVO, 2011).

Por outro lado, Saurin (2002) discorda deste conceito, afirmando ser inadequado generalizar como um evento imprevisto, tendo em vista que muitos acidentes são previsíveis. Desta forma, Saurin (2002) define acidente como a ocorrência não planejada, imediata ou não, decorrente da influência mútua do ser humano com o seu ambiente físico e social de trabalho e que provoca lesões e/ou danos materiais.

Saurin (2002) classifica esta definição em três aspectos:

a) Ao citar que os acidentes são eventos não planejados, é reconhecido o papel de acaso na sua ocorrência;

b) Os acidentes não tem relação exclusivamente com o meio ambiente físico do trabalho (máquinas, ferramentas e condições de iluminação e ruído, por exemplo), mas envolvem, também, o meio ambiente social (organização do trabalho) dentro do qual o trabalho é realizado;

c) Os acidentes apenas com danos materiais também são considerados acidentes de trabalho.

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______________________________________________________________________________ Almeida e Binder (2000, apud Rigolon, 2013), reforçam que os acidentes do trabalho são fenômenos previsíveis, portanto podem ser adotadas medidas de prevenção com o intuito de minimizar ou evitar a repetição de episódios semelhantes e a ocorrência de novos incidentes.

Acidente também é definido pela NBR 18801 - Sistema de gestão da segurança e saúde no trabalho como um evento ou conjunto de eventos de ocorrências anormais, ou qualquer intervenção no processo normal de trabalho, que resultem em consequências que possam causar lesões ao trabalhador (ABNT, 2010).

Segundo Morais (2011, p. 4):

[...] Acidente de trabalho é aquele que ocorre pelo exercício do trabalho, a serviço da empresa, contando desde a hora em que o trabalhador se desloca de sua casa para o trabalho, até quando o trabalhador torna a se deslocar do trabalho até sua casa, desde que ele não altere seu itinerário, a menos que este itinerário seja alterado por motivo inerente ao próprio trabalho.

Segundo Araújo (2016) o acidente é a materialização de uma sucessão de desvios no Sistema de Gestão de Segurança, que ocorrem com o tempo. Estes desvios estão relacionados, principalmente à deficiência no processo de identificação e à avaliação dos riscos, procedimentos e controles inexistentes ou inadequados, à falta de qualificação e treinamento, ao não atendimento aos requisitos técnicos e legais e ao comportamento inseguro (ARAÚJO, 2016).

Para Mendes (2003) acidente entende-se como a disponibilidade do operário para sofrer danos pela concomitância de diversos fatores nocivos, que podem originar o evento.

A doença do trabalho, segundo a legislação brasileira pela Lei 8.213 de julho de 1991, é aquela adquirida ou desencadeada em função das condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente (BRASIL, 1991c). Já a doença ocupacional ou relacionada ao trabalho é a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social presentes no anexo II do Decreto 3.048/1999.

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Analisando a legislação brasileira, através da Lei 6.367 de outubro de 1976, percebe-se que tanto a doença do trabalho quanto a doença ocupacional ou relacionada ao trabalho, são equiparadas com acidentes de trabalho (BRASIL, 1976d).

Segundo Mendes (2003), doença profissional é aquela definida, cuja causa é diretamente identificável num dos fatores do ambiente de trabalho, como por exemplo a silicose, o benzolismo ou o saturnismo. Por outro lado, destaca que as doenças relacionadas ao trabalhos não estão diretamente associadas a uma causa determinada, são atribuíveis em partes a um ou mais fatores do ambiente de trabalho.

2.2 NORMAS REGULAMENTADORAS

As Normas Regulamentadoras foram aprovadas em 8 de junho de 1978, pelo Ministério do Trabalho, através da Portaria 3.214 (BRASIL, 1978e). Atualmente são 36 as NR, relativas à segurança e medicina do trabalho. Estas são de observância obrigatória pelas empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT (BRASIL, 1943f). Destaca-se neste contexto, as Normas Regulamentadoras NR-09 Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, e NR-36 Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes e Derivados.

A criação das NR, foi um marco para a segurança do trabalho no Brasil. A partir daí, teve início um maior controle, e uma redução significativa nos índices de acidentes de trabalho em nosso país. De acordo com o Anuário Estatístico da Previdência Social (Brasil, 2013g), na década de 80 houve uma redução média de 29,04% nos acidentes. Já na década seguinte teve uma redução média de 57,94%, ou seja, nos anos 90 os acidentes foram reduzidos pela metade (BRASIL, 2013g).

Contudo, apesar do surgimento de normas e ferramentas visando melhorar as condições de segurança no trabalho, e o aumento da fiscalização pelos órgãos competentes, a partir dos anos 2000, houve um retrocesso na prevenção de acidentes (BRASIL, 2013g). O Anuário Estatístico da Previdência Social (Brasil, 2013g) demonstra que o número médio anual de acidentes que na década de 90 que era de 470.210, passou a ser 512.275, tendo um aumento de 8,95%.

(25)

______________________________________________________________________________ 2.2.1 NR 09 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA)

A NR 09 denominada Riscos Ambientais surgiu no ano de 1978 através da Portaria nº 3.214, junto com as demais 27 Normas Regulamentadoras, sendo que esta considerava os riscos ambientais como físicos, químicos e biológicos que pudessem trazer ou ocasionar danos à saúde dos trabalhadores (CAMPOS, 2016).

No ano de 1994, a Portaria n° 25 alterou a NR 09, passando a ser denominada Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), passando a prever ações que devem ser desenvolvidas nas empresas visando a preservação da saúde e integridade dos trabalhadores por meio da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle dos riscos ambientais (CAMPOS, 2016). Segundo Saliba (2009) este se trata de um programa de higiene ocupacional que se tornou obrigatório as empresas com a redação desta Portaria n° 25.

Segundo Campos (2016) até chegarmos a conquista da obrigatoriedade da implantação deste programa, muitos trabalhadores ficaram doentes, houve óbitos, e instalação de doenças crônicas. Por outro lado, Campos (2016) retrata que a NR 09 é pioneira, pois se trata da primeira norma que traz conceitos de gestão, e que, de alguma forma, começa a contribuir para aprimorar a questão da exposição de trabalhadores a riscos ambientais.

A elaboração deste tipo de programa, conforme Sherique (2004) visa em um primeiro momento atender as exigências da Norma Regulamentadora número 09, entretanto a partir de janeiro de 2004, serve também como documento de demonstração ambiental para os efeitos da Legislação Previdenciária, especialmente para os processos de requerimento de aposentadoria especial.

Do mesmo modo, em 2009 a Previdência Social por conta do número expressivo de benefícios acidentários concedidos por conta de acidentes e doenças do trabalho, estabeleceu uma meta para os PPRA: reduzir a ocorrência dos benefícios devidos a acidentes e doenças ocupacionais em pelo menos 5% em relação ao ano anterior (CAMPOS, 2016).

Campos (2016) afirma que com o passar dos anos, foram surgindo novas Normas Regulamentadoras que têm incluído os riscos adicionais, entre elas podemos citar a NR 10, a NR 12, a NR 19, a NR 20, a NR 32, a NR 33, a NR 34, a NR 35 e a NR 36.

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A NR 09 estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA. Este deve visar à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais (BRASIL, 1994a).

A norma destaca que o PPRA é parte integrante do conjunto mais amplo das iniciativas da empresa no campo da preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, devendo estar articulado com as demais NR, em especial com o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO previsto na NR-7 (BRASIL, 1994a). Isto porque há uma relação muito grande entre o reconhecimento de riscos ambientais e o controle médico dos trabalhadores, sendo os exames médicos constantes no Programa de Controle Médico voltados aos riscos que foram identificados no PPRA.

Saliba (2009) alerta que é importante que não se confunda o PPRA com o mapa de risco, enquanto o primeiro é um programa de higiene ocupacional o segundo é uma inspeção realizada nos ambientes de trabalho pelo conhecimento e percepção do próprio trabalhador. Contudo, os mapas de riscos ambientais devem ser considerados para fins de planejamento das ações do PPRA em todas as suas fases. (SALIBA, 2009).

Segundo a NR 09, consideram-se riscos ambientais os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador (BRASIL, 1994a). A norma classifica os agentes ambientais da seguinte forma:

a) Agentes físicos: considera as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas (calor e frio, radiações (ionizantes e não ionizantes), infra-som, ultra-som;

b) Agentes químicos: considera as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão;

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______________________________________________________________________________ c) Agentes biológicos: considera as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários,

vírus, entre outros.

De acordo com a NR 09 o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais deverá incluir as seguintes etapas:

a) antecipação e reconhecimentos dos riscos;

b) estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle; c) avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores;

d) implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia; e) monitoramento da exposição aos riscos;

f) registro e divulgação dos dados.

Segundo Goelzer (2010) a antecipação e reconhecimento dos riscos é extremamente importante; é necessário investigar as possibilidades de uso, formação e dispersão de agentes ou fatores nocivos associados aos diferentes processos de trabalho, bem como seus possíveis efeitos sobre a saúde. Da mesma forma, é importante também estudar a possível reatividade entre substâncias que serão utilizadas no mesmo local, o que requer conhecimentos, experiência e acesso a fontes atualizadas de informação (GOELZER, 2010). Saliba (2009) destaca que é importante conhecer o processo produtivo da empresa, desde a matéria-prima até o produto acabado, identificando em cada uma delas o risco potencial de exposição ocupacional dos trabalhadores.

Neste sentido, Campos (2016) orienta que o reconhecimento de riscos deve ser realizado de forma coletiva, combinando o conhecimento profissional dos membros do SESMT ou de consultores de SST com experiência dos trabalhadores nos locais de trabalho.

2.2.2 NR 36 - Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes e Derivados.

A Norma Regulamentadora n° 36 surgiu no ano de 2013 com o objetivo de estabelecer os requisitos mínimos para a avaliação, controle e monitoramento dos riscos existentes nas atividades desenvolvidas na indústria de abate e processamento de carnes e derivados destinados ao consumo

(28)

humano (BRASIL, 2013b). A mesma surge para garantir permanentemente a segurança, a saúde e a qualidade de vida no trabalho, sem prejuízo da observância do disposto nas demais Normas Regulamentadoras - NR do Ministério do Trabalho e Emprego (BRASIL, 2013b).

Segundo a NR – 36 para fins de elaboração de programas preventivos (PPRA e PCMSO) devem ser considerados, entre outros, os seguintes aspectos da organização do trabalho:

a) Compatibilização das metas com as condições de trabalho e tempo oferecidas;

b) Repercussões sobre a saúde do trabalhador de todo e qualquer sistema de avaliação de desempenho para efeito de remuneração e vantagens de qualquer espécie;

c) Períodos insuficientes para adaptação e readaptação de trabalhadores à atividade. Ainda em relação aos programas, a norma traz que o médico coordenador do PCMSO deve informar aos responsáveis pelo PPRA e ao empregador, as situações geradoras de riscos aos trabalhadores, especialmente quando observar, no controle médico relação entre as queixas e agravos à saúde dos trabalhadores e as situações de trabalho a que ficam expostos (BRASIL, 2013b). Segundo a NR – 36 (2013) as medidas propostas pelo Médico do Trabalho devem ser apresentadas e discutidas com os responsáveis pelo PPRA, com os responsáveis pelas melhorias ergonômicas na empresa e com membros da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA. Conforme a norma NR – 36, em relação ao PPRA, traz que este também deve definir os Equipamentos de proteção individual - EPI de forma a oferecer eficácia necessária para o controle da exposição aos riscos e o conforto, atendendo o previsto nas NR-06 (Equipamentos de proteção Individual - EPI) e NR-09 (Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais - PPRA) (BRASIL, 2013b).

Além da relação com os programas já citados, a NR 36 apresenta os requisitos para que as empresas se adequem às suas exigências, sendo que o primeiro passo é conhecer a norma e as suas aplicações. São vários pontos que são relacionados pela NR, entre as quais destacam-se questões como máquinas, equipamentos e ferramentas, mobiliários e postos de trabalho, levantamento e transporte de cargas, condições ambientais do trabalho, EPI e vestimentas de trabalho, gerenciamentos dos riscos existentes e treinamentos (BRASIL, 2013b).

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______________________________________________________________________________ Segundo Cardoso (2017), em relação as condições ambientais de trabalho, a norma exige que os empregadores tomem providências para proteger os trabalhadores de todos os agentes de risco presentes no ambiente de trabalho, como o ruído, temperaturas extremas, agentes biológicos, bem como os agentes químicos. Além disso, determina que as empresas coloquem em prática uma abordagem planejada da prevenção, por meio do gerenciamento dos fatores de risco, utilizado todos os meios técnicos, de engenharia e administrativos, para garantir o segurança e a saúde dos trabalhadores (BRASIL, 2013b).

Outro preceito fundamental da NR 36 é a obrigatoriedade por parte dos empregadores de elaborar a Análise Ergonômica do Trabalho (AET), de modo a avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, e trazer melhorias nos ambientes e rotinas de trabalho, levando em consideração os riscos ergonômicos, afim de atender também a NR 17 (BRASIL, 2013b).

Há uma grande relação da NR 36 com NR 12 que trata de proteções em máquinas e equipamentos, sendo que a primeira estabelece que todas as máquinas e equipamentos utilizados nas empresas de abate e processamento de carnes e derivados devem atender o disposto na NR 12 (BRASIL, 2013b).

De acordo com Cardoso (2017) outro ponto a destacar é quanto as informações e treinamentos em SST, que a normativa estabelece que todos os trabalhadores devem passar por cursos e treinamentos informando os riscos a que estes estão expostos em suas rotinas de trabalho, suas causas potenciais, efeitos a sua saúde, bem como as medidas de proteção. Estas informações devem ser realizadas na admissão dos trabalhadores e periodicamente (BRASIL, 2013b).

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3 MÉTODO DE PESQUISA

Segundo Ludke e André (1986), para a realização de uma pesquisa é preciso promover um confronto entre dados, evidências e informações coletadas sobre determinado assunto e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele. Desta forma pode-se definir método como a observação sistemática dos fenômenos da realidade através de uma sucessão de passos, orientados por conhecimentos teóricos, buscando explicar determinadas questões, suas correlações e aspectos não-revelados (GOLDENBERG,1997).

Há diversos métodos de pesquisa citados e descritos pela literatura, entretanto há alguns que se fazem mais adequados para determinados temas a serem abordados. Desta forma buscou-se o uso de técnicas apropriadas e convenientes para o desenvolvimento desta pesquisa.

3.1 ESTRATÉGIA DE PESQUISA

O método de pesquisa empregado neste trabalho, foi através de estudo de caso, como o estudo de uma entidade e suas características para conhecer a profundidade de uma determinada situação e entender as suas variáveis.

Segundo Gerhardt e Silveira (2009) o método de pesquisa por estudo de caso caracteriza-se por analisar uma entidade bem definida como um programa, uma instituição, um sistema educativo, uma pessoa, ou uma unidade social. Procura identificar em profundidade o como e o porquê de uma determinada situação que se supõe ser única em muitos aspectos, procurando descobrir o que há nela de mais essencial e característico (GERHARDT; SILVEIRA, 2009).

A pesquisa se deteve na realização de um estudo em uma única empresa, avaliando as suas condições em relação aos aspectos ligados a Segurança e Saúde no Trabalho, mais especificamente o recolhimento de dados para a elaboração de um documento técnico denominado PPRA. Foram realizadas visitas para levantamentos de dados, fotografias, bem como preenchimento de tabelas e formulários que trouxessem as informações necessárias para o sucesso da pesquisa.

Após o recolhimento de todas as informações e realização das atividades necessárias, buscou-se informações através de referências e normas técnicas para a elaboração do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA).

(31)

______________________________________________________________________________ 3.2 DELINEAMENTO

A pesquisa divide-se em várias etapas, que foram desenvolvidas em sequência, sendo ambas paralelas a revisão bibliográfica. Estão dividas nos seguintes itens:

a) Revisão bibliográfica;

b) Levantamento e coleta de dados na empresa avaliada; c) Definição de um modelo da PPRA;

d) Elaboração do PPRA;

e) Análise e interpretação dos resultados;

Figura 1: Delineamento de pesquisa

(32)

4 RESULTADOS

A apresentação dos resultados obtidos após os levantamentos e elaboração do PPRA está composta em vários itens, contemplando as partes integrantes do referido programa, tais como: caracterização da empresa, metodologia de ação, medidas de controle, riscos ambientais avaliados, Normas Regulamentadoras articuladas com a empresa, registro, manutenção e divulgação do PPRA, cronograma de atividades e texto de encerramento do programa.

4.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA

A empresa ABATEDOURO DE BOVINOS possui atuação centrada no abate e processamento de carne bovina. Além do abate e processamento da carne é realizada pela empresa o transporte e entrega do produto final.

O processo produtivo da empresa ocorre em diversas etapas, iniciando pelo transporte realizado para a busca dos animais que irão ser abatidos. Nesta etapa além do transporte é realizada a carga e descarga dos animais.

Após os animais estarem no local onde ficam alojados e confinados, vem a etapa de locomoção dos animais até o ponto de abate, para onde os mesmos são encaminhados. Após chegar ao local de abate, os animais são atordoados com a utilização de equipamento tipo pistola pneumática.

Depois do atordoamento, os bovinos são conduzidos para a sala de abate, onde passam por todos os processos, desde sangria, remoção do couro, corte da carcaça, remoção dos órgãos internos, inspeção, lavagem da carcaça, até chegar ao armazenamento nas câmaras frias. Também são realizados cortes, desossa de carnes e embalagem para comercialização pelo frigorífico.

Após o armazenamento, é realizado posteriormente o carregamento nos caminhões para a entrega final, aos clientes.

Além das atividades produtivas há outros setores de apoio, como o setor de escritório onde são realizadas as tarefas administrativas; a cozinha onde é preparado o almoço para os trabalhadores e o setor de caldeira, que mantém a água aquecida para os processos realizados no

(33)

______________________________________________________________________________ setor de abate.

O quadro 01 traz as informações de identificação da empresa:

Quadro 01: Dados da empresa

Razão Social: Abatedouro De Bovinos

Número do CNPJ: XX.XXX.XXX/XXXX-XX

Código CNAE: 10.11-2-01

Grau de risco: 03

Endereço: XXXXXXXXX, XX, XXXXX XXXXXX/XX

Telefone: (0XX55) XXXX-XXXX

Jornada de trabalho: 44 horas semanais

Responsáveis pelas informações: XXXXXX XXXXXX

Responsável pela empresa: XXXX XXXXX XXXXXX

Data do levantamento: Agosto / 2017

Fonte: Autoria própria

As informações constantes no quadro permitem a identificação da empresa, bem como identificar as pessoas responsáveis pelas informações e pela empresa, e o período dos levantamentos ambientais.

A empresa Abatedouro de Bovinos conta, atualmente com quarenta e um (41) empregados diretos, distribuídos nos setores e cargos de acordo com o Código Brasileiro de Ocupações (CBO) conforme descrito no quadro 02, a seguir:

(34)

Quadro 02: Cargos por setor de trabalho

SETOR CARGO CBO TOTAL

Caldeira Operador de Caldeira 8621-20 02

Cozinha Cozinheira 5132-05 01 Escritório Advogada 2410-10 01 Auxiliar de Escritório 4110-05 02 Contador 2522-10 01 Produção Auxiliar de Inspeção 3252-05 01 Chefe de Abate 8485-20 01 Magarefe 8485-20 15 Produção / Higienização Controlador da Qualidade 3252-05 01 Magarefe 8485-20 03

Transporte de Gado Motorista de Caminhão 5143-20 02

Transporte / Entregas

Motorista de Caminhão 5143-20 09 Auxiliar de Carga e

Descarga 7832-25 02

Total 41

Fonte: Autoria própria

4.2 METODOLOGIA DE AÇÃO DO PPRA

4.2.1 Descrição de ação

Inicialmente, o PPRA será desenvolvido em três etapas: antecipação e reconhecimento; avaliação quantitativa e monitoramento dos riscos ambientais e implementação das medidas de controle.

Essas três etapas serão segmentadas no tempo, de suas implantações, mas com o avanço do PPRA elas tenderão a se tornar causa-efeito, entrando em um ciclo fechado de desenvolvimento.

Na primeira etapa, quando aplicáveis, serão objetos de análise as instalações, os métodos e processos de trabalho, bem como as possíveis modificações, visando à identificação dos riscos

(35)

______________________________________________________________________________ potenciais, das fontes geradoras e possíveis trajetórias, das funções e do número de trabalhadores expostos, dos possíveis danos à saúde relacionados aos riscos, a caracterização das atividades e do tipo de exposição e a obtenção de dados existentes na empresa indicativos de possível comprometimento da saúde decorrente do trabalho.

Deverão ser contempladas entrevistas com os empregados e consulta à área médica; mapas de riscos e mapeamento de insalubridade e periculosidade existentes, isto servirá de parte integrante ou servirão de parâmetro para o PPRA da empresa.

Quando não forem detectados riscos ambientais o PPRA se resumirá à antecipação e reconhecimento dos riscos, registro e divulgação dos dados.

Na segunda etapa, a avaliação quantitativa deverá ser realizada para:

 Comprovar o controle ou a inexistência de determinado risco ambiental (Riscos Físicos, Químicos e Biológicos);

 Dimensionar a exposição dos trabalhadores a tais riscos;

 Subsidiar o equacionamento das medidas de controle;

 Monitorar a eficácia das medidas implementadas (Equipamentos de Proteção Coletiva). As avaliações seguirão os procedimentos técnicos estabelecidos pela FUNDACENTRO ou pelo NIOSH e relatarão as exposições para cada função específica, identificando posto de trabalho, função analisada, síntese das principais atividades, riscos ambientais identificados, resultados das medições, conclusões e parecer técnico.

Na terceira etapa, deverão ser adotadas as medidas necessárias e suficientes para a eliminação, minimização ou controle dos riscos ambientais sempre que forem verificadas uma ou mais das seguintes situações:

a) identificação, na fase de antecipação, de risco potencial à saúde; b) constatação, na fase de reconhecimento de risco evidente à saúde;

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valores dos limites previstos na NR 15 ou, na ausência destes os valores de limites de exposição ocupacional adotados pela American Conference of Governamental Industrial Higyenists-ACGIH, ou aqueles que venham a ser estabelecidos em negociação coletiva de trabalho, desde que mais rigorosos do que os critérios técnico-legais estabelecidos;

d) quando, através do controle médico de saúde, ficar caracterizado o nexo causal entre danos observados na saúde dos trabalhadores e a situação de trabalho a que eles ficam expostos.

4.2.2 Técnicas de Avaliação, Estratégia de amostragem e Equipamentos Utilizados

As técnicas de avaliação utilizadas estão embasadas nas Normas Regulamentadoras aprovadas pela Portaria Nº 3.214/78 do Ministério do Trabalho, bem como as metodologias estabelecidas pelas Norma de Higiene Ocupacional (NHO) da FUNDACENTRO, e ainda seguindo critérios definidos pela ACGIH e NIOSH.

Os equipamentos relacionados a seguir atendem às normas e especificações e foram devidamente calibrados tendo, com isso, a necessária confiabilidade nas leituras efetuadas e nas respectivas conclusões.

Avaliações de Ruído

As dosimetrias são feitas com uso de dosímetros e calibradores: - Marca QUEST modelo THE EDGE, e modelo Noise Pro DLX, - Calibrador QC-10.

As leituras foram efetuadas na altura da zona auditiva do trabalhador exposto. O critério adotado foi o dB (A), isto é, o instrumento de leitura operando no circuito de compensação “A” e circuito de resposta lenta (SLOW), para ruído contínuo e intermitente. A comparação dos valores obtidos no instrumento foi realizada com os níveis de compressão sonora máximos, permitidos em função do tempo de exposição a que fica submetido o trabalhador, de acordo com o Anexo Nº 1 da NR 15 – Portaria Nº 3.214/78 do Ministério do Trabalho.

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______________________________________________________________________________ Avaliações de Calor

As medições de calor realizadas, foram feitas com uso de um termômetro de globo digital (IBUTG), composto de indicador e módulo sensor com 3 sondas, marca INSTRUTHERM, modelo TGD-200, devidamente calibrado.

Avaliações de Agentes Químicos

Foram realizadas inspeções nas atividades e no local de trabalho, de acordo com o Anexo Nº 11 – Agentes Químicos cuja Insalubridade é Caracterizada por Limite de Tolerância e Inspeção no Local de Trabalho, Anexo Nº 12 – Limites de Tolerância para Poeiras Minerais e Anexo Nº 13 – Agentes Químicos, da NR 15 – Atividades e Operações Insalubres da Portaria Nº 3.214/78 do Ministério do Trabalho.

A avaliação dos possíveis agentes químicos existentes no local de trabalho, bem como nas atividades em estudo, são objeto de avaliação qualitativa e quantitativa. Os agentes químicos a serem avaliados foram definidos após análise do processo produtivo, bem como das Fichas de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ), que trazem a composição dos produtos utilizados no processo.

As avaliações foram realizadas por profissional legalmente habilitado e com equipamentos adequados, obedecendo às especificações técnicas estabelecidas pelas normas vigentes.

As avaliações quantitativas realizadas, foram feitas com o uso da bomba de amostragem pessoal: Marca SENSIDYNE, modelo GILAIR 5, número de série 20080202002, devidamente calibrado. Marca SENSIDYNE, modelo GILAIR PLUS, número de série 20130130076, devidamente calibrado.

As monitorações ambientais são executadas na altura da zona respiratória do trabalhador exposto.

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Agentes Biológicos

Reconhecimento e inspeção realizada no local de trabalho (avaliação qualitativa) de acordo com o Anexo 14 da NR 15 da Portaria 3214/78 e com a NR 32 – Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde, conforme recomendações da ACGIH e o bom senso, considerando:

a) A finalidade e descrição do local de trabalho; b) A organização e procedimentos de trabalho; c) A possibilidade de exposição;

d) A descrição das atividades e funções de cada local de trabalho; e) As medidas preventivas aplicáveis e seu acompanhamento 4.3 MEDIDAS DE CONTROLE

O PPRA estabelece que as medidas de controle dos riscos ambientais deverão ser adotadas na seguinte ordem de prioridade:

1. Medidas coletivas (Equipamentos de Proteção Coletiva); 2. Medidas administrativas de organização do trabalho; 3. Equipamentos de proteção individual.

As medidas de controle envolvem as medidas necessárias e suficientes a serem adotadas para a eliminação, a minimização ou o controle dos riscos ambientais, sempre que forem verificadas uma ou mais das seguintes situações:

a) identificação, na fase de antecipação, de risco potencial à saúde; b) constatação, na fase de reconhecimento de risco evidente à saúde;

c) quando os resultados das avaliações quantitativas da exposição dos trabalhadores excederem os valores dos limites previstos na NR 15 ou, na ausência destes os valores de limites de exposição ocupacional adotados pela American Conference of Governamental Industrial Higyenists

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______________________________________________________________________________ (ACGIH), ou aqueles que venham a ser estabelecidos em negociação coletiva de trabalho, desde que mais rigorosos do que os critérios técnico-legais estabelecidos;

d) quando, através do controle médico da saúde, ficar caracterizado o nexo causal entre danos observados na saúde dos trabalhadores e a situação de trabalho a que eles ficam expostos.

4.4 RISCOS AMBIENTAIS AVALIADOS

A NR 9 conceitua riscos ambientais como sendo “os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador”.

Os agentes que geram riscos ambientais são assim definidos:

 Agentes físicos são as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não-ionizantes, bem como o infra-som e o ultra-som. Constantes na NR 15 – Atividades e Operações Insalubres, Anexos Nº 1 a 10.

 Agentes químicos são as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvido pelo organismo através da pele ou por ingestão. Constantes na NR 15, Anexos Nº 11 a 13.

 Agentes biológicos são as bactérias, fungos, protozoários, vírus, entre outros. Constantes na NR 15, Anexo Nº 14.

Considerações sobre Exposição Eventual, Intermitente e Permanente ao Risco.

 Do tempo de exposição ao risco: a análise do tempo de exposição traduz a quantidade de exposições em tempo (horas, minutos, segundos) a determinado risco operacional sem proteção, multiplicado pelo número de vezes que esta exposição ocorre ao longo da jornada de trabalho.

 Eventual – A exposição que se processa de forma ocasional / casual, ou seja se o trabalhador ficar exposto durante 5 (cinco) minutos, por exemplo, a riscos ambientais, e esta exposição se

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repete por 5 ou 6 vezes durante a jornada de trabalho, então o seu tempo de exposição é de 25 a 30 min/dia, o que traduz a eventualidade do fenômeno.

 Intermitente – A exposição que possui interrupções / intervalos durante a execução das atividades na jornada de trabalho, ou seja, ele se expõe ao mesmo risco ambiental durante 20 minutos e o ciclo se repete por 15 a 20 vezes, passa a exposição total a contar com 300 a 400 min/dia de trabalho, o que caracteriza uma situação de intermitência.

 Permanente / Contínuo – A exposição se processa durante quase toda ou toda a jornada de trabalho, sem interrupção, diz-se que a exposição é de natureza contínua (permanente).

4.4.1 Avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores por setor de trabalho

Neste item o PPRA apresenta os resultados pós avaliações ambientais, onde informa a descrição dos ambientes de trabalho, materiais e equipamentos utilizados, identificação dos riscos físicos, químicos e biológicos existentes em cada setor, suas fontes geradoras, bem como as medidas existentes para cada risco e recomendações de medidas de controle necessárias para cada agente. Para cada setor de trabalho, dos sete (07) existentes, foram avaliadas as atividades executadas por cada cargo, relacionando os riscos presentes em cada uma.

Os resultados das avaliações quantitativas de ruído, calor e agentes químicos constantes nas tabelas foram fornecidos pela empresa avaliada, lembrando que as mesmas foram realizadas pelo autor deste trabalho, em época anterior a elaboração desta pesquisa.

Os dados das demonstrações ambientais, como resultados de avaliações de ruído, fichas de informações de segurança de produtos químicos, certificados de aprovação de EPI, certificados de análise de agentes químicos encontram-se nos anexos deste trabalho.

(41)

______________________________________________________________________________ SETOR 01: CALDEIRA

Cargo: Operador de Caldeira CBO: 8621-20

Descrição do local de trabalho: Piso de concreto bruto, laterais (paredes) em alvenaria com

cobertura de fibrocimento. Iluminação artificial através de lâmpada incandescente e iluminação natural através da porta de acesso. Ventilação natural através da porta de acesso. Possui pé direito de aproximadamente 5m (cinco metros) e área de aproximadamente 150m² (cento e cinquenta metros quadrados).

Realiza também atividades nos currais, a céu aberto.

Materiais e equipamentos utilizados: Lenhas, caldeira a lenha, motosserra, esguicho e machado.

Descrição das atividades:

Operador de caldeira – Responsável pelo estoque da caldeira. Picar e serrar a lenha. Alimentar e

controlar a caldeira. Lavar os animais e os currais com esguicho de água.

A figura 02 ilustra as condições do setor de caldeira, no dia das avaliações.

Figura 02: Setor Caldeira

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O quadro 03 traz os resultados das avaliações dos riscos realizadas no setor de Caldeira, contendo o reconhecimento de riscos, suas fontes geradoras, bem como os resultados das avaliações realizadas e medidas de controle existentes.

Quadro 03: Resultados das avaliações do setor Caldeira

ANTECIPAÇÃO E RECONHECIMENTO DOS RISCOS AMBIENTAIS

Risco Físico: Ruído (Anexo 01 – NR 15) Risco Físico: Calor (Anexo 03 – NR 15)

Risco Físico: Radiação não ionizante (Anexo 07 – NR15) Risco Físico: Umidade (Anexo 10 – NR 15)

Risco Químico: Hidrocarbonetos (Anexo 13 – NR 15) Risco Biológico: Agentes biológicos (Anexo 14 – NR 15)

RESULTADOS DAS AVALIAÇÕES QUALI-QUANTITATIVAS Tipo de

Risco Agente Nível de Ação

Intensidade / Concentração Tipo de exposição Técnica utilizada Equipamento utilizado F Q B NR 09 ACGIH

x Ruído 80 dB (A) 80 dB (A) 75,3 dB (A) Habitual /

Permanente Dosimetria Dosímetro

x Calor 30,0°C - 27,3°C Habitual / Permanente IBUTG Medidor de Stress Térmico x Radiação não ionizante - - -Habitual /

Permanente Qualitativa Não aplicável

x Umidade - - - Habitual /

Permanente Qualitativa Não aplicável

x Hidrocarbonetos - - - Eventual Qualitativa Não aplicável

x Agentes Biológicos - - - Habitual /

Permanente Qualitativa Não aplicável

MEDIDAS DE CONTROLE EXISTENTES

Agente EPC Administrativa Tipo EPI CA

Ruído Inexistente Inexistente Protetor auditivo tipo plug 15485

Calor Não aplicável Não aplicável Não aplicável Não aplicável

Radiação não ionizante Inexistente Inexistente

Óculos de proteção 11268

Avental de raspa de couro 20514

Luvas de raspa de couro 20913

Umidade Inexistente Inexistente

Botas de PVC 30536

Luvas de Látex 14754

Vestimenta Impermeável 27396

Hidrocarbonetos Não aplicável Não aplicável Creme de proteção 10931

Agentes Biológicos Não aplicável Inexistente Inexistente -

FONTES GERADORAS DOS RISCOS AMBIENTAIS

Agente Fonte Geradora Meio de Propagação

Ruído Caldeira, motosserra e esguicho Ar

Calor Caldeira Ar

Radiação não ionizante Fornalha da caldeira e radiação ultravioleta

do sol em trabalho a céu aberto Ar e cutânea

Umidade Lavagem de animais com esguicho Cutânea

Hidrocarbonetos Contato com óleos durante abastecimento s

lubrificação de motosserra Cutânea

Agentes Biológicos Contato com os animais nos currais Ar e cutânea

Referências

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