Desempenho Lumínico
Norma ABNT/NBR 15575
Profa. Dra. Cláudia Torres
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
Iluminação Natural
Um bom projeto de iluminação natural tira proveito e controla a luz disponível, maximizando suas vantagens e reduzindo suas desvantagens. As decisões mais críticas a este respeito são tomadas nas etapas iniciais de projeto.
A luz natural admitida no interior das edificações consiste em luz proveniente diretamente do sol, luz difundida na atmosfera (abóbada celeste) e luz refletida no entorno.
A distribuição da luz no ambiente interno dependem de um conjunto de variáveis, tais como:
Disponibilidade da luz natural (quantidade e distribuição variáveis
com relação às condições atmosféricas locais), obstruções externas, tamanho, orientação, posição e detalhes de projeto das aberturas, características óticas dos envidraçados, tamanho e geometria do ambiente e das refletividades das superfícies internas.
Integração Luz Natural e Artificial
Um bom projeto de iluminação natural tira proveito e controla a luz disponível, maximizando suas vantagens e reduzindo suas desvantagens. As decisões mais críticas a este respeito são tomadas nas etapas iniciais de projeto.
“A concepção dada à iluminação em qualquer projeto tem de ser
ÚNICA, ou seja, a iluminação natural DEVE ser pensada JUNTAMENTE com a artificial para que possamos propor uma solução INTEGRADA”.
Durante o período diurno, a iluminação artificial suplementar torna-se parâmetro importante de projeto. A integração dos dois sistemas, através de um desenho integrado contribui para uma racionalização no consumo de energia elétrica.
Segundo HOPKINSON, “Quando um local é inteiramente iluminado pela luz natural, o arquiteto determina muito do caráter do espaço pelo modo como ele aloca as janelas...Se, entretanto, ele pode projetar as janelas em função também da iluminação artificial, ele pode ter uma nova liberdade de expressão, e realizando dessa forma, pode assegurar melhores condições visuais e ausência de ofuscamento devido ao céu”.
Procedimento de Avaliação do Desempenho Lumínico
Métodos para verificação ao atendimento dos requisitos e critérios de desempenho lumínico:
MÉTODO DE CÁLCULO
De acordo com a ABNT NBR 15215-3, simulando o nível de iluminamento para o plano horizontal, sempre a 0,75m do piso, nas seguintes condições:
No Período noturno simulações sem nenhuma entrada de luz externa (portas, janelas e cortinas fechadas);
No período noturno supor a iluminação total do ambiente totalmente ativada, considerando a tensão nominal da rede e as potências nominais das luminárias, lâmpadas, reatores e outros dispositivos de iluminação;
Simulações para o centro dos ambientes;
Simulações nos pontos centrais de corredores internos ou externos às unidades;
Para escadarias, simulações nos pontos centrais dos patamares e a meia largura do degrau central de cada lance;
MEDIÇÃO IN LOCO
Realização de medições no plano horizontal a 0,75m do piso com o emprego de luxímetro portátil com erro máximo de ± 5% do valor medido nas seguintes condições:
No Período noturno simulações sem nenhuma entrada de luz externa (portas, janelas e cortinas fechadas);
No período noturno supor a iluminação total do ambiente totalmente ativada, considerando a tensão nominal da rede e as potências nominais das luminárias, lâmpadas, reatores e outros dispositivos de iluminação;
Medições para o centro dos ambientes;
Medições nos pontos centrais de corredores internos ou externos às unidades;
Para escadarias, medições nos pontos centrais dos patamares e a meia largura do degrau central de cada lance;
DESEMPENHO LUMÍNICO Norma de desempenho 15.575
Estipula níveis requeridos de Iluminâncias natural e artificial nas habitações
Para Iluminação artificial usa como referência a ABNT NBR 5413 – Iluminância de Interiores
Iluminâncias requeridas para diversas atividades e tarefas para diferentes tipos de edificações (habitações, escolas, comércio, etc.
Para Iluminação Natural as simulações devem ser realizadas com o emprego do algorítimo apresentado na NBR 15215-3
NORMA DESEMPENHO LUMÍNICO
•Estipula níveis requeridos de Iluminâncias natural e artificial nas habitações
Iluminação Natural
•Contando unicamente com a iluminação natural, os níveis gerais de iluminamento nas diferentes dependências do edifício habitacional devem atender ao disposto para iluminação em 13.2.1,
•Para maior conforto dos usuários recomenda-se para os níveis
Dependência Iluminamento geral para o nível mínimo de desempenho lux Sala de estar copa/cozinha Banheiro Área de serviço ≥ 60
Corredor ou escada interna a unidade Corredor de uso comum (prédios) Escadaria de uso comum (prédios) Garagens/estacionamentos
Não exigido
13.2.1. Critérios - Níveis mínimos de iluminação natural Tabela 2 – Níveis de iluminamento natural
13.2.2 – Método de avaliação de projeto
Em face das premissas estabelecidas em 13.2.3 ou inspeção em protótipo utilizando um dos métodos estabelecidos no anexo b para iluminação natural 13.2.3 – Premissas de Projeto
•Disposição dos cômodos, iluminação e visão do exterior •Orientação Geográfica das edificações
•Dimensionamento e posição das aberturas •Tipo de janela e de envidraçamento:
Em excesso permitirá não só a passagem de luz mas também da radiação solar podendo comprometer o desempenho térmico
•Rugosidade e cor das paredes, tetos e pisos: Uso de cores claras nas paredes e tetos •Poços de ventilação e iluminação
•Domus de iluminação
•Influência de interferências externas (construções vizinhas, por exemplo) •A norma recomenda que a altura dos peitoris seja no máximo 1.00m do piso interno
•Cota das testeiras dos vãos no máximo a 2.20m do piso interno
O distanciamento apropriado entre edificações e destas a taludes e muros e outros obstáculos, é essencial para garantir condições adequadas de ventilação e de iluminação natural
Nível de Desempenho Iluminamento Geral para os Níveis de Desempenho lux M* I S Sala de Estar Copa/Cozinha Dormitório Área de Serviço ≥ 60 ≥ 90 ≥ 120 Banheiro
Corredor ou escada interna à unidade Corredor de uso comum (Prédios) Escadaria de Uso Comum (Prédios) Garagens/Estacionamentos
Não Requerido
≥ 30 ≥ 45
*Valores mínimos obrigatórios conforme critério 13.2.1 da NBR 15575-1 (valores mínimos de iluminação natural)
Nota 1 – Para os edifícios multipiso, são permitidos para as dependências situadas no pavimento térreo ou em pavimento abaixo da cota da rua níveis de iluminância ligeiramente inferiores aos especificados
Na tabela acima (diferença máxima de 20% em qualquer dependência).
Nota 2 – Os critérios desta tabela não se aplicam às áreas confinadas ou que não tenham iluminação natural
Nota 3 – Deve-se verificar e atender às condições mínimas requeridas pela legislação local Tabela 43 – Níveis de Iluminância para Iluminação Natural
Dependência FLD (%) – Para os níveis de desempenho M* I S Sala de Estar Copa/Cozinha Dormitório Área de Serviço ≥ 0,50% ≥ 0,65% ≥ 0,75% Banheiro
Corredor ou escada interna à unidade Corredor de uso comum (Prédios) Escadaria de Uso Comum (Prédios) Garagens/Estacionamentos
Não Requerido ≥ 0,25% ≥ 0,35%
*Valores mínimos obrigatórios conforme critério 13.2.3 da NBR 15575-1
Nota 1 – Para os edifícios multipiso, são permitidos para as dependências situadas no pavimento térreo ou em pavimento abaixo da cota da rua níveis de iluminância ligeiramente inferiores aos especificados
Na tabela acima (diferença máxima de 20% em qualquer dependência).
Nota 2 – Os critérios desta tabela não se aplicam às áreas confinadas ou que não tenham iluminação natural
Fator de Luz Diurna para os diferentes ambientes da habitação Fonte: Anexo E - Tabela E.4, Pág. 64 da NBR 15575-1
Fator de Luz Diurna: Parcela de luz difusa proveniente do exterior que atinge o ponto interno de medida. Razão percentual entre a iluminância interna no ponto de
referência (centro do cômodo a 0,75m de altura) e a iluminância externa disponível, sem incidência da radiação direta do sol
Dependência Iluminamento geral para o nível mínimo de desempenho (Lux) Sala de estar copa/cozinha Banheiro Área de serviço ≥ 100
Corredor ou escada interna a unidade
Corredor de uso comum (prédios) Escadaria de uso comum
(prédios)
Garagens/estacionamentos
≥ 50
Requisito Iluminação artificial
Propiciar condições de iluminação artificial satisfatórias nos ambientes
internos, segundo as normas brasileiras vigentes para ocupação dos recintos e circulação nos ambientes com conforto e segurança
Tabela 45 – Níveis de Iluminamento Geral para Iluminação Artificial (Fonte: Anexo E - Tabela E.5, Pág. 64 da NBR 15575-1)
Dependência Iluminamento Geral para os níveis de
desempenho lux M* I S Sala de estar Dormitório Banheiro Área de serviço Garagens/estacionamentos internos e cobertos ≥ 100 ≥ 150 ≥ 200 Copa/cozinha ≥ 200 ≥ 300 ≥ 400 Corredor ou escada interna à unidade
Corredor de uso comum (prédios) Escadaria de uso comum (prédios)
≥100 ≥150 ≥ 200
Garagens/estacionamentos descobertos ≥ 20 ≥ 30 ≥ 40 Valores mínimos obrigatórios conforme critério 13.3.1 da NBR 15575-1
NBR 5413 – Iluminância de Interiores
Nota: As classes, bem como os tipos de atividade não são rígidos quanto às iluminâncias limites recomendadas, ficando a critério do projetista avançar ou não nos valores das classes/tipos de atividade adjacentes,dependendo das características do local/tarefa.
Características da tarefa e do observador Peso - 1 0 + 1 Idade Inferior a 40 anos 40 a 55 anos Superior a 55 anos Velocidade e Precisão Sem Importância Importante Crítica Refletância do fundo da tarefa Superior a 70% 30 a 70% Inferior a 30%
a) analisar cada característica para determinar o seu peso (-1, 0 ou +1);
b) somar os três valores encontrados, algebricamente, considerando o sinal;
c) usar a iluminância inferior do grupo, quando o valor total for igual a -2 ou -3; a iluminância superior,
quando a soma for +2 ou +3; e a iluminância média, nos outros casos.
5.2.3 A maioria das tarefas visuais apresenta pelo menos
Ambientes Geral (Lux) Local (Lux)
Salas de Estar 100-150-200 300-500-750
Cozinhas 100-150-200 200-300-500
Quartos de Dormir 100-150-200 200-300-500
Hall, escadas, despensas, garagens
75-100-150 200-300-500
Banheiros 100-150-200 200-300-500
NBR 5413 – Iluminância de Interiores Residências
O valor mais alto, das três iluminâncias, deve ser utilizado quando:
•A tarefa se apresenta com refletâncias e contrastes bastante baixos;
•Erros são de difícil correção;
•O trabalho visual é crítico;
•Alta produtividade ou precisão são de grande importância;
•A capacidade visual do observador está abaixo da média.
O valor mais baixo, das três iluminâncias, pode ser usado quando:
• Refletâncias ou contrastes são relativamente altos;
• A velocidade e/ou precisão não são importantes;
• A tarefa é executada ocasionalmente.
Padrões adotados em cidades brasileiras pelos códigos de obras
UF/Cidade/Fonte Padrões Recomendações/Exigências
PE/Recife (Recife, 1997)
1. Área de Janela x área de piso; 2. Profundidade máxima do ambiente.
1. 1/6 para sala e quarto, 1/8 para cozinha e 1/10 para banheiro. Pode haver iluminação através de espaço intermediário, desde que a distância para o exterior seja de até 2,00m
2. 2,5 o pé direito PB/João Pessoa
(JP, 1971)
1. Área de Janela x área de piso; 2. Profundidade máxima do ambiente.
1. 1/6 para sala e quarto e 1/10 para cozinha e
banheiro. ¼ e 1/8 respectivamente, quando houver espaço intermediário desde que a distância para o exterior seja de até 2,50m
2. 3 x o pé direito
AL/Maceió (Maceió, 2007)
Não especificado O atendimento aos níveis de iluminação é de responsabilidade do projetista
O padrão comum utilizado nos códigos de obras para definição da área mínima de abertura para iluminação é a relação da área de janela e da área de piso, uma metodologia simplista e não utilizada pelos pesquisadores e especialistas em iluminação.
Sol entrando parcialmente no ambiente a partir das 14h, porém nas regiões próximas as paredes da fachada