CURSO SOBRE P
ARTICIPAÇÃO DE GRUPOS DE INTERESSE
M
ÓDULO4:
P
LANEAMENTO DAPGI
Os processos de PGI podem ser aplicados em vários contextos e com objectivos variados, tendo, por isso, que ser planeados caso-a-caso. Usando exemplos, o Módulo 4 do curso irá explorar várias situações onde as abordagens de PGI podem ser aplicadas e avaliadas, os passos básicos que são necessários, e os modos de implementar e monitorizar o processo.
As notas apresentadas para este módulo são retiradas de:
[1] Institute for Regional Planning and Urbanism (VÁTI), Centre for Regional Studies, Central and Northern, Hungarian Research Institute (RKK/CRS), Government Service for Land and Water Management (DLG), and International Agricultural Centre (IAC), 2005. Practice of Integrated Rural Development (PRIDE) – A Guide for Participatory Planning in Hungary.. www.vati.hu/download.php?ctag=download&docID=3655
[2] ELI, 2007. Public Participation in International Waters Management—A Handbook. Draft for Review. Environmental Law Institute.
[3] DEAT, 2002. Stakeholder Engagement, Integrated Environmental Management, Information Series 3, Department of Environmental Affairs and Tourism (DEAT), Pretoria. http://www.environment.gov.za/Services/documents/Publications/eia_info_series_stakeholder _engagements_24062003.html
OPORTUNIDADES PARA A PGI
Os processos de participação de grupos de interesse podem ser necessários por vários motivos e o seu âmbito pode variar desde contextos locais a transfronteiriços: desde, por exemplo, a avaliação de um programa regional envolvendo vários países, à formulação de uma política nacional, preparação de um plano de desenvolvimento integrado para um município, processo de consulta pública integrado numa avaliação de impacte ambiental, ou avaliação de um projecto específico.
Exemplos de oportunidades para o envolvimento de grupos de interesse na gestão ambiental integrada [3]
Planeamento e Avaliação Implementação e Gestão
Governação internacional
− Envolvimento em acordos
internacionais, ex. Protocolo de Kyoto – Painel intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC)
− Implementação conjunta, Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (CDM) e oportunidades de comércio de carbono para o protocolo de Kyoto.
Governação Nacional e Regional
− Desenvolvimento de políticas, legislação e regulamentos aos níveis do governo nacional, provincial e local − Negociação de acordos voluntários
entre o governo e a indústria − Atribuição de quotas e licenças de
exploração de recursos naturais
− Implementação e revisão de acordos de cooperação de gestão ambiental − Atribuição e licenciamento de água
através de agências de gestão de bacias
Programas − Desenvolvimento de estratégias de gestão de recursos naturais − Avaliação estratégica ambiental − Revisões sectoriais multi-grupos de
interesse, ex. Comissão Mundial de Barragens
− Implementação e revisão do Programa de Reconstrução e Desenvolvimento − Parcerias entre o governo, empresas e
sociedade civil
Planos − Planeamento do desenvolvimento (ex. planos de desenvolvimento integrado) − Avaliação estratégica ambiental − Planeamento sectorial (ex.
planeamento de energia, planos de gestão de bacias hidrográficas) − Planeamento de cidades e regional − Planeamento comunitário
− Implementação e revisão de planos de gestão estratégica ambiental
− Implementação e revisão de planos de gestão de bacias hidrográficas
Projectos − Avaliação de impactes ambientais − Avaliação de risco
− Desenvolvimento de
planos/programas e políticas de gestão ambiental ao nível de projecto − Desenvolvimento de planos de acção
de reassentamento ao nível do projecto
− Investimento socialmente responsável (avaliação de investimentos)
− Gestão de risco
− Gestão de resíduos sólidos
− Gestão comunitária de recursos naturais − Implementação e revisão de
planos/programas/políticas de gestão ambiental
− Comités de monitorização ambiental − Investimento socialmente responsável
(activismo dos accionistas)
− Parcerias entre o o governo, empresas e sociedade civil
DIFERENTES MODELOS DE PGI
Não existe um único modelo para conduzir um processo de participação de grupos de interesse. O processo terá que ser adaptado aos objectivos, contexto e recursos disponíveis. De um modo simples, contudo, um processo PGI pode englobar os seguintes passos:
interesse na formulação de uma nova política, para consultar os grupos de interesse sobre os potenciais impactes de uma proposta, para decidir conjuntamente sobre um plano de projecto, para avaliar as preferências dos eleitores numa eleição, etc. O nível de envolvimento e, consequentemente, o modo como o processo é concebido e planeado, irá variar e terá que ser adaptado aos objectivos estabelecidos para a participação de grupos de interesse. O processo será também determinado pelo contexto social existente e pelos recursos disponíveis para actividades de envolvimento.
2. Defina quem são os grupos de interesse e quais são os seus interesses/ papéis potenciais no processo. Identificar os grupos de interesse é um passo crucial em
qualquer processo de PGI. Os vários grupos de interesse serão identificados e os seus interesses e potencial influência determinados através de uma análise de grupos de interesse (ver Módulo 2). A identificação da informação a ser disseminada e recolhida dos grupos de interesse, bem como a selecção dos diferentes canais de comunicação a serem usados estão dependentes deste passo (ver Módulo 3c).
3. Planeie as actividades de comunicação/ participação. Tendo toda a informação
acima descrita, pode ser preparado e implementado um plano de comunicação (ver mais adiante). Idealmente, este planeamento deve envolver os próprios grupos de interesse. Com base nas audiências, mensagens e técnicas de comunicação chave que foram identificadas, pode ser preparado um plano de implementação com pormenores sobre quem será responsável por cada acção, quando, como, e com que custo.
4. Não assuma que é um sucesso—meça e ajuste a abordagem. O sucesso do
processo de participação de grupos de interesse deve ser medido de acordo com os objectivos inicialmente definidos. Podem ser definidos e usados indicadores quantitativos e qualitativos para esta avaliação (ver mais adiante).
INQUÉRITO Partindo da expressão das necessidades individuais DEBATE Fazendo emergir temas cruciais, linhas de tensão e oportunidades de parceria CONCEPÇÃO DO PROJECTO Associando a sensibilização de utilizadores ou cidadãos com competências técnicas ou políticas IMPLEMENTAÇÃO Obtendo apoio do cidadão como - destinatário - co-produtor ou -Assessor
PLANO DE COMUNICAÇÃO
Ao planear a comunicação, é por vezes tentador tomar um problema muito geral como ponto de partida e começar imediatamente a preparar actividades de comunicação. No entanto, resulta muitas vezes que não se atinge a audiência e o problema permanece por resolver [1]. É importante, por isso, partir das necessidades expressas pelos grupos de interesse e identificar os objectivos de comunicação correspondentes. Estes objectivos podem ser formulados pensando nos resultados, em termos de conhecimento, atitudes, comportamento ou capacidade de resolver os problemas, que se espera que cada grupo de participantes atinja no final da iniciativa. Cada um destes resultados traduz-se então num objectivo [1].
Elementos de um plano de comunicação [1]
Contexto: uma breve descrição do contexto do projecto/ iniciativa e dos resultados a serem
atingidos com o processo de participação de grupos de interesse.
Objectivo(s): o objectivo da comunicação e o que se espera da implementação do plano de
comunicação. É preferível se estes objectivos puderem ser definidos em termos concretos e observáveis, pois isso irá facilitar consideravelmente a avaliação subsequente.
Audiência(s) chave: grupos de interesse chave para o plano de comunicação.
Mensagens chave: mensagens chave que pretende que os grupos de interesse percebam e
os levem a actuar.
Instrumentos de Comunicação: instrumentos e mecanismos específicos que foram
identificados como adequados para comunicar com os vários grupos de interesse.
Plano de Acção Estratégica para a Comunicação: um plano mais detalhado identificando
a audiência chave, objectivos, métodos, responsáveis, calendários e custos associados com cada acção.
Antes de começar a desenvolver cada componente da estratégia de comunicação, é crucial ter um bom entendimento do tema/ projecto em questão, grupos de interesse chave e métodos de comunicação apropriados. Seguem-se algumas considerações para o processo de desenvolvimento de um plano de comunicação [1].
Quem é a audiência chave? A audiência chave é desenvolvida através da análise dos
grupos de interesse, das suas necessidades de informação em relação aos seus papéis e responsabilidades no processo, das redes de informação que eles usam actualmente, da sua dimensão e diversidade.
Quais são as mensagens principais para os grupos de interesse? Identifique os três ou
quatro pontos chave que pretende que os grupos de interesse percebam e sobre os quais possam actuar. As mensagens devem ser formuladas de modo a que a audiência chave as
Que métodos de comunicação são mais adequados? Existe uma gama de métodos e
instrumentos de comunicação que podem ser usados para transmitir informação aos grupos de interesse (Módulo 3a). Os instrumentos mais eficazes e adequados podem variar entre grupos de interesse ou entre fases do processo.
Exemplos de instrumentos de comunicação [3] Meios de comunicação de "grupo": Fotografia Gravações de video Gravações de audio Posters Caixas de imagem Dossiers de ilustrações Meios de comunicação de "massa": Rádio rural Imprensa local Meios de comunicação "tradicionais": Teatro
Canções e dizeres tradicionais
Comunicação interpessoal:
Discussão e debate Sessões de definição de visões
Visitas guiadas, exibições Discussões de grupo
Os meios de comunicação de massa tais como a rádio, televisão e materiais impressos podem ser muito úteis quando for necessário alcançar uma grande audiência num período de tempo relativamente curto. Estes meios de comunicação de massa podem definir a agenda pública e influenciar o que as pessoas falam e pensam, bem como transferir conhecimentos e formar e alterar opiniões se os receptores não tiverem já uma opinião.
Os instrumentos de comunicação interpessoal, por sua vez, tais como as discussões, actividades de formação, troca de emails e conversas, permitem que haja mais comentários e podem lidar melhor com as necessidades individuais de grupos alvo. Eles serão, por isso, mais adequados do que os meios de comunicação de massa quando o objectivo for alterar atitudes e comportamentos da audiência chave. No entanto, em termos de tempo e custos por membro individual da audiência chave, a maior parte das formas de comunicação interpessoal são mais dispendiosas do que as de comunicação de massa.
Quais são os pormenores para a implementação? Para cada acção no plano de
comunicação, é necessário especificar quem será responsável pela sua implementação; quando deve ser implementada; e quais os custos associados.
Elementos de um Plano de Acção Estratégica para a Comunicação [1] Audiência alvo / Grupo de interesse Objectivo Instrumentos de comunicação Quem é responsável?
Até quando? Custos?
– Quem irá beneficiar do projecto? – Quem deve estar envolvido na implementaçã o do projecto? – Quem são os sub-grupos e a audiência chave em cada um? – O que pretende comunicar ao(s) grupo(s) de interesse? – Quais são os pontos chave sobre os quais o(s) grupo(s) de interesse precisa(m) de actuar? – Quais os instrumentos/ métodos de comunicação mais adequados para o(s) grupo(s) de interesse? (ex. comunicação electrónica, verbal, escrita?) – Quem será responsável por implementar cada acção? – Quando devem as acções ser implementada s? – Quais os custos associados a cada acção? MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO
A participação de grupos de interesse é um processo complexo, normalmente integrado noutros componentes de projecto ou iniciativa, não tendo, por isso, resultados facilmente quantificáveis. Consequentemente, o seu sucesso tem que ser muitas vezes medido em termos qualitativos. Podem ser usados tanto indicadores qualitativos como quantitativos para avaliar o envolvimento de grupos de interesse. O ponto de partida para desenvolver esses indicadores devem ser os objectivos iniciais do processo de participação.
Em geral, os indicadores devem medir aspectos de fortalecimento do poder e capacidade (ex. alterações no conhecimento, percepções, práticas dos grupos de interesse); considerar as limitações devidas aos contextos e desequilíbrios de idioma, género, económicos e culturais; e ser desagregados de acordo com o género, estatuto sócio-económico, inclusão em comunidades indígenas ou de minorias, governo e sector privado, de modo a avaliar o progresso atingido nos vários grupos de interesse [2].
Exemplos de Indicadores Quantitativos de Participação [2]
Número de workshops/reuniões de grupos de interesse e níveis de participação dos vários grupos de interesse;
Número de instituições (formais e informais) criadas para a representação de grupos de interesse em actividades de projecto;
Número de mulheres, grupos indígenas ou outros grupos de interesse tradicionalmente mal representados que estiveram representados em reuniões, workshops ou instituições de grupos de interesse;
Número de comentários recebidos sobre documentos de projecto ou no contexto de outras decisões de projecto;
Número de comentários incorporados em decisões/documentos de projecto; Número de visitas à página de internet;
Existência de bases de dados de informação ou outros pontos físicos de acesso para grupos de interesse.
Exemplos de Indicadores Qualitativos de Participação [2]
Qualidade e sentido de oportunidade da informação disponível aos grupos de interesse sobre a estrutura, objectivos, actividades e resultados do projecto;
Preocupação de vários grupos de interesse em estarem envolvidos na tomada de decisão e implementação do projecto;
Capacidade dos grupos de interesse para contribuirem de modo significativo para a tomada de decisão e implementação do projecto;
Representação dos valores dos grupos de interesse nas decisões do projecto;
Maior equidade na participação de grupos de interesse (quando tenham existido inicialmente diferenças de poder);
Qualidade das interacções entre grupos de interesse; Potencial reduzido para conflito entre grupos de interesse;
Eficácia das instituições de grupos de interesse na representação dos valores dos grupos de interesse e na participação na tomada de decisão e implementação do projecto.