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Revogação do Ato Administrativo

Beatriz Mattar Araújo* 1. INTRODUÇÃO

Dentro do parâmetro da extinção dos atos administrativos, uma causa deve ser avaliada: a revogação

Os atos administrativos desencadeiam efeitos na ordem jurídica. A partir do momento em que são cumpridos, exaure-se a função do ato, neste caso, ele extingue-se.[1]

A revogação do ato administrativo é definida de forma discricionária, pois a Administração pública apresenta uma liberdade para determinar aspectos relevantes acerca do ato, incluindo se o interesse público poderia se satisfazer mediante outra forma. Ressalta o fato de que a revogação é baseada no desfazimento do ato anterior.[2]

Contudo, a revogação apresenta um destaque, pois a partir do momento que uma autoridade, durante o exercício de sua função, verifica que um determinado ato não corresponde ao interesse público e, com isso, resolve removê-lo com o intuito de satisfazer as conveniências administrativa.[3]

Celso Antônio Bandeira de MELLO conceitua a revogação como “a extinção de um ato administrativo ou de seus efeitos por outro ato administrativo, efetuada por razões de conveniência e oportunidade, respeitando-se os efeitos precedentes”.[4]

Diferente da anulação, a revogação precisa apresentar um ato válido para produzir seus efeitos, para que assim a Administração Pública possa desfazê-la. Todavia, ao revogar-se um ato, exige uma obrevogar-servância acerca do processo administrativo, bem como, a fundamentação concreta das razões que levaram a revogação do ato.[5] Não é aceita apenas o motivo do ato ser baseado em interesse público, deve haver uma fundamentação mais precisa e plausível.

2. CLASSIFICAÇÃO

A doutrina brasileira classifica no que tange a revogação da seguinte maneira: a) Sujeito ativo

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Compete a autoridade administrativa, no exercício de suas funções e competências, a condução da revogação do ato administrativo.

Geralmente, cabe ao agente do Poder Executivo ou de entidade da Administração indireta.[6]

Pode ocorrer do Poder Legislativo e Judiciário, em caráter excepcional, revogar o ato quando estiverem em exercício atípico das funções administrativas em relação às suas próprias funções regulares. [7]

Há situações em que a lei pode designar uma autoridade que não esteja dentro da linha hierárquica da competência revogatória. Desta forma, se a lei definir que cabe a Administração revogar um ato que esteja fora de sua alçada, não pode haver questionamentos acerca da sucumbência designada, devido ao fato de que foi determinada para controle. [8]

b) Objeto

O objeto da revogação é estabelecido sobre um ato administrativo válido que se tornou inconveniente ou inoportuno.[9]

O objeto pode ser um ato administrativo válido ou até mesmo uma relação jurídica válida decorrente. [10] Incide sobre atos ou relações por eles constituídas.

No âmbito da revogação pode ser focado num ato ineficaz com o intuito de evitar que seus efeitos apareçam. A revogação foca-se em atos abstratos, pois ela visa suprimir o próprio ato.[11]

A partir do momento que um ato jurídico abstrato é revogado, elimina-se esta fonte para que não surjam novos efeitos, pois os anteriores são respeitados e os futuros preservados devido ao fato de ainda não existirem para serem atacados. [12]

c) Fundamento

O ato administrativo deve-se valer de algum instituto do Direito ao qual a autoridade competente possa se fundar.

O fundamento do poder de revogar decorre da mesma regra de competência que deu poderes ao agente à prática do ato que será revogado.[13]

Para que o agente possa revogar um ato é necessário que o fundamento em questão seja atual sobre a matéria. O agente deve manter a decisão de revogar o ato, pois há competência contínua que não poderá ser esgotada uma vez que há uma necessidade de que o objeto da revogação ainda esteja disponível para a autoridade que revoga. [14]

(3)

Portanto, ressalta-se que o fundamento da revogação possibilita que o agente atue de forma discricionária, o que permite ao agente que utilize, no momento em que revoga o ato, critérios de conveniência e oportunidade. [15]

d) Motivo

Celso Antônio Bandeira de MELLO define que o motivo ocorre de “inconveniência ou inoportunidade do ato ou da situação gerada por ele. É o resultado de uma reapreciação sobre certa situação administrativa que conclui por sua inadequação ao interesse público”.[16]

É o resultado de uma decisão tomada que não é cabível atualmente aos interesses administrativos. A Administração Pública tem a competência e o dever para revogar.

Deve haver a necessidade desse ato administrativo estar descrito, sendo à sua existência e veracidade vinculados a Administração Pública[17]

Caso o agente atue de forma discricionária com relação ao ato a priori era de entendimento da lei que esse fator era regido pelo interesse público, pois não tinha outro interesse a não ser aquele decidido pelo ato.

Todavia, se o agente produziu o ato mediante competência vinculada, tornando a discricionária posterior, acabou sendo conveniente ao interesse público, a partir do momento que foi imposta pela regra de Direito.[18]

É de entendimento da doutrina que tais situações surgem de erros de fato, entretanto, são resolvidos mediante erros de direito, resultando na ilegitimidade do ato.

e) Efeitos

A revogação do ato tem eficácia ex nunc, de modo que seus efeitos não retroagem e não constituem efeitos ocorridos no passado.Sua eficácia é imediata.

Desta forma, há uma preservação do ato futuro, pois evita que haja vício do ato. É um ciclo que termina sem que ocorram conseqüências jurídicas, põe um fim a uma conseqüência de efeitos produzida pelo ato.[19]

f) Natureza

A natureza do ato é aquele que tem presença ativa, o ato é criado com a finalidade pública e não para concorrer para sua produção. É também considerada constitutiva, pois é uma situação nova e não reconhece ou declara uma situação.[20]

A revogação tem um poder positivo, com o intuito de criar um interesse público. É um novo provimento que modifica a disposição anterior. Contudo, a revogação somente terá natureza negativa quando terminar a disposição anterior. [21]

(4)

g) Limites

O poder de revogar existe quando a lei explicitamente defere esta competência ou caso a competência administrativa para dispor de certa relação não se exauriu com relação a ela ao ser anteriormente exercitado.[22]

Com relação aos limites, os atos gerais e abstratos não interferem no presente à medida que eles terão efeito no futuro. Há um exercício regular de competência, não alcançando nenhuma competência sobre a mesma relação.

Contudo, nos atos concretos, tem o intuito de cessar uma relação presente sem que interfira nas relações que ocorreram no passado, mas tende a alcançar o presente para por um fim na relação. Atinge uma relação concreta já constituída. [23]

3. IRREVOGABILIDADE

A irrevogabilidade pode ocorrer nos seguintes casos:[24]

a) Os atos que a lei declare irrevogáveis - aqueles atos que são declarados irrevogáveis por lei, apresentam uma expressa vedação legal

b) Os atos já exauridos – efeitos do ato já esgotados;

c) Os atos vinculados enquanto o sejam – não adianta modificar ou extinguir um ato ao qual a lei não autorize;

d) Os chamados meros atos administrativos – seus efeitos derivam de lei e não de uma criação administrativa;

e) Os atos de controle – a competência dada a cada ato se exaure uma vez que este foi expedido;

f) Atos que, integrando um procedimento, devem ser expedidos em ocasião determinada – o advento do ato sucessivo opera-se a preclusão. Desta forma, não cabe à Administração Pública incidir sobre aquela situação;

g) Os atos complexos – para que haja efeito jurídico deve haver a integração das vontades de diferentes órgãos administrativos;

h) Atos que geram direitos adquiridos;

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Tem-se como regra a revogação discricionária dos atos administrativos, logo, a irrevogabilidade é a exceção.A irrevogabilidade é o atributo dos atos administrativos que impede a revogação.[25]

A doutrina entende que quando for necessária, a revogação criada por um ato administrativo irrevogável, a competência é da Administração Pública em expropriar esse direito.[26]

4. CONCLUSÃO

A revogação tem por objetivo o desfazimento da situação criada por um ato administrativo que se tornou inconveniente ou inoportuno.

A partir do momento que a Administração Pública revoga um ato, este não é mais apreciado pelo interesse público.

É uma ação discricionária que tem por afastar a atuação do Poder Judiciário, que acaba limitando a atuação na análise dos atos administrativos revogados.

Logo, a Administração Pública revoga o ato mediante provocação ou por ofício. Tem por efeito ex nunc de modo que seus efeitos não retroagem e não constituem efeitos ocorridos no passado.Sua eficácia é imediata.

Portanto, a revogação, através de todas as suas características apontadas, apresenta sob forma discricionária, eficácia imediata, de natureza constitutiva e sua competência compete a Administração Pública.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(6)

MELLO, C.. Curso de Direito Administrativo. 20. Ed São Paulo. Malheiros, 2005.

JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de Direito Administrativo. 2. Ed. São Paulo. Saraiva, 2006.

GASPARIN, Diógenes. Direito Administrativo. 7. Ed. São Paulo. Saraiva, 2002.

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[1] MELLO, C.. Curso de Direito Administrativo. 20. Ed São Paulo. Malheiros, 2005. p. 414

[2] JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de Direito Administrativo. 2. Ed. São Paulo. Saraiva, 2006. p. 280

[3] MELLO, op.cit. p.23 [4] Id.

[5] JUSTEN FILHO, op. cit. p. 281 [6] MELLO, op. cit. p. 418

[7] Id [8] Id

[9] GASPARIN, Diógenes. Direito Administrativo. 7. Ed. São Paulo. Saraiva, 2002. p. 99 [10] MELLO, op. cit. p. 418

[11] MELLO, op. cit. p. 419 [12] Id

(7)

[14] Id

[15] Ibid. p. 421

[16] Id

[17] GASPARIN, op.cit. p. 99 [18] MELLO, op. cit. p. 422 [19] Ibid. p. 423

[20] Ibid. p. 424 [21] Id

[22] MELLO, op. cit. p. 424 [23] Ibid. p. 425

[24] Id

[25] GASPARIN, op. cit. p. 100 [26] Ibid. p. 101

*Bacharel em Direito

Pós-Graduanda em Direito Administrativo pelo Instituto Romeu Felipe Bacellar, Curitiba-PR

Disponível em: <

http://www.direitopositivo.com.br/modules.php?name=Juridico&file=display&jid=67

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