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A Complexa Tarefa de Educar a Distância: Uma Reflexão Sobre o Processo Educacional Baseado na Web

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Academic year: 2021

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A Complexa Tarefa de Educar a Distância:

Uma Reflexão Sobre o Processo Educacional Baseado na Web

Luciana Alvim Santos Romani1 Heloísa Vieira da Rocha1

Resumo - Novas tecnologias de comunicação tornam-se a cada dia um

meio mais rápido de acesso à informação, alterando vários segmentos da sociedade. Com isso, a Internet provocou um grande impacto em diversos setores, especialmente na educação com a promessa de con-strução de ambientes educacionais inovadores. No entanto, experiên-cias de cursos a distância via rede têm apresentado resultados abaixo das expectativas com inúmeras situações frustrantes para professores e alunos. Neste artigo, discutimos o enfoque educacional e o futuro dos ambientes de educação a distância baseados na Web, a partir dos re-sultados de uma pesquisa feita com professores e alunos de instituições brasileiras.

Abstract - Recent communication technologies gradually become a

faster way of gathering information. As a result, it has changed many social segments. Equally, the Internet caused a great impact in several settings, especially in education with the promise to develop innova-tional educainnova-tional environments. However, the Web-based courses ex-perience has been presenting results under the expectations, with sev-eral teachers and students getting frustrated. In this paper, we discuss the educational focus and the future of Web-based education environ-ments. For this, we used the results of interviews with teachers and students who work in distance education projects at Brazilian institu-tions.

Palavras-chave - Educação baseada na Web; educação centrada no

aprendiz; reflexão sobre o processo educacional na Internet.

1 I

NTRODUÇÃO

A história da educação a distância (EAD) é longa e muito antiga, cheia de experimentações, sucessos e fracas-sos. Seu marco inicial são as cartas de Platão e as epístolas de São Paulo, e sua origem recente é marcada pela educação por correspondência iniciada no final do século XVIII e com ampla divulgação em meados do século XIX.

A característica principal da educação a distância é o estabelecimento de uma comunicação de dupla via, na qual o professor e o aluno não se encontram juntos no mesmo espaço físico, necessitando de meios que possibilitem a comunicação entre ambos. Há várias denominações para EAD como por exemplo, estudo aberto, educação não-tradicional, estudo por contrato, mas nenhuma delas serve para descrevê-la com exatidão. Segundo Nunes

1

{[email protected], [email protected]} Instituto de Computação – UNICAMP, Caixa Postal 6176, CEP: 13083-970 - Campinas, SP Fone: (19) 3788-5842

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(1994, p.4), “esta pressupõe um processo educativo

sistemático e organizado que exige não somente a dupla-via de comunicação, como também a instaura-ção de um processo continuado, onde os meios ou os multimeios devem estar presentes na estratégia de comunicação. A escolha de determinado meio ou multimeios vem em razão do tipo de público, custos operacionais e, principalmente, eficácia para a transmissão, recepção, transformação e criação do processo educativo”.

Vários meios foram utilizados para transferir conteú-do e permitir a comunicação entre professor e alunos, desde a origem da EAD. Os primeiros cursos a dis-tância eram realizados através de material impresso enviado por correspondência. Nesses cursos, o aluno recebia um conjunto de apostilas com o conteúdo e outros materiais como fitas cassete, fitas de vídeo ou kits para aulas práticas.

No início do século XX até a II Guerra Mundial, com o aperfeiçoamento das metodologias utilizadas no ensino por correspondência e com o surgimento de meios de comunicação de massa, a EAD passou a utilizar o rádio com grande repercussão, principal-mente no meio rural. Com o uso dessa tecnologia surgiram projetos importantes em EAD, como o Ins-tituto Rádio-Monitor, fundado em 1939, no Brasil. Em 1947, o Serviço Nacional de Aprendizagem Co-mercial (SENAC) e o Serviço Social do Comércio (SESC) juntamente com as Emissoras Associadas criaram a Universidade do Ar que também utilizava o rádio com o objetivo de treinar comerciantes e seus empregados em técnicas comerciais. Além disso, destaca-se a criação do Movimento de Educação de Base (MEB) no início da década de sessenta, cujo objetivo era alfabetizar milhares de jovens e adultos através das chamadas “escolas radiofônicas”, princi-palmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Esse movimento, no entanto, não foi bem sucedido (Nunes, 1994).

Com o aparecimento da televisão, programas pré-gravados ou ao vivo passaram a ser usados como meio de comunicação de massa em EAD. Assim, a partir dos anos 60, várias iniciativas em todo o mun-do mudaram o cenário da EAD que passou a utilizar de forma muito mais intensa, mídias como o rádio e a televisão. No Brasil, o Telecurso Segundo e Primeiro

Graus da Fundação Roberto Marinho surgiu no final da década de 70 e destinava-se a oferecer um curso de educação supletiva a distância. Essa iniciativa com grande sucesso, perdura até os dias de hoje.

Os anos 80 marcaram o início do uso das redes de computadores como um novo meio para EAD. Com o uso da Internet, novas possibilidades de transmissão de informação e interação entre professores e alunos se tornaram viáveis. Os cursos passaram a usar siste-mas de hipertextos e de multimídia para confeccionar os documentos e apostilas destinados aos alunos. O correio eletrônico passou a ser usado como canal de comunicação, sendo seguido pelas salas de bate-papo e a vídeo-conferência. Tanto o correio eletrônico quanto o bate papo, em sua maioria, utilizam a lin-guagem escrita para permitir a comunicação entre as pessoas. Os sistemas de vídeo-conferência, por outro lado, possibilitam que dois ou mais indivíduos se comuniquem através de áudio e vídeo, utilizando para isso microfone e uma câmera de vídeo conectada ao computador.

A junção de tecnologias de comunicação mediadas por computador, como o correio eletrônico, os siste-mas de conferência, os chats etc., com outros recur-sos da Web propiciou o desenvolvimento de ambien-tes educacionais para oferecimento de cursos na rede. A literatura (Harasim et al., 1996; McIsaac & Ralston, 1996; Porter, 1997; Jaffee, 1998) tem mos-trado que o desenvolvimento de cursos com o apoio dessa nova mídia é uma tarefa complexa. Assim, para facilitar a produção de tais cursos, vários ambientes de autoria foram desenvolvidos. Desta forma, o pro-fessor não precisa ser um especialista em computação para elaborar seu material didático e ministrar o curso via rede. Esses ambientes possuem um conjunto de ferramentas que podem ser divididas basicamente em três categorias: administração, autoria e apoio aos alunos. Eles possuem em sua maioria recursos seme-lhantes para editoração de material, interação e ge-renciamento dos cursos.

Nota-se que o design de um ambiente desse tipo é sempre subsidiado por uma concepção de como se dá o processo ensino/aprendizagem. Muitos projetistas têm desenvolvido seus ambientes transpondo direta-mente a metodologia usada nas aulas presenciais para os cursos na Web. A história tem nos mostrado que isso ocorre sempre no início do uso de uma nova

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tecnologia com um fim para o qual ela não foi inici-almente projetada. A primeira tentativa de adoção de uma tecnologia nova é sempre a adaptação na mídia da metodologia conhecida. Após algum tempo de uso, pensa-se em modificações, objetivando explorar melhor os recursos disponíveis e a concepção da mí-dia. De certa forma, é um bom começo, e somente através do uso contínuo é que se torna possível aper-feiçoar o processo.

Fazendo um paralelo com os programas de educação a distância mais tradicionais, que contavam com o apoio de mídias como o rádio e a televisão, esse pro-cesso de transposição direta também ocorreu no iní-cio do uso dessa tecnologia. No rádio, as primeiras transmissões eram aulas lidas por professores nos estúdios. De forma análoga, os programas iniciais de televisão apresentavam como cenário uma sala de aula com a mesa, o quadro negro e o professor mi-nistrando aulas como se ele estivesse numa sala de aula presencial. A evolução desse processo se deu, a partir do trabalho conjunto de educadores e de profis-sionais do rádio e da televisão que deram uma nova forma para tais programas, adequando-os às caracte-rísticas dessas mídias, impulsionados pelo número elevado de espectadores que davam subsídios do que mais os agradavam ou não. Esse trabalho colaborati-vo resultou nos modernos programas de rádio e TV que exploram de forma mais adequada o potencial dessas mídias.

É esperado que o mesmo processo ocorra no caso do uso da Internet para apoiar educação a distância, com o diferencial de que já se tem todo um histórico que pode servir como guia. Dessa forma, é possível anali-sar essas experiências e aproveitar os bons resultados na tentativa de evitar erros semelhantes.

Após duas décadas de uso da Internet para comunica-ção via rede e fins educacionais é consenso de que essa mídia oferece muitos recursos e que é extrema-mente importante o design adequado dos ambientes, que envolvem aspectos sociais e técnicos. Sabe-se que a metodologia pouco adequada, associada a pro-blemas técnicos, ansiedade na comunicação, sobre-carga de informação e falta de feedback do professor dentre outros, são fatores responsáveis pela frustração de alunos e professores envolvidos em programas de educação a distância baseados na Web (Harasim et al., 1996; Hara & Kling; 1999; Romani & Rocha, 2000). No entanto, sem dúvida alguma, o potencial da

Internet é inegável. Ela oferece uma flexibilidade enorme e permite uma quantidade ainda não estimada de possibilidades. Desta forma, é extremamente im-portante que ela continue sendo usada cada vez mais com fins educacionais para que seja possível melho-rar os sistemas computacionais já desenvolvidos. Da mesma forma que nas outras mídias é necessário um trabalho em conjunto de educadores, cientistas da computação e alunos com o objetivo de descobrir formas melhores de uso da rede em educação.

O objetivo deste artigo é refletir sobre questiona-mentos que afligem diversos profissionais envolvidos em programas de educação a distância via Internet, tomando como ponto de partida, os resultados obtidos durante algumas entrevistas feitas com professores e alunos de instituições brasileiras (Romani & Rocha, 2000). Para as entrevistas, foram selecionados 12 profissionais entre homens e mulheres de várias ins-tituições, dentre elas a Unicamp, Embrapa Informáti-ca Agropecuária, PUC-Campinas, PUC-Rio, UFRGS, UFSC, UNIFESP e Faculdades Anhembi-Morumbi. Foi definido um roteiro para as entrevistas com os seguintes tópicos: Metodologia do curso, Experiência do professor com o uso de recursos computacionais, Público-alvo, Evasão, Interação entre os participan-tes, Avaliação do aluno e do curso e Acompanha-mento da turma. Na Tabela 1 é apresentada uma vi-são geral de cada um dos entrevistados.

O artigo é organizado da seguinte forma: na seção 2, é apresentado um panorama dos cursos baseados na Web; na seção 3, são descritos os aspectos positivos e negativos envolvidos nas experiências de educação a distância; na seção 4 discute-se o cenário atual e a perspectiva futura desses ambientes e finalmente na seção 5, são apresentadas as conclusões.

2 U

M PANORAMA ATUAL DOS CURSOS

A DISTÂNCIA

A educação a distância destaca-se cada vez mais pela sua característica de tornar possível a educação a uma série de pessoas que não tem acesso fácil às institui-ções de ensino. Com o uso da Internet para apoiar os cursos a distância, isso se tornou muito mais efetivo e muitas iniciativas surgiram no mundo todo. No Bra-sil, de forma análoga, a rede também passou a ser usada como importante meio para suporte a cursos.

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Formação Campo de atuação Participação no curso Área do curso Sujeito 1 Mestrado em Engenharia

Elétrica

Pesquisa Professor Linguagem de Programação

Sujeito 2 Mestrado em Educação Área de Recursos Humanos Coordenador Linguagem de Programação Sujeito 3 Doutorado em Ciências Professor Universitário Coordenador Medicina

Sujeito 4 Mestrado em Biomedicina Desenvolvimento de cursos para Web

Auxiliar Medicina

Sujeito 5 Mestrado em Lingüística Pesquisa Professor Linguagem de Programação Sujeito 6 Doutorado em

Engenharia de Produção

Professor Universitário Professor Interação

Humano-Computador Sujeito 7 Mestrado em educação Diretor de

Desenvolvimento Tecnológico

Professor Moda, Empregabilidade, etc.

Sujeito 8 Mestrado em Ciências da Comunicação Empresário de RH e Professor Universitário Professor Empregabilidade Sujeito 9 Mestrado em Ciência da Computação

Professor Universitário Professor Engenharia de Software

Sujeito 10 Mestrado em Educação Professor Universitário Professor Formação de Professores Sujeito 11 Mestrado em Educação Professor Universitário Professor Formação de Professores Sujeito 12 Doutorado em

Lingüística Computacional

Professor Universitário Professor Interação

Humano-Computador Tabela 1 - Visão geral dos entrevistados

Com a rapidez na comunicação e os diversos recursos disponíveis na Internet, o seu uso educacional apoia-se em diferentes vertentes de pesquisa e deapoia-senvolvi- desenvolvi-mento que segundo Santos (1999), pode ser classifi-cado em seis modalidades:

♦ Aplicações hipermídia para fornecer instrução distribuída;

Sites educacionais;

♦ Sistemas de autoria para cursos a distância; ♦ Salas de aula virtuais;

Frameworks para aprendizagem cooperativa; e

♦ Ambientes distribuídos para aprendizagem

cooperativa.

São várias as iniciativas nacionais de instituições que trabalham com uma ou mais das categorias mencio-nadas anteriormente. As regiões sudeste, sul e centro-oeste do país destacam-se pelo maior número de pro-gramas de educação a distância. As demais regiões (norte e nordeste) ainda apresentam uma participação inferior com poucos relatos de experiências.

Dentre as várias instituições atuando nessa área, me-recem destaque a USP com o projeto Escola do Futu-ro (Escola do FutuFutu-ro, 2000); a UFSC com o pFutu-rograma de pós-graduação a distância (LED, 2000); a PUC-RJ com o ambiente AulaNet (Aulanet, 2000); a Uni-camp/NIED, com o ambiente TelEduc (TelEduc, 2000); a UNIFESP com vários cursos na área médica (UNIFESP virtual, 2000) e a UFRGS com cursos para formação de professores (PROPG, 2000). Nestes últimos anos de pesquisa, inúmeras ferramen-tas computacionais foram proposferramen-tas e desenvolvidas dentro de centros de pesquisa em todo o país e no mundo. Algumas obtiveram mais sucesso e passaram a ser exploradas comercialmente, outras são de uso restrito das instituições que as desenvolveram. Dentre elas, tornaram-se mais populares os ambientes para autoria e gerenciamento de cursos a distância na In-ternet, como por exemplo o WebCT (WebCT, 2000), o AulaNet(Aulanet, 2000) e o Learning Space (Lo-tus, 2000). As ferramentas que compõem esses ambi-entes estão organizadas de acordo com sua funciona-lidade e controle de acesso em: autoria, administração e uso dos alunos. No conjunto de autoria tem-se um número grande de ferramentas para edição e inclusão de textos, slides ou transparências, áudio, vídeo e animações. Além disso, elas também possibilitam ao

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professor definir cores, padrão das páginas e quais recursos de comunicação poderão ser usados durante o curso. O grupo referente a administração inclui ferramentas que facilitam o gerenciamento do curso e fornecem certas informações a respeito do mesmo para o professor. Esses dois grupos estão disponíveis apenas para o professor, e seus auxiliares. O conjunto de recursos disponíveis para os alunos inclui ferra-mentas para comunicação, avaliação automática, pesquisa em glossários, anotações, criação de páginas pessoais e acompanhamento de notas.

Várias metodologias têm sido aplicadas nos cursos na Web, dentre elas podemos citar aquelas que mapeam diretamente a metodologia usada na sala de aula pre-sencial para as salas virtuais; as baseadas em resolu-ção de problemas; as que apresentam formato de tutoriais, etc. O conteúdo dos cursos na Web cobrem várias áreas do conhecimento. Especificamente no Brasil, os cursos se concentram na área de formação de professores, informática, medicina, línguas, reci-clagem de funcionários de empresas públicas e priva-das, dentre outros. Assim, denota-se a grande diversi-dade de público-alvo desses cursos e de formação dos professores que atuam nesses programas.

Apesar da maioria das experiências em educação a distância envolver instituições de ensino públicas ou privadas, muitas empresas já exploram o potencial da Internet para educação continuada de seus emprega-dos. Pode-se citar o programa de educação a distância que envolve a UFSC e a Eletrobrás (LED, 2000). De forma resumida, apresentamos uma visão pano-râmica abrangente mas não exaustiva do uso educaci-onal da rede em todo o país, que é bastante significa-tivo e precisa ser analisado com critério para que se possa traçar os próximos passos no sentido de melho-rar o processo ensino/aprendizagem.

3 A

SPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS

DA EDUCAÇÃO BASEADA NA WEB

Passados alguns anos de experiência com cursos a distância através da Internet, nota-se que apesar de diversas vantagens como o acesso facilitado a um grande número de pessoas e inúmeros recursos com-putacionais disponíveis, ainda existem muitos pro-blemas a serem resolvidos.

Relatos de professores e alunos envolvidos em pro-gramas de EAD no país, apontam aspectos positivos e negativos relacionados com a metodologia e as fer-ramentas disponíveis para o oferecimento dos cursos (Romani & Rocha, 2000). Apesar da diversidade de instituições, ambientes computacionais, conteúdos e metodologias adotadas ainda há um longo caminho a percorrer na busca de melhores soluções para os pro-gramas de EAD via rede.

Os relatos mais freqüentes apontam os problemas técnicos, tais como a configuração de modems, siste-mas de comunicação, ferramentas de correio eletrôni-co e vídeo-eletrôni-conferência eletrôni-como o primeiro obstáculo a ser enfrentado por usuários leigos.

“Tive dificuldades devido a lentidão da rede em al-guns dias e determinados locais. Os alunos trabalham e residem em diversas cidades espalhadas e isso aca-bou atrapalhando.” [Sujeito 9]

“...é preciso um técnico para configurar o equipa-mento de vídeo-conferência e fazer alguns ajustes durante a aula. Na verdade, o ponto fraco nesse sis-tema é justamente o som, que é fundamental.” [Su-jeito 6]

A ansiedade de comunicação é outro aspecto que aparece com freqüência, especialmente, para os inici-antes. Ela ocorre, principalmente, em ambientes as-síncronos nos quais as mensagens enviadas aos pro-fessores nem sempre são respondidas prontamente. Assim, muitos alunos ficam apreensivos com a demo-ra das respostas e com receio de não estarem sendo atendidos rapidamente em decorrência de mensagens inoportunas.

“Às vezes, eu recebia muitos e-mails através da lista ou diretamente, porque muitos alunos ficavam inti-midados de fazer perguntas, achando que eram muito básicas. E então, eles mandavam muitas perguntas diretamente.” [Sujeito 1]

“Os cursos que mais tiveram evasão foram os que não tiveram um acompanhamento contínuo do professor, ou seja, onde o aluno se sentiu solitário, isolado, como se ninguém estivesse tomando conta dele.” [Sujeito 7]

A sobrecarga de informação tanto para professores quanto para alunos, pode ser observada pelo aumento

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excessivo de mensagens eletrônicas. Esse problema acarreta um outro, relacionado ao aumento do tempo gasto nos cursos online se comparado ao dos cursos presenciais.

“Neste tipo de curso, percebemos que a interação é sempre muito maior e precisa ser mais personalizada. A gente precisa dar um tratamento quase que indivi-dual ao aluno. Para cursos futuros, acho que seria muito importante fazer um pré-teste para verificação de conteúdo, o que nos permitiria montar turmas mais homogêneas, além de minimizar o trabalho do ins-trutor e coordenador do curso.” [Sujeito 2]

“Acho que a maior dificuldade foi conciliar as de-mandas do próprio serviço, pois eles estavam fazendo o curso no horário de trabalho, no ambiente de tra-balho. É difícil conciliar o trabalho com o tempo de dedicação que é necessário para o curso.” [Sujeito 1] Em relação aos aspectos de interação, muitas dificul-dades surgem em decorrência de diversos fatores. Muitos alunos são tímidos e sentem-se inibidos em participar das discussões da turma, por medo de dizer algo errado ou tolo. Pelo fato de estarem distantes fisicamente, inicialmente espera-se que os alunos se sintam mais a vontade para dar sua opinião. No en-tanto, isso não ocorre por dois motivos principais: todas as mensagens ficam registradas nos ambientes com uma espécie de assinatura eletrônica do autor, o que impede o “esquecimento” de qualquer coisa que tenha sido escrita. Além disso, todas as mensagens enviadas são lidas pelos outros participantes e inter-pretadas num tempo diferente e mais longo do que o de uma conversa presencial, o que dá ao interlocutor a possibilidade de uma reflexão maior sobre o que está sendo lido e ao autor uma necessidade maior de clareza do conteúdo para evitar ambigüidades e má interpretação. Alguns alunos, ao contrário encaram o curso de forma competitiva, ficando o professor com o papel de mediador, de forma a tornar o grupo mais colaborativo. Esta participação de forma heterogênea, muitas vezes acontece devido a diferenças nos inte-resses, habilidades, motivação e até mesmo, disponi-bilidade de tempo dos alunos.

“... a forma assíncrona permite que tanto o professor quanto o aluno possam refletir mais antes de respon-der às questões, ao contrário do chat que é muito dinâmico.” [Sujeito 3]

“... a forma de intervenção de um formador, nesses cursos é muito diferente do presencial. Por exemplo, no presencial como eu já tinha muita experiência em atuar nestes cursos, até a maneira como o sujeito escreve uma instrução na linha de comando, você já sabe que tipo de dúvida que ele tem. E no curso a distância você depende muito mais da capacidade que o seu aluno tem para explicitar a sua dúvida, ou você depende muito mais de uma análise bastante detalha-da do programa computacional que ele te envia para você começar a suspeitar que tipo de dificuldade que ele pode ter. Da mesma maneira que eles têm que explicitar, o formador tem que explicitar muito mais. Você tem que ser muito mais claro nas suas exposi-ções.” [Sujeito 5]

Outro fator que merece atenção é o preparo do mate-rial didático fornecido aos alunos pois a falta de cla-reza dos mesmos pode acarretar confusão no enten-dimento de conteúdos e enunciados de atividades, por exemplo.

“... é preciso tomar um cuidado grande na elaboração do material que fica disponível na Web e do enuncia-do enuncia-dos problemas propostos para os alunos pois tive-mos algumas reclamações de problemas com o mate-rial e dúvidas decorrentes da falta de clareza do tex-to.” [Sujeito 2]

“... a gente tem que ter mais cuidado na preparação do material, no discurso, nas trocas, nas discussões que são feitas. E insistir, um pouco mais nas coisas que são básicas, e no aspecto metodológico. Se for possível, trabalhar com eles em atividades.” [Sujeito 6]

A avaliação nos cursos a distância tem sido fórum de discussão de muitos especialistas da área de educação e computação, embora até hoje não se tenha um con-senso sobre ela. Muitos defendem que a avaliação precisa ser presencial através de uma prova ou exame para que os docentes se certifiquem da legitimidade da mesma com a presença do aluno. No entanto, o processo de avaliação está mudando e no ensino pre-sencial, ele já é realizado ao longo de todo o período letivo. Muitas escolas não mais realizam provas para verificar o desempenho de seus alunos, eles são ava-liados constantemente por sua participação, atuação e resolução de atividades diárias. Nos cursos presenci-ais, o professor acompanha toda a turma através da observação do comportamento dos alunos e das

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inter-ações entre eles. Já nos cursos a distância, esse pro-cedimento não é tão simples e nem sempre há recur-sos tecnológicos que o possibilitem.

“... eu acho que poderíamos repensar o mecanismo de avaliação. Talvez fosse melhor apenas fazer avalia-ções automáticas e dos problemas resolvidos, sem uma prova formal e presencial no final do curso. Eu penso que isto deveria ser feito apenas no caso de certificação.” [Sujeito 4]

Mas nem só de frustrações vive o mundo da educação baseada na Web, onde muitas experiências têm sido bem sucedidas. A possibilidade de acesso à informa-ção para muitos alunos distantes geograficamente dos grandes centros urbanos, é uma grande conquista. A organização de redes de aprendizagem colaboram para o enriquecimento educacional, social e cultural de diversas pessoas que desenvolvem trabalhos com regiões e culturas diferentes.

Além disso, o uso dos ambientes associado ao maior entrosamento com os recursos da Internet deu aos educadores uma visão mais crítica das potencialida-des da rede e das suas reais necessidapotencialida-des para educar a distância, de forma melhor.

Dentre todos os pontos positivos mencionados o mais importante é a reflexão e a conclusão de vários edu-cadores de que não é possível simplesmente transpor o que é feito no ensino tradicional para o a distância.

“Eu pensava na metodologia que eu usava no presen-cial que eu sabia que era uma metodologia bem depu-rada, que eu sabia que funcionava, que tinha bons resultados, e que eu sabia que era impossível sim-plesmente transpor para o a distância. Mas ela me servia de contraponto importante.” [Sujeito 5]

O professor está começando a se conscientizar de que precisa haver uma mudança de postura de sua parte, passando a atuar como orientador e facilitador norte-ando os alunos na sua busca pelo conhecimento. Isso, indubitavelmente, irá contribuir para que haja um salto qualitativo no processo educacional como um todo, presencial ou a distância.

4 E

DUCAR A DISTÂNCIA

:

ONDE

ESTAMOS E PARA ONDE VAMOS

?

Quando a Internet foi criada, há mais ou menos 25 anos atrás, ela era vista apenas como uma ferramenta para computação remota, que permitia o uso de um computador fisicamente distante da pessoa que preci-sava da tarefa e controlava a execução da atividade. Mais recentemente, as pessoas descobriram a rede como um meio que permite a comunicação entre indivíduos e passaram a usá-la para esse fim. Assim, ao invés de usar seus recursos para a computação remota, como na sua proposta original, a maioria das pessoas se conectam à rede para desfrutar da facilida-de facilida-de se comunicar com outras pessoas no mundo todo através de email, chats, listas de discussão, etc. (Winograd, 1997).

Devido a sua importância, rapidez, baixo custo, faci-lidade de acesso entre outras características notórias, a Internet possui um grande potencial a ser explorado com fins educacionais, que centrou-se na criação de redes de aprendizagem e oferecimento de cursos. Após alguns anos de trabalho, pode-se refletir um pouco sobre tudo o que vivenciamos, observamos, lemos e aprendemos com nossas próprias experiênci-as e com experiênci-as de outros colegexperiênci-as, nessa mídia e nexperiênci-as de-mais, como o rádio e a televisão ainda também muito usados em educação a distância. A literatura e os relatos dos professores entrevistados apresentam um cenário de muitas descobertas, recheado de pequenas e grandes frustrações, mas repleto de aspectos positi-vos. Diante desse cenário, nos perguntamos: qual é o futuro do ensino a distância via rede? Porque o uso de ambientes especialmente projetados para apoiar cur-sos a distância não tem sido tão efetivo? O que de-vemos fazer para conseguir cada vez mais resultados satisfatórios?

O resultado das primeiras experiências tem mostrado que a tarefa de educar a distância através da rede é uma tarefa complexa. Escrever textos em formato eletrônico, colocá-los disponíveis na Internet, respon-der mensagens, participar de chats, não é tarefa sim-ples para usuários leigos. O desenvolvimento de am-bientes que facilitam a confecção e inclusão de mate-rial e conteúdo na rede, foi a primeira tentativa para auxiliar o professor a oferecer cursos na Web. No entanto, esses ambientes criaram um conjunto adicio-nal de ferramentas, chamadas de administrativas, para

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gerenciamento do curso, das inscrições, dos dados de alunos, etc. Com isso, o trabalho do professor para ministrar um curso tornou-se bem maior do que o gasto num curso presencial, devido às tarefas de edu-cador e administrador agora criada. Essas dificulda-des no uso de várias ferramentas que compõem os ambientes foram relatadas durante as entrevistas. Outro fator que merece destaque é a interação dos participantes no curso. Muitos alunos inicialmente se sentem tímidos e relutantes para fazer comentários através das listas de discussão ou em ferramentas síncronas por receio de fazer alguma pergunta muito básica ou um comentário equivocado. Além disso, os professores comentam a dificuldade para acompanhar o fluxo da conversação através das ferramentas de comunicação disponíveis nos ambientes. De certa forma, o motivo pelo qual essas ferramentas não fun-cionam de forma adequada nos cursos decorre do fato de nos apossarmos de ferramentas previamente pro-jetadas para uma determinada tarefa e usá-las para executar atividades completamente distintas, o que leva facilmente a uma inadequação das mesmas. Por exemplo, uma ferramenta de chat foi previamente desenvolvida com o objetivo de proporcionar a várias pessoas geograficamente distantes, um espaço para uma conversa descontraída, vulgarmente chamada de “conversa de bar”. Dentro de um ambiente educacio-nal baseado na Web tentamos usá-la com outro obje-tivo, normalmente para discussões sobre conteúdo do curso, envolvendo um número grande de pessoas. Como ela não foi projetada para suportar uma discus-são sobre um tema específico, no qual é preciso res-peitar a ordem da fala das pessoas para que se possa aproveitar a conversa e concluir assuntos, ela não cumpre o seu papel e a maioria dos alunos e professo-res criticam os chats e raramente querem participar de uma sessão. Conseguiremos atingir esse objetivo, apenas através de novas soluções de software que privilegiem a expressão de forma mais clara das idéi-as e opiniões dos interlocutores.

Outro fato correlato diz respeito à sensação de isola-mento que os indivíduos sentem nesses ambientes, devido a falta de visibilidade das pessoas no curso

online. Com tantas informações apresentadas de

for-ma seqüencial e textual o professor tem dificuldade para “digerir” toda a informação gerada e conseguir avaliar o aprendizado e o envolvimento de seus alu-nos. Em um processo educacional tem-se duas

com-ponentes: a informativa e a construtiva. Parte do aprendizado ocorre através da obtenção de informa-ção, que vem da leitura de livros, das aulas expositi-vas, ou de pesquisa na Internet. A outra parte é con-seguida pela construção de “coisas”, fazendo e expe-rimentando. No entanto, o que nota-se é um desba-lanceamento entre essas duas componentes, onde o lado construtivo da aprendizagem tem sido pouco privilegiado, em parte pela ausência de tecnologia adequada, e o lado informativo assume uma posição dominante (Papert, 1999). É evidente que os dois lados são igualmente importantes, mas a percepção popular vê muito mais o lado informativo, pela influ-ência e pelo papel dominante que a informação tem ocupado em suas vidas. A Internet tem sido muito explorada de acordo com essa concepção, privilegi-ando a informação. No entanto, não podemos nos esquecer do aspecto construtivo na aprendizagem. E os professores de cursos a distância na rede só pode-rão explorar melhor esse lado se ferramentas compu-tacionais forem desenvolvidas para esse fim.

Apesar de a princípio parecer uma atividade ingrata a de lidar com tantos complicantes criados pelos softwares, é somente através do seu uso constante que nos tornamos capazes de opinar e sugerir soluções. Assim, é de extrema importância que professores continuem usando tais ambientes pois o feedback deles é vital para a melhoria do processo. Adicional-mente, os desenvolvedores de tais aplicações preci-sam procurar conhecer melhor o processo educacio-nal para que consigam centrar o projeto dos ambien-tes nas tarefas e necessidades de professores e alunos. Sem isso, os ambientes acabam sendo desenvolvidos com uma concepção pouco fiel àquela que deveria e não atendendo eficazmente às necessidades dos seus usuários que alegam que os ambientes atuais acabam cerceando suas idéias e métodos particulares de mi-nistrar as aula, funcionando então, como uma “camisa de força”.

De certa forma, esse fenômeno promoveu o apareci-mento de vários ambientes diferentes desenvolvidos por inúmeras instituições. Muitas optam por não usar e não desenvolver um ambiente para suporte aos cur-sos, utilizando sites que encapsulam apostilas, links, e que usam ferramentas para comunicação disponíveis na Internet. Elas buscam com isso mais flexibilidade de trabalho e experimentação de outras metodologias,

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o que é muito enriquecedor para o processo como um todo.

Na verdade, para que se tenha um aproveitamento maior da potencialidade que a Internet pode nos ofe-recer precisaríamos desenvolver ferramentas novas totalmente reformuladas e especialmente projetadas enfocando a tarefa de educar a distância ao invés de tentar adaptar as existentes sem muito sucesso. Fa-zendo um paralelo com os métodos de ensino a dis-tância mais antigos que usam tecnologias de rádio e televisão, nota-se que também eles passaram por um processo de adaptação no qual buscou-se aproveitar todas as facilidades oferecidas por essas mídias. Des-sa forma, surgiram programas de rádio e televisão que utilizam por exemplo, a mesma roupagem da teledramaturgia para passar conteúdo aos alunos. A tecnologia computacional não é muito diferente. Também é uma nova mídia e completamente distinta de uma sala de aula presencial, apesar de se poder usá-la também para fins educacionais. A Internet, ao contrário do rádio ou da televisão é muito mais flexí-vel e nos oferece oportunidades muito mais ricas. Não precisamos nos adaptar, podemos fazer muito mais, criar sistemas de computação que nos permitam enriquecer o processo ensino/aprendizagem de uma forma ainda não completamente imaginada. E as idéias para esse melhor uso da rede, virão das experi-ências anteriores, dos dados históricos, dos resultados do trabalho de muitos profissionais envolvidos com educação a distância por correspondência, rádio ou televisão.

O resultado mais importante decorrente da análise das entrevistas é a clareza da necessidade de mudança de postura tanto de professores quanto alunos diante dessa nova mídia. Alunos precisam ser mais ativos e autônomos para buscar o conhecimento, aprender a se relacionar em grupo, a refletir antes de opinar, ler mais, escrever com clareza e evidenciar suas posições numa discussão. O professor passa a desempenhar um papel de observador e facilitador, orientando o aluno na sua aprendizagem. A demanda e o caminho vem do aluno e o professor o observa e orienta na medida que acha necessário e percebe um desvio na trajetória da sua aprendizagem. É a manifestação da chamada “sociedade do conhecimento”, que segundo Valente (1996, p. 5-6) “exige um homem crítico,

cri-ativo, com capacidade de pensar, de aprender a aprender, trabalhar em grupo e de conhecer o seu

potencial intelectual. Esse homem deverá ter uma visão geral sobre os diferentes problemas que afli-gem a humanidade, como os sociais e ecológicos, além de profundo conhecimento sobre os domínios específicos. Em outras palavras, um homem atento e sensível às mudanças da sociedade, com uma visão transdisciplinar e com capacidade de constante aprimoramento e depuração de idéias e ações.”

Tendo em vista o potencial que a Internet oferece, o que precisamos é continuar explorando-a em busca de melhores soluções, envolvidos num processo cíclico que se auto alimenta, composto por duas componen-tes básicas, educadores e cientistas da computação. De um lado, os educadores usam e testam as ferra-mentas computacionais, contribuindo com novas idéias e propondo modificações. E do outro lado, os cientistas da computação trabalham no desenvolvi-mento de novas tecnologias e sistemas computacio-nais melhor adaptados e centrados nas necessidades dos usuários, educadores e alunos. Para que esse ciclo funcione e seja capaz de contribuir para o aperfeiço-amento do processo educacional, é importante que as duas componentes desse sistema estejam completa-mente motivadas, envolvidas e trabalhando em coo-peração. Assim, ambos os profissionais passam a conhecer um pouco mais o trabalho um do outro e se tornam capazes de contribuir mutuamente na busca de um produto cada vez melhor, que explore todo o potencial que essa nova e poderosa mídia oferece.

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ONCLUSÕES

O objetivo deste trabalho foi o de identificar as prin-cipais dificuldades enfrentadas pelos professores e alunos nos diversos formatos de cursos a distância na Web. Os resultados obtidos apontam para a necessi-dade de desenvolvimento de novas soluções tecnoló-gicas para permitir um melhor uso da Internet com fins educacionais. Essa nova tecnologia deve permitir a aplicação de diferentes metodologias educacionais diferentemente do que ocorre atualmente nos ambi-entes disponíveis. Esses são desenvolvidos de acordo com uma metodologia previamente estabelecida, o que os torna pouco flexíveis.

Educar a distância via rede implica numa mudança de paradigma, que envolve indivíduos e instituições. O aluno deve aprender a buscar o conhecimento de forma independente, propor soluções, discutir e

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cola-borar em grupo, onde grande parte da responsabilida-de sobre a aprendizagem está em suas próprias mãos. De forma complementar, deve haver uma mudança de postura do professor que passa a orientador e faci-litador do processo. O seu trabalho consiste agora, na criação de uma atmosfera, de um ambiente que esti-mule a participação do aluno. Além disso, o orienta-dor se preocupa em propor direções claras e não se torna o centro das discussões ou o único mantenedor do conhecimento.

No entanto, essas mudanças não estão bem evidenci-adas e faz-se necessária a definição de uma metodo-logia que atenda adequadamente esse novo processo ensino/aprendizagem que surge motivado pelas dife-renças existentes nessa nova mídia, a rede mundial de computadores.

É preciso encarar de uma forma otimista todo o pro-cesso pelo qual passamos ao longo destes últimos anos de experiências com educação a distância via Internet. Só podemos analisar, avaliar e repensar as estratégias se as utilizarmos e experimentarmos sem receio de erros ou frustrações.

É muito mais enriquecedora a reflexão na ação, ou seja, não podemos falar e criticar o que desconhece-mos. Soluções tecnológicas podem ser exploradas e melhoradas pois oferecem uma gama quase que ili-mitada de possibilidades, ainda não experimentadas. Mas tecnologia isolada, sem a contrapartida do edu-cador, não configura uma solução desejável para a educação.

Este é o grande desafio a ser enfrentado, a união dos esforços de educadores e cientistas da computação na busca de soluções pertinentes para o uso da rede com fins educacionais.

As novas tendências em computação apontam para o uso de de MUDs (Multi-User Dungeons), MOOs (MUD-Object-Oriented), técnicas de Visualização de Informação e de Inteligência Artificial para se conse-guir uma análise mais qualitativa do dado e auxiliar cada vez mais os envolvidos (professores e alunos) nos programas de educação a distância.

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GRADECIMENTOS

Gostaríamos de agradecer ao Instituto de Computa-ção e ao Núcleo de Informática Aplicada à EducaComputa-ção da UNICAMP e a Embrapa Informática Agropecuá-ria pelo auxílio financeiro para a realização deste trabalho.

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Referências

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