Econometria Aplicada
Parte II
V Curso de Especialização em Mercado
Financeiro e Investimentos - MERFI
2017-2018
1
3
Definições
• Definições: matrizes e vetores
• Dimensão: m x n = no de linhas x no de colunas
• Vetor linha (1 x n) • Vetor coluna (m x 1)
• Matriz retangular (m n) • Matriz quadrada (m = n) UnB/CCA - Otávio Medeiros
11 12 1
21 22 2
1 2
...
...
A
...
n nm m mn
a
a
a
a
a
a
a
a
a
Exemplos de matrizes e vetores
•
Matriz 4x4:
•
Matriz 3x2:
•
Vetor coluna (3x1):
•
Vetor linha (1x4):
1 1 4 5 1 2 3 2 1 3 1 3 1 2 1 1
2 1 4 3 1 5 2 1 4
5
Definições
• Escalar (dimensão 1x1): [2]
• Diagonal principal:
• Matriz simétrica:
• Matriz diagonal:
• Matriz identidade:
• Matriz nula:
•
Álgebra matricial
•
Igualdade: A = B se A e B têm mesma dimensão e a
ij= b
ij
i, j.
•
Soma: A+B= C se A e B têm mesma dimensão e a
ij+ b
ij= c
ij
i, j.
•
Subtração: A – B = D
se A e B têm mesma dimensão e a
ij- b
ij= d
ij
i, j.
2 4
1 2
3
2
3 5
4
1
1 4
2 4
1 2
1 6
3 5
4
1
7 6
7
Álgebra matricial
• Multiplicação: se A é m x n e B é n x p, o produto
A.B = C, onde C é uma matriz m x p com elementos:
Obs.: A multiplicação só é possível se as matrizes forem compatíveis: no de colunas da 1ª
matriz = no de linhas da 2ª matriz
UnB/CCA - Otávio Medeiros
1 n
ij ik kj
k
c
a b
2 4
1 2
2 ( 1) 4 4 2 2 4 1
14 8
3 5
4
1
3 ( 1) 5 4 3 2 5 1
17 11
Álgebra matricial: Multiplicação de vetores
•
Seja o vetor coluna 4x1:
•
Seu vetor transposto será:
•
O produto será:
1 1 1 2 1 2 u 1 1 1 1 2 2 u' 2 2
2 2 2
1 1
1
1 1 1 1 1 5
1 1 ( 1) 1 ou seja
2 2 2 2 2 2
9
Álgebra matricial
•
Transposição de matrizes:
•
Linhas
colunas; colunas
linhas
•
Exemplo: A =
A’ =
•
UnB/CCA - Otávio Medeiros
11 12 1 11 21 1
21 22 2 12 22 2
1 2 1 2
...
...
...
...
A
;
A '
...
...
n m
n m
m m mn n n mn
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
Determinantes
•
Matriz 2 x 2:
3 1
3 2 2 1 6 2 4
11
Determinantes
•
Matriz 3 x 3: expansão de Laplace
•
Pode-se escolher qualquer linha ou coluna para fazer a
expansão
UnB/CCA - Otávio Medeiros
2 3 2
1 2
1 2
1 1
1 1 2
2
3
2
2 2
3 2
3 2
3 2 2
2(2 4) 3(2 6) 2(2 3)
4 12 2 6
Determinantes
•
Matriz 3 x 3: método simplificado (só para 3x3)
2 3 2
2 3 2 2 3
1 1 2
1 1 2 1 1
3 2 2
3 2 2 3 2
2 1 2 3 2 3 2 1 2 2 1 3 2 2 2 3 1 2
4 18 4 6 8 6 6
13
Inversão de matrizes
•
Se A é uma matriz quadrada não-singular:
A x A
-1=A
-1x A = I
•
Matriz A tem uma inversa se det(A)
0 (A é
não-singular).
•
Somente matrizes quadradas não singulares, têm
determinante
0 e podem ser invertidas!
Inversão de matrizes
1.
Cálculo do determinante: det(A) ou |A|
2.
Menor do elemento
a
ij= determinante da submatriz após
exclusão da i-ésima linha e da j-ésima coluna.
3.
Cofator é o menor multiplicado por (-1)
i+j4.
Matriz dos cofatores = matriz onde cada elemento foi
substituído por seu cofator
15
Exemplo
Matriz 2 x 2:
UnB/CCA - Otávio Medeiros
-1
4 3
4 3 2 3 12 6 6
2 3
3
2
3 -3
Adj( ) = =
3
4
-2 4
1
1
3 -3
1
1
2
2
Adj( )=
1
2
-2 4
6
3
3
1
1
4 3
2
2
1 0
verificação:
1
2
2 3
0 1
3
3
2A
A
C
A
C'
A
A
A
Exemplo
• Matriz 3 x 3:• C = matriz de cofatores
• Adj = matriz adjunta = C´
1
1 2 1 2 1 1
2 2 3 2 3 2
2 3 2 2 4 1
3 2 2 2 2 3
1 1 2 ;det( ) 6; 2 2 5
2 2 3 2 3 2
3 2 2 4 2 1
3 2 2 2 2 3
1 2 1 2 1 1
2 2 4
6 6 6
2 2 4
4 2 2
Adj.( )= 3 2 2 ;
6 6 6
1 5 1 1 5 1
6 6 6
A A C A A
1 1 2
3 3 3
2 1 1
3 3 3
1 5 1
6 6 6
Algumas propriedades das matrizes
•
Se
A
é uma matriz quadrada e então
A
é simétrica
•
Se A é uma matriz m x m então = onde I = matriz identidade m x m.
•
Regressão Linear em Forma Matricial
•
A equação básica da regressão linear:
, onde:
, , ,
u
(1)
•
A coluna de 1s em X corresponde ao intercepto (
).
19
Regressão Linear em Forma Matricial
• Podemos escrever a equação (1) como:
T 1 T2 21 T1
UnB/CCA - Otávio Medeiros
1 1 1
2 2 2
ˆ
1
ˆ
ˆ
1
ˆ
ˆ
1
T T T
y
x
u
y
x
u
y
x
u
Exemplo de aplicação de matrizes: o estimador de
mínimos quadrados
•
Seja , com , e . Queremos calcular
=.
•
O estimador é:
Estimação dos coeficientes e : exemplo numérico
(cont.)
•
1º passo: transpor X:
•
2º passo: multiplicar X’ por X:
•
3º passo: matriz de cofatores:
•
21 UnB/CCA - Otávio Medeiros
2 x 4
2 x 2
Estimação dos coeficientes e : exemplo numérico
(cont.)
•
4º passo: matriz adjunta = matriz dos cofatores, pois ela é simétrica, Adj(X’X)=C
•
5º passo: determinante de X’X:
Det(X’X)=23*4-(-9)*(-9)=92-81=11
•
6º passo: calcular
==
•
2 x 2
Estimação dos coeficientes e : exemplo numérico
(cont.)
•
7º passo: X’y:
=
•
8º passo: multiplicar (X’X)
-1por X’y:
==
•
A equação da reta é:
•
23 UnB/CCA - Otávio Medeiros
2 x 4 2 x
1
2 x
2 2 x 1
2 x 1 4 x
0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 0
0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5
f(x) = 0.18 x + 2.09
Gráfico da Regressão
x
Cálculo dos resíduos e de sua variância
•
Cálculo dos resíduos:
;
•
Cálculo da variância dos resíduos:
•
Cálculo da variância, erros-padrões e estatísticas t
•
A variância dos coeficientes é:
•
As variâncias de e são os elementos da diagonal principal, então, os
erros-padrões de e são:
•
;
•
As estatísticas t de e serão:
•
O coeficiente de determinação (Goodness of
fit): R
2
•
O coeficiente de determinação (R
2) indica a qualidade do ajustamento de uma
regressão aos dados amostrais
•
onde 0
R
2
1
•
Se R
2= 0, a regressão não explica em nada as variações amostrais da variável
dependente
•
Se R
2= 1, a regressão explica 100% das variações amostrais da variável
dependente, ou seja, a regressão seria perfeita e não haveria resíduos
•
Demonstração: vide Brooks, 2014, p. 151.
•
O coeficiente de determinação (Goodness of
fit): R
2
- Cálculo
Na página 25, calculamos
Logo, a regressão explica aproximadamente 9,1% das variações de y.
29
Inferência Estatística
Testes de Hipóteses: teste bicaudal
• Podemos usar a informação contida na amostra para fazer inferências sobre a população.
• Há sempre 2 hipóteses em conjunto: a hipótese nula (H0) e a hipótese alternativa (H1).
• A hipótese nula é a que está realmente sendo testada. A hipótese alternativa é o que ocorre se a hipótese nula for rejeitada.
• Por exemplo, suponhamos que na regressão , estamos interessados na hipótese de que o verdadeiro valor de é na verdade 0,5. Então:
H0 : = 0.5
H1 : 0.5
É um teste bicaudal, pois 0.5 pode ser > 0 ou < 0.
•
Testes de Hipótese Unicaudais
• Se tivermos alguma informação prévia de que, por exemplo, > 0,5 ao invés de < 0,5, faríamos
um teste unicaudal: H0 : = 0,5
H1 : > 0,5
ou, ao contrário, poderíamos ter H0 : = 0,5
H1 : < 0,5
31
Teste de Hipóteses: O Enfoque do Teste de Significância
• Seja a equação de regressão e as hipóteses H0 e H1. • As etapas para a realização de um teste de significância são:
1) Estimar e , û, s2, var(), e SE(
2) Calcular as estatísticas t, t() e t(), pelas fórmulas:
e
onde * e * são respectivamente os valores de e sob a hipótese nula.
•
UnB/CCA - Otávio Medeiros
t t
t
x
u
O Enfoque do Teste de Significância
3) Na regressão linear simples, as estatísticas t seguem uma
distribuição
t-Student
com
T
-2 graus de liberdade.
4) Precisamos escolher um “
nível de significância
”, geralmente denominado
33
Determinando a Região de Rejeição de um Teste de Significância
5) Para um nível de significância (), podemos determinar a região de
rejeição e a região de não rejeição. Para um teste bicaudal com = 5%:
f(x)
95% non-rejection region
2.5%
rejection regionRegião rejection region2.5%
de
rejeição
Região de
rejeição Região de
não-rejeição
Região de Rejeição para um teste unicaudal (cauda superior) a 5%
f(x)
95% non-rejection
regionRegião de não- 5% rejection region
rejeição
Região de
35
Região de Rejeição para um teste uni-caudal (cauda inferior) a 5%
f(x)
95% non-rejection region 5% rejection regionRegião
de
rejeição
Região de
não-rejeição
Teste de Significância: Conclusão
6) Use as tabelas da distribuição t para obter o valor crítico com o qual comparar a estatística teste. 7) Finalmente, conclui-se o teste. Se a estatística teste cair na região de rejeição, rejeita-se a
Exemplo (1)
•
Seja a regressão , o vetor dos resíduos
û
= (0 0,5 -0,5 0 0)’.
•
Então
û’û
= 1/2 e s
2=
û’û/
(T-2)
=
1/6
•
O erro-padrão de será
•
O erro-padrão de será
•
Os valores fora da diagonal principal são as
covariâncias
entre e
•
Estatísticas-teste
•
As estatísticas t são:
) e )
•
Valores críticos da distribuição
t
estão tabelados para diferentes graus
de liberdade e níveis de significância
Exemplo (1) de teste de significância
•
Suponhamos que na regressão queremos testar:
•
H
0:
= 0 (o intercepto da regressão é igual a zero)
•
H
1:
0 (o intercepto da regressão é diferente de zero)
•
É um teste bicaudal, pois H
1pode ser
> 0 ou
<0.
•
Escolhe-se um nível de significância, geralmente 5%
•
A estatística t é ) = = 0,882
•
O valor crítico para a significância de 5% terá um nível de significância
efetivo de 2,5% = 0,025. Há 5-2=3 graus de liberdade
•
Valores críticos na tabela da distribuição
t
: -3,182 e +3,182.
•
Exemplo (1) de teste de significância
f(x)95% non-rejection region
2.5%
rejection region rejection region2.5%
-3,182 3,182
0,882 Resultado do teste: não
rejeitamos H0, pois t(0,882 cai na região de não rejeição.
Região de rejeição Região de rejeição Não rejeição 41 UnB/CCA - Otávio Medeiros
Exemplo (2) de teste de significância
•
Suponhamos agora que no mesmo exemplo 1, queremos testar:
•
H
0:
= 0,5 (a inclinação da reta de regressão é igual a 0,5)
•
H
1:
> 0,5 (a inclinação da reta de regressão é maior que 0,5)
•
Trata-se de um teste unicaudal, pois H
1considera apenas a cauda
direita da distribuição.
•
Vamos manter o nível de significância de 5%
•
A estatística-teste de
é ) = = 0
•
O valor crítico para um nível de significância de 5% com 5-2=3 graus
de liberdade terá apenas um valor crítico: 2,353
Exemplo (2) de teste de significância
Resultado do teste: não rejeitamos H0, pois 0 cai dentro da região de não
rejeição.
f(x)
95% non-rejection
region 5% rejection regionRegião de
rejeição não
Exemplo (2) de teste de significância
•
Resultado do teste:
•
A estatística t cai na região de não rejeição.
•
Ao nível de 5%, não podemos rejeitar H
0de que
= 0,5.
Possíveis erros de inferência
•
Na inferência estatística via testes de hipóteses, há dois erros que
podem ser cometidos:
47
= 0,5; = 0,5. A equação de regressão é = 0,5 + 0,5
x
tObs.: Arctg(0,5) = 26,56
Solução:
Exercício 1: dados para variável dependente {1, 2, 1, 2, 2}; dados para variável
independente {1, 2, 2, 3, 3}. Estime os parâmetros e os resíduos da regressão.
Exercício 1 (cont.)
•
Resíduos:
•
Soma dos quadrados dos resíduos:
•
Variância dos resíduos:
Exercício 1 (cont.) Solução
UnB/CCA - Otávio Medeiros 49
•
Cálculo dos coeficientes, resíduos, R
2, variância dos
Exercício 1: gráfico
y = 0.5x + 0.5
R2 = 0,5833
•
Uma empresa fabricante de bicicletas deseja conhecer qual é a
relação entre vendas de bicicletas e o PIB. Nos últimos 5 anos, as
vendas de bicicletas cresceram 5%, 9%, 5%, 6% e 10% ao ano,
enquanto o PIB cresceu 2,5%, 4%, 3%, 2,5% e 4% ao ano. Existe
uma relação linear entre as vendas de bicicletas e PIB?
Exercício 2:
=
0.0204 + 2.826
x
t
Exercício 2: Gráfico
Regressão Linear: outros exercícios e
soluções
Exercícios:
1) y = 1, 2, 1, 2, 2; x = 1, 2, 2, 3, 3. Solução: a = ½ ; b = ½ 2) y = 1, 2, 1, 2, 3; x = 2, 1, 2, 3, 4. Solução: a = 9/13 ; b =
6/13
3) y = 1, 2, 2, 3, 3; x = 2, 1, 2, 3, 4. Solução: a = 1 ; b = ½ 4) y = 1, 2, 1, 2, 3; x = 2, 2, 1, 2, 4. Solução: a = 1/3 ; b = 2/3 5) y = 1, 2, 2, 2, 3; x = 4, 2, 2, 4, 4. Solução: a = 2 ; b = 0
6) y = 0, 1, 1, 2, 2; x = 1, 2, 2, 4, 1. Solução: a = 8/15; b = 1/3 7) y = 1, 1, 1, 2, 3; x = 1, 0, 2, 3, 4. Solução: a = 3/5; b = ½ 8) y = 1, 2, 2, 3, 3; x = 2, 2, 2, 2, 2. Solução: a = ?; b = ? 9) y = 1, 2, 2, 3, 3; x = 3, 3, 3, 3, 3. Solução: a = ?; b = ?