Cadernos de Relações Internacionais
Volume V
Promovendo o Trabalho Decente e
Livros Grátis
http://www.livrosgratis.com.br
PRESIDENTEDA REPÚBLICA
Luiz Inácio Lula da Silva
MINISTRODO TRABALHOE EMPREGO
Carlos Lupi
SECRETÁRIO-EXECUTIVO
Ronaldo Lessa
ASSESSORIA ESPECIALPARA ASSUNTOS INTERNACIONAIS
Brasília
2007
Cadernos de Relações Internacionais
Volume V
Promovendo o Trabalho Decente e
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Biblioteca. Seção de Processos Técnicos – MTE © 2004 – Ministério do Trabalho e Emprego
É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.
Tiragem: 1.000 exemplares
Edição e Distribuição:
Ministério do Trabalho e Emprego/Assessoria Internacional Esplanada dos Ministérios, Bloco F, 5º Andar, Sala 555 Brasília/DF
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Impresso no Brasil / Printed in Brazil
P965 Promovendo o trabalho decente e o desenvolvimento sustentável: o Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho na OIT – Brasília: MTE, AI, 2007.
113 p. – (Cadernos de Relações Internacionais: v. 5) Inclui anexo em espanhol.
1. Desenvolvimento sustentável: o Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho na OIT, Brasil. 2. Mercado de trabalho, Brasil. 3. Relação de trabalho, Brasil. 4. Emprego, contexto sociopolítico. I. Brasil. Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). II. Brasil. Assessoria Internacional (AI).
S
UMÁRIOApresentação ... 7
Introdução – Conferência Internacional do Trabalho da OIT ...9
Discurso do Ministro do Trabalho e Emprego na 96ª CIT/2007 ...11
Discurso dos Trabalhadores ... 13
Discurso dos Empregadores ... 15
O Fortalecimento da Capacidade da OIT para Prestar Assistência aos Membros na Consecução de seus Objetivos no Contexto da Globalização ...17
Comissão sobre o Trabalho no Setor Pesqueiro: Resultados da 96ª CIT/OIT ...21
A Promoção de Empresas Sustentáveis em Debate na OIT ...25
A Comissão de Aplicação de Normas da 96ª Conferência Internacional do Trabalho .29 Siglas ... 31
Anexo Informe del Director General a la Conferencia Internacional del Trabajo: el Trabajo Decente para un Desarrollo Sostenible ... 33
Resolución Relativa al Fortalecimiento de la Capacidad de la OIT ...57
Texto del Convenio sobre el Trabajo en el Sector Pesquero ...61
Texto de la Recomendación sobre el Trabajo en el Sector Pesquero ...89
E
m 2003, logo após a posse, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva dedicou à Organização Internacional do Trabalho (OIT) sua primeira visita a organismo das Nações Unidas como chefe de Estado. Em discurso na 92ª Conferência da instituição, marcado por referências ao seu passado de operário e líder sindical, o Presidente destacou o papel fundamental da Organização no aperfeiçoamento das relações de trabalho no contexto da globalização. Na oportunidade, afir-mou que seu governo empenharia os melhores esforços para promover o emprego e democra-tizar as relações de trabalho em nosso País com base no diálogo social tripartite. Destacou ainda o Presidente a salutar convergência de princípios entre a agenda da OIT e a agenda política do governo brasileiro – muito especialmente, em sua gestão – e firmou Memorando de Entendimento para o estabelecimento de um programa de co-operação técnica visando à promoção de uma Agenda de Trabalho Decente que norteie a ação do Ministério do Trabalho e Emprego.Nestes poucos meses no comando do Minis-tério do Trabalho e Emprego, tenho a satisfação de constatar que o compromisso assumido pelo Presidente Lula junto à OIT vem sendo honrado com brilhantismo pelo Brasil, por meio da par-ticipação ativa do nosso Ministério, junto com os representantes dos trabalhadores e empre-gadores, nos debates e formulação de diretrizes para o mundo do trabalho.
Este ano, um dos temas em destaque na Conferência foi precisamente o fortalecimento
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PRESENTAÇÃOC
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U P IMinistro do Trabalho e Emprego
da capacidade da OIT para prestar assistência aos seus membros no contexto da globaliza-ção. Nesse plano, discutiu-se – sem, no en-tanto, exaurir-se tão rico tema – a importância da dimensão social no âmbito da integração global e, também, a necessidade do desempe-nho de um papel renovado por parte da OIT. Logrou-se, nesta edição da Conferência, adotar a Convenção sobre o Trabalho Pesqueiro, fato que acolhemos com satisfação, não obstante as diretivas acordadas já estarem amparadas pela legislação brasileira – trata-se, afinal, de setor que envolve milhões de trabalhadores em todo o mundo.
O presente caderno trata igualmente do tema da promoção de empresas sustentáveis. Como veremos, as conclusões daquela comis-são refletem o caráter essencial de tais empresas como fonte de crescimento, geração de riqueza, emprego e trabalho decente, considerando as condições nas quais devem desenvolver-se.
Em relação ao tema da Aplicação de Nor-mas, verifiquei, com muito agrado, o respeito que nosso País alcançou e ostenta, presidindo tal comissão, a mais antiga da Conferência, que neste ano, além dos estudos geral e especial de-dicados às formas de trabalho forçado, analisou inúmeros casos individuais pelo cumprimento das convenções ratificadas pelos Estados-Mem-bros da Organização.
sindica-8
Cadernos de Relações Internacionais – Volume Vlistas, empresários e com o Senhor Diretor-Geral da OIT – Embaixador Juan Somavia. Destaco, desses encontros, a percepção de uma cres-cente sensibilidade no que se refere à imple-mentação dos princípios do trabalho decente e à promoção do desenvolvimento sustentável, a necessidade de novos enfoques na relação comércio/emprego, o funcionamento dos mer-cados de trabalho e a redução do déficit de trabalho decente – temas abordados, não por acaso, no pronunciamento do Excelentíssimo Senhor Juan Somavia.
Trata-se, pois, do desafio de conciliar as me-tas do crescimento econômico, da geração de emprego e renda, da preservação do meio am-biente e da promoção de relações de trabalho marcadas pelo equilíbrio e pela justiça. Desafio cujo enfrentamento é imprescindível e inadiável, e nos envolve a todos – governos, empregado-res, trabalhadoempregado-res, sociedade civil.
Portanto, é com satisfação que, ao apresentar está quinta edição de “Cadernos de Relações Internacionais” dedicada à 96ª Conferência do Trabalho da OIT, reitero o compromisso do MTE com a promoção do trabalho decente, princípio que tem norteado nossa atuação em território nacional, e ainda o empenho conjunto com nos-sos vizinhos, visando à promoção da Declaração Sociolaboral do Mercosul. Destaco, ademais, o processo de elaboração e de implementação da Agenda Nacional do Trabalho Decente, que estamos realizando em estreita colaboração com a OIT.
Com igual satisfação, saliento que esta edi-ção de “Cadernos” vem à luz num contexto em que o nosso País registra avanços históricos em relação à agenda do trabalho, como a geração de milhões de empregos com Carteira assinada e a ampliação do combate ao trabalho escravo e ao trabalho infantil. Logramos estabelecer o sistema mediador, um programa inédito no País,
Apresentação
possibilitando que os acordos e convenções se-lados pelas negociações das entidades sindi-cais sejam acessados tanto por empregadores como por trabalhadores, o que garantirá maior transparência ao trabalho realizado pelas repre-sentações. No tocante à Economia Solidária, o trabalho desenvolvido pelo Ministério junto com nossos parceiros possibilitou recuperar e montar cerca de 15 mil empreendimentos, com os quais geramos aproximadamente 1,2 milhão de postos de trabalho entre empregados diretos, indiretos e membros-sócios.
A nossa Comissão Tripartite de Relações In-ternacionais tem trabalhado no sentido de cor-rigir o atraso em matéria de encaminhamento de instrumentos internacionais para apreciação do Congresso Nacional, como as Convenções nº 150, sobre Administração do Trabalho, e nº 151, sobre Relações de Trabalho na Adminis-tração Pública, de 1978, além das normas mais recentemente aprovadas pela OIT. Em próximas reuniões dessa Comissão, discutiremos outros instrumentos pendentes, bem como aqueles que tenham sido denunciados pelo Governo brasileiro, a exemplo da Convenção nº 158 da OIT. Além disso, temos atuado em estreita co-operação com diversos países, compartilhando experiências e contribuindo para a melhoria das políticas públicas, como condição para a ele-vação da qualidade de vida e de geração de melhores perspectivas para a população traba-lhadora no Brasil e em nossa região.
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RABALHO DAOIT
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NTRODUÇÃOO
s Estados-Membros da OIT se reúnem na Con-ferência Internacional do Trabalho, realizada a cada ano, em Genebra, Suíça, durante o mês de junho.Cada Estado-Membro é representado por uma delegação integrada por dois delegados governa-mentais, um delegado empregador e um delegado trabalhador, além de seus respectivos conselheiros técnicos; os delegados empregador e trabalhador são designados de acordo com as organizações na-cionais mais representativas dos empregadores e dos trabalhadores.
Todos os delegados desfrutam dos mesmos di-reitos e podem expressar-se com inteira liberdade e votar como considerar oportuno. Assim, ocorre que os delegados dos trabalhadores e dos empregadores votem em sentido contrário, ou em sentido contrário ao de seus delegados governamentais. Essa diversi-dade de pontos de vista não impede que as decisões se adotem, com freqüência, por ampla maioria de votos ou por unanimidade.
Muitos representantes governamentais são minis-tros encarregados dos assuntos sociolaborais de seus países. Durante a reunião da Conferência, também fazem uso da palavra chefes de Estado ou de go-verno. As organizações internacionais, tanto gover-namentais como não-govergover-namentais, assistem na qualidade de observador. São várias as funções da Conferência, também conhecida como Parlamento Mundial do Trabalho:
• Em primeiro lugar, está a de elaborar e adotar normas internacionais do trabalho, que reves-tem a forma de Convenções e Recomenda-ções. As Convenções são tratados internacio-nais que, uma vez adotados, são submetidos à ratificação dos Estados-Membros. A
ratifi-cação cria uma obrigação jurídica de aplicar as disposições da convenção de que se trata. Por sua parte, as recomendações pretendem orientar a ação no plano nacional, mas não estão abertas à ratificação nem são juridica-mente vinculantes.
• A Conferência também supervisiona a apli-cação nacional das Convenções e Recomen-dações. Examina as memórias que todos os Estados-Membros apresentam, fornecendo informação detalhada acerca do cumprimen-to das obrigações contraídas em virtude das Convenções que foram ratificadas e acerca de sua legislação e prática relativa às Convenções (ratificadas ou não) e Recomendações sobre as quais o Conselho de Administração tenha solicitado a apresentação de memórias. • Desde a adoção, em 1998, da Declaração
da OIT relativa aos princípios e direitos fun-damentais no trabalho, outra iniciativa impor-tante da Conferência é o exame do Informe Global, preparado pela Organização em vir-tude dos procedimentos de seguimento esta-belecidos pela Declaração. Ao longo de um ciclo de quatro anos, a Conferência examina, por turnos, os informes globais que abarcam os quatro direitos fundamentais, a saber: a) liberdade sindical e associação e
reconhe-cimento efetivo do direito à negociação coletiva;
b) a eliminação de todas as formas de trabalho forçado ou obrigatório;
c) a abolição efetiva do trabalho infantil; d) a eliminação da discriminação no emprego
e ocupação.
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Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT
Cadernos de Relações Internacionais – Volume V
tância para o mundo inteiro. Os delegados estudam a evolução do progresso social no mundo, mas o tema central é a Memória que é apresentada a cada ano pelo Diretor-Geral da OIT. Durante os últimos anos, essas me-mórias trataram dos temas seguintes: Trabalho Decente (1999); Reduzir o Déficit do Trabalho Decente – um desafio global (2001); e Por uma Globalização Justa: Criar oportunidades para todos (2004).
• A Conferência também adota resoluções que proporcionem orientações para a política geral e as atividades futuras da OIT.
A
Memória do Diretor-Geral da Conferência do Trabalho, Juan Somavia, retoma as conclusões da Cúpula de Johannesburgo e põe em evidência a necessidade de que as políticas nacionais e os orga-nismos internacionais multilaterais sejam mais coe-rentes. Fortalece o conceito de trabalho decente para todos e o associa à sustentabilidade dos modelos de desenvolvimento de nossos países. As mudanças sociais e econômicas que ocorreram no mundo glo-balizado foram depreciadas nas últimas décadas na relação de empregador com o trabalhador. Muitos trabalhadores se vêem obrigados a renunciar a seus direitos fundamentais para garantir sua sobrevivên-cia. Devido a essas mudanças, no Brasil, há todo um processo de qualificação dos trabalhadores, em que participam as universidades, os estados fede-rais etc. A capacitação de nossos jovens para essa nova realidade do mundo contemporâneo é uma prioridade. Estamos convencidos de que a geração de trabalho decente é um meio para alcançar a su-peração da pobreza, a redução das desigualdades sociais e a governança democrática. É inaceitável que a eliminação dos direitos e as garantias do tra-balho sejam uma condição prévia para o crescimento econômico.O Governo brasileiro tem se dedicado à aplicação de políticas públicas destinadas a superar a pobreza e assegurar a inclusão social, promover os direitos fundamentais no trabalho e lutar contra a informali-dade. Não acreditamos que exista contradição entre o progresso social e os bons resultados econômicos.
Pelo contrário, a experiência brasileira recente tem demonstrado que o aumento dos progressos sociais é condição prévia para o fortalecimento da demo-cracia e para o crescimento econômico. Sabemos, no entanto, que o crescimento econômico por si só não basta para gerar trabalho decente para toda nossa população. Por isso, o Ministério do Trabalho e Emprego coordena na atualidade vários programas de geração de emprego e renda, o Programa Nacio-nal para estimular o Primeiro Emprego, o Programa Nacional de Microcrédito Produtivo e Orientado e o Programa Nacional de Qualificação Profissional. A estes programas se somam outros projetos produtivos coletivos, como cooperativas populares, redes de produção, consumo e comercialização, instituições financeiras de apoio a iniciativas populares e solidá-rias, empresas recuperadas por trabalhadores orga-nizados em autogestão, cooperativas de agricultura familiar e cooperativas de prestação de serviços. Os Consórcios da Juventude, formados por entidades e movimentos da sociedade civil organizada, propor-cionam qualificações profissionais aos jovens que se encontram em situação de vulnerabilidade pessoal e de risco social, com vistas a facilitar seu ingresso no mercado de trabalho.
O Governo concede, ademais, os recursos finan-ceiros necessários para custear essa qualificação, assim como subsídios às empresas que contratam tais jovens. Para apoiar esses programas, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva está realizando esforços com vistas a reforçar o diálogo do Governo com a sociedade brasileira, a fim de formular conjuntamen-te uma política nacional de trabalho decenconjuntamen-te para a juventude. Essa mobilização nacional tem contri-buído de maneira decisiva para a criação de mais seis milhões de postos de trabalho no setor formal no Brasil nos últimos quatro anos, sem que por isso se tenha perdido qualquer dos direitos conquistados por nossos trabalhadores. Estamos registrando
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Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável
Cadernos de Relações Internacionais – Volume V
ces sem precedentes de crescimento do emprego no setor formal: 701 novas empresas em quatro meses, um recorde em toda a história do Brasil. Isso refle-te os esforços realizados pelo Governo para que o Brasil siga o caminho do crescimento econômico e da a distribuição de renda. O Brasil acolhe com satisfação o Informe Global sobre a Discriminação no Trabalho. Queremos destacar a esse respeito o Decreto Ministerial nº 41, que proíbe qualquer tipo de referência negativa contra o trabalhador em sua Carteira de Trabalho. Proíbe, assim, que o emprega-dor exija do trabalhaemprega-dor renunciar a seus direitos, o que lhe proporcionaria uma prova de esterilização ou desconforto.
O Governo brasileiro quer reiterar seu firme com-promisso com a eliminação do trabalho forçado em seu território nacional. Tendo em vista os resultados positivos obtidos neste âmbito, queremos expressar nosso interesse em que se siga cooperando com a OIT no projeto de luta contra o trabalho forçado no Brasil, cujo término está previsto para este ano. Ainda este ano, foram realizados esforços nos Es-tados do Pará, Maranhão e Piauí, para recordar os trabalhadores de seus direitos e de lutar, por meio de nossas equipes de fiscalização, contra qualquer tipo de trabalho forçado. A luta contra o trabalho infantil também é objeto de crescente atenção no
plano nacional e mundial. No Brasil, o Bolsa-Família, um dos programas mais importantes de transferência direta de renda no mundo, contribui de maneira de-cisiva a romper o ciclo de vulnerabilidade e pobreza entre as gerações. Ademais das medidas encami-nhadas a reduzir a pobreza, somos conscientes de que priorizar a educação é um requisito primordial para alcançar uma política eficaz que permita fazer frente a esse flagelo que atinge tantas crianças e jovens no mundo.
S
omente poderemos superar a pobreza quando a maioria das pessoas tiver acesso a um trabalho decente, uma vez que dois milhões de pessoas no mundo seguem vivendo com menos de dois dólares por dia, em condições indignas de trabalho e vida. O papel da OIT é fundamental para lutar contra a pobreza e a miséria, ao promover a justiça social e favorecer a criação de trabalho decente. Com o advento de uma nova realidade na economia, na po-lítica e no trabalho no mundo inteiro, surgiu uma voz mais forte e mais unida em nível mundial, destinada a abordar o desafio da globalização com energia e esperanças renovadas, que deu lugar à Confedera-ção Sindical Mundial. No Brasil, a Social Democracia Sindical, a Confederação Geral dos Trabalhadores e a Central Autônoma dos Trabalhadores se uniram com a finalidade de seguir esse passo dado em nível internacional. Nesse contexto, nasce a União Geral dos Trabalhadores, que tem como meta traçar nova trajetória do movimento sindical para o século XXI que vá além do corporativismo e incorpore as idéias de um sindicalismo cidadão, ético e inovador, de maneira que o processo de globalização assuma uma dimensão social e quebre os paradigmas tra-dicionais.O Brasil tem sido modelo em escala mundial nos âmbitos tecnológico, energético e sociolaboral, e recentemente marcou o caminho para descontaminar a atmosfera graças ao biocombustível. Ademais, o
Informe Global, de acordo com o seguimento da De-claração da OIT relativo aos princípios e direitos fun-damentais no trabalho, destaca, ao citar o Brasil, a redução das desigualdades raciais e de gênero como parte de inclusão social e a repartição dos ingressos graças ao crescimento do produto e do emprego, assim como os planos nacionais de política para as mulheres, promoção da igualdade racial e o plano Brasil sem homofobia. O setor pesqueiro brasileiro progrediu muito. Num país com 8 mil quilômetros de costa, é importante instaurar uma vigilância efi-caz. Atualmente, damos importância às condições de trabalho, e de vida a bordo das embarcações e contamos com equipes especializadas de inspeção de trabalho que também verificam os barcos estran-geiros. É importante observar que existem 11 normas elaboradas de forma tripartite, e que os representan-tes dos trabalhadores participam colaborando na planificação dessas supervisões. Apelamos para que se assumam nossas preocupações com vistas a que, mediante um intenso trabalho tripartite, possamos alcançar o consenso em torno de uma convenção.
O Brasil está empenhado em abandonar um mo-delo de empresa já obsoleto para adotar um momo-delo mais moderno e globalizado, já que essa é a prin-cipal fonte de crescimento e emprego no marco da promoção de empresas sustentáveis. Recordamos aos Países-Membros da OIT que o que impulsiona o crescimento econômico é, sobretudo, a redução de impostos, a criatividade e a árdua tarefa dos tra-balhadores e empresários estimulados pela criação de emprego e o aumento da renda e do bem-estar derivado do trabalho. Somente se pratica civismo empresarial com um comportamento ético, pagando os impostos, cuidando do meio ambiente, melhoran-do as condições reinantes na comunidade, danmelhoran-do um trabalho digno a todos seres humanos e respeitando todos os direitos dos trabalhadores.
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Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT
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Como princípio único da promoção de empresas sustentáveis, devemos qualificar nossos trabalhado-res de acordo com o conteúdo da Recomendação nº 195/2004, sobre o desenvolvimento dos recursos humanos. Por último, o Brasil é um dos 10 Países-Membros da OIT com um assento permanente no Conselho de Administração. O Governo tem que corresponder e assumir essa responsabilidade, visto que ainda não ratificou a Convenção nº 151, 1978, sobre as relações de trabalho na administração pú-blica, e a Recomendação nº 159, 1978, sobre as relações de trabalho na administração pública, que contemplam um conjunto de procedimentos para o
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Diretor-Geral da Conferência do Trabalho, Juan Somavia, propôs diversos temas, a globaliza-ção econômica, os mercados livres, as empresas sustentáveis, a relação entre as pequenas, médias e grandes empresas e a capacidade de cada uma de gerar trabalho, os contratos e os salários, a medição dos déficits de trabalho decente, a proteção social, a modernização da gestão dos assuntos públicos no mundo do trabalho e a reforma das Nações Unidas. No Brasil, compartilhamos da mesma inquietude que se experimenta em todo o mundo pelo aglutinamento das reservas de combustíveis fósseis e a degrada-ção do meio ambiente, em particular nas grandes cidades. Esforçamo-nos para produzir combustíveis alternativos, tais como o etanol, que já está sendo utilizado em grande parte em nosso mercado auto-motivo e o biodiesel, que começamos a mesclar com o diesel destinado a nossos ônibus e caminhões.No processo de produção, utilizam-se terras dis-poníveis não destinadas à produção de alimentos. No que concerne ao meio ambiente, com o apoio das empresas e as organizações de trabalhadores, o Governo brasileiro está melhorando sua legislação e seus sistemas de inspeção e supervisão. Exemplo dis-so é o organismo ambientalista, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA) e o Programa de Descontaminação da Confederação Nacional de Transporte (CNT). Tendo em vista as mudanças suscitadas pela globalização, é preciso modificar profundamente as normas que regem o trabalho. Em nosso País há enormes diferenças entre o progresso tecnológico, o trabalho e a legislação social e a capacidade das Pequenas e Médias Empre-sas (PYMES) para cumprir com a variedade de nor-mativas. O mundo está mudando e devemos mudar
para nos mantermos competitivos. Por isso, devemos achar alternativas que contemplem tanto os interes-ses dos trabalhadores como os dos empregadores, beneficiando, assim, a sociedade em seu conjunto. Somente por meio das negociações tripartites será possível superar os obstáculos com que esbarram o desenvolvimento, tais como o desemprego e o em-prego informal. A formulação de políticas tende a melhorar as qualificações dos trabalhadores e é uma estratégia muito conveniente. Quanto à formação profissional, as organizações de empregadores do Brasil têm empreendido essa tarefa há muito tempo, mantendo e administrando por meio das Confedera-ções Nacionais da Indústria, Comércio, Transporte e Agricultura, seus próprios serviços de formação profissional. Portanto, a solução para fomentar o em-prego, que tem a ver com a flexibilidade do mercado de trabalho, é decidir se deve ser adotado um novo modelo de relações trabalhistas definindo uma lista mínima de direitos fundamentais e permitindo que as negociações entre as partes interessadas ampliem essa lista segundo suas possibilidades e necessida-des. Quanto ao custo da mão-de-obra, seria mais proveitoso começar a integrar medidas para suprimir algumas regulamentações excessivas em torno do trabalho.
A globalização do comércio tem exacerbado a competitividade e tem imposto novas normas de pro-dução, exigindo que os agentes econômicos incorpo-rem novas tecnologias e redobincorpo-rem seus esforços para aumentar a rentabilidade da produção. Lamentavel-mente, essas práticas eliminam postos de trabalho e incrementam os níveis de desemprego, inclusive havendo crescimento econômico. A questão mais importante que os governantes de todo o mundo deverão abordar nos próximos anos e, em particular, a OIT, é como conciliar a irreversível demanda de qualidade e produtividade com a necessidade de seguir criando suficientes postos de trabalho para atender às necessidades de milhões de jovens que, a cada ano, ingressam no mercado de trabalho.
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Nacional do Transporte (CNC)
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ditamos que a geração e a promoção de trabalho decente é a melhor maneira de conseguir a inclusão social e o meio mais apropriado para alcançar o de-senvolvimento sustentável da perspectiva econômica, social e ambiental.
É imprescindível unir as políticas macroeconô-micas e de emprego e trabalhar com a finalidade de alcançar um crescimento econômico com desen-volvimento social e proteção do meio ambiente. É possível que a OIT por si só não consiga solucionar todos esses graves problemas do mundo do trabalho, mas conviria que fossem incluídos em seu programa de ações estudos a respeito dos diversos problemas ocasionados pela globalização, assim como a di-mensão social dos mesmos.
A globalização do trabalho decente somente pode triunfar por meio de um projeto de âmbito mundial em que se harmonizem os aspectos econômico e social. É a única maneira de alcançar o desenvolvi-mento sustentável e a paz mundial. Se desejarmos o trabalho decente, devemos promover um mundo decente para todos. Contudo, vale a pena mencionar que o progresso necessário para o processo de glo-balização exige que se levem em conta as relações comerciais internacionais. Sem prejuízo das
1. I
NTRODUÇÃO AO TEMAO Conselho de Administração da OIT inscreveu o tema O Fortalecimento da Capacidade da OIT para Prestar Assistência aos Membros na Consecu-ção de seus Objetivos no Contexto da GlobalizaConsecu-ção na ordem do dia da 96ª Reunião da Conferência Internacional do Trabalho, celebrada em Genebra – Suíça, de 30 de maio a 15 de junho de 2007.
A Oficina elaborou um relatório1 para servir de
base à discussão geral do tema, tomando como re-ferência um amplo processo de consultas, iniciado na Conferência de 2004, em torno da memória do Diretor-Geral, Juan Somavia, a propósito dos acha-dos da Comissão Mundial sobre a Dimensão Social da Globalização. Trata-se de um relatório sobre go-vernança, a sugerir várias inovações institucionais possíveis, que aproveitam o potencial da Constitui-ção da OIT, mas acenam também com a reforma de práticas vigentes, com vistas a melhorar a efetividade da Organização e responder às exigências de um novo mundo laboral em evolução.
O debate acerca das repercussões sociais da glo-balização tende a mover-se entre duas percepções antagônicas, que destacam, em um extremo, o papel do mercado global como indutor de oportunidades de emprego e de riqueza e, em outro, a instabilidade e a precarização do trabalho e o aprofundamento dos desequilíbrios entre grupos humanos e países. Na tentativa de romper com essa polarização, a OIT argumenta que a globalização pode configurar-se
como um processo mais sustentável, integrador e socialmente justo. Sua resposta está no trabalho de-cente, talvez a ferramenta que reúna, hoje, maior re-conhecimento universal como esforço de redução da pobreza e apoio ao desenvolvimento internacional. A finalidade precípua da OIT consiste em promo-ver oportunidades de trabalho decente e produtivo a homens e mulheres, em condições de liberdade, eqüidade, segurança e dignidade. O trabalho decen-te é o ponto de convergência dos quatro objetivos estratégicos da Organização – a promoção dos direi-tos fundamentais no trabalho, o emprego, a proteção social e o diálogo social – e de orientação de suas decisões e de seu papel no plano mundial.
Além de proporcionar à OIT um marco sólido para a formulação e a gestão de políticas e reforçar sua eficácia no cumprimento dos objetivos estraté-gicos, o trabalho decente tem suscitado o interesse de governantes, de organismos internacionais e de outros atores emergentes como objetivo político para a redução da pobreza mundial e uma globalização benéfica a todos. A declaração do Conselho Econô-mico e Social (ECOSOC) das Nações Unidas (2006), centrada na criação de um ambiente em escala na-cional e internana-cional que propicie a geração do emprego pleno e produtivo e do trabalho decente para todos – e suas conseqüências sobre o desen-volvimento sustentável – desencadeou um esforço do sistema ONU para integrá-lo às políticas, programas e atividades de desenvolvimento internacional. Inú-meras outras reuniões e organizações externaram seu compromisso com a promoção do trabalho decente, entre elas a Quarta Cúpula das Américas (Mar del Plata, 2005), a Comissão Européia, o Foro Econômi-co Mundial, o Foro Social Mundial, a Confederação
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LOBALIZAÇÃO1 Oficina Internacional del Trabajo. El Fortalecimiento de la Ca-pacidad de la OIT para Prestar Asistencia a los Miembros en la Consecución de sus Objetivos en el Contexto de la Globa-lización. Informe V. OIT: Ginebra, 2007.
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Sindical Internacional (Viena, 2006), entidades da sociedade civil.
O Programa de Trabalho Decente por País (PTDP) constitui o principal instrumento de cooperação da OIT com os Estados-Membros e sua contribuição específica aos marcos do desenvolvimento interna-cional, entre os quais o Marco de Assistência das Nações Unidas para o Desenvolvimento (MANUD), as Estratégias de Luta contra a Pobreza (ELP) e os objetivos do milênio (ODM). É também seu veículo de participação no processo de reformas das Nações Unidas (Unidos na Ação).
O fortalecimento da capacidade da OIT erige-se, pois, como prioridade e requisito fundamental para que a Organização responda aos desafios gerados pelas expectativas, necessidades e oportunidades de trabalho no contexto da globalização. O proble-ma exige uproble-ma abordagem integral de suas várias dimensões, em que sobressaem a solidificação do tripartismo, o aumento da capacidade normativa e de controle, o desenvolvimento da base de conheci-mentos, a consolidação das alianças internacionais e a gestão de recursos.
2. D
ISCUSSÃO GERAL DO TEMAA discussão geral do tema revelou acentuada convergência entre os mandantes em relação a as-pectos centrais do fortalecimento da OIT. A Comis-são reafirmou unanimemente a pertinência, na nova ordem global, dos princípios e objetivos estratégicos da Organização, enunciados na Constituição, na Declaração de Filadélfia (1944), na Declaração so-bre Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho (1998) e no Programa de Trabalho Decente. Também concordou que o diálogo tripartite é ferramenta es-sencial para o alcance dos objetivos estratégicos no âmbito nacional, regional e internacional.
A Comissão igualmente coincidiu sobre a necessi-dade de se atribuir especial atenção a três principais aspectos da governança:
(a) o fortalecimento da base de conhecimentos, da capacidade analítica e da eficácia da Oficina e dos vínculos entre suas atividades
e as necessidades e prioridades nacionais dos mandantes, intento que poderia ser im-pulsionado pela realização de exames cícli-cos dos objetivos estratégicícli-cos do trabalho decente;
(b) a promoção de um enfoque integrado dos objetivos estratégicos da Organização, con-siderando-se sua interdependência, indivisi-bilidade e complementaridade, na relação entre os mandantes e o trabalho da Oficina. Esse enfoque integrado, harmônico com o conceito de trabalho decente, asseguraria a coerência dos PTDP com as características nacionais, a sinergia entre objetivos econô-micos e sociais e o enlace entre os PTDP e os programas conexos das Nações Unidas e de organismos multilaterais;
(c) a necessidade de atentar para o novo con-texto da globalização e para a existência de novos atores com crescente influência sobre a promoção do trabalho decente, com os quais se deveriam estabelecer e aprofundar associações e alianças direcionadas ao al-cance dos objetivos estratégicos, cabendo ao Conselho de Administração considerar os meios para forjar tais relações e ampliar sua eficácia.
A Comissão também realizou um exame preli-minar a respeito da adoção de um “documento de referência”, em que figure o compromisso dos Mem-bros com o fortalecimento da OIT, o cumprimento dos objetivos estratégicos e o exercício do tripartismo. Tal documento poderia assumir a forma de uma de-claração [instrumento solene que enuncia princípios de grande importância e valor permanente] ou outro instrumento adequado, complementado pelo corres-pondente mecanismo de seguimento.
3. R
ESULTADOS DA DISCUSSÃO GERALO Fortalecimento da Capacidade da OIT para Prestar Assistência aos Membros na Consecução de seus Objetivos no Contexto da Globalização
As conclusões refletem, em primeiro plano, o con-senso obtido pelos Membros quanto à permanência e à validade dos princípios e objetivos da OIT, expres-sos em atos fundamentais e no Programa de Trabalho Decente, e ao significado do tripartismo como meio essencial para alcançar ditos objetivos. Abordam, em seguida, os três aspectos fundamentais para a melhoria da governança, resumidos na seção ante-rior, que poderiam contribuir para o fortalecimento da capacidade da OIT.
O projeto de resolução trata, em essência, da proposta dirigida ao Conselho de Administração para que ele considere a possibilidade de incluir o tema na ordem do dia da 97ª Conferência, para prosseguimento e conclusão do debate e a adoção de um documento de referência. Também solicita à Oficina os meios necessários à celebração de amplas consultas e a redação de um projeto de “documento de referência” que leve em conta as opiniões ex-pressas na presente reunião e aquelas a surgir do intercâmbio de idéias entre os Membros.
A Conferência Internacional do Trabalho adotou, na sessão plenária do dia 15 de junho, os projetos de resolução e de conclusões.
4. A
VALIAÇÃO DOS FEITOS DAC
OMISSÃOA temática proposta à Comissão comporta ques-tões não apenas numerosas, mas também de uma complexidade apreciável, que implicam, ademais, dificuldades à necessária obtenção de consensos en-tre os constituintes. Tanto é verdade que o Relatório V antecipava comentários a respeito da conveniência de se prever para o debate mais tempo do que o disponível em uma única reunião da Conferência. A despeito disso, a Comissão registrou progressos importantes no tratamento dos aspectos centrais do tema e na convergência de posições, como demons-tram os projetos de resolução e de conclusões.
O prosseguimento do exame do tema, a ser rea-lizado durante o programa de consultas e a próxima Conferência, refinará as idéias e propostas para o fortalecimento da OIT num ambiente de globalização
progressiva. Entretanto, a discussão não se encer-rará ao término dessa etapa. Subjaz ao debate a indagação sobre o futuro lugar da OIT no sistema ONU, cujo processo de reestruturação poderia re-sultar em perda de poder e capacidade de atuação das agências especializadas em favor da “unifica-ção da imagem/a“unifica-ção das Nações Unidas”.2 Diante
desse cenário, ganha maior nitidez o acento dado pela Comissão ao compromisso de fortalecer a OIT no processo de reforma das NU [Unidos na Ação], de manter todas as suas esferas de atividade e de valorizar sua identidade tripartite.
5. S
UGESTÕES PARA UMA AGENDA DE TRABALHO EM TORNO DO TEMAA reinserção do tema na 97ª Conferência (2008) e o programa de consultas que a antecederão abrem uma oportunidade particularmente favorável à ado-ção de um conjunto de iniciativas relacionadas com o assunto em foco. O elemento-chave do processo de fortalecimento da OIT é, em última análise, prover os Estados-Membros de maior capacidade para pôr em marcha políticas públicas de trabalho decente e, por essa via, impulsionar o desenvolvimento sustentável e a justiça social. O PTDP é o elemento-chave que possibilita estreitar a colaboração entre a Oficina e o país, integrar os objetivos econômicos e sociais, vincular os programas internos de desenvolvimento aos conexos dos organismos internacionais respon-der aos desafios sociais da globalização. É também o veículo natural de engajamento de empregadores e de trabalhadores na busca de padrões laborais civilizados, recordando-se que o diálogo tripartite é elemento constitutivo do trabalho decente e meio eficaz para alcançá-lo.
A arquitetura de uma agenda que associe a con-creção do PTDP nacional e o debate sobre o for-talecimento da OIT poderia também reservar um espaço à preparação da delegação brasileira, em particular da governamental, à futura Conferência.
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Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT
Cadernos de Relações Internacionais – Volume V
Caberia imaginar, com tal propósito, cadeias de in-terlocução que, impelidas desde o MTE, estenderiam progressivamente seus limites a outros ministérios e órgãos públicos interessados, aos sujeitos do tri-partismo e, se oportuno, a entidades da sociedade civil. O esquema poderia ser adaptado às nego-ciações envolvendo os Estados-Partes do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), da CIMT/OEA e de
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ONTEXTO DAP
ESCA NOB
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Brasil tem 8.200 quilômetros de costa e uma plataforma continental de 822 mil quilômetros qua-drados na faixa de até 200 metros de profundidade, e poderia ser uma referência internacional na produ-ção pesqueira, porém, com a produprodu-ção média anual de 843 mil toneladas, ocupa o 25º lugar no ranking mundial da pesca, com uma participação de menos de 1% da produção mundial. O consumo nacional de pescados é baixo, de 6,9 quilos ao ano por ha-bitante, bem inferior às médias dos outros países, que chegam a alcançar 50 quilos na Espanha e 80 quilos no Japão, ficando o Brasil no 128º lugar do ranking de consumidores.O modelo da pesca em nosso País ainda é ex-trativista, dependendo da sorte e da experiência do pescador, e a frota nacional de pesca é relativamente pequena e obsoleta, formada por embarcações de pequeno porte, sendo que 97% dessa frota – 70 mil barcos até 12 metros de comprimento – tem idade média de 20 anos.
Estamos situados em posição estratégica entre três importantes blocos econômicos e mercados consumidores do mundo (NAFTA, União Européia e MERCOSUL), além do mercado interno, e estamos próximos às áreas de ocorrência, na macrorregião econômica do Atlântico, das espécies de peixes mi-gratórios de alto valor comercial, como os atuns, espadartes, tubarões, etc. Isso representa concretas vantagens comparativas (localização, Zona Eco-nômica Exclusiva extensa, real potencialidade dos
estoques de atuns e afins) e vantagens competitivas (previsão de investimentos públicos no setor, estrutura portuária razoável, produto de alto valor comercial, rentabilidade superior à maioria das outras ativida-des extrativas, etc.), em relação às frotas de países asiáticos e europeus, que necessitam se deslocarem mais de 20 mil quilômetros para pescar no Atlântico Sul, nas nossas águas.
Atualmente a pesca oceânica no Brasil é realiza-da, em sua maior parte, por meio de barcos de pesca estrangeiros, arrendados por empresas nacionais, com a finalidade de aumentar as quotas de captura, transferir tecnologia e formar mão-de-obra. Em al-guns estados do Nordeste, essa finalidade tem sido alcançada em grande parte, pois já temos barcos de pesca oceânica nacionalizados, com dois terços da tripulação de barcos estrangeiros formados por pescadores brasileiros.
A atividade pesqueira no Brasil se apresenta como uma alternativa real de criação de divisas, empregos e alimentos. Assim, torna-se necessário o engaja-mento do governo, empregadores e trabalhadores nessa alternativa, de forma integrada, resguardando o interesse legítimo de cada segmento, para que o resultado seja producente. Nesse contexto, o tripar-tismo surge como uma estratégia ideal para decisões sobre o setor, visando à criação e ao cumprimento de regras para a pesca que contemplem os parceiros sociais envolvidos de forma otimizada.
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ESENVOLVIMENTO DOST
RABALHOS NAC
OMISSÃO DAP
ESCA/96ª CIT
A nova Convenção visava revisar cinco instrumen-tos da OIT (quatro convenções e uma recomenda-ção), preservando os direitos dos pescadores, ela-borando um texto em linguagem acessível e de fácil entendimento, que fosse atrativa para aumentar as
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96ª CIT/OIT
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Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT
Cadernos de Relações Internacionais – Volume V
ratificações, visando assegurar a mais ampla aceita-ção e ao mesmo tempo a fiscalizaaceita-ção efetiva.
O texto que foi utilizado na ordem do dia da 96ª reunião da Conferência Internacional do Trabalho (CIT)/2007 era o mesmo que constava no relatório do Comitê do Setor Pesqueiro da 93ª Reunião da CIT /2005, quando a proposta teve a seguinte vota-ção: 288 votos a favor, 8 contra e 139 abstenções. Como o quorum era 297, e requerida maioria de 2/3, equivalente a 290 votos (do total de 435 votos), a Convenção não foi adotada.
A recomendação teve votação suficiente e foi adotada na CIT de 2005, mas nessa nova discussão de 2007 seria necessário que a mesma fosse revista e provavelmente fosse adotada uma nova recomen-dação, o que efetivamente ocorreu.
O Conselho de Administração da OIT, em sua 294ª Reunião (novembro de 2005), havia decidido que seriam feitas novas consultas tripartites sobre o texto, e seus resultados agregados aos documentos a serem disponibilizados para a 96ª CIT. Foi remeti-do um questionário a toremeti-dos os Estaremeti-dos-Membros, a ser respondido de forma tripartite, com os principais pontos identificados que apresentaram dificuldades (para ratificação), ou seja:
• possibilidade de que a autoridade competente exclua certas embarcações ou pescadores de al-gumas ou todas as disposições da Convenção; • exame médico dos pescadores;
• tripulação mínima e horas de descanso; • alojamento a bordo de embarcações
pesquei-ras, incluindo as cifras de equivalência de ar-queação bruta que figuram no § 7º do art. 28, Anexo III;
• quaisquer outras questões que deveriam ser abordadas com relação a este ponto da Or-dem do Dia da 96ª CIT.
O questionário recebeu respostas de 48 Estados-Membros até 20 de outubro de 2006, e dentre esses, de 11 países do GRULAC: Argentina, Brasil, Costa Rica, Cuba, Honduras, México, Panamá, Suriname, Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela. Foi feita
uma Mesa-Redonda na OIT, em dezembro de 2006, com a presença do Brasil, para discutir possíveis so-luções de consenso que levassem à adoção do texto em 2007.
As respostas dos países citados, assim como as consultas diárias aos representantes dos países do GRULAC na Comissão da Pesca, foram levadas em consideração pela representante do Governo nos entendimentos com os outros grupos de países, na 96ª CIT, em relação à apresentação de possíveis emendas ao texto e esclarecimentos aos represen-tantes que não estiveram presentes às outras reuniões da OIT sobre Pesca, para evitar abrir discussões des-necessárias sobre disposições maduras no projeto e, ao mesmo tempo, defender os interesses dos países do GRULAC.
Os Grupos de Pescadores e Armadores continuaram com discussões bilaterais até junho de 2007, procurando encontrar o maior número possível de soluções em comum, o que facilitou o trabalho nesta 96ª CIT. Esses grupos também continuaram com os entendimentos com o Japão, conseguindo concor-dância em relação à equivalência da tonelagem, para facilitar a ratificação dos países asiáticos.
Os debates foram muito produtivos, tendo a Comissão da Pesca conseguido trabalhar de forma harmônica, entendendo que a Convenção, para ser amplamente ratificada e proteger maior número de trabalhadores, deveria apresentar normas mínimas, sem abrir mão dos direitos já conseguidos pelos pes-cadores, mas respeitando o fato de que os países em desenvolvimento e os países asiáticos teriam que ser levados em consideração, e que os países mais desen-volvidos pudessem conservar suas normas de padrão mais elevado. Por isso, os trabalhos foram finalizados em 10 sessões, em prazo inferior ao esperado.
Comissão Sobre o Trabalho no Setor Pesqueiro: resultados da 96ª CIT/OIT
convenções da IMO; a respeito da promoção do bem-estar dos pescadores e sobre as fiscalizações trabalhistas do Estado do Porto nas embarcações estrangeiras.
Durante todo o período, a Assessoria Internacio-nal repassou informações atualizadas à Assessoria de Comunicação do MTE, possibilitando a todos, principalmente no Brasil, acompanhar em tempo real as ocorrências na 96ª CIT na página do Ministério. Também foram feitas reuniões da bancada de go-verno, para orientações sobre procedimentos, com a chefia da delegação e os representantes do MRE, facilitando, dessa forma, a correta condução dos diversos temas. Houve forte entrosamento da equi-pe, que foi muito solicitada por outros países para opiniões e esclarecimentos a respeito de todos os assuntos da agenda, inclusive com pedidos de coo-peração técnica, principalmente do Chile e Uruguai, no caso da pesca.
C
ONCLUSÃOO resultado final da Comissão da Pesca na 96ª CIT/OIT foi a adoção da Convenção sobre o Traba-lho na Pesca nº 188/2007, por 437 votos a favor, dois votos contra e 22 abstenções. A conclusão dos trabalhos iniciados em 1999, sempre com a colabo-ração do Brasil, teve essa votação significativa pelo êxito do trabalho tripartite, respeitando os países em desenvolvimento e suas dificuldades, mostrando que é importante termos uma norma que pretende melhorar as condições de trabalho de 30 milhões de
homens e mulheres que laboram no setor da pesca mundial. Nossos representantes atuaram defendendo os interesses nacionais e os dos países do GRULAC (países da América Latina, Central e Caribe), sendo a representante do Governo a coordenadora desse grupo de países na Comissão da Pesca.
Foram analisadas 70 emendas, muitas seme-lhantes entre si e outras com apoio simultâneo dos pescadores e dos armadores. A convenção possui 43 artigos e três anexos, sem contar as disposições finais. A recomendação possui 55 parágrafos e qua-tro resoluções foram adotadas, como mencionado anteriormente.
Além de disposições para todos os pescadores terem a proteção de um contrato de trabalho formal, a convenção prevê tempo de descanso necessário e outros itens visando a melhorar a saúde e a se-gurança no trabalho da pesca, determina a mesma proteção da seguridade social que os outros traba-lhadores do país possuem e cria mecanismos para uma implementação progressiva de determinados artigos, quando o mesmo não possuir condições de aplicar todas as disposições imediatamente.
A
96ª Conferência Internacional do Trabalho, ocorrida de 30 de maio a 15 de junho deste ano na sede da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Genebra, trouxe como tema de discussão a promoção de empresas sustentáveis. A inclusão do assunto na pauta veio atender a antigo anseio do Grupo Empregador, de reconhecimento do papel do setor privado no desenvolvimento e na promoção do trabalho decente. Ademais, partiu da perspectiva de que, apesar do compromisso assumido na Cúpula Mundial de Johannesburgo de 2002, o sistema inter-nacional – inclusive a OIT – pouco fez para construir sinergias entre a sustentabilidade social, ambiental e econômica, que pudessem se traduzir em políticas convergentes e resultados práticos.Assim, entre os dias 31 de maio e 8 de junho, a Comissão sobre a Promoção de Empresas Sustentá-veis realizou um balanço do debate internacional em torno do papel das empresas para o desenvolvimento econômico e social, buscando traçar recomendações visando à atuação da OIT no contexto de elaboração de políticas e estratégias coerentes que promovam o trabalho decente mediante o desenvolvimento de empresas sustentáveis.
O debate geral na Comissão contou com cerca de duzentos participantes, representando governos, trabalhadores e empregadores, e tendo como base o Relatório VI – Promoção de Empresas Sustentá-veis, elaborado pelo Secretariado da OIT. O
do-cumento ressalta a importância da empresa como principal fonte de crescimento e emprego, à medida que “movidas pela busca de lucros, as empresas inovam, investem e geram emprego e renda derivada do trabalho”i. Faz clara distinção entre
desenvolvi-mento empresarial e desenvolvidesenvolvi-mento de empresas sustentáveis: em contraste à visão de que a relação empresarial envolve estruturas lineares de insumo-produto voltadas tão-somente à maximização do lucro no curto prazo, as empresas sustentáveis são aquelas capazes de equilibrar o desenvolvimento econômico, social e ambiental.
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ONCLUSÕES DOD
EBATEDas discussões gerais na Comissão sobre a Promoção de Empresas Sustentáveis foi produzido Relatório Conclusivo, cuja elaboração coube a um grupo redator tripartite e paritário de 15 membros, dentre eles, representante do Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil. O Relatório aprovado na Ses-são Plenária, na forma de Resolução, aponta que as empresas sustentáveis são uma importante fonte de crescimento, geração de riquezas, emprego e trabalho decente. Para que se desenvolvam, entre-tanto, é preciso um ambiente propício à combinação equilibrada de recursos humanos, financeiros e na-turais, de tal sorte a garantir inovação e ganhos de produtividade, cujos benefícios sejam compartilhados eqüitativamente na empresa e para além dela.
No sentido de apontar diretrizes para futura atua-ção na promoatua-ção de empresas sustentáveis centrada no trabalho decente, o Relatório aborda separada-mente: ambiente propício para empresas sustentá-veis; práticas responsáveis e sustentáveis em nível de empresa; papel dos governos; papel dos atores sociais; e papel da OIT.
A
D R I A N AP
H I L L I P SL
I G I É R OCoordenadora-geral de Emprego e Renda do MTE e
especialista em Política Públicas e Gestão Governamental
A P
ROMOÇÃO DEE
MPRESAS26
Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT
Cadernos de Relações Internacionais – Volume V
A
MBIENTE PROPÍCIO PARA EMPRESAS SUSTENTÁVEISA opção de listar os elementos relacionados a um ambiente propício para o desenvolvimento de empresas sustentáveis parte do pressuposto de que empresas tendem a prosperar quando a sociedade prospera. Assim, “um ambiente condutor à criação e ao crescimento sustentáveis de empreendimentos combina a legítima busca por lucros – um importante elemento propulsor do crescimento econômico – com a necessidade de desenvolvimento que respeite a dignidade humana, a sustentabilidade ambiental e o trabalho decente”ii.
O Relatório Conclusivo ressalta como fatores es-senciais de um ambiente propício ao desenvolvimento de empresas sustentáveis: paz e estabilidade política; boa governança, respeito ao Estado de Direito e segurança do direito à propriedade; diálogo social; respeito aos direitos humanos e às normas interna-cionais do trabalho; existência de uma cultura de empreendedorismo; política macroeconômica sólida e estável; ambiente jurídico-regulatório adequado; competição justa e acesso a serviços financeiros; infra-estrutura física e tecnológica adequadas; edu-cação e qualifiedu-cação da força de trabalho; justiça social, inclusão e proteção social; além de gestão responsável do meio ambiente.
Possivelmente o mais polêmico dos assuntos tra-tados no contexto do ambiente propício para em-presas sustentáveis foi o relacionado a comércio e integração econômica. O texto originalmente apre-sentado pelo Secretariado propunha a eliminação de subsídios, barreiras à importação e práticas anti-competitivas. Em contraposição, o texto que prepon-derou, como consenso possível entre as dezenas de países ali representados, aponta como importante que sejam levados em conta os diferentes níveis de desenvolvimento dos países e consultados os atores sociais, ao tratar de acesso a mercados e integração comercial, contrabalançando os potenciais benefí-cios e danos à qualidade do emprego.
P
RÁTICAS RESPONSÁVEIS ESUSTENTÁVEIS EM NÍVEL DE EMPRESA
Do ponto de vista de práticas empresariais respon-sáveis e sustentáveis, mais uma vez considerou-se que a sobrevivência das empresas a longo prazo implica o equilíbrio entre os três pilares do desenvolvimento sustentável: econômico, social e ambiental. Apare-ce com destaque, ainda, que empresas sustentáveis devem ter firme compromisso com a observância da lei, bem como contribuir para eliminar a corrupção e promover a transparência.
O Relatório Conclusivo destaca uma lista de princípios aplicáveis a todas as empresas: diálogo social e boas práticas industriais; desenvolvimento de recursos humanos baseado no diálogo social e na participação dos trabalhadores; condições de traba-lho motivadoras e organização do trabatraba-lho geradora de benefícios mútuos; compartilhamento de benefí-cios associados à produtividade; responsabilidade social da empresa; e práticas empresariais idôneas e governança corporativa.
Na sessão sobre Produtividade, salários e com-partilhamento de benefícios, chegou a ser sugerido que se tratasse da garantia de salário mínimo, po-rém, a variada gama de posições em relação ao assunto levou a que fosse retirada do texto final.
O
PAPEL DO GOVERNOO papel que deve desempenhar o governo na promoção de empresas sustentáveis é tríplice, se-gundo o Relatório Conclusivo: garantir as condições básicas para um ambiente propício às empresas sus-tentáveis, tratadas acima; criar políticas e progra-mas que incentivem o comportamento responsável e sustentável das empresas; e agir como organização sustentável, enquanto empregador e comprador de bens e serviços.
A promoção de empresas sustentáveis em debate na OIT
no diálogo social; aplicação da legislação laboral mediante administração eficaz do trabalho, inclu-sive sistemas de inspeção do trabalho; incentivo à responsabilidade social da empresa; promoção de contratação, empréstimos e investimentos públicos responsáveis, sob a ótica social e ambiental; incor-poração de objetivos sociais e ambientais na pro-moção de setores e cadeias produtivas; existência de marco institucional e legal que propicie flexibilidade e proteção para gestão da mudança; programas de empreendedorismo sustentável voltados para públi-cos específipúbli-cos; facilitação do acesso a investimento em pesquisa e inovação; criação de mecanismos de acesso a informação e a serviços empresariais e financeiros; articulação e coerência intragoverna-mental; formulação de políticas internacionais efeti-vas em áreas relacionadas à promoção de empresas sustentáveis; promoção de formas sustentáveis de produção e consumo; e apoio à formação e à ca-pacitação.
O
PAPEL DOS ATORES SOCIAISReservou-se uma seção para o essencial papel que trabalhadores, empregadores e suas organiza-ções têm no apoio aos governos para formulação e implementação de políticas de promoção de em-presas sustentáveis. O Relatório Conclusivo sugere que tal suporte pode se consubstanciar a partir de apoio à elaboração de políticas de incentivo ao de-senvolvimento de empresas sustentáveis; ampliação da representação de trabalhadores e empregadores, reforçando os benefícios da associação; prestação de serviços a seus membros, particularmente em gestão do conhecimento, formação e orientação; e promoção do trabalho decente na implementação de políticas e normas.
O
PAPEL DAOIT
A seção do Relatório Conclusivo dedicada ao papel da OIT reforça que o trabalho na promoção de empresas sustentáveis “deve se guiar por seu man-dato, orçamento e vantagem comparativa e estar
fir-memente baseado em sua singular função normativa e na Agenda do Trabalho Decente”iii. Nesse sentido,
deve empreender pesquisas e elaborar políticas para promoção do emprego e do trabalho decente, ao mesmo tempo em que deve buscar cooperação com outros organismos internacionais para tratar da re-lação entre trabalho e questões macroeconômicas e comerciais.
Enfatizou-se que a OIT deve proporcionar su-porte e ferramentas práticos aos governos e atores sociais, adaptados à realidade de cada país, tratan-do como espaços privilegiatratan-dos para esse labor as Agendas Nacionais do Trabalho Decente. Assim, o Relatório Conclusivo propõe que o apoio aos países na promoção de empresas sustentáveis ocorra no sentido de fortalecer a capacidade dos governos e dos atores sociais de criar um ambiente propício ao desenvolvimento de empresas sustentáveis; realizar estudos e análises voltados à identificação de setores com potencial de criação de trabalho decente, no contexto da promoção de cadeias de valor e conglo-merados; auxiliar no desenvolvimento de estratégias de desenvolvimento local e; promover boas práticas no ambiente de trabalho.
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OMENTÁRIO SOBRE OST
RABALHOS DAC
OMISSÃONão resta dúvida sobre a relevância do tema de promoção de empresas sustentáveis para o atingi-mento da missão da OIT de “gerar trabalho decente e meios de sustento, segurança laboral e melhores condições de vida para pessoas vivendo tanto nos países mais pobres como nos mais ricos”, mediante a promoção dos direitos do trabalho, de melhores oportunidades de obtenção de trabalho decente, melhoria da proteção social e fortalecimento do diálogo social sobre assuntos laboraisiv. Partindo da
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Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT
Cadernos de Relações Internacionais – Volume V
Ao longo do trabalho da Comissão, entretanto, ficou evidente, em alguns momentos, que o assunto em questão ia além da expertise e do campo de atu-ação da OIT, ao passo que a promoção de empresas sustentáveis envolve muito mais que as dimensões de trabalho, proteção social e diálogo social. Exemplos mais marcantes disso foram as políticas macroeco-nômicas e comerciais, amplamente discutidas (tanto na sessão relacionada ao ambiente propício para empresas sustentáveis quanto nas sessões dedica-das aos papéis do governo e da OIT) e finalmente relegadas a comentários gerais ou indicações como questões relevantes.
A despeito do escopo talvez excessivamente abrangente da discussão, sem dúvida a Comissão obteve o mérito de traçar nortes bastante objetivos para atuação da OIT, como se propunha, além de apontar caminhos e áreas de concentração para governos e atores sociais na promoção do trabalho decente mediante o desenvolvimento de empresas sustentáveis.
N
OTASi Report VI: The promotion of sustainable enter-prises – Sixth item on the agenda, p. vi. ii Provisional Record 15 – Sixth item on the
agen-da: The promotion of sustainable enterprises (general discussion), p. 97.
iii Provisional Record 15 – Sixth item on the agen-da: The promotion of sustainable enterprises (general discussion), p. 103.
iv Site da OIT, atalho http://www.ilo.org/global/ About_the_ILO/Mission_and_objectives/lang--es/index.htm
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EFERÊNCIASB
IBLIOGRÁFICASINTERNATIONAL LABOUR OFFICE GENEVA. Re-port VI: the promotion of sustainable enterprises – Sixth item on the agenda. Conferência Interna-cional do Trabalho, 96ª Sessão. Genebra: OIT, 2007.
INTERNATIONAL LABOUR OFFICE GENEVA. Pro-visional Record 15 – Sixth item on the agenda: The promotion of sustainable enterprises (general dis-cussion). Conferência Internacional do Trabalho, 96ª Sessão. Genebra: OIT, 2007.
O
Brasil teve a honra de presidir pela terceira vez consecutiva a Comissão de Aplicação de Normas da Conferência internacional do Trabalho, graças à indicação do Grupo de Países Latino-Americanos e do Caribe (GRULAC), que contou com o apoio dos demais Grupos Regionais.A Comissão realizou 16 reuniões, durante as quais recebeu informação de 63 governos a respeito situação de cada país. A Comissão é um órgão da Conferência constituído para examinar as medidas adotadas pelos Estados para aplicar as convenções ratificadas. Examina ainda memórias apresentadas pelos Estados, como parte de suas obrigações cons-titucionais. A estrutura tripartite da Comissão a torna um fórum singular em nível internacional para con-cretizar o diálogo social. O mecanismo operacional dos trabalhos da Comissão é a supervisão mediante a discussão e o debate produtivos.
A Comissão pauta seus trabalhos pelo Relatório da Comissão de Peritos em Aplicação de Convenções e Recomendações. A estreita colaboração entre am-bas Comissões é destaque com a visita do Presidente da Comissão de Peritos, que se dirige à nossa Comis-são e escuta as observações de seus membros.
O trabalho da Comissão se divide em três partes, refletidas no nosso Relatório, correspondendo aos principais assuntos em que atua: a primeira parte se refere ao debate a respeito das questões gerais relati-vas às normas internacionais do trabalho e ao Estudo Geral da Comissão de Peritos, que este ano tratou da
erradicação do trabalho forçado (Convenções nos 29
e 105); a segunda parte tratou dos casos individuais debatidos pela Comissão e suas conclusões; e a ter-ceira parte tratou da sessão especial sobre a aplicação da Convenção 29 pelo Myanmar.
Este ano, a Comissão aceitou uma série de mu-danças em seus métodos de trabalho, conforme as recomendações do “Grupo de Trabalho Tripartite”. O exame desses métodos é um processo dinâmico que demandará adaptações com o passar do tem-po. Uma sessão de informação, organizada para os governos com o objetivo de explicar os critérios empregados para a seleção de casos aumentou a transparência nos. Percebeu-se a melhoria da gestão da jornada de trabalho da Comissão. Os Estados se inscreveram, e foram examinados todos os casos em apenas uma semana.
Os trabalhos da Comissão de Aplicação de Nor-mas e da Comissão de Peritos dependem de que as Memórias, em virtude da Constituição da OIT, devem ser periodicamente encaminhadas a tempo pelos Países-Membros. Esta mensagem, como nas demais reuniões da Comissão de Aplicação de Normas em outros anos, foi transmitida aos governos.
O debate sobre as convenções relativas ao traba-lho forçado sublinhou as novas formas de trabatraba-lho forçado no contexto da globalização. Entre os casos individuais apresentados à Comissão, tivemos um exemplo de grande avanço, o da Espanha, na Se-gurança e Saúde no Trabalho, que nos permitiu co-nhecer quais são as práticas recomendadas e como adaptá-las a distintas circunstâncias.
Foram recomendadas dez missões de assistência técnica, das quais três haviam sido aceitas antes do fim da Conferência.
Além da Sessão especial sobre o caso do Myan-mar pelo cumprimento da Convenção sobre o
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Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT
Cadernos de Relações Internacionais – Volume V
balho forçado, 1930, a Comissão incluiu as conclu-sões dos casos de Bielo-Rússia (Belarus), Zimbábue e República Democrática do Congo num parágrafo especial. Essas duas últimas delegações não partici-param da deliberação de seus casos respectivos.
Na sessão de adoção do Relatório, durante a plenária, destacamos os aspectos que devemos ca-pitalizar, tais como são as consultas realizadas com a finalidade de melhorar os métodos de trabalho da Comissão, permitindo que tivéssemos uma lista pré-via desde o dia 15 de maio, facilitando aos governos sua preparação com antecedência e a organização de um calendário de atividades.
Os membros que trabalharam na Comissão, nos últimos anos, sabem da importância dos avanços. Agradeci em nome dos governos a sessão de informa-ção organizada pelos vice-presidentes, após a adoinforma-ção da lista dos casos individuais, na qual nos foram ex-plicados o procedimento e os critérios para a inclu-são na lista. Na lista deste ano, houve sete países da
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), oito países de Ásia, cinco da África e três da América Latina. Não existem fórmulas mágicas nem equilíbrio perfeito. As normas são aper-feiçoáveis para o fortalecimento do sistema.
Neste ano, constatamos que as conclusões da Comissão resultaram mais claras, mais objetivas e mais concisas. Resta-nos apenas encontrar um maior equilíbrio entre os temas para evitar que a Comissão seja uma extensão de outros mecanismos de controle da Organização.
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PRESENTAÇÃOS
IGLASASCOM – Assessoria do Comunicação (Ministério do Trabalho e Emprego) CDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
CIMT/OEA – Conferência Interamericana de Ministros do Trabalho da Organização dos Estados Americanos CIT – Conferência Internacional do Trabalho
CNT – Confederação Nacional de Transporte ECOSOC – Conselho Econômico e Social ELP – Estratégias de Luta contra a Pobreza EMN – Empresas Multi-Nacionais
FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação GRULAC – Grupo de Países Latino-Americanos e do Caribe
IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis IPEC – Instituto Paulista de Educação Continuada
MANUD – Marco de Assistência das Nações Unidas para o Desenvolvimento MERCOSUL – Mercado Comum do Sul
MRE – Ministério das Relações Exteriores MTE – Ministério do Trabalho e Emprego
NAFTA – Acordo de Livre Comércio da América do Norte NU – Unidos na Ação
OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico ODM – Objetivos do Milênio
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Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável
Cadernos de Relações Internacionais – Volume V
RSE – Responsabilidade Social da Empresa TIC – Tecnologia da Informação e Comunicação