• Nenhum resultado encontrado

Anatomia foliar de duas espécies da família Asteraceae usadas para fins medicinais no Sul da Bahia / Leaf anatomy of two species of the Asteraceae family used for medicinal purposes in southern Bahia

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2020

Share "Anatomia foliar de duas espécies da família Asteraceae usadas para fins medicinais no Sul da Bahia / Leaf anatomy of two species of the Asteraceae family used for medicinal purposes in southern Bahia"

Copied!
13
0
0

Texto

(1)

Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 12, p.30272-30284 dec 2019 . ISSN 2525-8761

Anatomia foliar de duas espécies da família Asteraceae usadas para fins

medicinais no Sul da Bahia

Leaf anatomy of two species of the Asteraceae family used for medicinal

purposes in southern Bahia

DOI:10.34117/bjdv5n12-154

Recebimento dos originais: 10/11/2019 Aceitação para publicação: 11/12/2019

Bruna Carmo Rehem

Doutora em Genética e Biologia Molecular

Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia

Endereço: Campus Ilhéus, Rodovia Jorge Amado, km 13, s/n, Bairro Vila Cachoeira, Ilhéus, Bahia, CEP. 45650-000(institucional)

E-mail: [email protected]

Amanda Giullia da Silva Silva Técnica em Segurança do Trabalho

Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia

Endereço: Campus Ilhéus, Rodovia Jorge Amado, km 13, s/n, Bairro Vila Cachoeira, Ilhéus, Bahia, CEP. 45650-000(institucional)

E-mail: [email protected]

Daniela Santos Gonçalves Técnica em Segurança do Trabalho

Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia

Endereço: Campus Ilhéus, Rodovia Jorge Amado, km 13, s/n, Bairro Vila Cachoeira, Ilhéus, Bahia, CEP. 45650-000(institucional)

E-mail: [email protected]

Luiz Alberto Mattos Silva Mestre em Botânica

Instituição: Universidade Estadual de Santa Cruz

Endereço: Campus Soane Nazaré de Andrade, Rodovia Jorge Amado, km 16, s/n, Bairro Salobrinho, Ilhéus, Bahia, CEP. 45650-000(institucional)

E-mail: [email protected]

José Lima da Paixão Técnico Agropecuário

(2)

Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 12, p.30272-30284 dec 2019 . ISSN 2525-8761 Endereço: Campus Soane Nazaré de Andrade, Rodovia Jorge Amado, km 16, s/n, Bairro

Salobrinho, Ilhéus, Bahia, CEP. 45650-000(institucional) E-mail: [email protected]

RESUMO

As plantas medicinais da Mata Atlântica são usadas nos cuidados da família ou em atendimentos de saúde por conhecedores tradicionais. O Brasil é o país que possui a maior quantidade de Mata Atlântica e um dos países que contém uma flora rica em espécies medicinais. No Sul da Bahia, concentra-se grande parte da Mata Atlântica do país, fazendo dessa região um ponto estratégico para a pesquisa sobre plantas medicinais. A família Asteraceae é cosmopolita, melhor representada nas regiões temperadas e subtropicais do mundo. Foram realizadas coletas de folhas das espécies Sphagneticola trilobata (L.) Pruski e

Bidens pilosa L.. Estas foram fixadas em FAA 70%, depois foram feitos cortes à mão livre,

utilizando-se lâminas de barbear. Os cortes epidérmicos foram corados com Safranina 1% e Azul de Astra 1%. S. trilobata (L.) Pruski caracterizou-se por em secção transversal a lâmina foliar ter epiderme bisseriada com células arredondadas em ambas as faces, formada por células de paredes finas, feixes vasculares em forma de arco e presença de tricomas tectores simples e glandulares. O mesofilo tem feixes vasculares colaterais, com 1 a 2 camadas de parênquima paliçádico e 2 a 3 camadas de parênquima esponjoso. B. pilosa L. tem lâmina foliar com epiderme unisseriada, mesofilo foliar dorsiventral, pouco compacto; o parênquima paliçádico apresenta uma camada de células e o parênquima lacunoso com 3 a 4 camadas; a forma e o arranjo das células no parênquima paliçádico são fatores que propiciam condições favoráveis de exposição dos cloroplastos à luz; no parênquima lacunoso as células têm formas variadas; foi possível se verificar a presença de tricomas tectores simples multicelulares não-ramificados em ambas as faces das folhas, na nervura central a ocorrência de 3 feixes vasculares do tipo colateral. Pode-se concluir que quanto à caracterização anatômica foliar as espécies estudadas são dicotiledôneas, caracterizadas por grande beleza em suas flores, tem hábito herbáceo, apresentar portes de tamanhos que variaram de 20 cm à 1 m de comprimento. Os caracteres anatômicos de B. pilosa L. se encontram dentro dos padrões já descritos na literatura já para S. trilobata (L.) Pruski não foi possível encontrar dados que confirmassem a caracterização encontrada no presente estudo, o que indica uma parte inédita da pesquisa. Palavras-chave: Anatomia Vegetal, Caracterização Morfológica e Sistemática Vegetal

ABSTRACT

The Atlantic Forest medicinal plants are used in family care or health care by traditional connoisseurs. Brazil is the country that has the largest amount of Atlantic Forest and one of the countries that contains a flora rich in medicinal species. In the south of Bahia, concentrates much of the Atlantic Forest of the country, making this region a strategic point for research on medicinal plants. The Asteraceae family is cosmopolitan, best represented in temperate and subtropical regions of the world. Leaf samples of the species Sphagneticola trilobata (L.) Pruski and Bidens pilosa L. were collected. These were fixed in 70% FAA, then freehand cuts were made using razor blades. The epidermal sections were stained with 1% Safranin and 1% Astra Blue. S. trilobata (L.) Pruski was characterized in that in cross-section the leaf blade has a bisseriated epidermis with rounded cells on both sides, formed by thin-walled cells,

(3)

Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 12, p.30272-30284 dec 2019 . ISSN 2525-8761

shaped vascular bundles and the presence of simple and glandular tectoral trichomes. . The mesophyll has collateral vascular bundles, with 1 to 2 layers of palisade parenchyma and 2 to 3 layers of spongy parenchyma. B. pilosa L. has leaf blade with uniseriate epidermis, dorsiventral leaf mesophyll, poorly compact; the palisade parenchyma has a cell layer and the lacunous parenchyma has 3 to 4 layers; the shape and arrangement of cells in the palisade parenchyma are factors that favor favorable conditions for exposure of chloroplasts to light; in the lacunous parenchyma the cells have various forms; it was possible to verify the presence of multicranular simple non-branching trichomes on both sides of the leaves, in the central vein the occurrence of 3 collateral vascular bundles. It can be concluded that as for the leaf anatomical characterization the studied species are dicotyledonous, characterized by great beauty in their flowers, herbaceous habit, presenting sizes ranging from 20 cm to 1 m in length. The anatomical characters of B. pilosa L. are within the standards already described in the literature. For S. trilobata (L.) Pruski could not find data to confirm the characterization found in the present study, which indicates an unprecedented part of the research. .

Keyword: Plant Anatomy, Plant Morphological and Systematic Characterization

1 INTRODUÇÃO

O Brasil tem o maior percentual de plantas medicinais encontradas na Amazônia, no

Cerrado e na Mata Atlântica, respectivamente (AZEVEDO, 2002). Muitas destas plantas são venenosas ou tóxicas, devendo ser usadas em doses muito pequenas para terem o efeito desejado. A prática do uso de plantas medicinais é comum em todas as comunidades conhecidas. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 70% da população em todo o mundo utiliza ou pelo menos já utilizou remédios à base de plantas medicinais. No Brasil, grande parte da população ainda se utiliza de práticas complementares para cuidar da saúde, como o uso das plantas medicinais, empregada para aliviar ou mesmo curar algumas enfermidades (BADKE et al., 2011). As mudanças econômicas, políticas e sociais que eclodiram no mundo influenciaram não só na saúde das pessoas como também nos modelos de cuidado.

As plantas medicinais da Mata Atlântica são usadas nos cuidados da família ou em atendimentos de saúde por conhecedores tradicionais e grupos organizados nas comunidades. O conhecimento do uso de plantas medicinais e suas virtudes terapêuticas são informações acumuladas durante séculos e passadas de geração a geração, originado na arte de benzedores, curandeiros e feiticeiros. Os conhecedores tradicionais são especialistas em caracterizar os ambientes da Mata Atlântica, identificar suas plantas medicinais, coletar partes medicinais de uma planta, diagnosticar doenças, preparar e indicar remédios. Atualmente, observa-se o crescimento no consumo de plantas medicinais ou de medicamentos à base de plantas no Brasil

(4)

Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 12, p.30272-30284 dec 2019 . ISSN 2525-8761 e no mundo. O uso de plantas no tratamento de doenças no Brasil tem influências das culturas indígena, africana e europeia, entre outras (TORRES, 2005).

O Brasil ainda é o país que possui a maior quantidade de Mata Atlântica e aponta como um dos países que contém uma flora rica em espécies medicinais. No Sul da Bahia, concentra-se grande parte da Mata Atlântica existente no país, fazendo dessa região um ponto estratégico para a pesquisa sobre plantas medicinais (LORENZI & MATOS, 2008). O conhecimento acerca do uso de plantas medicinais e suas virtudes terapêuticas são informações acumuladas durante séculos e passadas de geração a geração (MARTINS et al., 1995).

A forma mais comum de obter informações sobre a utilização de plantas medicinais é através do que chamamos de Etnobotânica, que se baseia no conhecimento popular sobre a forma de uso, indicações terapêuticas, parte da planta utilizada e outras informações que servem de subsídios para pesquisa científica (MORAIS, 2011).

A família Asteraceae é cosmopolita, mas melhor representada nas regiões temperadas e subtropicais do mundo (RITTER & BAPTISTA, 2005). Asteraceae é a maior família dentre as angiospermas, compreendendo 23.000 espécies distribuídas em 12 subfamílias, 43 tribos e mais de 1.600 gêneros (Funk et al., 2009). Apresenta ampla distribuição geográfica ocupando quase todos os habitats e formações vegetais (Anderberg et al., 2007). No Brasil, a família é representada por cerca de 2.100 espécies pertencentes a 289 gêneros e 28 tribos (Flora do Brasil, 2020) e, constitui uma das famílias com maior riqueza de espécies nos diferentes domínios fitogeográficos do país, exceto a Amazônia (Zappi et al., 2015).

O trabalho com plantas medicinais é acima de tudo, uma forma de buscar alternativas naturais e econômicas que possam beneficiar a população como um todo. O presente estudo objetivou caracterizar a anatomia foliar das espécies medicinais da família Asteraceae

Sphagneticola trilobata (L.) Pruski e Bidens pilosa L., buscando oferecer subsídios a um

melhor controle de qualidade na sua utilização, comercialização e industrialização.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

O trabalho foi desenvolvido através de caminhadas dentro e no entorno do Campus do IFBA, no município de Ilhéus, percorrendo as regiões de Mata Atlântica, para a coleta de material botânico.

(5)

Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 12, p.30272-30284 dec 2019 . ISSN 2525-8761 2.1 METODOLOGIA DE PESQUISA DE CAMPO

Foi realizado um levantamento das espécies de plantas medicinais encontradas no Campus e no entorno dele.

2.2 COLETA DE PLANTAS PARA ANÁLISES MORFO-ANATÔMICAS

O material botânico foi coletado, e em seguida as plantas foram conduzidas ao Laboratório de Biologia do IFBA Campus Ilhéus. Foram realizadas coletas de folhas frescas maduras para serem utilizadas na caracterização anatômica das plantas levantadas. Para análise morfológica durante as coletas, ainda no campo, foram anotadas todas as características estruturais visualizadas nas plantas. Esses caracteres foram: hábito, altura média, tipo de folhas, tipo de flores, coloração dos órgãos das partes aéreas e em alguns casos, quando possível, as características de seus frutos. Além disso, também foi realizado estudo sobre os possíveis usos dessas plantas.

Logo após as coletas, as folhas eram fixadas em FAA 70%, e ficaram aí por 48h. Em seguida foram colocadas em álcool 70% para serem conservadas. Em seguida, foram feitos cortes transversais à mão livre de folhas, utilizando-se lâminas de barbear. Feito isso foi colocada uma gota de água sobre a superfície a ser cortada, para possibilitar o deslize da lâmina de barbear. Em seguida, clarificou-se os cortes em água sanitária 10-50%, lavou-se em água destilada, passou-se em ácido acético 5% e novamente lavou-se os cortes em água destilada.

Posteriormente a realização dos cortes epidérmicos, estes foram corados com os reagentes Safrablau (Safranina 1% e Azul de Astra 1%) e acondicionados em lâminas e lamínulas de vidro, para a caracterização anatômica, de acordo com o protocolo descrito por Kraus & Arduin (1997). Após reação dos cortes com os corantes foram realizadas fotomicrografias dos cortes anatômicos, para ilustração das descrições anatômicas obtidas por meio da análise.

Para os estudos anatômicos foi adotado o método de cortes à mão livre, pelo fato desse processo ser rápido e simples, dispensando equipamentos sofisticados e permitindo análise imediata e colorações.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para Hassemer e Trevisan (2012), as espécies vegetais nos ambientes urbanos, sejam elas cultivadas ou não, propiciam uma série de benefícios, sendo possível reconhecer facilmente aquelas mais corriqueiras no cotidiano de todos os povos, como o fornecimento de

(6)

Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 12, p.30272-30284 dec 2019 . ISSN 2525-8761 plantas para o preparo de chás e medicamentos, na produção de alimentos, e até na ornamentação, embelezando, por exemplo, jardins, caminhos, quintais, ou mesmo o interior das residências.

Estudos de anatomia com enfoque na lâmina foliar de representantes de Asteraceae foram realizados com algumas espécies de diferentes ecossistemas brasileiros e revelaram a ocorrência de caracteres adaptativos às condições ambientais desses ecossistemas (Abdalla, 2012; Fernandes, 2014; Lusa e Appezzato-da-Glória, 2013; Santos, 2013; Souza, 2014; Trindade, 2013).

Todas as plantas coletadas estavam com flores, para assim auxiliar na identificação, pois para Wiggers e Stanger (2008), a taxonomia baseia-se em caracteres clássicos da morfologia floral.

As principais características morfológicas da lâmina foliar das espécies de Asteraceae estudadas são: folhas simples e pecioladas.

A espécie Bidens pilosa L. caracteriza-se por ter hábito herbáceo, com aproximadamente 1 m de altura. Flores amarelas, pequenas, reunidas em capítulo; folhas verdes; frutos pretos. Seu uso medicinal é para o tratamento de disenteria, hepatite, diabetes, verminose, diurética, contra febres, infecções urinárias, doenças inflamatórias. Planta cultivada.

Bidens pilosa L., popularmente conhecida como carrapicho-de-agulha, picão ou

picão-preto, é uma erva muito utilizada na medicina popular brasileira. Sendo indicada como anti-inflamatória, depurativa, diurética, para o tratamento de diabetes, hepatite e malária (SÁ et al., 2017). Nativa da América Tropical possui ampla distribuição, onde no Brasil é encontrada praticamente em todo o território (MONDIN et al., 2015).

Todas as partes da planta são usadas na medicina popular, mas principalmente as folhas (GILBERT et al., 2013).

(7)

Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 12, p.30272-30284 dec 2019 . ISSN 2525-8761

Figura 1. A – Hábito de B. pilosa L., popularmente conhecida como Carrapicho-de-agulha. B – Visão geral da anatomia foliar (Aumento 10X). C – Detalhe da nervura central, evidenciando os feixes vasculares (Aumento

20X). D – Detalhe do mesofilo, evidenciando os tricomas tectores simples, indicados pelas setas (Aumento 20X). E – Detalhe do tricoma tector simples (Aumento 40X).

Esta espécie apresenta lâmina foliar com epiderme unisseriada, com mesofilo foliar dorsiventral, pouco compacto; o parênquima paliçádico apresenta uma camada de células e o parênquima lacunoso com 3 a 4 camadas (Fig. 1 D). Segundo Liensefeld (2018), em secção transversal, todas as espécies pertencentes à família Asteraceae apresentam epiderme uniestratificada e o mesofilo do tipo dorsiventral é observado na maioria das espécies da família, apresentando 1-4 camadas de parênquima paliçádico e 2-10 camadas de parênquima lacunoso, semelhante ao que foi verificado em B. pilosa.

O parênquima paliçádico caracteriza-se por ser composto de células alongadas, dispostas lado a lado, perpendicularmente à epiderme. As folhas podem ter uma ou mais camadas de parênquima paliçádico. A forma e o arranjo dessas células são fatores que propiciam condições favoráveis de exposição dos cloroplastos à luz. No parênquima lacunoso as células têm formas variadas, comunicando-se umas com as outras através de projeções laterais. O nome lacunoso se deve à presença de um sistema de espaços intercelulares bastante desenvolvidos, o que possibilita as trocas gasosas entre o meio interno e o ambiente.

B D E 30µm 60µm 60µm 170µm C A

(8)

Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 12, p.30272-30284 dec 2019 . ISSN 2525-8761 Foi possível se verificar a presença de tricomas tectores simples multicelulares não-ramificados foram observados em ambas as faces das folhas (Fig. 1 E). Foi verificado tricomas tectores com 1 a 4 células. Segundo Liesenfeld (2018), todas as espécies da família Asteraceae apresentam tricomas e, na maioria delas, estão distribuídos em ambas as faces da lâmina foliar e, muitas vezes, em grande quantidade impedindo a visualização das células epidérmicas. O sucesso e a ampla distribuição da família Asteraceae nos mais distintos habitats é atribuída justamente à diversidade de estruturas secretoras, como os tricomas, à facilidade de dispersão pelo vento e à plasticidade fenotípica dos seus representantes (FUNK et al., 2005; SMILJANIC, 2005). Segundo Sá et al. (2017), em B. pilosa os tricomas tectores são mais frequentes do que os glandulares.

Foi verificado na nervura central a ocorrência de 3 feixes vasculares, um central e dois na extremidade, os feixes vasculares são do tipo colateral.

Sphagneticola trilobata (L.) Pruski caracteriza-se por ser herbácea, rastejante, com

aproximadamente 20 cm de altura, é uma espécie nativa, não endêmica (FORZZA et al., 2010),estolonífera e perene (SOUSA et al., 2018). Flores amarelas; folhas verdes, pilosas. Possui também uso ornamental. A S. trilobata (L.) Pruski é popularmente conhecida como margaridão, agrião, arnica, bem-me-quer-mal-me- quer-verdadeiro, malmequer, insulina e vedélia (SOUSA et al., 2018). Para fins medicinais é usada como anti-inflamatória, antisséptica, cicatrizante; o chá de suas folhas evita formação de cálculos na vesícula, gastrite e úlcera; externamente é empregada contra conjuntivite, herpes e gengivite.

S. trilobata apresenta caule prostrado com enraizamentos ao longo dos nós, de ramos

ascendentes, capaz de formar densas populações. Ramos com coloração verde ou avermelhada e revestidos por pilosidade. Folhas simples, opostas cruzadas e inflorescência do tipo capítulo isolado de coloração amarela (SOUSA et al., 2018). A espécie se distingue por suas folhas frequentemente trilobadas, flores amarelas, cipselas pontuado-glandulosas e pápus de páleas curtíssimas, formando uma corona (FERNANDES & RITTER, 2009). A floração ocorre durante todo o ano, com mais intensidade no mês de novembro (MORAES & MONTEIRO, 2006). A espécie apresenta ampla distribuição geográfica, do México à Argentina (FERNANDES & RITTER, 2009). Conforme Sousa et al. (2018), no Brasil ocorre em todas as regiões: Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo), Sul (Paraná, Rio Grande do Sul,

(9)

Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 12, p.30272-30284 dec 2019 . ISSN 2525-8761 Santa Catarina). Está presente nos Domínios Fitogeográficos da Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal (MONDI & BRINGEL, 2015).

S. trilobata apresenta alto índice de enfolhamento, é ornamental muito utilizada em

paisagismo para cobertura de canteiros e taludes, sendo indicada tanto para locais muito úmidos quanto secos, a meia sombra ou em pleno sol. Muito rústica, tolera umidade excessiva, alagamentos ou seca, o que se confirma pela sua ampla distribuição geográfica. A espécie tem propriedades fitoterapêuticas, sendo muito utilizada popularmente na medicina caseira, sendo que as folhas e flores são usadas para dores lombares, dores musculares, reumatismo, ulcera, artrite, entre outras (SANTOS et al., 2015)

Figura 2. A – Hábito de S. trilobata (L.) Pruski, popularmente conhecida como Malmequer. B – Visão geral da nervura central com tricomas (Aumento 20X). C – Detalhe do mesofilo, evidenciando os feixes vasculares

(Aumento 20X).D – Detalhe do tricoma glandular (Aumento 40X).

Em secção transversal a lâmina foliar apresentou epiderme bisseriada (Fig. 2 B) com células arredondadas em ambas as faces e diferindo de todas as espécies da família já estudadas e que apresentam epiderme unisseriada. A epiderme é formada por células de paredes finas, feixes vasculares em forma de arco. No mesofilo, o parênquima clorofiliano tem clara distinção entre paliçádico e esponjoso (Fig. 2 C), além de feixes vasculares colaterais (Fig. 2 C). O mesofilo possui de 1 a 2 camadas de parênquima paliçádico e 2 a 3 camadas de parênquima esponjoso (Fig. 2 C). Presença de tricomas tectores simples (Fig. 2 D) e glandulares (Fig. 2 B). De acordo com Liensefeld (2018), os tricomas tectores e glandulares ocorrem simultaneamente na maioria das espécies pertencentes a família Asteraceae.

4 CONCLUSÕES

Pode-se concluir que quanto à caracterização morfobotânica das espécies estudadas que ambas pertencem ao grupo das Angiospermas, são dicotiledôneas, por terem hábito

A

B

C D

(10)

Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 12, p.30272-30284 dec 2019 . ISSN 2525-8761 herbáceo, apresentar portes de tamanhos que variaram de 20 cm à 1 m de comprimento. Entre as plantas analisadas anatomicamente os caracteres anatômicos de S. trilobata até o momento não foi possível encontrar dados que confirmassem a caracterização encontrada nesta espécie, o que indica o caráter inédito de parte da pesquisa.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PRPGI) e ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia por seu apoio financeiro.

REFERÊNCIAS

ABDALLA, D.F. 2012. Morfoanatomia e metabólitos de órgãos vegetativos de Apopyros

warmingii (Baker) G. L. Nesom e Ichthyothere terminalis (Spreng.) S. F. Blake (Asteraceae):

estratégias adaptativas ao cerrado rupestre. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Goiás.

ANDERBERG, A.A., BALDWIN, B.G., BAYER, R.G., BREITWIESER, J., JEFFREY, C., DILLON, M.O., ELDENAS, P., FUNK, V., GARCIA-JACAS, N., HIND, D.J.N., KARIS, P.O., LACK, H.W., NESOM, G., NORDENSTAM, B., OBERPRIELER, C.H., PANERO, J.L., PUTTOCK, C., ROBINSON, H., STUESSY, T.F., SUSANNA, A., URTUBEY, E., VOGT, R., WARD, J., WATSON, L.E. 2007. Compositae, in: KADEREIT, J.W., JEFFREY, C. (Eds.), KUBITZKI, K., The families and genera of vascular plants: flowering plants Eudicots Asterales. Springer, Berlin, pp. 61-588.

AZEVEDO, C.D. 2002. Plantas medicinais e aromáticas. Niterói: PESAGRO-RIO, 4 p. (PESAGRO-RIO. Documentos, 81).

BADKE, M.R.; BUDÓ, M.L.D.; SILVA, F.M.; RESSEL, L.B. 2011. Plantas medicinais: o saber sustentado na prática do cotidiano popular. Esc. Anna Nery. 15:132-139.

FERNANDES, Y.S. 2014. Morfoanatomia, tricomas glandulares e análise fitoquímica de

Trichogonia eupatorioides (Gardner) R. M. King & H. Rob (Asteraceae-Eupatorieae)

ocorrente em área de cerrado rupestre. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Goiás.

(11)

Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 12, p.30272-30284 dec 2019 . ISSN 2525-8761 FERNANDES, A.C.; RITTER, M.R. 2009.A família Asteraceae no Morro Santana, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Biociências, v. 7, n. 4, p. 395–439.

Flora do Brasil 2020 em construção, 2019. Asteraceae.

http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB55 (acesso 12 de novembro 2019). FORZZA, R.C.; LEITMAN, P.M.; COSTA A.; CARVALHO JR. A.A. et al. Catálogo de plantas e fungos do Brasil. Rio de Janeiro: Andrea Jakobsson Estúdio: Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2010. v. 1. Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/downloads/vol1.pdf>.

FUNK, V.A., BAYER, R.J., KEELEY, S., CHAN, R., WATSON, L., GEMEINHOLZER, B., SCHILLING, E., PANERO, J.L., BALDWIN, B.G., GARCIA-JACAS, N., SUSANNA, A., JANSEN, R.K. 2005. Everywhere but Antarctica: using a supertree to understand the diversity and distribution of the Compositae. Biol. Skr. 55, 343-374.

FUNK, V.A., SUSANNA, A., STUESSY, T.F., ROBINSON, H., 2009. Classification of Compositae, in: FUNK, V.A., SUSANNA, A., STUESSY, T.F., BAYER, R.J. (Eds.), 31 Systematics, Evolution, and Biogeography of Compositae. International Association for Plant Taxonomy, Vienna, pp. 171-189.

GILBERT, B.; ALVES, L.F.; FAVORETO, R. 2013. Bidens pilosa L. Asteraceae (Compositae; subfamília Heliantheae). Rev. Fitos, v. 8, n. 1, p. 1-

72.

HASSEMER, G.; TREVISAN, R. 2012. Levantamento florístico de plantas vasculares espontâneas em ambientes antrópicos no campus da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil. Biotemas, 25 (3), 75–96. doi: http://dx.doi.org/10.5007/2175-7925.2012v25n3p75

KRAUS, J.E.; ARDUIN, M. 1997. Manual Básico de Métodos em Morfologia Vegetal. Edur. Rio de janeiro.

LIESENFELD, V. 2018. Morfologia e Anatomia Foliar de Asteraceae do Bioma Pampa (Campos de Areais), Rio Grande do Sul, Brasil. Dissertação de mestrado. Programa de Pós Graduação Stricto Sensu em Conservação e Manejo de Recursos Naturais. Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, 67f.

LORENZI, H.; MATOS, F.J.A. 2008. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Instituto Plantarum de Estudos da Flora Ltda. Nova Odessa, SP, 512 p.

(12)

Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 12, p.30272-30284 dec 2019 . ISSN 2525-8761 LUSA, M.G.; APPEZZATO-DA-GLÓRIA, B. 2013. Adaptações morfoanatômicas de

Minasia scapigera (Vernonieae: Asteraceae) aos campos rupestres, in: 64º Congresso

Nacional de Botânica, Belo Horizonte.

MARTINS, E.R.; CASTRO, D.M.; CASTELLANI, D.C.; DIAS, J.E. 1995. Plantas medicinais. Viçosa: UFV. 220p.

MONDIN, C.A.; BRINGEL Jr., J.B.A. 2015. Sphagneticola in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

MONDIN, C.A.; NAKAJIMA, J.N.; BRINGEL JR., J. B. A. 2015. Bidens in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB103749. Acesso em: 12 novembro, 2019. MORAES, M.D.; MONTEIRO, R.A. 2006. Família Asteraceae na Planície Litorânea de Picinguaba, Ubatuba, São Paulo. Hoehnea, v. 33, n. 1, p. 41-78.

MORAIS, V.M. 2011. Etnobotânica nos quintais da comunidade de abderramant em Caraúbas. Tese (Doutorado em Fitotecnia: Área de concentração em Agricultura Tropical) – Universidade Federal Rural do Semi-Árido. 112f.

RITTER, M.R.; BAPTISTA, L.R.M. 2005. Levantamento florístico da família Asteraceae na “Casa de Pedra” e áreas adjacentes, Bagé, Rio Grande do Sul. Iheringia, Bot. 60(1): 5-10. SÁ, R.D.; SILVA, F.R.; RANDAU, K.P. 2017. Caracterização farmacobotânica de Bidens

pilosa L. Journal of Environmental Analysis and Progress, v. 02, n. 03, 349-357.

SANTOS, F.P.; FUKUSHIMA, A.R.; FÁVERO, O.A. 2015. Verificação da ocorrência de plantas com potencial de toxicidade nos jardins do campus Mooca da Universidade São Judas Tadeu (São Paulo/SP). Periódico Eletrônico Fórum Ambiental da Alta Paulista, v. 11, n. 8. SOUSA, R.S.; JUNIOR, J.D.; KETTENHUBER, P.L.W.; RADDATZ, D.D.; SUTILI, F.J. 2018. Potencial da espécie Sphagneticola trilobata (L.) Pruski para Recuperação de áreas degradadas. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.15 n.27; p. 720.

SANTOS, V.S. 2013. Morfoanatomia dos órgãos vegetativos de Chrysolaena simplex (Less) Dematt. e Lessingianthus buddleiifolius (Mart. ex DC.) H. Rob. (Asteraceae) em ambientes rupestres da Serra Dourada, Goiás. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Goiás. SMILJANIC, K.B.A. 2005. Anatomia foliar de espécies de Asteraceae de um afloramento rochoso no Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (MG). Tese de doutorado, Universidade Federal de Viçosa.

(13)

Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 12, p.30272-30284 dec 2019 . ISSN 2525-8761 SOUZA, V.P. 2014. Morfoanatomia de órgãos vegetativos aéreos e sistemas subterrâneos de

Ichthyothere mollis Baker. e Jungia floribunda Less. (Asteraceae) ocorrentes no cerrado

rupestre do estado de Goiás. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Goiás.

TORRES, P.G.V. 2005. Plantas medicinais, aromáticas e condimentares: uma abordagem prática para o dia-a-dia. Porto Alegre: Editora Rígel.

TRINDADE, L.M.P. 2013. Morfoanatomia, tricomas glandulares e fitoquímica de

Lomatozona artemisiifolia Baker (Asteraceae - Eupatorieae) - uma planta endêmica do cerrado

de Goiás. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Goiás.

ZAPPI, D.C., FILARDI, F.L.R., LEITMAN, P., SOUZA, V.C., WALTER, B.M.T., PIRANI, J.R., MORIM, M.P., QUEIROZ, L.P., CAVALCANTI, T.B., MANSANO, V.F., FORZZA, R.C. 2015. Growing knowledge: an overview of Seed Plant diversity in Brazil. Rodriguésia 66, 1085-1113.

WIGGERS, I.; STANGE, C.E.B. 2008. Manual de instruções para coleta, identificação e herborização de material botânico. Programa de Desenvolvimento Educacional – SEED – PR UNICENTRO, 45p.

Imagem

Figura 1. A – Hábito de B. pilosa L., popularmente conhecida como Carrapicho-de-agulha
Figura 2. A – Hábito de S. trilobata (L.) Pruski, popularmente conhecida como Malmequer

Referências

Documentos relacionados