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Análise de Situação de Saúde

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Academic year: 2022

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ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

Análise

de Situação de Saúde

Organizadoras

Ana Emilia Figueiredo de Oliveira Deysianne Costa das Chagas Paola Trindade Garcia

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Análise

de Situação

de Saúde

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Análise

de Situação de Saúde

São Luís

2019 São Luís

2019 Organizadoras

Ana Emilia Figueiredo de Oliveira Deysianne Costa das Chagas Paola Trindade Garcia

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Copyright © 2019 by EDUFMA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

Prof.ª Dra. Nair Portela Silva Coutinho Reitora

Prof. Dr. Fernando de Carvalho Silva Vice-Reitor

Allan Kardec Duailibe Barros Filho

Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e Inovação Profª. Dra. Silvia Tereza de Jesus Rodrigues Moreira Lima Diretora do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde

Prof.ª Dra. Ana Emilia Figueiredo de Oliveira Coordenadora-Geral da UNA-SUS/UFMA EDITORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

Prof. Dr. Sanatiel de Jesus Pereira Diretor

CONSELHO EDITORIAL

Prof. Dr. Esnel José Fagundes; Profa. Dra. Inez Maria Leite da Silva; Prof. Dr. Luciano da Silva Façanha; Profa. Dra Andréa Dias Neves Lago; Profa. Dra. Francisca das Chagas Silva Lima;

Bibliotecária Tatiana Cotrim Serra Freire; Prof. Me. Cristiano Leonardo de Alan Kardec Capovilla Luz; Prof. Dr. Jardel Oliveira Santos; Profa. Dra. Michele Goulart Massuchin; Prof. Dr. Ítalo

Domingos Santirocchi.

Projeto de design

Douglas Brandão França Junior; José Henrique Coutinho Pinheiro; Katherine Marjorie Mendonça de Assis.

Normalização

Edilson Thialison da Silva Reis – CRB 13ª Região, nº de registro – 764 Revisão técnica

Roberto Carlos Reyes Lecca Revisão de texto Fabiana Serra Pereira Revisão pedagógica

Cadidja Dayane Sousa do Carmo; Halinna Larissa Cruz Correia de Carvalho; Elza Bernardes Monier; Alessandra Viana Natividade Oliveira

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Elaborada pela UNA-SUS/UFMA

Universidade Federal do Maranhão. UNA-SUS/UFMA

Análise de situação de saúde/Ana Emilia Figueiredo de Oliveira; Deysianne Costa das Chagas; Paola Trindade Garcia; (Org.). - São Luís, 2019.

140 f.: il.

ISBN: 978-85-7862-867-3

1. Análise da Situação de Saúde. 2. Diagnóstico da Situação de Saúde. 3. Epidemiologia. 4. Sistemas de Informação em Saúde. 5. UNA-SUS/UFMA. I. Matheus de Sousa Mata II. Título.

CDU 616-036 Bibliotecário: Edilson Thialison da Silva Reis CRB - 13/764

Impresso no Brasil

Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou para qualquer fim comercial. A responsabilidade pelos direitos autorais dos textos e imagens desta obra é da UNA-SUS/UFMA.

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INFORMAÇÃO SOBRE O AUTOR

Matheus de Sousa Mata

Possui graduação em Fisioterapia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), especialização em Gestão em Saúde pela Fundação Oswaldo Cruz (Friocruz-RJ) e em Epidemiologia pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Possui mestrado em Saúde Coletiva pela UFRN e é doutorando em Saúde Coletiva na UFRN. Atuou como analista técnico de Políticas Sociais na Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde.

Atualmente é professor da Escola de Saúde da UFRN.

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INFORMAÇÃO SOBRE SOBRE AS ORGANIZADORAS

Ana Emilia Figueiredo de Oliveira

Possui graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), mestrado e doutorado em Radiologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), pós-doutorado/

professora visitante pela University of North Carolina/Chapel Hill-EUA. Foi presidente do Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde - CBTms (gestão 2015-2017). Atualmente é Coordenadora-geral da UNA-SUS/UFMA e líder do Grupo de Pesquisa SAITE - Tecnologia e Inovação em Educação na Saúde (CNPq/UFMA).

Deysianne Costa das Chagas

Possui graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e mestrado e doutorado em Saúde Coletiva pela UFMA. Atualmente é professora adjunta do Curso de Nutrição da Universidade Federal do Maranhão e design instrucional da UNA-SUS/UFMA. Tem experiência na área de epidemiologia e educação nutricional.

Paola Trindade Garcia

Possui graduação em Fisioterapia pela Faculdade Santa Terezinha (CEST), mestrado e doutorado em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Residência Multiprofissional em Saúde (UFMA), especialização em Processos Educacionais na Saúde (IEP-Sírio Libanês), Saúde da Família (CEST) e em Gestão do Trabalho e Educação na Saúde (UFMA). Possui experiência em educação a distância e em metodologias ativas de ensino.

Atualmente é docente da UFMA e coordenadora de Produção Pedagógica da UNA-SUS/UFMA.

(9)

SUMÁRIO

p.

1 INTRODUÇÃO ...14

2 ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE: CONCEITOS E INTERPRETAÇÃO DE INDICADORES ...15

2.1 Bases conceituais da Análise de Situação de Saúde (Asis) ...16

2.1.1 Objetivos da Asis ...19

2.1.2 Finalidades da Asis ...20

2.1.2.1 A Definição de necessidades, prioridades e políticas em saúde e a avaliação de sua adequação ...20

2.1.2.2 A formulação de estratégias de promoção, prevenção e controle de danos à saúde e a avaliação de sua pertinência e cumprimento...22

2.1.2.3 A construção de cenários futuros em saúde ... 23

2.2 Utilização dos dados da Vigilância em Saúde ... 28

2.3 Comportamento e tendências das variáveis demográficas ...35

3 ASIS E PRIORIZAÇÃO EM POLÍTICAS PÚBLICAS ... 45

3.1 Priorização: definição e aplicabilidade ... 45

3.2 Desigualdades em saúde ... 58

3.3 A carga global de doenças no Brasil ... 75

4 ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES EM SAÚDE ... 84

4.1 Os sistemas de informação em saúde no Brasil e sua importância para a construção das Asis ... 84

4.2 Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) ... 88

4.3 Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) ... 92

4.4 Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) ...97

4.5 Outros sistemas de informações ... 99

4.6 Identificação e seleção de dados fundamentais ... 100

4.7 Indicadores de mortalidade ... 107

4.7.1 Mortalidade Proporcional por Causas ... 107

4.7.2 Taxa de Mortalidade por Causas ... 108

4.7.3 Taxa de Mortalidade Infantil ... 109

4.7.4 Razão de Mortalidade Materna...111

4.8 Indicadores de morbidade...115

(10)

4.8.1 Incidência...115

4.8.2 Prevalência...117

4.9 Outros indicadores de saúde...119

4.10 Qualidade das informações...120

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS...127

REFERÊNCIAS...127

(11)

PREFÁCIO

A Análise de Situação de Saúde (Asis) ao caracterizar, medir e explicar o perfil de saúde-doença de uma população produz informações e conhecimentos úteis para o planejamento, definição de prioridades e estratégias de intervenção, além da avaliação de seu impacto.

Por isso é importante que a Asis seja incorporada e considerada na elaboração dos planos de saúde, no estabelecimento de prioridades para a alocação de recursos orçamentários, financeiros e de infraestrutura e na gestão do trabalho e dos recursos humanos para a saúde. Entretanto, realizar o planejamento a partir da Asis ainda se constitui um desafio para os atores envolvidos na construção de políticas públicas de saúde.

Partindo desse pressuposto, surge o livro "Análise de Situação de Saúde", que aborda de forma clara e objetiva o conceito e objetivos da Asis, bem como a sua importância no planejamento e definição de ações de saúde direcionadas às necessidades da população. Entre os temas discutidos no livro, alguns merecem destaque como: conceitos, interpretação e utilização dos indicadores de saúde, a análise da situação de saúde na construção de políticas públicas e o processo de análise das informações em saúde.

Este livro visa a ampliar a compreensão dos profissionais de saúde para a importância da elaboração da Asis, objetivando sua incorporação nos instrumentos de planejamento e gestão do Sistema Único de Saúde (SUS).

É importante destacar, também, que publicações nessa temática são instrumentos importantes para o aprofundamento teórico dos profissionais que já atuam no SUS. Portanto, esperamos que este livro possa contribuir em sua formação profissional e que se torne um referencial teórico para o planejamento de atividades de saúde realizadas em seu local de trabalho. Boa leitura!

Deysianne Costa das Chagas Doutora em Saúde Coletiva/UFMA

(12)

APRESENTAÇÃO

A análise da situação de saúde (Asis) é definida como a identificação, descrição, priorização e explicação dos problemas de saúde da população, com o objetivo de identificar necessidades sociais e determinar prioridades de ação (TEIXEIRA, 2010).

A identificação de problemas e necessidades de saúde exige que se caracterize a população de acordo com variáveis demográficas, socioeconômicas e políticas. Este processo implica a definição de quais são os problemas e quando, onde e quem se encontra afetado por esses problemas, subsidiando a definição de políticas e prioridades de ação (TEIXEIRA, 2010).

Para isso, é necessário conhecer o perfil demográfico, socioeconômico e epidemiológico da população para identificar suas necessidades e problemas de saúde, os fatores determinantes e potenciais riscos à saúde, de modo a subsidiar a tomada de decisão política e o estabelecimento de prioridades para atuação, seja em relação à organização da rede de serviços de saúde, às ações de promoção e proteção da saúde e prevenção de agravos e doenças, seja para a devida articulação entre as políticas setoriais visando ao fortalecimento do SUS no enfrentamento dos principais determinantes do processo saúde-doença (BAHIA, 2014).

Entre os recursos que podem auxiliar na identificação, descrição e análise do perfil de saúde-doença populacional, estão os Sistemas de Informação em Saúde (SIS). Os SIS são ferramentas tecnológicas que auxiliam gestores das três esferas de governo a processar os dados, gerando informações necessárias para organizar a prestação de serviços em saúde, monitorar o comportamento da população e investigar os mais diversos agravos que incidem sobre ela, tendo em vista a promoção do planejamento das ações e políticas públicas na área (DANIEL, 2012).

Os SIS auxiliam, portanto, o planejamento e a avaliação das políticas de saúde, assim como dos serviços, redes e sistemas de saúde (PINHEIRO, et. al. 2016). Sejam eles assistenciais ou epidemiológicos, são ferramentas importantes para o diagnóstico de situações de saúde com vistas a intervenções mais aproximadas do quadro de necessidades da população. Pois, por meio

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deles é possível acessar as bases de dados nacionais que, alimentadas regularmente por municípios e Estados, apresentam alto potencial de instrumentalizar a tomada de decisão (MEDEIROS, et. al., 2005).

A partir desse contexto, este livro visa a auxiliar profissionais e gestores de saúde, a utilizar informações e conhecimentos relacionados a Asis de forma crítica e reflexiva. Este livro é composto por três capítulos. O primeiro objetiva compreender a Asis, examinando seus conceitos, finalidades, além da interpretação e a utilização dos indicadores de saúde, o segundo objetiva reconhecer a ASIS como potente ferramenta para o processo de tomada de decisão e elaboração de políticas públicas e o terceiro objetiva compreender os SIS, identificando sua importância para a Asis. Para alcançar cada um desses objetivos, os capítulos apresentam os conteúdos de forma contextualizada e problematizada, buscando facilitar o processo de aprendizagem.

Além disso, cada capítulo aborda temas de grande relevância para a Asis. O capítulo 1 apresenta conceitos e interpretação de indicadores, bases conceituais, objetivos e finalidades da Asis, a utilização dos dados da vigilância em saúde e o comportamento e tendências das variáveis demográficas. O capítulo 2 discute temas como a priorização de necessidades em saúde, as desigualdades em saúde e a carga global das doenças. E o capítulo 3 trata dos Sistemas de informação em saúde utilizado na Asis, os principais SIS e indicadores de saúde e a qualidade da informação.

Assim, espera-se com este livro que técnicos e gestores de saúde e representações sociais percebam que para alcançar um diagnóstico adequado da população, a Asis exige um movimento coletivo, contínuo e compartilhado. E que ao incorporarem a Asis em seu cotidiano, que esses profissionais verifiquem sua potencialidade em promover as mudanças esperadas nos ambientes e processos de trabalho do território.

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1 INTRODUÇÃO

Conhecer a situação de saúde de determinado território é uma importante ferramenta de gestão, identificação, descrição, priorização e elucidação dos problemas de saúde de determinada população. Assim, a Análise de Situação de Saúde (Asis) é fundamental para que gestores e trabalhadores da área da saúde possam contribuir para contextualizar os problemas identificados no âmbito da gestão ou mesmo nos territórios sanitários sob responsabilidade das equipes de saúde.

Em um contexto de escassez de recursos, saber aplicá-los adequadamente se torna uma responsabilidade ainda maior para os atores envolvidos com a saúde das pessoas. O envelhecimento da população brasileira, por sua vez, traz consigo uma demanda maior para o setor saúde, exigindo dos gestores e profissionais de saúde maior qualificação para atender essa crescente demanda de serviços, sejam eles de caráter preventivo, ambulatorial ou hospitalar.

A Asis, portanto, engloba um processo de territorialização das condições de saúde, de modo a identificar necessidades sociais de saúde, determinar prioridades de ação e embasar a tomada de decisão por meio de evidências relevantes. Para tal, é necessário conhecer os conceitos e finalidades da Asis, além da interpretação e uso dos indicadores de saúde.

O conhecimento, a produção e a aplicação dos indicadores de saúde no âmbito da gestão, ou mesmo no cotidiano dos profissionais de saúde, possibilitam a identificação de problemas relevantes, bem como permitem avaliar a qualidade do serviço prestado e o impacto de intervenções coletivas na saúde.

Para que você compreenda como utilizar essas ferramentas no cotidiano do trabalho, abordaremos os principais sistemas de informação em saúde, por meio dos quais será possível analisar as mudanças nos perfis demográfico e epidemiológico do Brasil, além de possibilitar que você crie os próprios cenários de saúde no âmbito da sua atuação profissional.

Dessa forma, espera-se que as decisões em saúde superem o caráter intuitivo e passem a considerar as evidências, elucidadas através de uma Asis criteriosa e bem conduzida por quem administra serviços de saúde e também por quem produz cuidado no dia-a-dia das pessoas.

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ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

2 ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE:

CONCEITOS E INTERPRETAÇÃO DE INDICADORES

Por meio de reflexões sobre problemas comuns ao sistema de saúde brasileiro, você poderá percorrer caminhos que o ajudarão a compreender os fatores contextuais que influenciam na saúde da população e interpretar as mudanças no perfil epidemiológico e demográfico dessa população. Para isso, convidamos você a fazer uma reflexão.

Imagine uma situação hipotética, em que todos os problemas de saúde dos indivíduos pudessem ser resolvidos a qualquer momento, pois existiriam inúmeras unidades de saúde, ambulatoriais e hospitalares, bem como serviços de prevenção atuando em todas as cidades. Não existiria escassez de profissional e todas as tecnologias, inclusive as mais avançadas, estariam disponíveis a qualquer pessoa.

Você deve estar pensando que essa situação só é possível em um mundo ideal, restrito à nossa imaginação. De fato, no mundo real esse cenário descrito acima está longe de ser contemplado. No Brasil e em todos os demais países, os recursos dos mais diversos tipos são finitos, ou seja, tanto recursos financeiros como o número de profissionais, por exemplo, são limitados.

Evidentemente, essa escassez de recursos afeta alguns países mais do que outros, mas em todos eles há um limite para os gastos. Na área da saúde isso não é diferente, especialmente se considerarmos que estamos falando de uma área dinâmica, na qual o adoecimento das populações é bastante variável e há uma demanda crescente por novas tecnologias.

É preciso destacar algumas características do setor de saúde, pois elas têm relações íntimas com os crescentes gastos observados:

os tipos de doença que são mais comuns em uma região podem não ser em outras; o padrão de doenças também se modifica ao longo do tempo – uma doença que era comum anos atrás pode ter sido erradicada, ao passo que outras doenças surgem ao longo dos anos;

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as doenças não respeitam fronteiras geográficas, e as epidemias de ebola e influenza por H1N1 mostram isso. Outra característica é a intensa inovação tecnológica da indústria de equipamentos para a saúde e farmacêutica. Essas inovações costumam gerar demandas para os novos produtos, que para serem incorporados aos tratamentos geram altos custos aos governos.

Por isso, é importante conhecer as bases conceituais da Asis e compreender como se dá essa dinâmica na saúde de diferentes regiões.

2.1 Bases conceituais da Análise de Situação de Saúde (Asis)

Se as realidades de saúde são distintas entre populações e os recursos são escassos, como aplicar os recursos disponíveis? Quais devem ser as prioridades na execução das ações? Quais os critérios que podem auxiliar os profissionais e gestores de saúde na tomada de decisão?

A Asis é uma ferramenta que facilita a identificação de necessidades e prioridades, bem como a identificação de intervenções e programas adequados e a avaliação do seu impacto na saúde (OPAS, 1999). Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Asis “é caracterizada por processos analítico-sintéticos que permitem caracterizar, medir e explicar o perfil de saúde-doença de uma população, incluindo os agravos e problemas de saúde, assim como seus determinantes” (OPAS, 1999).

O gráfico 1 apresenta um exemplo de como a Asis pode ser aplicada.

Os gráficos mostram as principais causas de mortes por região do Brasil para o ano de 2013 e fazem parte da publicação anual da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde chamada “Saúde Brasil”. Essa publicação, portanto, tem como objetivo “produzir e disseminar análises de situação de saúde” (BRASIL, 2015).

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ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

Gráfico 1 - Taxas de mortalidade padronizadas das principais causas específicas de morte por Região, Brasil, em 2013.

Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2014: uma análise da situação de saúde e das causas externas. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. p. 106. Disponível em:

<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_brasil_2014_analise_situacao.

pdf>. Acesso em: 19 jul. 2017.

A partir do gráfico 1, podemos observar algumas semelhanças no padrão de mortalidade entre as regiões brasileiras. Mas também podemos visualizar que algumas regiões têm como principal causa de morte doenças que não aparecem com destaque nas demais, como é o caso do grupo

“Bronquite, enfisema, asma” no Sul do país e os “Acidentes de transporte terrestre” no Centro-Oeste e Norte.

Nesse caso, a Asis ajudaria no direcionamento de políticas voltadas para a redução das principais causas de mortes em cada região, ao mesmo

Centro-Oeste

30,2 29,5 38,9 35,5

44,1

60 50 40 30 20 10 0 Sul

26,1 29,3 26,2

37,1 46,9

60 50 40 30 20 10 0

Sudeste

22,1 19,3 39,6 37,7

42,6

60 50 40 30 20 10 0 Nordeste

28 39,5 35,4

42,7

60 51,9

50 40 30 20 10 0

Acidentes de transporte terrestre Homicídios

Bronquite, enfisema, asma Pneumonias

D. hipertensivas Diabetes mellitus Infarto agudo do Miocárdio D. cerebrovasculares

Norte

21,9 34,9 32,6

35,6

60 51,5

50 40 30 20 10 0

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tempo que uma análise da mortalidade ao longo dos anos poderia auxiliar na avaliação das políticas implementadas para evitar o excesso de mortes por cada uma das causas. Para compreender melhor a importância da Asis para o planejamento das ações de saúde, vamos analisar o caso do município de Céu Azul:

CENA 1 - Reunião de Conselho de Saúde e Instituição da Comissão de Asis de Céu Azul

Mário, 35 anos, é enfermeiro e assumiu há cinco meses o cargo de secretário municipal de saúde do município de Céu Azul. Ele tem muitos planos para a saúde do município e por isso agendou uma reunião com o Conselho Municipal de Saúde de Céu Azul para discutir os problemas de saúde e as ações para solucioná-los.

No dia agendado, todos os conselheiros se fizeram presentes. Durante a reunião, Mário apontou a necessidade do planejamento das ações de saúde e apresentou o recurso financeiro disponível. Além disso, também apresentou os projetos de saúde que pretendia iniciar, visto que o recurso possibilitava a realização de todos eles.

Entretanto, alguns dos conselheiros começaram a se questionar se os projetos apresentados realmente contemplavam as prioridades de saúde de Céu Azul, pois muitos deles referiam-se a solucionar problemas de saúde pouco prevalentes no município.

Dessa forma, Marta, uma das conselheiras, profissional especialista em saúde coletiva, destacou que achava importante realizar uma análise da situação de saúde (Asis) do município para iniciar o planejamento das ações de saúde da nova gestão. Sendo assim, Mário, convencido por Marta e demais conselheiros, propôs ao final da reunião a criação de uma Comissão para realizar a Asis de Céu Azul e apresentar os resultados na reunião seguinte.

Agora, imagine que você é um dos conselheiros da Comissão de Asis de Céu Azul e que na próxima reunião do Conselho Municipal de Saúde você e seus colegas da comissão deverão apresentar as principais características de saúde do município. Atente-se para os seguintes questionamentos:

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ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

• Por que é necessário realizar a Asis de Céu Azul?

• Como a comissão irá iniciar essa Asis?

PARA SABER MAIS!

O Ministério da Saúde apresenta no livro “Saúde Brasil 2017: uma análise da situação de saúde e os desafios para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”

um capítulo sobre mortalidade pelas principais causas específicas em 2015: diferenças regionais – nas páginas 81 a 98 que se sugere a leitura.

2.1.1 Objetivos da Asis

O objetivo geral da Asis, segundo Calvo (2004), é entender as causas e consequências das diferenças dos problemas de saúde na comunidade. A OPAS (1999) coloca mais explicitamente o componente da gestão da saúde na sua construção teórica, segundo a qual a Asis busca “contribuir com a informação que o componente técnico requer para os processos de condução, gerência e tomada de decisão em saúde”.

Autores brasileiros sintetizam o objetivo da Asis assim:

A Asis tem como objetivo criar informações e conhecimentos válidos sobre a situação de saúde de uma população em determinado território/contexto, mas tem como finalidade principal informar a tomada de decisão em saúde de maneira oportuna em todas as suas instâncias (DUARTE; MORAIS NETO, 2015, p.10).

Você deve estar se familiarizando com a Asis como uma ferramenta importante para auxiliar as ações na área da saúde. Talvez esteja pensando em como pode utilizá-la no cotidiano do seu trabalho, seja na gestão ou nas equipes de saúde responsáveis por territórios. Vamos conversar mais sobre o tema?

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Dessa forma, a Asis objetiva gerar informações que auxiliem na compreensão das causas e consequências de saúde e que também orientem a tomada de decisão por parte dos profissionais e gestores da saúde.

2.1.2 Finalidades da Asis

Além do seu objetivo geral, podem ser identificadas outras finalidades da Asis (OPAS, 1999). Veja a seguir algumas dessas finalidades.

2.1.2.1 A Definição de necessidades, prioridades e políticas em saúde e a avaliação de sua adequação

A figura 1 ilustra como a Asis pode auxiliar na definição de necessidades, prioridades e políticas em saúde, além da avaliação de sua adequação. A partir dela, podemos vislumbrar que áreas de maior vulnerabilidade social geram resultados distintos de saúde. Nesse caso, são apresentados mapas que representam valores integrados de saúde e ambiente, com claro gradiente mais desfavorável para o Norte-Nordeste do país. Essa análise ajuda a apontar quais políticas e onde elas devem ser prioritariamente aplicadas para reduzir as internações e mortes por doenças diarreicas entre crianças.

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ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

Fonte: BUHLER, H.F. et al. Análise espacial de indicadores integrados de saúde e ambiente para morbimortalidade por diarreia infantil no Brasil, 2010. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.

30, n. 9, p. 1921-1934, Set. 2014.

-10º -10º

-20º -20º

-30º -30º

-10º -10º

-20º -20º

-30º -30º

-70º

-70º -60º-60º -50º-50º -40º-40º

-70º

-70º -60º-60º -50º-50º -40º-40º

Péssimo (0,30-0,66) Ruim (0,67-0,80) Bom (0,81-0,89) Muito bom (0,90-0,96)

0 600 1.200km

N O

S L

Internação

-10º -10º

-20º -20º

-30º -30º

-10º -10º

-20º -20º

-30º -30º

-70º

-70º -60º-60º -50º-50º -40º-40º

-70º

-70º -60º-60º -50º-50º -40º-40º

Péssimo (0,17-0,69) Ruim (0,70-0,85) Bom (0,86-0,92) Muito bom (0,93-0,97)

0 600 1.200km

N O

S L

Mortalidade

Figura 1 - Distribuição espacial do indicador integrado de saúde e ambiente por microrregiões brasileiras para internação e mortalidade por doença diarreica aguda em menores de um ano. Brasil, 2010/2009.

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22

A figura 1 apresenta desigualdades sociais influenciando internações e mortes por doenças diarreicas em crianças. Você consegue observar desigualdades semelhantes dentro do seu município? Há grupos populacionais que sofrem mais de alguns tipos de doença por causa da sua condição social? Esses grupos deveriam receber uma atenção diferenciada na definição e execução de políticas públicas?

Alguns grupos populacionais padecem mais de alguns tipos de doença e agravos e podemos observar isso em nível municipal também. As mortes violentas entre jovens da periferia em níveis bastante elevados, os altos índices de perda dentária entre as pessoas de baixo nível educacional ou a elevada prevalência de tuberculose na população carcerária são exemplos concretos de desigualdades em saúde, com forte influência das condições sociais sobre os grupos populacionais. As ações para enfrentar esses problemas, portanto, podem ser direcionadas, ou melhor, priorizadas para os grupos mais vulneráveis.

2.1.2.2 A formulação de estratégias de promoção, prevenção e controle de danos à saúde e a avaliação de sua pertinência e cumprimento

A vacinação é um exemplo que ilustra bem a finalidade da Asis de formulação de estratégias de promoção, prevenção e controle de danos à saúde e a avaliação de sua pertinência e cumprimento. É uma estratégia de prevenção de doenças bastante conhecida e o Brasil tem um programa que abrange todo o território nacional, que é o Programa Nacional de Imunização. A figura 2 mostra a importância da vacinação para a erradicação da poliomielite no Brasil.

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23

ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

Figura 2 - Número de casos confirmados de poliomielite e notificados de paralisia flácida aguda, Brasil, 1979 a 2008.

Fonte: DURANTE, A. L. T.; DAL POZ, M. R. Saúde global e responsabilidade sanitária brasileira: o caso da erradicação da poliomielite. Saúde debate, Rio de Janeiro, v. 38, n. 100, p. 129-138, Mar. 2014.

Apesar da imunização ser uma estratégia consolidada na saúde pública, ela deve ser acompanhada para garantir que as pessoas sejam imunizadas e as doenças sejam erradicadas ou, pelo menos, mantidas sob controle.

Uma forma de acompanhar a execução dessas ações e avaliar seu alcance é utilizar o indicador de cobertura vacinal. Esse indicador mede o percentual de pessoas que foram imunizadas do total de indivíduos que fazem parte da população-alvo. Se a cobertura vacinal estiver baixa, as ações não estão sendo bem executadas e podem gerar graves problemas de saúde para a população.

2.1.2.3 A construção de cenários futuros em saúde

A figura 3 apresenta um cenário futuro para as causas de morte no Brasil, resgatando dados históricos e estimando qual o perfil de mortalidade para o ano de 2033. A partir dessa análise, políticas governamentais podem

3.500 3.000 2.500 2.000 1.500 1.000 500 0

79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08

2.569 1.260 122 69 45 142 329 612 196 106 35 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

3.205 1.985 362 257 233 257 600 1.029 724 895 916 535 588 552 517 554 419 453 432 369 437 528 678 637 654 642 609 614 636 585 Poliomielite

Paralisia flácida aguda

Dois casos recentes de surtos de doenças imunopreveníveis chamaram a atenção para a importância do monitoramento e do cumprimento das metas de cobertura vacinal no Brasil. Foram os casos de febre amarela em Minas Gerais no ano de 2017 e de sarampo na Região Norte do país em 2018.

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24

ser elaboradas a fim de mudar o cenário para determinadas causas – notoriamente as causas externas, bem como preparar o sistema de saúde para uma assistência adequada às pessoas que necessitarão de cuidados prolongados – como os grupos que são acometidos por doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), com destaque para as doenças do aparelho circulatório e neoplasias.

Figura 3 - Mortalidade proporcional por grupos de causa (Capítulos da CID), estratificado segundo os 10 grupos de maior peso para o ano de 2011. Brasil, 1980 a 2033.

Fonte: SILVA JÚNIOR, J. B.; RAMALHO, W. M. Cenário epidemiológico do Brasil em 2033:

uma prospecção sobre as próximas duas décadas. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2015. p. 9. (Textos para Discussão; n. 17).

Como vimos, a Asis pode ser utilizada de diferentes formas por gestores e profissionais de saúde para direcionar ações que busquem a satisfação das necessidades de saúde da população. Não podemos, no entanto, esquecer que a saúde da população depende de inúmeros fatores e que algumas soluções, para serem efetivas, precisam ser articuladas com outros setores

100

75

50

25

0

2030 2025 2020 2015 2010 2005 2000 1995 1990 1985 1980

Capítulos Demais Afecções perinatais Aparelho geniturinário Sistema nervoso Infecciosas e parasitárias Aparelho digestivo Sangue, tr. imun., nutr. e metab.

Aparelho respiratório Causas externas Neoplasias Aparelho circulatório

E você, sabe quais são as principais causas de morte na população do seu município? Existe alguma política pública que ajude a enfrentar alguma dessas causas?

Você pode buscar essas informações na própria Secretaria de Saúde do município ou buscar em sites oficiais, como no DATASUS.

(25)

25

ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

governamentais e da sociedade.

Aqueles agravos ou doenças que são mais prevalentes em populações mais vulneráveis são um exemplo de soluções que passam, necessariamente, pela intersetorialidade das ações. Afinal, o grande número de mortes violentas entre jovens em situação de vulnerabilidade e marginalizados não serão resolvidos somente com a mobilização de equipes de saúde.

Podemos usar esse raciocínio para as neoplasias que podem ser detectadas em programas de prevenção, como é o caso do câncer de mama, de colo do útero e de próstata, mas que estão entre os tipos que mais matam no Brasil. Esses tipos de neoplasias são mais letais entre o grupo de pessoas mais pobres e menos escolarizadas. Ampliar o número de unidades de saúde que diagnosticam essas doenças é apenas uma das ações que podem diminuir a mortalidade, mas a redução das desigualdades sociais necessitará de uma ação conjunta de diferentes setores.

É importante destacar que essa visão ampla sobre a saúde é uma construção histórica, que se desenvolveu juntamente com a sociedade humana. Por muito tempo, a saúde esteve vinculada a um conceito tradicional que relacionava à saúde com os serviços sanitários. Dito de uma forma mais direta, a saúde seria definida a partir da doença como referência, ou seja, o organismo que estivesse em um estado mórbido era considerado doente, ao passo que o contrário desse estado seria caracterizado como saúde (CARVALHO; BUSS, 2012).

A mudança no paradigma da saúde, que passa a contemplar os múltiplos fatores – incluindo os socioeconômicos – como produtores de doenças, se reflete também nas medidas utilizadas em saúde pública para analisar a situação de saúde da população. Por meio da Epidemiologia, essa busca por medidas objetivas sobre a saúde deixou de ser exclusivamente relacionada à mortalidade e morbidade e passou a incluir outros atributos.

Com a ampliação do conceito de saúde, reconheceu-se a necessidade de considerar outras dimensões da saúde, como incapacidade e fatores não biológicos da saúde, assim como a qualidade da assistência, o acesso aos serviços, as condições de vida e os fatores ambientais (OPAS, 2001).

(26)

26

Epidemiologia é o estudo da frequência e distribuição de estados ou eventos relacionados à saúde, e dos seus determinantes, em populações específicas e a aplicação desse estudo para o controle de problemas de saúde (PORTA, 2014).

Um dos módulos de um curso voltado a gestores de saúde pública promovido pela OPAS traz premissas para a Asis em um contexto atual e voltado para a realidade da América Latina. Essas premissas perseguem uma Asis alinhada com a visão ampliada de saúde e incluem (OPAS, 2010):

Percebam que a Asis inclui variáveis de contexto, as quais são aquelas que determinam o estado de saúde das pessoas.

A forma como se organiza a sociedade e os sistemas de saúde para dar resposta às necessidades de saúde.

A existência de diferenças na distribuição das condições de vida e as causas de enfermidade e morte.

A possibilidade de identificar a magnitude, o alcance e a gravidade dos problemas de saúde na população.

A possibilidade de identificar os grupos populacionais com necessidades de saúde não satisfeitas e de alto risco.

A sugestão de intervenções potenciais baseadas no reconhecimento dos fatores de risco.

A avaliação da efetividade das intervenções sustentada nos indicadores epidemiológicos.

Os aspectos de contexto que determinam as condições de vida e saúde da população.

(27)

27

ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

O que são determinantes sociais da saúde para você? Você já se perguntou se o trabalho, a renda, a educação e os comportamentos das pessoas podem gerar doenças? Tente se lembrar de um caso em que um desses determinantes influenciou o aparecimento de uma doença, seja em uma pessoa próxima a você ou alguém que procurou o serviço onde você trabalha.

Os determinantes sociais da saúde (DSS) são aqueles relacionados às condições em que uma pessoa vive e trabalha, além de influenciarem a ocorrência de problemas de saúde e fatores de risco à população – como moradia, alimentação, escolaridade, renda e emprego (WHO, 2017; BUSS;

PELLEGRINI FILHO, 2007). Esses determinantes necessitam de articulação com outros setores da sociedade para serem alterados, e muitas vezes se situam além da governabilidade de quem planeja ações de saúde. Muitas vezes, ficamos limitados na busca da resolução de um problema de saúde pública, pois parte importante da resolução do problema está sob a gerência de outros setores.

AGORA É COM VOCÊ!

Você concorda que a mortalidade infantil no Brasil apresenta características de um problema com múltiplas dimensões? Considerando que o Brasil apresenta taxa de mortalidade infantil (TMI) distinta entre suas regiões, com piores resultados para o Norte e o Nordeste em relação às demais, liste os possíveis setores que poderiam contribuir para a redução da TMI no Brasil. Os setores podem ser governamentais ou da sociedade civil.

Se você e sua equipe não dispõem dos meios e recursos necessários para resolver todos os problemas de saúde do território, é importante destacar que a Asis serve para a negociação política, a condução institucional, a mobilização de recursos e para a disseminação de

(28)

28

informações em saúde. A Asis contribui, portanto, para um diagnóstico mais preciso da situação, possibilitando identificar também os atores que se corresponsabilizarão para a resolução dos problemas, aumentando as chances de sucesso na execução das ações.

2.2 Utilização dos dados da Vigilância em Saúde

Inicialmente, convidamos você a pensar sobre o voo de um avião, sobre os procedimentos necessários para que ele decole e chegue ao seu destino. Entre as diversas funções da equipe de comando da aeronave está a averiguação do tempo: se há possibilidade de chuvas, se há muitas nuvens no trajeto, temperatura do ar, entre outras características atmosféricas. Além disso, devem ser observadas a quantidade de combustível, a distância do avião para o solo, sua velocidade, quantidade de carga transportada. Importante, claro, é saber o fluxo dos outros voos na sua rota, bem como as decolagens e aterrissagens nos aeroportos, função

essa auxiliada por equipamentos de bordo e pela torre de controle.

Ufa! São utilizados muitos dados durante um voo de avião para que a tripulação conduza a aeronave com precisão e que todos cheguem ao seu destino com segurança.

Agora se imagine na direção de uma unidade de saúde ou mesmo fazendo parte de uma equipe – seja ela de Vigilância ou de Saúde da

Família, por exemplo. Os dados de saúde são importantes para gerar um atendimento adequado à população? Eles auxiliam no atendimento das necessidades das pessoas?

Se vimos que os dados produzem informações relevantes para um piloto de avião conduzir bem uma aeronave por meio da definição da melhor rota, das mudanças de direção para adequar à malha aérea ou mesmo para comunicar aos passageiros sobre regiões de turbulência, podemos pensar

(29)

29

ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

que para “conduzir” uma unidade de saúde ou para uma equipe atender às necessidades sanitárias de uma população, os dados são de fundamental importância.

Obter informações de quantas mulheres estão gestantes em um município, quantos novos casos de dengue surgiram no último verão ou mesmo o total de pessoas hipertensas cadastradas na equipe de saúde da família do bairro auxiliam gestores e trabalhadores a adequarem a assistência materno-infantil daquele município; a atuarem de forma preventiva para que não ocorram novos casos de dengue nos meses quentes e chuvosos; e a estimarem a quantidade de medicamentos a serem dispensados à população hipertensa sem que haja descontinuidade do tratamento.

Você percebeu que com apenas três exemplos já conseguimos visualizar a importância que os dados têm para a saúde?

Na área da saúde, utilizamos fundamentalmente os dados epidemiológicos para monitorar, avaliar, planejar e analisar as condições de saúde e bem- estar dos grupos populacionais. Neste capítulo, já conhecemos o conceito de epidemiologia, que em resumo é o estudo sobre a saúde da população.

Portanto, os dados de saúde se constituem em dados epidemiológicos. Vale ressaltar que para a Asis, outros dados também podem ser utilizados, como os demográficos, econômicos e os do meio ambiente.

Os dados podem ser classificados, ainda, segundo as suas fontes de obtenção em primários e secundários, conforme ilustra a figura 4:

Dados primários quando são coletados diretamente por questionários

específicos.

Dados secundários aqueles coletados rotineiramente,

durante o registro da atividade profissional.

Figura 4 - Classificação dos dados segundo suas fontes de obtenção.

Fonte: BONITA R. BEAGLEHOLE R. KJELLSTRÖM. Epidemiologia Básica. 2ª ed. – Santos, São Paulo, 2010.

(30)

30

Esses últimos merecem um destaque especial, pois muitos deles estão à nossa disposição no site do Departamento de Informática do Ministério da Saúde, o DATASUS, e se constituem importantes elementos da Asis.

Vamos começar pelo sistema de informação mais antigo, o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), que como o nome já diz, produz dados sobre as mortes ocorridas no Brasil. Cada ocorrência de óbito no território nacional deve ser registrada e comunicada às autoridades de saúde (secretarias municipais e estaduais de saúde e ao Ministério da Saúde). Esse sistema é responsável por coletar e disseminar esses registros, gerando dados como a causa e o local do óbito, bem como dados sobre a idade, sexo e raça/cor do indivíduo falecido (BRASIL, 2009).

Esses dados podem fornecer um retrato importante sobre quantas pessoas morrem em cada município, estado e no país; quais as principais causas de morte e quais grupos etários tem maior risco de morrer por essas causas; permitem também o cálculo da expectativa da população e outras possibilidades de análise. A tabela 1 mostra algumas variáveis disponibilizadas pelo SIM, contribuindo para a análise da situação de saúde no Brasil.

Quais são os dados de saúde que são registrados rotineiramente no seu local de trabalho? Eles alimentam algum sistema de informação? Eles estão disponíveis para acesso público?

Já destacamos a importância dos dados secundários para a ASIS, mas você sabe identificar os principais dados produzidos pelo sistema de saúde brasileiro?

(31)

31

ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

Tabela 1 - Percentual de óbitos e taxa de mortalidade específica (por 100 mil hab.) por causa específica para homens e mulheres, segundo faixa etária. Brasil, 2015.

Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2017: uma análise da situação de saúde e os desafios para o alcance dos objetivos de desenvolvimento sustentável. Brasília, DF:

Ministério da Saúde, 2018. 426 p.

Faixa

Etária Masculino Feminino

Causa % Taxa Causa % Taxa

5 a 19 anos

Homicídio 43,2 38,0 Acidente de transporte

terrestre 13,1 3,8

Acidente de transporte

terrestre 14,1 12,4 Homicídio 10,5 3,1

Afogamentos acidentais 4,7 4,1 Neoplasia maligna linfático-

hemático 5,0 1,5

Eventos de intenção

indeterminada 2,7 2,4 Influenza e pneumonia 3,7 1,1

Suicídio 2,7 2,3 Suicídio 3,6 1,1

20 a 39 anos

Homicídio 35,1 93,3 Homicídio 8,3 6,9

Acidente de transporte

terrestre 16,2 42,9 Acidente de transporte

terrestre 8,1 6,8

Suicídio 4,1 10,9 Doença pelo vírus da

imunodeficiência humana/HIV 6,0 5,0 Doença pelo vírus da

imunodeficiência humana/

HIV 3,8 10,1 Doenças durante gravidez,

parto ou puerpério 5,3 4,4

Eventos de intenção

indeterminada 2,8 7,5 Doenças cerebrovasculares 4,0 3,4

40 a 59

Doenças cardíacas

isquêmicas 10,6 69,9 Doenças cardíacas isquêmicas 8,4 29,8

Cirrose e outras

hepatopatias 6,5 42,9 Doenças cerebrovasculares 8,0 28,5

Acidente de transporte

terrestre 5,9 39,0 Câncer de mama 6,9 24,7

Homicídio 5,9 38,9 Diabetes 5,1 18,2

Doenças cerebrovasculares 5,4 35,9 Câncer de útero 3,9 13,8

60 e mais anos

Doenças cardíacas

isquêmicas 11,2 439,0 Doenças cerebrovasculares 10,2 313,8

Doenças cerebrovasculares 9,7 381,1 Doenças cardíacas isquêmicas 9,3 287,7

Influenza e pneumonia 7,2 280,4 Influenza e pneumonia 8,5 261,3

Doença pulmonar

obstrutiva crônica 5,3 208,8 Diabetes 6,7 207,0

Diabetes 5,0 195,1 Hipertensão 5,4 166,5

(32)

32

Figura 5 - Proporção de nascimentos por parto cesáreo, segundo região, cor da pele/raça, escolaridade e idade da mãe. Brasil, 2013.

Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2014: uma análise da situação de saúde e das causas externas. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. p. 34.

Outra importante fonte de dados para a saúde é o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, o Sinasc. Ele é responsável por gerar dados de cada nascido vivo no território nacional e contribui para informar parâmetros da saúde do bebê ao nascer, a assistência pré-natal da mãe, características do parto e o deslocamento das parturientes para obter assistência (BRASIL, 2009).

Na figura 5 você pode observar a utilização dos dados do Sinasc na Asis. Os gráficos descrevem a situação dos partos cesáreos entre diferentes grupos populacionais; primeiramente por região do país, seguidos pelas categorias de escolaridade, cor da pele/raça e faixas etárias. Os dados auxiliam a direcionar políticas que visem à redução do excesso de partos cesáreos ocorridos no Brasil.

46,1 49,9 100

80 60 40

%

20

0 N NE SE S CO BR

61,4 62,7 62,2 56,7

34,8 42,4

56,3

Região 83,8

68,3 49,6

58,5 50,0

40,7 41,8 50,5

60,2 67,7 70,0 68,4

18,9 100

80 60 40

%

20 0

Cor da pele/raça

100 80 60 40

%

20

0 0 a 3 4 a 7 8 a 11 12 e +

Escolaridade

Branca Preta Amarela Parda Indígena

100 80 60 40

%

20 0

Idade

<15 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40 e +

O adoecimento também é registrado nas ações rotineiras dos serviços de saúde. Um dos sistemas de informações responsáveis pelo processamento desses dados é o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), que gera dados sobre doenças como dengue, febre amarela, tuberculose, entre

(33)

33

ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

Figura 6 - Incidência (/100 mil hab.) de febre pelo vírus Zika por município de residência, até a Semana Epidemiológica 49. Brasil, 2016.

Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Monitoramento dos casos de dengue, febre de chikungunya e febre pelo vírus Zika até a Semana Epidemiológica 49, Boletim epidemiológico, v. 47, n. 38. 2016. p. 9.

Incidência 0,00,0 --| 300,0 300,0 --| 500,0 500,0 --| 1.000,0 1.000,0 --| 3.000,0 3.000,0 --| 16.269,8

outros agravos que devem ser obrigatoriamente informados às autoridades sanitárias. Uma outra forma de obter dados sobre a morbidade é utilizando o Sistema de Informações Hospitalares (SIH), que fornece dados sobre as internações realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 2009).

A figura 6 mostra a distribuição da incidência da febre pelo vírus Zika por município de residência no ano de 2016. Podemos observar que, no acumulado dos registros até a semana epidemiológica 49, os municípios do Centro-Oeste e do Nordeste apresentavam maior concentração de casos notificados. A partir desses dados, os gestores podem tomar medidas preventivas contra a doença, como garantir assistência adequada à população acometida. Os dados também são importantes para as equipes de saúde, que devem ficar mais vigilantes aos casos surgidos com as características da febre pelo vírus Zika.

(34)

34

Vimos algumas das principais fontes de dados geradas de forma contínua pelos serviços de saúde no Brasil. O SUS conta ainda com outros sistemas de informação que geram dados relevantes para a Asis, e o melhor, muitos deles estão disponíveis para acesso público.

Como você pode perceber, os dados gerados pelos serviços de saúde brasileiros são uma fonte importante para gerar conhecimento sobre a realidade sanitária das populações. Mas eles não são os únicos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fornece dados relevantes para a saúde, que são os dados demográficos. Essa instituição é responsável, por exemplo, pela contagem de toda a população brasileira, que ocorre a cada dez anos.

A contagem periódica de todas as pessoas de um país é chamada censo populacional. Ela permite saber o ritmo do crescimento de uma população, os fluxos de migrações internacionais e os deslocamentos internos do país e permite, ainda, a elaboração das pirâmides etárias.

PARA SABER MAIS!

Você pode conhecer mais sobre o censo populacional acessando o site do IBGE. Nele, você pode encontrar os dados das pesquisas desenvolvidas por esse órgão governamental, incluindo o último censo realizado no país, em 2010.

Na publicação "Saúde Brasil 2015/2016: uma análise da situação de saúde e da epidemia pelo vírus Zika e por outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti"

há um capítulo intitulado “Como nascem os brasileiros:

uma análise do perfil epidemiológico dos nascidos vivos e mães a partir dos eventos ocorridos em 2014”

(página 29) indicado para leitura sobre aspectos acima discutidos.

(35)

35

ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

Sugerimos a leitura do documento Monitoramento dos casos de dengue, febre de chikungunya e febre pelo vírus Zika até a Semana Epidemiológica 7 de 2018, publicado pela SVS/MS.

RETOMANDO O CASO DO MUNICÍPIO “CÉU AZUL”

Agora, podemos retomar a situação apresentada anteriormente e compreender a importância da Asis para o município de Céu Azul:

Segundo BRASIL (2015), a Asis objetiva produzir informação e conhecimento útil para orientar a ação em saúde coletiva. Sua prática é relevante para os diversos níveis de decisão, permitindo a utilização das informações e do conhecimento produzido nas atividades de planejamento, definição de prioridades, alocação de recursos, avaliação dos programas implementados, entre outras.

Um dos principais instrumentos para a realização da Asis é a utilização de fontes de dados secundários, pois esse tipo de dados, principalmente aqueles originados de sistemas contínuos de informação nacionais no Brasil (ex.: SIM, Sinasc etc.), podem gerar atributos relevantes da Asis, tais como:

oportunidade e continuidade das análises, precisão e validade externa dos achados, simplicidade de uso das bases de dados e menor custo, respeitabilidade dos dados, entre outros (BRASIL, 2015).

Além disso, como ganho secundário, pode-se destacar a retroalimentação dos sistemas de informação em saúde em um processo circular de uso dos dados que produz crítica, qualidade, mais uso dos dados e assim por diante (BRASIL, 2015).

2.3 Comportamento e tendências das variáveis demográficas

Os dados do censo são fundamentais para a análise de saúde, pois permitem identificar o padrão etário da população e a situação dos domicílios

Considerando tais aspectos, você consegue pensar em outras fontes de informações importantes para a Asis?

(36)

36

onde as pessoas residem, bem como auxiliam a estimar o tamanho e o crescimento da população de um município ou estado.

Os dados demográficos nos revelam que a população brasileira está passando por um processo de envelhecimento nas últimas décadas. A figura 7 traz essa informação na forma de pirâmides etárias.

De que forma os dados demográficos auxiliam na Asis? Como esses dados podem gerar informações sobre as necessidades de saúde das pessoas?

80+

75 a 79 70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5 a 9 0 a 4

10.000.000 8.000.000 6.000.000 4.000.000 2.000.000 0 2.000.000 4.000.000 6.000.000 8.000.000 10.000.000 Homens

Mulheres

PIRÂMIDE ETÁRIA ABSOLUTA - BRASIL - CENSO 1970

90+

75 a 79 80 a 84 85 a 89

70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5 a 9 0 a 4

10.000.000 8.000.000 6.000.000 4.000.000 2.000.000 0 2.000.000 4.000.000 6.000.000 8.000.000 10.000.000 Homens

Mulheres

PIRÂMIDE ETÁRIA ABSOLUTA - BRASIL - CENSO 2010 80+

75 a 79 70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5 a 9 0 a 4

10.000.000 8.000.000 6.000.000 4.000.000 2.000.000 0 2.000.000 4.000.000 6.000.000 8.000.000 10.000.000 Homens

Mulheres

PIRÂMIDE ETÁRIA ABSOLUTA - BRASIL - CENSO 1991

90+

75 a 79 80 a 84 85 a 89

70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5 a 9 0 a 4

10.000.000 8.000.000 6.000.000 4.000.000 2.000.000 0 2.000.000 4.000.000 6.000.000 8.000.000 10.000.000 Homens

Mulheres

PIRÂMIDE ETÁRIA ABSOLUTA - BRASIL - CENSO 2050

Figura 7 - Pirâmides etárias brasileiras e projeções, por sexo, para os anos de 1970, 1991, 2010 e 2050. Brasil, 2013.

(37)

37

ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE 80+

75 a 79 70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5 a 9 0 a 4

10.000.000 8.000.000 6.000.000 4.000.000 2.000.000 0 2.000.000 4.000.000 6.000.000 8.000.000 10.000.000 Homens

Mulheres

PIRÂMIDE ETÁRIA ABSOLUTA - BRASIL - CENSO 1970

90+

75 a 79 80 a 84 85 a 89

70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5 a 9 0 a 4

10.000.000 8.000.000 6.000.000 4.000.000 2.000.000 0 2.000.000 4.000.000 6.000.000 8.000.000 10.000.000 Homens

Mulheres

PIRÂMIDE ETÁRIA ABSOLUTA - BRASIL - CENSO 2010 80+

75 a 79 70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5 a 9 0 a 4

10.000.000 8.000.000 6.000.000 4.000.000 2.000.000 0 2.000.000 4.000.000 6.000.000 8.000.000 10.000.000 Homens

Mulheres

PIRÂMIDE ETÁRIA ABSOLUTA - BRASIL - CENSO 1991

90+

75 a 79 80 a 84 85 a 89

70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5 a 9 0 a 4

10.000.000 8.000.000 6.000.000 4.000.000 2.000.000 0 2.000.000 4.000.000 6.000.000 8.000.000 10.000.000 Homens

Mulheres

PIRÂMIDE ETÁRIA ABSOLUTA - BRASIL - CENSO 2050

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