I Seminário sobre Design e Gemologia de Pedras, Gemas e Jóias do Rio Grande do Sul Soledade, RS 06 a 08/05/2009.

Texto

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Gemas e Jóias do Rio Grande do Sul

Soledade, RS – 06 a 08/05/2009.

http://www.upf.br/ctpedras/sdgem

LAPIDAÇÃO ESPECIAL: DESENVOLVIMENTO DE UM MODELO PARA QUARTZO COM ZONEAMENTO DE COR

Rafael Von Rondon Gomes 1

1 Universidade do Estado de Minas Gerais – ED; email: rafaelvrg@gmail.com

Resumo - O objetivo deste trabalho é exercitar a aplicação do design de lapidação como ferramenta de valorização de materiais, cujo potencial estético dificilmente seria explorado por modelos tradicionais de lapidação. Para este projeto foi adotado como material de estudo um tipo de quartzo com zoneamento de cor, esta característica obedece a um padrão tornando-as comerciais para a formação de lotes.

Palavras-Chave: Design; quartzo; lapidação

Abstract - The purpose of this study is to practice the application of cut design as a tool to add value to materials, which sthetical potential can not be explored by traditional models of cut. For this study we adopted as subject material a quartz with color zoning, a property with a pattern that can make this material interesting for commercial stone parcels.

Keywords: Design; quartz; cut

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1. Introdução

O trabalho desenvolvido no laboratório de lapidação do Centro de Estudos em Design de Gemas e Jóias (CEDEGEM) da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), se propõe a exercitar a aplicação do design de lapidação como forma de valorização de pedras de baixo valor intrínseco. O material trabalhado é o quartzo, mineral de composição química (SiO 2 ) da variedade enfumaçado como mostra Schumann (2006).

Atualmente, o design de lapidação tornou-se uma importante ferramenta de diferenciação na joalheria como também uma alternativa para o aproveitamento de gemas antes pouco exploradas ou desvalorizadas. Portanto, neste trabalho serão estudadas formas de valorizar o quartzo com zoneamento de cor (distribuição desigual da cor em uma pedra preciosa) através de uma lapidação especial. Para melhor delinear cada resultado será adotada uma metodologia baseada na visão mercadológica de Baxter (2003), essa metodologia tem um viés de pesquisa e trabalho laboratorial dando características experimentais a este trabalho científico.

2. Metodologia :

1 - Análise

2 - Proposta de um modelo base 3 - Lapidação

4 - Avaliação

2.1. Análise

A partir da observação dos cristais de quartzo brutos e serrados como mostram as figuras 1 e 2, detectou-se que as manchas apresentavam certo padrão. A mais relevante observação foi a formação de três manchas criando formas semelhantes a raios ao longo do diâmetro do cristal. Esta formação é a mais comum, sendo que as demais apresentam desenhos mais fragmentados variando entre a cor castanha e verde oliva.

Figura 1 – Secção do quartzo com zoneamento de cor

Também foi observado, como mostra a figura 3, que a cor se concentra na periferia do cristal limitando o modelo de lapidação a um desenho que aproveite bem a forma natural do cristal.

Figura 2 – Cristal de quartzo serrado

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Figura 3 – Desenho esquemático da distribuição da inclusão no cristal de quartzo bruto

2.2. Proposta do modelo base

Conforme as observações da etapa anterior, para que a gema lapidada exponha suas cores é importante que o modelo de corte respeite a forma original do cristal, como mostra a figura 4. Todavia as irregularidades naturais dos cristais inviabilizam um modelo que copie na íntegra os contornos da pedra.

Tendo em vista tais características, foi proposto um modelo cônico (como base) objetivando preservar as cores e exibir seu desenho na faceta principal, mostrado na figura 5.

Figura 4 – Projeção da formatação da gema

Figura 5 – Projeção da formatação da gema em perspectiva

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2.3. Lapidação

As pedras que não possuem grandes defeitos são separadas e depois serradas. O importante é que o corte seja feito na altura das “manchas de cor” para otimizar o seu aproveitamento, como mostrado na figura 6.

Figura 6 – Posição do corte

(Tracejado em vermelho: posição incorreta; tracejado em azul: posição correta)

Depois de serradas as pedras são classificadas por tamanho (figura 7) e aquelas cuja inclusão não se mostra adequada para a proposta são excluídas do grupo principal. Na próxima etapa as pedras são pré-formadas (figura 8) no rebolo adiamantado para finalmente serem formatadas, calibradas e por fim polidas.

Figura 7 – Pedras serradas e classificadas

Figura 8 – Pedras pré-formadas

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2.4. Avaliação

Nas gemas lapidadas em forma de cone com ângulo de 45 graus (figuras 9 e 10) ocorreram diminuições consideráveis na visualização das inclusões.

45 °

Figura 9 – Desenho esquemático do cone com 45º

Figura 10 – Gema lapidada em forma de cone com 45º

Nas gemas lapidadas em forma de cone com ângulo de 60 graus (figura 11) as inclusões são preservadas, mas a gema se torna muito alta, dificultando sua aplicação na joalheria.

60 °

Figura 11 – Desenho esquemático do cone com 60º

Até o momento o modelo mais promissor é um tronco de cone como mostra a figura 12, que preserva parte da inclusão e as proporções da pedra como mostrado na figura 13, e são bastante adequadas para a joalheria.

60 °

Figura 12 – Desenho esquemático do tronco de cone com 60º

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Figura 13 – Gema lapidada em forma de tronco de cone

3. Conclusões

Sendo que o projeto não foi finalizado, as conclusões a cerca do desenvolvimento do modelo citado (para quartzo com zoneamento de cor) se referem aos resultados alcançados até o presente momento (figura 14).

Figura 14 – Vista lateral da gema lapidada em forma de tronco de cone

O exercício da aplicação do design de lapidação através do modelo proposto neste trabalho alcançou expectativas surpreendentes, pois a lapidação criada mostrou grande potencial de aplicação na joalheria tanto por suas qualidades estéticas como por sua fácil lapidação.

4. Referências bibliográficas

BAXTER, M. Projeto de produto: guia prático para design de novos produtos. Tradução: Itiro Iida . São Paulo:

Editora Edgard Blücher Ltda, 2003.

GEMOLOGICAL INSTITUTE OF AMERICA, em: < http://www.gia.edu/ >. Acesso em 10 de março de 2009.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEMAS E METAIS PRECIOSOS, em <http://www.ibgm.com.br/>. Acesso em 10 de março de 2009.

SCHUMANN, W. Gemas do mundo.[traduzido por Rui Ribeiro Franco, Mario Del Rey ]. – 9ª Ed. ampl. e atual. –

São Paulo: Disal, 2006.

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