VICTOR DE ARAÚJO SOARES UTILIZAÇÃO DE XBRL PARA FACILITAR A GESTÃO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS

Texto

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VICTOR DE ARAÚJO SOARES

UTILIZAÇÃO DE XBRL PARA FACILITAR A GESTÃO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS

Palmas 2006

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VICTOR DE ARAÚJO SOARES

UTILIZAÇÃO DE XBRL PARA FACILITAR A GESTÃO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS

“Relatório apresentado como requisito parcial da disciplina Estágio Supervisionado em Sistemas de Informação – Trabalho de Estágio, orientado pelo Profº.

M.Sc. Fernando Luiz de Oliveira”

Palmas 2006

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VICTOR DE ARAÚJO SOARES

UTILIZAÇÃO DE XBRL PARA FACILITAR A GESTÃO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS

“Relatório apresentado como requisito parcial da disciplina Estágio Supervisionado em Sistemas de Informação – Trabalho de Estágio, orientado pelo Profº. M.Sc. Fernando Luiz de Oliveira”

Aprovado em ___/___/_______

BANCA EXAMINADORA

______________________________________________________

Prof. M.Sc. Fernando Luiz de Oliveira - Orientador

Centro Universitário Luterano de Palmas

_______________________________________________________

Prof.ª M. Sc. Parcilene Fernandes de Brito

Centro Universitário Luterano de Palmas

_______________________________________________________

Prof.ª Esp. Cristina D´Ornellas Filipakis

Centro Universitário Luterano de Palmas

Palmas 2006

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AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, agradeço a Deus por constantemente ter me segurado com sua destra fiel, dando-me forças para prosseguir e conseguir realizar este trabalho. É Ele que, nos momentos de maiores dificuldades, mostrou-me que é possível alcançar aquilo que por tantas vezes achamos ser impossível. A Ele toda honra, toda glória, todo louvor e adoração.

Agradeço a minha família, aos meus pais que, por tantas vezes, me incentivaram a continuar. À minha mãe por suas constantes orações e intercessões por mim e também pelo apoio que sempre me deu. Amo vocês!

Agradeço à “família Koinonia”, os irmãos da minha igreja que também fizeram parte desta história. Ao irmão Elias Chaves, irmã Eva, Marcielly e Uilians, que me acolheram em sua casa quando disse que precisava de um lugar para concluir meu trabalho. Que Deus os abençoe, meus amados irmãos em Cristo Jesus! Agradeço aos meus pastores Gláucio e Marili Coraiola pelo incentivo. Agradeço ao meu discípulo e

“irmãozão” em Cristo Jesus, Paes Júnior, que me apoiou, me deu palavras de ânimo, me ajudou e segurou “as pontas” pra mim quando precisei. Deus o abençoe, maninho! Enfim, a todos os membros da Comunidade Batista Koinonia que, de uma maneira ou de outra, contribuíram comigo.

Não posso deixar de agradecer também a minha “amiguinha” Elaine Fabíola, que me incentivou, se dispôs a me ajudar e que, por tantas noites, foi minha companheira de trabalho (viramos noites e noites “on-line” no messenger...). Que Deus possa multiplicar em sua vida aquilo que você semeou na minha!

Agradeço também ao meu Prof. Orientador Fernando Luiz que, apesar da “dor de cabeça” que dei pra ele, não deixou de ser meu orientador nesse trabalho!

Aos meus amigos Letícia, Edeilson, Yzaac e outros tantos que me ajudaram. Vocês são demais!

Agradeço, enfim, a todos aqueles que contribuíram para que eu realizasse esse trabalho.

E é isso. Vou deixar pra fazer outra lista de agradecimentos no meu TCC!

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RESUMO

A eXtensible Business Reporting Language (XBRL) vem se destacando internacionalmente como uma linguagem padrão que facilita a gestão da informação financeira. O objetivo deste trabalho é estudar a estrutura da XBRL para a representação de relatórios financeiros. Neste trabalho são apresentados conceitos usados para proporcionar uma melhor compreensão no que diz respeito à representação de relatórios financeiros, com o intuito de facilitar a gestão da informação financeira.

Palavras-chave: XBRL, Informação Financeira, Relatório Financeiro, Linguagem Extensível.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO... 11

2 REVISÃO DE LITERATURA ... 13

2.1 Informação Financeira... 13

2.1.1 Processo de Intercâmbio de Informações Financeiras... 15

2.2 eXtensible Business Reporting Language (XBRL)... 17

2.2.1 Representação de Relatórios Financeiros em XBRL ... 19

2.2.1.1 Documentos Linkbases ... 20

2.2.1.2 Documento de Taxonomia... 30

2.2.1.3 Documento XBRL ... 33

2.3 eXtensible Stylesheet Language (XSL) e eXtensible Stylesheet Language Transformations (XSLT) ... 35

3 Materiais e Métodos... 38

3.1 Local e Período ... 38

3.2 Materiais... 38

3.2.1 Hardware ... 38

3.2.2 Software... 38

3.2.3 Fontes Bibliográficas ... 39

3.3 Metodologia... 39

4 Resultados e Discussão... 40

4.1 Discoverable Taxonomy Set (DTS) ... 42

4.1.1 Documento Label ... 44

4.1.2 Documento Presentation... 46

4.1.3 Documento Calculation ... 47

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4.1.4 Documento Definition ... 48

4.1.5 Documento Reference ... 49

4.1.6 Documento de Taxonomia... 51

4.1.7 Documento XBRL... 53

4.1.8 Apresentação do Balanço Patrimonial... 54

5 Considerações Finais ... 58

6 Referências Bibliográficas ... 59

7 ANEXOS ... 61

7.1 Discoverable Taxonomy Set (DTS) ... 61

7.1.1 isbs_label.xml (Documento Label) ... 61

7.1.2 isbs_presentation.xml (Documento Presentation) ... 66

7.1.3 isbs_calculation.xml (Documento Calculation) ... 71

7.1.4 isbs_definition.xml (Documento Definiton) ... 76

7.1.5 isbs_reference.xml (Documento Reference) ... 80

7.1.6 isbs_taxonomia.xsd (Documento de Taxonomia) ... 81

7.2 isbs_bp_31_12_2005 (Documento XBRL) ... 83

7.3 apresentacao.xsl (Folha de Estilo em XSLT) ... 84

7.4 Documentos segundo a especificação XBRL... 89

7.4.1 xbrl-instance-2003-12-31.xsd... 89

7.4.2 xbrl-linkbase-2003-12-31.xsd ... 101

7.4.3 xlink-2003-12-31.xsd ... 109

7.4.4 xl-2003-12-31.xsd ... 112

7.4.5 ref-2004-08-10.xsd ... 115

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Exemplo de um balanço patrimonial, retirada de (BCB, 2006) ... 14

Figura 2: Usuários da contabilidade, modificada de (MIRANDA, 2002) ... 15

Figura 3: Fluxo das informações financeiras, retirada de (HOFFMAN, 2001), citado por (SILVA, 2003)... 16

Figura 4: Exemplo de como os documentos se relacionam para a representação de relatórios ... 19

Figura 5: Exemplo da divisão dos documentos Linkbases... 21

Figura 6: Exemplo dos documentos que se relacionam para a criação dos Linkbases ... 22

Figura 7: Exemplo de trecho de código que define o elemento raiz linkbase... 23

Figura 8: Exemplo de trecho de código que define o elemento raiz linkbase do documento Reference ... 24

Figura 9: Exemplo de trecho de código que define um elemento de link estendido... 24

Figura 10: Exemplo de trecho de código que define dois elementos label... 25

Figura 11: Exemplo de trecho de código que define o elemento reference ... 26

Figura 12: Exemplo de trecho de código que define dois elementos loc... 26

Figura 13: Exemplo de trecho de código que define o elemento labelArc... 27

Figura 14: Exemplo de trecho de código que define o elemento presentationArc.. 27

Figura 15: Exemplo de trecho de código que define dois elementos calculationArc ... 28

Figura 16: Exemplo de trecho de código que define dois elementos definitionArc. 28 Figura 17: Exemplo de trecho de código que define um elemento referenceArc... 28

Figura 18: Exemplo do relacionamento dos documentos utilizados na criação da taxonomia e do documento XBRL, modificada de (RICCIO, 2005). ... 30

Figura 19: Exemplo de trecho de código que define dois elementos no documento de Taxonomia, retirada de (SILVA, 2003). ... 32

Figura 20: Trecho de código do documento isbs_bp_31_12_2005.xml... 34

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Figura 21: Trecho de código de um documento XML, retirada de FUNDÃO (2005) ... 36

O documento XML apresentado na Figura 21 relaciona-se a composição de uma lista de endereços de sites, contendo o nome, a URL e uma breve descrição do site... 36

Figura 22: Trecho de código de um documento XSLT, retirada de FUNDÃO (2005) ... 36

Figura 23: Trecho de código de um documento XSLT, retirada de FUNDÃO (2005) ... 37

Figura 24: Balanço Patrimonial do Instituto Social Brasileiro Soares - ISBS ... 40

Figura 25: Esquema representativo do relacionamento entre os documentos que compõe a estrutura XBRL do balanço patrimonial do Instituto Social Brasileiro Soares... 41

Figura 26: Trecho de código do documento isbs_label.xml... 44

Figura 27: Trecho de código do documento isbs_presentation.xml... 46

Figura 28: Trecho de código do documento isbs_calculation.xml... 47

Figura 29: Trecho de código do documento isbs_definition.xml... 48

Figura 30: Trecho de código do documento isbs_reference.xml... 50

Figura 31: Trecho de código do documento isbs_taxonomia.xml... 51

Figura 32: Trecho de código do documento isbs_bp_31_12_2005.xml... 54

Figura 33: Trecho de código do documento apresentação.xsl... 56

Figura 34: Resultado da transformação do documento XBRL isbs_bp_31_12_2005.xml por XSLT ... 57

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LISTA DE ABREVIATURAS

XBRL eXtensible Business Reporting Language

XSLT eXtensible Stylesheet Language Transformations XML eXtensible Markup Language

URI Uniform Resource Identifier W3C World Wide Web Consortium HTML Hyper Text Mark-Up Language DTS Discoverable Taxonomy Set

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1 INTRODUÇÃO

Existem organizações que têm a necessidade de trabalhar com informações financeiras.

Tais organizações realizam processos que envolvem a criação, armazenamento, extração, análise, tratamento e intercâmbio de dados relacionados à área financeira e contábil. Estes dados são armazenados, geralmente, em diferentes formatos, como documentos textos, planilhas eletrônicas, banco de dados, sendo que cada um destes possui seus respectivos tipos de formatação.

As informações financeiras podem transitar internamente em uma organização ou entre elas. Relatórios financeiros são gerados a partir dos dados financeiros com o intuito de disponibilizá-los para outros setores da própria empresa ou para outras. Há ainda a possibilidade desses dados serem disponibilizados na web, aumentando significativamente a quantidade de usuários que passam a ter acesso a esse tipo de informação.

No entanto, para que haja o intercâmbio dessas informações, é necessário realizar um processo de tratamento e transformação, onde os dados são convertidos para um formato que seja adequado aos diversos tipos de aplicações e sistemas computacionais das organizações. Esse processo ocasiona uma série de problemas, tais como perda na consistência dos dados, aumento da probabilidade de ocorrência de erros, pouca flexibilidade, dificuldades de integração entre os diversos tipos de sistemas, esforço gasto na conversão dos dados, entre outros (RICCIO, 2005). Com base nessa problemática e na necessidade de se ter um padrão único para facilitar a gestão das informações financeiras, surgiu a XBRL, que fornece uma estrutura adequada para a representação de dados financeiros.

XBRL (Extensible Business Reporting Language) é uma extensão da XML (Extensible Markup Language) que utiliza padrões de relatórios (reports) financeiros e exporta esses dados através dos demais softwares e tecnologias, incluindo a Internet (KARIYA, 2006). A linguagem XBRL vem sendo indicada internacionalmente como a

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solução para a padronização do intercâmbio de informações financeiras, sendo que ela “foi desenvolvida com o objetivo de criar um modelo para a construção de vocabulários para uso na preparação e intercâmbio de relatórios financeiros, particularmente para a área contábil” (RICCIO, 2005). Segundo GANDÍA (2001) apud RICCIO (2005), a linguagem XBRL é considerada por muitos como uma plataforma que permite o intercâmbio dos dados financeiros com programas computacionais independentes. Desse modo, XBRL deriva do XML e permite emitir e receber de forma digital as demonstrações financeiras e qualquer outro tipo de informação financeira de forma normalizada, o que facilita a sua distribuição e posterior utilização pelos bancos, analistas, investidores e todos os usuários restantes.

Assim, o objetivo principal deste trabalho é mostrar a aplicabilidade de XBRL na representação de relatórios financeiros como forma de facilitar a gestão de informações financeiras. Para tal, será realizada a construção de uma estrutura XBRL para o relatório financeiro do tipo balanço patrimonial, que será apresentado utilizando-se a folha de estilo XSLT no documento XBRL.

Este trabalho está organizado da seguinte forma: a seção 2 apresenta a revisão de literatura onde são abordados os aspectos teóricos relacionados à informação financeira, XBRL e XSLT; a seção 3 apresenta os materiais e métodos utilizados neste trabalho; a seção 4 apresenta os resultados e discussão com relação a aplicabilidade de XBRL em representação de relatórios financeiros do tipo balanço patrimonial; a seção 5 apresenta as considerações finais sobre este trabalho; e, por fim, são apresentados as referências bibliográfica e os anexos.

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2 REVISÃO DE LITERATURA

Para que os objetivos deste trabalho fossem atingidos, foram realizadas pesquisas envolvendo conceitos referentes à informação financeira e seu processo de intercâmbio nas organizações e XBRL. Os estudos aqui apresentados referem-se somente aquilo que foi necessário para atingir os propósitos deste trabalho e eles serão apresentados no decorrer dessa seção.

2.1 Informação Financeira

Em geral, as informações financeiras estão relacionadas aos fatos ou conceitos financeiros apresentados em relatórios financeiros. “Relatórios demonstrativos ou demonstrações financeiras são um conjunto de resumos e obrigações de uma entidade, a intervalos regulares, sendo que, no Brasil, devem ser obrigatoriamente apresentadas o Balanço Patrimonial (BP), a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e a Demonstração das Origens e Aplicação dos Recursos (DOAR), devendo ainda constar as notas explicativas que complementam tais relatórios” (RICCIO, 2005). A Figura 1 mostra o exemplo de uma parte do balanço patrimonial do Banco Central do Brasil contendo informações financeiras.

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Figura 1: Exemplo de um balanço patrimonial, retirada de (BCB, 2006)

As informações financeiras nas organizações são gerenciadas pela área de contabilidade. Segundo FRANCO (1991), a contabilidade “é a ciência que estuda e pratica, controla e interpreta os fatos ocorridos no patrimônio das entidades, mediante o registro, a demonstração expositiva e a revelação desses fatos, com o fim de oferecer informações sobre a composição do patrimônio, nas suas variações e o resultado econômico decorrente da gestão da riqueza patrimonial”. A contabilidade é, portanto, a responsável pela administração da informação financeira nas organizações. Miranda (2002) define que “as principais funções da contabilidade são: registrar, organizar, demonstrar, analisar e acompanhar as modificações do patrimônio em virtude da atividade econômica”.

A contabilidade define como se dá o processamento da informação financeira nas organizações, estabelece métodos para o registro de todos os fatos que ocorrem e que podem ser representados em valor monetário, organiza um sistema de controle adequado à empresa, demonstrando as situações econômica, patrimonial e financeira da empresa com base nos registros realizados e por meio de demonstrativos, além de apurar os resultados obtidos pela empresa através da análise dos demonstrativos e realizar o acompanhamento da execução dos planos econômicos da empresa, prevendo os pagamentos a serem realizados, as quantias a serem recebidas de terceiros e os alertas para eventuais problemas (MIRANDA, 2002). A maneira como é executado todo esse processo influencia

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consideravelmente nos processos que envolvem a criação, armazenamento, extração, análise, tratamento e intercâmbio da informação financeira.

Com base nos conceitos apresentados é possível a análise da questão da informação financeira nas organizações, do processo de intercâmbio e da utilização de uma linguagem padrão para facilitar a sua gestão.

2.1.1 Processo de Intercâmbio de Informações Financeiras

A informação financeira é atualmente utilizada por diversos tipos de usuários, havendo assim a necessidade de adaptação a vários formatos para que seja possível realizar o seu intercâmbio, tornando-a disponível a todos eles. Os usuários da informação financeira, em geral, são conhecidos também como usuários da contabilidade. São as pessoas “que se utilizam da contabilidade, que se interessam pela situação da empresa e buscam nos instrumentos contábeis as suas respostas” (MIRANDA, 2002). A Figura 2 ilustra os diversos tipos de usuários interessados nas informações financeiras de uma organização.

Figura 2: Usuários da contabilidade, modificada de (MIRANDA, 2002)

Os usuários podem ser divididos em internos e externos. Os usuários internos, representados na figura por gerentes, diretoria e funcionários, correspondem a todas as pessoas ou grupo de pessoas relacionadas com a empresa e que têm facilidade de acesso às informações contábeis. Já os usuários externos, representados na figura por bancos, fornecedores, governo, clientes e concorrentes, são aqueles que não possuem a mesma facilidade dos usuários internos de acesso direto às informações, recebendo-as através das publicações dos demonstrativos pela empresa (MIRANDA, 2002).

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No atual sistema, cada usuário possui um interesse específico na informação financeira, o que leva ao processo de intercâmbio de informações. Tal processo pode ocorrer de forma interna ou externa. Um exemplo, modificado de SILVA (2003), é este:

em uma empresa existem vários setores ou departamentos. Um desses gera um relatório financeiro impresso a partir de dados contidos em uma planilha. Esse relatório é enviado para um outro setor da empresa que realiza a análise dos dados e extrai as informações necessárias para serem lançadas em um sistema de contabilidade. Esse processo ocorre de forma interna, sendo assim considerado um intercâmbio interno de informações financeiras. No entanto, pode ser necessário gerar, a partir do relatório recebido, um outro relatório que será enviado para um órgão fiscalizador ou ainda o setor pode utilizar a informação recebida e extrair parte dela para ser publicada na web. Existe também a possibilidade de uma outra organização ter interesse nas informações da empresa. Para que essa organização obtenha a informação, poderá extraí-la a partir daquilo que foi publicado na Internet ou requisitar da empresa que contém as informações o envio dos dados necessários. Esses últimos processos são considerados como intercâmbio externo de informações financeiras (SILVA, 2003). A Figura 3, retirada de HOFFMAN (2001) apud SILVA (2003), mostra como ocorre atualmente o fluxo da informação financeira.

Figura 3: Fluxo das informações financeiras, retirada de (HOFFMAN, 2001 apud SILVA, 2003)

Observa-se na Figura 3 que a informação financeira pode ser proveniente de diferentes formatos, tais como sistemas contábeis, planilhas, documentos textos, entre

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outros. Nota-se, nesse caso, a necessidade de sucessivas transformações dos dados, adaptando-os para um outro formato, o que ocasiona desperdício de tempo e um elevado custo. O sistema de contabilidade, por exemplo, precisa transformar os dados, adaptando- os ao formato de relatório impresso em documento texto que, por sua vez, pode ser traduzido para o formato de relatório para algum órgão fiscalizador. Caso seja necessário realizar uma publicação na web a partir do relatório impresso, provavelmente será realizada uma extração não automatizada dos dados relevantes para, em seguida, realizar a publicação. Todo esse processo de sucessivas transformações ocasiona uma série de problemas, tais como perda na consistência dos dados, aumento da probabilidade de ocorrência de erros, pouca flexibilidade, dificuldades de integração entre os diversos tipos de sistemas, esforço gasto na conversão dos dados, entre outros (RICCIO, 2005).

A partir dessa problemática, surgiu a necessidade de se utilizar uma linguagem padrão que pudesse facilitar a gestão da informação financeira. XBRL, que será apresentada na próxima seção, é o resultado dessa necessidade.

2.2 eXtensible Business Reporting Language (XBRL)

Antes de se iniciar a explicação, é necessário esclarecer que, com relação à XBRL, serão dadas somente as informações necessárias que auxiliem na compreensão do propósito deste trabalho. Não serão explicados aqui todos os elementos e atributos que esta linguagem utiliza, mas somente aqueles que foram usados no desenvolvimento do relatório financeiro citado nos resultados e discussão.

XBRL é uma linguagem para a comunicação eletrônica de dados financeiros que está revolucionando os relatórios financeiros ao redor do mundo. Provê maiores benefícios na criação, preparação e comunicação de informações financeiras. Oferece custos econômicos, grande eficiência e aprimora a exatidão e segurança para todos aqueles envolvidos no fornecimento ou uso de dados financeiros, e está sendo desenvolvida por um consórcio sem fins lucrativos de aproximadamente 450 das maiores companhias, organizações e agências governamentais (XBRL, 2006).

Diversas implementações baseadas em XBRL estão sendo feitas em vários países.

Por isto, ela é indicada como a solução para a padronização do intercâmbio de informações financeiras (RICCIO, 2005). Por ser uma linguagem derivada de XML, oferece recursos que proporcionam o compartilhamento de informações.

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Para contextualizar, XML é uma linguagem utilizada na construção de outras linguagens. Isso a define como sendo uma metalinguagem, em que as informações são representadas por meios de marcações ou tags, oferecendo, como uma espécie de etiqueta, um significado dos dados nelas contidas. É uma linguagem extensível, pois permite a definição de novos elementos e atributos em documentos criados com padrões, agregando

“informações adicionais que podem ser separadas quando não são necessárias”

(FERREIRA, 2005), sendo útil também no intercâmbio de dados devido a sua interoperabilidade. Por tais motivos, a aplicação de XML na área financeira auxilia em vários aspectos. Existem boas razões que levam à utilização de XML nessa área, algumas citadas a seguir, segundo SILVA (2003):

É uma linguagem de marcação que codifica a informação e torna a mesma acessível por qualquer programa e plataforma;

Fornece ao dado um significado, como, por exemplo, o valor do Ativo Circulante em um balanço patrimonial, bem como uma maneira de como esse valor deve ser calculado e também representado;

Ela pode proporcionar uma maior automatização do trabalho dos auditores, que manipulam quantias vastas de dados, permitindo que sistemas diferentes se comuniquem mais facilmente uns com os outros, dando ao auditor mais tempo para o trabalho analítico;

Padroniza o processo de representação da informação, fato esse necessário para que todo relatório de informações financeiras possa ser facilmente processado, independente do programa ou plataforma utilizado;

XML pode facilitar a distribuição de cópias da mesma informação em múltiplos formatos. Normalmente, o processo de transformação de um relatório impresso para um formato utilizável em um meio digital, como a web ou um sistema proprietário, requer um esforço manual demorado. Com o uso de XML, as instruções poderiam ser automaticamente codificadas para cada formato, economizando tempo e reduzindo o fator de erro humano.

Sendo assim, XBRL, por ser baseada em XML, oferece todas as vantagens presentes nessa linguagem, orientando, no entanto, o vocabulário para o campo semântico dos conceitos relacionados com informação financeira (RICCIO, 2005). As informações financeiras de relatórios podem, então, ser representadas por essa linguagem padrão, tema abordado nas seções seguintes.

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2.2.1 Representação de Relatórios Financeiros em XBRL

Primeiramente, para a criação de uma estrutura em XBRL, é necessário haver uma concordância entre os diversos usuários da informação financeira, tanto os que fornecem a informação como os que a utilizam, para que sejam definidos os elementos e atributos XBRL que descreverão os conceitos financeiros que se ajustem às necessidades da maioria ou de todos os usuários, bem como o nível de detalhe exigido (SILVA, 2003). A partir disso, pode-se definir a estrutura em XBRL que irá representar os relatórios.

Basicamente, a estrutura XBRL é composta por três tipos de documentos: o documento de taxonomia, o documento XBRL, propriamente dito, e os documentos linkbases. A Figura 4 mostra como esses documentos se relacionam para a representação de relatórios em XBRL.

Figura 4: Exemplo de como os documentos se relacionam para a representação de relatórios

A Figura 4 demonstra que os documentos trabalham em conjunto para a representação de relatórios. O documento de taxonomia, na definição de elementos, utiliza os relacionamentos e níveis de hierarquia definidos nos documentos Linkbases para que um documento XBRL possa ser instanciado. Uma taxonomia XBRL é um esquema categorizado que definem tags específicas. Em outras palavras, é uma espécie de biblioteca dos termos financeiros utilizados na preparação dos relatórios. A função da taxonomia é

“definir o conjunto de elementos, com seus atributos e os relacionamentos que ocorrem entre si” (RICCIO, 2005). Uma coleção ou um conjunto de Taxonomias e Linkbases que

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são utilizados para se criar instâncias ou documentos XBRL é denominado Discoverable Taxonomy Set (DTS).

Existem ainda outros documentos que se relacionam com estes para a criação de toda a estrutura que representará relatórios financeiros. São documentos pertencentes à especificação XBRL, que servem como documentos bases para a construção da taxonomia e documentos de instância. As seções seguintes descreverão cada um dos três tipos de documentos citados anteriormente, bem como os demais que se relacionam a eles para a criação de toda a estrutura XBRL.

2.2.1.1 Documentos Linkbases

Em XBRL, os documentos Linkbases são utilizados para definir os elementos que realizam a “ligação” dos elementos XBRL e qual o tipo de ligação é efetuada. Eles, juntamente com a taxonomia, compõem os DTS. Esses documentos expressam os relacionamentos entre os elementos definidos na taxonomia, sendo estruturados conforme a recomendação XML Link do W3C (W3C, 2006). Os conceitos de XML Link são aplicados nesse contexto para expressar as relações hierárquicas presentes nos documentos XBRL.

Com o intuito de estruturar de forma mais precisa os relacionamentos e facilitar a manutenção e a inserção de novos elementos que se relacionam, os documentos Linkbases dividem-se em cinco. A Figura 5 representa essa divisão.

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Figura 5: Exemplo da divisão dos documentos Linkbases

Os documentos apresentados na Figura 5 são explicados a seguir:

Label: define-se nesse documento os labels ou “rótulos” que se relacionam com os fatos financeiros presentes na taxonomia, nomeando-os. É possível, ainda, fazer uma indicação especificando o idioma utilizado na definição do label do fato financeiro, o que pode facilitar a internacionalização da XBRL, já que o conjunto de fatos poderia ser apresentado ao usuário em qualquer idioma (SILVA, 2003). O documento Label utiliza o elemento de link estendido labellink em sua definição.

Presentation: define-se nesse documento a ordem de apresentação dos elementos definidos na taxonomia (RICCIO, 2005). Pode-se definir, por exemplo, que em um Balanço Patrimonial, a ordem de apresentação das “Disponibilidades” e das “Contas a Receber”, ambas presentes no “Ativo Circulante”, será, respectivamente, primeiro e segundo lugar. Esta definição é feita pelo atributo order, cuja explicação será feita posteriormente. O documento Presentation utiliza o elemento de link estendido

presentationlink em sua definição.

Calculation: define-se nesse documento as relações de cálculos para os valores dos elementos definidos na taxonomia (RICCIO, 2005). É expresso aqui se o valor contido em um determinado elemento filho será adicionado aos elementos irmãos ou subtraído deles para se formar o valor do elemento pai. O documento Calculation utiliza o elemento de link estendido calculationlink em sua definição.

Definition: define-se nesse documento as relações de hierarquia pai-filho entre os elementos da taxonomia XBRL. Por exemplo, é expresso que, em um Balanço Patrimonial, os conceitos financeiros “Ativo” e “Passivo” são filhos de Balanço Patrimonial, ou ainda que “Ativo Circulante” e “Ativo Realizável a Longo Prazo” são filhos de “Ativo”. O documento Definition utiliza o elemento de link estendido

definitionlink em sua definição.

Reference: define-se nesse documento referências que contenham definições de conceitos utilizados na literatura financeira e contábil, podendo estar divididas em partes como capítulo, parágrafo, artigo (SILVA, 2003). Pode-se incluir nesse documento, por exemplo, o conteúdo de uma lei que obriga a publicação de um

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Balanço Patrimonial. O documento Reference utiliza o elemento de link estendido

referencelink em sua definição.

Os elementos de link estendidos labellink, presentationlink, calculationlink,

definitionlink e referencelink serão explicados posteriormente.

Os documentos Linkbases, para serem validados, necessitam se relacionar com outros documentos nos quais são definidos os elementos e atributos que irão compor os Linkbases, segundo a especificação Xlink. A Figura 6 demonstra como esses documentos se relacionam.

Figura 6: Exemplo dos documentos que se relacionam para a criação dos Linkbases

Os documentos apresentados na Figura 6 são usados para que se criem os documentos Linkbases. No documento xlink.xsd define-se os atributos Xlink que serão utilizados pelo documento xl.xsd. Este, por sua vez, define os elementos Xlink utilizados no documento XBRL Linkbase Schema, o qual definirá os elementos necessários para a construção de cada documento Linkbase. Estes documentos pertencem à especificação XBRL e servem como base para a construção dos documentos Linkbases. Neles são encontrados, por exemplo, as especificações necessárias de elementos e atributos usados na definição dos elementos de link estendidos.

Apesar de possuir trechos de códigos semelhantes, cada documento Linkbase possui particularidades que o diferencia dos demais. A partir do conhecimento do que deve

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ser definido basicamente em cada documento, é possível compreender com mais facilidade os elementos e atributos utilizados na construção de cada um deles. A Figura 7 mostra um trecho de código comum utilizado nos documentos Linkbases.

01 02 03 04 05 06 07 08

<linkbase

xmlns="http://www.xbrl.org/2003/linkbase"

xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"

xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance"

xsi:schemaLocation="http://www.xbrl.org/2003/linkbase http://www.xbrl.org/2003/xbrl-linkbase-2003-12-31.xsd">

...

</linkbase>

Figura 7: Exemplo de trecho de código que define o elemento raiz linkbase

A Figura 7 apresenta um trecho de código utilizado nas estruturas dos cinco documentos Linkbases. Trata-se da definição do elemento raiz linkbase, juntamente com os namespaces utilizados no documento. Um namespace evita o conflito entre nomes quando documentos são representados por mais de uma estrutura de forma simultânea (SANTOS, 2003). O valor http://www.xbrl.org/2003/linkbase do atributo xmlns, denominado também como URI (Uniform Resource Identifier), definido na linha 02, é, de acordo com a especificação XBRL, do tipo padrão, informando que caso apareça no documento um elemento sem prefixo, será associado a este namespace. As URI´s

http://www.w3.org/1999/xlink e http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance

definidas nas linhas 03 e 04, informam que elementos e atributos com os prefixos xlink e xsi estarão de acordo com a estrutura indicada em suas respectivas namespaces. Na linha 05, o atributo xsi:schemaLocation, definido na especificação XML Schema, fornece a localização dos elementos utilizados na construção do linkbase. O valor

http://www.xbrl.org/2003/linkbase indica a URI onde o documento XML Schema está localizado e o valor http://www.xbrl.org/2003/xbrl-linkbase-2003-12-31.xsd

indica o documento que contém a especificação dos elementos pertencentes a este namespace.

No caso do documento Reference, são realizadas algumas modificações nos namespaces do elemento linkbase. A Figura 8 apresenta um trecho de código relacionado a esse acréscimo.

01 02 03

<linkbase xmlns="http://www.xbrl.org/2003/linkbase"

xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance"

xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"

(24)

04 05 06 07 08 09 10

xmlns:ref="http://www.xbrl.org/2004/ref"

xsi:schemaLocation="http://www.xbrl.org/2003/linkbase http://www.xbrl.org/2003/xbrl-linkbase-2003-12-31.xsd

http://www.xbrl.org/2004/ref http://www.xbrl.org/2004/ref-2004-08- 10.xsd">

...

</linkbase>

Figura 8: Exemplo de trecho de código que define o elemento raiz linkbase do documento Reference

Na linha 04 é acrescentado um namespace representado por

xmlns:ref="http://www.xbrl.org/2004/ref" informando que os elementos e atributos com esse prefixo serão associados ao namespace em questão que possui especificações para uma determinada referência. Ao atributo xsi:schemaLocation

acrescenta-se a URI e o esquema que possui as especificações relacionadas às referências.

Como filho do elemento pai linkbase, tem-se a definição de um elemento de link estendido. A Figura 9 exemplifica essa definição.

01 02 03 04

<labelLink xlink:type="extended"

xlink:role="http://www.xbrl.org/2003/role/link">

...

</labelLink>

Figura 9: Exemplo de trecho de código que define um elemento de link estendido

Como exemplo de elemento de link estendido, é apresentado na Figura 9 o elemento labellink, utilizado na estrutura de um documento Label. O atributo xlink:type, na linha 01, informa o tipo de dado do elemento. No caso, o valor extended informa que o elemento é um link estendido na taxonomia XBRL. O atributo xlink:role, na linha 02, informa que a função do elemento em questão é ser um “link”.

Cada documento Linkbase possui um elemento de link estendido específico para ser usado na definição de sua estrutura, sendo que cada um destes elementos possuem elementos filhos, especificados a seguir, segundo SILVA (2003):

labellink: contém os elementos filhos label, loc e labelArc;

presentatiolink: contém os elementos filhos loc e presentationArc;

calculationlink: contém os elementos filhos loc e calculationArc;

definitionlink: contém os elementos filhos loc e definitionArc;

referencelink: contém os elementos filhos reference, loc e referenceArc.

(25)

A Figura 10 apresenta um exemplo da definição de dois elementos label, filhos do elemento labellink, usado na definição da estrutura do documento Label.

01 02 03 04 05 06 07 08 09

...

<label xlink:type="resource" xml:lang="br" xlink:label="isbs_bp_br"

xlink:role="http://www.xbrl.org/2003/role/totalLabel">

BALANÇO PATRIMONIAL</label>

<label xlink:type="resource" xml:lang="br"

xlink:label="isbs_ativo_br"

xlink:role="http://www.xbrl.org/2003/role/totalLabel">TOTAL DO ATIVO

</label>

...

Figura 10: Exemplo de trecho de código que define dois elementos label

Na Figura 10, têm-se as definições de dois labels: balanço patrimonial e total do ativo, expressos nas linhas 04 e 07, respectivamente. O atributo xlink:type da linha 02 indica que o dado definido é do tipo resource, informando que o elemento label definirá um texto que servirá como um “rótulo” para nomear um fato financeiro. No atributo

xlink:label, ainda na linha 02, define-se um valor que serve como uma espécie de

“identificador” do label, o qual será utilizado posteriormente para se fazer a associação ou ligação do label com o elemento que representa um fato financeiro da taxonomia.

Usualmente, acrescenta-se a esse valor algum termo que defina o idioma do label. No exemplo citado, o valor isbs_bp_br do atributo xlink:label indica que o texto contido entre a tag de abertura e sua correspondente de fechamento refere-se a “BALANÇO PATRIMONIAL” (BP) e está no idioma português do Brasil (br). Para fins de esclarecimento, isbs significa “Instituto Social Brasileiro Soares” e é um termo adicionado apenas para indicar que a estrutura XBRL pertence a esse domínio. O idioma é definido no atributo xml:lang, definido na linha 02 e 05. O atributo xlink:role é, nesse elemento, opcional. Ele pode assumir dois valores:

http://www.xbrl.org/2003/role/totalLabel: usado para identificar elementos que são resultado da soma de outros elementos.

http://www.xbrl.org/2003/role/label: usado para identificar elementos que não são necessariamente resultado da soma de outros elementos.

A definição do elemento reference é, em alguns pontos, semelhante à definição do elemento label. A Figura 11 mostra um exemplo de definição de um elemento

reference, filho de referencelink.

(26)

01 02 03 04 05 06 07 08

...

<reference

xlink:type="resource" xlink:label="isbs_bp_ref"

xlink:role="http://www.xbrl.org/2003/role/definitionRef">

<ref:Paragraph>As demonstrações contábeis são elaboradas de acordo com a legislação aplicável ao Instituto Social Brasileiro Soares - ISBS, com destaque para a Lei 3.430/63 ...</ref:Paragraph>

</reference>

Figura 11: Exemplo de trecho de código que define o elemento reference

O elemento reference, apresentado na Figura 11, pode conter subelementos definidos no esquema que possui as especificações relacionadas às referências. No exemplo em questão, foi acrescentado o elemento ref:Paragraph cujo conteúdo indica as leis que obrigam a publicação do balanço patrimonial. Os demais atributos apresentados no exemplo seguem as mesmas especificações já definidas no elemento label, ressaltando-se que na definição do valor do atributo xlink:label, ao invés de se usar um termo para especificar o idioma, usa-se um outro, como por exemplo ref, para indicar que o elemento trata-se de uma referência.

A Figura 12 apresenta um exemplo da definição de dois elementos loc.

01 02 03 04 05 06

...

<loc xlink:type="locator" xlink:href="isbs_taxonomia.xsd#bp"

xlink:label="isbs_bp"/>

<loc xlink:type="locator" xlink:href="isbs_taxonomia.xsd#ativo"

xlink:label="isbs_ativo"/>

...

Figura 12: Exemplo de trecho de código que define dois elementos loc

Na Figura 12, têm-se as definições das localizações dos elementos, realizadas pelo elemento loc. Este elemento, filho de um elemento de link estendido, está presente na definição da estrutura de todos os cinco documentos Linkbases. O atributo xlink:type da linha 02 possui o valor fixo locator, para indicar que trata-se de um elemento do tipo

“localizador”, informando que há um recurso remoto endereçado pelo atributo xlink:href

(SILVA, 2003). O valor do atributo xlink:href segue o seguinte padrão:

nome_arquivo_taxonomia.xsd#id_elemento. Esse atributo fornece a URI que representa em qual taxonomia um elemento que se refere a um determinado fato financeiro está localizado. Esse elemento é identificado pelo seu id. O valor do atributo xlink:label

é também uma espécie de “identificador”, tal como o definido no elemento label, só que, nesse caso, ele é associado ao elemento localizado na taxonomia especificado pelo atributo

xlink:href, ao passo que o outro é associado ao label.

(27)

Um outro elemento que está presente em todas as estruturas dos documentos Linkbases é o do tipo “arco de ligação”. No entanto, cada documento possui a sua forma de defini-lo. As Figuras 13, 14, 15, 16 e 17 mostram, respectivamente, as definições dos elementos labelArc, presentationArc, calculationArc, definitionArc e

referenceArc, os quais são tipos de arco de ligação.

01 02 03 04 05 06 07

...

<labelArc xlink:type="arc" xlink:from="isbs_bp" xlink:to="isbs_bp_br"

xlink:arcrole="http://www.xbrl.org/2003/arcrole/concept-label"/>

<labelArc xlink:type="arc" xlink:from="isbs_ativo"

xlink:to="isbs_ativo_br"

xlink:arcrole="http://www.xbrl.org/2003/arcrole/concept-label"/>

...

Figura 13: Exemplo de trecho de código que define o elemento labelArc

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10

...

<presentationArc xlink:type="arc" xlink:from="isbs_atv_circulante"

xlink:to="isbs_ativo"

xlink:arcrole="http://www.xbrl.org/2003/arcrole/parent-child"

order="1"/>

<presentationArc xlink:type="arc" xlink:from="isbs_atv_realizLPrazo"

xlink:to="isbs_ativo"

xlink:arcrole="http://www.xbrl.org/2003/arcrole/parent-child"

order="2"/>

...

Figura 14: Exemplo de trecho de código que define o elemento presentationArc

Nas linhas 05 e 09 da Figura 14, tem-se o atributo order, definido em documentos Presentation, assumindo os valores 1 e 2. Na definição do elemento presentationArc do documento Presentation, tais valores indicam a ordem de apresentação dos elementos da taxonomia XBRL. No exemplo da Figura 14, o elemento que possui o arco partindo de

isbs_atv_circulante sendo direcionado para isbs_ativo será apresentado em primeiro lugar, pois o valor do atributo order é igual a 1. Já o elemento que possui o arco partindo de isbs_atv_realizLPrazo está sendo direcionado para isbs_ativo será apresentado em segundo lugar, pois o valor do atributo order é igual a 2.

01 02 03 04 05 06 07 08

...

<calculationArc xlink:type="arc" xlink:from="isbs_atv_circulante"

xlink:to="isbs_ativo"

xlink:arcrole="http://www.xbrl.org/2003/arcrole/summation-item"

weight="1"/>

<calculationArc xlink:type="arc" xlink:from="isbs_atv_realizLPrazo"

xlink:to="isbs_ativo"

xlink:arcrole="http://www.xbrl.org/2003/arcrole/summation-item"

(28)

09 10

weight="1"/>

...

Figura 15: Exemplo de trecho de código que define dois elementos calculationArc

Na Figura 15, tem-se o atributo weight, definido nos documentos Calculation, cujo valor pode ser 1 ou -1. Estes valores expressam a relação de cálculo entre os elementos.

No exemplo da figura, como os valores dos dois elementos serão somados para formar o valor do pai, utiliza-se o valor 1. Caso fosse uma subtração, seria utilizado o valor -1.

01 02 03 04 05 06 07 08

...

<definitionArc xlink:type="arc" xlink:from="isbs_ativo"

xlink:to="isbs_bp"

xlink:arcrole="http://www.xbrl.org/2003/arcrole/general-special"/>

<definitionArc xlink:type="arc" xlink:from="isbs_atv_circulante"

xlink:to="isbs_ativo"

xlink:arcrole="http://www.xbrl.org/2003/arcrole/general-special"/>

...

Figura 16: Exemplo de trecho de código que define dois elementos definitionArc

Na Figura 16 é estabelecida a relação hierárquica pai-filho entre os elementos. Nas linhas 02 e 03, por exemplo, em que o arco é originado em isbs_ativo, sendo direcionado para isbs_bp, é estabelecido que o elemento associado a isbs_ativo é filho de isbs_bp.

01 02 03 04 05

...

<referenceArc xlink:type="arc" xlink:from="isbs_bp"

xlink:to="isbs_bp_ref"

xlink:arcrole="http://www.xbrl.org/2003/arcrole/concept-reference"/>

...

Figura 17: Exemplo de trecho de código que define um elemento referenceArc

Na Figura 17 é apresentado o elemento referenceArc. Nas linhas 02 e 03 tem-se um arco sendo originado em isbs_bp sendo direcionado para isbs_bp_ref, dando a informação de que o elemento isbs_bp tem um link para a referência especificada pelo label isbs_bp_ref.

Em todos os casos apresentados nas Figuras 13, 14, 15, 16 e 17, o atributo

xlink:type possui o valor fixo arc para indicar que trata-se de um elemento do tipo “arco de ligação”. O valor do atributo xlink:from indica o elemento onde o arco de ligação está sendo originado e o valor do atributo xlink:to indica para qual elemento o arco está sendo direcionado. Tanto o atributo xlink:from quanto o xlink:to devem possuir, em

(29)

seu conteúdo, os mesmos valores expressos no atributo xlink:label de um elemento do tipo locator ou resource presente no mesmo documento. Como exemplo, têm-se, na linha 02 da Figura 13, os valores isbs_bp e isbs_bp_br para os atributos xlink:from e

xlink:to respectivamente. Isto significa que o arco de ligação é originado em isbs_bp, sendo direcionado para isbs_bp_br, fazendo assim a associação do elemento bp, cuja localização é dada por uma URI do tipo isbs_taxonomia.xsd#bp, expressa no atributo

xlink:href do elemento loc, filho do elemento de link estendido labellink, com o label

“BALANÇO PATRIMONIAL” definido no elemento label, filho do labellink.

O atributo xlink:arcrole, presentes nas Figuras 13, 14, 15, 16 e 17, tem como função informar a direção do arco. Na definição dos arcos de ligação dos documentos Linkbase. Este atributo pode assumir os seguintes valores, segundo XBRL (2006):

http://www.xbrl.org/2003/arcrole/concept-label, quando o arco expressa uma relação conceito ou fato financeiro para o label. É usado na definição do elemento

labelLink.

http://www.xbrl.org/2003/arcrole/parent-child, quando o arco expressa uma relação pai-filho. É usado na definição do elemento presentationLink;

http://www.xbrl.org/2003/arcrole/summation-item, quando o arco expressa uma relação de cálculo, podendo ser soma ou subtração. É usado na definição do elemento calculationLink;

http://www.xbrl.org/2003/arcrole/general-special, quando o arco expressa uma relação entre um conceito generalizado e um conceito especializado. É usado na definição do elemento definitionLink;

http://www.xbrl.org/2003/arcrole/concept-reference, quando o arco expressa uma relação entre um conceito ou fato financeiro e uma referência. É usado na definição do elemento referenceLink;

Existem outros valores para o atributo xlink:arcrole., que são utilizados dependendo do tipo de relação que se queira representar em determinados relatórios. No entanto, para este trabalho, foram utilizados esses cinco principais.

Na seção seguinte será apresentada a estrutura de um documento de Taxonomia.

(30)

2.2.1.2 Documento de Taxonomia

O documento de taxonomia, que é baseado em elementos e atributos XML Schema, define a estrutura dos elementos XBRL. A taxonomia é a biblioteca dos termos financeiros usados na preparação dos relatórios. Ela descreve e restringe o conteúdo dos documentos XBRL (SILVA, 2003). O conjunto da taxonomia e os Linkbases formam a Discoverable

Taxonomy Set (DTS).

Para a criação de uma taxonomia XBRL é preciso determinar quais fatos financeiros serão expressos, bem como o relacionamento entre eles. Primeiramente, como já mencionado, é necessário haver uma concordância entre os diversos usuários que utilizam a informação financeira sobre quais fatos financeiros deverão ser representados na taxonomia para que ela se torne útil à maioria deles. Ao se saber quais fatos ou conceitos financeiros deverão ser representados, pode-se ou escolher uma taxonomia já existente, ou criar uma nova taxonomia ou utilizar uma ou mais taxonomias em conjunto para a criação de um documento XBRL. Há ainda a possibilidade de se estender uma taxonomia já existente para que os requisitos específicos sejam atendidos (SILVA, 2003).

No processo de criação da taxonomia e representação de relatórios financeiros em documentos XBRL, há o envolvimento de vários documentos. A Figura 18 mostra os documentos que se relacionam para a criação da taxonomia e do documento XBRL.

Figura 18: Exemplo do relacionamento dos documentos utilizados na criação da

Imagem

Referências

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