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CÂMARA MUNICIPAL DE IGREJINHA

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Academic year: 2021

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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

CÂMARA MUNICIPAL DE IGREJINHA

Rua Tiradentes, 115, Centro – CEP 95650-000 – Igrejinha RS

Fone: (51) 3545-1644 – www.igrejinha.rs.leg.br

“Doe vida: doe sangue, doe órgãos”. Exceletísssimo Senhor

Vereador João Batista Lopes dos Santos MD Presidente

Câmara de Vereadores de Igrejinha

Na oportunidade em que cumprimentamos Vossa Senhora, venho encaminhar à apreciação plenária o Substitutivo ao Projeto do Legislativo Nº 03/2019.

Justificativa:

O Substitutivo que ora apresentamos dá-se em face aos apontamentos materializados na Orientação Técnica do IGAM nº 10.2019/2019 que convergem no sentido de que a presente iniciativa seria exclusiva do Poder Executivo.

Um Projeto de Lei com finalidade análoga (Lei Municipal 5.056/11.09.2015/Taubaté-SP) fora submetido a análise de constitucionalidade através de Ação Direta de Constitucionalidade transitada no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Então, alteramos a redação inicialmente proposta, tornando-a simultaneamente consoante àquela lei e às necessidades a serem atendidas no âmbito local.

Segue em anexo o Acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, emitido pelo Eminente Relator Moacir Peres, no VOTO Nº 31.485 da Ação Direta de Inconstitucionalidade Nº 2023869-31.2018.8.26.0000, de autoria do Prefeito Municipal de Taubaté, tendo por réu o Presidente da Câmara Municipal daquela cidade.

O Acórdão aponta e fundamenta decisão de que o projeto não dispõe sobre estrutura ou atribuição de órgãos públicos nem sobre regime jurídico de servidores públicos, matérias efetivamente de competência privativa do Chefe do Poder Executivo, concluindo:

“Portanto, não se trata, no caso em análise, de imposição pela Câmara de Vereadores de política pública a ser implementada pelo Chefe do Poder Executivo, mas de questão de polícia administrativa estabelecida no interesse de todos.

Assim, não há previsão constitucional de iniciativa privativa do Chefe do Executivo para a hipótese em apreço.” (PERES, 2018)

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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

CÂMARA MUNICIPAL DE IGREJINHA

Rua Tiradentes, 115, Centro – CEP 95650-000 – Igrejinha RS

Fone: (51) 3545-1644 – www.igrejinha.rs.leg.br

“Doe vida: doe sangue, doe órgãos”.

Concluso o encaminhamento, solicito, desde já, o apoio dos colegas legisladores para a aprovação da proposta ora apresentada.

Câmara Municipal de Igrejinha, 16 de abril de 2019.

Juliano Müller de Oliveira Vereador Bancada do PSB

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Substitutivo ao Projeto de Lei do Legislativo Nº 003/2019

Dispõe sobre tornar obrigatório o planejamento prévio e efetivo treinamento para evacuações emergenciais na rede de ensino público e particular do município de Igrejinha.

Art. 1º Todas as escolas de nível médio e fundamental da rede de ensino pública e

privada, em atuação no Município de Igrejinha, ficam obrigadas a elaborarem um Plano de Evacuação apropriado às suas instalações, de forma a estabelecer procedimentos e critérios para uma evacuação rápida e segura de seus alunos, professores e funcionários, em caso de alguma situação emergencial ou de iminente perigo.

§ 1º O Plano de Evacuação deverá ser elaborado especificadamente para cada

instituição de ensino levando em conta as peculiaridades de suas instalações, apontando de forma clara as vias de saída e eventuais vias de emergência e predeterminando quais grupos utilizarão cada uma dessas vias de evacuação, bem como as prioridades que possam ser estabelecidas para se evitar o tumulto na execução do Plano de Emergência.

§ 2º Deverá ser especificado no Plano de Evacuação o tipo de alarme que será dado para se deflagrar os procedimentos preestabelecidos, podendo ser utilizada a própria campainha ou sinal da instituição de forma intermitente e constante, desde que seja percebida por todos no prédio, cabendo a cada professor conferir a evacuação de todos em sua sala antes de fechá-la.

§ 3º O Plano de Evacuação deverá ainda especificar os pontos de encontro da população

escolar em local seguro fora da área edificada, determinando a responsabilidade de cada integrante do corpo docente para se evitar a dispersão descontrolada de seus alunos, momento em que deverá ser procedida a contagem de cada grupo para atestar a eficácia da evacuação.

§ 4º O Plano de Evacuação deverá conter todos os procedimentos e medidas a serem

adotados nas mais diversas situações de emergência, inclusive em relação a incêndios, vazamento de gás, tremores, panes, invasão por terceiros não identificados e outras situações de perigo ou risco iminente.

Art. 2º O Plano de Evacuação de cada Instituição de Ensino deverá ser submetido à

análise e aprovação do Corpo de Bombeiros local, ficando o funcionamento da Instituição condicionado à aprovação do mesmo por meio de Parecer Técnico emitido pelo órgão responsável.

Art. 3º Cada Instituição de ensino deverá ter ao menos duas saídas disponibilizadas,

salvo se o parecer do Corpo de Bombeiros assim o dispensar, devendo ser recomendada a utilização de uma escada de emergência externa para edificações de gabarito superior a três andares.

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Art. 4º O Plano de Evacuação deverá ser do conhecimento de todos que frequentam a

Instituição de Ensino por meio de divulgação em aulas e palestras, bem como pela exposição de uma cópia em local visível e de fácil acesso, devendo ser executado em treinamento simulado para exercitar a prática sistemática das técnicas e procedimentos adotados, ao menos, uma vez a cada semestre.

Art. 5º O não cumprimento do disposto nesta Lei implicará na imediata interdição do

funcionamento da Instituição educacional até serem sanadas as falhas existentes e apontadas em parecer do Corpo de Bombeiros.

Parágrafo único. As Instituições Educacionais terão um prazo de 2 (dois) anos a contar da vigência desta Lei para se ajustarem às disposições legais nela determinadas.

Art. 6º O Poder Executivo baixará os atos que se fizerem necessários à regulamentação

da presente Lei, determinando as formas de fiscalização do seu cumprimento.

Art. 7º Eventuais despesas decorrentes da atuação do Corpo de Bombeiros em função

desta Lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, suplementadas, se necessário.

Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Câmara Municipal de Igrejinha, 16 de abril de 2019.

Juliano Müller de Oliveira Vereador Bancada do PSB

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Registro: 2018.0000669933

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Direta de Inconstitucionalidade nº 2023869-31.2018.8.26.0000, da Comarca de São Paulo, em que é autor PREFEITO DO MUNICÍPIO DE TAUBATÉ, é réu PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE TAUBATÉ.

ACORDAM, em Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "JULGARAM A AÇÃO PROCEDENTE EM PARTE. V.U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores ARTUR MARQUES (Presidente), FERREIRA RODRIGUES, PÉRICLES PIZA, EVARISTO DOS SANTOS, MÁRCIO BARTOLI, JOÃO CARLOS SALETTI, FRANCISCO CASCONI, RENATO SARTORELLI, CARLOS BUENO, FERRAZ DE ARRUDA, SÉRGIO RUI, SALLES ROSSI, RICARDO ANAFE, ALVARO PASSOS, BERETTA DA SILVEIRA, ANTONIO CELSO AGUILAR CORTEZ, ALEX ZILENOVSKI, GERALDO WOHLERS, ELCIO TRUJILLO, CRISTINA ZUCCHI, DAMIÃO COGAN, EUVALDO CHAIB E PINHEIRO FRANCO.

São Paulo, 29 de agosto de 2018.

Moacir Peres RELATOR Assinatura Eletrônica

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

VOTO Nº 31.485 (PROCESSO DIGITAL)

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE

2023869-31.2018.8.26.0000

AUTOR: PREFEITO MUNICIPAL DE TAUBATÉ

RÉU: PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE TAUBATÉ

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Lei n. 5.056, de 11 de setembro de 2015, do Município de Taubaté, que dispõe sobre a obrigatoriedade de se instituir o planejamento prévio e efetivo treinamento para evacuações emergenciais na rede de ensino público e particular Obrigação imposta à iniciativa privada I. VÍCIO DE INICIATIVA INEXISTENTE Obrigação imposta a todos que se enquadrarem na norma, de forma indistinta Polícia administrativa Caso que não se insere entre os de iniciativa privativa do Poder Executivo II. VIOLAÇÃO AO PACTO FEDERATIVO Competência privativa do Estado para disciplina das Polícias Militares, Civil e Corpo de Bombeiros Ofensa aos arts. 139, §§ 1º e 2º e 142, da Constituição Estadual Inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 4º da Lei impugnada Ação julgada parcialmente procedente.

Trata-se de ação direta de inconstitucionalidade, proposta pelo Prefeito Municipal de Taubaté, buscando a declaração da inconstitucionalidade da Lei n. 5.056, de 11 de setembro de 2015, do Município de Taubaté.

O autor alega que a legislação impugnada, ao exigir a instituição de planejamento prévio e efetivo treinamento para evacuações emergenciais na rede de ensino público e particular do município de Taubaté, dispõe sobre organização e funcionamento da gestão municipal, invadindo competência reservada ao Chefe do Executivo. Invoca o art. 47, XIX, da Constituição Estadual. Além do vício de iniciativa, aponta que a norma impugnada estabeleceu despesa não prevista em lei orçamentária. Pede a concessão da medida liminar e, ao final, a declaração de

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

inconstitucionalidade da Lei Municipal nº 5.056, de 11 de setembro de 2015 (fls. 01/07).

O pedido liminar foi indeferido.

Intimado, nos termos do artigo 90, § 2º, da Constituição Estadual, o Procurador Geral do Estado manifestou desinteresse na defesa do ato impugnado (fls. 37/38).

A Câmara Municipal de Ribeirão Preto prestou informações (fls. 58/67).

A douta Procuradoria Geral de Justiça requereu a procedência parcial da ação (fls. 77/93).

É o relatório.

Pretende o Prefeito Municipal de Taubaté obter a declaração de inconstitucionalidade da Lei Municipal nº 5.056, de 11 de setembro de 2015, face aos artigos 47, XIX, “a” da Constituição do Estado de São Paulo e ao princípio da separação de poderes.

A ação é parcialmente procedente.

A Lei n. 5.056, de 11 de setembro de 2015, do Município de Taubaté, que dispõe sobre a obrigatoriedade de se instituir o planejamento prévio e efetivo treinamento para evacuações emergenciais na rede de ensino público e particular, assim prevê:

“Art. 1º Todas as escolas de nível médio e fundamental da rede de ensino pública e privada, em atuação no Município de Taubaté, ficam obrigadas a elaborarem um Plano de Evacuação apropriado às suas instalações, de forma a estabelecer procedimentos e critérios para uma evacuação rápida e segura de seus alunos, professores e funcionários, em caso de alguma situação emergencial ou de iminente perigo.

§ 1º O Plano de Evacuação deverá ser elaborado especificadamente para cada instituição de ensino levando em conta as peculiaridades de suas instalações, apontando de forma clara as vias de

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PODER JUDICIÁRIO

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saída e eventuais vias de emergência e predeterminando quais grupos utilizarão cada uma dessas vias de evacuação, bem como as prioridades que possam ser estabelecidas para se evitar o tumulto na execução do Plano de Emergência.

§ 2º Deverá ser especificado no Plano de Evacuação o tipo de alarme que será dado para se deflagrar os procedimentos preestabelecidos, podendo ser utilizada a própria campainha ou sinal da instituição de forma intermitente e constante, desde que seja percebida por todos no prédio, cabendo a cada professor conferir a evacuação de todos em sua sala antes de fechá-la.

§ 3º O Plano de Evacuação deverá ainda especificar os pontos de encontro da população escolar em local seguro fora da área edificada, determinando a responsabilidade de cada integrante do corpo docente para se evitar a dispersão descontrolada de seus alunos, momento em que deverá ser procedida a contagem de cada grupo para atestar a eficácia da evacuação.

§ 4º O Plano de Evacuação deverá conter todos os procedimentos e medidas a serem adotados nas mais diversas situações de emergência, inclusive em relação a incêndios, vazamento de gás, tremores, panes, invasão por terceiros não identificados e outras situações de perigo ou risco iminente.

Art. 2º O Plano de Evacuação de cada Instituição de Ensino deverá ser submetido à análise e aprovação do Corpo de Bombeiros de Taubaté, ficando o funcionamento da Instituição condicionado à aprovação do mesmo por meio de Parecer Técnico emitido pelo órgão responsável.

Art. 3º Cada Instituição de ensino deverá ter ao menos duas saídas disponibilizadas, salvo se o parecer do Corpo de Bombeiros assim o dispensar, devendo ser recomendada a utilização de uma escada de emergência externa para edificações de gabarito superior a três andares.

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todos que frequentam a Instituição de Ensino por meio de divulgação em aulas e palestras, bem como pela exposição de uma cópia em local visível e de fácil acesso, devendo ser executado em treinamento simulado para exercitar a prática sistemática das técnicas e procedimentos adotados, ao menos, uma vez a cada semestre.

Parágrafo único. O Corpo de Bombeiros de Taubaté deverá observar ao menos um treinamento prático a cada ano, propondo eventuais alterações no Plano de Evacuação que se mostrem necessárias ao seu aperfeiçoamento.

Art. 5º O não cumprimento do disposto nesta Lei implicará na imediata interdição do funcionamento da Instituição educacional até serem sanadas as falhas existentes e apontadas em parecer do Corpo de Bombeiros de Taubaté.

Parágrafo único. As Instituições Educacionais terão um prazo de 2 (dois) anos a contar da vigência desta Lei para se ajustarem às disposições legais nela determinadas.

Art. 6º O Poder Executivo baixará os Atos que se fizerem necessários à regulamentação da presente Lei, determinando as formas de fiscalização do seu cumprimento.

Art. 7º Eventuais despesas decorrentes da atuação do Corpo de Bombeiros de Taubaté em função desta Lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, suplementadas, se necessário.

Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação”.

O autor da ação alega que a lei impugnada ofende os seguintes dispositivos da Constituição Estadual, que, por simetria, aplicam-se aos Municípios1:

1 Artigo 144 - Os Municípios, com autonomia política, legislativa, administrativa e financeira se

auto-organizarão por Lei Orgânica, atendidos os princípios estabelecidos na Constituição Federal e nesta Constituição.

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“Artigo 5º - São Poderes do Estado, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

Artigo 47 Compete privativamente ao Governador, além de outras atribuições previstas nesta Constituição:

[...]

II exercer, com auxílio dos Secretários de Estado, a direção superior da administração estadual;

[...]

XIV praticar os demais atos de administração, nos limites da competência do Executivo;

[...]

XIX dispor, mediante decreto, sobre:

a) organização e funcionamento da administração estadual, quando não implicar aumento de despesa, nem criação ou extinção de órgãos públicos;”.

Contudo, observa-se que a lei vergastada, ao disciplinar a instituição de planejamento prévio e efetivo treinamento para evacuações emergenciais na rede de ensino público e particular do município de Taubaté, não dispôs sobre a estrutura ou a atribuição de órgãos públicos nem sobre o regime jurídico de servidores públicos, matérias efetivamente de competência privativa do Chefe do Poder Executivo.

Observa-se que a lei trata da criação de obrigação destinada a todos os que se enquadrarem na hipótese legal. Verifica-se, na hipótese, regramento de situação ligada ao poder de polícia administrativa.

Conforme define o artigo 78 do Código Tributário Nacional, “considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão

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ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.”

Portanto, não se trata, no caso em análise, de imposição pela Câmara dos Vereadores de política pública a ser implementada pelo Chefe do Poder Executivo, mas de questão de polícia administrativa estabelecida no interesse de todos.

Assim, não há previsão constitucional de iniciativa privativa do Chefe do Executivo para a hipótese em apreço.

Como é cediço, “em algumas hipóteses, a Constituição reserva a possibilidade de dar início ao processo legislativo a apenas algumas autoridades ou órgãos. Fala-se, então, em iniciativa reservada ou privativa. Como figuram hipóteses de exceção, os casos de iniciativa reservada não devem ser ampliados por via interpretativa.” (Gilmar Mendes; Paulo Gustavao Gonet Branco. Curso de Direito Constitucional. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 902. g.n.).

Inexiste no caso, portanto, violação à iniciativa reservada do Prefeito Municipal.

Ademais, o Supremo Tribunal Federal, em julgado recente, submetido ao rito de Repercussão Geral pelo Tema 917, reconheceu que as hipóteses de limitação de iniciativa parlamentar estão taxativamente previstas no art. 61 da Constituição Federal, de modo que não se admite interpretação ampliativa das suas disposições. Nesse sentido, segue a ementa:

“Recurso extraordinário com agravo. Repercussão geral. 2.

Ação Direta de Inconstitucionalidade estadual. Lei

5.616/2013, do Município do Rio de Janeiro. Instalação de câmeras de monitoramento em escolas e cercanias. 3.

Inconstitucionalidade formal. Vício de iniciativa.

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ocorrência. Não usurpa a competência privativa do chefe do Poder Executivo lei que, embora crie despesa para a Administração Pública, não trata da sua estrutura ou da atribuição de seus órgãos nem do regime jurídico de servidores públicos. 4. Repercussão geral reconhecida com reafirmação da jurisprudência desta Corte. 5. Recurso extraordinário provido” (ARE 878911 RG, Relator(a): Min.

GILMAR MENDES, julgado em 29/09/2016, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-217 DIVULG 10-10-2016 PUBLIC 11-10-2016 )

Dessa forma, adotando-se o modelo constitucional, em respeito ao princípio da simetria, não afronta a competência privativa do Chefe do Poder Executivo Municipal lei que não cuide especificamente de sua estrutura ou da atribuição de seus órgãos, ou do regime jurídico de servidores públicos, como é o caso dos autos.

Em casos similares, já decidiu este Colendo Órgão Especial:

“Ação direta de inconstitucionalidade. Lei municipal. Implantação do selo 'amigo do idoso' destinado a entidades que atendem idosos nas modalidades asilar e não asilar, e empresas parceiras, com ações em benefício da pessoa idosa. Inexistente vício de iniciativa legislativa. Rol constitucional exaustivo. Art. 24, §2º, CE, aplicável por simetria ao Município. Precedentes do Órgão Especial e STF. Tese nº 917 de Repercussão Geral. Não configurado ato concreto de administração, tampouco ato de planejamento e gerenciamento de serviços públicos municipais. Usurpação de atribuições do Poder Executivo não verificada. A concretização de lei que disponha sobre programa voltado à conscientização e estímulo à proteção do idoso é atividade inerente à atuação da administração. Lícito ao Poder Legislativo Municipal impor ao Executivo o exercício de suas funções. Novos

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direitos e obrigações que devem ser introduzidos ao ordenamento justa e legitimamente por lei. Suposta ausência da fonte dos recursos financeiros importaria, no máximo, na inexequibilidade do programa no mesmo exercício orçamentário em que promulgada a norma questionada. Art. 4º, contudo, tem natureza autorizativa. Afronta ao princípio da legalidade. Atuação de toda autoridade pública deve se submeter à soberania da lei, dotada de obrigatoriedade ínsita. Criação de novos direitos e obrigações no ordenamento jurídico. Não pode o legislador transferir o exercício dessa típica função à administração por meio de suposta "autorização". Celebração de parceria ou convênio imposta à administração, como forma de consecução da lei, abrange questão afeta à organização administrativa e ao funcionamento do Poder Executivo. Inconstitucionalidade apenas nesse particular. Violação ao art. 47, II, XIV e XIX, a, CE. (TJSP; Direta de Inconstitucionalidade 2253854-95.2017.8.26.0000; Relator (a): Márcio Bartoli; Órgão Julgador: Órgão Especial; Tribunal de Justiça de São Paulo - N/A; Data do Julgamento: 16/05/2018; Data de Registro: 24/05/2018)

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - Lei nº 1.779, de 14.12.17 do Município de Taquarituba instituindo Programa Municipal de Horta Comunitária. Vício de iniciativa. Inocorrência. Iniciativa legislativa comum. Recente orientação do Eg. Supremo Tribunal Federal. Organização administrativa. Arts. 2º, 3º, 9º, 11 e 13. Imposição de obrigações a órgãos administrativos. Inadmissibilidade. Cabe ao Executivo a gestão administrativa. Desrespeito ao princípio constitucional da 'reserva de administração' e separação dos poderes. Afronta a preceitos constitucionais (arts. 5º; 47, inciso XIV e 144 da Constituição Estadual). Ação procedente, em parte. (Direta de Inconstitucionalidade n. 2253903-39.2017.8.26.0000

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Assim, não há se falar em incompatibilidade da legislação municipal impugnada com os artigos 5º e 47, incisos II, e XIV, da Constituição Estadual.

No entanto, o mesmo raciocínio não pode ser adotado ao se analisar especificamente a redação do parágrafo único do artigo 4º da lei impugnada. Isso porque, ao conferir atribuições ao Corpo de Bombeiros, de observar ao menos um treinamento prático a cada ano nos estabelecimentos escolares, propondo eventuais alterações no Plano de Evacuação que se mostrarem necessárias ao seu aperfeiçoamento, o legislador municipal invadiu competência reservada à legislação estadual.

Com efeito, nos termos do art. 139, §§1º e 2º da Constituição Estadual, a segurança pública é exercida pelo Corpo de Bombeiros Militar, o qual é subordinado ao Governado do Estado, com atribuições a serem fixadas por lei estadual, de acordo com o art. 142 também da Constituição Estadual.

Assim, ao impor atribuições ao Corpo de Bombeiros, a legislação municipal invadiu competência privativa dos Estados.

Outro não é o entendimento deste Colendo Órgão Especial:

“VOTO DO RELATOR EMENTA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Lei 8.770, de 03 de abril de 2017, do Município de Jundiaí (que prevê multa por acionamento telefônico indevido dos serviços de emergência) Violação ao princípio federativo por invasão de competência privativa do Estado (e não da União) para disciplina das Polícias Militares, Civil e Corpo de Bombeiros Ofensa aos arts. 139, §§ 1º e 2º e 144, caput e § 6º, da Constituição Estadual - Ação procedente em parte” (TJSP; Direta de Inconstitucionalidade

2248622-05.2017.8.26.0000; Relator (a): Salles Rossi; Órgão Julgador: Órgão Especial; Tribunal de Justiça de São Paulo - N/A; Data do Julgamento: 04/04/2018; Data de Registro: 05/04/2018).

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Corpo de Bombeiro, pela lei vergastada, apenas ressaltam as suas funções como órgão de proteção contra incêndios e emergências, dentro dos limites traçados pela legislação federal e estadual sobre o tema, visto que, nos termos da Lei Complementar Estadual nº 1.257/15 e da Lei Federal nº 13.425/2017, “cabe ao Corpo de Bombeiros Militar planejar, analisar,

avaliar, vistoriar, aprovar e fiscalizar as medidas de prevenção e combate a incêndio e a desastres em estabelecimentos”(art. 3º).

Por fim, que a simples ausência de previsão orçamentária específica não seria capaz, por si só, de eivar de inconstitucionalidade o ato normativo vergastado.

Conforme entendimento há muito sedimentado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, a falta de indicação da fonte de custeio para a execução do quanto disposto em um ato normativo não o eiva de inconstitucionalidade, mas apenas obsta sua execução no exercício em que editada. Prevista a despesa no orçamento seguinte, passa-se à aplicação do comando normativo.

Assim, reconhece-se a incompatibilidade apenas do parágrafo único do art. 4º da legislação municipal impugnada com os artigos 139, §2º e 142, da Constituição Estadual, além do princípio federativo.

Ante o exposto, julga-se parcialmente procedente a ação, para declarar a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 4º da Lei Municipal nº 5.056, de 11 de setembro de 2015, do Município de Taubaté.

MOACIR PERES Relator

Referências

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