Por que elaborar projeto de pesquisa?
O projeto constitui um documento em que o pesquisador descreve, sinteticamente, a pesquisa que está se propondo a desenvolver. A elaboração do “projeto de pesquisa” pode ser feita assim que o pesquisador já tenha claro o “problema de pesquisa”, conheça a literatura que trata do tema, tenha realizado a revisão bibliográfica e tenha clara a metodologia que orientará seu trabalho de campo. Assim, é anterior ao trabalho de campo, apresentando um planejamento dele.
A elaboração de um projeto é necessária tanto por razões metodológicas quanto institucionais. Do ponto de vista metodológico a estruturação do projeto constitui um momento de organização das informações já disponíveis e das ações futuras, de forma a favorecer o alcance dos objetivos da pesquisa. Conforme Deslandes (1994, p.35) :
Fazemos um projeto de pesquisa para mapear um caminho a ser seguido durante a investigação. Buscamos, assim, evitar muitos imprevistos no decorrer da pesquisa que poderiam até mesmo inviabilizar sua realização. Outro papel importante é esclarecer para o próprio investigador os rumos do estudo (o que pesquisar, como, por quanto tempo, etc.).
Do ponto de vista institucional, o projeto tem sido requerido em diversas situações:
- o projeto é um requisito para solicitação de financiamentos à pesquisa, constituindo o meio através do qual o pesquisador relaciona-se com as instituições financiadoras de pesquisa. Segundo Deslandes,
[...] um pesquisador necessita comunicar seus propósitos de pesquisa para que seja aceita na comunidade científica e para obter
financiamentos. O “meio de comunicação” reconhecido no mundo científico é o projeto de pesquisa. (1994, p.35)
- o projeto é requisito para ingresso em cursos de pós-graduação (especialmente mestrado e doutorado);
- o projeto é um instrumento de acompanhamento administrativo das atividades do pesquisador em instituições de ensino e pesquisa.
Por fim, deve-se ter em conta que, sempre que um projeto for utilizado como instrumento de mediação do pesquisador com uma instituição, ele figura como um contrato, gerando expectativas sobre os comportamentos mútuos. Ou seja, aquele que vai financiar a pesquisa espera que o pesquisador se oriente pelos objetivos e pela metodologia do projeto, gerando resultados segundo as condições de recursos humanos, materiais e financeiros do cronograma previstos no projeto.
Estrutura de projeto de pesquisa
Como os projetos são utilizados, geralmente, para apresentar uma proposta de pesquisa a uma instituição financiadora, convém considerar seu trâmite dentro dessas instituições para identificar os conteúdos básicos que nele devem constar.
Inicialmente, cabe mencionar que, na pesquisa, geralmente a demanda por recursos excede a sua oferta. Assim, a instituição financiadora define critérios de avaliação e priorização de projetos para financiamento, e os encaminha para avaliação por um parecerista qualificado na área do conhecimento em que o projeto está sendo apresentado.
parecerista tenha condições de avaliar esses aspectos, é necessário que o pesquisador apresente:
- os objetivos da pesquisa;
- a justificativa da realização da pesquisa (que esclarece, então, sua importância social e/ou teórica) e seu vínculo com o edital.
Para avaliar o projeto, o parecerista vai considerar, ainda, tanto a qualificação da equipe técnica1 (formação acadêmica - titulação e área do conhecimento da titulação-, experiência com pesquisas anteriores na mesma área ou temáticas), quanto ao domínio da teoria na área do conhecimento, da adequação da metodologia proposta, das condições de infra-estrutura, do cronograma e do orçamento. Em alguns casos, a falta de qualidade na redação e na apresentação do trabalho podem comprometer a proposta. Para Cardoso (1999), é necessário demonstrar viabilidade, identificar os elementos que tornam a pesquisa viável, como a disponibilidade de área física, técnicos, equipamentos, software, experiência previa do orientador ou bolsista na área, etc.
Assim, diversos autores concordam que o projeto deve conter, no mínimo, os elementos e a estrutura apresentado na figura 1:
1
Figura 1. Estrutura do projeto de pesquisa
o que pretende conhecer ? Objetivos
Conteúdo temático Estrutura
Contextualização Introdução
. por que conhecer ? qual justificativa para escolha deste problema de pesquisa?
Justificativa
. o que já se sabe sobre o assunto ? o que diz a
bibliografia ? Revisão bibliográfica
. como procederá para gerar o conhecimento buscado ?
Metodologia
. qual o tempo necessário para gerar o conhecimento desejado ?
Cronograma
. quais os recursos materiais e financeiros necessários ?
Orçamento
. quem está se propondo a realizar a pesquisa ? quais as
Considerando a necessidade de apresentar essas informações, convencionou-se uma estrutura genérica de projeto de pesquisa, composta das seguintes partes2: introdução, objetivos, justificativa, revisão bibliográfica, metodologia, cronograma, orçamento e referências bibliográficas.
É necessário lembrar que, como documento, a apresentação do projeto é normatizada pela ABNT, pela NBR 1528 de 2005. Entretanto, como o projeto serve para mediar as relações entre pesquisadores e instituições, as instituições muitas vezes estabelecem modelos específicos para estruturação de projetos. Assim, as instituições podem definir padrões específicos quanto à estrutura e à formatação do projeto de pesquisa, e esses podem variar de edital para edital. Tais circunstâncias levam a recomendar que o pesquisador verifique sempre se foi definido ou não um modelo de referência específico na instituição e/ou no edital para a qual apresentará o projeto.
Atualmente, verifica-se uma mudança importante na forma de apresentação dos projetos de pesquisa. Geralmente, estes eram apresentados em formato impresso, mas a evolução tecnológica tem propiciado a apresentação de projetos em formato eletrônico, mediante preenchimento de formulário elaborado pela instituição para a qual o projeto será apresentado.
Modelo simplificado de estrutura de Projeto de Pesquisa
2
Existem controvérsias entre autores sobre a essencialidade da apresentação de resumo. Para Cardoso (1999), todo projeto deve ter um resumo, que dá uma idéia geral sobre todo projeto, pois este é importante para fins de catalogação do projeto na entidade. Nesse caso, o resumo deve ter de dois a três parágrafos, contendo: identificação da investigação, ênfase do que o projeto propõe (o que não existe e precisa ser feito ou o que já existe, mas que ainda precisa ser aprimorado), os maiores objetivos do projeto e procedimentos a serem seguidos para alcançar objetivos. O autor alerta que o resumo deve ser a última coisa a se escrever no projeto.
Para saber mais sobre o assunto, informe-se sobre a submissão de
A ABNT (2005?) entende que o projeto, tal como outro documento acadêmico, compõe-se de três partes: pré-texto, texto e pós-texto.
No pré-texto, é obrigatória a apresentação da folha de rosto e do sumário. Os demais elementos (capa, lombada, lista de ilustrações, lista de tabelas, lista de abreviaturas e siglas e lista de símbolos) são opcionais.
No pós-texto, é obrigatória a apresentação das referências bibliográficas enquanto glossário, apêndice, anexo e índice são elementos opcionais.
Do exposto, observa-se que o texto é a parte central do projeto. Um modelo simplificado de projeto de pesquisa seria composto dos seguintes elementos, cada qual com conteúdo temático específico.
a) Título
Cardoso (1999) fornece indicação sobre características desejáveis do título, colocando que ele deve ser “Conciso e Explicativo”. Conforme instrução normativa 12/73 da FAPERGS, recomenda-se que o titulo seja claro e conciso; no máximo de vinte (20) palavras, de forma a dar uma idéia prévia ao leitor sobre o conteúdo do trabalho.
Conforme Cardoso (1999), deve-se evitar palavras desnecessárias como as expressões: ‘Estudos em..., Investigações..., Pesquisa sobre problemas em...”
Exemplo: “Disponibilidade de nitrogênio e sua relação com o afilhamento e rendimento de grãos de aveia“ 1.
Exemplo de títulos bom:
. Sistema de apoio à decisão em trauma craniencefálico usando redes neurais artificiais Exemplo de título ruim:
b) Introdução
Através da introdução, busca-se levar o leitor a identificar as motivações para a realização do estudo, o tema e problema de pesquisa. Cardoso (1999) apresenta modelo de estrutura sugerido para redação de introdução3:
Exemplo de introdução:
Biomassa acima do solo de espécies herbáceas e subarbustivas com potencial medicinal em uma vegetação secundária4
Introdução
Considera-se como vegetação secundária a que se desenvolve em terras que foram abandonadas depois que a cobertura vegetal original foi removida pela atividade humana (Finegan, 1992). [...]
No estado de Minas Gerais, grande parte da cobertura florestal atual é constituída por vegetação secundária em diferentes estágios sucessionais cujo processo foi desencadeado em sua maioria pela atividade antrópica representada pela expansão urbana, atividades agropecuárias, florestais e de produção mineral (Costa et al., 1998). Nas vegetações secundárias, encontram-se diversas espécies de plantas com potencialidades de utilizações variadas, inclusive a medicinal.Na fase inicial do processo sucessional, as plantas herbáceas e subarbustivas apresentam alta densidade, porém, ainda é pouco o conhecimento a respeito do aproveitamento desse tipo de vegetação.
O presente trabalho teve como objetivo verificar a produção de biomassa acima do solo das plantas herbáceas e subarbustivas, com potencialidade de uso medicinal, que se apresentam regenerando em uma vegetação secundária de origem antrópica.
3
Cardoso (1999) também apresenta um modelo alternativo para estruturação da introdução que prevê a seguinte seqüência temática:
. discutir o próprio trabalho prévio; . apontar a continuação da proposta;
. deixar claro o problema da pesquisa e o que foi conseguido com ele até agora; . dar evidências de sua competência no campo;
. mostrar por que o trabalho prévio precisa ser continuado; . revisar a literatura seletiva e crítica
4
Fragmento do artigo publicado na revista Ciência Florestal, v.13, n.1 de jun. 2003.
. Primeiro: situar a área geral em que se enquadra o projeto . Segundo: revisar sucintamente as pesquisas anteriores
. Terceiro: indicar o que falta para ser pesquisado ou desenvolvido . Quarto: motivar para realizar uma nova pesquisa ou desenvolvimento
Torna-se importante revelar, no decorrer da introdução, as possíveis contradições existentes na literatura ou as “lacunas” na área do conhecimento.
Recomenda-se adotar uma estrutura de texto em que o pesquisador permite ao leitor se aproximar, sucessivamente, do objeto de estudo (seguindo uma abordagem do geral ao específico, do tema ao problema de pesquisa). No caso investigado, por exemplo, o autor trabalhou com a seguinte seqüência temática (assinalado em vermelho no texto):
- abordagem geral sobre vegetação secundária (o que é); - vegetação secundária em Minas Gerais (delimitação espacial);
- indicação de interesse pelas potencialidades de utilização das plantas; - indicação de interesse especial no uso medicinal;
- indicação de interesse especial no uso medicinal de plantas, na fase inicial do processo sucessional.
Alguns autores recomendam ainda outros cuidados na redação da introdução:
. deve ser compreensível a um não especialista do assunto, no entanto, evitando abordagem muito elementar. Para isso, convém referir-se a revisões publicadas;
. deve transmitir segurança no conhecimento sobre o tema; . deve transmitir autoconfiança;
. deve ter um toque de entusiasmo, mas não promessas extravagantes.
c) Objetivos
Deslandes (1994, p.42) coloca: "Buscamos aqui responder ao que é pretendido com a pesquisa, que metas almejamos alcançar ao término da investigação.”
Deslandes (1994, p.42) ressalta: “É fundamental que estes objetivos sejam possíveis de serem atingidos. Geralmente se formula um objetivo geral, de dimensões mais amplas, que identifica o objeto de estudo, articulando-o a outros objetivos mais específicos.” No caso do exemplo acima os objetivos específicos referem-se às diferentes condições de sombreamento que serão submetidas às mudas. As porcentagens de sombreamento testadas foram: 0% (sol pleno), 30%, 50% e 75%. Cada um dos tratamentos poderia ser redigido na forma de um objetivo específico:
Algumas vezes as deficiências na formulação dos objetivos da pesquisa podem comprometer o projeto. Cardoso (1999) menciona que iss pode ocorrer quando o pesquisador não observa que o problema é mais complexo ou que o problema é cientificamente prematuro. Daí a recomendação para que o pesquisador seja realista na definição do que o projeto pode alcançar.
d) Justificativa
Para Deslandes (1994, p.42):
Trata-se da relevância, do por quê tal pesquisa deve ser realizada. Quais motivos a justificam? Que contribuições para a compreensão, intervenção ou solução para o problema trará a realização de tal pesquisa? A forma de justificar em pesquisa que produz maior impacto é aquela que articula relevância intelectual e pratica do problema investigado à experiência do pesquisador.
Exemplo: No artigo intitulado “Crescimento inicial de mudas de Clitoria fairchildiana Howard E
Peltophorum dubium (Sprenge) Taub em diferentes condições de sombreamento”1, o objetivo geral da pesquisa é:
- Avaliar a influência do sombreamento no crescimento de mudas de Peltophorum dubium (Canafístula) e Clitoria fairchildiana (Sombreiro).
- Avaliar a influência do sombreamento no crescimento de mudas de ‘Peltophorum dubium’
Como os projetos são, atualmente, apresentados para concorrer a verbas de um edital específico, convém demonstrar como, através da realização do projeto, avança-se no avança-sentido de alcançar os objetivos previstos no edital. No edital 01/2000 de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico, da FAPERGS, por exemplo, consta: “É importante que dentro do projeto seja destacado, com clareza, eventual retorno para o desenvolvimento científico, tecnológico, econômico ou social da região ou do Estado”.
Considerando-se as características da política de apoio à pesquisa, percebe-se que esta tem valorizado a pesquisa aplicada, de atendimento a demandas do setor produtivo, por exemplo, e, nesse contexto, torna-se fundamental evidenciar as contribuições da pesquisa para desenvolvimento de um determinado setor ou cadeia produtiva.
Quanto à forma de estruturação da justificativa, na medida em que a pesquisa está relacionada a demandas de determinada cadeia produtiva, existe a possibilidade de estruturá-la segundo a seguinte seqüência:
. Pode iniciar com a caracterização da importância da cadeia produtiva
. Pode evoluir para situar os principais problemas da cadeia produtiva (pontos de estrangulamento ou pontos críticos)
. Pode seguir identificando o ponto crítico que será objeto de estudo . Pode identificar a natureza e o potencial da solução proposta
. Pode identificar especificamente as contribuições derivadas do enfoque adotado para o estudo. Discriminar a natureza e magnitude dos benefícios advindos da No Edital Universal 01/2001 do CNPq, observa-se que muitos dos critérios para a análise de projetos referem-se a conteúdos que podem estar explicitados na justificativa:
- Originalidade ou caráter de inovação
- Resultados esperados e benefícios potenciais para a respectiva área do conhecimento
- Relevância para o desenvolvimento científico ou tecnológico do país - Contribuição para a superação das desigualdades regionais
- Resultados esperados e benefícios potenciais para a sociedade brasileira - Vinculação às ações cooperativas universidade/ empresa
Deficiências na justificativa podem comprometer o projeto, especialmente quando revela que o problema não é suficientemente importante, ou a pesquisa não produz nenhuma informação útil (CARDOSO, 1999).
e) Revisão bibliográfica
A FAPERGS, já em 1973, pela instrução normativa 12/73, alertava: “não se admite que um pesquisador inicie um trabalho sem estar fundamentado em uma ampla e criteriosa revisão da literatura.”
Trata-se aqui de demonstrar domínio do assunto abordado e, sobretudo, deixar claro ao leitor o que já se sabe sobre a questão investigada, as controvérsias ou dúvidas ainda existentes e, dentro dessas dúvidas e controvérsias, qual o aspecto específico que será investigado e o que se sabe sobre ele. (DESLANDES, 1994). Ao redigir a revisão bibliográfica, deve-se considerar que esta deve dar suporte à hipótese.
Cardoso (1999), ao tratar da preparação da revisão bibliográfica, sugere:
. cite literatura relevante e atual. Não cite excessivamente; . demonstre entendimento da literatura;
. maior perigo: propor projetos baseados em literatura não relacionada; . CUIDADO COM PLÁGIO!!! Citações literais sempre entre aspas e indicando a fonte.
Aspectos relacionados à revisão bibliográfica podem comprometer um projeto, especialmente quando esta demonstra que o pesquisador não parece ser familiar com a literatura ou métodos pertinentes. Do mesmo modo, são prejudicadas as propostas baseadas em evidências insuficientes, duvidosas ou proposta que tem muitos elementos que já estão sob investigação (CARDOSO, 1999).
Para Deslandes (1994, p.42-3) metodologia, "Geralmente é uma parte complexa e deve requerer maior cuidado do pesquisador”.
Entende-se que importa que fiquem claros quais procedimentos serão adotados para se alcançar cada um dos objetivos específicos da pesquisa. Ainda, sugere-se investigar quais os cuidados metodológicos devem ser adotados, conforme o tipo de pesquisa em questão (levantamento, experimental, estudo de caso), as fontes dos dados (observação empírica, bibliográfica ou documental), os instrumentos utilizados para coleta dos dados (formulários, questionário, etc) entre outros aspectos. Na instrução normativa 12/73 da FAPERGS, no item “Métodos e material que pretende utilizar”, recomenda-se “especificar com que material vai trabalhar e descrever os métodos que vai utilizar, de forma que um outro pesquisador, querendo repetir a pesquisa, possa fazê-lo, utilizando material idêntico e métodos.” Sinteticamente, os principais elementos da metodologia, segundo Deslandes (1994), englobam:
a) definição de amostragem b) coleta de dados
c) organização e análise de dados, descrevendo com clareza como os dados serão organizados e analisados.
Cardoso (1999) sugere que a organização do trabalho em fases e passos pode facilitar a descrição da metodologia.
A descrição da metodologia, se não for adequada, pode comprometer o projeto. Cardoso (1999), baseado em estudo publicado na revista Science coloca que deficiências na abordagem metodológica estavam presentes em cerca de 70% dos projetos recusados. Estes apresentavam:
. Procedimentos inapropriados
. Descrição confusa; delineamento pouco detalhado . Pouca consideração ao aspecto estatístico
. Falta de imaginação científica
. Controles inadequadamente descritos
g) Cronograma
Na instrução normativa 12/73 da FAPERGS, prevê-se que seja apresentada “[...] a duração provável da pesquisa e qual a sua distribuição pelo tempo (cronograma). Mencionar o número de meses ou anos, contando do início do trabalho até a publicação dos resultados ou conclusões”.
Segundo Cardoso (1999), no cronograma, deve-se buscar identificar as distintas fases da pesquisa [atualização da revisão bibliográfica, coleta de dados, análise e interpretação de dados e redação do relatório final] em seqüência, identificando a duração esperada de cada fase. Para Deslandes (1994, p.44-45):
O projeto deve traçar o tempo necessário para a realização de cada uma das etapas propostas. Muitas tarefas podem, inclusive, ser realizadas simultaneamente. A forma mais usual é a do gráfico, onde são cruzados o tempo (mês 1, mês 2, etc.) e as tarefas da pesquisa
No Edital Universal 01/2001 do CNPq, constam entre critérios de avaliação do projeto, a adequação do cronograma físico e qualidade dos indicadores de progresso técnico-científico do projeto.
h) Orçamento
Conforme Deslandes (1994, p.44), “Este item estará presente somente nos projetos que pleiteiam financiamento para sua realização". Geralmente, os gastos são agrupados em categorias. É bom lembrar que cada instituição financiadora tem modelos específicos para a apresentação de orçamentos.
Em edital de 20025, a FAPERGS apresenta discriminação dos itens componentes das diferentes rubricas do orçamento:
Material Permanente - compreende “equipamentos de comunicação”, máquinas e aparelhos gráficos, aparelhos elétricos, aparelhos técnicos e científicos, veículos, outras máquinas e equipamentos, material bibliográfico, assinatura de revistas, ferramentas e utensílios de laboratório e enfermagem, utensílios de desenho, software, equipamentos de informática (impressoras, computadores, monitores, etc.) Conforme instrução 012/73, trata-se de “tudo que tenha longa duração”.
Material de Consumo - compreende “material de conservação e limpeza, material de desenho e de expediente, combustíveis e lubrificantes, material de reparo e manutenção de veículos, embalagens, material fotográfico, de filmagens e gravações, produtos químicos, biológicos, farmacêuticos e odontológicos em geral, material de impressão, vidrarias de laboratório ou outro material de consumo. Quando comprados separadamente, os seguintes itens são considerados materiais de consumo: placas de computador, drives, winchesters, memórias e processadores.” Conforme normativa 012/73, são “materiais sujeitos a gasto e desgaste rápidos”.
Serviços de Terceiros e Encargos – incluem “Despesas com prestação de serviços executados por pessoas físicas e jurídicas, tais como: despesas de diárias e prestação de serviços a pessoal, técnico e de apoio, adaptação, reparos e conservação de bens móveis, despesas com instalação de equipamentos de comunicação, reproduções, impressos e serviços gráficos, passagens, serviços de reparos de veículos, aluguéis para eventos”.
Convém apresentar o orçamento em forma de tabela em que são discriminados cada um dos elementos de despesa, as quantidades implicadas, valores unitários, totais e fontes dos recursos.
No Edital Universal 01/2001 do CNPq, por exemplo, incluem-se aspectos relativos ao orçamento na avaliação de projetos, incluindo exame da adequação do
orçamento aos objetivos do projeto e da necessidade real dos recursos do CNPq, face a recursos recebidos de outras fontes.
Referências bibliográficas
ASSOCIAÇÂO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15287: Informação e documentação- Projeto de pesquisa – Apresentação. Rio de Janeiro, 2005.
CARDOSO, Silvia Helena. Curso de Introdução à Metodologia Científica; como elaborar um projeto de pesquisa. Disponivel em:
http://www.nib.unicamp.br/slides/preparar1/sld0001.htm. Acesso em 14/01/1999.
DESLANDES, S. F. A Construção do projeto de pesquisa. In: MINAYO, M. C. (Org.)