ESTUDOS DE COMPACTAÇÃO DO SOLO EM REMANESCENTES FLORESTAIS NA BACIA DO RIO DAS PEDRAS (BARÃO GERALDO-CAMPINAS/SP)

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ESTUDOS DE COMPACTAÇÃO DO SOLO EM REMANESCENTES

FLORESTAIS NA BACIA DO RIO DAS PEDRAS (BARÃO

GERALDO-CAMPINAS/SP)

Sarah Speers Mungioli

Pontifícia Universidade Católica de Campinas-SP CEATEC-Centro de Ciências Exatas, Ambientais e

de Tecnologias sarah.speers@yahoo.com.br

Regina Márcia Longo

Sustentabilidade Ambiental nas Cidades Ceatec – Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de

Tecnologias

regina.longo@puc-campinas.edu.br

Resumo: Um fator de extrema importância para o bom desenvolvimento das plantas é a análise do ní-vel de compactação do solo onde estas estão ou serão estabelecidas. Neste contexto, o presente tra-balho tem por objetivo analisar o impacto da com-pactação do solo em áreas de borda de remanes-centes florestais na Bacia do Rio das Pedras na Ma-ta de SanMa-ta Genebra em Campinas-SP. Para isso, foram avaliados índices granulométricos, de densi-dade, porosidade e presença de matéria orgânica em 40 pontos na extensão da borda da Mata de Santa Genebra. Com os resultados, foram feitas relações entre porosidade e teor de areia, densidade e teor de argila e bioporos e teores de matéria orgânica. Dis-cutindo a relação de cada parâmetro quanto à com-pactação do solo. As ações antrópicas como o tráfe-go de veículos, animais e até mesmo o uso indevido do solo, podem promover a compactação do solo. Com isso, a sua densidade aumenta proporcional-mente. Em um solo mais compactado e denso, as raízes não se desenvolvem e as sementes não ger-minam. Uma vez que isso acontece, minhocas e ou-tros seres também são inibidos. Essa biodiversidade é a grande fonte de aeração e porosidade do solo. Assim, maior densidade, menor porosidade. Um solo de baixa estrutura vai conter então baixa quantidade de matéria orgânica, sendo pobre em fertilizantes. Com base em outros estudos realizados no mesmo local, complementa-se que as áreas mais prejudica-das são as mais próximas de atividade humana, o que auxilia na avaliação de impacto em áreas de borda em remanescentes florestais urbanas.

Palavras-chave: Compactação, porosidade, densi-dade do solo.

Área do Conhecimento:Ciências Agrárias – Recu-peração de Áreas Degradadas – CNPq.

1. INTRODUÇÃO

O que se conhece por solo é um camada de rocha desagregada que contém matéria orgânica, água e diversos seres vivos bióticos. Está localizado na Li-tosfera, uma das esferas principais do Planeta Terra. Uma das formas de classificação do solo é através dos seus horizontes, que giram em torno da localiza-ção e composilocaliza-ção do material [1].

Como importante fonte de recursos naturais e funci-onalidade, o solo é objeto de muitos estudos feitos pelo homem. Porém, nem sempre essa exploração é adequada, causando uma série de danos ao solo e seus componentes, como quantidade de água e oxi-gênio, temperatura e desenvolvimento de raízes. Todos esses fatores estão de alguma forma, interli-gados com a ação antrópica, principalmente através da compactação [2].

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Tabela 1. Frações do solo na escala internacional. Frações Limite dos diâmetros

das partículas

Areia grossa 2,00 – 0,20 Areia fina 0,20 – 0,05 Silte 0,05 – 0,002 Argila < 0,002

Na análise de compactação, encontram-se três ní-veis. O nível tolerável é aquele no qual ainda não houve perda de produtividade, ao contrário do que ocorre no nível crítico. E no nível intermediário, há potencial de perda, porém associada a outros fato-res.

Assim, de acordo com a escala simplificada da EMBRAPA que divide o solo em: muito argiloso, argiloso, médio e arenoso, os solos com uma maior proporção de areia, são denominados solos areno-sos e por terem uma textura grossa, devido ao grande tamanho das partículas, tendem à uma for-mação piramidal, com menos poros. Já os solos argilosos, tendem a um arranjo cúbico, com maior porosidade e maior retenção de água, conforme mostra a Figura 1.

Figura 1: Esquema mostrando dois tipos de arranja-mento de partículas: (a) cúbico; (b) piramidal.

Além de influenciar a porosidade e retenção de água, a textura do solo também exerce pressão quanto à disponibilidade de nutrientes, desenvolvi-mento de raízes e à própria compactabilidade do mesmo [2]. Essa compactação pode ter duas ori-gens: processos pedogenéticos, conceituando ca-madas adensadas ou, como já enfocado antes, ma-quinário pesado e animais, denominando camadas compactadas. E afeta diversos fatores físicos do solo. Aumenta seus peso específico e resistência ao cisalhamento, diminui a porosidade e permeabilida-de, uma vez que o crescimento de raízes é inibido. Em relação a porosidade, a compressão faz com que macroporos se reduzam a microporos. Ou seja, poros responsáveis pela aeração e criados por raí-zes e animais como minhocas, os chamados biopo-ros são reduzidos para pobiopo-ros com função de reter água, levando a um acúmulo [4].

Remediar a compactação é difícil, pois na recupe-ração de uma camada superficial, ocorre a compac-tação de camadas inferiores [5]. O que pode ser feito, é a introdução de plantas com um sistema radicular capaz de adentrar camadas compactadas. No caso da agricultura, uma alternativa é a rotação de culturas, que irá repor os nutrientes da terra, agindo como ação remediadora e preventiva [6].

2. MATERIAIS E MÉTODO

A Mata Santa Genebra, local de estudo deste traba-lho, é o maior fragmento de vegetação nativa do município de Campinas/SP, que possui clima meso-térmico com verões e chuvosos e invernos secos. Ao longo de sua borda, puderam-se observar áreas de brejo, de clareira, de fácil acesso até partes mais densas e algumas com elevada presença de bam-bu.

Para a realização do estudo, foram retiradas 40 amostras, espaçadas em 200 metros em trabalhos realizados por [7,8, 9].

Figura 2: Pontos de coleta numerados de 1-40. Fonte: Imagens obtidas pelo Google Earth, sem valor carto-gráfico real. Elaborado por: CUNHA, J. C.M.

Os pontos de coleta foram georreferenciados pelo grupo de pesquisa, obtendo sua latitude e longitude em coordenada UTM no fuso 23 S e posteriormente tabelados.

As amostras foram coletadas por raspagem ou es-cavação e enviadas ao laboratório para análise gra-nulométrica. E para as análises de densidade do solo, porosidade e matéria orgânica, no laboratório de solos do CEATEC-PUC Campinas em trabalhos realizados por [7, 8, 9].

Na análise de granulometria utilizou-se o método da pipeta, que se baseia na diferença da velocidade de sedimentação entre partículas de diferentes dimen-sões. Determinando assim, a frações de argila, silte e areia total das amostras [10].

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bioporos e matéria orgânica. Onde a densidade é medida pela divisão da massa do solo seco pelo volume do anel volumétrico. Na determinação da porosidadeforam utilizados os dados da densidade do solo e da densidade da partícula [9]. A determi-nação de bioporos foi realizada por [9] e a de maté-ria orgânica, os dados foram retirados de [8].

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para a análise dos dados, calculou-se a média de quatro em quatro pontos sequenciais, obtendo as-sim 10 pontos finais para serem analisados, con-forme apresentado na Tabela 2.

Tabela 2: Teores médios de argila, areia, porosidade e densidade do solo. Amostra Argila (g/kg) Areia (g/kg) Porosiade (%) Densidade (g/cm3) 1 463* 415 75,90 0,88 2 487 356 78,93 0,78 3 603 256 88,23 0,72 4 531 290 87,86 0,72 5 550 268 89,85 0,74 6 486 320 80,76 0,64 7 391 423 80,53 0,83 8 535 321 80,99 0,69 9 576 288 75,16 0,76 10 515 340 87,86 0,74

* média de 4 repetições. Fonte: Mendes & Longo(2013), Cunha & Longo (2013) e Lammoglia & Longo(2013)

3.1. Porosidade x Teor de areia

O gráfico 1 apresenta a relação entre o teor de areia e a porosidade do solo.

Gráfico 1: Porosidade x Teor de areia.

De maneira geral pode-se observar que áreas com menores teores de areia apresentam uma maior porosidade, como pode-se observar nas parcelas 3, 4, 5, 6 e 10, isso em função do arranjo dos espaços livres (arranjo piramidal-Figura 1).

3.2. Densidade x Teor de argila

O gráfico 2 apresenta a relação densidade do solo e teor de argila.

Gráfico 2: Densidade x Teor de argila

Com uma linha de tendência também não muito evidente, pode-se observar, de modo geral, que quanto mais argiloso o solo menor a sua densidade. Uma vez que quanto maior a densidade do solo, maior a sua compactação, devido justamente ao menor tamanho das partículas, relembrando que a argila possui um diâmetro menor do que a mais fina partícula de areia.

3.3. Bioporos x Matéria orgânica

O gráfico 3 apresenta as médias dos valores de matéria orgânica e bioporos em cada ponto.

Gráfico 3: Bioporos x Matéria Orgânica (g/dm3).

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macroporos criados por raízes e minhocas. Assim, eles representam a ausência ou presença de ativi-dade biológica [12]. No estudo de [9], foi constatada uma menor quantidade nas áreas próximas a ativi-dades agrícolas. Bem como em [8] observou-se uma maior quantidade de matéria orgânica nas áreas de vegetação nativa. O que vai ao encontro do que foi dito: com uma elevada biodiversidade no local, como raízes e minhocas, a porosidade au-menta e a matéria orgânica proveniente da decom-posição desses elementos também é maior que an-tes.

Com a densidade alta, não há desenvolvimento ra-dicular e a porosidade é reduzida. O solo fica então sem estrutura e pobre em elementos fertilizantes, que tem como fonte principal a matéria orgânica [11]. Sabe-se que solos de maior produtividade são justamente aqueles com menor quantidade de ma-téria orgânica. O que nos leva de volta ao ciclo. Menos MO, menos bioporos.

4. CONCLUSÃO

A interferência do homem é clara nesse estudo. A compactação é evidenciada. Nas áreas agrícolas e urbanizadas, onde há maquinário pesado e animais, os valores da densidade são maiores. O mesmo para a porosidade bioporos que foi menor nas de plantações. E nas áreas afastadas, constatou-se maior quantidade de matéria orgânica.

Uma vez que todos esses fatores estão fortemente ligados à compactação, esse estudo traz possíveis soluções para os problemas de um solo compacta-do. Destacam-se: rotação de culturas para reposi-ção de nutrientes, plantio de mudas nativas, como fonte de alimentação da fauna e delimitação de plantações, estudo da pressão suportada pelo solo e posteriormente adequação de maquinário, uso de palha para dissipar a pressão, etc [13].

Entretanto, o principal é um bom estudo das condi-ções do solo e do ecossistema como um todo, ali-ando projetos já existentes com futuros planejamen-tos, e assim evitar a compactação ao invés de ape-nas remediá-la.

AGRADECIMENTOS

A autora agradece à FAPIC/reitoria pela bolsa con-cedida para a execução da pesquisa e à orientadora Profª Dra. Regina Márcia Longo pelo apoio, ajuda e paciência ao longo do projeto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1]. Drew, D. (1992) Processos Interativos Ho-mem-Meio ambiente. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1998. Alagoas. Rev. Bras. De Ci. Solo, Campinas, v.16, n.3, p.397-402, 1992.

[2]. Sá, M. A. C. de Santos Jr, J. de D. G. dos (2005). Compactação do solo: consequências para o crescimento vegetal. Planaltina, Distrito Federal: Embrapa Cerrados, 2005. Disponível em:http://www.cpac.embrapa.br/publicacoes/se arch_pbl/1?q=compacta%C3%A7%C3%A3o% 20do%20solo

[3]. Braga, B. et al. (2002). Introdução à Enge-nharia Ambiental. Prendice Hall. São Paulo, 2002

[4]. Moniz, A. C. (1972)Elementos de pedolo-gia. 1. Ed. São Paulo, Editora Polígono S.A. 1972.

[5]. Seixas (1998), F. Compactação do solo devido à mecanização florestal: Causas, efei-tos e práticas de controle. Pi racicaba, IPEF, 1988. 10p. ( Circular Técnica, n.163)

[6]. Bonelli, E. A. et al. (2011)Compactação do solo: efeitos nas características produtivas e morfológicas dos capins Piatã e Mombaça. Rev. bras. eng. agríc. ambient. [online]. 2011, vol.15, n.3, pp. 264-269. ISSN 1807-1929. [7].Cunha, J.C.M., Longo, R.M. (2013). Levan-tamento Pedológico detalhado do solo e análi-se do banco de análi-sementes em remanescentes florestais na Bacia do Rio das Pedras (Barão Geraldo-Campinas/SP) para fins de quantifica-ção da degradaquantifica-ção ambiental. Relatório Final de Pesquisa (Iniciação Científica, 2013)

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Final de Pesquisa (Iniciação Científica, 2013) [9]. Lammoglia, R., Longo, R.M. 2013. Bioindi-cadores de degradação em ambientes flores-tados urbanos. Relatório Final de Pesquisa (Iniciação Científica, 2013)

[10]. Kiehl L, E. J.(1979). Manual de Edafolo-gia. Editora Agronômica Ceres, ltda. São Paulo – SP, 1979.

[11]. Salomão, F.X.T. (2010) Composição e morfologia dos solos. UFMT-Cuiabá. 2010.

Disponível em:

http://www.labogef.iesa.ufg.br/labogef/arquivos /downloads/Composicao_e_Morfologia_de_Sol os_14984.pdf. Acesso em 24/07/2014.

[12].Ribeiro, K.D. (2006) Propriedades físicas do solo, influenciadas pela distribuição de po-ros, de seis classes de solos da região de

La-vras-MG1. 2006. Disponível em:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_artte

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em: 24/07/2014.

[13]. Veiga, M. (2009) Compactação: das cau-sas às soluções. 2009. Disponível em: http://www.fisicadosolo.ccr.ufsm.quoos.com.br/

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