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Rev. adm. empres. vol.15 número4

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Academic year: 2018

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Sociologia de I' éducation

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textes fondamentaux

Por Alain Gras. Paris, Li braire Larousse , 1974. 382 p. Prefácio de Henri Janne.

A. educação, segundo o pen-samento liberal, foi por muito tempo entendida como o gran-de elevador capaz gran-de igualar oportunidades, de neutralizar os efeitos sobre o destino in·· dividual associados a raça, セッイL@ religião e sexo, reproduzindo a sociedade ao reproduzir a cul-tura que a unifica e integ ra. Caberia aumentar-lhe sempre a capacidade, fazê-la descer ao porão, dar-lhe portas mais am-plas e fornecer-lhe, enfim, cada vez mais energia para levar sempre mais gente para an-dares sempre mais altos, onde a humanidade se real iza em sua plenitude.

Nesse pano de fundo é fácil entender por que o grande tema, em questão de sociologia educacional, foi a c rít ica das desigualdades, inspiradora dos estudos de mobilidade social por meio do diploma e do saber. E que homem , enfim, estaria desembarcando no úl-timo andar para daí comandar, no Estado e na sociedade c ivil , todo o edifício .

Nos últimos 15 anos, a con-cepção mudou bastante e os economistas trouxeram um ar-senal de ferramentas propondo que o problema maior não era

Revista de Administração de Empresas

bem o tamanho das portas e muito menos o da sapiência e tolerância do homem a descer no último andar, mas sim quan-tos deveriam ser alçados a que andares, de modo que fosse minimizado o custo da energia alocada ao passageiro e à ad-ministração do edifício, na qual eles, economistas , passaram a

participar cada vez mais. Agora a crítica - seja à total arquitetura do prédio, seja à sua divisão interna- chegou, e novas questões se propuseram. Ao discutir o aparelho es-colar como aparelho ideológico de Estado dominante, Al thus-ser elevou, para toda a verten-te que comanda, o estatuto teórico da educação, de que se aproveitaram Baudelot e Es-tablet com L' école capitalista en France, montando defesas contra o que consideram o "fatalismo apolítico" de Bour-dieu e Passeron, implíc ito no privilégio conferido ao capital cultural sobre o capital eco-nômico como determinante do desti no social do indivíd uo . E defesas que começavam pelo princípio de que na soc iedade de classes não há um si stema educacional, mas em realidade dois , ou mais precisamente, duas redes, reproduzindo bur-guesia e proletariado.

Mas, seja como for, a ver-dade é que o dito approach

eco nô m ic o da edu cação , florid o e f rutificado na década anterior, entra em declínio , e

nomes como Althus ser,

Baudelot e Establet, Bourdieu e Passeron, Ivan lllich e Gintis não podem hoje ser dispen-sados de qualquer curso de sociol ogia educac ional que se queira atualizado, e para cuj a organização o esforço orga-nizatório de Gras é de grande relevân cia.

Sua proposta, na introdução, é a de dividir a sociolog ia ed ucacional (desde Durkheim) em quatro orientações básicas: 1. a humanista, que inspira uma abordage'm moralizadora e freqüentemente transhistórica; 2. a econômica, cujo primeiro objetivo é medir a rentabili-dade, no sentido amplo, do

sis-tema educacional para a co-letividade; 3. a interpessoal, em que predomina o estudo da socialização, tomado no sen-tido de adaptação ao ambiente; e finalmente 4. a macrosso-ciológica e totalizadora, de ins-piração marxista, que insiste sobre a função de legitimação e

de conservação social que

representa para as classes dominantes (p. 23).

Evidentemente, inspiração

não quer dizer ortodoxia, e qualquer leitor medianamente iniciado pode ver as oposições categóricas que se põem entre o grupo de Bo urdieu, as teses sobre desescolarização desen-volvidas por lllich e a preo-cupação propriamente marx ista

com a educação enq uanto

aparel ho ideológico de Estado.

É, porém, impo rtante

ressal-tar que a última das quatro é a

orientação predominante na

seleção e disposição dos tex-tos, mostrando competência ao privilegiá-la, posto que aí está o pano de fundo : na totalidade. A obra importa mesmo a quem não ten ha interesse es-pecífico em ed ucação , e entre estes, àqueles que rejeitam a maldosa pilhéria segundo a qual "quem sabe faz, quem não sabe ensina, e quem não sabe ensinar, ensina a ensinar", iro nia fácil dos que desejam transformar sem mais nem menos o elevador e o prédio em

empresa. •

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